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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

DA ARTE NASCENDO A PRENDA: A RENDA

*Rangel Alves da Costa

Uma almofada. Um molde marcado no papelão. Agulhas ou espinhos de mandacaru. Bilros e linhas. Uma calçada ou canto de sala. Uma cadeira ou tamborete. E as mãos, simplesmente as mãos passeando em maestria, passando a linha ao redor dos espinhos, e os espinhos buscando sua marcação.
Mãos ágeis, habilidosas, como se tivessem vida própria perante a almofada enfeitada. A rendeira pode conversar, pode se voltar pra qualquer direção, pode sorrir, pode falar, pode até nem olhar para a almofada, pois suas mãos, como passeando sozinhas, já sabem os caminhos a serem seguidos. E dessa arte, tão bela e tão nobre, da artesã maior sua prenda: a renda.
Calçadas de sombreados, tardes fagueiras, brisas com perfume de mato e mãos ágeis correndo pelas almofadas. No papelão cuidadosamente desenhado pelas mãos sertanejas, surge o molde que é deitado e pregado por riba do enchimento. Nele as curvas perfeitas, os caminhos, o trançado que vai ter o bordado. E quanta beleza, quanta originalidade surgida de mãos matutas, tantas vezes já envelhecidas, que nem sempre sabem escrever o próprio nome, mas que se esmeram na singela feitura da arte de um povo.


Pelas calçadas, nos silêncios da boa fresca ou mesmo entre um converseiro e outro, as mãos seguram, levantam, passeiam, transmudam e revolvem, até colocar os bilros na marcação do espinho. E espinho grande, pontudo, de mandacaru sertanejo, ali sobre a almofada para demarcar o desenho e a curva a ser percorrida no molde perfurado no papelão. Por entre os espinhos os bilros vão sendo pendurados até novamente serem procurados. Não há ofício mais belo que este, que a arte da “muié rendera” do nosso sertão.
“Muié rendera”, mulheres rendeiras de um Poço Redondo que não mais tecem sua arte como antigamente. Mas onde elas estão agora? Que fim levaram aquelas mulheres e suas almofadas grandes, imensas, gordas, colocadas em cima de tamboretes e na proximidade das mãos? Onde estão aqueles bilros, aqueles moldes, onde estão aquelas almofadas de panos floridos, cheias de velhices e sempre novas? Onde estão aquelas mãos calejadas de tempo e tão hábeis nos seus ofícios? Onde estão aquelas tardes de calçadas sombreadas, aquelas tardes debaixo de pés de paus ou mesmo nas varandas e cantos de casa?
Mas saudades não somente das almofadas, dos bilros, dos moldes, daquelas mãos ágeis em pressa de fazer coisas belas, mas também daquelas senhoras e mocinhas que tantas costuras bonitas faziam. Costureiras de mão cheia, como se dizia, mas não costura de máquina, e sim na mão, na agulha, no dedal e no bastidor. Pra quem sequer se lembra mais, bastidor é a denominação sertaneja para aquele aro de madeira onde o pano era estendido e preso para ser costurado ou bordado.
De cima do bastidor, a partir de riscos previamente feitos ou pela criatividade da bordadeira, logo surgindo os pontos cruz para dar forma a toalhas, colchas e outras peças em tecidos. Das mãos dessas bordadeiras iam surgindo verdadeiras obras de arte. De Poço Redondo saíam verdadeiros carregamentos de bordados para o sul do país. Aquilo feito na simplicidade das calçadas, nos cantos das salas, ao sopro da brisa boa do entardecer, tornava-se como luxo e requinte em salas nobres e de gente graúda. Mas tudo nascido ali, a partir daquelas mãos hábeis e cheias de nobre arte.
Mãos e dedos como os dedos e as mãos de Dona Domingas, Cenira, Dona Conceição de Laura, Dona Clotilde, Sara Ferreira e outras. Assim naquelas mãos antigas, de saudosas memórias e doces recordações. Mãos de Carmosina, de Maria de Miguel, de Dom, de Araci e tantas outras. Como num caminho traçado na sabedoria, aquelas mulheres tecendo a vida, fazendo arte, bordando a história e rendendo a sabedoria, enfeitando e alegrando o mundo com bela prenda: a renda.


Sim, na vida e no viver ainda essa bela prenda: a renda. Temendo, contudo, que as futuras gerações abdiquem de vez da almofada e dos bilros. E não será difícil de assim acontecer, principalmente pelo fato de que até as rendeiras mais velhas, já de muito tempo no batente e na estrada, se sentem desmotivadas por falta de projetos que garantam a produção e até de clientela boa. O visitante ou turista sempre acha a renda uma coisa do outro mundo, de inigualável beleza, mas raramente se propõe a pagar um preço justo pelo esmerado trabalho.
Mas assim a vida vai. Elas podem não estar mais pelas calçadas como antigamente, mas com um pouquinho de busca será possível encontrar a artista em plena arte. Perguntem por Sara, por Dona Domingas e suas filhas. Muito haverão de encontrar. E muito há que se deliciar perante a delicadeza de mãos segurando espinhos, tangendo a linha pelas marcações, e dando forma e vida à bela prenda: a renda.

Escritor
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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

LIVROS SOBRE CANGAÇO


Eu acredito que estes livros sobre cangaço você os encontrará com o professor Pereira lá da cidade de Cajazeiras, no Estado da Paraíba, através deste e-mail: 

 franpelima@bol.com.br

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O COICE DO BOI

Clerisvaldo B. Chagas, 9/10 de outubro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.196
 
(FOTO: PIXABAY).
Com as promessas do governo estadual em baixa – asfalto Belo Monte, Pindoba e Matadouros Regionais somente no papel – foi preciso tomar alguma providência, pelo menos em Santana. Segundo notícias, parece existir um acordo entre o governo municipal e órgãos do estado para se resolver à situação de abate de bovinos. Aproveitar-se-ia um abatedouro de animais de pequeno porte, já existente, com adaptações para os outros. A notícia é resumida e não esclarece bem o que será realizado. O certo é que alagoas inteira vem arrastando esse problema de abatedouros sem condições e abates clandestinos. E assim, em muitos lugares a população vai consumindo carne bovina de origem duvidosa.
Descartado o antigo abatedouro, sem condições nenhuma, o outro se localiza a seis quilômetros do centro da cidade. Fica à margem da rodovia que liga Santana a Olho d’Água das Flores. Bem pertinho estão duas áreas de reserva de caatinga, uma particular e outra do governo estadual, esta cortada pelo riacho João Gomes, afluente do rio Ipanema. O mesmo riacho onde a municipalidade pretende construir uma grande barragem no seu curso inferior. Desde já estamos torcendo para que os planos do município sejam realizados com êxito total. Cremos que, naturalmente, haverá todas as providências para proteger o meio ambiente, livrando de qualquer tipo de poluição o riacho João Gomes.
O antigo matadouro, localizado dentro da zona urbana e margem do rio Ipanema, era um dos seus ferozes poluidores. Aliás, sugerimos desde a gestão anterior, que o matadouro desativado fosse transformado em “Memorial do Rio Ipanema” e administrado em parceria com a AGRIPA. Promessa feita pelo, então, gestor, promessa não cumprida.
Caso o prefeito atual, Dr. Isnaldo Bulhões, realize esse empreendimento ampliando o matadouro novo, adaptando-o para o abate bovino no atual padrão sanitário, terá feito uma obra que servirá de lição para inúmeras cidades polos de Alagoas. Aliviará a permanente angústia de mais de duzentos marchantes e ganhará o reconhecimento da população santanense pela garantia de alimento com qualidade.
Que a iluminação divina passe  por ali.

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ANTES DA VENTANIA

*Rangel Alves da Costa

Tudo em seu lugar. Tudo parecendo na mesma forma dia após dia. A moringa na janela, as flores no caqueiro, a roupa no varal, as frutas maduras no pomar, as plantas e as vidas. Tudo em seu lugar.
Eu, sentado atrás da janela aberta, quase no canto da sala e sobre a velha cadeira de balanço, apenas avisto a vida passar como leve brisa. Um menino corre atrás de uma bola, um cachorro passa sem pressa, a solteirona faz seu percurso entre aromas e suspiros.
Dia normal num dia comum. Apenas uma leve brisa que sopra lenta e sonolenta vinda detrás das montanhas. Nenhum sopro mais forte, nada que mude a feição daquele instante de brisa. Tenho tempo até buscar relembranças e sentir alguma saudade.
De repente tudo mudou de feição. Um zunido surgiu ao longe e no seu passo o sopro mais forte do vento. Poeira e pó logo surgiram nos ares. Uma folha seca passou, depois mais outra folha seca. Um monte de folhas secas passando.
As roupas começaram a espanar no varal. A moringa se desprendeu do umbral da janela e no chão se espatifou. Ouvi uma fruta madura caindo, depois outra e mais outra. O que era zunido logo se tornou em açoite.
Então pensei: Num instante a brisa e logo no outro a ventania. Será a imitação da vida ou a natureza ensinando a nos preparar para os instantes seguintes? Não se deve acostumar apenas com o instante. Deve-se, sim, preparar-se sempre para as possíveis mudanças.
Um galho seco foi arrancado do tronco e levado ao longe. A ventania soprava cada vez mais forte. As roupas do varal já haviam subido pelos ares e desaparecido. Os dois mastros do varal ao longe foram lançados. Um pássaro caiu sobre o meu ombro.
Então pensei: Assim as coisas mudam. Assim com o contentamento, com a alegria, com o sorriso, com o prazer deleitoso, com a vitória e a conquista. Do outro lado, apenas ali para aparecer num instante, o seu inverso.
Nada como a gente gostaria que fosse. A alegria seria permanente, o sorriso seria duradouro, a felicidade seria um trunfo inatacável na alma. Mas e a tristeza, a dor, o sofrimento, a angústia, a aflição? Como tudo isso aconteceria se não surgisse do seu inverso?


A sala logo se encheu de folhas secas. A poeira e o pó se acumulavam pelos cantos. As flores do caqueiro foram arremessadas na parede. Batiam à porta como se alguém quisesse entrar, mas era apenas a força do vento trazendo suas surpresas.
Ante aquele pássaro em voo forçado e pousando no meu ombro, então imaginei o que poderia ter acontecido com a borboleta e a flor do jardim. Tudo desfolhado, tudo revirado, tudo transformado em despojos de angústia e solidão.
Então pensei: Num instante passado e num instante seguinte. Qual a força que temos ante o inesperado? Qual o poder humano perante os mistérios, os segredos e os fenômenos desconhecidos? O que é o homem, ou o que o homem pensa ser, ante o que está além de sua força?
Pasmem, mas a ventania foi crescendo ainda mais. A janela da sala batia em solavancos. A cadeira de balanço ondulava sozinha. A porta não suportou os açoites e se abriu de vez. Não demorou muito e um toco de pau chegou como em voo pela sala. E eu continuava ali.
Não levantei para avistar o mundo lá fora pela impossibilidade de fazê-lo sem também ser arremessado ao chão. Contudo, imaginei o quanto já estava devastado perante aquela repentina e surpreendente ventania. Talvez já um vendaval ou coisa mais assombrosa.
Então pensei: Triste do homem que se acha rei e dono do mundo. A ventania exemplifica bem o poder de voraz destruição dos egoísmos, das soberbas, dos orgulhos e das empáfias. Todo o poder egoísta é folha seca. E no instante seguinte tudo já terá se desfeito pela estranha força que sempre vem.
O zunido parecia um gemido assombroso. O açoite parecia o mundo se desfazendo. Pedras arremessadas, montes desfeitos, e agora somente escombros, pedaços e poeira. Para tudo logo se transformar em pó. Da altivez ao grão do nada. Do nada, o nada simplesmente.
Tudo assim acontecido em poucos instantes. Tudo tão diferente antes da chegada da ventania. Ou assim também não ocorre com a vida humana? Ninguém sabe o que poderá acontecer no instante seguinte. Nada é somente brisa. A ventania sempre quer açoitar.
Então pensei: Será que já aprendi o suficiente? Confirmei que sim. E então fui até a janela para sentir o frescor da brisa sobre o meu rosto. O dia estava bonito, os pássaros voejavam e o jardim perfumava com o seu florescer.

Escritor
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BANDO EM POMBAL, DEZEMBRO DE 1928 - RESULTADO FINAL DA RETIFICAÇÃO E COLORIZAÇÃO SOBRE A FOTO DE ALCIDES FRAGA

Trabalho do professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio


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LOCAL ONDE JOSÉ FERREIRA, PAI DE LAMPIÃO FOI ASSASSINADO, EM MATA GRANDE _AL

Por André Areias







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OS MATADORES DE LAMPIÃO E MARIA BONITA.


Por Geraldo Júnior

Onde o escritor e pesquisador José Sabino Bassetti apresenta sua visão a respeito da morte e da autoria das mortes de Lampião, Maria Bonita e Luiz Pedro, braço direito de Lampião nos últimos tempos do cangaço lampiônico.

Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões.
Valeu Cabroeira!



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ACONTECEU...


Por Geraldo Júnior

... aqui na cidade de São Paulo/SP na noite do dia 08 de outubro de 2019 no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, uma formidável palestra com a Jornalista e escritora Adriana Negreiros e o notável Frederico Pernambucano de Melo, considerado uma das maiores autoridades quando o assunto é o cangaceirismo.


Na ocasião os escritores falaram sobre suas obras e fizeram um resumo a respeito da vida do célebre casal cangaceiro Lampião e Maria Bonita, além de outros assuntos envolvendo o tema.

Terminada a palestra teve início a venda dos livros e a sessão de fotos e autógrafos com os respectivos escritores.

Um evento espetacular onde tive a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas e inclusive muitas delas já antigas conhecidas das redes sociais e para finalizar eu quero agradecer a todos pelo apoio, carinho e consideração a minha pessoa e aos meus trabalhos acerca do tema cangaço.

Aproveitando o ensejo realizei a filmagem de todo o evento e tive a oportunidade de realizar duas curtas, porém proveitosas, entrevistas com Adriana Negreiros e com Frederico Pernambucano de Melo, que em breve estarei disponibilizando no canal "Cangaçologia" (YouTube). Devido ao tamanho da gravação a palestra será exibida em duas partes.

Breve!
Gratidão.

https://www.facebook.com/groups/GrupoCangacologia/?multi_permalinks=2577749435615347%2C2577722775618013&notif_id=1570716111635166&notif_t=group_activity

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COMBATE A LAMPIÃO QUASE ENTROU NA CONSTITUIÇÃO DE 34


Ricardo Westin 

Com seu bando de cangaceiros Lampião aterrorizou o sertão nas décadas de 1920 e 1930

Biblioteca Nacional


Ao longo das décadas de 1920 e 1930, Virgulino Ferreira da Silva vulgo Lampião, espalhou o terror pelo Nordeste. Com seu bando, percorreu o sertão atacando vilas, matando inocentes, saqueando mercearias, achacando fazendeiros, roubando gado, trocando tiros com a polícia.

A carreira do criminoso brasileiro mais célebre de todos os tempos chegou ao fim há 80 anos. Descoberto numa fazenda em Sergipe, Lampião foi morto pela polícia a tiros de metralhadora, ao lado de outros dez cangaceiros, incluindo Maria Bonita, sua companheira. Até o New York Times deu a notícia do histórico 28 de julho de 1938.

Os senadores e os deputados da época olhavam o cangaço com preocupação. Documentos guardados nos Arquivos do Senado e da Câmara mostram que os parlamentares trataram do tema na tribuna em inúmeras ocasiões. Em 1926, o senador Pires Rebello (PI) discursou:

— Quem vive nesta capital da República [Rio], poderá achar que o governo tem feito a felicidade completa dos brasileiros. Ofuscados pelos brilhos da luz elétrica, é natural que os cariocas não saibam que naquele vasto interior existem populações aquadrilhadas fora da lei que zombam da Justiça e ridicularizam governos.

Muitos cangaceiros haviam assustado o Nordeste antes de Lampião, como Cabeleira, Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino e Sinhô Pereira, mas nenhum foi tão temido quanto o rei do cangaço. As investidas de Lampião eram tão brutais que, na Assembleia Nacional Constituinte de 1934, deputados nordestinos — a Assembleia não teve senadores — redigiram cinco propostas para que a nova Constituição previsse o combate ao cangaço como obrigação do governo federal.

A repressão cabia às volantes, batalhões itinerantes das polícias dos estados. O que parte dos constituintes desejava era que o Exército reforçasse a ação das volantes. O deputado Negreiros Falcão (BA) afirmou:

— Os Lampiões continuam matando, roubando, depredando, desvirginando crianças e moças e ferreteando-lhes o rosto e as partes pudentas sem que a União tome a menor providência. Os estados por si sós, desajudados do valioso auxílio federal, jamais resolverão o problema.

Justiça privada

O deputado Teixeira Leite (PE) lembrou que os governos estaduais eram carentes de verbas, armas e policiais:

— A força policial persegue os bandoleiros, prende-os quando pode e mata-os quando não morre. Hostilizados de todos os lados, recolhem-se à caatinga e se tem a impressão de que o bando se extinguiu. Mera ilusão. O vírus entrou apenas num período de latência. Cessada a perseguição, os facínoras repontam mais violentos e sequiosos de sangue e dinheiro, apavorando os sertanejos e a polícia.

Leite explicou por que seria diferente com o Exército em campo:

— Que bando se atreveria a aproximar-se de uma zona onde estacionassem tropas do Exército, com armas modernas, transportes rápidos e aparelhos eficientes de comunicação?

Outra vantagem era que as tropas federais podiam transitar de um estado a outro. As estaduais não tinham tal liberdade — e os cangaceiros tiravam proveito disso. Uma vez encurralados em Alagoas, por exemplo, os bandidos escapavam para Sergipe, Bahia ou Pernambuco, estados nos quais as volantes alagoanas não podiam atuar.

Nenhuma das propostas que davam responsabilidade ao governo federal vingou, e a Constituição de 1934 entrou em vigor sem citar o cangaço.

— Na nova Constituição, vamos invocar o nome de Deus. Vamos também constitucionalizar Lampião? — ironizou o deputado Antônio Covello (SP).

Para o deputado Francisco Rocha (BA), o cangaço exigia “remédio social”, e não “remédio policial”:

— As causas do cangaceirismo são a falta de educação, estrada e justiça e a organização latifundiária preservando quase intactas as antigas sesmarias coloniais, para não mencionar a estúpida ação policial dos governos.

Segundo o jornalista Moacir Assunção, autor de Os Homens que Mataram o Facínora, sobre os inimigos de Lampião, o cangaço surgiu na Colônia e tinha a ver com o isolamento da região:

— O sertão ficava separado do litoral e mantinha uma ligação muito tênue com Lisboa e, depois, com o Rio. O que prevalecia não era a justiça pública, mas a justiça privada. Era com sangue que o sertanejo vingava as ofensas. Muitos aderiram ao cangaço em razão de brigas de família ou abusos das autoridades. Uma vez cangaceiros, executavam a vingança contando com a proteção e a ajuda do bando.

Lampião entrou no cangaço após a morte de seu pai pela polícia, em 1921.
— O cangaceiro não era herói. Era bandido mesmo — esclarece Assunção. — A aura de herói tem a ver com um atributo valorizado pelo sertanejo do passado: a valentia. O cangaceiro enfrentava a polícia sem medo, de peito aberto. Isso era heroísmo.

Em 1935, com a nova Constituição já em vigor, o senador Pacheco de Oliveira (BA) apresentou um projeto de lei que destinaria 1,2 mil contos de réis aos estados para repressão ao cangaço. O dinheiro sairia do orçamento da Inspetoria Federal de Obras contra as Secas, responsável pela abertura de açudes, poços e estradas no sertão.

A grande preocupação de Oliveira eram os criminosos que atacavam os trabalhadores e atrasavam as obras.

— Um engenheiro avisou sobre o risco que corria seu pessoal. Como não lhe chegassem recursos, lançou mão do único expediente que lhe era praticável: armou os trabalhadores.

Os cangaceiros matavam os operários por terem ciência de que a chegada do progresso ao sertão colocaria em risco o futuro das quadrilhas nômades.

Amigo de coronéis

O historiador Frederico Pernambucano de Mello autor de Quem Foi Lampião, diz que havia motivos não confessos para que o governo federal e os Estados pouco fizessem para acabar com o bandido de uma vez por todas:

— Lampião vivia fora da lei, mas mantinha excelente relacionamento com os poderosos. Era protegido por coronéis e políticos. O governador de Sergipe, Eronildes Ferreira de Carvalho, tinha amizade com Lampião e lhe fornecia armamento e munição.

A boa vida de Lampião acabou quando Getúlio Vargas deu o golpe de 1937 e instaurou o Estado Novo. Uma das bandeiras da ditadura era a modernização do país. Nesse novo Brasil, que deixaria de ser agrário para se tornar urbano e industrial, o cangaço era uma mancha a ser apagada.

A gota d’água foi um documentário mudo que revelou ao país a rotina do bando de Lampião na caatinga. O que se via eram cangaceiros alegres, bem vestidos e com joias. Nem pareciam fugitivos. Sentindo-se afrontado, Vargas ordenou aos governadores do Nordeste que parassem de fazer vista grossa e aniquilassem o rei do cangaço.

Assim se fez. Lampião e seus subordinados foram mortos e decapitados em 1938, e o governo expôs as cabeças em cidades do Nordeste. Bandidos de outros grupos correram para se entregar, de olho na anistia prometida a quem delatasse companheiros. Corisco, o último dos pupilos de Lampião, foi morto em 1940, e o cangaço enfim se tornou passado.

Colaboração: Celso Cavalcanti, da Rádio Senado
Fonte: Agência Senado


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O SENHOR JOSÉ PEREIRA ANTES DE NASCER JÁ ESTAVA COM A MORTE DECRETADA FAZENDA MELANCIA BETÂNIA PE

https://www.youtube.com/watch?v=xGfPV5fYdlE&feature=share&fbclid=IwAR072EFk7DyvaYSrfK2yRFXqdT2WsxpmbLs_zKT1vSLnz35EIkPRtgdvdXA

Entrevista com o Sr. Caçote filho do cangaceiro Menino de Ouro do grupo de Lampião.


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MARIA BONITA - SEXO,, VIOLÊNCIA E MULHERES NO CANGAÇO.


Texto do acervo da pesquisadora do cangaço Verluce Ferraz

"A viagem no lombo do burro começou as primeiras horas da tarde e terminou às três da madrugada na casa de dona Vitalina, tia de Corisco, na localidade de Juá, Região de Santo Antônio da Glória. Embora Dadá estivesse cansada e confusa, o Diabo Louro, alimentado pelo desejo, ainda tinha energia suficiente para atravessar a largura de um rio. 


Conduziu a menina mata adentro e, quando chegaram à roça da Baixa Grande, jogou-a no chão. Imobilizou-a, levantando-lhe o vestido, abriu-lhe as pernas e se debruçou sobre seu corpo.!Feito um animal", como ela viria a descrever no futuro, penetrou-a com força, repetidas vezes.


Aos doze anos Dadá perderia a virgindade naquele estupro. Quando finalmente se saciou, a garota estava inerte, quase desfalecida, com a região genital em carne viva, esvaindo-se em sangue. Delirando de tanta dor,pensara que suas pernas haviam virado escamas de peixe, na sua alucinação, "nadava feito uma sereia numa correnteza vermelha com pedras de diamante".

Texto copiado do livro de Adriana Negreiros, Maria Bonita sexo, violência e mulheres no Cangaço - fl 33/4.


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O NOME DOS CABRAS DE LAMPIÃO


O NOME DOS CABRAS DE LAMPIÃO - Otacílio Batista
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AMILTON ARAÚJO DE EXU-PE E O REI DO BAIÃO EM EXU-PE. ANOS 80.



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LAMPIÃO E O SEQUESTRO QUE SAIU CARO


Por João Filho de Paula Pessoa

Em 1930 Lampião sequestrou o casal de missionários Virgílio Schimidt e Ramona. O líder dos religiosos Orlando Boyer enviou a Lampião a quantia de 236$000 (duzentos e trinta e seis mil réis) pelo resgate dos amigos, mas Lampião achou pouco e exigiu mais cinco mil contos de réis.

Orlando pediu para conversar com Lampião pessoalmente, mesmo correndo risco de vida, o que foi concedido. Ao encontrar Lampião este se ajoelhou humildemente à seus pés, explicou que não tinham mais dinheiro e que aquele casal tinham filhos pequenos e pediu para morrer no lugar deles, presenteando Lampião com uma Bíblia e dizendo que faria o que Jesus fez por nós. 

Lampião ficou visivelmente emocionado, enxugando disfarçadamente algumas lágrimas e bruscamente devolveu os 236 mil réis, deu mais 109 réis de seu bolso e disse: “- Podem ir embora, depressa, vão embora!”, retirando-se com seu bando, libertando os reféns sem resgaste e ainda dando dinheiro à eles, levando consigo a Bíblia que dias depois, fugindo dos macacos, a escondeu num tronco oco de uma árvore e quando voltou para pegar, não estava mais lá.


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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O FACÍNORA E SANGUINÁRIO CAPITÃO LAMPIÃO

Por José Mendes Pereira

Afirmam os escritores, pesquisadores e historiadores  do cangaço que o capitão Lampião foi um dos cangaceiros mais inteligente, e além disso: perseguido, perseguidor, traído, respeitado e respeitador, adorado por muitos e rejeitado por outros, exigente, vingativo, cruel, corajoso, destemido aos arrufos de qualquer um, respeitava as opiniões dos seus comandados, mas não admitia covardia. Traições de qualquer um, mesmo que fosse feitas pelos seus melhores amigos da nova e da velha-guarda, imperdoavelmente pagava com a morte, coisa que ele não aceitava ser colocada na sua mesa de bandoleiro traições. Lampião vivia fora da lei, mas mantinha excelente relacionamento com os poderosos. Lampião era protegido por alguns coronéis e políticos. O governador de Sergipe Eronildes Ferreira de Carvalho era um desses, tinha amizade com Lampião e lhe fornecia armamento e munição.

Viveu quase vinte anos nas caatingas nordestinas. Perseguido pelas forças volantes dos governos, mas  mesmo assim, Lampião conseguiu ludibriá-las e manter o seu desastroso movimento social por  sete Estados do nordeste brasileiro, os quais foram: 

a - Pernambuco - sua querida terra natal que o viu nascer e crescer em Villa Bela, hoje Serra Talhada, mas foi uma que o rejeitou sem um tico de respeito, quando ele entrou no Estado com um documento com a patente de capitão que tinha recebido das mãos do padre Cícero Romão  Batista no Juazeiro do Norte. 

Há quem diga que o padre Cícero Romão foi um menino de recado, isto é, fazendo o que o deputado federal Floro Bartolomeu delegava. Mas existem outras informações que o padre Cícero quando desse encontro de Lampião, antes dele chegar a Juazeiro, o padre teria dito em tom de repúdio: "- Agora vem este homem para cá".

b - Alagoas - neste Lampião resolveu atacar fortemente, protestando contra o assassinato do seu patriarca  José Ferreira  da Silva. 

c - Rio Grande do Norte - uma única vez, que no dia 13 de Junho de 1927, foi escorraçado de Mossoró, uma das maiores decepções que o rei Lampião passou.

d - Ceará -  neste o capitão Lampião tinha respeito, afirmando que o padre Cícero Romão era um dos protetores das suas irmãs e do Ezequiel que ainda era muito novo.

e - Bahia - onde ele chegou faminto com os seus homens, mas trazia paz. 

f - Paraíba. - E por lá fez as suas maldades contra alguns.

g - Sergipe - e foi neste aonde o capitão Lampião se tivesse tido tempo teria dito ao seus conterrâneos brasileiros: "- Estou partindo para a eternidade, meus conterrâneos!". 

Fez o seu último coito na Grota do Angico, nas terras da cidade de Poço Redondo, onde lá os policiais tinham preparado a sua última refeição. Na madrugada de 28 de julho de 1938 na Grota do Angico no Estado de Sergipe ele morto juntamente com a sua rainha e mais 9 cangaceiros que pertenciam a sua Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.

Nos anos trinta, do século XX, Lampião resolveu colocar em seu bando uma senhora, Maria Gomes de Oliveira, que no bando ficou conhecida como dona Maria quando falavam diretamente a ela, e ou dona Maria do capitão, esse último era quando falavam nela. Ela nasceu no dia  8 de Março de   1911 em  uma minúscula fazenda em Santa Brígida, no Estado da Bahia. (existe uma outra data adquirida através do pesquisador Voldir de Moura Ribeiro. - Clique neste link para ter mais informações: https://tokdehistoria.com.br/2011/10/25/sociologo-encontra-novas-informacoes-sobre-maria-bonita/

Era filha do sofrido casal José Gomes de Oliveira e Maria Joaquina Conceição Oliveira, tendo como irmãos:   

Benedita,  Antonia, Amália (não confundir com Anália que era irmã de Lampião. Joana, Olindina, Francisca, José, Arlindo, Ananias,  Isaías Ozéas todos sendo Gomes de Oliveira.

Aos 15 anos de idade, Maria Bonita resolveu se casar, tendo como marido, o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé de Nené, que não levando sorte, durante o tempo em que viveram juntos, a sua vida foi infernizada pelo desastroso casamento, quando o sapateiro não a valorizava, e com isso, as brigas eram constantes no lar.
          
Apesar de ser cangaceiro os pais de Maria Bonita tinham admiração por Virgulino Ferreira da Silva (existem registros que afirmam que quando Maria Bonita se juntou a Lampião o seu pai debandou-se por aí, porque não queria tal união). 


O que sentiu Lampião por Maria Bonita foi sem dúvida, o tipo físico de mulher brasileira,  olhos e cabelos castanhos que fazia com que muitos a desejassem, por ser  considerada uma mulher interessante. A atração foi recíproca entre os dois que posteriormente Lampião a convidou para fazer parte do seu respeitado bando.                  
               
Após a entrada de Maria Bonita na empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia muitos asseclas levaram as suas amadas para as caatingas, como o cangaceiro Corisco que raptou uma jovem de 13 anos (mas existem registros que afirmam que Dadá não foi raptada, foi para o cangaço  por espontânea vontade), para acompanhá-lo na mais perigosa vida, que é a de viver em correria dentro das matas, quando eram perseguidos pelas volantes.

Mas mesmo usando o seu malabarismo finalmente na madrugada de 28 de Julho de 1938, na Grota do Angico Lampião e mais dez cangaceiros foram  executados pelas forças volantes comandadas pelo tenente João Bezerra da Silva, e entre eles, estava a sua rainha Maria Bonita.

Uns dizem que Lampião havia chegado a sua hora. Outros dizem que Lampião foi envenenado. Outro dizem que Lampião fugiu do cerco e foi embora para o Norte de Minas Gerais. Outros afirmam que a morte do rei e da rainha aconteceu devido um bom cerco policial que o seu matador havia preparado. O certo é que o compadre Lampião chegou ao fim, e que eu acho que ninguém se esconde de ninguém por muito tempo. Um dia chegará a sua vez. O Lampião verdadeiro lá de Serra Talhada do Estado de Pernambuco se foi, mas muitos Lampiões surgiram continuam roubando, matando inocentes, depredando o que se adquiriu com tanto esforço, desflorando crianças e moças e ferreteando-lhes o rosto e as partes prudentas sem que as autoridades tomem providência. 

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