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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

O CANGACEIRO VOLTA SECA PERDEU-SE QUANDO DISSE QUE TERIA VISTO MARIA BONITA VIVA. ENCONTROU-A EM UMA DAS SUAS FUGAS DA PENITENCIÁRIA DE SALVADOR, NO ESTADO DA BAHIA. E 33 ANOS DEPOIS, AFIRMOU QUE ELA MORREU JUNTA COM LAMPIÃO.

 Por José Mendes Pereira


Em 7 de abril do ano de 1948, Antônio dos Santos, conhecido no mundo do crime como sendo o cangaceiro "Volta Seca" (conferir no site no final da página), em entrevista à imprensa, declarou que Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita do capitão Lampião (informação sem fundamento), ela não morreu na madrugada de 28 de julho de 1938, quando aconteceu a chacina aos cangaceiros, na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, em terras de Porto da Folha, que atualmente é Poço Redondo. Segundo ele, ela estava viva, e que teria a encontrado em uma das suas fugas da Penitenciária de Salvador, no Estado da Bahia. 

Sou admirador do amigo Volta Seca, mas não posso acreditar no que falou, e acho que ele estava querendo aparecer de terno e gravata aos seus entrevistadores, por ser uma informação sem fundamento.

A foto não tem o nome da pessoa que a coloriu, então eu não vou ariscar de quem seria o trabalho artístico.

Para você leitor, que quer saber da verdade, é que no ano de 1973, quando o cangaceiro foi entrevistado pelo jornal "O Pasquim" tendo os seguintes jornalistas: Jaguar, Millôr, Ziraldo, Aparício e Sérgio Cabral, ele disse que Maria Bonita gostava tanto do capitão Lampião que findou morrendo junta com ele. 

Veja o depoimento do cangaceiro "Volta" Seca aos jornalistas que eram de "O Pasquim".

(...) 

"Volta Seca" interpretando as palavras de Lampião e Maria Bonita.

No caso, seria Lampião e Maria Bonita conversando no primeiro encontro em Malhada da Caiçara, segundo o site dito pelo o cangaceiro, ela insistindo que a levasse para participar do cangaço, e ele sempre a aconselhando que não dava certo. Vamos ouvir o casal conversando:

(...)

Lampião desse:

- Bom, o seguinte é esse, você não pode ir comigo, minha vida é a pé, é a cavalo, é de todo jeito, é pelos matos... - Disse Lampião. 

Maria Bonita insiste dizendo-lhe: 

- Eu vou também!

E o capitão Lampião rebate novamente: 

- Mas eu posso morrer hoje, amanhã...

Maria Bonita novamente teimava:

- Eu morro junta com você. Mas num lhe deixo mais.

E num deixou mesmo, terminou morrendo junta com ele mesmo. - Palavras do "Volta Seca". 

E por que o cangaceiro "Volta Seca" desmentiu ele mesmo, quando afirmou aos jornalistas, que em 1948 Maria Bonita estava viva, porque  havia se encontrado com ela  em uma das suas fugas da Penitenciária de Salvador, no Estado da Bahia? 

Dona Cyra Britto e o capitão João Bezerra da Silva

No dia 11 de abril do ano de 1948, o capitão João Bezerra da Silva, Militar do Estado de Alagoas, nascido  no ano de 1898, e faleceu em 1970, que foi o chefe da operação da Grota do Angico, em Poço Redondo, no Estado de Sergipe, tendo sido ele que desmanchou o coito dos cangaceiros  da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.", eliminando 11 cangaceiros, incluídos na chacina os reis do cangaço, o capitão Lampião e sua amada Maria Bonita; o capitão militar desmentiu a declaração de "Volta Seca" que Maria Bonita não fora morta junta com os outros bandoleiros. 

Disse o militar: 

“Não atino porque "Volta Seca" vem agora (dez anos depois) com essa invencionice”.

O capitão João Bezerra da Silva tinha toda razão de desmentir quem não cumpriu com a sua palavra firme e real. O Volta Seca deixou de ser um elemento confiável no que diz respeito à entrevistas. Com esta, não há dúvida que ele foi o primeiro a inventar que Maria Bonita e Lampião escapou da chacina de Angico, apesar dele não falar o nome do rei do cangaço no seu depoimento

você amigo leitor, para não ficar com uma pulga detrás da orelha, e achando que eu estou com invencionice, assim disse o capitão João Bezerra da Silva com a confirmação mentirosa do cangaceiro Volta Seca, confira cuidadosamente nos sites abaixo. E se não quiser ler o texto por completo da entrevista que cedeu o "cangaceiro Volta Seca" ao "Jornal O Pasquim", procura a parte de Maria Bonita. A entrevista é muito extensa, e onde fala nela é mais próximo ao final da página.

Veja bem: Em 1932, o cangaceiro "Volta Seca" foi preso. E na madrugada de 28 de julho de 1938, Maria Bonita foi assassinada na chacina da Grota do Angico, e nesse intervalo entre 1932 a 1938, período de seis anos, anos da sua morte, o facínora não teria se encontrado com ela, por ser ainda a companheira do capitão Lampião, e jamais  ela abandonaria o seu marido para andar sozinha por aí, principalmente pelas ruas das cidades de Salvador na Bahia, ou em qualquer outro Estado. 

De 1938 até o ano de 1951, este último ano em que o "Volta Seca" foi solto, de forma alguma teria encontrado a rainha Maria Bonita em lugar nenhum. A companheira do perverso e sanguinário capitão Lampião já estava morta". O amigo Volta Seca quase se tornava num embusteiro.

Eu sou um amigão do cangaceiro Volta Seca e já que não tem mais jeito de serem só coisas da paz",  tenho muita admiração pelas suas aventuras, mas ele desmente a si mesmo, quando em 1948 afirma que teria se encontrado com a cangaceira em uma das suas fugas da Penitenciária de Salvador. E em 1973, 33 anos depois que havia afirmado ter visto a rainha do cangaço, ele disse aos repórteres do jornal "O Pasquim" que Maria Bonita morreu junta com o capitão Lampião. 

Prova que alguns deles que participaram da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia." diziam o que bem queriam aos entrevistadores, isto é, alguns puxavam a sardinha para o seu prato, e muito lamentável que tentavam criar as suas histórias cabeludas. Mas ainda acreditamos que no meio dessa gente teve cangaceiro que fez o seu papel como depoente e com muita responsabilidade, só informando o que ocorreu no cangaço com seriedade. Um deles, segundo o cineasta e pesquisador do cangaço Aderbal Nogueira e outros pesquisadores famosos e de responsabilidades,  Manoel Dantas Loyola, o cangaceiro "Candeeiro" era um homem sem mentiras. Só falava a verdade.

Morre Candeeiro, último integrante do bando de Lampião - Jornal O ...
Cangaceiro Candeeiro

Manoel Dantas Loiola no cangaço era conhecido como Candeeiro, e era pernambucano de Buique. Nasceu em 1916 em Buíque e faleceu em Arcoverde em 24 de julho de 2013. Foi um cangaceiro integrante do bando de Lampião. 

Entrou ao cangaço quando a fazenda onde trabalhava no Estado de Alagoas foi cercada pelo bando de Lampião. Recebeu do próprio comandante o seu apelido, ao se destacar num combate em Angico, em 1937. Sua principal missão, porém, era entregar cartas aos comerciantes para exigir pagamentos. Também era conhecido como Seu Né.

O cangaceiro Candeeiro faleceu  aos 97 anos, em um dos hospitais em Arcoverde, onde havia sido internado depois de sofrer um derrame. Deixou esposa e cinco filhos.

Aqui estão os links à sua disposição leitor, os quais são sites famosos e de responsabilidades. Então clique neles para conferir o que eu falo sobre as informações meio sem graça dadas pelo o ex-cangaceiro "Volta Seca". 

As provas estão nos sites, mas lembrando que o que eu escrevi não tem nenhum valor para a literatura lampiônica. São apenas as minhas inquietações. 


http://blogdomendesemendes.blogspot.com

KIT COM 4 ROMANCES.

 Por Clerisvaldo B. Chagas


KIT COM 4 ROMANCES – 70,00 O EXEMPLAR – SEM FRETE – ÚLTIMAS UNIDADES.

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https://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2025/12/kit-com-4-romances-7000-o-exemplar-sem.html

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O FACÍNORA E SANGUINÁRIO CAPITÃO LAMPIÃO - AMADO POR UNS E ODIADO POR OUTROS.

 Por José Mendes Pereira


O cangaceiro e chefe de uma grande turba o capitão Lampião, foi um dos cangaceiros mais inteligente, e além disso: amado, odiado, perseguido, perseguidor, traído, respeitado e respeitador, adorado por muitos e rejeitado por outros, exigente, vingativo, cruel, corajoso, destemido aos arrufos de qualquer um, respeitava as opiniões dos seus comandados, mas não admitia covardia, Traições de qualquer um, mesmo que fosse feitas pelos seus melhores amigos, pagava imperdoavelmente com a morte, coisa que ele não aceitava ser colocada na sua mesa de bandoleiro.


Viveu quase vinte anos nas caatingas nordestinas. Seguido pelas forças volantes dos governos, mas  mesmo assim, o facínora Lampião conseguiu manter o seu desastroso movimento, isto é, uma grande e respeitada amada "Empresa de Cangaceiros Lampiõnica & Cia.", por  sete Estados do nosso sofrido nordeste brasileiro, os quais foram: Pernambuco, sua terra natal. Paraíba, Alagoas, neste, Lampião resolveu atacar fortemente, protestando contra o assassinato do seu patriarca  José Ferreira  da Silva. Rio Grande do Norte, que no dia 13 de Junho de 1927, foi escorraçado de Mossoró, uma das maiores decepções que o rei do cangaço, o capitão Lampião passou, além dos Estados Ceará e  Bahia. Este último  ele viveu a sua segunda fase de bandoleiro. Mas o seu último coito foi armado na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, em Porto da Folha, atualmente é a cidade de Poço Redondo, onde lá foi tocaiado e morto com 9 comandados, além do mais, sua rainha Maria Bonita, na madrugada do dia 28 de julho de 1938.

https://g1.globo.com/al/alagoas/arquivo/noticia/2013/09/na-rota-do-cangaco-turistas-fazem-o-trajeto-da-volante-que-matou-lampiao.html

Nos anos trinta, do século XX, Lampião resolveu colocar em seu bando uma senhora, Maria Gomes de Oliveira, que no bando ficou conhecida como dona Maria, quando falavam diretamente a ela, e ou, dona Maria do capitão, esse último era quando falavam nela. 


Ela nasceu no dia  8 de Março de   1911 (existe uma outra data) em  uma minúscula fazenda em Santa Brígida, no Estado da Bahia. Era filha do sofrido casal José Gomes de Oliveira e Maria Joaquina Conceição Oliveira, tendo como irmãos:   

Benedita,  Antonia, Amália (não confundir com Anália que era irmã de Lampião, Joana, Olindina, Francisca, José, Arlindo, Ananias,  Isaías, Ozéas, todos sendo Gomes de Oliveira.

Zé de Neném, primeiro esposo de Maria BOnita.

Aos 15 anos de idade, Maria Bonita resolveu se casar, tendo como marido, o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé de Neném (seu primo, segundo pesquisadores), que não levando sorte, durante o tempo em que viveram juntos, a sua vida foi infernizada pelo desastroso casamento, quando o sapateiro não a valorizava, e com isso, as brigas eram constantes no lar.
              
Apesar de ser cangaceiro os pais de Maria Bonita tinham admiração por Virgulino Ferreira da Silva. Mas existem registros que afirmam que quando Maria Bonita se juntou a Lampião, o seu pai debandou-se por aí, porque não queria tal união, passando oito anos fora da família). Para você leito ter plena certeza,  clique neste link e compove: 
https://tokdehistoria.com.br/tag/ze-de-nenem/

Pais de Maria Bonita.

O que sentiu Lampião por Maria Bonita foi sem dúvida, o tipo físico de mulher brasileira,  olhos e cabelos castanhos que faziam com que muitos a desejassem, por ser  considerada uma mulher interessante. A atração foi recíproca entre os dois, que posteriormente, Lampião a convidou para fazer parte do seu respeitado bando.  

  
Volta Seca

O cangaceiro Volta Seca, em uma de suas entrevistas com o jornal " Pasquim", afirma que Lampião não queria que ela entrasse para o bando, mas ela insistiu tanto, que ele findou a levando consigo para a caatinga.            
               
Após a entrada de Maria Bonita, na "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.", muitos asseclas levaram as suas amadas para as caatingas, como o cangaceiro Corisco, que raptou uma jovem de 13 anos, para acompanhá-lo na mais perigosa vida, que é a de viver em correria dentro das matas, quando eram perseguidos pelas volantes.

Mas mesmo usando o seu malabarismo, finalmente na madrugada de 28 de Julho de 1938, Lampião e mais dez cangaceiros foram  executados pelas forças volantes, comandadas pelo tenente João Bezerra da Silva, e entre eles, estava a sua rainha Maria Bonita, além de um policial da volante. Mas a literatura reza que este foi morto por fogo amigo..

Uns dizem que Lampião havia chegado a sua hora. Outros dizem que Lampião foi envenenado. Outros afirmam que a morte do rei e da rainha aconteceu devido um bom cerco policial que o seu matador havia preparado. O certo é que, o compadre Lampião chegou ao fim. Ninguém se esconde por muito tempo de ninguém. Um dia chegará a sua vez de ser visto.

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ANGICO SEGUNDO ZÉ LUCENA | CNL | 1251

 Por O Cangaço na Literatura

https://www.youtube.com/watch?v=Wj0-6vs5Xk4


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QUEM MATOU BENJAMIN ABRAHÃO (O ÚNICO HOMEM A CONSEGUIR FILMAR O BANDO DE LAMPIÃO).

 Por Cangaço Eterno

https://www.youtube.com/watch?v=Wj0-6vs5Xk4

Conheça a vida e morte de Benjamin Abrahão Callil Botto, o sírio-libanês que conseguiu filmar o cotidiano de Lampião e seus cangaceiros. veja quem são seus possíveis assassinos...

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A INCRÍVEL ENTREVISTA DE JOÃO BEZERRA PARTE 2 (ELE DEU CABO DA VIDA DE LAMPIÃO).

 Por Cangaço Eterno

https://www.youtube.com/watch?v=wtEJDBjQQSE

Confira a segunda parte da reveladora entrevista do cel. João Bezerra, onde ele apresenta informações segundo sua visão da ação na grota do Angico, onde Lampião, Maria Bonita e mais 9 cangaceiros foram mort0s e d3capit4dos.
Segue abaixo o link da primeira parte da entrevista.    • A INCRÍVEL E SURPREENDENTE ENTREVISTA DE J...  

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A SUPOSTA COVARDIA DE JOÃO BEZERRA.

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=Sd8vK6cmzTA

Elias Marques e Durval Rosa falam sobre como era o Tenente João Bezerra e os outros comandantes. Também narram um pouco de como Lampião era visto pelos sertanejos. Para participar da Expedição Rota do Cangaço entre em contato pelo e-mail: narotadocangaco@gmail.com Seja membro deste canal e ganhe benefícios:    / @cangacoaderbalnogueira  

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JOÃO BEZERRA VISITA CANDEEIRO.

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=0icwoAf40t8

Para participar da Expedição Rota do Cangaço entre em contato pelo e-mail: narotadocangaco@gmail.com Seja membro deste canal e ganhe benefícios:    / @cangacoaderbalnogueira   #lampiao #cangaço #maria bonita #cangaceiros #joãobezerra

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domingo, 21 de dezembro de 2025

ENGRAÇADA ENTREVISTA COM LAMPIÃO - É UMA BRINCADEIRINHA COM O CAPITÃO. AS PRIMEIRAS RESPOSTAS SÃO REAIS, DA SUA ENTREVISTA AO MÉDICO OTACÍLIO MACEDO. OUTRAS, NÃO.

 Por José Mendes Pereira (Crônica 19)

Como já se formam mais de 14 anos que eu venho estudando a literatura lampiônica, e que muito me tem dado bons conhecimentos, no que se refere a cangaço, e ao famoso e lendário cangaceiro do Nordeste, o capitão Lampião, como é conhecido mundialmente; e quando eu leio algo sobre este desastroso movimento social daqueles perigosos jovens, tenho a impressão de que estou caminhando com eles pelas caatingas do nordeste, apesar de não as conhecer.   

Raso da Catarina onde foi morto Lampião e Maria Bonita

Mas em cada lugar que eles passaram eu tenho na mente como eram os cerrados, as caatingas, os rios, as invasões, o rio São Francisco, o Raso da Catarina, os coitos que eles faziam, os bailes perfumados, as negociações com os fazendeiros, as tocais... É como se eu estivesse dentro do cangaço, vivendo todos os movimentos que eles faziam.     

Certo dia, eu tive um sonho, e nele, me tornei num repórter, e cheguei a fazer algumas perguntas ao famoso Lampião.  Apesar de ter sido um homem perverso, mas ele me recebeu muito bem, obrigado! Respondendo as minhas perguntas, as quais eu passo para os nossos leitores como aconteceu esta sonhadora entrevista. Mas aqui acolá, ele me repreendia fortemente. Eu deixava pra lá.  

JMP – Por que entrou para o mundo do crime?                       

Lampião – Primero qui tudo têno qui mi indentificá quêim eu sô. Chamu-mi Virgulino Ferreira da Silva, e pertenço à humide famia Ferreira, do Riacho de São Dumingo, municipe de Vila Bela. Meu pai, pur ser cunstantimente pirsiguido pela famia Nogueira, e em especiá, pur Zé Saturnino, um dos nosso vizinhos, arresoiveu ritiraçe para o municipe de Água Branca, no istado de Alagôa. Nêim pur isso ceçô a pissiguição.  Im Água Branca, mina mãe faliceu. A causa: caiu im dipreção, divido a pisiguição daquele dirgraçado, o Zé Saturnino. Tumbêim, lá foi açacinado o meu pai, José Ferreira da Silva, pelos Nogueira e Saturnino, no ano de 1920. Não cunfiando na ação da justiça púrbica, pur quê os açacino contava cum a iscandaloza potreção dus grande, risoivi fazê justiça pur mina conta pórpia, isto é, vingá a morte do meu prugenitor. Não pirdi tempo, e risolutamente arrumei-me e infrentei a luta. Não iscuí gente das famia inimiga para matá, e ifitivamente cunsigui dizimá-las cunsideravimente. Pur isso digo qui eu intrei pru mundo do crime, não pur mardade mina, maiz pur mardade dos outo.   

JMP – E quais foram as maldades?                 

Lampião – Veja se eu têio ou num razão. Em 1915, ocorreu uma das maió secas da rigião nordistina, de intencidade e duração até intão nunca vista. Us meus paiz, coitado, sofrendo cumo tanta ôtras famía, risoiverum viajá até Juazero do Norti, im visita a meu padim padi Cíço. Cumo era custume de muita famia nordistina irem à prucura de ajuda riligiosa, meu pai tumbém dicidiu prucurá os riligioso. E para qui a prupriedade num ficaçe abundonada, eu num viagei cum os meu paiz. Fiquei no sítio prá cuidá dos afazer rutineirus. Dias dispois, cumeçou a dizaparecê caprinus. Eu cumeçei a investigá, tentando discobrí o respunsávi e ricuperar os nosso animá. Insisti até principe do ano de 1916.                                  

JMP – E daí, capitão, o que aconteceu? – interrompi-o, mas ele  nem gostou. 

Lampião – Caima! Vosmicê mi parece vexado!... Certo dia, eu discubri quêim era o ladrão dos nosso animá. 

JMP – E quem era o ladrão, capitão?                                            

Lampião – Espera sugeto! Vosmicê é ingual aquele apresentadô da Grobo, um tá de Fastão. Num ispera que ninguém dê a resposta!...Poiz bêim! Ontonse intrei na casa de um moradô na fazenda Pedrera, de purpriedade do dito Zé Saturnino.  Cumo eu sempre fui um sugeito curioso (e com isso, eu cunsegui vivê mais de vinte ano no cangaço), vi város côro de cabra e bode, ainda trazendo nais zurêia, as marca dos noço animá. Daí, num tive durda, que aqueles côro erum dus nosso animá que havia dizaparicido. A partir disso, cumeçêi uma guerra cronta aquele safado ladrão, o Zé Saturnino.

JMP – E o que aconteceu depois que o senhor descobriu que haviam roubados os seus animais?  

Lampião - Se  vosmicê calá eça sua forragera, sugetinho que num sabe intrevistá ninguêim, eu vô lhe respondê. Maiz se continuá se intrometendo nas mina rispostas, eu coito a sua língua cum o meu punhá. E acho mió agente incerrá  eça intrevista pur aqui...poiz chim! Ontonsse cumo eu ispaiei o açunto, afirmando a quêim eu incrontava, que Zé Saturnino istava robando as nossa cabra, ele virô-se contra a mina famia. Maiz me fartô a paciênça. Findêi matando um dos seus aduladô. E tive que me refugiá lá no istado de Alagôa, juntando-me a meu irmão Livino, que já istava lá. Nóiz ficamo sêim sabê o que fazê. Tumêi uma sulução. Ô tudo ô nada. Cumo o Sinhô Perera sempre foi meu amigo, e já era dono de um bando de cangacero, aliêi-me a ele, isperando que mi deçe apôio. 

JMP – Nessa época, quantos anos o senhor tinha? 

Lampião – Eu já tava cum 22 ano de idade. Eu ainda era uma criancina.

Sinhô Pereira

JMP – Sinhô Pereira foi uma influência na sua vida?

Lampião – Foi um grande ôme e muito importante na mina vida de bandulero. È tanto que se ele e eu vortássim a viver novamente, e ele fosse cangaceiro, eu iria sê um sordado dele.

Maria Sulena da Purificação - mãe de Lampião

JMP – A morte de sua mãe, qual foi a causa?                        

Lampião – Parece-me que vosmicê ainda num intendeu nada. Ora sebo! Se cum eça cunfuzão tôda, dus rôbo que Zé Saturnino feiz dos nosso animá, cumo eu num deixêi a mina boca calada, e dizia que êle era um verdadero ladrão, cumo êle ficô decipcionado, feiz cum que o meu pai e mina mãe saíçe das terra de Pernambucu pá morá lá im Alagôa. Mina mãizinha num suportando a pressão daquêle dizaforado, caiu im dipreção, vindo a falicê nu ano de 1920. 

José Ferreira da Silva - pai de Lampião

JMP – E o seu pai, como foi a sua morte?

Lampião – Eu nêim gosto de cumentá. – disse ele com os olhos cheios de lágrimas. Mas cumo vosmicê me preguntô, eu vou lhe explicá..., o disgraçadu munipulô o Zé... eu nêim gosto de falá o nome daquela peste.   

JMP  – E quem é o desgraçado, capitão?

Lampião – Vosmicê me pareçe que bebe? Num istá acumpãiando o meu raciocino, seu cabra? 

JMP – Estou capitão, mas o senhor falou num desgraçado e não disse quem é... 

Lampião – O disgraçado é o Zé Saturnino! Pôiz bem. Ele num teve corage de me infrentá, cumo lá diz, foi pidir ajuda ao Zé Lucena, ôta poiquera que eu incontrêi no meu camino de bandolêro. Munipulado pur Zé Saturnino, o peste ruim foi lá onde o meu pai morava cum as minas irmã.   

JMP – E a mãe? 

Lampião – A mãe de quêim? – interrogou ele com ignorância, e já com a mão no mosquetão. 

JMP – Capitão, eu estou lhe perguntando, por que a sua mãe não estava com o seu pai no momento? 

Lampião – Vosmicê num istá prestando atenção a mina resposta, seu dizaforado? 

JMP – Estou, capitão. Mas por que ela não estava com seu pai?

Lampião – Ela já havia falicidu, coisa bêsta!... cumo o Zé Lucena foi munipulado pelo Saturnino, foi lá e açacinô o meu véio pai, a quêim tanto devo.

JMP – Nesse período o senhor ainda se encontrava nas terras de Alagoas?

Lampião – Ainda. Maiz nesse dia eu istava bem póximo da fazenda que o meu pai morava. Quando eu arricibi a nutiça, para mim foi a maió dô que eu paçei na mina vida.                  

JMP – O senhor foi para lá? 

Lampião – Fui não seu disaforado! Que pregunta idiota essa que vosmicê me feiz dinovo. Se o meu pai tina sido açacinado, pru quê eu num ir lá?... Ora! Qui sebo! Assim que eu cheguêi, que vi meu pai invoivido num linçó de sangue, eu pirdi o tino. Ah, se eu tiveçe me incrontado cum ele naquele dia! Eu tiria o pego e matado divagazim, cortando pur pedaço. Eu cumeçava pelos dedo, dispois os braço, im siguida, as perna, as zurêa para dexá-lo lambido cumo cabra. E dispoiz infiava o  meu punhá na cravica, só para vê-lo morrendo afogado im sangue... 

JMP – Capitão, dizem que o senhor conheceu Maria Bonita lá em Santa Brígida. Maria Bonita era bonita mesmo?      

Lampião – Óia lá, cabra! Veja o que istá me preguntando. 

JMP – Mas isso faz parte da entrevista, capitão. 

Lampião – Cumo vosmicê me preguntô e rialmente faiz parte da intrevista, eu lhe rispondo. Maria era uma linda mulé. Tina umas perna bêim feitas, carinosa, e um cafuné de Maria, me fazia um cordero.

Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

JMP – E Luiz Pedro, era um dos seus melhores amigos. O senhor nunca sentiu ciúmes com Maria Bonita. 

Lampião – Vosmicê já istá indo muito lonje! istá querendo difamar a mina Maria, cabra? – Fez ele encostando o seu punhal na minha goela.

JMP – Não capitão!!!     

Lampião – Vô lhe respondê. Mas não me fassa maiz uma pregunta desse tipo. Poiz se isso acuntecê, vosmicê vai prová do meu punhá..., não só Luiz Pedo, cumo tôda cangacerada era lôca pur Maria. Maiz quêim comia a caine era eu. Eles nunca tiverum direito nêim de ruê os oços.           

JMP – Por que o senhor não conseguiu sucesso na invasão de minha Mossoró?            

Lampião – Ora! Cidade portegida pur santo, meu amigo, nunca foi para bico de cangacero.     

JMP – Onde foi que o senhor errou, quando arquitetou o ataque a Mossoró e saiu derrotado?    

Lampião – O meu grande êrro, foi de tê mandado doiz biêtes para o prefeito. Se eu tivesse intrado sêim cumunicá-lo, cum ceiteza eu tinha levado todo diêro daquela cidade.   Massilôn, Sabino e outos, num qiria que eu mandaçe. Maiz infilismente eu teimei e mandei. Tumbêim eu num tina muito intereçe de assaltá Moçoró, purqui eu sô divoto de Santa Luzia. E a paduêra de sua cidade é ela.   

JMP – O bando estava com quantos homens?

Lampião – Eu levava un 60 cabras. Mandêi dizê que erum 150 ômis, pá vê se açombrava aquelas pestes. Elis erum maiz de 300 na luta e ôutro bocado no apôio, iscondidus dentro da igreja de Sum Vicente..., e ainda ôje conde passo numa cidade e vejo Sum Vicente, eu dô vontade de atirá bem no mei da testa, só pá vê a cabeça do disgraçado cair os pedaçus. Naquêli dia, Moçoró istava cum a febre dus capetas e a gripe dos poico. E para me atrapaiá, vêi uma chuva dus diabos, caindo do céu e a chuva de bala cumendo pur baixo. 

Lampião e Benjamin Abraão

JMP – O senhor já se encontrou com Benjamim?     

Lampião – Não. Maiz tenho vontade de me incrontá cum ele. Foi ele quêim me feiz herói no Brasil e no mundo inteiro, atravéiz dais foto que ele feiz prá mim e meus cabra. Se num fôce ele, hoje quase ninguêim me conecia.

Zé Saturnino e Lampião

JMP – Se o senhor voltasse a viver na terra, quais os homens que o senhor os mataria?   

Tenente Zé Lucena

Lampião - Era o Zé Saturnino. O segundo seria Zé Lucena. E o terceiro, o disgraçado que antecipô a mina ida lá prá onde eu tô morando. Síria o João Bezerra...

Tenente João bezerra da Silva

JMP – E onde o senhor está morando?

Lampião – No inferno eu num tô não. Quem divia tá lá, é esse bando de pulítico que roba o Brasil, deixano as famía cum fome. Eu robava, maiz dava tumbém ao pobe.

JMP – Fale sobre a baronesa de Água Branca...   

Lampião – Deixô-me rico, rico... Deixa prá lá...

JMP -   Se o senhor voltasse a viver novamente aqui na terra, com certeza seria um homem que fazia o bem? 

Lampião – Prá quê? Prá sê prezo? Nem morto! Sê onesto é que eu num quiria sê. Nesse seu Brasí, quem vai preso é o ôme onesto.  Passei maiz de vinte ano robando, matando e nunca fui prezo. O mundo mió qui inziste nessa terra é sê ladrão. Se vai prezo, no ôto dia tá na rua. Agora veja quêim fica lá na cadêa inté mofar..., são os paiz de famia. Maiz ladrão tem o seu lugá garantido no Brasí. 

http:/josemendeshistoriador.blogspot.com

sábado, 20 de dezembro de 2025

UMA HISTÓRIA DE TRAIÇÕES PARA OS NOSSOS LEITORES APRECIAREM.

 Por José Mendes Pereira

História baseada em fatos reais.

Marília Pascoal Lira de Souza nasceu no amado chão mossoroense e era filha de Adailton Gomes de Souza e Esterlina Pascoal Lira de Souza. Apesar de ser de classe baixa, aos cinco anos de idade foi matriculada em uma escolinha que era destinada para filhos de pessoas de classe alta. Desde que começou a tomar conhecimento das coisas do mundo, Marília percebeu que a sua mãe não respeitava o seu amado pai. Quase todos os dias, quando o Adailton saía para trabalhar, e eles, filhos, estavam na escola, Esterlina sua mãe convidava um dos seus amantes, e lá no seu quarto, sozinhos, faziam a festa de traição. Mas como ainda era uma criancinha, era obrigada engolir aquilo sem querer enfrentar para cobrar da mãe o respeito como mulher.

Mas aos 12 anos de idade não deu mais para Marília sustentar a barra e, vez por outra, já enfrentava a mãe, exigindo dela o respeito conjugal com o seu pai, porque o que ela fazia, era ridículo para a sociedade, para eles, para o inocente pai, e muito mais para ela. Como feminina e casada, tinha obrigação de respeitar o esposo e a si mesma. Mas a dona Esterlina não tinha compromisso com a responsabilidade conjugal. Para ela, Marido era apenas uma pessoa encarregada de colocar comida em casa, comprar roupas, pagar papel de luz e água, enfim, pagar todas as contas que aparecessem no decorrer do mês como se fosse um burro de carga.

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Marília tinha mais dois irmãos. O Jorge Pascoal, o Jorgito como era chamado, o mais velho de 16 anos, e o Paulo Pascoal, com 15 anos apenas. Vendo o desrespeito da mãe, Marília começou incentivar os irmãos para tentar interromper aquele desrespeito da mãe contra o seu pai. Ela e eles já viviam de cabisbaixa no meio da vizinhança, porque todos já tinham tomado conhecimento, e viam as marmotas praticadas por ela, isto é, a infidelidade da mãe dentro do seu próprio lar contra o pai.

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Certo dia, pela manhã, Marília sem receio, fortemente discutiu com ela e, até a ameaçou de contar tudo ao pai o que ela fazia, caso continuasse com o seu escandaloso adultério. Mas a mãe nem se importou com que dissera a filha Marília, porque sabia muito bem que o esposo era um verdadeiro bobão. Tinha muita confiança nela, e jamais ele iria acreditar nela ou nos outros dois irmãos. Marília bem decepcionada com a mãe que tinha, disse-lhe:

- Você nem imagina a vergonha que meus irmãos e eu temos de você, em sabermos que a nossa mãe é uma prostituta das mais vagabundas que existem.

A mãe não gostando da maneira como ela frisou as palavras contra si, tentou repreendê-la:

- Você me respeite que eu sou sua mãe! E não admito que venha...

- Se você prestasse eu não diria - atalhou Marília – mulher do seu tipo é mais vagabunda do que se espera. A partir de hoje você deixou de ser minha mãe, aliás, nossa mãe, porque meus irmãos e eu temos vergonha do seu ridículo comportamento. Aqui no bairro a gente só anda de cabisbaixa por causa do seu desrespeito com papai. Infiel!

No dia que debutou, festejando com as colegas, Marília promoveu a sua festa e não quis a presença da mãe em seu maior desejo, que era comemorar o seu dia de debutante com as amigas. Mas no momento em que se divertiam, a mãe entrou com um bolo de alto custo, e vinha caminhando para pô-lo sobre a mesa onde estavam os bolos para a recepção. Ao vê-la chegando com o bolo em mãos, Marília fingiu recebê-lo, e assim que se apoderou dele, jogou na cara da mãe, expulsando-a do recinto. Marília tinha criado uma espécie de nojo da mãe.

Mas não precisou que Marília e os dois irmãos contassem ao pai o pouco respeito que tinha a sua esposa, porque, posteriormente, ele tomou conhecimento que ela mantinha relacionamentos extra conjugais. Enfurecido, Adailton obrigou-a confirmar as suas traições, colocando um revólver em seu ouvido. Assim que ela o confessou, Adailton não teve coragem de apertar o gatilho da arma, e de imediato, entregou a arma a ela e exigiu que ela o matasse. Mas se ele que era o único prejudicado não apertou o gatilho para matá-la, por que ela tinha que o matar? E devolvendo a arma a ele, a adúltera entrou no quarto e se trancou. Lá, Esterlina pôs-se a pensar e depois se perguntando. Por que trouxera aquela sina de trair o seu marido? Um homem bom para ela e para os três filhos. Tudo que ele ganhava em seu trabalho era entregue em suas mão para fazer o que bem entendesse. E por que o traía? Só saía sozinho para ir à casa de um amigo ou jogar dominó lá no bar do Rocha, e lá, todas as paradas eram valendo, mas um valor insignificante que não fazia falta em sua casa.

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Ao entardecer, quando deu sinal de viva o esposo já estava em casa e jogou-lhe o pedido de perdão, prometendo-lhe que se ele deixasse de falar o acontecido, não mais o trairia. Iria ser a sua esposa para sempre.

Mesmo decepcionado, Adailton aceitou o pedido, e continuou dentro de casa como se o casamento estivesse caminhando muito bem. Ele já sabia de tudo e a partir daquele dia, ela o prometera que iria ser fiel e não o trairia mais de jeito nenhum. As coisas andavam bem. Adailton no trabalho, tinha certeza que ela estava cumprindo o que lhe prometera.

Não era um casal que dissesse, que felicidade! Mas aparentemente, não deixava transparecer o ódio do marido. Ele fingia que tudo corria muito bem, só para não deixar os três filhos infelizes.

Meses depois, mesmo tendo sido traído pelo seu cônjuge, Adailton estava mais ou menos se sentindo feliz, porque a esposa nunca mais tinha faltado com o respeito. Saía quando precisava e vinha na hora certa, sem nenhum desvio de caminho para praticar adultério contra ele. Mas mesmo ela conservando o respeito, vez por outra, sempre ele tentava acompanhar os seus passos em segredo. No trabalho o Adailton fazia planos para manter o casamento firme e principalmente, cuidar da formação educacional dos três filhos que muito estimavam.

Marília já se pusera moça formosa e já tinha feito a festa de debutante. Uma mocinha atraente e de bom comportamento, e ainda não dava a mínima atenção aos seus pretendentes que enfileirados passavam de 10. Só iria amar um jovem para se casar após os 25 anos de idade, quando a sua cabeça estivesse feita por completa. Não queria escolher qualquer um, só aquele que o seu coração desejasse. Não iria casar só por casar para fazer o que a sua mãe fazia com o seu pai, traindo-o quando ele estava nos afazeres da empresa que tinha carta assinada e com todos os direitos protegidos pela CLT. Era jovenzinha, mas a sua formação de feminina de caráter e de futura mulher, trouxera do berço. Jamais iria decepcionar o seu futuro cônjuge.

O Jorge, o filho mais velho do casal já estava pronto para o trabalho, e até desejava ser no futuro um  policial admirado dentro e fora da corporação. Profissão que o pai sempre batia nesta tecla, que ser policial era um risco de vida, e tinha tido alguns amigos que foram embora desta vida muito cedo, assassinados por bandidos, enquanto tentavam cuidar da população. Muito bonito o uniforme da polícia, mas aquele ofício era um caminho para a morte. Policial sai de casa para o trabalho, mas não sabe se vai voltar com vida.

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O Jorge já estava preste a concluir o 2º. Grau, e caso não fosse usar o uniforme policial, tentaria ser músico, uma das profissões que guardava em sua mente como segunda opção. Já tinha uma namorada fixa, aliás, a primeira em toda sua vida de jovem, e andava em sua casa duas vezes por semana, e sempre fora bem recebido pelos seus pais e familiares. Tivera contatos, não namoro, com outras donzelas, mas não chegou a sentir amor por nenhuma delas. Mas era um jovem tímido, e a causa desta timidez, nascera quando tomou conhecimento do desrespeito da mãe, quando  manchara a honra do seu pai.  

O Paulo de 15 anos, ainda não havia namorado, porque dedicara-se totalmente aos estudos. Queria ser alguém na vida, e namoro é um passo para o jovem deixar de pensar nos seus ideais. Sabia que um dia teria que colocar uma donzela no seu caminho, ou aliás, na sua companhia, mas por enquanto, não, e temia herdar algo do pai em relação a amor, quando fora traído pela sua mãe. E não tinha certeza se suportaria ou não, se caso um dia soubesse que a sua esposa estava o traindo. O mais correto seria, por enquanto, não se preocupar com namoro de forma alguma. 

Apesar dos pesares, vendo o bom comportamento da mãe, os filhos entraram em acordo que, precisavam analisar e perdoarem o que antes ela tinha feito com o seu pai, e era preciso urgente uma aproximação dos três, isto é, tentarem reconquistá-la, porque só assim, fariam o pai ficar mais feliz ainda. Viam que todas as tardinhas, quando ele chegava do seu emprego e falava com eles, o sorriso na face era do canto da boca ao outro. Então, reconquistá-la era preciso, e sem demora para que a felicidade do pai ficasse implantada em seu rosto. Se ele estava feliz, eles também estariam.

Os dias foram se passando e na certeza que a sua esposa não mais estava o traindo, o Adailton deixou-a a vontade. Depois de tudo que acontecera, agora era preciso manter uma espécie de confiança, já que ela o prometera que não o trairia mais. E a partir dali, o Adailton não mais pegava no seu pé, e ela podia ir para onde quisesse, praias, chopins,  churrascarias etc, mas numa condição: amantes que tivera antes, jamais poderiam  estar em sua companhia, ao seu redor, isto  pensava o Adailton sem nunca ter falado para ela. Assim como ele que saía de casa a hora que desejava igualmente o retorno, porque ela tinha que ficar ali presa, como se fosse um pássaro engaiolado só comento e bebendo? Se ele tinha direito a amigos, a Esterlina também tinha direito de ter as suas amigas.

Mas mulher quando perde o seu respeito de fiel é difícil de se acreditar mais. O Adailton sabia demais que a mulher tem três sentidos: faz, diz e nega, e o homem tem cinco. Dois errados e três perdidos. 

A mulher faz, diz a sua amiga, e quando a amiga conta para a amiga, ela  nega com todas letras. Já o homem é totalmente diferente e perde para a mulher, porque os cinco sentidos que ele tem, dois são errados e os outros três últimos são perdidos. Então a mulher é sempre a beneficiada e poderosa.

Assim que o Adailton abriu espaço para liberá-la e confiando desconfiando ao mesmo tempo, a Esterlina começou a querer voltar aos velhos tempos de traição. Agora não era mais aqueles amantes de antes que os levava para casa, e lá, praticava o adultério contra o seu marido. e sim, jovens com mais ou menos de 20 a 25 anos. O salto para o outro galho é que, saindo com eles acreditava que se caso o Adailton o visse com algum rapaz desta idade, jamais iria pensar que ela estava de caso com jovem que tinha idade para ser seu filho.

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Certo dia, já ao entardecer, em uma rua que passava todos os dias quando ia  e vinha do trabalho, o Adailton percebeu que uma mulher tendo os traços e uniformes da Esterlina, seguia à frente acompanhada com um jovem. O Adailton acelerou o carro para chegar mais rápido, fazendo uma espécie de corte para alcançá-la, e ver se na verdade era ela. Naquele dia ele se enganara. Não era a Esterlina, e pôs-se a pedir perdão a Deus, porque estava blasfemando contra a sua companheira.

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O casal continuava bem, mas o Adailton sempre estava sentindo que uma pulga cochichava em seu ouvido, que Esterlina não estava cumprindo o que lhe prometera, que não mais o trairia. Mas enquanto não visse a sua infidelidade, não tinha como reclamar dela. O certo era aguardar sem falar nada. Suspeitava, mas por enquanto, para isso, os seus olhos estavam totalmente cegos, só a sua mente que não queria ficar quieta.

A Marília e os dois irmãos já suspeitavam que a mãe havia voltado ao velho e vergonhoso tempo passado, porque, certo dia, quando eles pegaram um táxi que vinham de um Shopping, viram a mãe em uma rua que não era do costume nem dela e nem deles passarem por lá. Ela vinha acompanhada de um jovem de pouca idade. Mas ao chegarem em casa, ficaram aguardando a chegada da Esterlina. E assim que ela pôs os pés dentro de casa, os três filhos se revoltaram contra ela, usando as mais baixas palavras para ela. Vendo o desconforto entre os filhos, ajoelhou-se diante deles, pedindo perdão pelo seu mal comportamento. Mas eles não a perdoaram de forma alguma. 

A confusão só terminou quando o pai chegou em casa e ao entrar, nenhum deles teve coragem de repassar para o pai, que a mãe havia voltado usar os seus escândalos contra ele. E ao cumprimentarem o pai, cada um tomou rumo para o seu quarto. Lá no quarto, a Marília ficou encucando se contava ou não ao pai. Imaginou que se ela contasse e se ele a  agredisse, poderia acontecer um assassinato. 

Felizmente, o pai quando chegou em casa não deu para saber o que significava aquela discussão. E de imediato, chamou a esposa e pediu o seu jantar. Ela foi às pressas fazer. Mas Esterlina estava meio cismada, temendo que a Marília contasse ao pai, o seu desrespeito para com ele. E assim que pôs o jantar, convidou-o à mesa, e em seguida, foi ver um pouco alguns programas de televisão. 

Adailton não tinha muita certeza que a mulher estava quietinha, isto é, sem amores. E, nessa noite, os filhos saíram para a praça. Ele foi ao encontro dos amigos que ficavam em um bar para  jogarem cartas e dominós. E enquanto ele se divertia, a Esterlina fez convite a um dos seus amores jovens, que fosse até à sua casa, porque ela estava só. Quando os filhos saíam, demoravam bastante, passeando lá pela praça, igualmente o Adailton que permanecia por um bom tempo por lá. 

Mas nesse dia o  Adailton voltou logo, porque não encontrara no bar os amigos. Tinha havido um assalto e o proprietário naquela noite resolveu fechar as portas do ambiente cedo. 

A Esterlina não esperava que seu esposo chegaria cedo. E ao entrar, a viu sobre a sua cama em demasiados amores. O Adailton não suportando aquela cena, mandou que o jovem se levantasse, vestisse a roupa e fosse embora, mas a Esterlina ficaria deitada para pagar o seu feito. E arrastando o revólver, atirou 6 vezes à queima-roupa, deixando-a no meio de um lençol de sangue. Não deu nem tempo para a Esterlina pedir ao esposo traído o perdão. O Adailton foi preso, e sim, absolvido, pois Marília e os irmãos foram suas testemunhas de defesa, o que facilitou o processo.

Após alguns anos, o Jorge foi morar em outro Estado do Brasil e por lá,  incorporou na polícia e nunca mais deu notícia para os seus familiares maternos que ficaram todos contra eles, por terem ficado ao lado do pai. O Paulo obteve sucesso nos clubes de futebol. A Marília casou-se e teve filhos. Vivia de vendas ambulantes. O pai casou-se novamente e foi muito feliz com a nova esposa. 

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