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sábado, 20 de abril de 2019
O RASO DA CATARINA E A PERSEGUICÃO A LAMPIÃO
Por Beto Rueda
Era o mês de novembro de 1932, as tropas baiana e pernambucana surpreenderam Lampião na Caverna do Chico, no Raso da Catarina(ecorregião localizada na parte centro-leste do bioma caatinga, no Estado da Bahia).
Firmou-se um convênio entre os interventores da Bahia, Alagoas, Sergipe e Pernambuco no sentido de prender o chefe cangaceiro. O chefe da polícia baiana instituiu um prêmio de 10 contos de réis pela captura, vivo ou morto.
A polícia seveciava os coiteiros para obter confissões. Os tenentes do exército Ladislau, Liberato, Manuel Arruda, Filadelfo Neves, Campos de Menezes, Luis Mariano e Osório Cordeiro comandavam as tropas. Partiram de Jeremoabo.
Atravessar aquela imensa região inóspita era um feito extraordinário. Nos lajedos a água era invisível, o ar sufocante.
Cangaceiros e soldados convergiram para um combate, isolados e sedentos.
Resistir, ficar exposto ao calor abrasador, acima de 40 graus, ao sol forte, com sede e desespero, era necessário ser um forte. A vida para todos naquele momento parecia odiosa.
Lampião olhou em torno da paisagem rala, avistando apenas garranchos cinzentos, na terra esturricada. Não existia casa, nem água, muita tristeza. Fez-se uma trégua.
As volante retornaram na perseguição com a certeza do êxito.
Os cangaceiros fugiram e deixaram os seus pertences na caverna. Os soldados recolheram armas, munição, jogos, alpercatas, chapéus enfeitados, perfumes, moedas e o livro História de Christo, de Papini. O livro foi oferecido pelo comerciante Jackson Alves Carvalho em 29.11.1929 - Capela, Sergipe. Maria do Capitão saiu ferida.
Lampião foi para Itapicuru e quase matou o coiteiro, Dr. João da Costa Pinto Dantas, filho do Barão de Jeremoabo, que fugiu para Salvador. Lampião atribuía-lhe a denúncia.
Em itapicuru assaltou armazéns e seguiu para Massaracá, onde uma força de contratados, sob o comando do sargento José Joaquim de Miranda, apelidado de Bigode de Ouro, o esperava para um ataque. Lampião matou Bigode de Ouro e dividiu o bando em três grupos.
Vivia Lampião mais uma situação limite de resistência física e arrojo nos confins do sertão.
REFERÊNCIAS:
OLIVEIRA, Aglae Lima de. Lampião, Cangaço e Nordeste. Rio de Janeiro: Editora O Cruzeiro, 1970.
CHANDLER, Billy Jaynes. Lampião, o rei dos cangaceiros. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1981.
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MÁQUINA SINGER ANO 1906. ACERVO DO PORTAL DO CANGAÇO DE SERRINHA-BA
Esta máquina foi uma doação do saudoso Compadre Aluizio Ferreira da Cidade de Pedra de Buíque Pernambuco.
A máquina pertenceu a mãe do Compadre! Dona Erondina Ferreira esta recebeu de um grupo de Cangaceiros em 1934, que viam em fuga da cidade de Venturosa PE.
Dona Erondina socorreu a cabroeira com água e o pouco de farinha e carne seca que lhes restava. Em troca um rapaz negro forte e bem trajado na mescla lhes deu esta máquina com algumas moedas! Moedas que a velha Erondina nunca mexeu em um só tostão jurando que era dinheiro sujo!!!
Palavras de dona Erondina Ferreira.
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LAMPIÃO.....ISAAC" Singer "....MARIA BONITA..e, a MÁQUINA de COSTURA à mão..
Isaac Singer: o visionário da máquina de costura.
Em 1851, Isaac Singer obteve a patente da primeira máquina de costura realmente prática. Foram necessários 11 dias de trabalho que resultaram em cinco pontos firmes e contínuos, para que Isaac tivesse certeza de ter criado um novo produto que iria revolucionar o milenar processo de recortar,modelar, armar e unir pedaços de tecidos para confeccionar, calças, camisas, casacos, vestidos, corpetes e tantas outras peças para o vestuário.
Curiosidades:
Em visita a Feira Internacional de Filadélfia em 1876, o Imperador Dom Pedro II comprou máquinas de costura Singer e trouxe ao menos duas para o Brasil.
Em 1888, a princesa Isabel assinou a autorização para a SINGER funcionar no Brasil.Em 1955, foi inaugurada a fábrica Singer em Campinas, pelo então presidente Dr. João Café Filho.
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OBS: No coito do cangaceiro, geralmente quando era seguro, eles costuravam peças de roupas; couro; embornais; etc....A máquina SINGER MANUAL, geralmente era cedida por pequenos coiteiros, amigos..,,As cangaceiras, Maria Bonita, Dadá, Sila e outras eram exímias costureiras. Também, alguns homens costuravam, a exemplo de Lampião, Luiz Pedro e outros...
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Fotogramas: Lampião e Maria ( Filmagens de B. Abraão / Abafilm/ Família . Ferreira Nunes.
Foto de Isaac Singer/Máquina : Google
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O MISTÉRIO DA CRUZ DE CONSTANTINO, O GRANDE
Por Luiz Serra
"O todo poderoso imperador romano Constantino I, teve uma surpresa enquanto contemplava uma cruz no adro da edificação portentosa: apareceu a inscrição: “In hoc signo vinces”, significando o dístico, “Com este sinal vencerás!”. Doravante a relíquia tomou o nome sagrado: A cruz de Constantino.
O Coliseu.História da Arte Greco-romana.
Em seu governo, a fé cristã tornou-se a religião oficial do Império Romano.
Para muitos, Constantino foi o reedificador da Fé Cristã.
O imperador Constantino I, na letra pública, Constantino Magno, ou ainda Constantino, o Grande, havia sido proclamado por Augusto, em séquito popular, a 25 de julho de 306 d.C.
Imagem de Constantino I Museu da Arte Greco-romana.
Seu nome de berço: .. Flavius Valerius Aurelius Constantinus Augustus.
Ousou derrotar os exércitos de Licínio e Magêncio e passou a governar o Império Romano até sua morte a 22 de maio de 337 d.C."
Legiões romanas em ação.História da Arte Greco-romana.
Com esta breve evocação da milenar História, desejo uma Páscoa reedificadora com muita reflexão para que cada um medite por novas e venturosas decisões na vida.
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quarta-feira, 17 de abril de 2019
A HOMENAGEM HOJE VAI PARA O AMIGO ADERBAL NOGUEIRA: UM DOS GRANDES DOCUMENTARISTAS DO CANGAÇO - www.joaodesousalima.blogspot.com
um dos grandes profissionais que dedicou muito do seu tempo para documentar os diversos fatos que marcaram as histórias do cangaço, foi o Aderbal Nogueira.
seus videos são de suma importância para entendermos o complexo e enigmático mundo do cangaço.
abraço meu irmão:
João de Sousa Lima, escritor e historiador, Paulo Afonso, 17 de abril de 2019.
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segunda-feira, 15 de abril de 2019
JESUÍNO ALVES DE MELO CALADO
Jesuíno Alves
de Melo Calado (Patu, 1844 - Belém do Brejo do Cruz, dezembro de 1879) foi um cangaceiro brasileiro.
É considerado um dos precursores do cangaço no nordeste brasileiro[1].
Origem[editar | editar código-fonte]
Também chamado
de "Jesuíno Brilhante" ou "O Cangaceiro Romântico", nasceu
de uma família da aristocracia rural sertaneja, no sítio Tuiuiú, região da
cidade de Patu, e virou bandoleiro em 1871 pelo fato de seu irmão ter apanhado
no meio da rua de sua cidade natal e pelo roubo de uma cabra que lhe pertencia[2].
Diferente da
filosofia dos cangaceiros do século XX,
que roubavam e pilhavam, Jesuíno Brilhante foi considerado um cangaceiro gentil-homem,
um tipo de Robin Hood, pois adorava e era adorado pela população
pobre e sempre os ajudavam em questões financeiras e sociais, como subtrair dos
coronéis o que era dos nordestinos, quando saqueava os comboios de alimentos
que eram enviados pelo governo, para as vítimas das secas, mas que ficavam nas
mãos dos poderosos e nunca chegavam à população. Além disto, também era
defensor dos fracos, das crianças agredidas, dos velhos e das moças ultrajadas.
Entre 1871 e 1879, o cangaceiro romântico implantou um “Estado Paralelo” nos
sertões brasileiros[3][4].
Morte[editar | editar código-fonte]
O desfecho
final de Jesuíno de Melo Calado foi numa emboscada na região das Águas do
Riacho de Porcos, na cidade de Belém do Brejo do Cruz, na Paraíba, quando levou
dois tiros e morreu pouco depois no local denominado de "Palha".
Seus restos
mortais estão desaparecidos, pois, após a sua morte, seu corpo foi levado pelo
médico Francisco Pinheiro de Almeida para exposição no Colégio Diocesano de
Mossoró por longos anos e, na sequência, fez parte do acervo museológico do
alienista Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, que por fim, removeu do
acervo sem dar paradeiro do destino final.
Referências
↑ A história
de Jesuíno Brilhante Jornal Diário do Nordeste
↑ Biografia Jesuíno
Brilhante Enciclopédia O Nordeste
↑ Seminário
“Memória do Cangaço de Jesuíno Brilhante” será realizado dia 14 de março na
Paraíba Revista Raiz - Cultura do Brasil
↑ História
do RN - O Cangaceiro Potiguar Jesuíno Brilhante Jornal Tribuna do
Norte
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
JASMIN,
Élise, Cangaceiros, Ed. Terceiro Nome, São Paulo, 2006
MELLO,
Frederico Pernambucano de., Guerreiros do Sol - O banditismo no nordeste
brasileiro, Ed. Massangana, Recife, 1985
NONATO,
Raimundo, Jesuíno Brilhante, o cangaceiro romântico, Fund. Vingt-un
Rosado, Mossoró, 2000
A LENDÁRIA FAZENDA ABÓBORA PARTE 1
Por Rostand Medeiros
Sede da Fazenda Aboboras
Vamos conhecer um pouco de sua história e da visita que realizei a este local.Uma Rica Propriedade. Quem segue pela sinuosa rodovia estadual PE-365, que liga as cidades de Serra Talhada a Triunfo, antes de subir em direção a povoação de Jatiúca e as sedes dos municípios de Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo, percebe que está em um vale cercado de altas serras, que dão uma beleza singular a região. Atrás de uma destas elevações se encontra a Fazenda Abóbora.
Até hoje esta fazenda chama atenção pelas suas dimensões. Segundo relatos na região, suas terras fazem parte das áreas territoriais de três municípios pernambucanos. Aparentemente no passado a área era muito maior. Ali eram criados grandes quantidades de cabeças de gado, havia vastas plantações de algodão, engenho de rapadura e se produziam muitas outras coisas que geravam recursos. No lugar existem dois riachos, denominados Abóbora e da Lage, que abastecem de forma positiva a gleba.[1] Com tais dimensões, circulação de riquezas, no passado o lugar era ponto de parada de muitos que faziam negócios na região e transportavam mercadorias em lombo de animais, os antigos almocreves. No lugar estes transportadores do passado eram recebidos pelo “coroné” Marçal Florentino Diniz, que junto com irmão Manoel, dividiam o mando na propriedade.
Manoel Severo e Rostand Medeiros
Informações apontam que Virgulino Ferreira da Silva, quando ainda trabalhava como almocreve, realizou junto com seu pai e os irmãos vários transportes de mercadorias entre as regiões de Vila Bela (sua cidade natal, atual Serra Talhada) e Triunfo.[2] Certamente em alguma ocasião, o jovem almocreve teve a oportunidade de conhecer a fazenda do “coroné” Marçal e de seu irmão Manoel. Além destes o almocreve da família Ferreira conheceu o impetuoso filho do fazendeiro Marçal, Marcolino Pereira Diniz.[3]
Chefe de bando inteligente e perspicaz, Lampião buscava antes do confronto, o apoio e as parcerias com os antigos proprietários rurais e assim agiu junto aos donos da Fazenda Abóbora. Após assumir a chefia efetiva de seu bando, depois da partida do seu antigo chefe, o mítico cangaceiro Sinhô Pereira, Lampião frequentou em várias ocasiões as terras da Abóbora, onde o respeito do chefe e dos seus cangaceiros pelo lugar estava em primeiro lugar.
Rodrigues de Carvalho, autor do livro “Serrote Preto” (1974), informa nas páginas 252 a 254 que ocorreu uma intensa e positiva relação de amizade entre Lampião e a família Diniz principalmente com o “jovem e pretensioso doutor” Marcolino Diniz, que chegou há cursar durante algum tempo a Faculdade de Direito em Recife, mas não concluiu. Esta relação ambígua de amizade entre estes ricos membros da elite agrária da região e o facínora Lampião foi posta a prova em duas ocasiões.
Marcolino Diniz, sentado, filho do poderoso Cel. Marçal Florentino Diniz
A primeira no dia 30 de dezembro de 1923, quando Marcolino Diniz é preso pelo assassinato do juiz de Direito Ulisses Wanderley em um clube de Triunfo. Marçal solicita apoio de Lampião para tirar Marcolino da cadeia, se necessário a força. Juntos vão acompanhados de um grupo que gira em torno de 80 a 100 cangaceiros armados. Não Houve reação dos carcereiros. A segunda ocorreu no mês de março do ano seguinte. Após o episódio do ferimento do pé de Lampião na Lagoa Vieira e o posterior ataque policial na Serra das Panelas, onde o ferimento de Lampião voltou a abrir e quase gangrenar, é a família Diniz que parte em socorro do cangaceiro. Marçal e Marcolino cederam apoio logístico para a sua proteção, transporte, medicamentos e plena recuperação com o acompanhamento dos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima, de Triunfo e Severino Diniz, da cidade paraibana de Princesa. Sem este decisivo apoio, certamente seria o fim do “Rei do Cangaço”.[5]
Foi igualmente na propriedade Abóbora que Lampião conheceu Sabino Gomes de Gois, também conhecido como “Sabino das Abóboras”.[6] Frederico Pernambucano de Mello, autor do livro “Guerreiros do Sol-Violência e banditismo no Nordeste do Brasil” (2004), nas páginas 243 a 246, informa que Sabino efetivamente nasceu na Fazenda Abóbora, sendo filho da união não oficial entre Marçal e uma cozinheira da propriedade. Consta que ele trabalhou primeiramente como tangedor de gado, o que certamente lhe valeu um bom conhecimento geográfico da região.
Valente, Sabino foi designado comissário (uma espécie de representante da lei) na região da propriedade Abóbora, certamente com a anuência e apoio do pai. Organizava bailes e em um destes envolveu-se em um conflito, tendo de seguir para o município paraibano de Princesa. [7]
Depois, entre 1921 e 1922, acompanhou seu meio irmão Marcolino para Cajazeiras, no extremo oeste da Paraíba. Marcolino Diniz desfrutava nesta cidade de muito prestígio. Era presidente de clube social, dono de casa comercial, de jornal e tinha franca convivência com a elite local. Sabino por sua vez era guarda costas de Marcolino e andava ostensivamente armado. Nesta época Sabino passou a realizar nas horas vagas, com um pequeno grupo de homens, pilhagens nas propriedades da região. O autor de “Guerreiros do Sol” informa que teria sido Sabino que coordenou a vinda do debilitado Lampião para ser tratado pelos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima e Severino Diniz. A amizade entre o “Rei do Cangaço” e o filho bastardo de Maçal Diniz, nascida na Fazenda Abóbora, teria então se consolidado a ponto deste último se juntar a Lampião e seu bando, em uma posição de destaque, no famoso ataque de cinco dias ao Rio Grande do Norte, ocorrido em junho de 1927.
Continua...
Continua...
NOTAS
[1] Relatos transmitidos em entrevista gravada junto ao Sr. Antônio Antas, da cidade paraibana de Manaíra, em dezembro de 2008. O Sr. Antônio, parente de Marcolino Diniz, conviveu com o filho de Maçal quando este estava idoso e vivendo na Comunidade de Patos do Irerê. Vale ressaltar que é relativamente pequena a distancia da sede da Fazenda Abóbora para a cidade de Manaíra.
[2] Relato transmitido ao autor em entrevista gravada junto ao Sr. Antônio Ramos Moura, em agosto de 2006, em Santa Cruz da Baixa Verde.
[3] Para Frederico Pernambucano de Mello, autor do livro “Guerreiros do Sol-Violência e banditismo no Nordeste do Brasil” (2004), na página 244, afirma que Maçal Diniz conheceu Lampião e seus irmãos quando os mesmo já eram membros do bando de Sinhô Pereira, cangaceiro que igualmente recebeu proteção e apoio deste fazendeiro em 1919.
[4] Entrevista gravada com Antônio Antas, dezembro 2008.
[5] Sobre o combate de Lampião na Lagoa Vieira ver – tokdehistoria.wordpress.com/2011/02/10/quando-lampiao-quase-foi-aniquilado
[6] Segundo Frederico Pernambucano de Mello, Sabino também era conhecido como Sabino Gomes de Melo, Sabino Barbosa de Melo, ou ainda com os denominativos Gore, Gório ou Goa. Ver “Guerreiros do Sol-Violência e banditismo no Nordeste do Brasil” (2004), pág. 243.
[7] Rodrigues de Carvalho (pág. 164) afirma que Sabino nasceu na Paraíba, no lugar denominado Pedra do Fumo, então município de Misericórdia, atual Itaporanga. Pela lei estadual nº 3152, de 30 e março de 1964, o antigo distrito de Pedra de Fumo foi desmembrado do município de Itaporanga e elevado à categoria de município com a denominação de Pedra Branca, localizado a cerca de 20 quilômetros de Itaporanga. Pelo que escutamos durante nossas visitas a região, acreditamos que a versão do autor de “Guerreiros do Sol” é mais correta.
Rostand Medeiros, pesquisador e escritor
Natal, Rio Grande do Norte
Fonte: tokdehistoria.com
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JORNAL O ESTADO DE S. PAULO 19 de Dezembro de 2010.
Guerra contra Lampião
Especial ● Guerras desconhecidas do Brasil
Repórteres Leonencio Nossa e Celso Júnior
Os nomes de Lampião, Maria Bonita e Corisco estão nas placas dos cybercafés, pizzarias e serviços de moto táxi abertos no atual momento de euforia no comércio popular do Nordeste.
Setenta anos depois de erguerem bacamartes e punhais, os sobreviventes do Cangaço, no limite do esgotamento físico, travam agora, juntamente com pesquisadores e artistas conhecidos ou desconhecidos, uma luta para manter na história as marcas da barbárie. É na luta para se manter em pé que os cangaceiros e mesmo seus algozes se assemelham a outros mortais.
Em uma casa coberta de telha, em Delmiro Gouveia, sertão alagoano, vive a agricultora Aristéia Soares de Lima. Com vestido longo roxo, usado sempre durante as visitas, a mulher miúda e esforça para conversar. Ela se recupera de um problema nas articulações, que a levou ficar internada por uma semana.
A ex-cangaceira busca uma posição na cama em que consiga conversar sem sofrer. Numa trégua do corpo, começa a falar da prisão, em Delmiro Gouveia. Foi pouco antes da volante (tropa) do tenente João Bezerra chegar à cidade carregando a cabeça de Lampião, morto no massacre de Angicos, em 1938. Conta que a qualquer movimento na rua tentava enxergar o que passava do lado de fora por uma pequena abertura na parede. Mas, naquele dia, preferiu ficar agachada na cela, em silêncio.
“Eu não quis ver”, diz Aristéia, com dificuldades. Só viu, depois, a euforia dos “macacos” – como eram chamados as volantes – e a surpresa dos moradores com o feito do tenente João Bezerra. Aristéia intercala uma frase com um movimento de mãos ou de rosto expressando dor. Ela demonstra vontade de falar sobre o Cangaço. Sobreviveu porque se entregou à polícia. Foi logo depois do fuzilamento do marido, Catingueira.
Antes de morrer, ele pediu a Moreno, chefe do grupo, que tirasse a mulher do Cangaço. Pelas leis dos bandos liderados por Lampião, mulher não podia sair ou ficar solteira. Era morta para não contar à polícia detalhes das estratégias do grupo. Moreno cumpriu a promessa e levou Aristéia para a cidade, onde ela procurou a polícia. Quando estava presa, soube da decapitação da irmã, Eleonora, também cangaceira. “Só arrancavam a cabeça para provar que mataram cangaceiro e ganhar comenda”, diz Aristéia.
O filho e a nora de Aristéia, Pedro Soares e Damaris, exibem orgulhosos um brinco que ela recebeu de Cruzeiro, um temido cangaceiro. Aristéia não aceitou ficar com Cruzeiro, mesmo depois da morte de Catingueira. Ela lembra do dia em que o marido morreu. “Corremos quando começou o tiroteio. Na hora, a gente estava lavando os panos dos meninos. Saímos baleados”, diz. “Enterraram Catingueira na caatinga.” Ela estava grávida de oito meses. O filho, José, morreu tempos depois, em 1964, num assalto.
Temor. Um dia, conta, ouviu um policial dizer que nunca teve medo de Lampião. “Não tinha medo. Só corria à légua”, ironiza.
Aristéia discorda que Maria Bonita tenha sido a mulher mais bonita do cangaço. “A mulher mais bonita era a Durvinha”, diz – e fecha e abre os olhos como se tivesse sentido uma fisgada. Dos homens, ela afirma que Virgínio, cunhado de Lampião,“ ganhava a parada”. “Ele era provado mesmo”, conta. Ela assegura que a “peste” da polícia matou o cangaceiro Português já detido. O Português tinha se rendido em Mata Grande. “Foi só chegar e descer do carro para ser morto”, lembra.“Como ele matou o pai de um soldado, o soldado matou Português.”
A bela "Durvinha" aponta para Benjamim Abrahão.
Em suas lembranças, ela reclama que “a cangaceira Quitéria era o capeta” e fazia intriga contra Cristina, mulher de Português. “Dizem eles que Cristina ‘sartava’ a cerca com Jitirana. Dizem eles, eu não vi. Só pode ter sido a Quitéria quem falou. Quitéria era danada por Português. O marido de Quitéria era Pedra Roxa. Pedra Roxa vivia doente, se entregou e pronto. Em pouco tempo também morreu.”
Após a prisão, Aristéia teve mais sete filhos. A carteira de trabalho, expedida em 1972, nunca recebeu um carimbo. Teve problemas até mesmo para se alistar nos mutirões formados nas secas por causa da artrite. O problema tem impedido Aristéia de assistir ao Jornal Nacional e às missas, seus programas preferidos na TV.
Sentada na cama, busca uma posição em que possa sentir menos dor. Põe as duas mãos no rosto. Depois, leva a mão direita para baixo do braço esquerdo. Quase não há mais carne para conter o atrito dos ossos. Puxa algo da memória para desmentir alguma afirmação do filho Pedro. “Ôxe!” Solta uma piada, faz uma brincadeira. Não tem mais movimento nas faces para rir das histórias dos cangaceiros que “sartavam a cerca”, dos casos de amor e traição. “Frouxos”, diz, com voz firme, referindo- se aos policiais.
Português e Catingueira. ABAFILM
Do outro lado do município mora Antônio Vieira, 97 anos, sargento da reserva da Polícia Militar de Alagoas. A farda está impecável, como se tivesse de ser usada a qualquer hora. Na roupa está o registro do tipo sanguíneo: A+. Antes de começar a entrevista, Vieira demonstra incômodo, como se sentisse falta de algo. A filha Edileuza vai até o quarto do pai e volta com um revólver 38.
Ela explica que o pai só dorme e conversa com a arma ao lado. Agora, sim, com a arma na mão, ele fala do combate do extermínio de Lampião, em 28 de julho de1938. Segurando firme a arma, Vieira olha compenetrado para a câmera. Parece mirar um inimigo que agora não passa de uma criatura apenas de sua memória. “Lampião recebeu um tiro no peito e caiu. Maria Bonita caiu pertinho dele”, conta. “Não posso dizer que matei Lampião. Ninguém pode dize. Não dava para saber, era muita gente atirando.”
Antonio Vieira, de 97 anos, mostra sua companheira
Carteira do PM Antonio Vieira
Do Cangaço ao seringal.
Ex-aliado de Lampião diz que Maria Bonita tinha ciúme e fazia intriga
Um dos homens de Lampião que escaparam do cerco de Angicos foi Manoel Dantas Loiola, o Candeeiro. Aos 94 anos, ele vive em Buíque, sertão pernambucano. Vestindo camisa comprida, conta sua história, sentado num sofá da sala de uma casa simples. Reclama de Maria Bonita. “Ela não gostava da minha aproximação de Lampião”, relata. “Só vivia fazendo intriga. Mas o chefe confiava em mim.”
Seu "Nezim". Foto NE10 UOL
Após o cangaço, Candeeiro foi para a Amazônia trabalhar em seringais e só voltou mais tarde para o sertão. “Nunca esqueci aquele dia em Angicos. Passei muito tempo sem contar essa história”, diz. “Lampião foi alerta do que a volante estava na região, mas não deu importância.” A fuga de Candeeiro do acampamento de Angicos foi uma das maiores proezas da região. Faz calor no sertão.
Um dos filhos do ex-cangaceiro diz, baixo, que o pai jamais tira a camisa comprida. Ela esconde a marca de bala de Angicos no braço esquerdo.
*As fotos 2, 3 e 6 não fazem parte da matéria original.
Adendo
Aristéia e Candeeiro ainda são viventes. O Sargento Antonio Vieira faleceu dia 20 de dezembro de 2010 um dia após a publicação desta matéria no Estadão.
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