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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

SEBASTIÃO PEREIRA DA SILVA

Por José Mendes Pereira

Facínora famoso é sempre visto e admirado pela população, mesmo ela sabendo que ele é faca de dois gumes, e não é pessoa confiável, pois basta um olhar desagradável em sua direção, aquele olhar poderá se tornar um bom motivo para uma vingança por parte do marginal.

Veja o que disse Sebastião Pereira da Silva o cangaceiro Sinhô Pereira a um jornalista. 

(O recorte de jornal que eu apanhei esta informação não tem o nome do repórter e nem o nome do jornal, apenas o endereço do blog que eu o adquiri.

-  http://meneleu.blogspot.com.br).

"- Todos queriam me ver - dizia Sebastião Pereira da Silva, o  ex-cangaceiro Sinhô Pereira.  Achei engraçado! Pra todo lado que eu fosse tinha uns 40 olhos em cima de mim". 

Continua o ex-cangaceiro:

"- Prefiro ficar aqui (aqui que ele se referia era o Estado de Minas Gerais), com meus netos, com minha farmácia. 

"Aqui enterrei meu passado. Minha presença em Pernambuco pode reacender velhos ódios".

Sinhô Pereira - http://meneleu.blogspot.com.br

Veja leitor, que o ódio de um facínora famoso permanece sempre consigo. É possível que quando o Sinhô Pereira cedeu esta entrevista a um repórter, ele já estava com a idade avançada (pela foto ver-se que a sua idade já passava dos 70 anos), porque só o encontraram em Minas Gerais depois de várias décadas passadas após o cangaço, mas mesmo assim, ele disse:

"Aqui enterrei meu passado. Minha presença em Pernambuco pode reacender velhos ódios".

Pesquisador do cangaço Antônio José de Oliveira

Pesquisadores Antônio José de Oliveira, lá da cidade de Serrinha, no Estado da Bahia, e Francisco Carlos Jorge de Oliveira, lá do Estado do Paraná, vejam que homem valente era o Sinhô Pereira. 

Pesquisador do cangaço Francisco Carlos Jorge de Oliveira

Mesmo com a idade avançada, tranquilo, comerciante, e quem sabe, feliz, ainda temia reativar novas rixas se voltasse à sua terra natal Serra Talhada!

Continua o depoente:

"- Aqui recebi a notícia sem surpresa, a notícia da morte do compadre Virgolino. Quero morrer aqui com meus parentes e meus amigos. Não quero recordar o tempo do cangaço. Dele só poderia dizer como Virgolino: Só trouxe fome, sede e nudez".

Um pouco sobre a biografia de Sebastião Pereira da Silva o ex-cangaceiro Sinhô Pereira

Sebastião Pereira da Silva mais conhecido como Sinhô Pereira nasceu em Serra Talhada no dia 20 de janeiro de 1896, e faleceu em Lagoa Grande no Estado de Minas Gerais, no dia 21 de agosto de 1979. Era descendente do Coronel Andrelino Pereira da Silva, o Barão de Pajeú, que era tio-avô do empresário João Santos fundador da Fábrica de Cimento Nassau. 

Sinhô Pereira era alfabetizado e trabalhava no campo. Motivos familiares levaram-no a ingressar no cangaço, tendo recebido a insígnia de comandante de tropa. Pressionado politicamente e perseguido por forças policiais, viajou com o primo Luiz Padre para Goiás e Minas Gerais, onde obteve o título de cidadão mineiro. Ao deixar o cangaço, no ano de 1922, Sinhô Pereira entregou sua tropa para o comando de Virgulino Ferreira da Silva.

Sinhô Pereira sentado e Luiz Padre em pé - Dois primos valentes ao estremo

O apelido de Lampião existem duas versões, mas sabemos que a mais provável é a que foi afirmada pelo cangaceiro Sinhô Pereira no ano de 1971, após 49 anos, quando visitou pela última vez sua terra natal "Serra Talhada" e deu entrevista ao seu primo Luiz Lorena e que fora prefeito de lá. -

 (http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2009/02/entrevista-c-o-ex-cangaceiro-sinho.html)

Luiz Conrado de Lorena e Sá - www.fundacaocasadacultura.com.br

VEJA O QUE PERGUNTOU LUIZ CONRADO DE LORENA E SÁ AO EX-CANGACEIRO SINHÔ PEREIRA:

Luiz Lorena - "Por que Virgolino Ferreira da Silva ganhou o apelido de Lampião?"

Sinhô Pereira respondeu:

- "Num combate, à noite, na fazenda Quixaba, o nosso companheiro Dê Araújo comentou que a boca do rifle de Virgolino mais parecia um lampião. Eu reclamei, dizendo que munição era adquirida a duras penas. Desse episódio resultou o Lampião que aterrorizou o Nordeste".

O que disse Sinhô Pereira que era seu comandante, sobre o apelido de Virgulino Ferreira da Silva para Lampião, não há mais dúvida, quem prevalece é a primeira versão, pois ela foi afirmada pelo poderoso cangaceiro, e não é mais necessário falar  na 2ª, para evitar que complique a mente dos estudantes do cangaço que estão começando agora. 

Sebastião Pereira da Silva Sinhô Pereira faleceu numa manhã no final do ano de 1979, em Lagoa Grande, Estado de Minas Gerais, deixando para trás uma vida e uma história marcadas de angústia, dores e vontade de viver feliz com sua família e amigos.

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas, desculpa-o antes, porque faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional, você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão.
 
Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância.

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LAMPIÃO E SUA TRUPE.

 Por Fotos do Passado - Contos do Cangaço

Em agosto de 1928. Lampião cruza o Rio São Francisco, rumo a bahia, após uma dura perseguição por parte dos governos estaduais com forças policiais q resultou em muitas baixas importantes no seu bando, ele se viu forçado a atravessar o rio pra o territorio baiano pra reorganizar suas forças e preservar sua autoridade no cangaço.
O rei do cangaço entrou no solo baiano com um grupo bastante reduzido formado apenas por cangaceiros de extrema confiança, entre eles: Luiz Pedro, Mariano, Mergulhao, Virginio Fortunato e Ezequiel Ferreira seu irmão. Esses cabras acompanharam Lampião em um momento muito trágico de sua jornada.

https://www.facebook.com/jose.mendes.pereira.52603

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LUCAS DA FEIRA, A BESTA FERA DO JACUÍPE.

Por Beto Rueda

Lucas Evangelista dos Santos, filho de Jejes Maria e Ignácio, nasceu no dia 18 de outubro 1807, na fazenda Saco do Limão, arredores da freguesia de Nossa Senhora dos Humildes, Bahia.
Escravizado, pertenceu a D. Anna Pereira do Lage. Após o falecimento dela, passou ao domínio do padre José Alves Franco. Cresceu em meio ao terrível drama da servidão e sofreu repetidas crueldades dos feitores. Era negro, forte, vesgo e canhoto.
Devido a sua rebeldia, foi enviado pelo seu proprietário a sede do Arraial de Santana para aprender o ofício de carpinteiro pelo mestre criolo João Batista Pereira. Entretanto, não satisfeito, correu para as matas tornando-se um fugitivo. Em meados do ano de 1828, juntou-se a uma quadrilha formada por Flaviano, Nicolau, Bernardino, Januário, José e Joaquim.
Em pouco tempo passou a liderar o seu próprio grupo formado por negros e mulatos, todos escravos fugidos e sedentos por vingança. Por quase vinte anos agiram nas estradas próximas e na região da fazenda Santana dos Olhos D'água. Atacavam tropeiros que iam e vinham das Feiras de Gado, roubavam e raptavam mulheres, inclusive filhas de comerciantes e fazendeiros o que era considerado uma ousadia para a época.
Sem limites, invadiu a as terras de Francisco Correia e desvirginou suas três filhas, além de matá-lo quando tentou defendê-las. Entre todos os membros da família, apenas o filho do fazendeiro de nome Joaquim Cordeiro escapou do ataque.
O bando de Lucas da Feira era muito temido, um assombro e pesadelo para os sertanejos da região. O Governador da Província estipulou um prêmio de quatro mil réis pela sua captura e morte. Segundo estudiosos, seus atos incitavam outros negros a se rebelarem contra os seus senhores, inspirando mais tarde os movimentos abolicionistas.
Com o passar do tempo e a constante atividade, depois de muitos combates com as forças policiais e a repressão dos fazendeiros, seu grupo foi diminuindo com a morte de alguns, prisões e deserções de outros e acabou por extinguir-se. Lucas acabou sozinho.
Um dia foi traído por seu amigo e compadre Cazumbá. Este, foragido depois de ter matado um homem na "Ladeira do Nage", com a promessa de perdão do crime e de olho no dinheiro do prêmio, o perseguiu. No combate, Lucas foi atingido por um tiro no braço esquerdo mas conseguiu fugir para a localidade da Tapera, em uma gruta próxima de São Gonçalo. Depois de alguns dias foi feita uma nova emboscada no local chamado Poço Gurunga. Lucas, atingido novamente no mesmo braço, depois de muito resistir, foi capturado no dia 12 de janeiro de 1849 e conduzido a Vila do Arraial de Feira de Santana.
Considerado chefe de quadrilha, permaneceu preso até o enfrentar o Tribunal do Juri, onde foi condenado à morte. Por medida de segurança foi levado para Salvador.
Na prisão em Salvador, devido ao agravamento dos ferimentos, seu braço esquerdo teve que ser amputado.
No dia 26 de setembro de 1849, Lucas da Feira foi executado em praça pública no Campo do Gado, na Vila do Arraial de Feira de Santana, aos 41 anos de idade. Seu carrasco foi Joaquim Cordeiro, o rapaz que escapou da morte e viu o seu pai assassinado e as irmãs violentadas.
Nesse dia, depois de tanto sofrimento, aliviados e em êxtase, os comerciantes locais deram uma grande festa, distribuíram bebidas e soltaram fogos pela execução da Fera do Jacuípe.
Em 1854 seu cadáver foi desenterrado e decapitado para servir de estudos na Faculdade de Medicina da Bahia, sua cabeça exposta à curiosidade pública no Museu de Antropologia Criminal e destruída tragicamente por um incêndio em 1905.
REFERÊNCIAS:
AMARAL, Braz Hermenegildo do. História da Bahia do Império à República. Salvador: Imprensa Oficial do Estado, 1923.
MOTA, Leonardo. No Tempo de Lampião. 2.ed. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1967.
FERREIRA, Vera ; ARAÚJO, Antônio Amaury Corrêa de. De Virgolino a Lampião. São Paulo: Idéia Visual, 1999.
JASMIN, Élise. Lampião senhor do sertão: vidas e mortes de um cangaceiro. São Paulo: Edusp, 2016.

https://www.facebook.com/groups/471177556686759/

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PARTICIPARA DA CHACINA AOS CANGACEIROS NA GROTA DO ANGICO-SE.

 Por Antônio Ferreira


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O MATADOR DE CORISCO.

 Por Antônio Ferreira


O pesquisador do cangaço Giovanni de Carvalho disse o seguinte: 
"Discordo que Zé Rufino executou Corisco. Execução seria se Zé Rufino desse um tiro de misericórdia quando ele já estava caído e baleado.


https://www.facebook.com/photo?fbid=122141767136926411&set=gm.2306238643180632&idorvanity=471177556686759

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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

HISTÓRIAS DE ONÇAS

 Por: José Mendes Pereira

https://abcdoabc.com.br/preservacao-da-onca-pintada-exige-protecao-ao-seu-habitat-e-combate-a-caca-ilegal/

Todas as noites, sentado sob o telheiro da velha e desmoronada casinhola, seu Galdino Fantasias esperava a visita do Leodoro Gusmão, para lhe contar histórias de onças. Vizinhos de longos anos, quando haviam comprados propriedades no mesmo ano, e por sinal, compadres de batismo, quando na igreja de Santa Luzia em Mossoró, seu Galdino apadrinhou o filho mais novo do Leodoro Gusmão.

https://mossoronoar.com.br/festa-de-santa-luzia-comeca-nesta-sexta-feira-em-mossoro/

Entre os dois vizinhos havia uma amizade mútua, e até uns diziam em boca de cumbuca, que seu Galdino gostava muito de fazer visitas ao velho compadre Leodoro, só quando ele não estava em casa. Pois àquela visita era devido um antigo e duradouro relacionamento amoroso que ele mantinha com a Gertrude, a esposa do Leodoro.
            
Outros afirmavam que não. Dona Gertrude era uma senhora honrada, e jamais deixaria o seu nome cair em patotas de devoradores de honras, ou mesmo em reuniões de vizinhos nas calçadas. Mas como ninguém tinha certeza das conversas que circulavam na redondeza sobre o engodo amoroso do casal, apenas conversavam entre os dentes outras infidelidades da Gertrude.
            
Há dias que o Leodoro não aparecia na residência do seu Galdino, pois em companhia da Gertrude havia se ausentado do lugar, e juntos, abalaram-se às terras cearenses para fazerem visita a uma filha que morava em Juazeiro do Norte. Um passeio formidável e merecido, para matarem as saudades; pois já fazia cinco anos que pais e filha não se viam de perto.
            
Como o retorno do casal iria demorar, Leodoro deixara a propriedade sobre os cuidados do compadre seu Galdino, e este sendo zeloso, cuidava dos afazeres rotineiros.
             
Um mês depois Leodoro retornou à velha morada, pois afirmara que já estava com saudade das belas histórias de onças, todas contadas por seu Galdino.
             
Nessa noite o Leodoro chegou à boquinha da noite à casa do seu Galdino.
            
- Abanque-se compadre, abanque-se. – Ordenou-lhe seu Galdino.
            
- Sim senhor! – Fez o Leodoro se sentando num velho banco de tábua de aroeira plainado pelo carpinteiro Dodoca.
            
- E o passeio compadre, foi bom? – Quis saber o seu Galdino.

https://nocariritem.com.br/romarias-e-estatua-do-padre-cicero-recebem-titulos-de-patrimonios-de-juazeiro-do-norte/

- Muito bom compadre! Muito bom! Conheci alguns lugares daquela terra cearense. No Juazeiro vi de perto a estátua do meu Padim Pade Ciço, como o chamava o bandoleiro Lampião. 

https://www.youtube.com/watch?v=fAzwFCIQcow&pp=0gcJCfwAo7VqN5tD

Isso é uma imensidão de estátua, com vinte e sete metros de altura, compadre. O senhor se cansa só em olhar para cima. Depois de Juazeiro conheci o Crato (terra do amigo Manoel Severo, editor do blog Cariri Cangaço), que me deixou abismado com as suas belezas. 

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O dia seguinte me levaram até Barbalha, e quanto mais meu olhar via as belezas de lá, mais ele queria ver coisas fantásticas. Além dessas que eu já citei compadre, fiz visita às pressas à Missão Velha, e outras e outras cidades da região cariri. Fui bem recebido por todos de lá. Por onde eu passei compadre, só conheci gente hospitaleira e decente, e ponha decência nisso como é o povo do Ceará.

- Compadre, e Canindé o senhor o conheceu? – Perguntou-lhe seu Galdino.
            
- Não compadre! A nossa viagem estava programada para Juazeiro e não para o Canindé de São Francisco...
            
- Ah, sim!... E... 
            
Ali sentados sob o telheiro os compadres conversaram muito sobre a maravilhosa visita às cidades cearenses, feita por Leodoro. E num momento, o Leodoro que já fazia mais de mês que não ouvia histórias de onças contadas por seu Galdino, quis saber sobre as suas caçadas e façanhas.
            
Seu Galdino como gostava de contar as suas aventuras, sem menos pensar, saiu com uma novinha em folha. Esticou-se um pouco sobre o assento, enquanto fabricava um cigarro de fumo Arapiraca. Em seguida, disse-lhe:
            
- Ultimamente compadre, eu tenho caçado muito pouco. Como o senhor sabe, as minhas cercas estão todas precisando de reparos, e se eu não as reparar, com certeza, o milho que está para ser quebrado, as criações dos nossos vizinhos irão devorá-lo..., mas a semana passada – continuava ele - eu passei uma coisa que tenho certeza que ninguém quer para si.

- E o que foi que aconteceu com o senhor, compadre Galdino? – Perguntou-lhe Leodoro em tom de piedade.
            
- Para que o senhor entenda o que aconteceu comigo, eu tenho que lhe contar desde o começo. Na semana passada, bem cedo eu saí beirando cerca – dizia ele colocando uma mão atrás da outra fazendo o gesto de caminhar - no intuito de reparar as cercas, isto é, amarrar alguns arames que estavam soltos das estacas. E segui fazendo este trabalho. Eu havia levado aquela espingarda “marca-bombo” que o senhor muito bem a conhece...
            
- Sim Senhor! – Confirmou o Leodoro.
            
- Como eu já estava decidido para ir consertar as cercas, a noite anterior eu preparei o meu bornal com chumbos, espoletas, pólvoras e buchas de mororó...
            
- Sim senhor! – Fez o Leodoro.
              
- E saí para cumprir a minha missão de reparar as cercas. Bem perto do “Riacho Negro” eu me deparei com um tamanduá enorme. Fiquei pensando. Mato-o ou não o mato o pobre infeliz...

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tamandu%C3%A1-mirim

- Que sorte compadre, essa sua de ainda ter encontrado nestas matas um tamanduá.
            
- Muita! Pois sim..., ele estava montado sobre um galho de um jucá. Quando ele me viu, quis descer. Mas eu com aquela dúvida mato-o ou não o mato, fiquei afiando a foice, no intuito de dar uma única foiçada no miserável.  Distraí-me. E quando cuidei ele já havia descido do galho e foi saindo lentamente como se fosse fugindo para se esconder de mim. Assim que eu me aproximei dele, eu não tive mais coragem de matá-lo.
            
- Mas por que compadre Galdino, o senhor não quis mais matá-lo?
            
- Compadre, o que ele fez diante de mim me deixou penalizado. Ele ficou de pé como se estivesse me pedindo: -Não me mate seu Galdino! Não me mate seu Galdino! Mas o senhor sabe que quem é pobre é assim mesmo.
            
- É verdade, compadre! É verdade! – Confirmou o Leodoro.
            
- E naquela confusão mato-o ou não o mato, findei me decidindo e larguei a foice sobre o seu pescoço.  Em seguida o coloquei em meu bornal e fui-me embora, isto é, corrigindo as cercas.  Lá pelas tantas me veio a fome. Eu já estava no riacho da “Espera do Padre”, e lá eu fiz rancho embaixo daquele frondoso e viçoso pé de juazeiro, o qual o compadre o conhece muito bem.
            
- Muito, muito! – Reforçou o Leodoro.
            
- Quando eu estava colocando a comida no prato, o leite e cuscuz de milho, mais rapadura e duas tapiocas que a Dionísia havia feito para o meu lanche, mais gergelim pisado e coisa e tal..., sabe o que me apareceu de repente em minha frente, compadre?
            
- Compadre eu não tenho a mínima ideia. – Respondeu-lhe o Leodoro.
            
- Duas enormes onças!

https://pt.lovepik.com/image-361405723/two-jaguars-perched-on-fence-logs.html

- Duas enormes onças compadre, naquela mata? – Perguntou-lhe o Leodoro se admirando.
            
- Sim senhor!  E me parece que ambas eram irmãs, porque o tamanho de uma era o mesmo tamanho da outra, aliás, talhadas e esculpidas.
            
- E o que o senhor fez para se livrar das onças, compadre?
            
- De início, nada. Não tinha o que fazer mesmo. Quando eu as vi, me benzi logo. Dois búfalos daqueles na minha frente, com certeza eu estava frito.
            
- Espera-me meu compadre, eram duas onças ou dois búfalos?
            
- Eram duas onças, compadre! Eu disse búfalos imaginando o tamanho das duas feras famintas. As duas eram pra mais de quarenta arroubas.
            
- Meu Deus! – Exclamou o Leodoro.   Em seguida perguntou-lhe: - Mas compadre, e por que o senhor não atirou logo nessas onças?
            
- Primeiro que tudo eram duas. Segundo por que eu não tinha mais pólvora, pois ao passar o “Riacho da Espera do Padre”, a água molhou o polvorinho e as espoletas, e com isso fiquei sem condições de atirar em qualquer vivente. E terceiro, se eu ainda tivesse munição, e se chegasse a atirar em uma delas, com certeza, a outra me devoraria em questão de segundos.
            
- É verdade, compadre! É verdade! – Reforçou o Leodoro.
            
- Mas como sempre tem algo que protege a gente – continuou ele -  e acredito que é mandado por Deus, eu tive a seguinte ideia:
            
- E qual foi essa ideia compadre? – Perguntou o Leodoro querendo adiantar a conversa.
             
- Lá elas estavam de cócoras olhando para mim. Como eu tinha morto o pobre e infeliz tamanduá, tirei-o do bornal, o abri, deixando as carnes expostas e o joguei em direção a uma delas. Eu já tinha imaginado que se eu jogasse o tamanduá para uma, e se a outra me atacasse, eu iria lutar corpo a corpo  com ela, isto é, com a minha foice até vencê-la. E assim fiz. Joguei o tamanduá para uma, e com isso a outra não querendo ficar sem carne, logo as duas se atracaram. Lá onde elas se atracaram tem uma ladeira. Elas agarradas, saíram de ladeira abaixo. Como as duas estavam descendo na ladeira, isto é, de cima para baixo, eu pequei o tamanduá e fiz carreira por dentro da mata, correndo, correndo, correndo e até que saí em minha casa. E graças a Deus salvei a minha pobre e estimada vida. E por isso eu estou aqui lhe contando essa história.
            
- Quer dizer compadre, que o senhor além de ter se livrado das duas onças, ainda recuperou o tamanduá?
            
- E eu brinco, compadre!? – Fez seu Galdino se gabando.
              
- Bem pensado compadre! Bem pensado!...
            
- Isso é que se chama inteligência, compadre Leodoro! – Dizia seu Galdino batendo a sua mão na cabeça.
            
- E ponha inteligência nisso, compadre!
           
Ali Leodoro se admirava da inteligência do compadre. E minutos depois, resolveu ir embora.
            
- Eu vou embora compadre Galdino, porque já passa da meia noite e pode ser que uma dessas suas onças apareça lá em casa. Gertrude está sozinha e a porta da minha cozinha está muito fraca.., e acredito que se uma dessas onças que o senhor viu, se acertar a minha  casa, só com o peso das suas patas botará a porta dentro, e irá devorar a pobre Gertrude.
            
E se levantando do velho bando, Leodoro despediu-se do compadre dizendo:
            
- Até amanhã, compadre! Até a manhã! – Repetiu ele.
           
- Até, compadre! – Respondeu-lhe seu Galdino dizendo bem baixinho zombando do Leodoro. - Deixa que quem vai continuar devorando a Gertrude sou eu, e não as onças! Fora camaradas onças!             
           
Mas enquanto caminhava, o Leodoro dizia consigo mesmo: Mas que lapa de compadre mentiroso eu tenho! Nossa!

ALERTA AOS NOSSOS LEITORES!

Perdoe qualquer agressão, para não se sentir culpado ao tirar a vida de alguém. E entenda que: Perdoar é devolver ao outro o direito de ser feliz.

Quando estiver no trânsito, primeiro, lembre-se de lembrar que tem que se lembrar deste lembrete, para não passar por coisas desagradáveis no trânsito. 

 Cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, desculpa-o, faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional. Você poderá ser vítima. 

As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! 

Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo dentro de um caixão. 

Você poderá não conduzir arma, mas o outro conduzirá uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância, e depois que o bicho é criado, o mais difícil é domá-lo.

Imagina bem, o sujeito diante de uma arma sem ter como se livrar dela, hein? Possivelmente irá morrer. 

Não se faça de valente, só porque está com a sua namorada ou esposa e não quer que ela sinta o seu fracasso. Ela não te quer como herói, te quer simplesmente como namorado ou esposo vivo. 

É melhor vivo medroso do que  morto valente.

 https://www.metropoles.com/distrito-federal/na-mira/policial-civil-atira-na-perna-de-motociclista-apos-briga-de-transito-video 
"O site acima diz que este rapaz condenado a morrer não morrei, mas foi baleado por este ignorante".

Uma confusão criada entre dois ou mais indivíduos no trânsito, muito difícil de ser apaziguada. Cada um quer ter razão, e uma arma poderá surgir entre eles, e alguém apertará o gatilho, e outro irá morrer.

Muito chato para você, sempre me ver lembrando isso. Mas é para o seu bem. 

http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com

http://sednemmendes.blogspot.com

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