Seguidores

sábado, 26 de dezembro de 2020

COMO MENTE! MAS MENTE...!

Por José Mendes Pereira

https://www.youtube.com/watch?v=LlRUVNBD4-E&feature=share&fbclid=IwAR2F4kr3S1Rg3B1pzfqr3jXV06FKwCaVuRlvf-p2KKh9Pqq-HFZoXscOURU&ab_channel=TVMARIABONITA

Este vídeo foi feito por pessoa de grande responsabilidade, mas o depoente mente mais do que tudo. Será mentira ou será verdade que ele... Grande mentiroso este depoente!

http://blogodmendesemendes.blogspot.com

LANÇAMENTO

 Por Conrado Matos - Psicanalista

https://www.facebook.com/profile.php?id=100005696808637

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

HISTÓRIA DE CANGAÇO:

 Por Conrado Matos - Psicanalista

A cangaceira "Neném do Ouro" foi mulher do cangaceiro Luís Pedro, cabra de Lampião. Neném carregava um medalhão de ouro no pescoço. Foi por isso que ela era chamada de Neném do Ouro. Esse medalhão foi um presente do seu marido. 

Seu nome verdadeiro, Perciliana, nascida na Bahia. Não foi uma cangaceira de expressivo destaque, porém era muito amiga e admirada por Maria Bonita. Para quem não sabe, Neném teve uma morte cruel. A Volante, na Fazenda de Algodãozinho, em 09 de novembro de 1936, no momento que os cangaceiros descansavam pela noite, foram todos cercados pelos policiais do temido Sargento Deluz, o mesmo que queimou o cangaceiro Juriti numa fogueira. Quando a bandoleira Neném é baleada no meio do combate, o seu companheiro Luís Pedro ainda tenta salvá-la, mas não consegue. 

Luiz pedro e sua companheira eném do Ouro

Os cangaceiros fogem e Neném é assassinada e exposta de uma forma horrível. Depois de morta, os policiais chegam a fazer sexo com seu cadáver. Relatos na história do cangaço vão mais além e dizem que os policias colocaram até cachorros para fazerem sexo no cadáver da cangaceira. 

Seu marido Luís Pedro acabou sendo morto em 28 de julho de 1938, pela Volante, durante o assassinato de Lampião em Angico.

https://www.facebook.com/111811696103013/posts/274459486504899/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ASCRIM/PRESIDENCIA – FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO- OFÍCIO Nº 033/2020

MOSSORÓ-RN, 25 DE DEZEMBRO DE 2020

COMUNICANDO QUE O NOSSO SITE ASCRIM ACADEM ESTÁ ABERTO AOS INTERESSADOS E, CONTINUA RECEBENDO E PUBLICANDO MENSAGENS NATALINAS E DE FESTAS DE ANO NOVO, QUE NOS FOREM ENVIADAS, ATÉ O DIA 05.01.2021, OBEDECIDOS OS PROTOCOLOS E REGRAS DE PUBLICAÇÃO, AMPLAMENTE DIVULGADOS. 

AGRADECEMOS ANTECIPADAMENTE. 

SAUDAÇÕES ASCRIMIANAS,  

FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO  

– PRESIDENTE DA ASCRIM –   

https://www.academiadosescritoresmossoroensesacademascrim.com/ 

Enviado pela ASCRIM.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

MEU NORDESTE DE GRANDES HISTÓRIAS

 Léo do Sertão

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

COMBATE de SERROTE PRETO e, a INCRÍVEL HISTÓRIA DO SOLDADO ANANIAS CALDEIRA DE OLIVEIRA...

 Por Volta Seca

Lampião fugia de um combate na cidade de Mata Grande-AL, no dia 21 de fevereiro de 1925, sábado de carnaval, quando foi perseguido pelas volantes paraibanas do Ten. JOAQUIM ADAUCTO / e do Ten. FRANCISCO DE OLIVEIRA, além de uma volante pernambucana comandada pelo Ten. JOÃO GOMES , tendo ido se instalar com seus homens na Fazenda SERROTE PRETO, a qual fica na divisa dos Estados de AL e PE. O total de homens das forças volantes beirava 90 policiais, enquanto os cangaceiros chegava perto dos 40.

Os cangaceiros ao chegarem na Fazenda SERROTE PRETO, grande parte deles se alojaram numa casa de taipa, com um curral ao lado, enquanto outros, ficaram numas pedras, nos arredores da casa, dando a retaguarda.

O Ten. FRANCISCO OLIVEIRA que vinha na frente com seus homens no encalço dos bandoleiros, ordenou que seguissem imediatamente visando alcançar, o mais rápido possível, o local onde estava Lampião e seu grupo, no que não concordou o Ten. JOÃO GOMES, da força pernambucana, que disse: “ – Os cangaceiros já comeram, meus soldados não vão ficar sem comer “ . Surpreso, o Ten. Francisco Oliveira respondeu: “ – A força da Paraíba, quando tem notícia de cangaceiros, encosta logo “ e, seguiu com sua força.

Logo que chegaram nas proximidades da casa da Fazenda Serrote Preto, receberam uma forte descarga de tiros, vindo do lado dos cangaceiros. Tombaram mortalmente, os soldados Artur, Diménio, Virgolino, e, um negro muito disposto. Também foi morto o Ten. FRANCISCO OLIVEIRA e, ferido o Tenente JOAQUIM ADAUCTO. Os soldados da volante pernambucana que haviam chegado com um atraso, atiravam em direção à casa, atingindo, também, alguns companheiros da volante paraibana, que ficaram na linha de fogo cruzado.

Alguns soldados da volante de FRANCISCO DE OLIVEIRA procuraram se abrigar num trecho de um pequeno serrote ( pedras), de onde passaram a atirar nos cangaceiros. O soldado ANANIAS CALDEIRA DE OLIVEIRA, por sua vez, ficou amparado numa ponta de curral. Dali ele tinha perfeita visão da porta traseira da casa, planejando:

“ – O primeiro que colocar a cabeça, eu derrubo “.

O que ele não esperava é que os cangaceiros abrissem uns buracos na parede da casa, por onde começaram a atirar em sua direção. Surpreendido pelo inesperado ângulo de tiro, ANANIAS OLIVEIRA foi ferido DUAS VEZES. Um dos tiros fraturou-lhe o BRAÇO e, o outro, atravessou a sua FACE lado a lado, à altura do malar. ANANIAS contou, mais tarde, que o tiro recebido no rosto causou tal hemorragia que o sangue jorrava pelos dois lados, em arco.

O SOLDADO ANANIAS, já ferido, ouviu várias vezes LIVINO ( irmão de Lampião) gritar, de dentro da casa:

“ – Espere ai, macaco, que nós já vamos sangrá-lo ! “

ANANIAS acabou sendo retirado do local pelo soldado Manoel Gabriel que, por ironia, era seu inimigo pessoal. Ele foi levado até um certo ponto , a partir de onde o sargento JOSÉ GUEDES encarregou de levá-lo mais para dentro do mato, isso, acontecendo, em pleno combate. Ali, sozinho, ANANIAS acabou desmaiando, em consequência da grande perda de sangue.

Ao escurecer, o tiroteio cessou, já que ambos os lados tinham esgotado a munição.

No terreiro da casa havia ficado um soldado ferido, sem conseguir se mover. Implorava ao Tem. João Gomes que mandasse tirá-lo dali, porque os cangaceiros ameaçavam sangrá-lo. O sargento JOSÉ GUEDES chamou a atenção do oficial pernambucano, já que ele não ia buscar o ferido e, ouviu dele :

“ – Cada um que cuide de si “

ANANIAS entrevistado pelo pesquisador Dr. Amaury Araujo ( em João Pessoa- PB, no ano de 1969 ), informou-o que aquela altura, a maioria dos soldados já haviam fugido. Os sobreviventes, liderados pelo sargento JOSÉ GUEDES, apanharam os feridos e, aqueles que puderam arrastaram-se para MATA GRANDE, de onde, depois de receberem os primeiros socorros, foram encaminhados para Paulo Afonso.

Assim como os soldados, também os cangaceiros tinham pago um alto preço durante a batalha. ASA BRANCA, GURI E CORRÓ estavam mortos dentro da casa. FATO DE COBRA, CAPUXU E QUIXABEIRA foram feridos.

Alguns cangaceiros, assim que perceberam a retirada dos soldados, saíram com candeeiros, examinando os corpos caídos. No terreiro da casa ainda estava caído o soldado ferido que o Tenente JOÃO GOMES recusara a socorrer. O cangaceiro JUREMA, aproveitou a ocasião e o sangrou.

Por volta da meia-noite, O SOLDADO ANANIAS voltou a si, anda zonzo. O silêncio era total. Sua sede era arrasadora. Seus lábios estavam inchados que pareciam beiços de cavalo. Sentia que todo o seu rosto também estava inchado e desfigurado. A muito custo, apesar da tonteira, conseguiu se levantar e caminhar sem rumo definido. A vegetação, um macambiral muito grande , era agressivo e dificultava o avanço. Logo suas calças estavam destruídas pelos galhos, tornando-se imprestáveis para protegê-lo.

Ao amanhecer de segunda-feira, dia 22, ANANIAS viu-se à beira de uma estrada. Escolheu uma direção e seguiu em frente, sentindo sua fraqueza crescer, e o mal estar causado pelos ferimentos agravar-se com a fome e sede. O sol nasceu e apareceram moscas varejeiras que vagueavam sobre suas feridas, cada vez mais infeccionadas. Mas ANANIAS estava determinado a não se deixar vencer. Amarrou um lenço preto no rosto, protegendo-o contra os insetos e, prosseguiu sua penosa jornada, pensando:

“ A esta altura, se escapei de morrer a bala, vou morrer de fome e de sede “.

Ao seu redor não havia nada para comer ou beber. Lá pelas 22 h, tendo caminhado desde a meia-noite do dia anterior, ANANIAS estava cansado, ferido e cada vez mais enfraquecido. Ouviu um galo gritar. Deixando a estrada, foi em direção ao som, entrando por um varedo de bode, passando por uns umbuzeiros e chegando, finalmente, aos fundos de umas casas.

PENSOU:

“- Não vou chegar pelos fundos, senão poderão pensar que sou um malfeitor e vão querer me matar “.

Encontrou forças para dar a volta e chegar à frente das moradias; entrou numa delas, feita de palha e, deparou-se com uma velha, a quem perguntou:

“ – Dona, será que a senhora pode arrumar água morna com sal, prá eu lavar meus ferimentos ? “

- O senhor é praça ou cangaceiro ? – Ouviu em resposta.

“ – Sou soldado das forças da Paraíba.” – Disse ANANIAS.

A velha levantou-se e foi providenciar, voltando com o que tinha sido pedido. ANANIAS despiu sua túnica e lavou seus ferimentos. Depois tomou muita água, saciando sua sede. Para sua surpresa ficou sabendo, mais tarde, que aquelas casas pertenciam a Mata Grande.

Durante as 24 horas de sua jornada, a maior parte do seu tempo arrastando-se, pois não conseguia andar regularmente. ANANIAS havia avançado, apenas, duas léguas. Embora, ainda não estivesse totalmente refeito. ANANIAS sentou-se na calçada em frente à casa. Aproximou-se um senhor vestido de cáqui.

ANANIAS perguntou-lhe:

“ – O senhor sabe informar onde está a força policial da Paraíba ? “

- Posso. Está em Paulo Afonso.

Tão logo conseguiu andar, ANANIAS seguiu para a cidade indicada, reencontrando seus amigos e, companheiros, sendo cuidado pelo farmacêutico João Gaudêncio, que o incluiu entre seus pacientes.

Ali em Paulo Afonso faleceram em consequência dos ferimentos, um soldado e o Tenente JOAQUIM ADAUCTO . A contagem final da batalha acusou, além de inúmeros feridos, a MORTE DE DOIS OFICIAIS E DEZ SOLDADOS.

OBSERVAÇÕES –

1º) Matéria compilada da obra “ De Virgulino a Lampião “, pgs 109/110, autor Antônio Amaury Correa de Araújo / Vera Ferreira.

2º) Foto do soldado ANANIAS CALDEIRA DE OLIVEIRA ..pertencente ao acervo particular do escritor, acima citado.

3º) Fotos de Serrote Preto, A CRUZ DOS SOLDADOS e, demais, acervo

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

FOTO DO CANGACEIRO BEM-TE-VI | CNL | 605

 Por O Cangaço na Literatura

BEM-TE-VI (PARTE 1) https://youtu.be/cy8SoM-4EIs 

BEM-TE-VI (PARTE 2) https://youtu.be/-owxJsEEej8 

BEM-TE-VI (PARTE 3) https://youtu.be/I9Er1gEreB4 

BEM-TE-VI (PARTE 4) https://youtu.be/93aQpFKy5sI 

Foto para Download 

https://www.instagram.com/p/CGSpTltBvwX/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 

NA MINHA OPINIÃO, SINHÔ PEREIRA É O CANGACEIRO MAIS FAMOSO...

 Por José Mendes Pereira


Lampião não, mas Sinhô Pereira eu queria ter o conhecido. Lampião foi muito famoso, mas ao meu ver, Sinhô Pereira é o cangaceiro mais famoso no mundo do crime do nordeste brasileiro.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CANGACEIRA CRISTINA QUE ERA COMPANHEIRA DO CANGACEIRO PORTUGUÊS.

 https://br.pinterest.com/pin/483925922462736354/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

CANGACEIRO AOS 11 ANOS DE IDADE: CONHEÇA VOLTA SECA, O HOMEM DO BANDO DE LAMPIÃO

 Por ANDRÉ NOGUEIRA

A violenta figura do sertão nordestino entrou no crime ainda criança e chegou a brigar com um famoso escritor brasileiro

Volta Seca em imagem rara
Volta Seca em imagem rara - Divulgação/Youtube

O cangaceiro Volta Seca, um dos integrantes do bando de Lampião, ficou famoso por embates com algumas figuras famosas de sua época e, ainda, por imortalizar as canções dos bandoleiros em um LP, em 1957. Nascido no ano de 1918, em Saco Torto, com o nome de Antônio dos Santos, ele é um dos mais conhecidos entre os cangaceiros.

Volta Seca era o mais jovem do bando, ingressando o grupo com apenas 11 anos. A principal motivação da criança foi uma série de brigas que tinha com a madrasta e o desconforto da vida cotidiana, marcada inclusive pela violência física. Era responsável pelos cavalos do grupo e também pela limpeza de roupas e louças.

Às vezes, também ficava de tocaia na espionagem das cidades para localizar as rondas da polícia. Como era criança, aprontava brincadeiras que o levavam a ser punido por Lampião. Nunca foi plenamente alfabetizado, mas sabia o mínimo para conseguir escrever versos de canções que ficavam conhecidos por todo o bando, sendo a mais famosa Mulher Rendeira.

Volta Seca / Crédito: Divulgação/YouTube

 

Volta Seca era uma pessoa bastante astuta e corajosa, apesar da intensidade. Em mais de uma ocasião, foi levado por impulso a criar atritos com personalidades, nunca dando para trás. Uma das mais curiosas situações ocorreu em 1937, quando Jorge Amado publicou Capitães da Areia.

Na obra, o romancista retrata Volta Seca, na época já preso e fora do cangaço, como uma figura menor e não importante no bando. Na situação, ele jurou a um veículo de imprensa que faria Amado “engolir as páginas do jornal”. No entanto, a possível resposta de Amado é um mistério.

Volta Seca foi preso três vezes, sendo que nas duas primeiras ele conseguiu fugir e retornou às fileiras do crime. Porém, numa ocasião em Bonfim, ele foi pego por populares e acabou sendo preso novamente. Em julgamento, foi sentenciado a 145 anos de regime fechado por seus crimes no cangaço. Porém, com o tempo, sua pena foi sendo reduzida até chegar a 20 anos.

O cangaceiro na prisão / Crédito: Divulgação/YouTube

Cumpriu à sentença no presídio de Bonfim-Ba, sendo transferido para Bahia, em 1936. Na prisão, aprendeu a ler perfeitamente e a trabalhar como alfaiate. No local era conhecido pelo bom comportando e pelas canções que criava.

Com isso, nos anos 1950, ele recebeu um indulto presidencial de Getúlio Vargas e foi solto. Pouco depois, colaborou na produção do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto, com informações do estilo de vida dos bandoleiros.

Em 1957, finalmente, ele lançou o LP As cantigas de Lampião, com músicas famosas do mundo cangaceiro, muitas delas criadas por ele, como Mulher Rendeira e Acorda Maria Bonita. Na época, também passou a viver tranquilamente, em busca de trabalho, chegando a casar. Em 1982, acabou se mudando para Minas Gerais.

Volta Seca em Estrela Dalva / Crédito: Divulgação/YouTube

Em 1995, o antigo cangaceiro concedeu uma entrevista a Globo. Durante o episódio, revelou viver “modestamente numa casinha do centro da cidade”, com uma aposentadoria de 300 reais. Entre a pesca e as brigas de galo, Volta Seca viveu até os 78 anos, quando foi vítima de um enfisema pulmonar e morreu em 1997, em Estrela Dalva, Minas Gerais.


+Saiba mais sobre o Cangaço através das obras abaixo, disponíveis na Amazon:

Apagando o Lampião: Vida e Morte do rei do Cangaço, Frederico Pernambucano de Mello - https://amzn.to/2RUsU7d

Lampião, Senhor do Sertão. Vidas e Mortes de Um Cangaceiro, de Élise Grunspan Jasmin (2006) - https://amzn.to/2RWQq3r

Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil, de Frederico Pernambucano de Mello (2011) - https://amzn.to/2YQNZ3Y

Os cangaceiros: Ensaio de interpretação histórica, de Luiz Bernardo Pericás - https://amzn.to/2YROsms

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/cangaceiro-aos-11-anos-de-idade-conheca-volta-seca-o-homem-do-bando-de-lampiao.phtml

https://blogdomendesemendes.blogspot.com/

RAINHA DO CANGAÇO: MARIA BONITA É INSPIRAÇÃO PARA O PIN-UP.

 Por: Daise Alves.

Sabemos que o termo pin-up tem grande influência nos Estados Unidos, pois foi lá, a região responsável pelo seu boom. Mas, como sabemos que esse é um tema bem abrangente e permite brincar com várias vertentes e nacionalidades, resolvemos trazer uma referência feminina brasileira para esse universo: Maria Bonita, a Rainha do Cangaço.

Como o Universo Retrô tem a missão de manter histórias vivas, sentimos que esse é um tema pouco explorado por aqui. Não só o tema do cangaço, como a próprio história do Brasil é deixada de lado e somos incentivados a nos aprofundar em temáticas mais internacionais, inclusive, na moda, onde estão as maiores referências da estética retrô.

PIN-UP E CANGACEIRA. O QUE TEM A VER?

Os cangaceiros, que ficaram fortemente conhecidos na década de 1920 e 1930 no sertão do nordeste brasileiro com o bando de Lampião, estavam longe da estética pin-up. Inclusive, o termo ainda nem tinha explodido na época, o único contato com uma estética mais glamourosa era através do cinema, que ainda era escasso na região.
Mas, como referência feminina, Maria Gomes de Oliveira, ou Maria da Déa, que depois de sua morte ficou conhecida como Maria Bonita, a primeira mulher a participar do grupo e abrir as portas para novas integrantes, tem se tornado referência de força e resistência feminina no sertão brasileiro.

Como já vimos em "As Mudanças do Universo das Pin-Ups ao Longo do Anos", sabemos que o termo nasceu como arte e vem se transformando em um movimento de lifestyle e moda composto por mulheres que cultuam a estética do passado e tentam resgatar e manter viva a memória de grandes personalidades femininas.
No caso do cangaço, é Maria Bonita a maior referência. Mulher de personalidade, transgressora para seu tempo, pioneira – tornou-se a primeira mulher cangaceira por escolha e não porque foi obrigada (uma das poucas, infelizmente) -, e virou a rainha do cangaço, em um espaço fortemente masculino.

Apesar de não ter consciência nenhuma de classe, gênero ou política e nem ser um ambiente com muita união feminina entre as mulheres que faziam parte do grupo (parece que Dadá, companheira de Corisco, não era muito chegada na rainha), o fato de estarem onde estavam e como estavam, já era um ato de luta e resistência.

A ESTÉTICA DO CANGAÇO.

Mesmo com alguns registros do cangaço feito por diversos fotógrafos, o sírio Benjamin Abrahão, foi o único a conseguir fazer registros em foto e vídeo do bando de Lampião, que deu sua permissão. Sem esses registros, a estética do grupo ficaria apenas no imaginário do povo brasileiro. Mas, graças aos seus cliques, mesmo que poucos (muito material foi perdido) e com pouca qualidade, devido à época, a estética do cangaço até hoje é inspiração para o mundo da moda.

Suas roupas em tons marrom ou cáqui, tinham função de proteger do sol e dos espinhos e precisavam facilitar a locomoção. Cartucheiras, bordados, estrelas de couro, alpercatas, jóias, acessórios e, claro, o chapéu – maior ícone do “movimento” – compunham o dress code do cangaço, que virou um símbolo cultural do sertão e que inspirou não só a moda, mas diversas expressões artísticas como músicas, cordel, cinema e literatura.

No caso de Maria Bonita, ela estava sempre coberta de jóias, anéis em praticamente todos os dedos, muitas correntes em volta do pescoço e brincos de ouro, eram alguns dos acessórios que faziam parte de sua vestimenta.

XAXADO, A MÚSICA DO CANGAÇO

Além do visual, a música também foi bem presente na história do cangaço. O xaxado foi uma dança muito disseminada pelos cangaceiros que a executava para celebrar suas vitórias. Como originou-se em um período que ainda não havia mulheres no cangaço, iniciou-se como uma dança masculina. Feita para dançar sozinho, a arma era a dama dos cangaceiros.
Aproveitamos a oportunidade, fizemos uma playlist especial com músicas clássicas de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, representantes da música nordestina e que têm Lampião como grande inspiração, entre outros artistas. E mais alguns clássicos, em que Maria Bonita e Lampião foram inspiração.

CANGACEIROS E DEVOTOS: O CANGAÇO RELIGIOSO

Para finalizar, apesar da imagem contraditória dos cangaceiros, muitos viam como Robin Hood do nordeste, enquanto outros enxergavam como bandidos sanguinários, além da estética e música, que representam bem o bando, os cangaceiros eram homens de fé, devotos do catolicismo, sendo Padre Cícero, um dos homens santo para Lampião.

Daise Alves.











https://cangacologia.blogspot.com/2020/09/rainha-do-cangaco-maria-bonita-e.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

VOLTA SECA, O MAIS JOVEM E O MAIS TEMIDO CANGACEIRO

 Por Milton Parron

Antonio dos Santos, vulgo Volta Seca, sergipano de Itabaiana, ingressou no bando de Lampeão quase menino para escapar às surras diárias que sua madrasta lhe aplicava. Pode se dizer que pulou da frigideira e caiu no braseiro porque começou a ser surrado por Lampeão e pelos demais por causa de suas peraltices, próprias da idade. Suas funções se limitavam a dar banho nos cavalos, lavar louça e roupa suja e também espionar nas cidades se havia muitos policiais em ronda. Tanto apanhou que acabou se tornando um dos cangaceiros mais violentos de todo o bando. Astuto, corajoso e agressivo, em contraste com uma grande sensibilidade artística. Apesar de semi alfabetizado, escrevia com grande facilidade versos e também compunha músicas que o bando inteiro conhecia e entoava com entusiasmo quando estava acampado em alguma fazenda sob proteção do próprio dono. Ouçam, clicando abaixo, Volta Seca cantando dele próprio uma das músicas que os cangace iros mais gostavam, chamada Acorda Maria Bonita:

Cangaceiro Volta Seca

Volta Seca foi preso 3 vezes, tendo fugido nas duas primeiras. Foi sentenciado a 145 anos, mais tarde a pena foi reduzida para 30 e finalmente para 20, não a tendo cumprido integralmente porque o presidente Getúlio Vargas lhe concedeu o perdão, em 1954. O cangaceiro Volta Seca morreu em 1997 em Leopoldina, Minas Gerais, onde estava morando. Ele é um dos personagens do programa Memória onde está sendo apresentada uma série especial sobre o cangaço no Brasil. Memória vai ao ar pela rádio Bandeirantes em 840 AM, e em FM 90,9, aos sábados as 23hs00 com reprise aos domingos as 05hs00.

 https://miltonparron.band.uol.com.br/volta-seca-o-mais-jovem-e-o-mais-temido-cangaceiro/#:~:text=VOLTA%20SECA%2C%20O%20MAIS%20JOVEM%20E%20O%20MAIS%20TEMIDO%20CANGACEIRO,-Milton%20Parron&text=Antonio%20dos%20Santos%2C%20vulgo%20Volta,que%20sua%20madrasta%20lhe%20aplicava.&text=O%20cangaceiro%20Volta%20Seca%20morreu,Minas%20Gerais%2C%20onde%20estava%20morando.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

ACOMPANHE A VIAGEM DE D. PEDRO ATÉ AS MARGENS DO IPIRANGA EM 7 DE SETEMBRO DE 1822

Por Antônio Sérgio Ribeiro

Dom Pedro I

Os antecedentes da história da Independência do Brasil têm vários aspectos, mas cabe destacar os fatos que ocorreram em São Paulo e foram determinantes para a vinda do príncipe D. Pedro, culminando com o grito do Ipiranga.

A divergência entre os membros da junta do governo provisório, conservadores e liberais, que desde o ano anterior dirigiam os destinos da Província de São Paulo, resultou na eclosão, no dia 23 de maio de 1822, de uma revolta que depois ficou denominada a Bernarda de Francisco Ignácio.

A situação vinha se agravando há muito, o príncipe regente, em 10 de maio, requisitou a presença do presidente da junta do governo provisório de São Paulo, João Carlos Oeynhausen Grevembourg, para que fosse ao seu encontro na Corte e, nesse mesmo dia, foi nomeado governador das Armas o marechal de campo José Arouche de Toledo Rendon. Na ausência do presidente da junta ligado aos conservadores, assumiria Martim Francisco Ribeiro de Andrada, secretário do Interior e Fazenda da corrente política divergente, este liberal.

A população foi instigada por Francisco Ignácio de Souza Queiroz, também membro do governo provisório, a não permitir a partida de Oeynhausen, e o impasse foi criado. A Câmara instada a destituir Martim Francisco e o brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, vogal pelo Comércio na junta, recusou-se a fazê-lo e a população, inconformada, invadiu o prédio obrigando os vereadores a demitir os dois. Martim Francisco retirou-se preso para o Rio de Janeiro e o brigadeiro Jordão foi para Santos. O presidente João Carlos Oeynhausen permaneceu no cargo, não cumprindo a ordem de D. Pedro de ir para a Corte.

Quadro, O Grito de Pedro Américo

Rendon, impossibilitado de assumir o seu cargo, como governador das armas, recebeu determinação do ministro da Guerra para destituir o presidente da junta e assumir com a ajuda do corpo de artilharia de Santos e de dois corpos de milicianos do Rio de Janeiro, sendo, ainda, determinado que lhe entregassem dez mil cartuchos de espingarda e dois mil de pistola.

No dia 25 de maio, D. Pedro expediu decreto "para dar pronto remédio a tais desordens e atentados que diariamente vão crescendo" e destituiu o governo da Província. Ele determinou as eleições para deputados à Assembléia Geral e Constituinte e a "nomeação de um governo provisório legítimo". Uma carta da mesma data ordenou aos membros da junta governativa de São Paulo que dessem pronta e fiel execução às ordens do príncipe Regente.

As tropas, vindas de Santos, foram hostilizadas pela população paulistana, e o seu comandante marechal Cândido Xavier de Almeida e Sousa resolveu recuar e aguardar os acontecimentos. Em 24 de julho de 1822, com a desistência do marechal Rendon de tomar posse, a nomeação do próprio Xavier de Almeida para esse cargo e com o retorno das tropas para Santos a situação na capital se normalizou.

Com destino a São Paulo

Outro fato grave ocorreu, por ocasião do enforcamento de 12 soldados que se haviam colocado à frente de seu batalhão na cidade de Santos, para pleitear a equiparação de soldos com os praças portugueses, a condenação dos envolvidos causou comoção na população paulista.

Em razão desses fatos, D. Pedro, príncipe Regente, revolveu vir à cidade de São Paulo e a Santos, a fim de apaziguar os ânimos. Em decreto de 13 de agosto de 1822, determinou que, em sua ausência, a princesa Leopoldina presidiria ao despacho de expediente e às sessões do Conselho de Estado; no dia seguinte partiu da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, com destino a São Paulo.

Foram percorridas por D. Pedro e sua comitiva, a cavalo, no primeiro dia de viagem, onze léguas (légua de 6.600 m), tendo pousado na fazenda de Santa Cruz (residência de verão da família real, a oeste do Rio). No dia 15, a segunda parada foi na fazenda da Olaria (lugar hoje submerso pela represa de Lajes - município de Rio Claro - RJ). Em 16, o príncipe regente entra em território paulista, em mulas e cavalos, vai para a fazenda das Três Barras, em Bananal. Depois de passar por Bom de Jesus do Bananal e São João do Barreiro, dorme em São Miguel das Areias, tendo partido com novos animais e com a guarda de honra formada por moradores do vale do Paraíba. Passou por Silveiras e jantou no Porto de Santo Antonio da Cachoeira e, no dia 18, chegou a Lorena, onde por decreto dissolveu o governo provisório, assumindo efetivamente o governo da Província de São Paulo. Dia 19, pousou em Guaratinguetá, onde recebe "ótimas cavalgaduras para toda a comitiva, sempre mais numerosa", e vai rezar na Igreja de Aparecida. Em 20 de agosto, descansou em Pindamonhangaba. No dia 21, em São Francisco das Chagas de Taubaté, foi recebido com grande efusão e, no dia seguinte, chegou à vila de Nossa Senhora da Conceição do Rio Paraíba de Jacareí. Depois de passar pela vila de São José do Paraíba (hoje São José dos Campos), chegou, em 23, na vila de Santana de Mogi das Cruzes, tendo nessa localidade recusado a receber emissários do governo paulista dissolvido e da Câmara, nomeando governador das Armas de São Paulo o marechal Cândido Xavier de Almeida e Sousa.

Finalmente, após 634 km, em 12 dias, chega em 24 de agosto, a Penha de França, onde fez o seu último pouso antes de entrar em São Paulo. Na manhã de 25, participa de missa na capela de Nossa Senhora da Penha, logo após segue para a Capital. Na Sé, assiste, com sua comitiva, à solene Te Deum e depois recebe o beija-mão de autoridades e do povo. Permanece alguns dias na Capital, nesse período conhece D. Domitila de Castro e Mello, a futura marquesa de Santos.

Dom Pedro ao Piano

Em 5 de setembro, foi a Santos a fim de inspecionar as fortalezas e visitar pessoas da família de José Bonifácio, seu ministro de Estado. De regresso a São Paulo, no sábado, por volta das 16 horas, dia 7 de setembro de 1822, quando D. Pedro e comitiva se encontravam no alto de colina próxima do riacho do Ipiranga, dois cavaleiros em rápida carreira vão a seu encontro, eram o major Antônio Ramos Cordeiro e Paulo Bregaro - hoje Patrono dos Carteiros -, este, como correio-real da Corte, trazia diversas correspondências: cartas de sua esposa Leopoldina, de José Bonifácio; duas de Lisboa - uma de seu pai D. João VI e a outra com instrução das Cortes, exigindo o regresso imediato do príncipe e a prisão e processo de José Bonifácio, e a última de Chamberlain (amigo de confiança do príncipe D. Pedro).

CARTA DA PRINCESA LEOPOLDINA

"29 de agosto de 1822

Meu querido e muito amado esposo, mando-lhe o Paulo; é preciso que volte com a maior brevidade, esteja persuadido que não só amor, amizade que me faz desejar mais que nunca sua pronta presença, mas sim às crítica circunstâncias em que se acha o amado Brasil, só a sua presença, muita energia e rigor podem salvá-lo da ruína.

..As notícias de Lisboa são péssimas: 14 batalhões vão embarcar nas três naus, mandou-se imprimir suas cartas e o povo lisboense tem-se permitido toda a qualidade de expressões indignas contra sua pessoa, na Bahia entraram 600 homens e duas ou três embarcações de guerra.

Os ministros de Estado lhe escrevem esta carta, aqui inclusa, e assentou-se não mandar os navios para o sul porque o Lecor se desmacarou com Moratto e era capaz de embarcar a tropa para Santa Catarina; a sua vinda decidirá depois se sempre quer mandá-las.

Todos aqui estão bons e Maria já sai e o Manuel Bernardes a curou muito bem.

Receba mil abraços e saudades muito ternas desta sua amante esposa

Leopoldina"

CARTA DE JOSÉ BONIFACIO

"Senhor, as Cortes ordenaram minha prisão, por minha obediência a Vossa Alteza.

E, no seu ódio imenso de perseguição, atingiram também aquele que se preza em o servir com a lealdade a dedicação do mais fiel amigo e súdito. O momento não comporta mais delongas ou condescendências.

A revolução já está preparada para o dia de sua partida. Se parte, temos a revolução do Brasil contra Portugal, e Portugal, atualmente, não tem recursos para subjugar um levante, que é preparado ocultamente, para não dizer quase visivelmente. Se fica, tem, Vossa Alteza, contra si, o povo de Portugal, a vingança das Cortes, que direi?! até a deserdação, que dizem já estar combinada. Ministro fiel que arrisquei tudo por minha Pátria e pelo meu Príncipe, servo obedientíssimo do Senhor D. João VI, que as Cortes têm na mais detestável coação, eu, como Ministro, aconselho a Vossa Alteza que fique e faça do Brasil um reino feliz, separado de Portugal, que é hoje escravo das Cortes despóticas.

Senhor, ninguém mais do que sua esposa deseja sua felicidade e ela lhe diz em carta, que com esta será entregue, que Vossa Alteza deve ficar e fazer a felicidade do povo brasileiro, que o deseja como seu soberano, sem ligações e obediências às despóticas Cortes portuguesas, que querem a escravidão do Brasil e a humilhação do seu adorado Príncipe Regente.

Fique, é o que todos pedem ao Magnânimo Príncipe, que é Vossa Alteza, para orgulho e felicidade do Brasil.

E, se não ficar, correrão rios de sangue, nesta grande e nobre terra, tão querida do seu Real Pai, que já não governa em Portugal, pela opressão das Cortes; nesta terra que tanto estima Vossa Alteza e a quem tanto Vossa Alteza estima.

José Bonifácio de Andrada e Silva".

Integrantes da comitiva, o padre Belchior Pinheiro e o Barão de Pindamonhangaba deixaram para a história seus depoimentos sobre o 7 de setembro:

PADRE BELCHIOR PINHEIRO

"Foi nessa altura, no lugar denominado Moinhos, que dois correios da Corte se aproximaram açodadamente. Entregaram importantes papéis ao príncipe. O príncipe mandou ler alto as cartas trazidas por Paulo Bregaro e Antônio Cordeiro. Eram elas: uma instrução das Cortes, uma carta de D. João [chegadas de Portugal], outra da princesa, outra de José Bonifácio e ainda outra de Chamberlain.

...D. Pedro, tremendo de raiva, arrancou de minhas mãos os papéis e, amarrotando-os, pisou-os, deixou-os na relva [então não estava sobre o cavalo]. Eu os apanhei e guardei. Depois, virou-se para mim e disse: - "E agora, padre Belchior?" E eu respondi prontamente: - "Se V. Alteza não se faz rei do Brasil será prisioneiro das Cortes e, talvez, deserdado por elas. Não há outro caminho senão a independência e a separação.

..."D. Pedro caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros, em direção aos animais que se achavam à beira do caminho. De repente, estacou já no meio da estrada, dizendo-me: - "Padre Belchior, eles o querem, eles terão a sua conta. As cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Pois verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero com o governo português e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal."

...Respondemos imediatamente, com entusiasmo: - "Viva a Liberdade! Viva o Brasil separado! Viva D. Pedro!" O príncipe virou-se para seu ajudante de ordens e falou: - "Diga à minha guarda, que eu acabo de fazer a independência do Brasil. Estamos separados de Portugal."O tenente Canto e Melo cavalgou em direção a uma venda, onde se achavam quase todos os dragões da guarda."

CAPITÃO-MOR MANUEL MARCONDES DE OLIVEIRA E MELLO, (depois BARÃO DE PINDAMONHANGABA).

"Chegando ao Ipiranga, sem que ninguém aparecesse, fiz parar a guarda junto a uma casinhola [hoje conhecida como "Casa do Grito"] que ficava à beira da estrada, à margem daquele riacho. Para prevenir qualquer surpresa, mandei o guarda Manuel de Godoi, que era dos mais moços, colocar-se de atalaia em lugar onde pudesse descobrir a aproximação do príncipe. Tomando esta providência, apeamos e nos pusemos a descansar, conforme era natural.

...Poucos minutos poderiam ter-se passado depois da retirada dos referidos viajantes (Bregaro e Cordeiro), eis que percebemos que o guarda, que estava de vigia, vinha apressadamente em direção ao ponto em que nos achávamos. Compreendi o que aquilo queria dizer e, imediatamente, mandei formar a guarda para receber D. Pedro, que devia entrar na cidade entre duas alas. Mas tão apressado vinha o príncipe, que chegou antes que alguns soldados tivessem tempo de alcançar as selas. Havia de ser quatro horas da tarde, mais ou menos. Vinha o príncipe na frente. Vendo-o voltar-se para o nosso lado, saímos ao seu encontro. Diante da guarda, que descrevia um semicírculo, estacou o seu animal e, de espada desembainhada, bradou: 'Amigos! Estão, para sempre, quebrados os laços que nos ligavam ao governo português! E quanto aos topes daquela nação, convido-os a fazer assim.' E arrancando do chapéu que ali trazia, a fita azul e branca, a arrojou no chão, sendo nisto acompanhado por toda a guarda que, tirando dos braços o mesmo distintivo, lhe deu igual destino.

... "E viva o Brasil livre e independente!" gritou D. Pedro. Ao que, desembainhando também nossas espadas, respondemos: - "Viva o Brasil livre e independente! Viva D.Pedro, seu defensor perpétuo!" ...E bradou ainda o príncipe:"Será nossa divisa de ora em diante: Independência ou Morte!".

...Por nossa parte, e com o mais vivo entusiasmo, repetimos: "Independência ou Morte!"

Acompanhavam o Príncipe Regente, fazendo parte da comitiva, e foram testemunhas da proclamação da Independência do Brasil, os nomes relacionados abaixo:

Luiz de Saldanha da Gama, veador (fidalgo) da princesa Real, nomeado interinamente ministro e secretário de Estado especial, para acompanhar o príncipe Regente, assistir ao despacho e expedir as respectivas ordens.

Guarda de Honra

1º comandante, coronel Antônio Leite Pereira da Gama Lobo (de São Paulo);

2º comandante interino, capitão-mor Manuel Marcondes de Oliveira e Mello, depois barão de Pindamonhangaba (da mesma cidade);

Sargento-mor Domingos Marcondes de Andrade (de Pindamonhangaba);

Tenente Francisco Bueno Garcia Leme (da mesma cidade);

Miguel de Godói e Moreira e Costa (da mesma cidade);

Adriano Gomes Vieira de Almeida (da mesma cidade);

Manuel Ribeira do Amaral (da mesma cidade);

Benedito Corrêa Salgado (da mesma cidade);

Francisco Xavier de Almeida (de Taubaté);

Vicente da Costa Braga (da mesma cidade);

Fernando Gomes Nogueira (da mesma cidade);

João José Lopes (da mesma cidade);

Rodrigo Gomes Vieira (da mesma cidade);

Bento Vieira de Moura (da mesma cidade);

Flávio Antônio de Melo (de Paraibuna);

Salvador Leite Ferraz (de Mogi das Cruzes);

José Monteiro dos Santos (Guaratinguetá);

Custódio Leme Barbosa (da mesma cidade);

Sargento-mor João Ferreira de Sousa (de Areias);

Cassiano Gomes Nogueira (São João Marcos cidade do Rio de Janeiro);

Floriano de Sá Rios (da mesma cidade);

Joaquim José de Sousa Breves (da mesma cidade);

Antonio Pereira Leite (de Resende)

Sargento-mor Antonio Ramos Cordeiro, veio acompanhando o correio-real;

José da Rocha Corrêa (da mesma cidade);

David Gomes Cardim (da mesma cidade);

Eleutério Velho Bezerra (do Rio de Janeiro);

Antônio Luís da Cunha (da mesma cidade);

Oficiais e criados da Casa Real

Guarda-roupa Joaquim Maria da Gama Freitas Berquó, depois Marques de Cantagalo;

Criado particular João Carlota;

Criado particular João Carvalho;

Criado particular Francisco Gomes da Silva, o Chalaça;

Pessoas particulares

Brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão (de São Paulo);

Padre Belchior Pinheiro de Oliveira (de Minas Gerais);

Empregado Público

Paulo Bregaro, oficial do Supremo Tribunal Militar, na condição de correio-real.

Dom Pedro, acompanhado de toda a comitiva, encaminhou-se, a seguir, para a cidade. À noite, compareceu ao teatro da Ópera, ostentando, no braço, o dístico de ouro "Independência ou Morte", que, às pressas, mandara fazer no ourives Lessa, preso por um laço de fita verde e amarelo. Delirantemente aclamado, executou ao piano o "Hino da Independência", música por ela composta. E, logo após, ergueu-se o jovem poeta Tomás de Aquino e Castro e recitou um soneto de sua autoria, assim terminando:

"Será logo o Brasil mais que foi Roma

Sendo Pedro seu primeiro Imperador"

Em dado momento, o padre Ildefonso Xavier Ferreira, subindo a um dos assentos da platéia, em frente ao camarote de D. Pedro, por três vezes gritou: "Viva o primeiro rei brasileiro!" Após essas manifestações, teve lugar a representação da peça "O Convidado de Pedra".

No dia seguinte ao brado de Independência, D. Pedro fez a seguinte declaração:

PROCLAMAÇÃO

"Honrados Paulistanos: O amor que eu consagro ao Brasil em geral, e a vossa Província em particular, por ser aquela que perante mim e o mundo inteiro fez conhecer primeiro que todos o sistema maquiavélico, desorganizador, e faccioso das Cortes de Lisboa, me obrigou a ir entre vós fazer consolidar a fraternal união, e tranqüilidade, que vacilava, e era ameaçada por desorganizadores, que em breve conhecereis, fechada que seja a devassa, a que mandei proceder. Quando eu mais que contente estava junto de vós, chegam noticias que de Lisboa os traidores da Nação, os infames Deputados pretendem fazer atacar ao Brasil, e tirar-lhe do seu seio seu Defensor; Cumpre-me como tal tomar todas as medidas que minha imaginação me sugerir; e para que estas sejam tomadas com aquela madureza, que em tais crises se requer, sou obrigado para servir ao meu ídolo, o Brasil, a separar-me de vós, (o que muito sinto), indo para o Rio ouvir meus Conselheiros, e providenciar sobre negócios de tão alta monta. Eu vos asseguro que cousa nenhuma me poderá ser mais sensível, do que o golpe que minha alma sofre, separando-me de meu amigos Paulistanos, a quem o Brasil, e eu devemos os bens, que gozamos, e esperamos gozar de uma Constituição liberal e judiciosa. Agora, Paulistanos, só vos resta conservardes união entre vós, não só por ser esse o dever de todos os bons Brasileiros, mas também por que a nossa Pátria esta ameaçada de sofrer uma guerra, que não só nos há de ser feita pela Tropas, que de Portugal forem mandadas, mas igualmente pelos seus servis partidistas, e vis emissários, que entre nós existem atraiçoando-nos. Quando as autoridades, vos não administrarem aquela Justiça imparcial, que delas deve ser inseparável, representai-me que eu providenciarei. A divisa do Brasil deve ser - INDEPENDÊNCIA OU MORTE - Sabei que, quando trato da Causa Publica, não tenho amigos e validos em ocasião alguma.

Existi tranqüilos: acautelai-vos dos facciosos sectários das Cortes de Lisboa; e contai em toda a ocasião com o vosso Defensor Perpetuo. Paço em oito de setembro de mil oitocentos e vinte dois."

PRINCIPE REGENTE

D. Pedro nomeou, em 9 de setembro, a nova junta governativa da Província de São Paulo, composta pelo bispo diocesano D. Mateus de Abreu Pereira, ouvidor da Comarca Dr. José Corrêa Pacheco e Silva e o marechal Cândido Xavier de Almeida e Sousa. E, às 5 horas do dia 10 de setembro de 1822, deixou a Capital, partindo para o Rio de Janeiro, aonde chegaria em tempo recorde de cinco dias, apesar das chuvas e temporais.

* Antônio Sergio Ribeiro, advogado e pesquisador, funcionário da Secretaria Geral Parlamentar da ALESP.

O autor agradece a valiosa colaboração de:

Sandra Sciulli Vital, da Divisão de Biblioteca e Documentação da ALESP

Patrícia Guerra Guimarães Miranda, do DDI da ALESP

Bibliografia:

LEIS DO BRAZIL

Vol. II - 1822

Imprensa Nacional - Rio de Janeiro

Coleção pertencente à Divisão de Biblioteca e Informação da ALESP

ANDRADAS, OS

Alberto Sousa

Typographia Piratininga - 1922 - 3 vols. - São Paulo

APONTAMENTOS DA PROVÍNCIA DE SÃO PAULO

Manuel Eufrásio de Azevedo Marques

Tomo I e II - Livraria Martins e Editora - 1954 - São Paulo

DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DE SÃO PAULO

Antonio Barreto do Amaral

Edição do Governo do Estado de São Paulo - IMESP - 1980

HISTÓRIA DO BRAZIL

Rocha Pombo

Editora Weiszflog Irmãos - 1919 - São PauloHistória do de Rocha Pombo,

TEXTOS POLÍTICOS DA HISTÓRIA DO BRASIL

Paulo Bonavides e Roberto Amaral

Ed. Senado Federal - 3ª Edição - 2002 - Brasília

VIDA DE D. PEDRO I, A

Octavio Tarquínio de Sousa

Edição Comemorativa do Sesquicentenário da Independência Brasil

José Olímpio Editora - 1972 - 2 Vols. - Rio de Janeiro

 https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=285344

http://blogdomendesemendes.blogspot.com