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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

A SUPOSTA MORTE DE EZEQUIEL FERREIRA E O SURGIMENTO DO TERRÍVEL CANGACEIRO PANCADA

 Por Cangaço Eterno

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O CANGACEIRO CANCÃO.

Por Helton Araújo

Sebastião Valério da Silva, vulgo Cancão. O ódio irradiando no olhar.

Fonte : Revista O Malho
Edição : Helton Araújo

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AMÉLIA VALENTONA

Por Wanessa Campos

Sertaneja e paraibana, separada do marido, e sem condições de sobrevivência, Amélia mudou de cidade e foi para um bordel. Bonita e jovem conseguiu uma boa clientela. O cangaceiro Serrote foi expulso do Bando de Corisco deu-lhe uma surra e jurou matá-la se a encontrasse na rua. Cinco dias depois eles se cruzaram num beco. Serrote a agrediu com um pau batendo na sua cabeça. Amélia agiu rápido e sacou um punhal acertando o coração de Serrote, Foi a primeira mulher a matar um cangaceiro. Detalhes em www.mulheresdocangaco.om.b

https://www.facebook.com/groups/179428208932798

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TRAJETÓRIA DO PALÁCIO AO LEITÃO

Por Cangaço em Fogo

 https://www.youtube.com/watch?v=X1UDE0BJ1lM&ab_channel=CANGA%C3%87OEMFOCO

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FAMÍLIA DE LAMPIÃO

Por Helton Araújo

A família de Lampião em Juazeiro do Norte, Ceará, no ano de 1926. Dos irmãos de Lampião, não se fazem presentes na fotografia, apenas Levino Ferreira, vulgo Vassoura, morto em 1925 e Virtuosa Ferreira ( não se sabe o motivo ao certo de ela não está presente ), nesse mesmo ano de 1926, morreria vítima da peste bubônica, Angélica Ferreira ( mulher de Vírgino Fortunato ) e Antônio Ferreira, vulgo Esperança, irmão mais velho de Lampião.

Obs : Onde está identificado como Zé Paulo, pode ser Domingos Paulo, alguns pesquisadores divergem quanto a isso.
Obs : Uma linha de pesquisa diz que Virtuosa Ferreira também já era falecida em 1926.
Foto : Lauro Cabral
Edição : @heltonaraujo9
Não esqueçam do like cabroeira !
Sugestão de vídeo : Conheça que fim levou a família de Lampião. Segue o link abaixo
👇
Se assistirem desculpe a dicção, há 3 anos atrás estava aprendendo a narrar.

https://www.facebook.com/photo?fbid=386648967178811&set=gm.902196441567845&idorvanity=414354543685373

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LAMPIÃO EM 1926.

 Por Luiz Ruben F. de A. Bonfim.

Introdução:


Virgulino Ferreira da Silva, de alcunha Lampião, foi o cangaceiro mais conhecido do Brasil, sendo a partir de 1926, oficialmente, capitão do batalhão patriótico, e ainda, segundo a imprensa “uma revivescência cabocla de Átila”, ou “Lampeão o Átila sertanejo”, ou ainda, “O Imperador dos Sertões. Esse ano foi sem dúvida muito especial para consolidação de sua fama. Era o seu sétimo ano de banditismo sendo o quinto como chefe de bando.

Apresento neste trabalho a transcrição de matérias dos jornais publicadas no ano de 1926, em que Lampião, com seus companheiros de armas, foi protagonista das notícias ligadas a sua atuação nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Ceará.

Não faço afirmações nem análise, apenas coloco à disposição dos pesquisadores e estudiosos, os fatos como eles foram divulgados na época em que aconteceram. Faço somente a atualização dos nomes das cidades na época relacionada ao ano de 1926: Vila Bela, hoje Serra Talhada-PE, Paulo Afonso, atual Mata Grande-AL, Meirim, atual Ibimirim-PE, Leopoldina, atual Parnamirim-PE, povoado Nazaré ou Carqueja, atual Nazaré do Pico, Floresta-PE, Alagoa de Baixo, atual Sertania-PE.

A iconografia deste trabalho está restrita ao ano de 1926, com algumas exceções para enriquecer as transcrições que seguem em ordem cronológica, mas, os jornais não cumprem nenhuma prioridade geográfica, sendo o critério utilizado na pesquisa, o tratamento jornalístico por cada órgão noticioso, mês a mês. Observem que a imprensa apresenta o nome Lampeão sempre grafado com “e”, mas, em novembro de 1926 o Jornal Pequeno grafou com “i”, foi um fato isolado e mesmo depois vemos sempre a palavra escrita com “e”, Lampeão.

As matérias mostram a efervescência política do momento, com discussões e opiniões, cartas de leitores, com denúncias que retratam a genuína preocupação dos habitantes daquelas paragens, para que os jornais divulguem os tormentos passados, nas diversas localidades de ação dos cangaceiros, instigando o poder público, cobrando uma ação mais efetiva. Fica claro também a preocupação do estado na luta contra o banditismo, apresentando os telegramas trocados pelas autoridades, as justificativas pela demora em conter o bando de Lampeão .... 

A imprensa oposicionista denuncia o governador de Pernambuco que proíbe a divulgação dos telegramas informando a atuação dos cangaceiros no interior do estado.

As primeiras medidas tomadas pelo governador Estácio Coimbra ao assumir o governo de Pernambuco, conjuntamente com o governador de Alagoas, senhor Costa Rego, foi ordenar a prisão dos proprietários sertanejos que protegiam o bando de Lampião, isto em dezembro de 1926.

Um ano em que o próprio congresso nacional sediado na época, no Rio de Janeiro, que era a capital do Brasil, através de seu representante se dedicou nas sessões legislativas para tratar do legalismo em que Lampião foi levado, através das articulações do padre Cícero, prefeito de Juazeiro do Norte, e Floro Bartolomeu deputado federal pelo Ceará, na luta do governo de Artur Bernardes contra o movimento tenentista e sua coluna denominada de Prestes e Miguel Costa.

A imprensa fala sempre das correrias do bando de Lampião e que ele não enfrenta a polícia. Veja o que o Dr. Atualpa Barbosa Lima, então um conhecido político cearense, que esteve na região do Cariri responde ao redator do Correio do Ceará, sobre essa questão. Segundo o Dr. o irmão de Lampeão teria lhe dito “primeiro porque não tem interesse em matar soldados, pois o governo tem muitos para substituir os que morrem, segundo porque gastam inutilmente a sua munição, terceiro porque se desviam dos seus fins, que é para matar e roubar a quem tem dinheiro e joias, quarto porque arrisca a pele sem proveito. Brigamos, em último caso, quando não há meio de escapulir, aliás, o segredo de nossa vitória está em que sabemos brigar e fugir na ocasião precisa. Achamos sempre melhor correr, do que brigar, e quem sabe correr raramente morre”. Nessa entrevista o Dr Atualpa faz declarações de fatos que ainda não foram confirmados.

Para aqueles que duvidam da liderança de Lampião com seus cabras, leiam neste trabalho o trecho do jornal quando o caixeiro da Standard Oil Company fez o pedido para que o cabra de Lampião devolvesse a sua aliança de casamento.

Em outubro de 1926 aparece a notícia de “Lampeão, o Bonelli Brasileiro”, talvez a primeira tentativa de publicação de um livro sobre Lampião. Ao que parece não foi publicado.

Interessante também a entrevista do professor Lourenço Filho, importante figura nacional, sobre o lançamento de seu livro “Juazeiro do Padre Cícero”, onde ele aborda as relações do padre com o cangaço.

Acrescentei uma matéria de setembro de 1933, para enriquecer um fato relevante acontecido em 1926. Trata-se da entrevista feita com Pedro de Albuquerque Uchoa, “ajudante de inspetor agrícola no Juazeiro”, sobre sua participação no episódio da lavratura da patente de capitão do batalhão patriótico do Juazeiro a Lampião e de tenente ao seu irmão Antônio Ferreira.

Estive na capital de São Paulo cerca de 10 vezes, tendo sido hóspede do mestre Antonio Amaury. Nas nossas longas conversas sobre o cangaço, fiz-lhe inúmeras perguntas e ele me respondeu todas. Certa vez perguntei ao mestre quem estava com o padre Cícero e Lampião quando este recebeu a patente de capitão do batalhão patriótico do Juazeiro do Norte. Eis a resposta: - eu entrevistei João Ferreira, irmão de Lampião testemunha ocular do fato, que estava acompanhado de sua esposa Joaninha, ele já um homem feito, com 22 anos de idade. Sobre os presentes no local ele me falou que recordava que estavam presentes no recinto no momento em que Pedro de Albuquerque Uchoa escrevia as patentes: ‘além de Lampião e Padre Cícero, Benjamim Abrahão, meu irmão Antônio Ferreira, Sabino, Luiz Pedro’, e lembrou-se que João Ferreira pouco depois cita Zabelê, além de uma quantidade não contada de outros cangaceiros no recinto.

A data da morte de Antônio Ferreira, sempre me causou dúvidas, pois pesquisadores escreviam que foi em janeiro de 1927, mas, nas minhas pesquisas a imprensa informava que o fato ocorreu entre 10 e 15 de dezembro de 1926. Vejam na matéria do Jornal do Recife de quinta-feira, 16 de dezembro de 1926: “Corre com insistência, aliás, com algum fundamento, pelo sertão, que o célebre bandoleiro Antônio Ferreira, irmão e ‘lugar tenente’ do bando chefiado por Lampião foi morto em dia da semana passada, nas imediações do lugar Poço do Ferro, do município de Tacaratú.” Esse jornal publicou com detalhes, inclusive o acidente com Luiz Pedro. Já o Diário de Pernambuco do dia 18 de dezembro publica que foi uma luta travada com a polícia no município de Floresta, dias depois, essa mesmo jornal repete a versão do Jornal de Recife.

Nesses anos todos de pesquisa em jornais e outros documentos, observei que nunca foi consenso a quantidade de cangaceiros divulgada pela imprensa ao longo do ano de1926, que variava entre 49 e 200 homens.

Surpreendeu-me a diferença dada a fatos como a batalha de Serra Grande, e o sequestro praticado por Lampião, do representante da Souza Cruz e Standard Oil Company, ocorridos na mesma semana. A batalha foi pouco explorada e divulgada, no entanto, o sequestro foi muito bem documentado, com entrevistas e matérias de vários jornais. 

Alguns fatos que foram publicados no período proposto por esse trabalho não foram destacados, embora tenham a mesma importância dos que foram aqui lembrados.

Boa leitura

Luiz Ruben F. de A. Bonfim

Economista e Turismólogo - Pesquisador de Cangaço e Ferrovia

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15 DE JANEIRO - ANIVERSÁRIO DE JOÃO MOSSORÓ

Por José Mendes Pereira

A foto pertence ao acervo do pesquisador e historiador Edvaldo Morais. -  (Ao centro neste registro fotográfico).

Hoje é o aniversário do cantor João Batista de Almeida Lopes (João Mossoró), ex-componente do antigo Trio Mossoró, que por muitos e muitos anos, levou a cultura do Brasil nordeste, e principalmente da nossa cidade Mossoró, no Rio Grande do Norte. 

Kydelmir Dantas.

Conheci o João Mossoró no ano de 2012, quando de sua visita à minha casinhola, através do professor, escritor, poeta, pesquisador do cangaço, de Luiz Gonzaga e do antigo Trio Mossoró, e desde de 2012, somos amigos. Ele reside no Rio de Janeiro e faz show todo início do mês no Mercadão Cadeg do Rio.

O CANTOR JOÃO MOSSORÓ FAZ SHOW NO PRIMEIRO SÁBADO DE CADA MÊS, NO RIO DE JANEIRO, NO MERCADÃO CADEG


Você que é nordestino, principalmente de Mossoró, ou de outra cidade do Rio Grande do Norte,  e mora no Rio de Janeiro, ou apenas paciando, prestigie o artista, participando do seu show.

Edvaldo Morais e eu, parabenizamos ao famoso cantor João Mossoró por mais uma data natalícia. Os irmãos juntos, João Mossoró, Oséas Lopes o atual Carlos André, e Hermelinda Lopes, (ela in memorian), fizeram do Trio Mossoró uma extensão da nossa cultura pelo Brasil afora. 

FELIZ ANIVERSÁRIO, JOÃO MOSSORÓ!

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segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

A NOVIÇA REBELDE. - CD COMPLETO DE 2008.

Hoje à noite fica com A Noviça Rebelde.

https://www.youtube.com/watch?v=AdT9z8KsMm4&ab_channel=Jaffer%21

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TUDO COMEÇOU EM MOSSORÓ.

 Por Tomislav R. Femenick


Em janeiro de 2011, publiquei a a matéria abaixo em vários jornais do país e do Estado, sendo reproduzida em outras tantas páginas na web.

O Globo. Rio de Janeiro, 05 jan. 2011.
O Jornal de Hoje. Natal, 03 jan. 2011.
Gazeta do Oeste. Mossoró, 05 jan. 2011.
Jornal do Brasil (Brasil Wiki). Rio de Janeiro, 07 jan. 2011.~

Dizem que nós, os filhos do “país de Mossoró”, somos extremamente bairristas e há até os que pensam que, além disso, somos metidos; queremos ser mais do que somos. É uma tremenda inverdade e injustiça que fazem com os que nasceram na terra de Santa Luzia de Mossoró, assim como eu. Vejamos um fato concreto: a eleição de Dilma Rousseff para presidente da República e sua posse no último dia primeiro. Há dois aspectos a considerar. Primeiro não votei nela, até porque concordo com seu aliado, o piroquete, irrequieto e agitado Ciro Gomes: o José Serra é muito mais capaz e preparado para dirigir o Brasil. Depois os votos mossoroenses não eram suficientes para leva-la ao Palácio do Planalto.

Apesar de todas essas considerações, repito o título deste artigo: tudo começou em Mossoró. A base foi a Lei Estadual nº 660, de 25 de outubro de 1927, que fez do Rio Grande do Norte o primeiro a estender o direito do voto às mulheres. Um mês depois, no dia 25 de novembro de 1927, o nome de Celina Guimarães Vianna, foi incluído na lista de eleitores da Cidade de Mossoró. O acontecimento teve repercussão até no exterior, pois ela não somente era a primeira eleitora do Brasil, mas, também, da primeira eleitora da América do Sul.

Desde o início do século passado que as mulheres lutavam para conquistar o direito do voto. Muitas combateram essa luta democrática, muitas enfrentaram resistências veladas, grosseiras e até ataques físicos. Talvez por isso, após conquistar o seu status de eleitora Celina, que até então não tivera nenhuma atuação política, passou a fazer proselitismo pela participação da mulher nas escolhas eleitorais. Ao receber a confirmação de sua inscrição eleitoral, Celina telegrafou ao presidente do Senado Federal requerendo que todas as mulheres tivessem o mesmo direito. Elaborou um panfleto e o distribuiu na cidade, convocando todas as mulheres para que fizessem suas inscrições no cartório eleitoral e para que votarem, fazendo ver que tal ação contribuía para o progresso da cidade, do Estado e do país.


Celina Guimarães era filha de José Eustáquio de Amorim Guimarães e Eliza de Amorim Guimarães. Nasceu em 1890 em Natal, onde estudou e concluiu o curso de professorado na Escola Normal, onde conheceu Elyseu de Oliveira Viana, um jovem estudante – mas tarde advogado e também professor –, com quem se casou. Mudou-se para Mossoró em 1914. Como educadora, utilizava o teatro como forma de despertar o interesse dos alunos (como substituto da palmatória, instrumento de uso generalizado na época). Ela mesma redigia e dirigia as peças, desenhava e criava os figurinos. “Por essa e outras iniciativas pedagógicas, Celina foi incluída no Livro de Honra da Instrução Pública, um reconhecimento pelos bons serviços prestados ao Estado” – diz Semira Adler Vainsencher, pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco, do Recife.

Nós mossoroenses somos acostumados com as mulheres na política, quer nos bastidores, quer na linha de frente. Há quase quinze anos o “o país de Mossoró” é dirigido por prefeitas. Há oito anos o Rio Grande do Norte é dirigido por uma mulher, Wilma de Faria, uma mossoroense. Agora vai ser governado por outra mulher, Rosalba Ciarline, também mossoroense, que já foi prefeita de nossa cidade e senadora da República. A cidade de Natal é dirigida por uma prefeita, assim como várias outras do interior.

Dilma não é mossoroense nem norte-rio-grandense. Mas para chegar lá, foi preciso que dona Celina Guimarães Viana lutasse a luta que ela lutou, em nome de todas as mulheres brasileiras.

O jornal o Globo publicou este artigo com o título “Mulheres dominam a política do Rio Grande do Norte”.

Fonte: facebook

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PERSONAGEM DE UMA VIDA FRUTÍFERA (CONSIDERAÇÕES DE UM AMIGO SOBRE A BIOGRAFIA DE ALCINO)

 Por Antonio José de Oliveira*

 
Comentar o livro TODO O SERTÃO NUM SÓ CORAÇÃO - Vida e obra de Alcino Alves Costa, é de indubitável facilidade. Isto porque, o ilustre e experiente escritor Rangel Alves Costa, transmitiu para seus leitores todo o percurso da vida do mestre Alcino, numa didática completamente compreensível para todas as classes que amam a leitura.

"Fico a pensar como seria o sertão nordestino se Deus não tivesse nos presenteado com Alcino Alves Costa. Com certeza seria imensamente pobre, além de menos conhecido". Estas são as palavras do Psicólogo e Pesquisador Júlio Cesar Ischiara. 


Concordo plenamente com o nobre pesquisador Ischiara: Alcino, com o excelente desenvolvimento da sua inteligência, proporcionou e legou imensa riqueza para nós, pesquisadores, para sua querida gente de Poço Redondo, e para a Sociedade nordestina e brasileira.


O mestre Alcino não foi apenas um profícuo pesquisador e escritor, mas, foi muito além: Poeta, compositor, radialista, político competente, e enfim - um grande amigo. E, ainda fazendo minhas as palavras do Dr. Julio Ischiara, devo dizer: O mestre Alcino deixou muita saudade.

Mas, como descrever algo sobre o livro de autoria de Rangel, sem fazer alusão às primeiras páginas do mesmo, na introdução do Delegado e Escritor Arquimedes Marques com a sua experiência de longos anos na escrivaninha de um gabinete de delegacia de polícia e mesmo no silêncio do escritório de sua residência, dando vida às ideias dos seus escritos, sejam artigos ou livros.
 

Arquimedes fala da sua honrosa incumbência em elaborar a introdução de uma biografia tão merecida de um personagem que fez história, numa trajetória de bem vividos SETENTA E DOIS ANOS neste Planeta Terra, logo que, vivo ele continua em outra Esfera de vida.

Arquimedes fala: "A história do pai contada pelo filho é uma história real". E, "Quem herda não furta", são ainda suas palavras sobre a dupla de poetas: Rangel (filho); Alcino (pai).

 Kiko Monteiro, Alcino Alves Costa e Rangel Alves da Costa

Quando leio os escritos do Dr. Rangel, muitas vezes me confundo, pensando que estou lendo ALCINO, pela grande semelhança do poeta e escritor pai, com o poeta e escritor filho.

Na introdução, o Dr. Arquimedes começa fazendo um relato dos grandes feitos da vida do seu amigo Alcino, e, o autor do livro não oculta nada da trajetória do biografado, nem mesmo ter sido Alcino, sobrinho do ex-cangaceiro Zabelê, que, após abandonar o cangaço, aquele "pássaro" levantou asas em direção a terras desconhecidas, onde nunca mais a família teve notícias do seu paradeiro.

O amigo Alcino, (gestor do seu município por três vezes), veio a ser, salvo melhor juízo, o mais novo prefeito da sua terra nos tempos passados: Aos 26 anos, eleito Prefeito de Poço Redondo; novamente aos 32 anos; depois, aos 42 anos. Comprovação que soube fazer uma grande administração.

Outra coisa que admiro em Alcino: Possuindo apenas o curso primário, deixou um grande legado de produções, e teve o cuidado e a responsabilidade de formar médicos, advogado e engenheiro, alguns dos seus filhos, inclusive o autor desta grande obra - Advogado Rangel Alves Costa.

Abraços para o amigo Rangel, na passagem de um ano da transferência de seu pai para Eternidade. 

Antonio José de Oliveira - Povoado Bela Vista - Serrinha/BA.

23 de novembro de 2013

NOTA DO AUTOR DA BIOGRAFIA




Antonio Oliveira se fez amigo sem a necessidade de estar presente. Lá, de sua Serrinha, no Povoado Bela Vista, alçou voo até as terras sergipanas como numa proeza descomunal do destino. 

Homem de formações outras, desde especialidades em saúde pública aos conceitos teológicos, é também um apaixonado pela história sertaneja e pelas suas vinditas de fogo e sangue, principalmente no que se refere ao fenômeno cangaço e seu representante maior. A esse respeito nos deve um opúsculo em construção. 

Pois bem. Lá das terras baianas o grande pássaro lançou seu olhar mais adiante e veio cortando nuvens até chegar aos esturricamentos sertanejos, paisagem e chão de Alcino, naquele Poço Redondo que hoje vive com saudades. Apreciador da obra do Caipira de Poço Redondo, encontrou no seu filho o diálogo de outras sertanejices.

E se fez um companheiro inseparável deste coito virtual, comentando as publicações, opinando sobre os escritos, participando da estrada sertaneja que vai sendo aberta. E mais: quando soube que a biografia de Alcino estava pronta para ser publicada, logo se predispôs a ajudar no que fosse possível.

E ajudou. O seu nome consta no livro como reconhecimento. Portanto, Antonio Oliveira, se fiz com que a história do Caipira fosse perpetuada, escrevendo a sua biografia, de pouca valia teria se alguns bons amigos não se dispusessem a apoiar a publicação. E quando gritei você respondeu. Obrigado mesmo.

Rangel Alves da Costa

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MAJOR ROMÃO FILGUEIRA - 16 DE NOVEMBRO DE 2014

 Por Geraldo Maia do Nascimento


Alto, ossudo, dinâmico e valente. Foi uma das figuras marcantes na vida social e política de Mossoró. Era querido e respeitado. De memória prodigiosa, “conhecia como ninguém o passado mossoroense, cujos relatos, dias distantes, datas e localizações, repetia com o poder de sua extraordinária memória, que tornava sua conversa um centro de interesse e permanentes atrações”, nas palavras do memorialista Raimundo Nonato. Essa é a descrição que encontramos da figura de Romão Filgueira.


Francisco Romão Filgueira nasceu em Mossoró/RN a 09 de agosto de 1860, sendo filho legítimo de Antônio Filgueira Secundes e D. Maria Emília de Souza.
               
Muito jovem iniciou-se na vida prática com uma mercearia no mercado. Depois, fiscal da Câmara até 1880. Viajante comercial entre Mossoró e Recife. Encarregado das salinas de Alexandre de Souza Nogueira. Em 1885 voltou a municipalidade, tendo ocupado cargos de Tesoureiro, Procurador e Fiscal Geral, até 05 de janeiro de 1938, quando requereu aposentadoria.
               
Casou-se em 1883 com D. Benedita de Souza Filgueira, sua prima, nascida a 27 de fevereiro de 1865 e falecida a 20 de agosto de 1946.
               
Morou praticamente toda a sua vida na casa da Praça da Redenção, nº 220, que fora construída pelo seu pai, Antônio Filgueira Secundes, em 1867. Ali nasceram todos os seus filhos, num total de 16, sobrevivendo apenas 9: Silvério de Souza Filgueira, Maria Filgueira de Melo, Joaquina Filgueira Nogueira, Benedita Filgueira Filha (Ditinha), Júlia Filgueira Lopes (Julinha), João Batista Sousa Filgueira (Joãozinho), Augusto de Souza Filgueira, Alberto de Sousa Filgueira (Albertinho) e Francisco Romão Filgueira Filho. Aquele solar foi abrigo de muitos abolicionistas, teatro de sessões secretas, palco de decisões importantes pela abolição e, por tudo isso, tem um lugar reservado na história do grande feito mossoroense. É praticamente o último prédio existentes onde morou um abolicionista. Deveria ser tombado e transformado em Museu da Abolição.
               
Conhecia como nenhum outro o passado mossoroense. Viu a seca de 1877, a maior e mais trágica do Nordeste, nos seus quadros mais drásticos. Assistiu o ato de elevação da Vila de Mossoró ao predicamento de Cidade, através da Lei nº 620, de 9 de novembro de 1870. Ajudou o mestre Paulino a construir a estátua da Liberdade, na sua Praça, inaugurada em 30 de setembro de 1904. E assim, ano após ano, foi vendo e sentindo a evolução e o progresso de Mossoró.
               
O Major Romão, como era conhecido, com apenas 23 anos de idade e seguindo o exemplo do seu pai, entregou-se de corpo e alma ao grande movimento cívico em prol da libertação dos escravos. Foi um elo entre a Maçonaria e muitos próceres. Levou muitos negros foragidos até o Porto de Santo Antônio, a fim de serem embarcados para o vizinho Estado do Ceará, para evitar que os seus donos os encontrassem e que voltassem à condição de escravos. Foi um soldado atento e vigilante, bravo, idealista, um dos articuladores de tudo o quanto se fez em Mossoró em prol da libertação dos seus escravos.
               
Iniciou-se na Maçonaria em 13 de maio de 1885, na Loja “24 de junho”. Ocupou todos os cargos da Loja, sendo elevado ao Veneralato para o período julho de 1905 a junho de 1906. Foi eleito Venerável efetivo, Grau 30. Em sessão realizada em 24 de junho de 1941, foi condecorado com o título de Benemérito, pelos grandes serviços que prestou à sua Loja.
               
Romão Filgueira faleceu no dia 7 de setembro de 1958, em sua casa, na Praça da Redenção nº 220. Na manhã daquele dia, já muito doente, acordou ao som dos clarins, no momento em que as escolas desfilavam pela Praça da Redenção. De súbito, sentou-se na cama e interrogou aos presentes com um gesto. Queria saber o que estava acontecendo lá fora. Ficou sabendo que era o desfile em comemoração ao 7 de setembro. Ficou pensativo e depois voltou a deitar, ouvindo o som da Banda de Música que tocava lá fora, intercalado com os oradores que falavam sobre o grande feito da Independência. Às 18,00 horas, quando os clarins silenciaram, Francisco Romão Filgueira fechou os olhos para sempre.
               
Em seu livro “ZONA DO POR DO SOL”, Pongetti, Rio de Janeiro, 1964, o escritor Raimundo Nonato registra o falecimento de Francisco Romão Filgueira aos 98 anos de idade, com as seguintes palavras: “Figura de larga projeção em todos os círculos de atividades e movimentos da cidade da zona Oeste, o Major Romão Filgueira descendia de ilustre e tradicional família daquela terra, onde viveu durante quase um século, irmanado nas lutas e nas iniciativas do progresso do Município a que emprestou o melhor de suas energias e dos seus esforços”.
               
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LIVRO - DULCE, A BONECA CANGACEIRA DE DEUS.

Por Tião Ruas. 

DULCE A BONECA CANGACEIRA DE DEUSé uma novela da vida real com intuito de mostrar ao público o poder de Deus na vida de Dulce Menezes dos Santos. Quem nunca ouviu falar de Lampião e seu bando de cangaceiros? Pois bem, aqui está uma personagem que chorou suas mágoas, vivendo e vendo as atrocidades praticadas por essa gente: Dulce. Aos quatorze anos ela é arrancada do seio de sua família e se torna uma cangaceira do bando de Lampião. Durante seis meses ela vagou pelos carrascais do sertão nordestino, fugindo das perseguições das volantes. Ela viveu no inferno lampiônico até o dia em que a volante do Tenente João Bezerra atacou o bando na Grota de Angico, matando Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros. Ela costuma dizer que “estou viva pelas graças de Deus.”

Para adquirir este livro com o autor, entre em contato:
33 9 8718-8242

https://www.amazon.com.br/DULCE-BONECA-CANGACEIRA-Sebasti%C3%83%C2%A3-Pereira/dp/8581822045

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LANÇAMENTO DE LIVRO.

 Por Helton Araújo


O professor Hélio de Araújo, vai lançar o livro O canto do Cancão na segunda-feira, dia 15, às 19 horas, na Biblioteca Municipal, Centro de Petrolina.

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MEMÓRIA SERTÃO CASA MARIA BONITA

 Por João de Sousa Lima

https://www.youtube.com/watch?v=H0XYDwyjS30&ab_channel=RTVCaatingaUnivasf

Conheça na edição de hoje do Memória Sertão, a história da casa de Maria Bonita, uma nordestina que desafiou a cultura da sua época para acompanhar o rei do cangaço, Lampião.

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domingo, 14 de janeiro de 2024

VIDA MEDIEVAL, VIDA VIOLENTA.

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros. 

Se os camponeses são velhacos, estúpidos, vesgos e feios, isso é porque nasceram do esterco do burro. Nem o diabo os quer no inferno, de tão mal que cheiram”.

Mas, a acreditarmos nessa informação de G. G. Coulton contida nos Excertos da Literatura Medieval não saberíamos explicar o que era feito dos camponeses após a morte, pois toda gente sabia que “ninguém mais entrara no céu após o Cisma do Ocidente”.

Contudo, esse problema como tantos outros estava fora das cogitações do homem medieval, para quem a verdade pertencia a Deus e só por Sua graça poderia ser revelada.

Na Alta Idade Média do século V até o século XI, aproximadamente -, a vida do indivíduo já estava traçada desde o seu nascimento, e só a morte poderia interromper o destino pré-configurado. Quem nascesse nobre, assim morreria. Quem viesse ao mundo como camponês, pereceria a arar a terra. Mesmo dentro de cada uma das camadas sociais, as opções eram poucas. Tanto o senhor como o servo praticamente não escolhiam o que fazer da própria vida. As cruzadas, o ressurgimento das cidades e a revolução comercial marcam a chamada Baixa Idade Média, que se estende até o século XV. Nela, o panorama se modifica um pouco. Enquanto a vida do nobre se altera, aparecem novas categorias profissionais: os artesãos e os comerciantes.

Nesse período, os horizontes se entreabrem e, embora de maneira precária, ao homem se coloca alguma possibilidade de opção.

Nobre: o Homem Rude

Um castelo não era mais que uma enorme choupana de madeira, uma tosca fortaleza. Do século XI em diante, passou a ser construído de pedra, mas continuou úmido, escuro, sem condições de higiene, com pouquíssimo mobiliário. Era essa a habitação da aristocracia feudal: o senhor, sua família e a corte.

Os nobres não trabalhavam, sendo sustentados pela atividade dos camponeses. Suas maneiras não eram de modo algum refinadas ou gentis. A glutonaria era um vício comum, e um beberrão moderno ficaria perplexo à vista da quantidade de vinho e cerveja consumida durante uma festa no castelo. Ao jantar, os nobres cortavam a carne com o punhal e comiam com as mãos. Os restos eram jogados no chão para os cachorros, sempre presentes.

As mulheres eram tratadas com indiferença e até com desprezo e brutalidade. Nos séculos XII e XIII, o comportamento das classes aristocráticas foi consideravelmente suavizado pelo desenvolvimento da cavalaria, com seu código ético e social. Entretanto, a cavalaria introduziu apenas um refinamento exterior. A constância das guerras e a ferocidade dos combates faziam dos nobres feudais homens basicamente rudes.

Camponês: o Sub-Homem

Manuscritos medievais descrevem que, no verão, “via-se a maioria dos camponeses, em dias de feira, andar pelas ruas e praças da aldeia sem nenhuma roupa”. Não é muito estranhável esse despudor, pois, nas miseráveis cabanas em que viviam, toda a família, e mesmo hóspedes, dormiam juntos em uma grande caixa coberta de palha.

A despeito de trabalhar de sol a sol, se a colheita fosse insuficiente, o camponês poderia morrer de inanição. Sua alimentação consistia em pão preto, verduras e sopa. Carne, só se ousasse desafiar as leis do feudo, entregando-se a caçadas proibidas. A choupana que lhe servia de moradia era construída de varas trançadas, recobertas de barro. O piso de terra e o teto de palha não ofereciam nenhuma defesa contra a chuva e a neve.

Analfabeto, vítima de temores supersticiosos e à mercê das arbitrariedades dos mais ricos e fortes, poucas maneiras tinha o camponês de alterar o seu destino. Uma delas era contrair uma moléstia contagiosa e repugnante, como a lepra. Então, deveria abandonar tudo e se unir aos companheiros de sina. Reunidos em cortejo, passariam o resto da vida a percorrer as estradas a agitar guizos que anunciavam a aproximação do tétrico desfile. A partir do século XI, muitos camponeses conseguiram migrar para as cidades ou integrar-se nas Cruzadas, mas suas condições de vida nem por isso mudaram substancialmente.

Quase toda a população do feudo compunha-se de pessoas de condição servil, divididas em quatro categorias: vilões, servos, seareiros e moradores. Os vilões pagavam ao senhor o censo e os servos a capitação. Ambos prestavam serviços obrigatórios, a corveia. Todos deviam-lhe as prestações e as banalidades. Tal regime de impostos sobreviveu em alguns países até mesmo após a Revolução Francesa (1789).

Os vilões não estavam pessoalmente presos à terra, como os servos que não podiam abandoná-la. Os seareiros e moradores não possuíam nenhuma terra que pudessem arar, e sobreviviam graças a expedientes avulsos. Alguns poucos escravos realizavam serviços domésticos e eram mantidos por ostentação, pois o sistema econômico vigente agricultura de subsistência dispensava-os.

Artífices Incorporados

Com a revalorização do comércio, as cidades voltaram a se expandir. A maior concentração urbana ocidental, até o final da Idade Média, foi Palermo, na Sicília, com 300.000 habitantes. Seguiam-se Paris (240.000), Veneza, Florença e Milão. Nenhuma outra atingiu 100.000 habitantes.

As cidades foram-se emancipando do feudo e adquirindo administração própria. As camadas dirigentes passaram a ser os comerciantes e artesãos, reunidos em corporações. Estas eram órgãos exclusivistas, que asseguravam a seus membros o mono- pólio do comércio e das profissões na região. Regulavam o preço e a qualidade dos pro- dutos, punindo severamente os infratores.

As corporações de ofício eram dirigidas pelos mestres, que possuíam as oficinas e empregavam os diaristas e adestravam os aprendizes. Ao fim de algum tempo, os aprendizes tornavam-se diaristas, e esses por sua vez poderiam acumular algum dinheiro e abrir oficina própria. Entretanto, nos últimos decênios da Idade Média, essa ascensão tornou-se cada vez mais difícil, dada a obstinação dos mestres em preservar seu monopólio.

Na verdade, essas oficinas formavam uma indústria doméstica, pois diaristas e aprendizes, via de regra, residiam com a família do mestre, que presidia pequena comunidade. Como as cidades fossem cercadas por paliçadas que as defendiam, os terrenos interiores começaram a se valorizar, alcançando alto preço. Assim casas e oficinas passaram a ter, dois ou três andares. Uma camada privilegiada pôde viver exclusivamente das rendas imobiliárias.

Os Sinos de Deus

Cada ordem ou dignidade, cada grau ou profissão distinguia-se pelos trajes. Assim também o clero. Seus membros foram passando da primitiva vida ascética e estoica para uma posição semelhante à da nobreza.

Um som se erguia sempre acima dos ruídos da vida ativa: o ressoar dos sinos. Em certas ocasiões – conclusão de um tratado, eleição de um papa – o dobrar dos sinos era ouvido durante o dia inteiro, e mesmo à noite. As igrejas eram repletas de mendigos que exibiam suas misérias e deformidades. As procissões, onde havia sempre muitas crianças, eram frequentes. Muitas vezes duravam dias e semanas, ininterruptamente. Em 1412, organizou-se em Paris uma procissão integrada por diferentes ordens e corporações, que perdurou desde maio até julho, a implorar pela vitória do rei, que havia partido para a guerra. Todos marchavam descalços, e a maioria em jejum.

A Ralé Urbana

Em algum tempo, as cidades passaram a abrigar uma população muito maior que seu potencial de emprego. Na fuga à servidão dos campos, surge a grande massa urbana dos desocupados: malfeitores, ladrões, mendigos. O superpovoamento era tamanho, que por vezes dezesseis pessoas abrigavam-se num só cômodo.

Ademais, as cidades medievais cresceram rapidamente e teria sido quase impossível dotá-las de padrões razoáveis de higiene e conforto, mesmo se as autoridades se preocupassem com isso, o que não ocorria. As ruas eram estreitas e tortuosas, e nesse espaço limitado meninos e rapazes entregavam-se a brincadeiras violentas, que causavam muitos protestos dos adultos e do clero.

Quase todas as cidades dependiam da água de poços ou rios, e eram comuns a febre tifoide e outras epidemias. Algumas possuíram esgotos, mas parece que nenhuma delas tomou providências no tocante à coleta de lixo. Em geral, as imundícies eram atiradas à rua para serem afinal levadas pelas chuvas ou consumidas pelos porcos e cachorros que por ali vagabundeavam.

Da mesma forma que nos campos, os bandos de salteadores trans- formavam qualquer excursão em perigosa aventura. As punições desses elementos eram atrozes e serviam de diversão pública. Certa feita, a cidade de Mons chegou a adquirir um salteador capturado, para ter a satisfação de vê-lo esquartejado numa festa popular.

O Teor Violento da Vida

A miséria, a estrutura social rígida que condenava cada homem a um destino hereditário, a insegurança do povo quanto ao futuro, a falta de defesa contra os poderosos e a penetração das ideias religiosas criaram o clima de violência e exaltação que caracteriza o período medieval.

Procissões, colunas de leprosos, cortejos de príncipes ataviados, execuções e prédicas de pregadores itinerantes, roubos e assaltos, eis as variações mais comuns do horizonte medieval.

Johan Huizinga, em seu livro O Declínio da Idade Média, assim se manifesta: “Será de surpreender que o povo considere o seu destino e o do mundo apenas como uma infinita sucessão de males? Mal governo, extorsões, cobiça e violência dos grandes. Guerras, assaltos, escassez, miséria e peste a isso, basicamente, se reduz a história da época aos olhos do povo. O sentimento geral de insegurança causado pelas guerras, pela ameaça dos malfeitores, pela falta de confiança na justiça, era ainda agravado pela obsessão da proximidade do fim do mundo, pelo medo do inferno, das bruxas e demônios. O pano de fundo de todos os modos de vida parecia negro. Por toda a parte, a injustiça reina.”

Fonte – Enciclopédia Conhecer, Abril S.A, Cultural e Industrial, São Paulo-SP, 1974 – Volume VII – páginas 1537 e 1539.

https://tokdehistoria.com.br/2024/01/04/vida-medieval-vida-violenta/

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