Por Francisco Alvarenga Rodrigues.
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Por Francisco Alvarenga Rodrigues.
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Por José Mendes Pereira
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Por Ângela Mendes
No dia em que meu pai foi assassinado, eu estava com 18 anos e grávida, esperando Angélica Francisca, a minha primeira filha
Como a gente não tinha uma convivência contínua, com ele na luta, e eu em Rio Branco, eu achava que talvez não fosse sentir tanto aquela morte anunciada que ele mesmo sabia que estava por acontecer.
Mas quando meu pai morreu foi horrível, e até hoje pra mim não é nada fácil falar disso, porque ainda me toca muito. Foi como se o chão tivesse fugido debaixo dos meus pés. Entrei em um buraco de desespero por não compreender como uma pessoa tão querida como o meu pai podia ser morta daquela forma tão covarde.
O destino separou meu pai de mim muito cedo. Ele se casou com minha mãe em 1967 ou 1968, não sei ao certo, e a situação financeira deles era precária, de extrema pobreza mesmo. Ele já estava envolvido no Movimento, e eles não tinham nenhuma renda. Eles só tinham a mim e à minha irmã, que veio a falecer com 11 meses de vida, devido à precariedade do local onde a gente vivia, muito distante da cidade e sem condição de tratamento médico.
Depois de algum tempo, tive que vir morar com outros familiares em Rio Branco, porque a situação era difícil. Aí meu pai se separou de minha mãe, e o destino nos separou a todos. Mas desde pequena eu sempre tive contato com o meu pai, porque ele sempre vinha me ver quando passava por Rio Branco. Nosso último encontro foi justo na semana do aniversário dele, porque ele veio me ver quando chegou de viagem, antes de voltar para Xapuri. Mas até hoje, a cada momento em que penso, em que falo sobre ele, passo pelo mesmo sofrimento de 34 anos atrás.
Sinto muita falta das nossas brincadeiras, do carinho que a gente tinha um pelo outro, da vontade que a gente tinha de ter uma convivência diária. Nas vindas dele a Rio Branco e nas minhas idas a Xapuri – naquele ano eu tinha passado as minhas férias com ele – a gente foi criando laços muito fortes. A última vez que nos vimos, nossa despedida foi de muito carinho, de muita compreensão e, de repente, pronto: eu descubro que não vou vê-lo nunca mais.
Depois da morte de meu pai, eu me juntei ao Movimento e fui trabalhar no Centro de Trabalhadores da Amazônia (CTA), a convite da Júlia Feitoza e da Rosa Roldán, que foram duas pessoas que cuidaram de mim e me deram muita força no momento em que eu mais precisei. No CTA eu trabalhei durante 12 anos, e lá eu pude ter contato com seringueiros de vários lugares. Isso me realizava muito, porque eu ficava próxima das pessoas que participam das mesmas situações e que vivem no mesmo mundo em que meu pai vivia.
Do CTA eu vim para o Comitê Chico Mendes, do qual hoje sou presidente, e onde faço um trabalho que me orgulha muito. Primeiro porque continuo perto das pessoas que foram amigas de meu pai e, segundo, porque lutamos para preservar a memória de meu pai, para que seu legado não seja esquecido.
Todos os anos, no Acre, realizamos a Semana Chico Mendes, de 15 a 22 de dezembro, do dia em que ele nasceu ao dia em que ele morreu, para continuar mobilizando a sociedade, em especial a juventude, em defesa da floresta amazônica e dos povos que nela vivem, porque esta é a luta que resume um pouco dos ideais de e dos sonhos do meu pai.
Angela Maria Feitoza Mendes – Ambientalista. Presidente do Comitê Chico Mendes e Conselheira da Revista Xapuri. Depoimento concedido a Zezé Weiss, para o livro Vozes da Floresta.
https://xapuri.info/memorias-que-guardo-de-chico-mendes-meu-pai/
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Por José Mendes Pereira
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JOSÉ MENDES PEREIRA POTIGUAR.
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Se os links não abrirem leve-os até ao google.
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Por Tesouros Reais.
O cangaceiro conhecido como
Gitirana, cujo nome verdadeiro era Antônio Félix — também identificado por
alguns registros como Antônio José dos Santos — foi uma figura singular no
cenário do cangaço nordestino. Diferente da imagem comum associada apenas à violência
e ao banditismo, Gitirana destacou-se por unir a vida errante do cangaço à
sensibilidade artística da poesia e da música.
Natural do estado de Alagoas,
Gitirana ingressou no cangaço por volta de 1937, motivado pelo desejo de
vingança após a morte de seu pai, assassinado em uma ação policial. Como
ocorreu com muitos sertanejos da época, a violência estatal e a ausência de justiça
formal empurraram-no para a vida fora da lei.
Durante sua trajetória, Gitirana
integrou bandos comandados por dois dos maiores nomes do cangaço: Lampião, o
“Rei do Cangaço”, e, posteriormente, Corisco, um de seus principais seguidores
após a morte de Lampião em 1938. Mesmo em meio à dureza da vida armada,
Gitirana se diferenciava pelo comportamento menos brutal e pelo apreço à arte.
Reconhecido como repentista,
compositor e cantor, ele costumava criar versos que abordavam o amor, a saudade
e a beleza do sertão, especialmente durante as noites no acampamento. Seus
poemas contrastavam com a violência cotidiana do cangaço, revelando um lado
mais humano e sensível do movimento.
Em 1940, já enfraquecido
fisicamente, Gitirana decidiu se entregar às autoridades na Bahia, acompanhado
de sua companheira, conhecida como Maria de Gitirana, e de outro cangaceiro.
Pouco tempo após a rendição, ele faleceu em decorrência de tuberculose, doença
comum e muitas vezes fatal no sertão da época.
A história de Gitirana permanece
como um exemplo das contradições do cangaço: um homem marcado pela violência do
seu tempo, mas que encontrou na poesia e na música uma forma de expressar
sentimentos em meio ao conflito e à perseguição.
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O "capitão" Virgolino Ferreira, Lampião, sentado em um trono, na condição de monarca do sertão, e ao seu lado está dona Maria "Bonita" Gomes, em mais uma imagem produzida através da IA.
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Por José Mendes Pereira
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Por José Di Rosa Maria
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