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domingo, 12 de março de 2023

PROGRAMAÇÃO OFICIAL CARIRI CANGAÇO 2023 PRINCESA - SÃO JOSÉ DE PRINCESA - TRIUNFO

 


CARIRI CANGAÇO
PRINCESA-SÃO JOSÉ DE PRINCESA-TRIUNFO
Paraíba e Pernambuco
Nordeste do Brasil

23 de Março de 2023- Quinta-Feira

MANHÃ

8h Abertura da Exposição da Policia Militar

10h Inauguração do Acervo Histórico de Princesa
Biblioteca do IFPB Princesa Isabel PB
Rodovia-BR 426, S/N 

10h15 Apresentação Artística
Célia Maria e Quirino Silva

10h20 Lançamentos de Livros

1. O Cangaço no Cordel - Volume 2
CELIA MARIA João Pessoa PB
2. Lampião, Cangaço e Coronelismo
ORGANIZADOR ADRIANO CARVALHO Jardim CE
3. Não Desisti de Contar Estrelas
RITA PINHEIRO Madre de Deus BA

11h Conferência
FRANCISCO FLORÊNCIO Princesa Isabel PB

TARDE

SARAU NO PALACETE
 15h Palacete dos Pereira
APLA e GREMIO LITERÁRIO - Princesa Isabel PB

15h30 Apresentação do GRUPO SERTAMOS
IFPB 

15h45 Lançamento de Livro

Princesa do Sertão
FELIPE PEREIRA Princesa Isabel PB

16h15 Exposições 
PINTURA - ANDREA MARIANO Princesa Isabel PB
FOTOGRAFIAS - GPEC no CARIRI CANGAÇO João Pessoa PB


NOITE SOLENE DE ABERTURA

18h30 QUADRA DA ESCOLA CARLOS ALBERTO SOBREIRA
Rua Alexandre Antônio Medeiros Duarte Sobreira - Princesa Isabel-PB

Formação da Mesa Solene de Abertura
RICARDO PEREIRA DO NASCIMENTO - Prefeito Municipal de Princesa
EMANUEL CONSERVA - Presidente da Comissão Organizadora
MANOEL SEVERO BARBOSA- Curador Cariri Cangaço
LUCIANO FERNANDO DE SOUSA - Prefeito Municipal de Triunfo
JULIANO MATUTO - Prefeito Municipal de São José de Princesa
 ANA PAULA - Secretaria de Educação de Princesa
LUCINALDO FEITOSA -Diretor de Cultura de Princesa 
ANDRÉ VASCONCDELOS - Secretário de Turismo e Cultura de Triunfo
ARCHIMEDES MARQUES - Presidente da ABLAC - Sergipe
ANGELO OSMIRO – Presidente do GECC - Ceará
NARCISO DIAS - Presidente do GPEC – Paraíba

19h Hino Nacional

19h15 - Entrada do Estandarte do Cariri Cangaço
CAPITÃO QUIRINO e CÉLIA MARIA
Entrada da Bandeira de Princesa Isabel
Entrada da Bandeira de São Jose de Princesa
Entrada da Bandeira de Triunfo

19h20 - Apresentação Artística
GRUPO ABOLIÇÃO

19h40 - Apresentação do Cariri Cangaço
Conselheira ELANE MARQUES - Aracaju SE
Conselheiro JOÃO DE SOUSA LIMA  Paulo Afonso BA

19h50 – Cumprimentos aos Convidados
LUCINALDO FEITOSA - Diretor de Cultura de Princesa
EMANUEL ARRUDA CONSERVA - Presidente da Comissão Cariri Cangaço
RICARDO PEREIRA DO NASCIMENTO - Prefeito Municipal
MANOEL SEVERO BARBOSA - Curador do Cariri Cangaço

20h15 Posse de Novos Conselheiros Cariri Cangaço

1. CÉLIA MARIA - João Pessoa PB
Entrega de Diploma por Conselheiros 
QUIRINO SILVA e LUMA HOLANDA João Pessoa PB
2. MANUEL DANTAS VILAR SUASSUNA - Recife PE
Entrega de Diploma por Conselheiros
 VALDIR NOGUEIRA e CLÊNIO NOVAES Belmonte PE

20h30 – Entrega de Diplomas "Mérito Cultural Cariri Cangaço"

 1.Prefeitura Municipal - RICARDO PEREIRA
Entrega de Diploma por Conselheiro BISMARCK OLIVEIRA Pocinhos PB
 3.Academia Princesense de Letras e Artes- EMANUEL CONSERVA 
Entrega de Diploma por Conselheiro JUNIOR ALMEIDA - Capoeiras PE
4. Grêmio Literário - LILIAN CARVALHO
Entrega de Diploma por Conselheiro LOURO TELES Calumbi PE
5. Memorial Pereira Lima - JOSÉ PEREIRA LIMA NETO
Entrega de Diploma por Conselheiro PROFESSOR PEREIRA Cajazeiras PB
5. Grupo Abolição - SANDRO MANDU
Entrega de Diploma por Conselheiro CELSINHO RODRIGUES Piranhas AL

20h40 – Comenda "Mérito Cultural In Memoriam"

 PAULO MARIANO PRINCESA ISABEL PB
Pesquisador, Memorialista e Escritor
Entrega de Diploma por Conselheiros
MANOEL BELARMINO Poço Redondo SE  e  JOSUE MACEDO Saquarema RJ

20h45 – Comenda "Personalidade Eterna do Sertão"

CEL JOSÉ PEREIRA LIMA PRINCESA ISABEL PB
ROSANE PEREIRA e JOSE PEREIRA LIMA NETO
  Representantes da Família
Entrega de Comenda por Conselheiros
RAUL MENELEU Aracaju SE e WESCLEY RODRIGUES Cajazeiras PB

21h15 CONFERÊNCIA
"O Impacto da Guerra de Princesa na Mídia Internacional"
HESDRAS SOUTO Tuparetama PE

22h Passagem do Estandarte Cariri Cangaço Princesa 2023
para o Cariri Cangaço no Fórum do Cangaço da SBEC 2023
Conselheiro EMANUEL CONSERVA e ANDRÉ VASCONCELOS passam
 às mãos de LEMUEL RODRIGUES ,Presidente da SBEC

22h30 RECEPÇÃO E FEIRA DE CORDÉIS E LIVROS
Clube da AABB - Princesa Isabel PB

ENCERRAMENTO



24 de Março de 2023- Sexta-Feira

MANHÃ

8h - Saída para Visitas Técnicas 
SÃO JOSE DE PRINCESA PB

8h30 - Café da Manhã em São Jose de Princesa
Praça da Prefeitura e da Matriz

ROTA HISTORICA "CARIRI CANGAÇO CENÁRIOS DE PATOS DE IRERE"
São José de Princesa PB

9h30 DISTRITO DE PATOS DE IRERE

10h Capela 
10h10 Boas Vindas 
PREFEITO JULIANO MATUTO, RÚBIA MATUTO e MANOEL SEVERO 
10h30 Conferência 
"A LIGAÇÃO DE LAMPIÃO COM MARCOLINO DINIZ"
JOAO ANTAS Patos de Irerê PB
11h Conferência 
"O FOGO DO CASARÃO DE PATOS"
JOSE TAVARES DE ARAUJO NETO Pombal PB

11h ENTREGA DA COMENDA "LUGAR DE MEMÓRIA CARIRI CANGAÇO"
Comenda entregue por Conselheiro LEONARDO GOMINHO Floresta PE

VISITAS GUIADAS EM PATOS DE IRERÊ

Casa de Marcolino Diniz
Casarão de Patos
Casa de Luiz do Triângulo
Casa de Ronco Grosso
Fazenda Pedra

JOSE TAVARES DE ARAUJO NETO Pombal PB
THIAGO PEREIRA Princesa Isabel PB
JOÃO ANTAS Patos de Irerê PB
ANTÔNIO TALHADA Serra Talhada PE
EMANUEL ARRUDA CONSERVA Princesa Isabel PB

12h40 ALMOÇO NO RANCHO
São José de Princesa PB
RÚBIA MATUTO
Apresentações Artísticas e Culturais
Forró Pé de Serra


TARDE

15h PALACETE DOS PEREIRA

15h10 "APRESENTAÇÃO ACADEMIA PRINCESENSE DE LETRAS E ARTES E 
GREMIO LITERARIO JOAQUIM NOJOSA"
EMANUEL CONSERVA Princesa Isabel PB

15h30 "100 ANOS DE HISTÓRIA DO PALACETE DOS PEREIRA"
THIAGO PEREIRA  Princesa Isabel PB

16h ENTREGA DA COMENDA "LUGAR DE MEMÓRIA CARIRI CANGAÇO"
Entrega a THIAGO PEREIRA E REP DA FAMÍLIA
Comenda entregue por  Conselheiro LUIZ FERRAZ FILHO

16h10 MEMORIAL PEREIRA LIMA
JOSÉ PEREIRA LIMA NETO Princesa Isabel PB

16h30 ENTREGA DA COMENDA 
"EQUIPAMENTO IMPRESCINDIVEL PARA A PERPETUAÇÃO 
DA MEMÓRIA E TRADIÇÕES DO SERTÃO"
Entrega a JOSÉ PEREIRA LIMA NETO
Comenda entregue por conselheiro JOAQUIM PEREIRA


NOITE EM TRIUNFO

20h THEATRO CINEMA GUARANY
NOITE SOLENE PAULO GASTÃO
Triunfo PE

Recepção pelos CARETAS DE TRIUNFO

Formação da Mesa Solene de Abertura
LUCIANO FERNANDO DE SOUSA - Prefeito Municipal de Triunfo
MANOEL SEVERO BARBOSA- Curador Cariri Cangaço
ANDRÉ VASCONCELOS - Secretário de Turismo e Cultura de Triunfo
ANSELMO MARTINS - Presidente da Câmara Municipal 
MARIA DAS GRAÇAS GASTÃO - Viúva do Homenageado - Mossoró RN
EMANUEL CONSERVA - Presidente da Comissão Cariri Cangaço Princesa
ANGELO OSMIRO - Representante da SBEC
ARCHIMEDES MARQUES - Presidente da ABLAC - Sergipe
AUGUSTO MARTINS - Presidente do IHGP
HESDRAS SOUTO - Presidente do CPDOC -Tuparetama PE

20h15 Hino do município de Triunfo

20h20 – Cumprimentos aos Convidados
MANOEL SEVERO BARBOSA- Curador Cariri Cangaço
ANDRÉ VASCONCELOS - Secretário de Turismo e Cultura de Triunfo
LUCIANO FERNANDO DE SOUSA - Prefeito Municipal de Triunfo

20h30 – Entrega de Diplomas "Mérito Cultural Cariri Cangaço"

 1.Prefeitura Municipal - LUCIANO FERNANDO DE SOUSA
Entrega de Diploma por Conselheiro GILMAR TEIXEIRA Feira de Santana BA
 2.Câmara Municipal de Triunfo - ANSELMO MARTINS 
Entrega de Diploma por Pesquisador ROSSI MAGNE - Propriá SE
3. Personalidade do Mundo das Artes e Culturas - DIANA RODRIGUES
Entrega de Diploma pelas Conselheiras LUMA HOLANDA e ANA GLEIDE
 4.Clube Central Isaias Lima 
Entrega de Diploma por Conselheiro NARCISO DIAS João Pessoa PB
5. Lar Santa Elisabeth
Entrega de Diploma pelas Conselheira ELANE MARQUES Aracaju SE

20h40 – Entrega de Comenda "Lugar de Memória Cariri Cangaço"

1. Theatro Cinema Guarany - BRUNO FÁBIO SANTANA
Entrega de Diploma pelo Pesquisador URBANO SILVA Caruaru PE

2. Museu do Cangaço de Triunfo - LUCINAIDE RODRIGUES DE LIMA
Entrega de Diploma pelo Pesquisador  ROBERTO BATISTA Recife PE


20h45 – Homenagem da Câmara Municipal de Triunfo
ao ilustre Triunfense PAULO MEDEIROS GASTÃO in memorian 
vereador Anselmo Pereira Martins

20h45 Depoimento sobre o Homenageado
ANDRE VASCONCELOS Triunfo PE

21h15 Conferência
"Paulo Gastão e a Eterna Paixão pelo Sertão - Vida e Obra"
ANGELO OSMIRO Fortaleza CE

21h45 Apresentação de Remanescentes de Personagens da História
"Luiz do Triângulo , Antônio de Campos, Dr José Cordeiro, 
Félix da Mata Redonda e Luiz Pedro"

22h15 O Saber e os Costumes Sertanejos
Breve encenação de encerramento

ENCERRAMENTO




25 de Março de 2023 - Sábado

MANHÃ

8h - Saída para o "Arruando pelo Centro Histórico de Triunfo"
ROTA HISTORICA "CARIRI CANGAÇO TRIUNFO"

8h30 Feira Livre e Igreja Matriz
Praça Junior Veríssimo, Centro - Triunfo PE

Episódio do Assassinato do Juiz Ulysses Wanderley por Marcolino Diniz
Mediação DIANA RODRIGUES Triunfo PE

Ataque do Cangaceiro Sabino a Triunfo
Mediação DIANA RODRIGUES Triunfo PE

9h45 No Canto da Feira - SESC - Sec. Turismo
Banda de Pífanos Heloisa Cândido - Pifeiros de Jerico

10h Capela de São Luiz Gonzaga - Casa de Caridade
Padre Ibiapina e a Casa de Caridade de Triunfo
Mediação DIANA RODRIGUES e PROF ALBERTO RODRIGUES 

11h Theatro Cinema Guarany
Conferência:
Triunfo e o Cariri cearense: Siqueira Campos, Conde Van den Brule, 
Floro Bartolomeu e outros personagens.
ANDRÉ VASCONCELOS Triunfo PE

12h Almoço 
Restaurante Sabor da Roça

TARDE

14h Casa Grande das Almas

15h30 Engenho São Pedro - Cachaça Triumpho

17h Museu do Cangaço de Triunfo

19h Café Regional de Encerramento
Sociedade Triunfense de Cultura

20h30 Serenata pelas Ruas de Triunfo
Seresteiros de Triunfo


2023
Cariri Cangaço 
PRINCESA - SÃO JOSÉ DE PRINCESA - TRIUNFO

Realização
Conselho Alcino Alves Costa

Apoio
Prefeitura Municipal de Princesa PB
Prefeitura Municipal de São José de Princesa PB
Prefeitura Municipal de Triunfo PE
APLA - Academia Princesense de Letras e Artes
Grêmio Literário Joaquim Nojosa
IFPB Campus Princesa

Institucional
SBEC - ABLAC - GECC - GPEC - CPDOC - IHGP

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OS TROCADILHOS DO DOIDO JUVÊNCIO

Por José Cícero

O doido Juvêncio aqui acolá quando tava bom do juízo e de boa prosa tinha lá suas tiradas engraçadas. Um bom humorista. Quando não era rima eram piadas bem boladas à guisa de trocadilhos ou adivinhação.

De sorte que ainda me lembro bem dessa, quando ele fazia indagação para os meninos da pracinha do Cariri Clube em frente a usina Colinis, bem ao lado da velha estação:

- Olhe bem aqui cambada!

Dizia ele abrindo os braços.

- Tenho aqui em minhas mãos um pequi e um limão.

Respondam ligeiro e sem palhaçada.

- Com qual dos dois eu posso fazer uma cajazada de mamão? E prosseguia...

Um prato raso de mangusta com pirão de galinha ou mesmo um de ponche salgado de goiaba?

- Com frutas roubadas do quintal da casa de Maria e de seu Romão?

- E a meninada só por sacanagem logo gritava:

- Pitomba com coco, cana e laranja, Juvêncio! Tudo comprado a peso de ouro no pé do balcão da loja de NaLua e de seu Dão.

Então, Juvêncio achava graça e respondia: - Eita meninos fio de uma égua de sabidos! Mais parecem o jumento de Mosquito e o bolso fundo de Tatu o diabo daquele sacristão.

E nessa toada o tempo passava como se nada fosse acabar para sempre um dia. Saudades!

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ZÉ DE MANU E A SURPRESA DE LUIZ GONZAGA

Por Giovani Costa

Minha foto

Há uns seis anos atrás eu assisti um documentário sobre a vida do Rei do Baião na TV Jangadeiro em que Zé de Manu, que tocou com ele durante seis anos, conta um caso de um festival de sanfoneiros que houve em Fortaleza, em que ele participou e 


Luiz Gonzaga foi convidado só para fazer a entrega dos prêmios.

Na hora da premiação, Zé tinha ficado em terceiro lugar, mas quando foi anunciado o primeiro colocado, Seu Luiz partiu para Zé de Manu e disse: 

"Pega, Zé, que este troféu é seu, você foi quem ganhou."

Diante da plateia e de um jurado surpreso, Zé de Manu que pensava fosse uma brincadeira, disse:

"Não, Seu Luiz, eu tirei foi o terceiro lugar!" 

Aí Luiz Gonzaga disse: 

"Porque roubaram, mas este troféu é seu!"

E assim teve que ser... Coisas de Rei.

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sábado, 11 de março de 2023

LIVRO

 


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LAMPIÃO, CANGAÇO E NORDESTE


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O FOGO DE 24 E FERIMENTO NO PÉ DE LAMPIÃO PELA VOLANTE DE TEOFANES FERRAZ

Por Clênio Novaes

Teófanes Ferraz Torres

Estamos aqui para tentar responder a três questionamentos sobre o tiro que Lampião levou aqui nas imediações da Serra do Catolé, as questões básicas são: Onde, quando e quem? Vamos tentar responder. A maior verdade que consegui identificar, até aqui, foi escrita por Frederico Bezerra Maciel em Lampião, Seu tempo e Seu Reinado (pag. 148): “Deslumbrante e maravilhoso o panorama descortinado de lá de cima. De um lado, a serra da Pedra do Reino, com dois gigantescos monólitos no cimo, esguios e irmãos, coroados de malacacheta faiscante aos raios do sol. Envoltos, esses grandiosos blocos, nos mistérios da lenda sebastianista do desencanto, ao bárbaro custo de sangue e vidas, de um rei outrora desaparecido... Ou envolvidos das névoas que, descendo, se esgarçavam, se estendendo e se espalhando, pelas imensuráveis ondulações mansas dos vales e vargedos, até o desalcance da vista... Tudo agora verde com o inverno copioso, espelhando também em filetes de riachos e córregos e em conchas de lagoas, o prateado de suas águas abendiçoadas. O sertão virando mar...” Ao final de março de 1924, Lampião e seu bando desloca-se de Santa Maria (na ocasião distrito de Belmonte) as margens do Rio Pajeú, passando próximo ao Bom Nome, distrito de Belmonte, com destino a divisa com a Paraíba, mais precisamente a serra do Catolé passando próximo a Bernardo Vieira (distrito de Vila Bela). Da Serra do Catolé envia seu Irmão Levino para fazer compras na Paraíba. Daí Lampião desloca-se com Moitinha e Juriti em direção a Paraíba, passando junto a Lagoa Vieira, na divisa entre Pernambuco e Paraíba, para buscar alguns mantimentos que havia encomendado a um coiteiro, no retorno, por volta das 10:00 encontram-se com tropas de Teófanes Ferraz, descrição de apenas 4 soldados volantes (nesse momento não há feridos entre as forças). Nesta localidade, em 23 de março, trava-se intenso tiroteio onde Lampião é atingido no pé direito e sua montaria (um cavalo) cai sobre sua perna ferida. Moitinha segura forte tiroteio enquanto Juriti retira lampião debaixo da montaria. Fogem para localidade próxima, juntam-se a outros cangaceiros e montam emboscada para a força volante que reagrupa-se, com grande contingente, há ai forte tiroteio, com baixas em ambos os lados, mas nenhuma morte. 23 de março de 1924- Primeiro Tiroteio, lugar lagoa Vieira, presentes Lampião, Moitinha e Juriti. Força volante apenas 4 soldados, que identificados nominalmente como sendo os baleados no conflito do Barro, não nos permite crer que foram eles mesmos. Segundo Tiroteio, lugar denominado Barros. Boletim Geral nº 72, dia 25 de março de 1924 – serviço par 26 telegrama: - Vila Bella, 24. – Comunico-vos hontem 10 horas logar lagoa Vieira deste município tive encontro bandido Lampião e seu grupo havendo forte tiroteio. Bandidos recuaram conduzindo feridos inclusive Lampião ficando morto cavalo este cavalgava aquella ocasião. Pela grande quantidade de sangue segui trilha grupo que internou-se caatingas até logar Barros onde fui atacado emboscada. Travando Novo Tiroteio tombaram gravemente feridos Aspeçada 3º Manoel Amaro de Souza com ferimento na região palpebral vasando o olho direito, soldados mesma unidade Manoel Gomes de Sá um ferimento entero (antero) inferior braço esquerdo e outro terço inferior coxa direita e João Demétrio Soares um ferimento região occiptal tudo produzido por projectil rifle. Sem dispor medicamento algum e recursos suficientes garantir feridos e prosseguir pista scelerados tive que tratar remoção daqueles nas costas próprios companheiros até logar Montevideu onde consegui arranjar conducções. Peço-vos autorização tratamento. Saudações Major Theophanes Ferraz Torres. Nesse intervalo são intimados a comparecer a serra do catolé os oficiais pernambucanos Ibrahim e Alencar. Certamente as forças paraibanas foram também convidadas. Boletim Geral n.º75, dia 28 de março – Serviço 29. Telegrama: - “Villa Bella, 27. – Feridos já experimentando algumas melhoras caso porem estado de saúde possa se complicar chamarei médico Floresta impossibilitado vir actualmente até aqui contrário evitarei despesa. Sciente conteúdo vosso telegrama hoje. Fiz seguirem 15 praças serviço emboscada zona preferida scelerados. Tranzito bandidos: Abóboras, Pereiras, Jardim Santa Rita, lagoa Vieira, Serra Catolé, Campo Alegre, Natureza, São Paulo, Serrotinho, Feijão e maior reducto Faz Cristovão fazenda Yoyo Maroto. Logo cheguem Tenentes Ibrahim e Alencar seguirei diligências distribuindo forças. Saudações Major Theóphanes Torres. Comandante volante.” Tiroteio dia 2 de abril, mortos Lavadeira e no dia seguinte Cícero Costa Boletim Geral nº 83, dia 7 de abril- Serviço para 08. Telegrama: Villa Bella, 6. – Communicuvos que as 17 horas e meia, do dia 2 Serra Barro centro caatingas encontrei rancho onde bandido Lampião estava tratando ferimento cercando numeroso grupo distante uma légua local tiroteio dia 23 de março. Depois cerrado tiroteio ficou gravemente ferido bandido Lavadeira que logo faleceu tendo grupo se evadido condusindo feridos. Impossibilitado prosseguir perseguição devido escuridão da noite ali acampei até manhã seguinte quando tomei pista de scelerados. As 8 horas bandidos entrincheirados com meia légua distancia aquelle local surprhenderam força com forte descarga. Esta revestida coragem investiu contra famigerados ficando morto conhecido e temível scelerado Cícero Costa tendo grupo se esfacelado e facínoras tomado diferentes direções. Chove quotidianamente o que tem facilitado a fuga bandidos e dificultado ser descoberto destino de Lampião que não dá um passo sendo conduzido braços companheiros conforme confessou Lavadeira antes morrer e civil Manoel Cornélio encarregado compras medicamentos, viveres referido grupo. Officiaes revestidos melhor bôa vontade serviço. Espero descobrir novos refúgios feridos inclusive do chefe do grupo. Santa Rita. 5-4-924. Major Theophanes Torres. Antes do ataque ao esconderijo de Lampião as forças de Theóphanes, juntamente coma as forças Paraibanas, conseguem encontrar Casemiro de Tal, que com aperto algum, entrega que quem sabe onde Lampião encontra-se é Manoel Cornélio, este sim após adequado interrogatório, entregou até Jesus no jardim de Getsêmani. Toda a região estava tomada pelas volantes Pernambucanas e Paraibanas uma força capaz de oferecer combate ao grande grupo de cangaceiros que encontrava-se no coito, tratando e protegendo o seu chefe. Queremos salientar aqui, nenhuma menção feita às forças de Tenente Chico Oliveira e Sargento Quelé das forças Paraibanas que estavam presentes no combate do dia 2 e 3 de abril e que continuaram na região tentando encontrar Lampião No dia 5 de abril o Tenente Higino regressa a Triunfo, estando até aí também presente no embate e nas buscas. (conforme telegrama) O cangaceiro Antônio Rosa é responsável por despistar a volante do local onde Lampião ficou escondido durante as buscas do dia 3 de abril. Grande contingente vasculha a região em busca dos feridos, inclusive Lampião, não obtém sucesso pelas escaramuças feitas pelos cangaceiros para despistar a força e poupar Lampião da morte certa. Boletim Geral n.º 87, dia 11 de abril- Serviço para 12. - Villa Bella, 10. Communico-vos que Soldado João Demétrio Soares completamente restabelecido. Aspeçada Manoel Amaro e Soldado Manoel Gomes muito melhorados ferimentos. Saudações. Major Theophanes Torres. -Villa Bella, 10- Comunico-vos cheguei hoje cidade depois ter circulado emboscada logar Barro e percorrido repetidamente São Lourenço, Santa Rita, Desterro, Triangulo, Cachoeira, Sanguessuga, Três lagoas, Barriguda, Lagoa Vieira, Cacimba Nova, Campo Alegre, Montevideo, Poços Cajazeiras e Bulandeira. Em Santa Rita passou bandido Severino Ferreira com três companheiros direção Patos e Princesa. Depois passou no mesmo local o também famigerado Moitinha mesma direção igualmente acompanhado 3 seus comparsas e na sanguessuga passaram os celerados Antonio Rosa e Vicente Marina e dois outros desconhecidos para Pinhancó. Referidos bandidos todos pertencentes grupo Lampião e destroçados pelas nossas forças. Fiz investigação rigorosa sentido descobrir paradeiro até hoje completamente ignorado facínora Lampião e seu irmão Antônio Ferreira depois tiroteio de que vos dei sciencia. Depois desse fogo, Lampião fica escondido no mato, em uma moita de folha de carne, por um tempo entre dois ou três dias, sendo encontrado por um menino de nome Antônio Terto, filho de Zeca Terto. Lampião é levado para lugar seguro. Chegaram ao local irmãos e cangaceiros de Lampião, este foi levado para iniciar os tratamentos, sendo o Sr. João Menezes, morador de localidade próxima, encarregado do tratamento, em local denominado hoje de casa de pedra de Lampião na encosta da Serra do Catolé, permanecendo ai por aproximadamente 40 dias. Após esse período o ferido é levado para a cidade de Princesa Izabel na Paraíba para a Propriedade Pau Ferro do Major Floro Diniz, Casado com Maria Dulce de Oliveira Barros, sob a proteção de Marçal, Marcolino Diniz e José Pereira. A fazenda Pau Ferro ficava entre a Fazenda Abóboras, em Vila Bela, Pernambuco esta era propriedade de Manoel Menino e a fazenda Patos do Irerê, esta, também de Major Floro. Lampião foi operado por Doutor Severino Diniz, o mesmo que o tratou do primeiro ferimento sofrido em tiroteio na fazenda Melancia na cidade de Manaíra (na época Princesa) quando este ainda era do grupo de Senhor Pereira. Lampião ficou aos cuidados do cangaceiro José Ducarmo, este posteriormente foi morto por Luiz do Triangulo. Posteriormente foram os doutores Mota e José Cordeiro de Lima que ficaram tratando o ferido. A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé e atividades ao ar livre A imagem pode conter: 3 pessoas, incluindo Manoel Severo Barbosa, pessoas sorrindo, pessoas em pé Ci

Postado por Giovani Costa 

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HISTORIADOR ENCONTRA RARA CARTA DE EX-ESCRAVIZADO TRATANDO DO RACISMO NAS CADEIAS DE SP APÓS A ABOLIÇÃO

 Acervo do Pesquisando a História

Escrita em dezembro de 1888, a carta é considerada pelo historiador Flávio Gomes, que a achou, uma raridade. Além de dominar as letras, o escritor tinha consciência da questão racial, exalta o pesquisador A carta, escrita em dezembro de 1888, é considerada pelo historiador Flávio Gomes, que a achou, uma raridade. O preso, ex-escravizado, além de dominar as letras, tinha consciência da questão racial, exalta Gomes. “Senhor. Vem este triste, pobre e miserável sentenciado à galé perpétua, queira a Vossa Excelência, pela sua humanidade de justiça a fim de dar as mais divinas providências a este regulamento de absurdo, que há aqui, nesta Cadeia Pública”, apela o ex-escravizado na carta endereçada ao “ilustríssimo excelentíssimo senhor doutor alferes de Polícia da Capital”.

Diferenças para visitas

A escrita original em duas páginas, com erros de português mas boa caligrafia, foi transcrita pelo Núcleo de Paleografia do Arquivo Público do Estado de São Paulo. O ex-escravizado, que deu à carta o caráter de petição, denuncia que “a cor preta tem sido tocada daqui como cachorro”. Ele considera um absurdo que o carcereiro proíba a entrada de “mulher de nós, que somos escravos”, mesmo nos dias de visita, enquanto os encontros para presos estrangeiros eram permitidos a qualquer hora. Em outro momento, o ex-escravizado fala de discriminação nos horários impostos aos negros. “A cor preta não pode parar até o meio-dia, e a cor branca para até o meio-dia”, relata. Embora Flávio Gomes, especialista em escravidão no Brasil, não saiba a que horário exatamente Queirós se referia — pode ter, por exemplo, relação com trabalhos forçados — ele sustenta que o autor tinha noção clara das transformações que o país vivia, sete meses após a decretação da Lei Áurea, e exigia que a mudança chegasse à cadeia. — Nas Américas, são raros os documentos escritos pelos escravizados. A carta sugere que João de Queirós acompanhava os movimentos externos, como a Abolição, assim como mostrava as diferenças raciais dentro da prisão, vendo o cárcere como continuidade da escravidão — explica o professor. — Este documento revela também como o sistema prisional do século XIX se articula com escravidão e racismo, onde os condenados, muitos ex-escravizados e mesmo africanos, eram encarcerados por décadas, com suas penas de morte transformadas em prisão perpétua. Mas as condições de alimentação, visitas, roupas e acompanhamento médico são atravessadas por diferenças raciais e percepções preconceituosas do poder público. Na petição, Queirós se apresenta como sentenciado a “galés perpétua” (à época, era considerada a pena mais severa do código depois da pena de morte, geralmente aplicada em casos de homicídio). Brasileira, historiadora e professora em Princeton University, Isadora Mota disse que o documento encontrado pelo colega Flávio Gomes é raríssimo porque, no caso de homens escravizados, apenas dois em cada mil possuíam a habilidade de ler e escrever. — O uso da escrita, no entanto, mesmo que parcial, era mais comum do que os números oficiais registram. Um condenado a galés perpétua como João, por exemplo, dificilmente teria sido incluído na contagem oficial. Os caminhos e manifestações do letramento negro eram múltiplos. Alguns escravizados aprenderam sozinhos a ler ou tomaram parte em situações informais de leitura oralizada. Muitos podiam assinar apenas seus nomes quando forçados a comparecer em juízo — diz. Isadora concorda com a análise de Gomes quando afirma que a carta é “um incrível testemunho de um homem liberto sobre os limites da abolição da escravidão no Brasil”. Para ela, Queirós demonstra que o fim do cativeiro não extinguiu a discriminação racial como realidade cotidiana dos negros nas prisões do país: — O fato de que ele escreveu um requerimento legal para contestar a discriminação racial é evidência importante da consciência política dos ex-escravizados. Sabiam que precisavam lutar para que a liberdade concedida em lei viesse a existir de fato. Vejo a carta de 1888 também como legado para o movimento negro no país. A pesquisa de Gomes em arquivos públicos de São Paulo, Espírito Santo e Maranhão é financiada pelo CNPq, com destaque para o projeto “Escrita, Escolarização, Cor e no Brasil da Escravidão e pósemancipação (1860-1908)”, coordenado por ele, e com pesquisadores da UFRJ, Uerj, PUC-SP, Colégio Pedro II, UFBA e Princeton University.

FONTE: O GLOBO 

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