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quarta-feira, 15 de abril de 2015

CANGACEIRO " VILA NOVA " FALA AO CORREIO DE ARACAJU SOBRE O COMBATE DE ANGICO (Edição de 29/10/1938) LEIA, ABAIXO, A MATÉRIA COMPLETA…


CANGACEIRO " VILA NOVA " FALA AO CORREIO DE ARACAJU SOBRE O COMBATE DE ANGICO (Edição de 29/10/1938) LEIA, ABAIXO, A MATÉRIA COMPLETA…

NEM OS PRÓPRIOS BANDIDOS ACREDITAVAM NA MORTE DE LAMPIÃO! 
UMA CONTRA-OFENSIVA QUE FICOU APENAS NO PROJETO DOS CANGACEIROS SEM COMANDO SURPREENDENTES DECLARAÇÕES DE VILA NOVA SOBRE O COMBATE!

OUTRAS NOTAS CURIOSAS SOBRE A RENDIÇÃO.

MACEIÓ, ... Estão em Santana do Ipanema, de onde virão a Maceió, os bandidos Pancada, Vila Nova, Vinte e Cinco, Santa Cruz, Cobra Verde e Peitica, presos pela tropa volante alagoana sob o comando do sargento Juvêncio.

PANCADA VAI MESMO SE CASAR

O chefe de grupo Pancada, aconselhado por um sacerdote, vai se casar ainda esta semana com a sua companheira Maria Jovina, com quem vivia nas caatingas. Maria Jovina está para ser mãe.

REMEMORANDO O COMBATE DE ANGICO:

O bandido VILA NOVA rememorou o combate de Angico, em que pereceu Lampião, dizendo, na sua linguagem rude, que as 5 horas da manhã daquele dia, quando começou o combate, já Lampião havia ido ao mato. Aos primeiros tiros, o chefe estava quase equipado, faltando apenas abotoar as correias dos bornais, quando foi atingido por dois projéteis.

Houve um pequeno intervalo, mas, logo após, os que estavam perto de Lampião, acossados por fortes rajadas de metralhadora, caíram mortalmente feridos.

Foram eles: Quinta-feira, Mergulhão, Colchete, Maria Bonita e Macela. Eu corri ao encontro do meu padrinho Luiz Pedro, prostrado, em sangue e também mortalmente ferido, que me implorou que acabasse de mata-lo para terminar com seus sofrimentos. Eu não atendi, dizendo-lhe que, como seu afilhado, os meus braços não tinham força para mata-lo. Pediu então que levasse o seu mosquetão, no que foi atendido.

O tiroteio estrugia e eu pensei em organizar uma contra-ofensiva. Não conseguindo, tratei de fugir com outros companheiros, indo me reunir ao restante do grupo, em número de trinta e dois, na fazenda Cuiabá. Nessa ocasião, verificamos que faltavam onze companheiros, inclusive Lampião.

A princípio, muitos companheiros não acreditavam na morte de Lampião, depois confirmada. Desde ali, começou o arrefecimento dos bandidos, que perderam o gosto pelo cangaço.

Referindo-se ao tenente Ferreira de Melo, disse que o referido oficial, durante o combate de Angico, parecia um diabo em pessoa, tal sua violência na luta e tal a sua coragem.

Foto cortesia: Frederico Pernambucano de Melo, in Guerreiros do Sol.

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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"ANTÔNIO SILVINO", DE SÉRGIO DANTAS

Por Honório de Medeiros

Em narrativa linear, atenta à lógica dos fatos históricos, Sérgio Augusto de Souza Dantas nos reapresenta a um Antônio Silvino cru, recortado do contexto mítico e inserido em sua dimensão humana, sem que restasse perdido tudo quanto o tornou um dos mais interessantes personagens da trindade básica que forjou a alma sertaneja – o cangaço, o misticismo, o coronelismo.


Louve-se a felicidade na escolha do “nome” de cada capítulo bem como o excerto que o acompanha, próprio para chamar a atenção do comprador desatento, em uma homenagem ao estilo jornalístico de outrora, e a indicar um texto enxuto, leve, de parágrafos curtos e bem encadeados. Chamam a atenção episódios trazidos a lume que por si só têm dimensão histórica, como a convivência entre Antônio Silvino e Gregório Bezerra, lendário líder comunista pernambucano, sua entrevista com Graciliano Ramos, e o assalto à Usina Santa Filonila na qual morreu Feliciana na flor da idade – crime do qual o cangaceiro jamais deixou de se arrepender. Aliás, qual teria sido o desfecho do embate entre Antônio dos Santos Dias e José Tavares de Melo, este, genro, aquele, pai de Teresa Tavares de Melo, pivô da questão? Qual teria sido o fim de cada um deles?

O Antônio Silvino que emerge do ótimo texto de Sérgio Dantas é um personagem emblemático: é o retrato nítido de uma saga que nos permite identificar e compreender os nexos causais que originam certa circunstância histórica – o período do cangaço – e até mesmo ir além, na medida em que também permite identificar o viés comum a entrelaçá-los, ou seja, a questão do Poder. Basta colocar esses retratos sobre a mesa e examiná-los com olhar crítico: Antônio Silvino, Sinhô Pereira, Lampião; Coronel Zé Pereira, Coronel Isaías Arruda, Coronel Floro Bartolomeu; Pe. Cícero, Beato Zé Lourenço, Antônio Conselheiro... Tomando distância de qualquer tentativa de apreender o fenômeno a partir de uma explicação oriunda exclusivamente de fatos alusivos à posse da terra.

É possível conjecturar se Sérgio Dantas vai aventurar-se em novos resgates ou cuidará de desbravar outras fronteiras. Sua obra tem sido, até agora, a fronteira entre um ciclo e outro no que diz respeito à literatura do cangaço. Esse ciclo por ele estudado até o momento está chegando ao fim. Já não é mais possível, até onde sabemos, ressalvada a possibilidade de documentos desconhecidos surgirem inesperadamente, prosseguir com a literatura elaborada a partir de relatos, fotos, testemunhos ou escritos, ou seja, fontes primárias. São poucos os sobreviventes e deles já se extraiu mais do que tudo. Os papéis estão virando pó, vítimas da ação inclemente do tempo e da incúria das nossas elites. Um outro ciclo está surgindo: a interpretação de todos esses dados, ou seja, uma literatura de tese, algo timidamente iniciado por Frederico Pernambucano de Mello com “Guerreiros do Sol”, através da criação do conceito de “escudo ético”.

A não ser que – e talento não lhe falta – resolva mergulhar com sua característica obstinação no jornalismo literário brindando-nos com alguma pesquisa onde sobrem indícios, mas, faltem provas – como de fato acontece nessa espécie literária - e, no entanto, seja possível povoar um texto com interrogações perturbadoras tais quais, por exemplo, as razões do estranho silêncio do Juiz e do Promotor de Mossoró em relação aos fatos que lá aconteceram em junho de 1927.


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Aziz Francisco Elihimas


Aziz Francisco Elihimas, "sobrinho" de Benjamin Abraão, ainda criança e o próprio em 1992 com Frederico Pernambucano de Mello. Aziz faleceu no Recife em 2013. 


Fonte das fotografias: Entre Anjos e Cangaceiros (Frederico Pernambucano de Mello).

Fonte:
facebook

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PAJEÚ: O GRANDE ESTRATEGISTA DA GUERRA DE CANUDOS

Por José Romero Araújo Cardoso

Como ficou conhecido nas lutas de Canudos, Pajeú era pernambucano do famoso vale imortalizado por Luiz Gonzaga décadas depois do massacre abominável que manchou indelevelmente a história do Brasil.
Escravo liberto que rumou para Canudos apostando nas promessas do Bom Jesus Conselheiro tendo achado por lá, às margens do rio Vaza-Barris, a tão sonhada liberdade que a sociedade negou, e ainda nega, de forma inadmissível e desumana, aos excluídos.


Quando da desastrosa campanha comandada pelo famigerado Coronel Moreira César, Pajeú se destacou pela impecável forma como conduziu a guerrilha da guarda católica do Conselheiro.

Dizem que foi ele quem pôs fim à arrogância de Moreira César, acertando certeiro tiro de bacamarte boca-de-sino, municiado com chifre de novilho, no sanguinário corta- cabeças. Não obstante usar colete de aço, Moreira César foi milimetricamente varado pelo disparo em local desprotegido.


O oficial responsável pela substituição do Coronel Moreira César no comando da tropa também não aguentou as táticas de guerrilha implantadas por Pajeú. Uma ordem do Coronel Tamarindo ficou famosa: “Em tempo de murici, cada um cuida de si”.

O que restou da tropa de Moreira César foi fustigada pelos guerrilheiros comandados por Pajeú. Verdadeira carnificina foi feita pelos bravos combatentes para pagar a profanação do arraial sagrado do belo Monte, pois inadvertidamente Moreira César desprezou todas as instruções do regimento do Exército Brasileiro e ordenou ataque de cavalaria a Canudos, cuja característica era a topografia extremamente íngreme, impossível de ter sucesso por parte de Moreira César através de investida com esse tipo de estratégia militar.


Para tentar coibir e amedrontar outras expedições que vieram em direção a Canudos, Pajeú ordenou que os cadáveres dos soldados e oficiais ficassem insepultos, pendurados em árvores como exposição macabra do ódio devotado pelos conselheiristas às tropas do governo federal.

Quando a quarta expedição foi enviada para destruir canudos, cujo comando ficou a cargo do General Arthur Oscar de Andrade Guimarães, foi com terror e suspense que a soldadesca encontrou o aviso dos guerrilheiros da guarda católica, na forma de corpos ressequidos pelo sol esturricante do sertão nordestino. Com certeza, aumentou o ódio do corpo militar do Exército Brasileiro contra os membros da comunidade mística de Antônio Conselheiro.


Pajeú foi responsável pelas mais significativas baixas contra as tropas federais. Acostumados a caçar para sobreviver, os guerrilheiros usaram a experiência adquirida e se tornaram franco-atiradores, pois quando algum soldado desavisado, principalmente em noite sem lua, acendia um cigarro, certeiro tiro o prostrava imediatamente. Usavam os “presentes” que Moreira César lhes deixou, ou seja, fuzis mausers de fabricação alemã do Exército Brasileiro.

Não obstante terem conseguido canhões e metralhadoras, esses não foram usados, pois os guerrilheiros do Conselheiro não souberam como manusear as mortíferas armas tomadas da expedição de Moreira César, destroçada pela genialidade incontestável das táticas do maior guerrilheiro de Canudos.


Quando a guerra de Canudos tornou-se insustentável, com sucessivas baixas e derrotas das tropas federais, o governo enviou verdadeiras máquinas de matar. Entre essas estava um canhão Withworth 32, a famosa “matadeira”, como ficou conhecido entre os habitantes de Canudos. Foi a única forma que conseguiram para pôr a baixo as torres da igreja nova do belo Monte.


Cada tiro da “matadeira” era verdadeiro massacre que a mesma proporcionava. O famoso canhão tornou-se o terror dos canudenses, razão pela qual Pajeú organizou grupo de assalto intuindo destruir a máquina destrutiva.

Onze guerrilheiros chegaram de surpresa a bem guardada arma. Nesse ataque, o bravo comandante conselheirista perdeu a vida, bem como nove companheiros, sendo que apenas um conseguiu escapar.

Com a morte de Pajeú, a guarda católica do Conselheiro ficou desfalcada do principal estrategista, abalando sensivelmente a estrutura das estratégias da guerra de guerrilha que até então vinha obtendo sucesso indiscutível.


Pajeú, o famoso negro ex-escravo que marcou de forma impressionante a guerra de guerrilhas nas batalhas em canudos, foi imortalizado por Euclides da Cunha, que, não obstante racismo e estereótipos, dedicou-lhe páginas de reconhecido mérito pela bravura indômita em “Os Sertões: Campanha de Canudos”.

In:  CARDOSO, José Romero Araújo. Notas para a História do Nordeste. João Pessoa/PB: Editora Ideia, 2015. P. 30-32.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto do Departamento  de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

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terça-feira, 14 de abril de 2015

O COMBATE DAS CARAÍBAS EM FLORESTA


Travado entre Lampião e as forças volantes na quinta-feira dia 04 de fevereiro de 1926 às margens do riacho da maravilha, afluente do riacho do navio - nas divisas entre os municípios de Floresta e Betânia .
Participaram as volantes comandadas pelo Tenente Higino José Belarmino e Optato Gueiros contra o grupo de Lampião. Junto com Lampião encontrava-se entre outros o conhecido Manoel Pequeno (da fazenda Saco – na ribeira do riacho do navio) e seu grupo. Os cangaceiros se entrincheiraram no leito do riacho e em um serrote à margem deste emboscando a força em campo aberto.


O confronto teve a participação da força Nazaré composta por, Afonso de Sá Nogueira , Altino Gomes de Sá, Antônio Joaquim dos Santos (o famoso rastejador Batoque), Aureliano de Souza Nogueira (Lero), Aureliano Francisco de Souza (Lero Chico), Constantino Marcolino de Souza, David Gomes Jurubeba , Euclides de Souza Ferraz (Euclides Flor) , João Cavalcanti, João Domingos Ferraz, João Gomes Jurubeba, João Jurubeba de Sá Nogueira (João Gato), Joaquim Ferraz de Souza (Quinca Néo), Joaquim Francisco de Souza (Quinca Chico), Manoel de Souza Ferraz, Manoel Neto (Anspeçada), Pedro Gomes de Lira, Pedro Marcolino e Pedro Tomaz de Souza Nogueira.


O tiroteio durou até o final da tarde quando lampião se retirou do local levando seus mortos (acredita-se que em número de cinco) sepultando-os na caatinga entre o local do combate e o poço do ferro e deixando entre os volantes um saldo de pelo menos três baixas fatais, os soldados Aristides Panta da Silva (Este de Floresta), Benedito Bezerra de Vasconcelos e Antônio Benedito Mendes.


Os soldados mortos foram sepultados na margem esquerda do riacho da maravilha próximo ao local onde o riacho do Jacaré se une a este . O riacho da maravilha é a divisa entre os municípios de Floresta e Betânia.
No combate saíram feridos o Tenente Higino no braço, Manoel Neto no braço direito, Antônio Joaquim dos Santos (Batoque) na perna, João Cavalcanti, Altino Gomes de Sá, João Pereira de Souza e João Pinheiro Costa.

Em visita ao local tomamos conhecimento que durante o combate o boiadeiro florestano Joaquim de Alencar Jardim (Quinca Jardim) retornava a Floresta após a venda de uma boiada. Antônio Ferreira, que brigava no serrote no momento, sabendo da passagem deste pelo local o esperou com mais dois cangaceiros na sombra de um umbuzeiro (conhecido como umbuzeiro do Marçá – ou Marçal) abordando-o para lhe pedir dinheiro.

Quinca Jardim naquele momento se acompanhava de Joaquim Serafim (conhecido como Joaquim Grande do Rancho dos Homens) e mais duas ou três pessoas. Joaquim Grande então disse a Antônio Ferreira que Quinca Jardim não tinha a quantia pedida pois vendera a boiada mas não recebera o pagamento. Antônio Ferreira se contentou com a resposta sem saber que o dinheiro do pagamento da boiada estava no bornal que Joaquim Grande carregava a tiracolo.

Dois dos outros acompanhantes de Quinca Jardim disseram a Antônio Ferreira que um dos cangaceiros que o acompanhava tomara o pouco dinheiro que estes carregavam. Antônio Ferreira então perguntou quem pegara o dinheiro e o mandou devolver. O cangaceiro o fez embora queixando-se do trabalho ingrato onde era obrigado a devolver o dinheiro ganho.

Menos de um ano após, no final do ano de 1926 Lampião mataria 129 reses de Quinca Jardim no Rancho dos Homens por não ter recebido dinheiro após um pedido (acredita-se que um bilhete). Isso, provavelmente aconteceu ao descobrir que fora enganado cerca de dez meses antes.

Comenta-se que apenas uma rês escapou porque este fato se deu no dia da morte de Antônio Ferreira no Poço do Ferro. Na ocasião lampião se encontrava na região (Poço do Ferro – Pipocas – Rancho dos Homens) preparando-se para dar uma brigada com Ildefonso Ferraz do Curral Novo. Com a morte de Antônio Ferreira Lampião teve que ir às pressas ao Poço do Ferro para sepultar o irmão, morto pelo companheiro Luiz Pedro (do retiro) em um disparo acidental.

Fonte: facebook
Página: Cristiano Ferraz

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"O GLOBO" - 21/07/1984 NUM SÓ DISCO, O QUE HÁ DE MELHOR NA MÚSICA DO CANGAÇO

Por Antônio Mafra

SÃO PAULO – De “Mulher rendeira” a “Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor”, esta última, uma recente toada em versos de martelo agalopado, de Otacílio Batista e Zé Ramalho, o cangaço sempre foi um bom filão para os compositores brasileiros. Dele, saíram obras esporádicas enaltecendo o movimento ou um de seus personagens, que, na maioria dos casos, nunca foram retomadas. “A música do cangaço”, álbum do Selo Eldorado lançado há menos de dois meses, reúne as melhores e mais significativas canções que a população urbana já ouviu sobre a saga de Lampião e seu bando, compondo, com o texto de Fernando Portela, que acompanha o disco, um painel histórico que até mesmo o mais leigo vai entender.

“A música do cangaço” começa com “Olha a pisada” (Zé Dantas e Luiz Gonzaga), interpretada pelo Rei do Baião. A inclusão desta música é ainda mais válida porque recupera versos de “Mulher rendeira” – “Ô Ô mulher rendeira/ Ô Ô mulher rendá/ Chorou por mim não fica/ Soluçou vai no emborná” – que estavam esquecidos.

“Cavalos do cão” (Zé Ramalho), a canção seguinte, um xaxado que lembra as harmonias que Elomar Figueiredo descobriu nas suas pesquisas em busca de uma linguagem musical do sertão brasileiro, dá um flash da vida de Lampião e suas fugas: “Correr da volante no meio da noite/ No meio da caatinga/ Que quer me pegar”. Essa composição e “Mulher nova...”, que está no bloco que inicia o lado B e fala das mulheres cangaceiras, eram para serem cantadas, respectivamente, por Zé Ramalho e Amelinha, a CBS, inexplicavelmente, não cedeu os fonogramas originais, mas o tiro saiu pela culatra; escolhendo outros intérpretes, com destaque para a bela voz de Teca Calazans, o Selo Eldorado deu novo brilho a obras que estavam desgastadas.

“Se eu soubesse que chorando/ Empato a tua viagem/ Meus olhos eram dois rios/Que não te davam passagem”. Quem é que não se lembra desses versos? E com eles, num registro quase inédito do ex-cangaceiro Volta Seca, que se diz autor da música, que se abre o lado B. O destaque aqui é o frio e impressionante depoimento de Sila, viúva de Zé Sereno, companheiro de Lampião sobrevivente do célebre Massacre de Angico.
Uma canção homenageando o líder do cangaço (“Lampião” de Sérgio Ricardo e Glauber Rocha), um texto enaltecendo a bravura de Corisco (“Reza do Corisco”, da mesma dupla) e uma música que faz uma advertência sobre a continuação do cangaço nos dias de hoje, “De gravata e jaquetão/ Sem usar chapéu de couro/ Sem bacamarte na mão (“Lampião falou”, de Venâncio e Aparício Nascimento) fecham o álbum.

Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho

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LILI, ESTRELA BANDIDA


Ela nasceu Djanira Ramos Suzano, em Mato Grosso do Sul, ano de 1944. Foi a assaltante de banco mais famosa que o país já teve. Comandava uma quadrilha que agia fantasiada e ela, vestia roupas justas, peruca loira e óculos escuros para seduzir os seguranças das agências bancárias. Ganhou o apelido de Lili Carabina, embora só usasse pistola como arma. Era também chamada de Djanira Metralha. Sua fama chegou ao auge nos anos 70/80 como uma bandida estrela.

Djanira casou muito cedo para satisfazer a vontade dos pais, mas se apaixonou por um traficante e veio com ele para o Rio de Janeiro. Entrou para o crime também muito jovem, aos 20 anos. Com a morte do companheiro, assumiu a liderança do grupo e matou por vingança os responsáveis por essa morte. Deu muito trabalho a polícia que sentia dificuldades em encontrá-la.

Finalmente, em 1980 foi presa e condenada a mais de 100 anos pelos inúmeros crimes. Fugiu seis vezes da penitenciária. Em 1988, numa das fugas, foi baleada na cabeça, entrou em coma durante 33 dias. Uma das balas ficou alojada na cabeça e não foi retirada. De volta à prisão, virou evangélica e pregava a Bíblia para as companheiras mesmo de muletas. Não se deixava abater.

Em 1999 recebeu o Indulto de Natal do então presidente FHC, mas morreu no ano seguinte de infarto aos 56 anos de idade. Deixou três filhos.

Sua vida foi transformada em documentário de TV pelo telenovelista Agnaldo Silva.
www.mulheresdocangaco.com.br

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O CABO LEONÍDIO TRABALHOU COM ZÉ RUFINO


O cabo Leonídio trabalhou com Zé Rufino, mas passou a maior parte do tempo sob as ordens de Odilon Flor e a este fez um grande favor: Cortar as cabeças dos cangaceiros mortos.

- Era dia de São João, às nove horas da noite. Nós demos um combate na fazenda Gararu, em Sergipe. Chovia bala, depois silêncio. Os bandidos tinham ido embora. Procuramos pelos cantos para ver se tinha ferido. O combate tinha sido tão cerrado que não tinha dado tempo de ninguém sair carregando baleado. Encontramos três cangaceiros mortos: Manoel Moreno, a mulher dele Áurea e Gorgulho. Quando foi de manhã, o sargento Odilon juntou a tropa e disse: - Vamos cortar as cabeças dos defuntos. Mas ninguém quis ir. Não quiseram ir porque, você já sabe, cortar o pescoço de uma pessoa é preciso que a pessoa também tenha a cara dura, porque se não for, não corta não.

Então ele virou-se para mim e disse: - nego, vem cá, apanha aqui este facão e vá onde ta os cangaceiros, corte a cabeça e traga. Então eu fui e respondi pra ele: - sargento, o senhor já mandou todo mundo; nenhum quis ir, só eu é que posso cortar? O senhor podia ir, porque o senhor tem mais costume do que eu. Ele então disse: - eu quero é que você corte.

Aí eu apanhei o facão e fui. Quando eu peguei no cabelo do cabra, balancei, fechei a cara pro lado assim e sentei o facão, pá-pá, cortei, e joguei pra lá; peguei a mulher, cortei a cabeça da mulher. Peguei no outro cabra, cortei também a cabeça. Peguei todos os três, levei: - Pronto, chefe, taqui. Depois de uns dias, eu senti assim um remorso. De vez em quando, à noite quando eu dormia, sonhando com Manoel Moreno, um pouco assim de nervoso comigo, e coisa. E ele me apareceu um dia, me pegou dormindo. Pela abertura da rede e veio com um punhal em cima de mim; eu então pelejei, não pude fazer nada, gritei: - cabra mata o homem, cabra, me dá as armas, cabra, até que dentro do quarto (eu estava deitado perto da rede de uma criança, meu filho que hoje está em são Paulo), então eu tranquei os pés, a mulher levantou-se, tirou o menino da rede e ficou de lado quando eu ajuntei, pensando que o cabra estava me sangrando.

Levei a rede de uma vez só, agarrei-me nela, pensando que fosse o bandido, levei uma pancada na cabeça, (bati com a cabeça na parede) aí foi que me acordei, cansado, sufocado, sem fôlego, com o aperto que o cabra me deu. Bom, aí eu fiquei, coisa e tal e disse ao sargento Odilon: - sargento, eu tô me vendo aperreado com Manoel moreno. Ele então disse: - Você vai comigo daqui uns dias na casa de Pedrinho. Então eu fui. Cheguei lá, o Pedrinho fez lá um remédio pra mim e perguntou como era. Eu disse então os sintomas e depois de uns dias foi desaparecendo. Odilon me ensinou um defumador, umas coisas que o Pedrinho ensinou a ele e mandou eu tomar este defumador e com isto desapareceu. Não vieram mais me aperrear.

Depois da noite na rede a alma de Manoel Moreno tornou a aparecer; e aparecia com os braços estendidos, as mãos para cima, pedindo: - Leonídio, cadê minha cabeça que você cortou? (Retirado do Blog Lampião Acesso)

Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Juliana Pereira e Alcino Alves Costa

Eu não estou querendo contrariar o que escreveu o autor deste texto, respeito o seu excelente artigo, mas o escritor Alcino Alves Costa, diz em “Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistério de Angicos”, que os cangaceiros abatidos lá em Poço da Volta, na Fazenda Palestina foram: Mané Moreno (que era primo de Zé Baiano e de Zé Sereno), Áurea, sua companheira (que era filha de Antonio Nicárcio, sendo este primo-irmão de Lê Soares (segundo Juliana Ischiara), este último pai de Rosinha de Mariano e de Adelaide, esta companheira de Criança).


Depois de vasculharem todos os locais onde aconteceu a chacina, Odilon Flor tomou conhecimento como sendo os mortos: Mané Moreno, sua companheira Áurea, e o bandido Cravo Roxo, o Serapião, que era filho de Mané Gregório, lá da Guia. Este deixou casa, pai, mãe, irmãos, parentes para se aliar aos cangaceiros, afirmando que queria ser mais um a entrar naquela desgraçada vida.

Certo dia ele tomou conhecimento que os cangaceiros se encontravam acoitados na Serra Negra, resolveu ir até lá. Depois de algumas advertências e como usar a arma, Mané Moreno o presenteou com rifle, munições, balas, bornais, chapéu e outros utensílios que eram necessários à vida cangaceira. E depois que ele recebeu os equipamentos, embrenhou-se às matas. E lá, deu um tiro que posteriormente causou a morte de Adelaide que estava grávida, por ela ter pensado que era volante que se aproximava do coito.

O Gorgulho, o qual aparece como sendo um dos que foi abatido, no momento foi baleado e através de um coiteiro amigo, arrumou um animal e foi se tratar no centro do Cajueiro. Um senhor de uma família “Félix”, o "Lisboa", foi quem cuidou dele até sua total recuperação. E depois desse acontecimento, Gorgulho resolveu abandonar o cangaço e retornou para sua terra que era o Salgado do Melão, incorporando-se novamente à sociedade. 

Diz ainda Alcino Alves Costa que é bom lembrar que o combate em que Odilon Flor matou Mané Moreno, Áurea e Cravo Roxo, conhecido como o fogo do "Poço da Volta", foi na realidade na Fazenda Palestina.

José Mendes Pereira – Mossoró-RN.

Fonte: facebook
Página: Anderson Gomes

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segunda-feira, 13 de abril de 2015

PREFACIANDO EM VERSOS (NOTAS PARA A HISTÓRIA DO NORDESTE DE JOSE ROMERO DE ARAÚJO CARDOSO)

Por Valberto Barbosa de Sena

Me chegou para mim, por via rede
Uma história do vil CANGACEIRISMO
Bem escrita, em formato de lirismo
Pura e límpida qual água para a sede.
O autor dessa obra em seu recato,
Ele a fez, cronográfica em rumo, e trato,
Imbuiu sobre a mesma e para nós
A lançou no papel exposta a tinta:
Odisseia real dos anos trinta,
Dissertada nos contras e nos prós.

Num vislumbre da obra literária
Percebi que o autor com atenção
Foi ao fundo “NO POÇO DA RAZÃO”
Procurar cada peça indumentária.
Escreveu a história e pôs-lhe os trajes
Necessários ao todo e sem ultrajes
Cada ator da história em seu papel,
O deixou encenar naturalmente,
Suas cenas vividas bravamente,
Descrevendo-as da forma mais fiel...

Zé Romero Cardoso primou tanto
Pela obra da qual tomou empreita
Que deixou-a tão pronta e tão perfeita
Pra ser vista e revista em qualquer canto.
Belas frases usou sem discrepância
Com palavras bonitas, e elegância,
Pôs no trato da história e mesmo assim,
Não mudou de estrada ou fez atalhos,
Mas, deixou-nos mais um dos seus trabalhos
Para ser degustado, e ponto e fim...

O autor do qual falo teve a calma
De mostrar-nos na obra desde o prólogo
Ao final que tornou-se um arqueólogo
E pra tanto doou a própria alma.
Hoje a mostra está pronta e quando a lemos
A história real nós percebemos
Cronologicamente em cada ato.
Revivendo os heróis e os bandidos
Todos eles letais e conhecidos
Como monstros fatais em crime e fato.

Na moldura do tempo em bons entalhes
Esculpiu uma obra futurista
Retratando o passado, e como artista
Prezou bem o valor dos bons detalhes.
Alinhando o teor dos velhos contos,
Os expôs sem impor em contrapontos
Para dar ordem lógica à aquarela
Na mistura das tintas do saber
Pôs a química do amor, por conhecer,
E o mundo ganhou a nova tela.

Como ênfase maior da obra prima
Sobre a qual comentários aqui faço,
O enlevo maior, é o cangaço
Existente, apesar da pouca estima.
Mesmo assim entre os temas inda tem
Desde a seca que assola e ainda vem
Até hoje marcando a própria tez
Encourados no campo em grande ginga
Desbravando os sertões e a caatinga
“A BRAVURA DO HOMEM CAMPONÊS”

Mesurou o valor real das tantas
Profissões existentes no nordeste.
Deu valor para o couro, e à inconteste
Profissão das parteiras de mãos santas.
Fez menção de como elas já nos quartos
Numa salve-rainha antes dos partos
Comungavam com Deus na fé real,
Que aquela mulher parturiente,
Logo, logo, traria um inocente
Para a luz de maneira natural.

Deu valor aos tropeiros tangerinos
Valorou a função dos almocreves
E os aboios sonoros de tons leves
Dos campônios vaqueiros nordestinos.
Descreveu o langor de Rio Preto
Com seu corpo trancado em amuleto
Homem monstro, infeliz, da pior laia.
Mas, que graças a Deus, a humanidade
Se livrou da cruel voracidade
Desse verme, depois de uma tocaia.

Vasculhou, pesquisou e fez estudos
Sobre os passos de Antonio Conselheiro.
Nos narrou cada fato corriqueiro
Das batalhas diversas de Canudos.
Mostrou como um escravo em seus revides
Ficou vivo na pena de Euclides,
Imortal das batalhas do Arraial.
Um guerreiro, um herói, um ser valente,
Dando a vida em defesa de uma gente,
Acabou se tornando um imortal.

Completando a riqueza dos seus temas
Para o mundo saber da nossa história,
Foi buscar nos recônditos da memória
Os tropeiros reais da Borborema.
Esses homens matutos, seres fortes,
Responsáveis reais pelos transportes
Das riquezas nativas do sertão,
Cujos quais, a passadas muito largas
Empenhavam-se levando em suas cargas
Crescimento e valor à região.

Mostrou datas, locais, e mostrou provas
Tão reais para todas narrativas:
Mil histórias contadas inda vivas,
Nossas mentes fazendo-as serem novas.
Descreveu do cangaço e mandonismo
A vontade de impor pelo cinismo
O direito ao poder do ser mais forte,
Pré-julgando os humildes e civis
Dividindo o Brasil em dois Brasís
“um teórico da lei” outro de morte.

Quem quiser saber mais sobre essa obra
Pegue a mesma, e a leia, e faça bis...
Se entrincheire nas páginas como eu fiz
Na leitura, pretenda essa manobra.
Se enriqueça em saber, ganhe fartura,
Pois é essa a melhor literatura
Sobre o tema abordado, e faça um teste
Comparando-a com outras meio iguais.
Siga em frente em buscar e faça mais,
Tome: NOTAS P’RA HISTÓRIA DO NORDESTE.

Valberto Barbosa de Sena é poeta popular. Natural de Água Branca - Paraíba

Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso

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VERDADE OU NÃO?


Youtube

https://www.youtube.com/watch?v=wlMUhePShn8&feature=youtu.be

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ATAQUE DE LAMPIÃO À MOSSORÓ-RN...13 DE JUNHO DE 1927


Defensores situados na torre da igreja, barricadas feitas de fardos de algodão, e, atiradores posicionados em cima da casa do intendente Rodolfo Fernandes.

Resultado positivo para a cidade e grande derrota de Lampião. Morte do cangaceiro Colchete e o cangaceiro Jararaca foi capturado e assassinado 06 dias depois.


Foto do acervo do pesquisador Robério Santos

Fonte: facebook
Página:  Voltaseca Volta ‎Lampião, Cangaço e Nordeste

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XVIIº FORUM DO CANGAÇO

Por José Romero Araújo Cardoso

GEOGRAFIA DO CANGAÇO

10 A 13 DE JUNHO DE 2015
AUDITÓRIO DA FAFIC/UERN
  
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DO CANGAÇO – SBEC


PARCERIAS

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE (UERN)
PRÓ-REITORIA DE EXTENSÃO (PROEX/UERN)
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA / UERN
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA / / UERN
ACADEMIA APODIENSE DE LETRAS (AAPOL)
ACADEMIA FEMININA DE LETRAS E ARTES MOSSOROENSE ( AFLAM)
ACADEMIA MAÇONICA DE LETRAS DO RIO GRANDE DO NORTE (AMLERN)
ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DE MARTINS (ALAM)
ACADEMIA MOSSOROENSE DE LETRAS (AMOL)
COMISSÃO MOSSOROENSE DE FOLCLORE (COMFOLC)
FUNDAÇÃO VINGT-UN ROSADO (FVR)
INSTITUTO CULTURAL DO OESTE POTIGUAR (ICOP)
CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES
PREFEITURA MUNICIPAL DE MOSSORÓ (PMM)
PROGRAMA PEDAGOGIA DA GESTÃO (TCM)
TV A CABO DE MOSSORÓ –(TCM)
INTER/TV COSTA BRANCA
  
DIA 11 – QUINTA - FEIRA

08h00 as 12h00 – MINI-CURSOS (Carga horária de 04h curso)

Local – Sala de Aula 2 do Curso de Comunicação/FAFIC/UERN
Tema: Guerra de Canudos
Ministrante: Prof. José Romero de Araújo Cardoso

DIA 12 – SEXTA – FEIRA

08h00 as 12h00 – MINI-CURSOS (Carga horária de 04h00 curso)

Local – Sala de Aula 2 do Curso de Comunicação/FAFIC/UERN
Tema: Guerra de Canudos
Ministrante: Prof José Romero de Araújo Cardoso


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MOSSORÓ E VIRGULINO FERREIRA DA SILVA O LAMPIÃO


Cinco e meia da tarde daquele 13 de junho de 1927, ouviram-se os últimos disparos. No pátio externo da Capela de São Vicente, um cangaceiro morto é a maior prova da derrota imposta por Mossoró ao rei do cangaço. Era a primeira vez que Lampião saía escorraçado de uma luta. Seu Dionísio Pereira tinha 23 anos quando o bando invadiu a cidade, e lembra bem do pavor que causou. 

“Era tiro demais”, recorda. Mas, a maior lembrança é a do corpo do cangaceiro Colchete estendido na frente da Capela de São Vicente. “Eu cheguei a guardar uma orelha, que foi arrancada pelo tiro, mas não sei onde foi parar”, diz.

A resistência mossoroense ao bando de Virgulino Ferreira aconteceu sem apoio da polícia. Quando soube que o cangaceiro queria invadir a cidade, o prefeito Rodolfo Fernandes comprou armas e munições e as entregou a quem quisesse lutar. E foram muitos os voluntários.

No dia 12 de junho, o prefeito recebeu um bilhete assinado pelo coronel Antônio Gurgel, que havia saído de Natal com destino a Mossoró para buscar os parentes e foi sequestrado pelos cangaceiros. O bilhete era claro: “Caro Rodolfo Fernandes, desde ontem estou aprisionado do grupo de Lampião, o qual está aquartelado aqui bem perto da cidade. Manda, porém, um acordo para não atacar mediante a soma de 400 contos de réis. Penso que, para evitar o pânico, o sacrifício compensa, tanto que ele promete não voltar mais a Mossoró”. Ao que o prefeito respondeu: “Antônio Gurgel, não é possível satisfazer-lhe a remessa. (…) Estamos dispostos a recebê-los na altura em que eles desejarem. Nossa situação oferece absoluta confiança e inteira segurança”. Era ousadia demais para Lampião, que escreveu, de próprio punho, um bilhete decisivo:

“Cel. Rodolfo. Estando Eu até aqui pretendo Dr. já foi um aviso, ahi p o Sinhoris, si por acauso rezolver, mi, a mandar será a importança que aqui nos pede, Eu invito di Entrada ahi porem não vindo essa importança eu entrarei, até ahi penço que adeus querer, eu entro; e vai aver muito estrago por isto si vir o Dr. eu não entro, ahi mas nos resposte logo”.

Resposta do prefeito de Mossoró Rodolfo Fernandes de Oliveira:

Determinado, o prefeito deu a resposta que seria o estopim para o início da batalha. “Virgulino Lampião, recebi o seu bilhete e respondo-lhe dizendo que não tenho a importância que pede. (…) A cidade acha-se firmemente inabalável na sua defesa, confiando na mesma.” 

Na tarde do dia 13 de junho, começou a chuva de balas entre o povo da terra de Santa Luzia e os cabras de Lampião. Eram pouco mais de 80 cangaceiros contra cerca de 200 mossoroenses. Durante uma hora e meia, a população resistiu às investidas dos cangaceiros. Colchete foi acertado por um tiro que lhe arrancou a cabeça. Jararaca, um dos principais homens de Lampião, saiu ferido no peito e na perna. Lampião e seu bando fugiram. Fim do ataque e começo de uma história que iria se espalhar por todo o Nordeste e marcar o início da queda do rei do cangaço. Segundo alguns historiadores, a derrota foi pressentida por Virgulino ao avistar as torres das igrejas de São Vicente, Alto da Conceição e Matriz de Santa Luzia. “Cidade de mais de uma torre não é pra ser tomada”, teria dito antes da invasão.


Fonte: facebook
Página: Robson Rodrigo

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