Seguidores

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sobre a nascente do Pinga de M. Velha - rio Salgado

Por: José Cícero


Meio Ambiente: “Pinga” que te quero vivo...


1- Cachoeira/Rio Salgado M. Velha.
2 - equipe: JC, Kledson, Bruno, Marx, Zuis e Wesley.
3- Equipe,
4 - idem.
Imagens da incursão à Cachoeira(rio Salgado) em direção a nascente do "Pinga" de M. Velha
Uma pequena análise sobre as ameaças que pesam sobre o Bioma da Cachoeira e a nascente do “Pinga” do rio Salgado em Missão Velha

Num passado não muito distante ele era tido como um local famoso – Uma nascente como tantas que noutros tempos abundavam pelo Cariri equilibrando a vida dos ecossistemas, em especial a vazão cotidiana do rio. Antes, toda a cidade pelos menos sabia da sua existência ao contrário do que ocorre nos dias atuais. Visto ser ela uma das maravilhas naturais da não menos famosa e lendária Cachoeira de Missão Velha. Todos os habitantes o sabiam pelo nome natural de batismo sertanejo, ou seja, “O Pinga” da Cachoeira ou da Lapinha. Nascente encravada entre as rochas que margeiam o rio Salgado a quase uma légua do centro da cidade.
Um ‘olho d’água’ que outrora abasteceu com suas límpidas águas, gostosas e azuladas boa parte da então pequena elite missãovelhense. De tão boas, havia até quem apostasse nas suas propriedades medicinais. “Água boa de beber que inté dá pena de se gastar no lavar dos panos”costumavam dizer as antigas lavadeiras dos rios. Hoje, certamente a tal modernidade a chamaria seguramente de “mineral”.
Mas, infelizmente como se percebe, nenhum destas qualidades foram suficiente; pelos menos o bastante para livrá-lo do atual estado de abandono e do imoral descaso no qual está relegado e submetido como que por castigo. Portanto. o que ora acontece com aquele bioma é uma tremenda e vergonhosa pervesidade.
Protegida por um conjunto de árvores altas e frondosas a nascente permanece ali calma e tranqüila como um anjo de Deus a olhar para nós pedindo clemência. Árvores na sua grande maioria antigas de troncos enormes com suas raízes sedimentadas sobre as rochas e os lajedos. Algumas espécies conhecidas, outras nem tanto. Muitas até frutíferas há muito plantadas pelos que lá moravam, algumas delas nativas tais como Jenipapos, Oliveiras, Mangueiras, além de catolé, oitis, jatobás, cajá, imbu, pinhas dentre outras. Um lugarzinho incrívelmente fresco e bucólico, fincado entre a caatinga e o chapadão do rio Salgado. Um magnífico paredão à direita do mancial. Deveras intransponível repleto de ninhos de urubus e muitas outras espécies de aves da região.
Foi uma visitação gratificante. De maneira que nos arredores do “Pinga” era como se estivéssemostodos protegidos por uma grande cobertura natural. Tamanha era a sombra daquelas copas imensas. O sol estava quase a pino e o calor daquela tarde era insuportável. Mas, na beira da nascente a sensação era completamente diferente. Um micro clima aprazível marcado pela mais absoluta frescura dos ventos. Quem sabe, um ar-condicionado natural a que todos deveriam experimentar. Quem sabe assim, despertassem para a importância da defesa e da preservação daquela maravilha. A mais autêntica expressão de Deus na terra...
Nos anos idos, era comum encontrar pelas veredas daquelas matas um certo senhor sertanejo de pele escura quase tostada pelo sol. Um exímio tangedor de animal – morador do local – a conduzirsob o lombo do seu jumento duas ancoretas contendo o precioso líquido do “Pinga” para os potentados da cidade, principalmente o Dr. Raimundo Alves antigo proprietário do terreno onde a pequena nascente está localizada. No meu tempo de menino nunca me esqueci daquele homem ‘estradeiro’ a caminhar com seu asno todos os dias, pacientemente nas suas idas e vindas a levar a água do “Pinga da Lapinha” para a cidade. Um verdadeiro "Prometeu" dos nossos sertões do mundo entregue por inteiro a sua sina.
Devido a distância e a dificuldade do acesso ao local cercado de mata quase fechada e de um solo acidentado e pedregoso, não era barato a “carga d’água” do “pinga”. De modo que, beber daquela água em casa era, por assim dizer, quase um luxo e, para poucos(diga-se de passagem). A água do velho “pinga” da cachoeira era equivalente a “mineral” a que todos consomem com facilidade agora. Algumas delas vindo de muito longe e até de outros estados. Hoje contudo, o ‘pinga’ perdeu o seu antigo valor. Caiu no anonimato da história. Ficou esquecido. E aos poucos está sendo engolido e devorado pela pressa e o imediatismo de uma geração dos três “is” - ignorante, insensível e indiferente notadamente às verdadeiras riquezas que a mãe natureza nos legou ao longo da história.
Mas, por incrível que pareça a fonte do “Pinga” não morreu. Posto que ainda mantêm o seu antigo encanto. Está lá tranqüila e silenciosa como um cristão da vida resignado com o sofrer do seu destino. Vivendo toda a sua solidão, cochilando sobre os imensos lajedos que margeiam o Salgado desde o "goelão" das belas quedas da Cachoeira. No entanto é preciso tem olhos para vê-lo e coração sensível para senti-lo. Do contrário, só restará uma imenso vazio. O “Pinga” não morreu, mas corre risco de morte, caso permitamos que o seu sofrimento se prolongue além do suportável.
O abandono do campo também feriu de morte o velho “Pinga”. Ninguém mora mais por ali, isolado, distante de tudo onde sequer a eletricidade dera o ar da sua graça. A única residência ( a chamada Casa de Pedra) que lá existiu por mais de duas décadas encontra-se abandonada, destruída pelo tempo, caindo aos pedaços. As matas tomaram conta de tudo, como se quisesse de volta aquilo que os homens tomaram-lhe um dia e não se deram ao trabalho de preserva, simplesmente por não “saber cuidar”.
O teto da casa desabou. Contudo algumas das suas antigas paredes ainda estão de pé. Apenas ovelho pé de imbu insiste em resistir com seu aspecto verdejante e com seu grosso tronco enrugado a rolar pelo chão como uma serpente enorme. Quem sabe a nos mostrar que de fato, toda a veracidade da máxima euclidiana de que “ o sertanejo é antes de tudo um forte”.
Porém, não é apenas o “pinga” que está a correr sério risco de desaparecer. O bioma da caatinga em seu entrono, assim como todo o manancial da Cachoeira e do rio estão sob a mira do tiro de misericórdia. O fogo cruzado da destruição em nome do capital. Há sinais de degradação dentro da mata. Clareira e derrubadas, veredas rasgadas por máquinas e explosões dos lajedos para a retiradas de um tipo pedra existente bastante requisitada para as modernas construções citadinas. Assim como atalhos e caminhos feitos pelo gado bovino criado de modo embrenhado naquela caatinga da cachoeira de Missão Velha.
Mesmo assim, felizmente ainda é possível se ouvir o canto de pássaros silvestres, árvores endêmicas frutificando e outros bichos. Fauna e flora insistindo na sua antiga e necessária harmonia natural. De modo que aquilo tudo junto nos invade os olhos, os ouvidos, as narinas tocando a nossa pele como se fosse um afago de Deus deixando em nós um pouco de perfume e refrigério. Ao ponto de pensarmos como nos velhos tempos de que a caipora e o pai-da-mata ainda estão por ali.
De resto, andar pelos antigos caminhos que nos levaram ao “Pinga” foi como mergulhássemos dentro de nós mesmos. Deixarmos invade por uma sensação de paz interior nunca dantes experimentada em nossas vidas sertanejas. Algo que, sobretudo nas grandes, cidades diria que não tem preço.
Todavia naquele rincão, a natureza como se percebe está fazendo sua parte. De sorte que, depois desta prosaica incursão ecológica e memorialista peço aos meus conterrâneos missãovelhenses em particular e, ao povo do Cariri em geral, que não se permitam a mais este crime. Não deixemos o “Pinga” morrer. Tampouco o Salgado se envenenar. Do contrário, o futuro certamente não nos absolverá...

Prof. José Cícero
Aurora - CE.

Mestre Salustiano - Por: Lúcia Gaspar

Mestre Salustiano
Seu pai, João Salustiano, era um tocador de rabeca e foi quem o ensinou a fazer e a usar o instrumento. Mestre Salu usa praíba, imburana, pinho, mulungu e cardeiro para fazer suas rabecas, pois segundo ele são as melhores madeiras para produzir o som.
Durante a infância participou de brincadeiras e folguedos populares existentes nos engenhos de Aliança. Sua grande paixão é o cavalo-marinho, que apesar de utilizar alguns personagens, músicas e coreografias comuns aobumba-meu-boi, tem características próprias.
Foi um dos maiores dançadores de cavalo-marinho da região, interpretando diversos personagens: arrelequim, dama, galante, contador de toada, Mateus (durante nove anos), recebendo por isso o título de mestre. É considerado um dos grandes nomes do maracatu em Pernambuco, uma das maiores autoridades em cultura popular no Estado e o precursor ou “patrono espritual” do manguebeat.
Fundou o Maracatu Piaba de Ouro, em 1997, tendo participado com o grupo do festival de Cultura Caribeña, em Cuba. É o comandante do cavalo-marinho Boi Matuto, que criou em 1968, e do Mamulengo Alegre.
Mestre Salustiano também é um artesão. Além das rabecas é ele quem confecciona os bichos do bumba-meu-boi, cavalo, boi, burra; as máscaras do cavalo-marinho, feitas de couro de bode ou de boi e os mamulengos de mulungu.
É um dos grandes responsáveis pela preservação da ciranda, do pastoril, do coco, do maracatu, do caboclinho, do mamulengo, do forró, do improviso da viola e de outros folguedos populares do folclore nordestino.
Atualmente na Casa da Rabeca do Brasil, situada na Cidade Tabajara, em Olinda, espaço inaugurado recentemente pela família para apresentações de danças, oficinas, encontros de maracatus rurais e cavalo-marinho, além de shows de música regional, acontecem eventos o ano inteiro. Anteriormente, as apresentações eram organizadas por ele no Iluminara Zumbi,arena idealizada por Ariano Suassuna, durante sua gestão como secretário de cultura.
O espaço possui um grande terreiro para as diversas apresentações, bar, salão de danças e uma loja, onde são comercializados produtos de confecção própria, como rabecas, alfaias, pandeiro, mamulengos, além de peças doartesanato de barro de Caruaru.
Na época do carnaval, a Casa recebe caboclinhos, bois, burras, troças, ursos, além do seu maracatu Piaba de Ouro. No Natal, é palco para pastoril, ciranda, cavalo-marinho, entre os quais o Boi Matuto, com a participação de 76 figurantes e 18 pessoas brincando. 
Foi agraciado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1965, e já percorreu com a sua arte a maioria dos estados brasileiros e países como a Bolívia, Cuba, França e Estados Unidos.
Recebeu ainda, em 1990, o título de “reconhecido saber” concedido pelo Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco e o de comendador da Ordem do Mérito Cultural, em 2001, pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
Tem quatro CDs gravados: Sonho da Rabeca, As três gerações, Cavalo-marinho, Mestre Salu e a sua rabeca encantada.
Mistura de músico, produtor, artesão e professor, Mestre Salu segue fazendo turnês nacionais e internacionais, tocando sua rabeca e mostrando sua peculiar fusão de ritmos do folclore nordestino.
Indicado pela Prefeitura de Olinda, foi escolhido pelo Governo do Estado, através da Lei  nº 12.196 de 2 de maio de 2002, como Patrimônio Vivo de Pernambuco.
Mestre Salustiano faleceu aos 62 anos, na cidade do Recife, no dia 31 de agosto de 2008.
Recife, 30 de maio de 2006.
(Atualizado em 31 de agosto de 2009).
FONTES CONSULTADAS:
AMORIM Maria Alice. Salu, um mestre de folguedos. Continente Documento, Recife, ano 4, n.43, p.39-43, mar. 2006.
ASSUMPÇÃO, Michelle. Símbolo da cultura popular, ás da rabeca.  Diário de Pernambuco, Recife, 31 jan. 2006. Caderno Especial. 
BIOGRAFIA: Mestre Salustiano. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/biografias/mestre_salustiano.htm> Acesso em: 18 maio 2006. 
BITTENCOURT, Bruno; BARBOSA, Marco Antonio.  Mestre Salustiano festeja 50 anos de carreira. Disponível em: <http://cliquemusic.uol.com.br/br/Acontecendo/Acontecendo.asp?Nu_materia=4078> Acesso em: 10 maio 2006
 MESTRE Salustiano. Disponível em: <http://www.municipios.pe.gov.br/municipio/Mestre_Salustiano.asp> Acesso em: 18 maio 2006. 
MESTRE Salustiano ganha homenagem em livro. Disponível em: <http://trombeta.cafemusic.com.br/trombeta.cfm?CodigoMateria=884> Acesso em: 19 maio 2006.
COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: GASPAR, Lúcia. Mestre Salustiano. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Hoje na História - 20 de Janeiro de 2010

Por: Geraldo Maia do Nascimento


Em 20 de janeiro de 1934 dava–se o falecimento, nos Estados Unidos, do reverendo De Lacy Wandlow, missionário evangélico, radicado a Mossoró, por sua participação na campanha abolicionista de 1883.
Contam que ao assistir a sessão de 30 de Setembro daquele ano, nesta cidade, quando foram libertos os escravos deste município, teria reverendo De Lacy, em seu pronunciamento oratório, dado “parabéns a Mossoró pelo modo pacifico de sua liberdade, uma vez que sendo a sua pátria o ninho clássico de todas as liberdades cívicas, não se conseguiu, sem derramar oceanos de sangue, apagar do solo dos Estados Unidos a nódoa secular da escravidão” (Câmara Cascudo em notas e Documentos para a História de Mossoró, 1955).
O Reverendo De Lacy Wandlow tinha sua residência fixa em Fortaleza, vindo periodicamente a Mossoró, onde implantou a Evangelismo, instalando um Templo protestante nesta cidade, com participação de inúmeros adeptos, dentre estes José Damião de Souza Melo, Targino Nogueira de Lucena e outros elementos ligados à historia de Mossoró.


Todos os direitos reservados
É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Fonte:
Blog do Gemaia
Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento


Postado por: "Blog do Mendes e Mendes"

Hoje na História - 05 de Outubro de 2010

Por: Geraldo Maia do Nascimento

 
Em 5 de agosto de 1772 a provisão das Dignidades do Cabido de Olinda, concede a Antônio de Souza Machado, sargento-mór da Ribeira do Mossoró e sua mulher Rosa Fernandes, autorização para construir uma capela na Fazenda Santa Luzia, em cumprimento de promessa feita por sua intercessão. Parte desta data a origem da fundação da cidade de Mossoró, cujo nome, sucedeu ao do primeiro sitio de Santa Luiza, sendo ponto central a Catedral hoje existente no mesmo local em que foi construída a capela por aquela autoridade do século XVII.
 
Todos os direitos reservados
É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Fonte:
Blog do Gemaia
Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento


Postado por: "Blog do Mendes e Mendes"

Hoje na História - 28 de Dezembro de 2011

Por: Geraldo Maia do Nascimento


Em 28 de dezembro de 1922 falecia em Apodí o historiador Manuel Antônio de Oliveira Coriolano, nascido a 5 de janeiro de 1835. 
Foi um dos primeiros a pesquisar a história da Região, fornecendo valiosos subsídios para a história de Mossoró. 
Antônio Coriolano foi de uma dedicação à tradição e aos costumes regionais, tornando-se figura bastante conhecida por sua alta ilustração histórica.
 
Todos os direitos reservados
É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Fonte:
Blog do Gemaia
Autor:
Geraldo Maia do Nascimento


Postado por: "Blog do Mendes e Mendes"

Os passos e as sombras

Por: Dario Castro Alves




Passos e sombras, Barro, Ceará...
Cariri Cangaço 2011, por Dario Castro Alves

Diário de ontem (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Diário de ontem

Três horas da madrugada
ventania entrando pela janela
o corpo queimando inteiro
todo tomado de suor
e um sonho muito triste
minha mão sem alcançar a sua

cinco horas da manhã
a janela aberta é retrato do dia
olho a revoada que passa
e me sinto também passarinho
voando alegremente apressado
em direção ao seu ninho

cinco horas da tarde
o dia se fez de muita esperança
talvez o meu grande amor
que continua no seu paraíso
esteja bela diante do espelho
pra chegar sem um aviso

seis horas e meia da noite
vou deixar a porta entreaberta
da janela olho as ruas e esquinas
sinto a beleza da vida e da noite
mas os minutos vão passando
e a tristeza já vem como açoite

meia-noite
sujei minha roupa de vinho
cortei minha mão na vidraça
o vento soprou apagando a vela
tudo é escuridão e solidão
beijo o copo e penso que é ela.


Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

CACHORRADA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

CACHORRADA
Certas coisas acontecem que as pessoas ou fingem que não veem, passam sem dar atenção ou simplesmente acham que tanto faz que aquilo esteja acontecendo ou não. Mas como sou curioso demais, acabo cuidadosa e cautelosamente observando tudo.
Avisto todos os dias, e a qualquer hora do dia, pessoas de todas as idades mijando nos postes à moda dos cachorros. Chegam mansinhas, farejando ao redor, mas logo correm e se aliviam como querem no meio da rua. Depois, começam a grunhir e latir se olham ao redor e sentem alguém observando.
Acontece mais da boca da noite em diante, mas sempre diviso a cachorrada no cio se entrelaçando de amores. Sem querer saber se pessoas passam ou não, se observam ou não, ou se aceitam tal falta de vergonha e respeito, mas a verdade é que se lambe toda pelas esquinas, se agarra querendo tirar a roupa nos escondidos das praças. Muitas vezes chega às vias de fato e depois apenas dois cachorros apressadamente felizes.
Não há como distinguir muito bem cachorro vadio, vira-lata, de rua mesmo, daquele outro de raça, de madame, todo pomposo e cheio de trique-triques. O cachorro que passa de terno, de papelada embaixo do braço, de carro importado ou escambau, muitas vezes vale muito menos do que o cachorro pelado, sarnento, que vive desvalido pelas calçadas.
Porque cachorro é bicho fingidor demais, até no latido o bicho quer fingir aquilo que não é. Cachorro policial, cachorro autoridade, cachorro de anel no dedo, cachorro doutor, cachorro parlamentar, cachorro com mandato, cachorro eleito pelo povo, cachorro que pousa de bom moço, cachorro que veste batina e cachorro que pensa que é mais que todo mundo. Tudo cachorro e, como já dito, com menos valor e mais desacreditado do que aquele cãozinho que todo mundo corre atrás com uma vassoura.
Cachorro grande e que se diz de raça, anda sempre puxado pelo poder, através de uma coleira lisa demais para permitir fuga imediata diante de qualquer perigo. Logicamente que não anda em todo lugar e nem gosta de ser visto por outros cachorros, pois sempre acha que a proximidade é perigo para sua saúde financeira. Mas quando tem que estar diante da cachorrada é todo manso, olhando por baixo, agindo devagarzinho e sempre dizendo alguma coisa ao pitbull que sempre está ao seu lado.
Mas dizem que quanto maior o cachorro mais cachorrada ele faz. Não é de mijar em pé de poste, pois prefere urinar em cima de vira-latas, de cachorros insignificantes para ele. Mas dizem também que é carnicento, só gosta do que é podre, lambe o que encontra facilmente até não sobrar mais nada. Vive se apegando na raça que tem, mas se encontra cachorro mais imponente sai se arrastando com a língua de fora, humildemente lambendo as botas do outro.
Já cachorro de rua tem de todo tipo. O perdigueiro é honesto e trabalhador, morde seu osso com orgulho porque lutou para consegui-lo; o magricela zoadento, sem tamanho ou porte algum, sempre quer ser mais valente que os outros. Fica latindo de longe, soltando grunhidos com seus dentinhos afiados, querendo mostrar valentia. Porém basta que sigam em sua direção que o safado bota o rabo entre as pernas e corre pra se esconder debaixo do que encontrar.
O vira-lata legítimo está na maioria da população. Gosta de viver escorneado pelos cantos, à sombra, esperando sentir o cheiro de qualquer coisa pra sair farejando na direção. Não faz mal a ninguém, mas também é uma raça inconveniente por gostar, de vez em quando, de roubar o osso do outro, mijar onde está limpo, se encostar nos outros para tirar algum proveito.
A maioria dos cachorros é tratada como cães, mas outra parcela é tida como cachorro mesmo, tratada como cachorro, vista como cachorro. Não é difícil encontrar cachorros assim, ainda adolescentes, tendo marquises por moradia, a rua como único caminho, o resto de qualquer coisa jogada adiante como alimento. As pessoas fazem tudo para evitá-los, pois acham-nos sujos, feios, fedidos e sentem que estranhamente aprenderam até a estender a mão pedindo esmola.
Esses cachorrinhos de rua, animais esquecidos pela sociedade e sem grandes esperanças de sobreviver, uivam à moda dos lobos, se esganiçam à moda das raposas, são carnicentos à moda dos coiotes. Estão lá, nas esquinas, nas ruas, embaixo das marquises, muitas vezes com os focinhos cheirando cola. Mas tanto faz. Ninguém gosta de cachorro mesmo.
E tem cachorro que tem a cara de gente. Tenho até minhas dúvidas se muitas pessoas não são canídeas que pensam serem humanos. E tem cachorro que é um doce de pessoa. E tem gente que nunca vai deixar de ser o mais sarnento vira-lata.

Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Revendo - Filhos e viúva do ex-cangaceiro Asa Branca

Por: José Mendes Pereira e Adryanna Karla Paiva Pereira Freitas
Adryanna Karla Paiva Pereira Freitas, minha filha,  e eu, fizemos uma entrevista com a viúva do ex-cangaceiro Asa Branca, a dona Francisca da Silva Tavares, que reside há muitos anos em Mossoró, à Rua Epitácio Pessoa, no bairro Bom Jardim, sobre a vida do  Asa Branca e a sua convivência com ele.
Dona Francisca da Silva Tavares nos recebeu com um sorriso franco e aberto, e com isso, sentimos-nos a vontade, além do mais uma  senhora simpática, prestativa  e educadíssima.

Viúva do cangaceiro Asa Branca Francisca da Silva Tavares
Antonio Luiz Tavares era o verdadeiro nome do ex-cangaceiro "Asa Branca". Filho de Antonio Luiz e de dona Maria da Conceição. Ele natural de Cajazeiras do Rio do Peixe, no Estado da Paraíba.
Nasceu no dia 10 de Janeiro de 1902 e faleceu de problemas cardíacos em Mossoró, no dia 02 de Novembro de 1981, sendo que os seus restos mortais repousam no Cemitério São Sebastião em Mossoró, aos fundos do túmulo de José Leite de Santana, o ex-cangaceiro Jararaca.

Túmulo do cangaceiro Asa Branca
Antonio Luiz Tavares ficou órfão de pai aos dois meses de vida,  quando um sujeito assassinou o seu patriarca. Depois de crescido e de compreender a causa de sua orfandade, já que o assassino  era protegido de um chefe político de Cajazeiras do Rio do Peixe, e não fora punido, Asa Branca vingou o crime quando ainda tinha 13 anos de idade.
 
Túmulo de Jararaca - O túmulo do Asa Branca está por traz
Com medo de ser preso ou talvez morto dentro da cadeia, já que ainda não tinha maioridade, e como se defender de abusos  por policiais, o jeito foi fugir daquela região, procurando lugar para se ocultar das autoridades militares e judiciais.
http://1.bp.blogspot.com/_LLy5HkM_Ck8/THbnmD2UvbI/AAAAAAAACtQ/3lPU-q82b7U/s400/bando+de+Lampi%C3%A3o.jpg
Bando de Lampião
Em 1922, Lampião fez uma visita à propriedade em que ele estava recolhido, e lá o encontrou. Ao ver que ele gostava de armas de fogo,   logo o convidou para participar da sua saga. Não tendo outra solução foi obrigado a aceitar o convite e entrar no bando, e nele o jovem foi apelidado de Asa Branca, cujo o levou para sua cova,  deixando o nome de batismo para traz. 
O ex-cangaceiro do bando de Lampião passou cinco  anos com o grupo, praticando de todos os  assaltos que o bando fazia. Participou do assalto a Apodi, e outros e outros, e esteve no ataque a Mossoró, atirando contra a trincheira da Estrada de Ferro.

Promotor Abel Freire Coelho

Logo após a frustrada invasão a Mossoró Asa Branca foi preso pela polícia do Ceará e recambiado para Mossoró, quando foi condenado pelo então promotor Abel Freire Coelho, a cumprir uma pena de 10 anos.

Jornalista Tomislav Femenick
Segundo o jornalista Tomislav Femenick, certa vez o ex-cangaceiro foi convidado para participar de uma reunião no Rotary Clube de Mossoró, e lá se encontrou com Abel Freire Coelho, é  que lá no ambiente, acusador e acusado trocaram apertos de mãos como se nada tivesse acontecido.  O acusado "Asa Branca", mesmo tendo passado tanto tempo por traz das grades,  não guardou ódio do seu acusador. 
O jornalista Tomislav Femenick disse em um dos seus artigos que  Asa Branca era conhecido como um cangaceiro de bons modos e de trato amável. Porém, enquanto permaneceu no bando, ele vivenciou todas as peripécias que faziam parte do cotidiano dos cangaceiros: ataques, saques, sequestros, mortes, agruras e, também, fugas.
CASAMENTOS
O ex-cangaceiro Asa Branca fez matrimônio por duas vezes. Ainda na Cadeia Pública de Mossoró casou-se pela primeira vez com dona Sebastiana Venâncio. Ela natural de Mossoró, e com ele teve três filhos, os quais são: José Luiz Tavares, Jeová Luiz Tavares e Dijanete Luiz Tavares. Mas posteriormente o casamento foi de água abaixo, quando os dois resolveram não mais conviverem juntos, e cada um procurou o seu destino.
2º. CASAMENTO
O segundo casamento foi realizado com dona Francisca da Silva Tavares. Natural de Brejo do Cruz, no Estado da Paraíba. Ela nasceu no dia 21 de Novembro de 1937, e é  filha de Máximo Batista de Araújo e de Dona Severina Guilermina Silva, ambos paraibanos. Mas o casamento com dona Francisca da Silva só aconteceu  dezessete anos depois que ambos já viviam juntos.

Aniversário dos 70 anos de dona Francisca Silva Tavares
Com o ex-cangaceiro de Lampião, Dona Francisca da Silva Tavares teve nove filhos, e destes, apenas quatro estão vivos, os quais são:
Antonio Esmeraldo Tavares - O Cride - nascido no dia 10 de Novembro de 1957, na cidade  de São Bento, no Estado da Paraíba. Tem como profissão, Motorista.
Francisco Tavares da Silva - nascido no dia 14 de Abril de 1959, na cidade Caridade, no Estado do Ceará. Este foi assassinado aos 24 anos de idade, por um primo, por coisas banais.
Maria Gorete Tavares Barbosa - nascida no dia 1º. de Junho de 1960, em Caridade, no Estado do Ceará. Esta exerce a profissão de artesã de Biscuit.
Maria da Conceição Tavares da Silva - nascida no dia 25 de Fevereiro de 1963, em Caridade, no Estado do Ceará. Exerce também a profissão de artesã de Biscuit.
Máximo Neto Batista - nascido no dia 04 de Maio de 1964, em Caridade, no Estado do Ceará. Reside atualmente em São Paulo e exerce a profissão de Motorista.
Os demais filhos do casal não foram citados aqui porque faleceram ainda criancinhas.
Como  Francisca da Silva Tavares conheceu o "Asa Branca"
No ano de 1954, dona Francisca já era casada e mãe de um filho. Mas nesse período ela contraiu uma doença, ficando por alguns meses  sem andar. Procurando recursos para se livrar da maldita doença que ora a perseguia, soube que na região havia um curandeiro, já de idade. Não foi tão difícil, pois dias depois um velho fazia as curas ao pé de sua cama. O tempo foi se passando, finalmente dona Francisca se livrou da maldita e desconhecida doença. 
Com aquele contato de reza vai, reza vem, os dois findaram  consumidos de paixões, e dona Francisca passou a desejá-lo. E no ano de 1955, resolveu abandonar  o seu marido e um filho de sete meses, fugindo com o curandeiro, cujo destino de apoio, Mossoró.
Mas veja bem leitor, quem era o curador. Antonio Luiz Tavares, o ex-cangaceiro "Asa Branca", que deve ter aprendido as milagrosas rezas com o seu ex-comandante, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.
Pelo que se ver é que dona Francisca da Silva fez o mesmo papelão que fez a rainha do cangaço, Maria Bonita, quando abandonou o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé de Neném, para acompanhar o afamado Lampião.

José Miguel da Silva - Zé de Neném
A única diferença entre as duas é que Maria Bonita tornou-se cangaceira, e  Dona Francisca jamais participou de cangaço.
Mas  assim que o seu pai, o Máximo Batista tomou conhecimento que ela havia fugido com o rezador, isto é, o "Asa Branca", mandou dois dos seus funcionários procurá-la por todos os recantos de Mossoró.
Já fazia três dias da permanência do casal em Mossoró, e assim que Asa Branca soube que estava sendo procurado, resolveu fugir às pressas com a companheira para Fortaleza, capital do Ceará. Lá, desempregado, foi assistido por um médico, o doutor Lobo, que logo solucionou o seu problema e o empregou em uma mina de ametista.
De Fortaleza foram morar em Itapipoca, posteriormente para Caridade, e lá o casal teve quatro filhos, mas sempre trabalhando na agricultura.
Anos depois a família mudou-se para Macaíba, já no Estado do Rio Grande do Norte. Com alguns anos passados, Asa Branca resolveu retornar a Mossoró, onde aqui criou a sua família e viveu os seus últimos dias de vida.
Nos anos 70, o Dr. José Araújo, ex-dentista e diretor de algumas escolas de Mossoró, juntamente com João Batista Cascudo Rodrigues, conseguiram um emprego na FURRN, atualmente UERN, e Asa Branca trabalhou nela até morrer.
CASAMENTO FEITO ÀS PRESSAS PARA SE EMPREGAR
Como Asa Branca necessitava se empregar, e era necessária a sua documentação para ter direito aos benefícios do INSS, e não querendo retornar a sua terra natal, Cajazeiras do Rio do Peixe, na Paraíba, foi feito um casamento às pressas. Ele resolveu ir à cidade  de Porta Alegre, no Estado do Rio Grande do Norte, e lá fez novos documentos.
De documentos em mãos, foi feito o seu casamento com dona Francisca da Silva Tavares, no dia 14 de Janeiro de 1974, no 4º. Cartório Judiciário em Mossoró, Nº. 6.256, fls. 256, do livro B-16, do Registro Civil de Casamento, assinado pelo tabelião Joca Bruno da Mota.

Foto em seu túmulo
Quando as pessoas o perguntavam quantos ele havia matado, ele respondia: "-Quem sabe é São Miguel, porque é ele quem pesa as almas". 
Nem a sua esposa ele revelou quantos, mas de certeza foram dois: o assassino do seu pai, e um carcereiro em Mossoró. É claro que no bando ele matou muito mais, mas jamais confirmou o total de mortos pela maldita mira do seu mosquetão.               
FAMÍLIA BEM ESTRUTURADA
A família de Asa Branca e dona Francisca é composta de: 04 filhos, 17 netos e 28 bisnetos.
Segundo as pessoas vizinhas dos familiares do ex-cangaceiro,  o Asa Branca, as quais conversamos com elas, todas foram unânimes  e disseram que eles cresceram naquele bairro Bom Jardim, amigos de todos, honestos e trabalhadores e dignos de respeito. Nada desabona a família de Antonio Luiz Tavares, o ex- cangaceiro Asa Branca.



José Mendes Pereira e Adryanna Karla Paiva Pereira Freitas

Empresário da Cidade de Jeremaobo Bahia, em Visita ao Portal do Cangaço de Serrinha: Rubens Santana o Popular Rubinho.

Por: Guilherme Machado


Rubens Santana (Rubinho), da cidade de Jeremoabo Bahia...  Bem sucedido empresário do ramo de combustiveis, radicado hoje na cidade de Camaçari - Bahia.   Juntamente com um grupo de  amigos,  Rubinho visita o Portal do Cangaço e fica impressionado com o que vê... Saudosamente Rubinho fala da sua infância na cidade de Jeremoabo, onde foram presos vários cangaceiros: Volta Seca, Corisco e Dadá, Labareda (Ângelo Roque) Rio Branco, e Muitos Outros. Conversamos muito sobre a fortuna acumulada do caçador de cangaceiros.  O tenente Zé Rufino que morou em Jeremoabo até a morte,  na qualidade de coronel Zé Rufino. 

Extraído do blog: Portal do Cangaço de Serrinha - BA.

Pesquisador Motociclista do Grupo Solitário do Asfalto, de Araras São Paulo: O Imprador Solitário Nero! em Visita ao Portal do Cangaço de Serrinha Juntamente Com Gupos de Amigos.

Por: Guilherme Machado



Ilustre visita, do pesquisador e motociclista do Grupo de Motoqueiros Solitários do Asfalto, da cidade de Araras São Paulo, Nero Solitário, juntamente com sua esposa e um pequeno grupo de amigos Nordestinos, Aposentado o Imperador Nero, vive percorrendo várias cidades do Brasil a bordo de sua Halley Davidson Enorme, juntamente com a sua esposa.  Acima vê-se  fotos de Guilherme e Nero Solitário, Mais abaixo fotos da esquerda para a direita,  Nero, esposa de Nero, Doutor Bira, Karla, esposa de Bira. Por último o empresário da cidade de Jeremoabo Hoje radicado na cidade de Camaçari, Rubens Santana ( Rubinho ) Mais abaixo símbolo do Motoclube Solitários do Asfalto, Vê-se o cartão de visita do Imperador Nero. 
Extraído do blog: Portal do Cangaço de Serrinha na BA.

Imprensa e Cangaço


Caríssimos,
Saudações fraternais!
Divido com vocês este presente que ganhei, no final do corrente ano, que vem a ser a entrevista realizada pelo escritor Antônio Filho Neto, bravo sertanejo de Serra Talhada, terra do meu inesquecível pai, sobre tema tão importante para a Cultural Nordestina. Para o Jornal Correio do Pajeú.

Recebam meu abraço e o meu carinho.

Atenciosamente,
Geraldo Ferraz

Extraído do blog Lampião Aceso

LAJEDO DE SOLEDADE - APODI - RIO GRANDE DO NORTE

A região do Lajedo de Soledade, no Rio Grande do Norte, é famosa não só pelas belezas naturais, mas também pela importância histórica. O entorno do município de Apodi guarda uma laje de calcário de aproximadamente um quilômetro quadrado. Lá existe um conjunto de abrigos sob a rocha e dezenas de pinturas rupestres e fósseis, que compõem grande parte da atração turística do local.
Fonte: natalonline.com
É lá também onde está situada a maior caverna do Estado, a Caverna do Roncador.

Postado por: blogdomendesemendes