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domingo, 24 de outubro de 2021

ENTREVISTA COM O SUPOSTO FILHO DO CAPITÃO LAMPIÃO E MARIA BONITA

Por José Mendes Pereira

https://www.youtube.com/watch?v=gmEpGe0XFko&ab_channel=KinkoPelegrine. - "O vídeo pertence ao acervo do pesquisador Kinko Peregrine".

Sobre este senhor, não há como eu acreditar que era filho de Virgolino Ferreira da Silva, o capitão Lampião, e de Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita. Vejam que o suposto filho de Lampião e de Maria Bonita diz que, a briga de Lampião com o Zé Saturnino começou por causa de um chocalho. 

Não discordo desta informação, porque está escrita na literatura lampiônica. Só que ele diz que este chocalho está na sua mão e de repente,  diz que está em Serra Talhada. 

João Ferreira da Silva o João Peitudo suposto filho dos reis do cangaço Lamapiã e Maria Bonita.

Diz ele no vídeo:

“A verdadeira história começou por um chocalho. Numas cabras, né? Este chocalho ainda hoje está na minha mão. É a última pessoa que existe desse chocalho, que começou toda história do cangaço, é esse chocalho.

Esse chocalho está em Serra Talhada, num museuzinho pequeno, que me pediram a esse, o museu me pediu para eu deixar este chocalho, lá em Serra talhada... Quem me entregou foi um ex-cangaceiro do meu (possivelmente a falha no vídeo, mas acredito que ele quis dizer meu pai), que me disse uma segurança muito grande...”

Vamos lá:

Ele diz que o chocalho estava na sua mão e de repente diz que o chocalho está em Serra Talhada. 

Por que isso? 

Quando foi que este chocalho chegou às suas mãos e através de quem, quando muitos pesquisadores da época, gostariam de ter recebido esta relíquia para os seus acervos? 

Com certeza, foi um chocalho adquirido por aí, ou quem sabe, ele mesmo o encontrou, sem ter nada a ver com o chocalho que misteriosamente começaram as brigas dos vizinhos, Zé Saturnino e Lampião com os seus irmãos. Pelo tempo que já se passou, o chocalho é uma invencionice do João Ferreira da Silva.

Vejam bem:

A briga entre os Ferreiras e Zé Saturnino surgiu mais ou menos no ano de 1916, então, da briga para o nascimento do João Ferreira já havia se passado 22 anos. Lógico que quando ele veio entender o que é a vida, já fazia muito tempo. Não seria mais possível ele adquirir este chocalho. Pura invencionice!

Todo mundo queria ser filho de Lampião. Eu acho que até eu, sou filho dele.

Assista ao vídeo e diga se tem procedência esta história do João Peitudo, suposto filho de Lampião e de Maria Bonita. Eu acho que não tem procedência de forma alguma.

(Nome: 

João Ferreira da Silva 

Nascimento: 

1938

 

Falecimento: 

26-07-2000

em: 

Juazeiro do Norte, CE

Idade: 

Aproximadamente 62 anos, em 2000.

Profissão: 

Funcionário Público da Prefeitura de Juazeiro do Norte

Pai: 

Virgulino Ferreira da Silva

Mãe: 

Maria Gomes de Oliveira

Notas: 

João Peitudo". Faleceu de ataque cardíaco, está sepultado no cemitério São João Batista. Foi reconhecido filho do cangaceiro Lampião em 1994 através de um exame de DNA realizado nos Estados Unidos. Teve 5 filhos).

Existem pesquisadores do cangaço que são grandes conhecedores do tema, informam que o exame de "DNA" feito para comprovar a paternidade dos pais de João Peitudo, ficou incompleto. Sendo assim, menos verdade.

Posteriormente, após dois exames de DNA, constatou-se que não era verdade. João Peitudo faleceu com 62 anos de idade, morte natural, no dia 26 de Junho de 2000, em Juazeiro do Norte, a 563 quilômetros de Fortaleza.

É claro que ele se dizia ser filho de Lampião e Maria Bonita, não criado por ele, mas, lógico, a afirmação deve ter saído da boca de quem o criou. Só que o chocalho, na minha humilde opinião, ninguém sabe até hoje o paradeiro dele, muito menos sabia o João Peitudo. 

Sem essa afirmação, jamais o João Peitudo iria se considerar filho dos reis do cangaço.

Suponhamos que Maria Bonita engravidou de Lampião no ano de 1937, e só pariu o João Ferreira da Silva no ano seguinte. Mas vale lembrar que, depois que o capitão Lampião saiu do Ceará, nunca mais colocou os seus pés em Juazeiro do Norte. Se ele voltou ao Ceará eu não tenho conhecimento. Só sei que no dia 21 de agosto de 1928, numa canoa, o capitão Lampião e seus cabras cruzaram o rio São Francisco. Ali, ao sul do Rio, passaria a ser a base de suas operações maldosas dali em diante. Agora, o cangaço estaria vivendo uma nova vida cangaceira. 

Naquele Estado, Lampião passou a ter como refúgio preferencial outro Estado que foi Sergipe, onde um de seus protetores seria o médico e capitão do Exército Eronides de Carvalho, mas este ele só se encontrou ao menos uma vez. Em meados dos anos 1930, Eronides se tornou governador, e lógico que o capitão do exército não queria mais amizade com bandido.



Em 1938, quando o João Ferreira da Silva nasceu, o velho guerreiro capitão Lampião estava vivendo nas terras do Estado de Sergipe, mais ou menos pelas redondezas de Porto da Folha, atual Poço Redondo. E nesse tempo, o capitão não tinha mais tanta disposição para sair de Sergipe, passar pelo Estado de Alagoas e em seguida, cortar as terras de Pernambuco, e chegar a Juazerio do Norte, no Estado do Ceará, com uma criança de colo que havia nascido a 42 dias, para entregá-la  a uma senhora de nome Aurora da Conceição, que residia lá na região do Carri, terra do padre Cícero Romão Batista. E por que o capitão Lampião tinha que entregar a criança a esta senhora, onde no percurso existiam tantas outras famílias que poderiam adotá-la sem nenhuma palavra negativa?

Não dar para se entender, porque esta viagem é muito longa, porque são três Estados do Nordeste, para enfrentar o calor quente e tudo mais de difícil acesso.

Informação ao leitor: 

Não me refiro ao cineasta que fez a gravação, e sim, ao João Ferreira da Silva, o João Peitudo, que batia o martelo, dizendo que era filho dos reis do cangaço. Mas esta questão é muito fácil resolver. Fazer o "DNA" do cadáver do João Ferreira, e comparar com o "DNA" de dona Expedita Ferreira Nunes, que é a única pessoa que mundialmente, foi reconhecida como filha do capitão Lampião e Maria Bonita.

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A INVASÃO DA CIDADE DE SOUZA E A MALDADE DO CANGACEIRO PAIZINHO.

 Por Nas Pegadas da História

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A BRIGA ENTRE ZÉ SERENO E VOLTA SECA

 Por nas Pegadas da História

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LAMPIÃO INVADE A FAZENDA PONTILHÃO

Por Nas Pegadas na História

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ANTÔNIO AMAURY E PAULO GASTÃO

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=jDc0nPpkzUA&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Entrevista durante o julgamento simulado de Lampião em serra Talhada.

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sábado, 23 de outubro de 2021

A CHEGADA DE ZÉ SERENO NO BANDO DE LAMPIÃO

 Por Kinko Peregrine

https://www.youtube.com/watch?v=Gnt_cUSnLMs&ab_channel=KinkoPelegrine

Observação: Neste vídeo é dito que Zé Sereno era sobrinho de Zé Baiano, mas na verdade, ele era primo carnal de Zé Baiano. Zé Baiano, Zé Sereno e Mané Moreno eram primos entre si. Outros cangaceiros eram primos de Zé Sereno.

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ZABELÊ, CORRENTEZA E DINDA: MEUS PARENTES CANGACEIROS

 *Rangel Alves da Costa

Nos dias de hoje, a cada esquina de rua de Poço Redondo o caminhante acaba encontrando um parente de cangaceiro ou de coiteiro. Certa feita disseram que em Poço Redondo quem não era cangaceiro era coiteiro. E não há nenhum absurdo em tal afirmação. Era quase assim mesmo. Na pequena povoação e na vastidão de seus arredores, grande parte da população ou estava junto com Lampião ou a seu serviço.

Mais de trinta e quatro mocinhas e rapazes fizeram parte do bando do Capitão Virgulino. Mas um número indescritível de poço-redondenses fez parte do rol daqueles que, mesmo não seguindo os passos do cangaço, intermediavam o bem-estar, a segurança e a proteção dos cangaceiros. Estes eram os coiteiros.

Como diz o outro, coiteiro em Poço Redondo teve de "ruma", e cangaceiro teve de "montão". Acaso alguém se debruce sobre as raízes familiares destes sertões do Velho Chico, das terras de China do Poço e de Zé de Julião, dificilmente não encontrará um parente que foi cangaceiro. Minha família paterna, a família Marques, por exemplo, contou com dois cangaceiros: Zabelê e Correnteza. Já minha família materna, do tronco dos Alves, teve a cangaceira Dinda como sua representante.

Manoel Marques da Silva, o Zabelê, era irmão de minha avó Emeliana. Alcino Alves Costa, meu pai, filho desta, era, portanto, sobrinho do cangaceiro. E eu, então, um sobrinho-neto. Este Zabelê foi, certamente, o último dos três Zabelê que existiram do bando de Lampião. E assim porque o Zabelê dos Marques de Poço Redondo estava em Angico naquele fatídico dia 28 de julho de 1938, quando Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram mortos pelas forças volantes. E não haveria como ter surgido outro Zabelê pós-Angico.

Manoel Marques, o Zabelê de Poço Redondo, foi um dos sobreviventes à chacina. Contudo, até hoje a família jamais soube de seu paradeiro após a fuga. Era o segundo homem dos onze filhos de Antônio Marques da Silva e Maria Madalena de Santa (Mãe Véia), sendo oito mulheres, dentre as quais minha avó Emeliana. Cangaceiro com nome de passarinho, quando fogo de Angico começou a zunir por todo lugar, então bateu asas e voou. E voo tão apressadamente alto que até hoje é desconhecido seu paradeiro. Já nos céus, na terra, ninguém sabe.

Outro parente meu, pelo lado de meu pai Alcino, foi o cangaceiro Correnteza, de nome Joaquim Marques da Silva. Correnteza era primo "carnal" de Zabelê e, como quase todos os poço-redondenses que foram para o cangaço, acabou servindo ao subgrupo de Zé Sereno (companheiro de Sila, também de Poço Redondo). A admissão de tantos filhos de Poço Redondo neste subgrupo parece ter apenas uma explicação: Sila. Esta era uma espécie de Maria Bonita no subgrupo do companheiro. Igual à companheira de Lampião, certamente também possuía muito poder de mando junto a Zé Sereno. Daí chamar seus conterrâneos para o seu lado.

Correnteza, ao contrário do que se imagina, não nasceu em Porto da Folha, mas nas terras da família Marques já na povoação de Poço Redondo, na Lagoa de Dentro ou arredores. Seu pai era irmão de meu bisavô Antônio Marques. Diferente de seu primo Zabelê, Correnteza não suportou as agruras do cangaço e fugiu do bando enquanto estava acoitado na fazenda Boa Lembrança, em Poço Redondo. Da fuga desesperada, só retornou ao sertão sergipano após a morte do Capitão. Sabia o seu destino acaso fosse encontrado pela cangaceirama.

Já a cangaceira Dinda, que certamente possuía outro prenome e Alves Feitosa como sobrenome, pois filha de Presentino Alves e Eutímia Feitosa, sendo seu pai irmão de meu avô Teotônio Alves China (o China do Poço Redondo), foi uma das sete mulheres de Poço Redondo que enveredaram no mundo carrasquento dos cangaceiros: a própria Dinda, Sila, Adília, Enedina, Áurea, Rosinha e Adelaide

No cangaço, Dinda foi companheira de Delicado (João Brás de Souza, ou João Mulatinho, irmão da cangaceira Adília), também de Poço Redondo. Os dois jovens sertanejos eram noivos quando João Mulatinho resolveu seguir Lampião. Sua noiva Dinda não suportou a saudade e pediu-lhe para fazer companhia naquela vida de ilusões, desilusões, dores e sofrimentos. Estava no Angico durante o fogo matador. Os noivos, contudo, restaram salvos da terrível chacina.

Assim, relatos sobre uma parentagem que fez parte da saga cangaceira. Depois de seus feitos e de suas partidas, restou aos que ficaram a guarda de suas memórias. Memórias cangaceiras, é verdade. Mas, acima de tudo, História. Há gente que não gosta de ser reconhecido com tal parentesco. Mas um vínculo que não pode ser afastado por um desejo próprio. Que se honre ou não a afinidade familiar, o que não se pode ocultar é a verdade desde muito enraizada.

*Rangel Alves da Costa, advogado e escritor Membro da Academia de Letras de Aracaju.

 https://jornaldodiase.com.br/noticias_ler.php?id=49184&t=zabele-correnteza-e-dinda-meus-parentes-cangaceiros

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CANGACEIRO DESCONHECIDO

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=E9Z4Equkfdg&t=127s&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Por mais de setenta anos um dos cangaceiros mortos em Angico, teve o seu nome/apelido desconhecido e apagado das páginas da história cangaceira, porém no ano de 2014 a descoberta de uma matéria que foi publicada no Jornal de Alagoas em sua edição de 09 de novembro de 1938, pôs fim ao mistério e identificou o cangaceiro em questão. 

Um formidável trabalho de pesquisa que elucidou aquilo que era considerado até então um dos grandes mistérios de Angico. Vamos ao desdobramento dos fatos. Inscrevam-se no canal e não esqueçam de ativar o sino para receber todas as nossas atualizações. 

Forte abraço... Cabroeira! Geraldo Antônio de Souza Júnior - Criador e administrador do canal.

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FIDERALINA ALGUSTO LIMA UM CORONEL DE SAIA NA ÉPOCA DO CANGAÇO

 Por Kinko Peregrine

https://www.youtube.com/watch?v=vwnTczwPfO8&ab_channel=KinkoPelegrine

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O ENCONTRO DE LAMPIÃO E MARIA BONITA

 Por Na Rota do Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=9GFO6G_W_Wc&ab_channel=NoRastroDoCanga%C3%A7o

O casal de cangaceiros Lampião e Maria Bonita é um dos mais conhecidos da história do Brasil, e não é à toa: os dois, junto do bando do mais importante cangaceiro, viajaram pelas mais diferentes regiões do nordeste brasileiro fazendo a história do cangaço. #NoRastroDoCangaço A história do cangaço nordestino narrada com imparcialidade. https://www.youtube.com/watch?v=0kkj5... https://www.youtube.com/watch?v=CsvPj... https://www.youtube.com/watch?v=44TAI... https://www.youtube.com/watch?v=B1Dgt...

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LAMPIÃO MATA JOÃO DE CLEMENTE E DEPOIS SE ARREPENDE

 Por No Rastro do Cangaço

https://www.youtube.com/watch?v=Ej76cR6nv1Y&ab_channel=NoRastroDoCanga%C3%A7o

Lampião, o rei do cangaço, ajoelhou-se, apontou a arma, fez mira na direção de João e atirou. O jovem caiu morto e o cavalo parou. Capitão Virgulino confidenciou alguns dias depois, aos amigos Quincas e Aristéia, que se pudesse voltar no tempo não atiraria naquele jovem, mesmo achando que o rapaz estaria fugindo para denunciar às volantes da chegada dos cangaceiros. Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações. #NoRastroDoCangaço 

Vejam também: 

https://youtu.be/sqhWYPAy2uE https://youtu.be/ZEE32oCF7oA https://youtu.be/HH4xN9FOiQg https://youtu.be/cRvkUIonWEc https://youtu.be/3wuCmkQyaII https://youtu.be/Y1kh7Js_lhA https://youtu.be/rl0RucODGec https://youtu.be/pmPvnN9JRL8 https://youtu.be/cPMXW02sFGs https://youtu.be/wfIuVfZnS54

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O INIMIGO INVISÍVEL - @CONTOS DO CANGAÇO - CANGACEIRO LAMPIÃO

 Por José Filho de Paula Pessoa

https://www.youtube.com/watch?v=kC5XkVfuhCc&ab_channel=ContosdoCanga%C3%A7o

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LUTO EM TODA FAMÍLIA GALDINO, A QUAL EU FAÇO PARTE.

Imagem do acervo da Sônia Galdino

Imagem do acervo da Sônia Galdino

Faleceu em Mossoró Manoel Galdino da Silva. Ele residia na comunidade Pintos ,no bairro Costa e Silva. Ele era primo legítimo do meu pai Pedro Nél Pereira.


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DUAS PERSONALIDADES DE ALTO NÍVEL, O POETA CRISPINIANO NETO, E O EX-GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO NORTE, CORTEZ PEREIRA, O IDEALIZADOR DAS AGRO-VILAS, HOJE, SERRA DO MEL.

Por José Mendes Pereira

Crispiniano Neto atual secretário de Cultura do Rio Grande do Norte

Não me recordo o ano e nem tão pouco dia e mês que certa vez, o nosso admirado poeta, político, advogado, professor, escritor e atual Secretário de Cultura do Rio Grande do Norte, Crispiniano Neto, foi preso, acusado de ser um dos incentivadores de invasão a um barracão do governo. Mas vale lembrar que apenas foi acusado, e as pessoas que lutam pelos direitos do povo, não temem à certas agressões de autoridade nenhuma.

Ex-governador do Rio Grande do Norte Cortez Pereira

Em uma das entrevistas que cedeu o ex-governador do Estado do Rio Grande do Norte o professor Cortez Pereira, a uma emissora de Mossoró, e que eu ouvi um repórter perguntando ao estadista o seguinte:

- Qual é o seu maior arrependimento no período do seu governo, e que o incomoda muito até hoje, porque ficou gravado em sua mente, depois de deixar o governo do Estado do Rio Grande do Norte?

E o chefe de Estado respondeu:

- O meu maior arrependimento foi ter mandado prender o Crispiniano Neto, porque ele tinha razão. Isso me incomoda muito. O Crispiniano Neto é meu amigo, e eu não respeitei a nossa amizade. Eu tomei essa decisão erradíssima, de mandar prender um homem do povo, e que luta em favor da população mais pobre. A minha decisão foi absurda, e por isso, muito me arrependo até hoje, de ter ordenado a sua prisão. Um ser humano extraordinário, pacato e de grande talento, como é o Crispiniano Neto, que passou pela minha vingança como governador do nosso Estado.

Um pouco sobre o ex-governador do Rio Grande do Norte José Cortez Pereira de Araújo.

José Cortez Pereira de Araújo nasceu na cidade de Currais Novos, no dia 17 de outubro de 1924, e faleceu em Natal, no dia 21 de fevereiro de 2004. Foi um agropecuarista, professor, político brasileiro e o 42.º governador do Rio Grande do Norte. Ele era filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Filha e Aída Ramalho Cortez Pereira

Um pouco sobre a primeira dama do Estado do Rio Grande do Norte Maria Aída Ramalho Cortez Pereira.

A viúva (também já faleceu) do ex-governador José Cortez Pereira de Araújo — que governou o Estado do Rio Grande do Norte entre 1971 e 1975 — ex-primeira dama do Estado Maria Aída Ramalho Cortez Pereira, faleceu aos 85 anos. Era mãe da vice-prefeita de Natal, a advogada Aíla Pereira (PDT). Aída Ramalho nasceu no dia___/_______/____. Infelizmente não encontrei a biografia da Aída Ramalho.

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A MESA REDONDA DO CANGAÇO. PARTE I.

 Por Cangaçologia - Geraldo Júnior

https://www.youtube.com/watch?v=J57f-GmAbDc&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

DEPOIMENTOS DE EX-CANGACEIROS DO BANDO DE LAMPIÃO. 

No ano de 1944 o jornalista Joel Silveira esteve na Penitenciária de Salvador, Bahia, onde estavam presos e cumpriam pena alguns dos antigos cangaceiros que fizeram parte do bando de Lampião. Com a ajuda do então diretor da penitenciária, Joel Silveira conseguiu reunir seis ex-cangaceiros que ali se encontravam e coletar seus depoimentos, os quais foram publicados posteriormente na extinta Revista O Cruzeiro. 

Nesse documentário trago a narração da matéria para que todos vocês possam ter a oportunidade de também conhecer o conteúdo, que hoje nada mais é que um importante documento histórico para quem realmente quer se aprofundar no conhecimento do assunto. A MESA REDONDA DO CANGAÇO - PARTE I. 

Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. 

INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações e publicações. 

Forte abraço! 

Atenciosamente: Geraldo Antônio de S. Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia, Cangaçologia Shorts e Arquivo Nordeste. Seja membro deste canal e ganhe benefícios: https://www.youtube.com/channel/UCDyq...

https://www.youtube.com/watch?v=J57f-GmAbDc&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

Acervo do pesquisador José Irari

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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

LIVRO DA ESCRITORA E PESQUISADORA DO CANGAÇO VERLUCE FERRAZ

Descendente de Nazaré do Pico - em Floresta do Navio. Homenagem a Izaias Ferraz Nogueira, - Volante de Pernambuco.

https://www.facebook.com/groups/1995309800758536

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A CAMINHO DE MOSSORÓ


O ataque de Lampião e seu bando de cangaceiros a Fazenda Morada Nova, Pau dos Ferros, RN

Por Rostand Medeiros

No ano de 2010 soube do desenvolvimento do “Projeto Território Sertão do Apodi – Nas Pegadas de Lampião”, pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Norte – SEBRAE/RN, do qual a gestora era a competente consultora Kátia Lopes. Fui ao seu encontro soube que Kátia planejava criar um grupo para percorrer o mesmo caminho palmilhado por Lampião e seus cangaceiros, como parte de um amplo reconhecimento histórico. Ali estava uma oportunidade imperdível de conhecer esse caminho e o que restava de sua memória.

Foi realmente um momento muito especial e um trabalho maravilhoso. Depois de 2010 eu tive a oportunidade de percorrer esse caminho em mais outras quatro ocasiões. As duas primeiras oportunidades, em 2012 e 2014, foram com pessoas que me contrataram para conhecer trechos no Rio Grande do Norte, com foco nas áreas da Serra de Martins e de Mossoró. Já em 2015 estive percorrendo esse antigo caminho dos cangaceiros durante dezessete dias.

Desta vez partindo da cidade cearense de Aurora, adentrando depois em território paraibano, percorrendo na sequência todo trecho potiguar e encerrando na cidade cearense de Limoeiro do Norte. O objetivo da jornada de 2015 foi à realização da película Chapéu Estrelado, um documentário de longa metragem da Locomotiva Produções Cinematográficas, do Rio de Janeiro, sendo dirigido pelo mineiro Silvio Coutinho, com roteiro de Iaperi Araújo e produção de Valério Andrade e o autor desse texto, esses últimos potiguares. Apesar de filmado com esmero em sistema 4K, com interessantes depoimentos, esse documentário nunca esteve no circuito de festivais e, afora algumas exibições em rede nacional através da TV Brasil, ele foi pouco visto pelo grande público. A razão principal foi o falecimento precoce do diretor Sílvio Coutinho, ocorrido no ano de 2018, em decorrência de um ataque cardíaco fulminante, ocorrido no Rio de Janeiro.

Trajeto dos cangaceiros em 1927, em um mapa do Exército Brasileiro, em escada de 1:100.00, com as propriedades invadidas marcadas. Existe um erro no mapa, pois um dos locais atacados foi denominado como “Carícia”, quando o certo é “Caricé”.

A última oportunidade se deu em 2017, quando uma grande parte do trajeto com o artista plástico e fotógrafo Sérgio Azol. Potiguar de nascimento, mas radicado há muitos anos na capital paulista, Azol me chamou para percorremos esse caminho visando o desenvolvimento de uma exposição fotográfica a ser realizada em São Paulo. Ele clicou as paisagens, as vivendas e as pessoas de forma magistral. Aquela era a segunda oportunidade que percorria o sertão nordestino com Sérgio Azol, tendo tido oportunidade em 2016 de visitar importantes locais ligados a história do Cangaço na Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

Em 2020 essa jornada foi transformada em livro – 1927 – O Caminho de Lampião no Rio Grande do Norte. – Ver –  https://tokdehistoria.com.br/2020/08/26/autor-natalense-refaz-caminho-de-lampiao-pelo-rio-grande-do-norte/

Agora apresento um pouco do que vi!

Os Caminhos a Seguir

Essa memória se inicia em um sábado, dia 11 de junho de 1927, o segundo dia de Lampião e seus cangaceiros em solo potiguar.

Antiga casa do Sítio Cascavel, zona rural de Pilões – Foto – Rostand Medeiros

Em meio a um grande lajedo ao norte da atual cidade potiguar de Marcelino Vieira, os cangaceiros vão acordando e se preparando para seguir a sua jornada em direção a Mossoró. Após acordarem parte em direção aos Sítios Cascavel e São Bento, cujas terras em dias atuais são parte do município potiguar de Pilões. Depois atacam os Sítios Poço Verde, Poço de Pedra e a Fazenda Caricé, do prestigiado pecuarista Marcelino Vieira da Costa. Sobre o assalto ao Caricé vejam esse texto que escrevi, onde trago alguns detalhes do episódio – https://tokdehistoria.com.br/2019/02/10/marcos-de-religiosidade-no-caminho-de-lampiao-no-rio-grande-do-norte/  

Punhal de um cangaceiro deixado no Sítio Poço de Pedra, zona rural de Pilões-RN – Foto – Rostand Medeiros

A partir da velha Fazenda Caricé, mesmo a distância, já é possível visualizar o grande maciço rochoso que formam as Serras de Martins e de Portalegre, onde se encontram alguns dos pontos de maior altitude do Rio Grande do Norte, com locais que ultrapassam os 800 metros. Essas duas grandes elevações se interpunham diante daqueles viajantes que seguiam em direção a Mossoró vindos do extremo oeste da Paraíba. Para os cangaceiros continuarem em busca do seu alvo principal, vários caminhos se colocavam a disposição. O matreiro Lampião, certamente secundado por Massilon, o mais experiente de todos aqueles bandoleiros em relação aos caminhos potiguares, perceberam que teriam de optar por um desses caminhos.

O primeiro trajeto poderia ser: subir a Serra de Martins, passar pela cidade homônima e descer do outro lado da elevação. Bastava seguir pelo antigo caminho que ligava essa cidade até a Vila de Alexandria. Segundo as pessoas da região, partes do antigo trecho dessa estrada ainda existem, fazendo parte da atual rodovia estadual RN-075.

Aspecto dos caminhos dessa região 
– Foto – Rostand Medeiros.

O segundo caminho, caso o grupo desejasse seguir em direção a Mossoró sem passar pela cidade de Martins, poderia ser feito do seguinte modo: cavalgar até a extremidade oeste do grande maciço rochoso. Nesse caso, os cangaceiros fatalmente chegariam próximo de Pau dos Ferros. Então, depois de passar ao lado da serra, eles percorreriam a antiga estrada que seguia pela cidade de Apodi e, depois de vários quilômetros, chegariam a Mossoró.

Teoricamente, esses dois caminhos não trariam maiores problemas para um viajante comum. Entretanto, aquele estranho grupo de homens armados poderia ser classificado de tudo, menos de “viajantes comuns”.

Desde a saída do bando no Ceará, os celerados deixaram de lado a discrição, passando para a prática aberta de toda sorte de delitos, chamando a atenção das autoridades potiguares. Inclusive, essas autoridades já tinham entrado em contato e combatido o grupo na Caiçara. Mesmo com a derrota da polícia estadual naquele entrevero, Lampião sabia que a qualquer momento as forças do governo potiguar poderiam dar o devido revide. Se decidissem subir a serra, poderiam facilmente esbarrar em um piquete de homens armados, já previamente alertados. Como o bando tinha poucos recursos humanos e bélicos para realizar combates contínuos, esse possível confronto poderia infringir sérios problemas aos cangaceiros na tentativa de galgar a grande serra.

Rostand Medeiros diante da capela da Fazenda Caricé, zona rural de Marcelino Vieira – RN em 2015 – Foto – Silvio Coutinho.

Se o bando seguisse próximo da cidade de Pau dos Ferros, a maior e a mais policiada da região, para depois trotarem em direção a Apodi (uma cidade invadida por Massilon apenas um mês antes), fatalmente homens armados poderiam estar aguardando o grupo em um desses locais, ou nos dois. Aí os resultados desses novos tiroteios poderiam ser extremamente negativos. Deve-se levar em consideração que, além da polícia potiguar, Lampião se preocupava igualmente com a polícia de outros estados no seu encalço, principalmente a paraibana.

Lampião na Fazenda Morada Nova

Havia outra alternativa: era possível contornar o grande maciço através da extremidade mais a leste dessas elevações, passando por um caminho que os levariam para a Vila de Boa Esperança, atual município de Antônio Martins.

O grupo de bandoleiros então se afastaria de áreas onde presumivelmente haveria mais atividade policial, poderiam então alcançar zonas teoricamente mais desprotegidas e possivelmente ainda não alertadas da presença deles na região. Esse caminho se mostrava mais promissor!

Casa da Fazenda Morada Nova, zona rural de Pau dos Ferros – RN  
– Foto – Rostand Medeiros.

Contudo, aparentemente, essa decisão não deve ter ocorrido antes ou durante a passagem pela Fazenda Caricé, pois, logo depois da saída da propriedade do fazendeiro Marcelino Vieira, os cangaceiros seguiram primeiramente na direção sudoeste, apontando para a cidade de Pau dos Ferros. Após rápida cavalgada, surgiu o próximo alvo daquela jornada insana – A Fazenda Morada Nova.

Quando visitei essa propriedade pela primeira vez em 2010, ali encontrei a senhora Firmina Aquino de Oliveira, então com 95 anos de idade, e sua nora Maria Ivaneide de Aquino. Ivaneide era neta de Antônio Januário de Aquino, antigo dono do lugar, que teve a difícil missão de receber Lampião em 11 de junho de 1927.

Lampião

Elas me informaram que não tinham conhecimento se o parente já falecido possuía laços de amizade, ou de inimizade, com o cangaceiro Massilon. Igualmente não souberam comentar se a chegada do bando se deu a uma indicação desse celerado, ou se a casa dos seus antepassados foi atacada simplesmente por ter sido um alvo que surgiu à frente do grupo.

Entretanto, essas senhoras relataram que antes do bando chegar à casa de Aquino, que não mais existia em 2010, eles arrombaram uma residência onde vivia um trabalhador da propriedade, que juntamente com sua família fugiu para o mato. Logo os bandidos pararam diante da casa grande da Fazenda Morada Nova.

Além do proprietário, na casa estavam sua mulher Raimunda Nonato de Aquino, seu filho Cosme e suas três belas e jovens filhas, Raimunda, Arcanja e Maria. Segundo Sérgio Augusto de Souza Dantas (Lampião no Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada, 1ª edição, págs. 119 e 120), foi exigido alimentos e dinheiro ao dono da Fazenda. Antônio Aquino era um produtor próspero, sendo apontado inclusive como dono de um engenho de açúcar e aguardente.

Diante da beleza das moças, alguns cangaceiros logo se mostraram interessados nas meninas. Sérgio Dantas relatou que Aquino pediu proteção a Lampião, que prontamente refreou os ânimos da cabroeira e o próprio chefe chegou a pedir desculpas ao pai das jovens pela falta cometida pelos seus homens. Após varejarem toda a casa e retirarem o que os interessava, a malta de bandidos seguiu viagem.

A Foto

As senhoras Firmina e Maria Ivaneide comentaram que a passagem do bando causou extrema comoção entre os membros da família Aquino. Todavia, Antônio Januário se sentiu até mesmo com “sorte”, pois, apesar de ter havido perda material com o saque praticado, o fato das suas filhas não haverem sofrido qualquer tipo de violência, principalmente sexual, foi considerado um resultado extremamente fortuito diante da extrema gravidade do problema.

No dia 11 de novembro de 1928, um domingo, quase um ano e meio depois da passagem dos cangaceiros, Antônio Januário reuniu sua família em um estúdio fotográfico de Pau dos Ferros para a realização de um interessante instantâneo. Essa fotografia, que trago com exclusividade e conseguida a partir do material original, possui no verso a seguinte frase “Uma pequena lembrança que ficará para sempre”.

Bando de Lampião, após o ataque a cidade de Mossoró em 1927.

Nela é possível ver Antônio e sua esposa Raimunda sentados em um pequeno sofá de madeira e vime, em uma posse de tranquilo comando de suas vidas e de sua prole familiar, que se encontravam todos presentes. De pé, logo atrás do móvel é possível ver Cosme, tendo a sua direita suas irmãs Maria e Arcanja e ao seu lado esquerdo Raimunda. Essa última e Arcanja trazem dois objetos que escaparam das mãos dos cangaceiros – são dois belos crucifixos com corrente e pedras.

Depois de observar milhares de fotos antigas, ao longo de vários anos de pesquisas, posso comentar que, a exceção de Dona Firmina, todos os outros participantes do instantâneo se vestem com roupas modernas para os padrões sertanejos do interior potiguar da década de 1920. Inclusive suas filhas, onde é possível ver Maria e Arcanja utilizando saias acima do joelho, apesar de estarem com meias. Antônio e Cosme igualmente seguem um padrão de vestimenta masculina bem moderna para a época. Ao olhar detidamente essa foto, vejo o registro de uma família que aparentemente superou o susto causado pelo bando de Lampião.

Violeiros Cantam a História do Assalto

A senhora Ivaneide me comentou em 2010 que nessa propriedade era comum a apresentação de cantadores de viola afamados da região e até de outros estados. Mesmo com o crescimento das bandas de forró eletrônicas, da televisão e outros meios de entretenimento, na época essas cantorias de viola possuíam público cativo na comunidade.

Casa da Fazenda Morada Nova em 2010. Reparem os bancos feitos de troncos de carnaúba, utilizados para a comunidade assistir duelo de cantadores de viola. Ao fundo o maçiço da Serra de Martins – Foto – Rostand Medeiros.

Ela narrou que era praxe as pessoas do lugar transmitirem para os violeiros visitantes os acontecimentos testemunhados pela família Aquino em 1927 e o que eles sabiam do ataque do grupo de cangaceiros a Mossoró. Com isso, solicitava-se que esses artistas transformassem as histórias ouvidas em uma cantoria tipicamente nordestina.

Já as estradas existentes entre as propriedades Caricé e a Fazenda Morada Nova foram sem nenhuma dúvida o pior trecho percorrido para a realização deste trabalho. As maiores dificuldades se encontravam na já rotineira falta de sinalização, mas principalmente no péssimo estado de conservação desses caminhos.

A Fazenda Morada Nova está localizada em um ponto extremamente afastado de áreas urbanas. A cidade de Pau dos Ferros fica a cerca de 24 quilômetros de distância, já a zona urbana de Pilões se encontra a 16 quilômetros e a cidade de Antônio Martins a 19. Entretanto, o melhor acesso utilizado é a partir de Antônio Martins, onde o motorista percorre oito quilômetros de asfalto da rodovia federal BR-226 e depois segue por mais 11 quilômetros de estradas vicinais. Contudo, nesse caso, existe a imprescindível necessidade de contar com a ajuda de uma pessoa da região que conheça o trajeto. Nesse caso eu contei com o apoio do amigo Chagas Cristóvão, da cidade de Antônio Martins.

Junto a Chagas Cristóvão, da cidade de Antônio Martins, na Fazenda Morada Nova.

Atualmente, Pau dos Ferros é a principal cidade da Região do Alto Oeste Potiguar, com uma população acima de 30.000 habitantes, estando a 389 quilômetros de distância de Natal, ocupando uma área de aproximadamente 260 km² e possuindo uma história bem antiga.

Acredita-se que a toponímia Pau dos Ferros foi criada a partir de uma determinada árvore. Essa árvore certamente devia ser um excelente local para repouso e com ótima sombra, onde vaqueiros viajantes, utilizando ferro em brasa, deixavam marcado no seu tronco as marcas do gado sob sua responsabilidade. Em uma época onde as fazendas não tinham arames farpados e o gado era criado solto, essa prática serviu para esses trabalhadores conhecerem as marcas de outras propriedades. Isso tornava mais fácil a identificação dos animais perdidos nos pastos e a realização de troca das reses encontradas. Não é difícil imaginar como essa árvore ficou bem conhecida na região. Logo ao seu redor se fixaram pessoas e isso deu início a uma pequena comunidade. Já sobre a questão da posse da terra, consta que no ano de 1733, por ocasião da morte do Coronel Antônio da Rocha Pita, foi doada a sesmaria de Pau dos Ferros a seus filhos e herdeiros. Um deles, Francisco Marçal, foi a pessoa que mobilizou os que ali viviam para erguer uma capela em 1738. Somente através da Resolução Provincial nº 344, de 4 de setembro de 1856, Pau dos Ferros tornou-se um município, sendo desmembrada da cidade serrana de Portalegre.

Foto – Rostand Medeiros.

Na trajetória do bando em direção a Mossoró, ao se aproximar dos contrafortes da Serra de Martins, o caminho percorrido por Lampião passou onde atualmente estão localizadas as áreas territoriais das cidades de Serrinha dos Pintos, Antônio Martins, Frutuoso Gomes, Lucrécia e Umarizal.

Pescado no Tok de História

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