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sábado, 8 de maio de 2021

AMÉLIA EARHART – A MAIS ICÔNICA AVIADORA EM NATAL

 Por Rostand Medeiros – IHGRN


Quando Uma das Mais Famosas Aviadoras do Século XX Esteve em Natal – Amélia Earhart nunca Aceitou e Nem Estabeleceu Limitações Para a Sociedade, Sobre Como Deveria agir Quanto Mulher e Sobre Sua Carreira  Ela Bateu Vários Recordes na Aviação, Viveu Para Voar e Apontou Novos Caminhos e Novas Atitudes para Aviadores e Mulheres em Todo o Mundo.

Quando Uma das Mais Famosas Aviadoras do Século XX Esteve em Natal – Amélia Earhart nunca Aceitou e Nem Estabeleceu Limitações Para a Sociedade, Sobre Como Deveria agir Quanto Mulher e Sobre Sua Carreira  Ela Bateu Vários Recordes na Aviação, Viveu Para Voar e Apontou Novos Caminhos e Novas Atitudes para Aviadores e Mulheres em Todo o Mundo.

Em tenra idade Amélia viu seu primeiro avião e não se impressionou, mas depois de seu primeiro voo, estar nos céus tornou-se sua vida. Amélia Mary Earhart nunca aceitou e nem estabeleceu limitações para a sociedade, sobre como deveria agir quanto mulher e sobre sua carreira  Ela bateu vários recordes na aviação e foi pioneira em novas fronteiras para as mulheres.

Em junho de 1928 Amélia se tornou a primeira mulher a cruzar o Atlântico. Em janeiro de 1935 ela se tornou a primeira pessoa a voar solo através do Pacífico, de Honolulu, no Havaí, para Oakland, Califórnia, e apesar de suas realizações surpreendentes na vida, Amélia é mais lembrada por seu último voo.

Em 1 de junho de 1937 ela começou uma volta ao mundo, foi quando passou por Natal. Em 2 de julho de 1937, quando a caminho para reabastecer na remota Ilha Howland, um atol desabitado situado logo a norte do equador no oceano Pacífico central, o seu avião desapareceu.

Depois de uma das maiores ações de busca marítima já realizada pelo governo americano na época, Amélia foi declarada morta em 19 de julho. Apesar de toda a lenda envolvendo a sua morte (dizem que teria sido capturada por japoneses e fuzilada como espiã), Amélia Earhart viveu para voar e apontou novos caminhos e novas atitudes para aviadores e mulheres em todo o mundo.

Amélia Earhart e George Putnam em maio de 1928 – Image by © CORBIS

Em dezembro de 1920, aos 23 anos de idade, apenas por pura diversão, Amélia foi levada a realizar um voo pago (10 dólares) e de curta duração, mas que mudaria sua vida. No momento em que seus pés tocaram terra firme novamente, ela estava determinada a aprender a voar. Ela ganhou o dinheiro para as aulas, em uma época extremamente machista cortou o cabelo para não ser excluída do meio aeronáutico e comprou uma jaqueta de couro.

Ela sofreu muito para realizar seu sonho de estar entre as nuvens, mas conseguiu. Quase dois anos após seu primeiro voo, em 22 de outubro de 1922, Amélia Earhart conquistou seu primeiro recorde mundial para pilotos do sexo feminino, voando a uma altitude superior a 4.000 metros. Então em 15 de maio de 1923 ela se tornou a décima sexta mulher no mundo a conseguir uma licença de pilotagem.

O Lockheed Vega 5B exposto no National Air and Space Museum (NASM), também conhecido como Smithsonian Institution, em Washington.

Em 1928 Amélia recebeu um telefonema perguntando se ela gostaria de voar através do Oceano Atlântico. O voo era um projeto patrocinado pela jovem Amy Phipps Guest, oriunda de uma família de milionários da Flórida, que tinha desistido de conquistar a primazia de ser a primeira mulher a cruzar o Atlântico, pois considerou que a viagem seria muito perigosa. Rica como era, para que buscar reconhecimento em um voo?.

Amélia foi entrevistada pelos coordenadores do projeto, incluindo o editor e publicitário George Putnam e foi declarada apta a acompanhar, apenas como uma passageira, a aventura transatlântica do piloto Wilmer Stultz e do copiloto e mecânico Louis Gordon. Os três voltaram deste voo cobertos de glória e intensos aplausos. Foi realizado um grande um desfile e uma recepção com o presidente Calvin Coolidge na Casa Branca. Ao final de toda a movimentação Amélia sabia que iria tentar um novo voo e por conta própria.

Monumento a Amélia em Harbour Grace, Newfoundland, Canada. Se em Natal, Rio Grande do Norte, fosse construído um monumento para cada aviador pioneiro que por aqui passou pela cidade entre as décadas de 1920 e 30, nós sairíamos esbarrando em algo do gênero em cada esquina, tal o número de aviadores que aqui estiveram.

Em fevereiro de 1931 Amélia se casou com George Putnam, o homem que a ajudou a se tornar uma estrela e financiar seu voo. Aquele casamento em si era bem avançado para a época, pois as ideias de Putnam sobre esta instituição eram bem liberais. Amélia por sua vez não desejava se casar para ficar em casa cuidando de filhos, ou do marido e ser relegada a função de “piloto de fogão”. Que era o padrão da mulher casada na época. Ela estava hesitante, mas Putnam lhe acalmou mostrando que acreditava no seu trabalho e na responsabilidade igual para ambos como marido e mulher e não desejava atrapalhar a carreira dela, então em plena ascensão.  O choque entre os puristas foi enorme quando souberam que Amélia Earhart manteve seu nome de solteira.

Amelia Earhart empoleirou-se no nariz de seu avião em 1936.Crédito…O jornal New York Times

Logo ela estava alcançando outros feitos aeronáuticos. Em uma manhã de maio em 1932 Amélia partiu em seu monomotor Lockheed Vega 5B, em um voo solo através do Oceano Atlântico. Depois de um perigoso e exaustivo trajeto com duração de 14 horas e 56 minutos, durante o qual ela sustentou o avião contra fortes ventos do norte, problemas de acúmulo de gelo e falhas mecânicas, Amélia Earhart pousou em um pasto  na região de Culmore, em Londonderry, Irlanda. Ela tornou-se a primeira mulher a voar sozinha sobre o Oceano Atlântico. A primeira pessoa que chegou até ela foi um lavrador, que lhe perguntou “Você veio de longe?” e Amélia lhe respondeu “Da América”. Ele não acreditou.

Lockheed Electra 10E

Amélia se tornou uma celebridade mundial com este voo. Recebeu medalhas dos governos dos Estados Unidos, da França e Eleanor Roosevelt, a primeira dama dos Estados Unidos, era sua amiga. Nos próximos anos Amélia Earhart bateu novos recordes, completando outros voos solo em diversas aeronaves. Então ela se concentrou em um objetivo, um grande voo ao redor do globo.

Depois de dois anos de planejamento Amélia recebeu seu novo avião, um bimotor todo prateado, modelo Lockheed Electra 10E e um navegador disposto, Fred J. Noonan. Os dois partiram do Havaí em 17 de março de 1937, mas devido a um problema no trem de pouso defeituoso, ou erro do piloto, o avião acabou ficando significativamente danificado durante a tentativa de decolagem e o voo foi cancelado.

Os grandes feitos de Amélia.

Enquanto o Electra estava sendo reparado, Earhart e Putnam conseguiram fundos adicionais e se prepararam para uma segunda tentativa. O voo não teve patrocinadores diretos, mas conseguiam a renda através do resultado da venda dos envelopes de malas postais para colecionadores.

Após três meses de reparos veio a decisão de inverter a trajetória de voo, devido a mudanças nos padrões de vento a nível mundial. Finalmente os dois aviadores partiram no dia 21 de maio de 1937, desta vez de Miami, Flórida.

Rota do voo em 1937

A rota a ser completada seria muito próxima a que as Fortalezas Voadoras realizariam a partir de 1942, onde utilizariam como seu principal ponto de apoio uma cidade localizada no Nordeste do Brasil chamada Natal e como campo de pouso um lugar denominado Parnamirim.

O primeiro destino da dupla a bordo do Electra foi San Juan, em Porto Rico. Depois, em 2 de junho, estavam em Caripito, na Venezuela, onde se hospedaram na casa da empresa Standard Oil, que também tinha uma agência em Natal. No outro dia os dois aviadores pioneiros estavam em Paramaribo, na atual Guiana. Deste ponto eles partem para o território brasileiro, direto para Fortaleza, no Ceará.

Voo de Amélia continuamente comentada pelos jornais nordestinos

Eles abdicaram de pousar em Belém, no Pará. Podemos perceber que esta parte do voo parece ter sido um tanto pesada para os aviadores, pois Amélia e Noonam decidem permanecer mais um dia na capital alencarina.

Avião de Amélia no hangar da Air France em Natal. O texto mostra o quanto a nossa imprensa era desatualizada em termos de informações aeronáuticas, mesmo com intenso movimento aéreo
Amélia e Noonan em Natal.

Finalmente no dia 5 de junho de 1937, em um voo de 287 quilômetros, eles seguem para Natal, local que ela denominou em entrevistas como “A porta do Nordeste do Brasil” e aqui chegaram quase às sete da manhã.

Em Natal o seu Electra ficou protegido no hangar da Air France, empresa de aviação civil gaulesa que desde 1927 estava presente na capital potiguar. O interessante é que as fotos existentes de Amélia Earhart em Natal são basicamente no hangar e na casa de apoio aos aviadores desta empresa. Ela se apresenta sempre com seus cabelos curtos, despenteados e com um belo sorriso no rosto. Em praticamente todas as fotos está ao seu lado o seu fiel escudeiro, Fred J. Noonan.

Ao observamos a foto de Amélia e Noonan (de preto) sentados a mesa da casa que dava apoio aos aviadores franceses no Campo de Parnamirim, não podemos deixar de observar algumas situações interessantes. Mesmo sendo pela manhã cedo, diante das pessoas sentadas a mesa temos prováveis garrafas de champanha e cerveja. Estão ali para, talvez, os aviadores relaxarem depois de quase duas horas de voo sobre o nosso litoral.

Sinceramente eu duvido que as pessoas naquela Natal provinciana, que tinham em torno de 48.000 habitantes (segundo o Censo de 2010, Natal seria um pouco maior do que é hoje a cidade seridoense de Currais Novos), não terem achado no mínimo estranho que aquela famosa beldade estadunidense, casada, extrovertida, estivesse voando com um homem que não era nem sequer seu marido, em meio a vários outros homens e ainda tomando uma bebidinha.

Independente desta questão ela foi muito bem tratada e aos habitantes da cidade Amélia não deixou de elogiar o Campo de Parnamirim. Considerava o nosso aeroporto como o mais cosmopolita do hemisfério. Depois foi para a cidade, onde foram hóspedes do inglês Scottbroock.

Na madrugada do dia seguinte, decolaram do aeroporto de Natal rumo à África, onde concluíram o percurso em pouco mais de treze horas de voo. Seu objetivo será a cidade de Saint Louis, no atual Senegal, percorrendo 1.727 milhas através do Atlântico. Até 1902 Saint Louis du Senegal havia sido a capital da West French África, ou África Ocidental Francesa, uma confederação de colônias gaulesas no continente africano. No futuro desmembramento deste território iriam surgir oito novos países.

Consta nos jornais da época que Amélia e Noonan na sequência seguiram para Dakar, na época a capital colonial francesa. Depois os aventureiros tomaram o rumo do deserto, sobrevoando a África Central. Chegaram a Karachi, no atual Paquistão, Calcutá na Índia, Burma (Myanmar) e Tailândia. Depois prosseguiram para Singapura, Indonésia, até a cidade de Darwin, na Austrália. Depois voaram para Lae, na atual Papua Nova Guiné. No dia 02 de julho os aviadores encaram o vasto Oceano Pacífico, no rumo das Ilhas Howland, uma fina faixa de terra com cerca 2.000 metros de comprimento e 1.600 de largura, 10 metros de altura e a 2.556 milhas de distância.

Para encontrar este pequeno naco de terra em meio a um mundo de água, a navegação teria de ser perfeita. Mas a verdade é que não foi e eles nunca mais foram vistos.

Sua última posição conhecida era perto das Ilhas Nikumaroro, cerca de 800 milhas do seu destino.

A bordo do cutter USCG Itasca, o pessoal da Guarda Costeira dos Estados Unidos conseguiu se comunicar com o Lockheed Electra 10E e buscou orientá-los para Howland. O radio operador naval recebeu transmissões e escutou a voz de Amélia, mas ela aparentemente não podia ouvir suas respostas.

Em sua última transmissão Amélia Earhart disse “Estamos na linha 157 337. Vamos repetir essa mensagem. Vamos repetir isso em 6210 quilociclos e espere”. No entanto, poucos momentos depois, ela estava de volta na mesma frequência (3.105 kHz), com uma transmissão que foi registrada como sendo “Estamos indo na linha norte e sul”. Depois o silêncio.

O desaparecimento de Amélia estimulou aquela que até hoje é considerada uma das mais caras e mais intensas buscas navais da história dos Estados Unidos. O esforço ocorreu até 9 de julho de 1937, com a US Navy e a Guarda Costeira vasculhando milhas e milhas náuticas de oceano que rodeiam a Ilha Howland, mas sem encontrar qualquer sinal do avião de Amélia e Noonan.

Duas teorias vigentes sobre o desaparecimento de Amélia Earhart existem até hoje e criam polêmicas infindáveis.

Uma delas é que os aviadores, depois de ter acabado a gasolina do Electra na busca pela pequena ilha, caíram no oceano e se afogaram em suas profundezas. A segunda é que eles encontraram o grupo de ilhas Phoenix, a mais de 500 quilômetros a sudeste de Howland e desembarcaram em uma das ilhas ou atóis deste ponto perdido no Oceano Pacífico.

Desaparecimento de Amélia e Noonan em jornal americano

Esta teoria se baseia na descoberta de alguns ossos e objetos que podem ter pertencido a Amélia e Noonan e foram encontrados no Atol Nikumaroro.

Pertencente à República de Kiribati, este local desabitado é também conhecido como Ilha Gardner, sendo um atol de coral triangular, com seis quilômetros de comprimento, por menos de dois de largura. Possui vegetação abundante, é uma área de preservação e lá existe uma lagoa central com boas dimensões.

Foto de satélite do Atol de Nikumaroro

O Grupo Internacional para a Recuperação de Aeronaves Históricas (conhecido pela sigla em inglês TIGHAR) fez várias expedições para Nikumaroro entre as décadas de 1990 e 2010, onde em uma área no lado noroeste do atol foram encontrados e catalogados alguns objetos. Entre estes estavam produtos de beleza, produtos para cuidados da pele e que seriam datados dos anos 1930. Foram igualmente encontrados um espelho cosmético feminino quebrado, partes de uma faca de bolso, além de vestígios de fogueiras contendo ossos de aves e peixes. Foram localizados conchas vazias alteradas para coletar a água da chuva, bem como garrafas americanas que datam de antes da Segunda Guerra Mundial. Estes últimos objetos foram entortadas pelo calor de possíveis fogueiras, apontando a possibilidade de terem sido aquecidas para ferver a água. Um osso que foi apontado como sendo da falange de um dedo foi encontrado no local e examinado pela antropóloga forense Karen Ramey Burns e pelo Dr. Cecil Lewis, do laboratório de antropologia molecular da Universidade de Oklahoma. Testes de DNA neste fragmento de osso se mostrou inconclusiva para saber se eram de tartaruga ou humano.

Em relação ao trabalho do TIGHAR muitos acreditam que os propósitos do grupo são objetivamente sérios, cientificamente corretos e que as campanhas de arrecadação de fundos pela internet para financiar as expedições em Nikumaroro são transparentes.

O Nautilus, um navio de pesquisa, rebocando um veículo subaquático operado remotamente que foi usado para caçar o avião de Amelia Earhart, que desapareceu em 1937. Crédito…Robert Lyall / National Geographic – Via – https://www.nytimes.com/2019/10/14/science/amelia-earhart-robert-ballard.html

O famoso explorador submarino Robert Ballard liderou uma expedição de 2019 para localizar o Electra de Earhart ou evidências de que ele pousou em Nikumaroro, conforme suposto pela hipótese de Gardner / Nikumaroro. Depois de dias pesquisando as falésias profundas que sustentam a ilha e o oceano próximo usando equipamentos e tecnologia de última geração,

No fundo do mar, foram descobertos dois chapéus, detritos de um antigo naufrágio e uma lata de refrigerante. Contudo, não se encontrou nenhuma peça do Lockheed Electra de Earhart ou qualquer destroço associado a ele. Ballard acredita que eventualmente encontrará algo. “Este avião existe”, disse Ballard. “Não é o monstro de Loch Ness e será encontrado”. Ballard ainda declarou: “Sentimos que se o avião dela estivesse lá, o teríamos encontrado bem no início da expedição”. Embora Ballard afirme que o avião ou porções dele significativas ainda existem e serão eventualmente encontrados, a TIGHAR argumenta que o Electra foi “destruído” pelo toque na água e outros elementos ambientais adversos.

Mas existem muitos críticos. Estes acreditam que o grupo faz um “grande show”, mas os resultados sólidos são escassos. Para muitos nada é conclusivo o suficiente para provar que Nikumaroro é o local de descanso final de Amélia e o mistério do desaparecimento continua.

Para conhecer este projeto click aqui – http://tighar.org/Projects/Earhart/AEdescr.html

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LAMPIÃO ESTARIA PLANEJANDO UMA FUGA PARA MINAS GERAIS?

 Por Geraldo Júnior

https://www.youtube.com/watch?v=pn0XowkrKaY&list=RDCMUCDyq1zxmnRuBBBBK-2Tagfg&start_radio=1&t=10&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Nos dias que antecederam sua morte ocorrida no dia 28 de julho de 1938 na Grota do Angico, que na época pertencia ao município sergipano de Porto da Folha, Lampião chegou a comentar com alguns cangaceiros que pretendia fazer uma longa viagem e quem quisesse acompanhá-lo seria bem vindo, e quem não quisesse ele aceitaria de bom grado, e ao que tudo indica o destino de sua viagem seria o Estado de Minas Gerais. 

Alguns sobreviventes de Angico à exemplo de Dulce Menezes, ainda viva, Candeeiro II (Manoel Dantas Loyola) já falecido,  e Vinte e Cinco (José Alves de Matos) também falecido confirmaram essa declaração alguns anos depois, tendo inclusive alguns depoimentos sido coletados e hoje se encontram disponíveis aqui no YouTube. Porém ficaram alguns pontos de interrogação e algumas perguntas permanecem ainda hoje sem respostas e é justamente sobre esse assunto que o pesquisador e escritor José Sabino Bassetti, autor dos livros "Lampião - Sua morte passada a limpo", escrito em parceria com Carlos Megale e "Lampião - O cangaço e seus segredos". argumentará e apresentará o seu ponto de vista. Vale muito a pena assistir. 

Não se esqueçam de deixarem seus comentários, críticas e sugestões, pois são elas que farão com quê possamos melhorar cada vez mais os nossos trabalhos. 

Forte abraço, Cabroeira! Geraldo Antônio de Souza Júnior - Criador e administrador do canal.

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LAMPIÃO TINHA SETE FÔLEGOS?

 Por José Mendes Pereira

https://www.youtube.com/watch?v=2ky2K49m6Os&ab_channel=FolhaPE

Não se sabe quantas invencionices ainda serão criadas daqui para frente sobre a morte do famoso, perverso, sanguinário e rei do cangaço capitão Lampião. São histórias totalmente fundidas na mente de quem não tem nenhum compromisso com a verdade, quase sem pé e sem cabeça, assim como diz o dito popular, que Lampião escapou do ataque feito pelas volantes policiais aos cangaceiros na Grota do Angico, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Fazenda Forquilha, em terras de Porto da Folha, hoje denominada Poço Redondo, no Estado de Sergipe. 

Corpo de Lampião na Grota do Angico no dia 28 de julho de 1938

Os criadores de histórias sobre o rei do cangaço capitão Lampião dizem que, ao sair da Grota do Angico  o facínora tomou rumo para o Estado de Minas Gerais, e por lá, morreu de morte natural no ano tal, tal e tal. Todas estas histórias já inventadas são verdadeiras "aberrações", assim como diz o cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira.

Se você quiser adquirir este livro entre em contato com o professor Pereira através deste e-mail: franpelima@bol.com.br

Já falaram tanto da sua morte e que muitos destes não pesquisaram absolutamente nada, inventaram o que bem quiseram, que Lampião morreu ali, acolá, menos na Grota do Angico. Mas nós que estudamos o movimento social dos cangaceiros acreditamos plenamente, que ele foi abatido lá na Grota naquela madrugada triste do dia 28 de julho de 1938.  

Ninguém mais conta a verdade do que os pesquisadores, escritores e cineastas que fazem os seus trabalhos com seriedades, que enfrentaram e ainda continuam enfrentando os cerrados e a caatinga para fazerem as suas pesquisas, apanhando os dados na fonte, isto é, no meio de quem presenciou todo desenrolar dos perversos e sanguinários bandidos nos sertões nordestinos. 

As datas da morte de Virgolino Ferreira da Silva o capitão Lampião apontadas pelos depoentes, nenhuma bate com as outras que foram citadas por outros criadores de histórias fantasiadas, mas isto faz parte  de  qualquer estudo, simplesmente por quererem aparecer no mundo cultural. 

Neli Conceição filha dos cangaceiros Moreno e Durvinha e José Geraldo Aguiar.

O saudoso escritor e fotógrafo José Geraldo Aguiar que nasceu na Vila do Morro (município de São Francisco), em 16 de outubro de 1949, e escreveu um livro sobre o suposto Lampião que residia em Buritis, no Estado de Minas Gerais, revela que ele morreu no ano de 1993. 

Vamos ler estes pequenos parágrafos que escreveu o autor: 

(...)

"Há quatro anos e meio, Aguiar recolhe dados sobre um fazendeiro, dono de 300 hectares, que se instalou no início dos anos 50 na margem esquerda do rio São Francisco, na cidade que leva o mesmo nome do rio, em Minas Gerais. Alguns fatos estranhos cercaram a vida do fazendeiro. Aguiar identificou pelo menos dez nomes diferentes usados por ele. Tanto que o conheceu como João Lima, os amigos tratavam-no por Luís, na lápide do cemitério está escrito Antônio Teixeira Lima e na certidão de óbito consta o nome Antônio Maria da Conceição.

O fazendeiro morou em pelo menos 15 cidades diferentes com Maria Lima (supostamente Maria Bonita), em quatro Estados (Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Goiás) - além de São Francisco, ele morou em Montes Claros, Irecê e Buritis, entre outros municípios. A tendência foi sempre morar às margens do rio São Francisco. 

Com Maria Lima teve dez filhos, o mais velho hoje com 63 anos. Em uma viagem à Bahia, conheceu Severina Alves Moraes a Firmina, com quem teve uma filha, hoje com 22 anos. Depois da morte de Maria Lima, o fazendeiro passou a morar com Firmina.

Segundo Aguiar, o fazendeiro temia represálias pelos crimes atribuídos a Lampião e, por isso, além de se esconder durante todo esse tempo, só autorizou que sua história fosse contada após sua morte".

(...)

Uma pergunta que jamais será respondida vez que o escritor já faleceu: Por que o fotógrafo José Geraldo Aguiar pediu às autoridades mineiras o direito de exumação dos restos mortais do suposto Lampião de Buritis, quando seria bem mais fácil colher o material necessário para o "DNA" com a filha de Severina Alves Moraes a Firmina, que é ou era também filha do Lampião de Buritis? Confira clicando no link abaixo:

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/11/13/brasil/22.html#:~:text=Segundo%20Aguiar%2C%20o%20suposto%20Lampi%C3%A3o,%2C%20em%20Buritis%20(MG).:


Para fazer o "DNA" dos restos mortais deste senhor que foi enterrado em Buritis no Estado de Minas Gerias não seria tão difícil, porque a filha do suposto Lampião com Severina Alves de Morais a Firmina que por lá reside, tem o material necessário, sem necessidade de abrir túmulo para fazer a exumação da ossada dele. 

Mas até hoje a gente não sabe o que é que impede que as autoridades não têm interesses para colocarem um ponto final nesta dúvida, que o cangaceiro capitão Lampião teria morrido em Buritis, e não no Sertão nordestino, no Estado de Sergipe. 

Colorida por Rubens Antonio

Este outro senhor abaixo, ex-volante que aparece no vídeo acima, no início do texto, de nome Andrelino Pereira Filho, que serviu entre o ano de 1922 e 1938, na Corporação policial do Estado de Pernambuco, e é o único policial ainda vivo (não sei se já faleceu porque a entrevista foi em 2018), do período da chacina aos cangaceiros na Grota do Angico, afirma que o capitão Lampião morreu no ano de 1963, numa  propriedade denominada "Fazenda São Francisco", lá no Estado de Minas Gerais.

Andrelino Pereira Filho, único policial ainda vivo com 104 anos em 2019.

No vídeo, o sargento aposentado Andrelino Pereira Filho diz que foi um amigo seu que falou da morte de Lampião, e que  naquele momento, ele estava vindo do seu enterro.

As suas informações não têm segurança, porque elas não detalham o lugar do sítio da fazenda onde supostamente o capitão Lampião teria falecido, e nem tão pouco a cidade deste sítio. Toda fazenda pertence a um sítio, e todo sítio está localizado nas terras de uma cidade, e qualquer cidade tem o seu Estado. O Estado foi dito que era em Minas Gerais. E por que o sítio e a cidade não foram revelados?

O seu Andrelino fala também que Lampião passava em sua casa para tomar café, e chamava a sua mamãe de comadre. Mas depois ele percebe que foi muito além da verdade, e tenta se livrar do que disse ao cineasta sobre o capitão, e fala que eram os cangaceiros que passavam por lá, não Lampião, porque ele só andava sozinho. 

Pelo o que eu sei e aprendi no estudo sobre os cangaceiros o capitão Lampião não andava sozinho, sempre estava rodeado de facínoras, como vive uma abelha-rainha de uma colméia, que ali está segura pelas suas comandadas. Assim era o rei do cangaço, que em todos os lugares que estava, ou mesmo nos locais que fazia o seu amado coito, no intuito de descansar da fadiga e fazer seus planejamentos de invasões aos sítios, propriedades e até mesmo em pequenas cidades, O capitão permanecia rodeado de desordeiros.

Por respeito ao senhor volante policial, pela sua idade além dos 100 anos vividos, e principalmente pela respeitada e gloriosa corporação da polícia militar do Estado de Pernambuco, que ele pertenceu, e não quero aqui tirar os méritos do seu Andrelino Pereira Filho, mas tenho a dizer que, me parece ser invencionice as informações que ele cedeu ao cineasta que fez as suas gravações.  

O disse me disse é uma expressão que se relaciona a boatos não verdadeiros. Assim fez o policial seu Andrelino Pereira Filho, que acreditou cegamente no seu amigo, disse que vinha do enterro do capitão Lampião. O policial ouviu um chocalho tocando, mas não procurou saber bem o local que estava o animal chocalhado.

Suposto Ezequiel Ferreira da Silva

O caso do suposto Ezequiel que morava no Piauí e que em 1984 chegou à Serra Talhada, antiga Villa Bella, no Estado de Pernambuco, se dizendo ser o verdadeiro Ezequiel Ferreira da Silva, irmão mais novo dos Ferreiras, e que tinha ido lá tirar seus documentos para uma possível aposentadoria, disse que Lampião morreu no ano de 1981, mas lamentavelmente, as suas informações, para mim e para todos aqueles que pesquisam, nada verdadeira, tudo mentira. 

O cineasta José Geraldo Aguiar escreveu em seu livro Lampião, O Invencível..., que a data do falecimento de Lampião foi em 1993 em Minas Gerais. O seu Andrelino confirma a morte do capitão em 1963, também em Minas Gerais. Já o suposto Ezequiel Ferreira diz que o seu irmão faleceu no ano de 1981. Mas os cangaceirólogos afirmam com convicção que Lampião morreu na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, no ano de 1938, que realmente esta data é a pura verdade.

Cabeça do capitão Lampião. Você acha que não é?

E de quem seria esta cabeça que foi arrancada do corpo de um indivíduo  e levada para Alagoas, no dia da chacina feita contra aos cangaceiros que se encontravam na Grota do Angico? Já que insistem em dizer que ele não foi morto lá na Grota, teria sido assassinado um outro indivíduo, digamos assim, um infeliz sósia do capitão Lampião, levaram-no e lá amarraram-no para aguardar o momento certo do ataque aos facínoras? 

Lampião e Maria Bonita

Mas é assim mesmo. Cada um cavaleiro com o seu cavalo no hipódromo em posição de corrida. E quem lá não estiver presente, não será famoso em lugar nenhum. Assim foi seu Andrelino Pereira Filho que levou o seu cavalo e o posicionou para participar das corridas dos cangaceiros. Mas o mais importante é se apresentar aos jornalistas e pesquisadores como um volante que era mesmo da época de Lampião. Acredite quem quiser o que ele falou a este cineasta. Eu não sou nenhuma autoridade no assunto, mas foram mais palavras fantasiadas que saíram da boca do seu Andrelino Pereira Filho do que vocábulos verdadeiros.

Bando de Lampião

Ser famoso pelo menos por um momento não é qualquer um que poderá ser, porque, precisa imaginar o que será o bicho do dia seguinte, para jogar na roleta da fama. A fama faz o indíduo feliz e conhecido no país que mora ou mesmo em outros países, mas para ser famoso, tem que ser bom com as suas invencionices.

Mesmo eu discordando de algumas informações do volante seu Andrelino Pereira Filho, eu desejo a ele mais e mais anos de vida! Felicidade para o senhor, seu Andrelino! O seu jeito de ser, pelo menos nesta foto, me parece ser uma excelente pessoa. além de carismática!

Informação ao leitor: 

O que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica, e nem tão pouco prejudicará o que os cineastas gravaram e o que os pesquisadores e escritores escreveram. Apenas eu apresentei o que eu suponho ser falhas do depoente, e não de quem fez a gravação. Não tenho projétil para guerrear contra os homens que procuram as peças do xadrez do cangaço.

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sexta-feira, 7 de maio de 2021

O NORDESTINO É ANTES DE TUDO UM FORTE... E O QUE MAIS?

 

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.

É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre a espenda da sela. Caminhando, mesmo a passo rápido, não traça trajetória retilínea e firme. Avança celeremente, num bambolear característico, de que parecem ser o traço geométrico os meandros das trilhas sertanejas. (...)

É o homem permanentemente fatigado."

Euclides da Cunha, Os Sertões

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/05/o-nordestino-e-antes-de-tudo-um-forte-e.html

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O CANGACEIRO CÍCERO COSTA

Por José Tavares de Araujo Neto 

Embora nos dias de hoje seja pouco conhecido do grande público, Cícero Costa foi um dos mais célebres facínoras da história do cangaço. Apesar de comandar seu próprio bando, sua história se confunde com a de Luiz Padre e Sinhô Pereira, com quem participou de memoráveis eventos criminosos, a grande maioria à serviço do major Zé Inácio, proprietário da Fazenda Barro, localizada no município de Milagres, no cariri cearense.

Natural de Conceição, município paraibano localizado no Vale do Piancó, Cícero Costa de Lacerda se destacava pelo seu notável conhecimento a respeito doi poder medicinal da flora sertaneja. Era habilidoso no atendimento primeiros socorros, bem como no preparo de chás e meizinhas, diversidade de xaropes naturais, chamados de “lambedor”, elaborados a partir de misturas de mel de abelha, folhas, cascas e raízes de plantas da caatinga, destinados à cura dos mais diversos males. Não por acaso, Cícero Costa entrou para história como “o médico dos cangaceiros”.

Atendendo chamando de Luiz Padre e Sinhô Pereira, em abril de 1919, participou da defesa do povoado São Francisco, reduto da família Pereira do Pajeú, que há muito se encontrava em guerra com a família Carvalho. Naquela ocasião, o capitão da força pernambucana Holanda Cavalcante, aliado dos Carvalhos, decidiu ocupar aquele florescente povoado de Vila Bela, atual Serra Talhada/PE, sob o pretexto de que era um valhacouto de bandidos que praticavam os mais variados tipos de crimes na região. 

Sinhô Pereira e Luiz Padre

Na entrada do povoado, a coluna do capitão Holanda Cavalcante, constituída por cerca de 72 policiais, foi surpreendida por uma bem arquitetada emboscada, que resultou em uma das mais humilhantes derrotas da Polícia Militar do Estado de Pernambuco. A força pernambucana teve uma baixa de nove soldados mortos e três saíram gravemente feridos, sem contar com o enorme prejuízo material, acarretado pelo extravio de armas e munições, deixadas pelos assustados praças que fugiram em desorientada disparada caatinga adentro. Neste combate também participaram os pombalenses Ulisses Liberato de Alencar e seu fiel amigo Barnabé Ferreira de Oliveira, o primeiro comandado o reforço enviado pelo major Zé Inácio do Barro.

Em fins de agosto de 1918, após um cerrado tiroteio, Eustáquio de Morais, subdelegado de Bonito, atual município de Bonito de Santa Fé/PB, então povoado de São José de Piranhas/PB, baleou e prendeu o famigerado cangaceiro Cícero Costa.  A sua permanência na cadeia de Bonito trouxe um enorme clima de tensão ao lugar, principalmente devidos as informações que corriam dando conta de que um grupo de cangaceiros se organizavam em Milagres, no vizinho Estado do Ceará, com vistas a vir resgatá-lo da prisão. A vigilância da cadeia foi reforçada e logo que o preso estava em condições de viajar, em meados de setembro, foi conduzido para a cadeia da cidade de Patos, sob uma forte escolta comandada pelo experiente tenente Manoel Benício.

Posteriormente, quando totalmente restabelecido, com igual esquema de segurança Cícero Costa foi conduzido para a cadeia de Pombal, o abrigo seguro para os fora-da-lei de maiores periculosidades. Porém, a estadia do bandido na cadeia não foi tão demorada como almejada pelas autoridades. No início de julho de 1920, o Jornal do Comércio veicula notícia dando conta que “Os cangaceiros Cícero Costa, José Coelho da Silva, Pedro Neco Fernandes e Melquíades Januário da Silva, que a muito custo haviam sido capturados e recolhidos a cadeia de Pombal, dali fugiram, auxiliados pelo soldado do destacamento policial Severino Alves de Oliveira”.

Rodrigo Honorato, Manoel Severo, Zé Tavares e Ivanildo Silveira

O soldado Severino Alves de Oliveira, que facilitou a fuga dos perigosos bandidos, aderiu às hostes cangaceiras, integrando o bando de Cícero Costa, onde foi batizado pelo cognome de “Fortaleza”. Em correspondência datada de 6 de outubro de 1921, publicada no jornal “O Norte”, de 8 de outubro, o tenente Manoel Cardoso, então delegado de Conceição, Estado da Paraíba, comunicou ao Chefe de Polícia do Estado que se encontrava preso na cadeia daquela cidade o cangaceiro Severino, vulgo Fortaleza, ex-praça que deu fuga ao célebre criminoso Cícero Costa quando preso na cadeia de Pombal. Adiantava o delegado, que o referido havia sido preso em uma diligência comandada pelo sargento Horácio.

Cícero Costa deixou registrada em sua extensa ficha criminal alguns fatos que mancharam de forma indelével a história do nordeste brasileiro. Dentre os quais, podemos destacar as seguintes façanhas de abominosas recordações:  1. Assalto à Fazenda Nazaré de Dona Praxedes (20/01/1919), viúva do coronel Domingos Furtado, um dos mais rentáveis financeiramente da história cangaceira; 2. trucidamento do valente João Flandeiro (12/01/1922), um humilde sertanejo que ousou contrariar os arroubos arrogantes do poderoso major Zé Inácio do Barro; 3. o “Fogo de Coité” (20/01/1922), episódio em que o Padre Lacerda heroicamente sustentou fogo contra o ataque de um bando integrado pelos mais afamados bandoleiros que estavam sob o auspicio do major Zé do Barro; 4. ataque ao então povoado de Jericó (24/01/1922), seguido do assalto a Fazenda Dois Riachos do Coronel Valdivino Lobo, além a outros fazendeiros da região de Catolé do Rocha (26/01/1922; 5. assalto à baronesa de Água Branca (23/06/1922), considerado o primeiro evento em que Lampião chefiou um bando. Realizado com objetivo de arrecadar recursos para cobrir despesas da viagem de Sinhô Pereira, foi por conta do sucesso desta missão que Lampião ganhou sua admiração e recebeu a chefia do bando em definitivo dois meses depois, quando o vingador do Pajeú partiu para o Estado de Goiás.

A partir da segunda metade de 1922, quando Luiz Padre, Sinhô Pereira major Zé Inácio já haviam deixado o Nordeste, Cicero Costa permaneceu mantendo a parceria criminosa com o antigo bando dos vingadores do Pajeú, agora comandado pelo jovem Virgulino Ferreira, alcunhado de Lampião. Consta neste período, o memorável ataque a cidade de Belmonte que redundou o bárbaro assassinato do Coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, em sua própria residência, fato ocorrido na madrugada do dia 20 de outubro de 1922. Neste mesmo episódio também foi a óbito o soldado Heleno, que fazia a defesa, e, do lado dos atacantes, morreram Antonio Cachoeira e José Dedé, o cangaceiro Baliza, reconhecido como um dos estupradores no ataque ao povoado de Jericó, no município de Catolé do Rocha. Cícero Costa saiu ferido, juntamente com os companheiros Zé Bizarria e Ioiô Maroto, membro da família Pereira, um dos comandantes da horda criminosa.

A carreira criminosa de Cícero Costa findou-se no início de 1924, ocasião em que ele foi prestar socorro paramédico ao seu amigo Lampião que estava gravemente ferido na Serra do Catolé, município de Belmonte, Estado de Pernambuco. O bando de malfeitores foi atacado pela força paraibana, comandada pelo tenente Cícero Oliveira e o sargento José Guedes, volante que também contava com o ex-cangaceiro Clementino Quelé e o soldado João da Mancha, este último tido como o sangrador oficial da polícia paraibana. Após intenso troca de tiros, os cangaceiros Cícero Costa e Lavandeira foram gravemente alvejados, capturados e depois sangrados, sob os olhares dos seus comparsas Levino, Meia Noite e outros, que impotentemente assistiam a cena macabra por entre as folhagens da mata cerrada.

José Tavares de Araujo Neto, pesquisador - Pombal-PB

05 de maio de 2021

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