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quarta-feira, 17 de maio de 2023

FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO

Frederico Pernambucano de Mello nasceu no Recife, em 1947. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife, sua especialização profissional abrange, além do Direito, Administração de Assuntos Culturais. Em 1988, foi eleito para a Academia Pernambucana de Letras (APL).

É membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Foi procurador federal no Recife e, de 1972 a 1987, integrou a equipe do sociólogo Gilberto Freyre na Fundação Joaquim Nabuco, que o reconhecia, já em 1984, como “mestre dos mestres em assuntos de cangaço”. Dentre outros livros, é autor de Guerreiros do Sol – violência e banditismo no Nordeste do Brasil (A Girafa), Estrelas de couro – a estética do cangaço (Escrituras) e A guerra total de Canudos (Escrituras).

https://grupoeditorialglobal.com.br/autores/lista-de-autores/biografia/?id=4433

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COMO ARQUIVO EM NOSSO BLOG - EMPREENDIMENTO ASSAÍ ATACADISTA INICIA CONSTRUÇÃO DE UNIDADE EM MOSSORÓ

 Por Mossoró Notícias

Foto: Célio Duarte

A cidade de Mossoró está prestes a receber um importante empreendimento que promete movimentar a economia local e gerar novas oportunidades de emprego. O Assaí Atacadista confirmou a abertura de uma unidade no município, fortalecendo o setor de atacarejo na região e atraindo investimentos para o comércio. A unidade Mossoró deverá iniciar as operações em outubro deste ano.

 

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, visitou o local onde a construção está em andamento e celebrou o marco simbólico de colocar o primeiro pilar da obra. O Assaí Atacadista tem expectativa de gerar cerca de 400 empregos diretos assim que iniciar suas atividades.

"É importante ressaltar que a unidade do Assaí vai gerar 400 empregos diretos a partir do momento em que começar a funcionar, o que está previsto para o mês de outubro deste ano. O modelo de construção permite que seja desenvolvido com rapidez e qualidade", destacou o prefeito Allyson Bezerra.

Allyson também enfatizou o trabalho realizado pela Prefeitura para viabilizar o investimento do Assaí Atacadista em Mossoró. "A Prefeitura realizou todo o trabalho a partir do momento em que a construtora solicitou o licenciamento da obra. Hoje estamos vendo a obra acontecer e gerar empregos. O investimento do Assaí representa emprego, oportunidade, renda e coloca Mossoró no cenário dos municípios que recebem investimentos do setor de atacarejo", acrescentou o prefeito.

Representando a Construtora Neri Martins, responsável pela obra, Jonas Fiúza destacou o apoio da Prefeitura para a concretização do investimento. "Essa instalação do Assaí Atacadista é importante para Mossoró, mas eu diria que é ainda mais importante para nós que estamos chegando, a construtora e a empresa do setor supermercadista. Mossoró é uma cidade de porte que não poderia ficar de fora. Quando decidimos vir para Mossoró, fomos muito bem recebidos por toda a equipe da Prefeitura, que esteve sempre disponível. Só temos a agradecer e dizer que aqui está nascendo hoje um empreendimento de grande porte, vindo de uma empresa nacional que queria muito estar em Mossoró e agora teve essa oportunidade. Com o apoio de todos, estamos aqui realizando e dando início a esse empreendimento", declarou.

https://mossoronoticias.com.br/cotidiano/assai-atacadista-inicia-construcao-de-unidade-em-mossoro?fbclid=IwAR3WrbmUD4GkCW0rwzmz7aZMpAs2xAGs2ms7dowcw-en6uqxnkXvXvhP2fI

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SOMBRA DA DOR

Autor José Di Rosa Maria


Eis-me aqui, Ser que ergue os que definham

Mais inútil que as mãos que ceifam vidas

À espera de tua piedade,

Dentre as almas que julgam-se perdidas.

A coroa de espinhos que usaste

E a cruz que aos tombos carregaste

Sobre mim são sentenças recaídas.


À espera das carnes que me formam

Há um bojo de cova miserável

Que mil vezes por hora, soma as horas,

Que me restam da vida lastimável.

Mas aos fios da fé eu me conecto

E quem sabe uma chance no conspecto

De quem fez o perdão inabalável.


Somo décadas de horas respiradas

Na cadência dos passos do destino

Pelos ermos de um globo de descasos

Feito sombra da dor de um ser sem tino.

Regalio-me num plano fictício

Retornando ao real vejo o início

De sofrer eu não sei quando termino.


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PROPRIÁ-SE, RECEBEU O CARIRI CANGAÇO EM 2018 !

 Por Manoel Severo

Propriá recebe o Cariri Cangaço !

A cidade de Propriá, uma das mais belas e proeminentes urbes do baixo São Francisco, a 98 quilômetros da capital Aracaju, tem o majestoso rio da integração nacional como seu principal cartão postal e fonte de riqueza,  turismo e inspiração. Ali na manha do último dia 20 de janeiro de 2018, o Cariri Cangaço foi recebido por personalidades do mundo acadêmico e cultural da cidade, numa visita de cortesia e trabalho, que abriu as portas do município para a realização em 2019 de mais um evento com a marca Cariri Cangaço em Sergipe. 

A Caravana Cariri Cangaço com seu curador, Manoel Severo, e ainda Ingrid Rebouças e os Conselheiros Archimedes e Elane Marques, foi anfitrionada pelo produtor cultural, poeta e escritor, Rossi Magne; e a visita contou com entrevista na rádio Propriá FM e uma visita de cortesia ao Prefeito Municipal, senhor Iokanaan Santana.

Manoel Severo e Rossi Mágne na Radio Propriá FM

O primeiro compromisso do Cariri Cangaço em Propriá foi uma extensa entrevista na Radio Propriá FM, onde o curador Manoel Severo ao lado de Ingrid Rebouças, Elane e Archimedes Marques foram recebidos pelo radialista Rossi Mágne. Na oportunidade Manoel Severo ressaltou a grande felicidade de chegar a Propriá, "hoje vivo uma grande emoção, ha muito tempo ansiava vir a bela Propriá e hoje graças ao convite do meu querido amigo Rossi Mágne e com a companhia de Archimedes e Elane pudemos realizar esse sonho, é uma grande honra esta com vocês em Propriá e sem dúvidas essa será a primeira de muitas visitas do Cariri Cangaço"

Por ocasião da visita à Radio Propriá FM, a entrevista de Manoel Severo contou ainda com a presença de representantes do CCP - Centro Cultural de Propriá; professores, Erasmo Rodrigues, Claudomir Tavares  Alberto Amorim, além de Tony Moreno; os quais provocaram ao Cariri Cangaço: "Severo quando vamos ter a honra de ter um Cariri Cangaço em Propriá?" ao que no curador do evento revelou: "Sergipe entra de vez na agenda Cariri Cangaço. Este ano de 2018 em junho chegaremos em grande estilo na querida Poço Redondo, terra de nosso Patrono, Alcino Alves Costa; e sem dúvidas a partir de 2019 é nosso desejo realizamos mais uma edição em Sergipe, dessa vez contemplando com certeza Propriá, podem ficar certos, para isso nossos Conselheiros Archimedes e Elane Marques já estão credenciados para as primeiras conversações nesse sentido". 

Na Propriá FM o CCP - Centro Cultural de Propriá recebe o Cariri Cangaço

O CCP-Centro Cultural de Propriá, foi fundado em 24 de maio de 2010 e reorganizado em 27 de dezembro de 2012. O CCP tem como principais objetivos o estudo, a pesquisa, difusão e intercâmbio cultural, como também a promoção de atividades de fomento ao fortalecimento cultural de Propriá, como o Sarau Cultural, o Café Cultural, a Feira do Mamulengo. É ainda projeto do CCP a fixação de um monumento ao homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga na praça que leva seu nome; aliás a primeira praça no Brasil a homenagear com seu nome o grande rei do baião, Gonzagão.

A bela Propriá no baixo São Francisco, Sergipe.

Propriá guarda uma beleza incomum, suas praças abrigam um conjunto arquitetônico antigo muito belo; o Obelisco, a Igreja Matriz, os casarões, as casas de azulejos portugueses, onde Dom Pedro Segundo dormiu na visita que fez a cidade, enfim. 
Rossi Mágne, Manoel Severo e Erasmo Rodrigues
Rossi Magne e Manoel Severo ao lado do vice-prefeito de Propriá, Hélio Gomes

A visita a Propriá, a partir do convite do confrade Rossi Mágne, estava dentro do projeto de visitar algumas cidades sergipanas para definir o formato de uma edição do Cariri Cangaço em Sergipe no ano de 2019. A ideia é tentar fazer um consórcio entre alguns municípios para a realização dessa edição do ano que vem, unindo cenários do cangaço com cidades históricas de Sergipe.

"Chegaremos aqui em Sergipe ainda em 2018, em junho numa grande festa em Poço Redondo, ao lado dos amigos Rangel Alves da Costa, Maria Oliveira, Manoel Belarmino, Djalma, enfim, mas em 2019 desejamos voltar a Sergipe, daí estarmos levando Severo aos principais cenários ligados ao cangaço, como Propriá, Capela, Dores, Itabaiana, Frei Paulo, enfim, além de cidades históricas como São Cristovão e Laranjeiras, sem dúvidas vamos em 2019 realizar um grande evento em terras sergipanas", revela o Conselheiro Archimedes Marques.
Prefeito Iokannan Santana recebe o Cariri Cangaço em Propriá
Reunião na casa do casal, prefeito Iokannan e  dona Helena Santana na apresentação do Cariri Cangaço que chegará a Propriá em 2019

Outra agenda de nosso momento em Propriá foi a visita realizada a residência do senhor prefeito municipal e sua esposa, o casal, Iokanaan e Helena Santana. Na oportunidade foi apresentado o projeto Cariri Cangaço aos representantes da municipalidade, quando Manoel Severo mostrou as principais linhas do empreendimento.

Prontamente o casal Iokannan Santana  e a professora Helena Santana; ela também membro do Centro Cultural de Propriá; acolheram o empreendimento Cariri Cangaço. "É muito bom e é com muita honra que recebemos o Cariri Cangaço em Propriá, sem dúvidas teremos tempo para nos organizar e realizar um grande evento" revela a professora e primeira dama, Helena Santana.
Manoel Severo, Rossi Mágne e Archimedes Marques
Rossi Mágne recebe da escritora Elane Marques o livro "Sila-do cangaço ao estrelato"
Helena Santana e Ingrid Rebouças

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço
20 de Janeiro de 2018, Propriá-SE

http://cariricangaco.blogspot.com/2018/02/propria-recebe-o-cariri-cangaco.html

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terça-feira, 16 de maio de 2023

POESIA DO GRANDE POETA ANTÔNIO FRANCISCO DE MOSSORÓ- A CASA QUE A FOME MORA


A CASA QUE A FOME MORA


Eu de tanto ouvir falar
Dos danos que a fome faz,
Um dia eu sai atrás
Da casa que ela mora.
Passei mais de uma hora
Rodando numa favela
Por gueto, beco e viela,
Mas voltei desanimado,
Aborrecido e cansado.
Sem ter visto o rosto dela.

Vi a cara da miséria
Zombando da humildade,
Vi a mão da caridade
Num gesto de um mendigo
Que dividiu o abrigo,
A cama e o travesseiro,
Com um velho companheiro
Que estava desempregado,
Vi da fome o resultado,
Mas dela nem o roteiro.

Vi o orgulho ferido
Nos braços da ilusão
Vi pedaços de perdão
Pelos iníquos quebrados,
Vi sonhos despedaçados
Partidos antes da hora,
Vi o amor indo embora,
Vi o tridente da dor,
Mas nem de longe via a cor
Da casa que a fome mora.

Vi num barraco de lona
Um fio de esperança,
Nos olhos de uma criança,
De um pai abandonado,
Primo carnal do pecado,
Irmão dos raios da lua,
Com as costas seminuas
Tatuadas de caliça,
Pedindo um pão de justiça
Do outro lado da rua.

Vi a gula pendurada
No peito da precisão,
Vi a preguiça no chão
Sem ter força de vontade,
Vi o caldo da verdade
Fervendo numa panela
Dizendo: aqui ninguém come!
Ouvi os gritos da fome,
Mas não vi a boca dela.

Passei a noite acordado
Sem saber o que fazer,
Louco, louco pra saber
Onde a fome residia
E por que naquele dia
Ela não foi na favela
E qual o segredo dela,
Quando queria pisava,
Amolecia e Matava
E ninguém matava ela?

No outro dia eu saio
De novo a procura dela,
Mas não naquela favela,
Fui procurar num sobrado
Que tinha do outro lado
Onde morava um sultão.
Quando eu pulei o portão
Eu vi a fome deitada
Em uma rede estirada
No alpendre da mansão.

Eu pensava que a fome
Fosse magricela e feia,
Mas era uma sereia
De corpo espetacular
E quem iria culpar
Aquela linda princesa
De tirar o pão da mesa
Dos subúrbios da cidade
Ou pisar sem piedade
Numa criança indefesa?

Engoli três vezes nada
E perguntei o seu nome
Respondeu-me: sou a fome
Que assola a humanidade,
Ataco vila e cidade,
Deixo o campo moribundo,
Eu não descanso um segundo
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Dos governantes do mundo.

Me alimento das obras
Que são superfaturadas,
Das verbas que são guiadas
Pro bolsos dos marajás
E me escondo por trás
Da fumaça do canhão,
Dos supérfluos da mansão,
Da soma dos desperdícios,
Da queima dos artifícios
Que cega a população

Tenho pavor da justiça
E medo da igualdade,
Me banho na vaidade
Da modelo desnutrida
Da renda mal dividida
Na mão do cheque sem fundo,
Sou pesadelo profundo
Do sonho do boia fria
E almoço todo dia
Nos cinco estrelas do mundo.

Se vocês continuarem
Me caçando nas favelas,
Nos lamaçais das vielas,
Nunca vão me encontrar,
Eu vou continuar
Usando o terno Xadrez,
Metendo a bola da vez,
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Da Burrice de vocês.

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DIA 16 DE MAIO, DIA DO GARI.

 Por José G. Diniz

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MÃE SANTA!

Por Hélio Xaxá


Era o amor encarnado
Poderia eu assim traduzi-la...
Anjo no Céu guardado:
Santa mãe em mim cintila.
Estrela no céu bordado
Somente amor e luz destila
Deus a levou pra seu lado
Jesus está a conduzi-la.
O amor copiou sua face
Vestiu-a de sua bondade
Deu-lhe aparência divina...
Da flor lhe fez o disfarce
No mundo deixa saudade
No Céu é quem mais ilumina.

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MÃE É UM GRÃO QUE PRODUZ...

Por José Di Rosa Maria


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O VERDADEIRO ASSASSINO DE LAMPIÃO E OUTRAS DESCOBERTAS

Por Ramon Ribeiro - Repórter
Acervo Pessoal = Frederico Pernambucano de Mello com o soldado Sandes. Um encontro em Pedra Velha, Alagoas, provocou a reviravolta no caso de Lampião

Uma das maiores autoridades em assuntos de cangaço, o historiador Frederico Pernambucano de Mello foi pego de surpresa ao ouvir a voz grave no telefone: “Frederico, há muito tempo que você tenta falar comigo. Estou indo a Pedra Velha, em Delmiro Gouveia [Alagoas], me despedir da família. Estarei à disposição. Tenho fatos que nunca contei a ninguém e que não quero levar para o túmulo”. Era dezembro de 2003. O historiador foi ao encontro do sujeito em Pedra Velha e gravou horas e horas de entrevista. No mês seguinte o sujeito morre. Havia sido diagnosticado com aneurisma inoperável. Seu nome é Sebastião Vieira Sandes, o verdadeiro assassino de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

“Lampião não morreu em combate. E quem atirou nele não foi o Honorato, como divulgaram os jornais da época. Foi o Sandes, com apenas um tiro que acertou a região umbilical. Depois desse disparo que o confronto de 20 minutos entre os cangaceiros e a Força Volante de Alagoas começa”, conta Frederico em entrevista ao VIVER. “Quem também corta a cabeça de Lampião é o Sandes. Ele encontra o corpo com as vísceras de fora. A bala triscou o punhal da cintura e rasgou o abdômen de Lampião. Com base no relato do Sandes fui atrás de um perito que analisou o punhal de Lampião e pudemos comprovar as informações”.

Frederico é o autor de “Apagando Lampião - Vida e Morte do Rei do Cangaço” (Global Editora), biografia lançada no início de dezembro, 80 anos depois da morte de Virgulino. A obra, que renova a historiografia do cangaço ao desatar vários nós da trajetória daquele que é um dos personagens mais emblemáticos da história do país, já caminha para uma segunda tiragem, o que demonstra que o tema ainda desperta a curiosidade da população.

Em sua pesquisa que durou décadas, Frederico reuniu raro material de documentos escritos, fotos inéditas e entrevistas orais, tudo para trazer detalhes, resgatar personagens até então pouco abordados, comprovar fatos, contextualizar situações. Segundo o autor, a biografia não propôs a reproduzir o que já foi dito. Nesse caso, o livro inova em quatro questões: a origem da intriga da família de Lampião com a de Saturnino Pereira, a fuga para Bahia, a ida para Minas Gerais e as circunstâncias da morte de Virgulino.

“O cangaço é a mitologia mais forte que o Brasil possui. Tem uma base real, concreta, e é recente, está quase ao alcance da mão. É das manifestações que forma uma cultura, com dança, vestimenta, técnicas de batalha. Tem a força do faroeste americano”, comenta o historiador, autor, dentre outros livros, de “Guerreiros do Sol - violência e banditismo no Nordeste do Brasil”, “Estrelas de couro - a estética do cangaço” e “A guerra total de Canudos”.

Sobre o Sebastião Vieira Sandes, personagem dessa história, Frederico o descreve como uma figura curiosa. “Coiteiro, ficou muito próximo de Lampião e Maria Bonita, que o tinham quase como afilhado e o chamavam de ‘Galeguinho’. Mas em 1937 ele acabou preso. Normalmente os coiteiros capturados acabavam mortos. Mas um fazendeiro interviu na situação. Para continuar vivo, Sandes se viu obrigado a ajudar a Força Volante. Foi amarrado com a tropa até onde o bando estava escondido. E chegando lá, recebeu a ordem para atirar.”

Nesta entrevista, o autor detalha a construção dessa história:

Por que a identidade do verdadeiro assassino levou tanto tempo para ser revelada?

Sandes tinha 22 anos quando matou Lampião. Ouviu o conselho dos mais experientes de não cair na besteira de dizer que foi ele e assim ficou calado. Se sabia que haveria vingança. O Honorato, que afirmou para os jornais que de fato foi ele o autor do disparo em Lampião, depois acabou morto, em 1962. Então o Sandes preferiu se preservar. Nas minhas entrevistas com coronéis, coiteiros, cheguei a informação de que talvez o Honorato não tenha sido o autor do disparo. Descobrir que além do Honorato tinham outros homens na função de guarda-costas do aspirante Francisco Ferreira de Melo. Soube do paradeiro do Sebastião em 1978, em Maceió. Tentei vários anos uma conversa com ele. Mas os parentes sempre diziam que ele não quer falar sobre o assunto, porque era sobrinho da baronesa de Água Branca e que era por isso era melhor ter esquecido a história do cangaço. Depois Sandes foi pra São Paulo. Tentei novamente falar com ele. O que me disseram é que ela mandou avisar que se um dia vier a tocar no assunto, eu seria a pessoa a quem ele revelaria tudo que sabe. Em 2003 veio o telefonema.

Que outra novidade o livro apresenta sobre a história de Lampião?

A relação de Lampião com Minas Gerais. Lampião era profundamente cerebral. Não andava à toa. investiga seus percursos, cheguei a fatos de Minas. Passei um mês lá ouvindo pessoas de muita idade. Descobri o motivo de sua ida a Minas. Um coronel que havia perdido o poder para outra família, estava querendo recuperar o prestígio, então entrou em contato com Lampião. Atraiu ele pra cidade para desgastar seu oponente político. Ia fechar os olhos para as atrocidades do bando. E Lampião estava interessado no ouro. Ele queria conseguir mais armamentos.

Como o bando de Lampião conseguiu durar tanto tempo?

O bando de Lampião movimentou muito dinheiro. Tinha ouro até na coleira dos cachorros. Era uma figura muito inteligente, estratégica, política, desenvolveu técnicas de ataque. A gente brinca que o Lampião criou o Cangaço S.A. Existiam pelo nordeste 10 subgrupos subordinados a Lampião, mas com relativa autonomia. Era o que podemos chamar de franquias.

A que se deve o surgimento do cangaço?

O cangaço nasceu com a colonização. A origem do cangaço está nos levantes indígenas, nos quilombos e nas revoltas sociais, como Canudos. O cangaço é irmão desses três levantes, mas com arma na mão. Infelizmente o tema sempre foi pouco explorado pela academia. Quando comecei a pesquisar o cangaço os professores consideravam um tema de página policial. Enquanto isso, entre 1951 e 1958, Portinari pintava sua famosa série “Cangaceiros”. Essas pinturas estão espalhadas pelo mundo. Pra você ter ideia, o filme mais premiado fora do Brasil é o “Cangaceiros”, de 1963, do Lima Barreto. O tema foi muito discutido na Europa, foi interpretado de modo ideologizado Aparece no filme “Deus e o Diabo na Terra do Som”, de Glauber Rocha. Aparece também na literatura, em livros de José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Rachel de Queiroz.

Coloborou Cinthia Lopes (editora do Viver).

http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/o-verdadeiro-assassino-de-lampia-o-e-outras-descobertas/434014

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A MORTE DE LAMPIÃO DISSECADA POR FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO

 

Frederico Pernambucano de Melo

Em 'Apagando o Lampião', o historiador traz dados novos sobre quem teria matado o mais famoso cangaceiro

Em alguns de seus campos, a história pode se parecer bastante com uma investigação. Desde 1970, o historiador Frederico Pernambucano de Mello tentava arranjar meios de averiguar uma informação que tinha chegado até ele – a de que Antônio Honorato da Silva, o Honoratinho, não era o verdadeiro responsável por matar o cangaceiro Lampião durante um tiroteio em 1938. O autor do disparo fatal, segundo testemunhas, teria sido um outro guarda-costa do aspirante Francisco Ferreira da Silva, que teria ficado oculto. Então, a partir de 1978, Frederico começou a tentar entrevistar um companheiro dele, Sebastião Vieira Sandes, o Santo, que se recusava a falar sobre o assunto.

Quando visitava Alagoas, o historiador deixava sempre um recado, com esperança de uma resposta. O máximo que recebeu, através de um parente de Sandes, foi uma recusa educada e uma garantia de que, se um dia o ex-soldado aceitasse falar sobre o assunto, o procuraria. Esse dia só veio 25 anos depois, quando Frederico já quase não alimentava expectativas. A paciência, ainda mais na história, é muita vezes recompensadora, e a conversa com Sandes gerou uma das principais revelações do novo livro do autor, Apagando o Lampião: Vida e Morte do Rei do Cangaço (Global), que vai ser apresentado na próxima segunda (26), com uma palestra, às 15h, e o lançamento do livro, às 17h, na Academia Pernambucana de Letras.

Uma das principais autoridades no cangaço no Brasil, Frederico é autor de títulos como Guerreiros do Sol e A Estética do Cangaço. Em Apagando o Lampião, o foco é na morte do principal líder do banditismo no Nordeste, que, na prática, começou a decretar o fim definitivo do cangaço na região. Mais do que analisar e narrar o assassinato de Virgulino Ferreira da Silva, o historiador traz novas hipóteses e dados, defendendo que foi outro o autor do disparo fatal que vitimou o companheiro de Maria Bonita.

Quando recebeu uma ligação de São Paulo, em 2003, com um homem com voz grossa dizendo que se chamava Sebastião Vieira Sandes, Frederico tinha a certeza que se tratava de um trote feito por um amigo que conhecia a sua busca. Não era. “Ele dizia que tinha um aneurisma inoperável, que ia para Alagoas se despedir de parte da sua família e que estava finalmente disponível para falar. Fui encontrá-lo e gravei com ele de 8 a 12 de dezembro”, conta o autor.

Na conversa, Sandes confirmou que, quando tinha 22 anos, foi o responsável por desferir o tiro que matou Lampião. Não assumiu a responsabilidade por ordem de seu superior, que sabia dos amigos poderosos do cangaceiro e do risco de vinganças e não queria um rapaz novo na mira de assassinos. O temor era real: Honoratinho, que assumiu o feito e chegou a dar entrevistas anos depois sobre o assunto, terminou assassinado em 1968 quando saía de casa.

Se a conversa com Sandes aconteceu em 2003, porque o livro só é publicado agora? Frederico explica: “Sou um historiador muito cauteloso. Tiro até o relógio para trabalhar, porque não gosto da pressão do tempo. Tento investigar tudo. Para o historiador, como para a polícia, a confissão não é tudo. Esperei para escrever porque fui atrás de outros elementos – só concluí o livro quando pude escrevê-lo com toda segurança”, afirma o autor.

Um dos elementos foi uma perícia balística. Segundo o relato de Honoratinho, o tiro que matou Lampião teria vindo de baixo para cima. No testemunho de Sandes, colhido por Frederico, o disparo havia sido feito no sentido oposto, descendente. Para comparar as versões, o historiador mandou as fotos do punhal do cangaceiro, que foi atingido pelo tiro, para o perito Eduardo Makoto Sato, da Polícia Federal. “Ele aplicou o escaner digital que eles têm e chegou à conclusão que o tiro foi dado em sentido descendente entre 30 e 38 graus de inclinação”, revela. A avaliação ajudava a comprovar o relato de Sandes.

Outros elementos também foram investigados, ajudando Frederico a formar sua convicção de que a narrativa do guarda-costa mais novo. O historiador conta que, desde a publicação do livro, surgiram alguns textos que discordam da sua conclusão. “Mas não houve uma confrontação direta dos dados, porque o estudo é muito denso”, pondera. “O trabalho do historiador não difere muito do de um delegado de polícia: se há algo incoerente, você não avança. Avancei porque não havia. Se alguém quiser impugnar mais adiante, será preciso apresentar também fatos.”

INÍCIO E FIM

Apagando o Lampião também traz outros avanços relevantes para quem estuda o cangaço. Frederico aborda, por exemplo, o fato que teria levado Lampião a abraçar o banditismo, também alvo de controvérsia. “Em 1970, eu gravei em Serra Talhada com o indivíduo que era declarado por Lampião como seu maior inimigo, José Saturnino. Eu tive que me cercar de pessoas conhecidas dele, porque ele já havia mandado muitos pesquisadores voltarem. Ele me revelou que foi a partir do seu primeiro conflito com Lampião e os irmãos que a aventura de Virgulino com o cangaço começou. O irmão saiu baleado nas nádegas do encontro. Outros pesquisadores apontam outros fatos inaugurais que levaram Lampião para esse caminho, mas as versões não coincidem com o relato de Saturnino”, indica.

O livro também revela ainda mais sobre a relação de Lampião com o estado e os poderosos. “A razão, secreta até hoje, para a ida de Lampião para a Bahia, atravessando o São Francisco, foi um acordo feito com a polícia pernambucana através de um primo legítimo seu”, aponta Frederico. Chefe de polícia local, Eurico de Souza Leão mandou pelo parente do cangaceiro o recado para que ele se rendesse ou atravessasse a fronteira e não voltasse. Após uma derrota mais grave em Mossoró, Lampião resolveu ganhar uma sobrevida no banditismo partindo para Bahia em 1928, levando todo dinheiro e ouro que acumulou ao longo de anos.

Outro dado que o livro – também recheado da poesia popular e da cantoria, fonte importante sobre os eventos do período – atesta é o plano de Virgulino de partir para Minas Gerais. O projeto, não realizado, havia surgido de um convite de Farnese Dias Maciel, irmão do então governador do estado, que queria que o cangaceiro combatesse a família Borges, sua inimiga. “Ao morrer, ele morre sonhando com Minas Gerais”, conta Frederico.

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