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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Benjamim Abrahão e o filme de Lampeão

Jornal O POVO, 21/12/1999

Benjamim Abrahão Botto

"Esse aí é conterrâneo de Jesus". Foi assim, em direção àquele homem de olhos azuis e roupa diferente do restante dos romeiros, que o Padre Cícero se dirigiu a Benjamim Abrahão. O encontro dos dois e a posterior amizade foram fundamentais para a história contada a seguir. Afinal, foi com a "bênção" de Padre Cícero que o mascate sírio-libanês conseguiu filmar Lampeão e seu bando. Com isso, Benjamim Abrahão entrou para a história como um dos pioneiros do cinema cearense e único repórter fotográfico a documentar o bando do célebre cangaceiro.


Padre Cícero e Benjamim Abrahão Botto

Quase todas as datas referentes a ele são meio incertas. Para o jornal, porém, as datas são memoráveis entre dezembro de 1937 e janeiro de 37. Um dia, 29, a publicação, "em primeira mão", da clássica foto do cangaceiro. Depois, dia 31, Maria Bonita faz pose em 1ª Página. Até que, em 12 de janeiro de 37, O POVO enfim ouviu o já então "ex-secretário do Padre Cícero". Na entrevista, Benjamim conta como conseguiu apanhar Virgolino Ferreira e outras coisas mais. Curioso é que, em nenhum momento, seu discurso é reproduzido, num recurso bastante utilizado pelo jornalismo da época. No entanto, o relato vai sendo detalhado pelo repórter (não identificado na matéria), como se apenas mudasse da primeira para a terceira pessoa. A partir dali, porém, este relato entrava definitivamente para a mitologia do sertão e do cangaço nordestinos.


Filme de Lampião

Regressou a Fortaleza o Ex-Secretário do Padre Cícero - Uma Entrevista a O POVO sobre os seus Encontros com o famoso Cangaceiro.
Causou grande sensação entre os nossos leitores a reportagem fotográfica sobre o grupo de Lampeão, publicada há poucos dias pelo O POVO, de par com a notícia, veiculada em primeira mão, segundo a qual estava em preparos, na "Aba Filme", uma película cinematográfica em torno do temível cangaceiro e seus asseclas.
Tratando-se, conforme e assinalamos, de um filme apanhado ao natural, na própria zona onde opera o rei dos bandidos nordestinos, boa parte das atenções se voltaram, de logo, para o "reporter" audacioso e inteligente que conseguira levar adiante a arrojada iniciativa.
Com efeito, embrenhar-se pelos sertões requeimados do nordeste à procura do herói de tantos crimes de tantas mortes, encontrá-lo no "habitat" de suas façanhas, entrar em contacto com o bandido, entrevistá-lo, fotografá-lo e filmá-lo mais de uma vez, tudo isso o só auxílio do sangue frio e da sagacidade pessoal, foi uma empresa digna de realce nas colunas da imprensa, justificando plenamente a curiosidade publica em torno de seu autor.
Desta sorte, ficamos à espera de que retornasse a esta capital o sr. Benjamin Abraão - pois é este o seu nome - afim de ouvir de seus próprios lábios a narrativa detalhada de seus encontros com Virgolino Ferreira, transmitindo a aos leitores do O POVO como complemento de nossas anteriores publicações a respeito do assunto.

Em Fortaleza o ex-secretário do Padre Cícero subindo no ônibus

Ontem à tarde, chegou ao nosso conhecimento que o ex-secretário do Padre Cícero, viajando no "horário" da R.V.C., deveria desembarcar nesta capital à noite.
Efetivamente, cerca de 20 horas, a nossa reportagem foi encontrá-lo na Central, acertando com o mesmo uma entrevista para hoje.

Falando a O POVO

O sr. Benjamin Abraão, que aparece na fotografia ao lado juntamente com Lampeão e sua mulher, é um rapaz forte, de origem síria, possuindo, porém, palestra fácil e agradável em nossa língua.
Abordado pelo nosso companheiro, disse-nos, de início, que, embora se encontrasse no Joazeiro quando Lampeão ali esteve, em 1924, não travou conhecimento com o bandido naquela época.
Desta maneira, partido à sua procura, em 1935, com a idéia de filmá-lo, não levava qualquer credencial para Lampeão.

O primeiro encontro com o grupo - Benjamim, Maria Bonita e Lampião

Tendo seguido desta capital a trem, o sr. Benjamin Abrahão penetrou na Paraíba, de onde seguiu para Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, em cujos sertões se encontrava Virgolino Ferreira.
Depois de onze meses de tentativa para abordá-lo, durante os quais andou quasi sempre a pé ou a cavalo, numa região extremíssima, visitando inúmeras localidades, conseguiu afinal o seu intento, graças a um golpe de sorte.
O caso é que, estando, como de hábito, pelas "caatingas", a ver se dava com o grupo, encontrou-se com dois cangaceiros, Juriti e Marreca, devidamente armados e municiados, os quais o abordaram imediatamente, apontando-lhe os fusis.
Lampeão e seus sequazes já sabiam que o nosso entrevistado andava a sua procura, com o objetivo de fotografá-lo. Mas desconfiavam da "historia", supondo que se tratasse de algum enviado da polícia.
Nestas condições, quando os dois bandidos deram com o mesmo, o identificaram de pronto e trataram de levá-lo à presença do chefe, que estava acampado a meia légua de distância.

Frente a frente com Lampeão

O grupo de Lampeão mantém invariavelmente um sentinela, a duzentos metros distantes do ponto onde se localiza.
Desta maneira, antes de chegar à presença de Virgolino, teve o sr. Benjamin Abrahão de prestar suas homenagens ao bandido "Sabonete", depois do que foi conduzido até o acampamento.
Ao vê-lo, a primeira pergunta de Lampeão foi a seguinte:
- Como é que você chegou aqui com vida, cabra velho?
O sr. Benjamin deu as explicações cabíveis no momento e disse-lhe de seus propósitos.
Depois de inteiramente revistado, e de haver constatado o bandoleiro que eram pacíficas as intenções do rapaz, tanto assim que em matéria de arma só conduzia um facão para cortar mato - o sr. Abrahão começou a grangear familiaridade entre o grupo, com o qual esteve cerca de cinco dias, observando-lhe os hábitos e apanhando diversos flagrantes fotográficos.

Doze homens e duas mulheres


O bando era composto de doze homens e duas mulheres: Lampeão, Juriti, Sabonete, Cacheado, Marreca, Moderno, Gorgulho, Barra Nova, Elétrico, Vila Nova, Luiz Pedro, Pitombeira, Maria Oliveira (mulher de Lampeão) e dona Nenen (mulher de Luiz Pedro).
Todos estavam armados de fusis, cada um com 300 cartuchos, no mínimo, parabelum é cinta, bornais, cartilho dagua - um equipamento, enfim, de quinze a vinte quilos.
Espalhadas pelo local, umas perto das outras, várias empanadas, sob as quais dormiam os cangaceiros, aos grupos de dois e três.
Era quase meio dia quando ali chegou o sr. Benjamin Abrahão. Os bandoleiros estavam almoçando e convidaram-no para fazer o mesmo, com o que concordou de boa vontade o nosso entrevistado.

A mulher de Lampeão

A mulher de Lampeão, ao contrário do que fôra noticiado por um cronista cearense, não se chama Maria da Gloria nem é natural de Joazeiro.


Maria Bonita

Seu nome, como dissemos, é Maria de Oliveira, sendo tratada pelos companheiros por dona Maria ou a "mulher do capitão".
É branca, bem parecida, com pele conservada, apesar de viver ao sol. Nasceu na Bahia, município de Sto. Antonio da Gloria, tendo ingressado no grupo quando o mesmo se internou nos sertões bahianos, em 1929, por sua livre e espontânea vontade.
Vive maritalmente com Virgolino, tudo indicando que reina a melhor harmonia entre o casal.
Ela tem no maximo 25 anos, enquanto ele já atingiu 37.

Fotografando o grupo

Depois de alguns dias de contacto com o grupo, o sr. Benjamin Abrahão fotografou e filmou várias vezes, realizando, em parte, os seus objetivos.

As precauções do bandido

Virgolino Ferreira, segundo nos declarou o sr. Benjamin Abrahão, é um camarada desconfiado, qualidade essa que revala a cada momento e a propósito de tudo.
Quando a maquina cinematografica estava preparada para focalizá-lo, pela primeira vez, antes de deixar-se fotografar mandou o bandido que o ex-secretario do Padre Cícero ficasse em seu lugar e passou para a posição do mesmo. Bancou, assim, o operador, apertando com todo o cuidado o botão do aparelho, pois ainda estava pensando tratar-se de alguma arma de guerra, preparada para matá-lo...
Só depois dessa experiência é que o sr. Benjamin poude filmá-lo desembaraçadamente.

Lampeão conhece o Cinema

Lampeão não é um neofito em matéria de cinema, como poderia parecer à primeira vista, pois já teve ocasião de assistir à exibição inteira de uma película cinematográfica, na cidade de Capela, no Estado de Sergipe.
O nosso entrevistado, ao passar por essa localidade, apanhou ótimas fotografias do cinema visitado pelo invencível bandoleiro.
O estilo quase apocalíptico desta "impressionante entrevista com o jaguar bravio do nordeste", Virgulino Ferreira, vulgo Lampeão (1897-1938), denota o mito que o rei do cangaço gozava entre jornalistas e leitores. Um "prazer curioso", no entender do autor do texto a seguir. De fato, a justaposição do caráter de bandido e de herói de Lampeão é um dos aspectos mais instigantes para historiadores e curiosos. Foi sob essa fusão de imagens que esta entrevista acabou publicada, em junho de 1928, simultaneamente com um jornal de Recife chamado "A Noite". A opção de publicá-la juntamente com a entrevista com o mascate Benjamim Abrahão tem um motivo básico: Abrahão foi o único repórter fotográfico a conseguir registros de Lampeão e seu bando. E O POVO, nesse aspecto, foi veículo privilegiado na divulgação das notícias que chegavam do cangaço. No caso de Lampeão, é interessante perceber as revelações do cangaceiro. Na entrevista, ele conta que, se pudesse, abandonaria o cangaço e que mata para vingar a morte de seus pais. "Era meninote quando os mataram. Bebi o sangue que jorrava do peito da minha mãe e, beijando-lhe a boca fria e morta, jurei vingá-la...", diz ele. E ainda afirma: "Gosto dos oficiais e odeio os chefes de polícia". A conversa é curta, mas não se imaginaria diferente, em se tratando de um "selvagem dos sertões". É o suficiente, no entanto, para se ter uma idéia da ascensão do mito e da crueldade do mundo do cangaço.

A palavra de Lampeão, o monarcha selvagem dos sertões

Os dados e as informações sobre que escrevemos esta reportagem foram colhidos do próprio Lampeão pelo sr. José Alves Feitosa, que há semanas, no alto sertão, com elle conversou demoradamente.
Offerecendo à A Noite essas notas interessantíssimas, o sr. Feitosa, offertamo-la, nós, aos nossos gentilíssimos leitores, a quem não queremos mais poupar o prazer curioso de sentir um bocado da psychologia pittoresca e da vida romanesca do jaguar terrivel dos sertões.

NO PÉ DA SERRA

Cabia o crepusculo sobre o escampado arido e esbrazeado daquelle recanto sertanejo do Estado do Ceará, no pé da serra do Araripe: o engenho de rapadura Boa-Vista, a cinco léguas da cidade de Missão Velha, quando o sr. José Alves Feitosa ali chegou.
Um crepusculo doloroso, sertanejo, manchando a paisagem de sombras e difundindo uma melancolia por tudo...
Gentis e acolhedores, os senhores de engenho o receberam, prodigalisando-lhe o conforto de uma hospedagem, onde elle repousaria da viagem exaustiva.
Ahi, foi que se aproximou de Lampeão.
Este assomara à porta, desarmado, fitando o recem-chegado, que o interpellou logo:
- É o capitão Virgulino Ferreira?
- Às suas ordens.
- Já o conhecia através de photographias.
- Ah? Foram esses retratos, de que o sr. fala, que me inutilisaram. Si não tivesse deixado phopographar-me, seria desconhecido e já poderia ter desaparecido, sumindo-me no mundo, indo para longe, ganhar a vida tranquilamente, sem attribulação dessa angustia constante de ser perseguido.
- E o sr. é perseguido? Dizem na capital que a polícia...
- ... não persegue, porque sou amigo dos officiais. É verdade, mas, ainda assim, as trahições, o sr. comprehende.
No anno passado, Isaias Arruda, meu grande amigo, chefe politico cearense, surpreendeu-me numa localidade deste Estado com um cerco policial terrivel, de que me livrei não sei como.
Estas cousas são que magoam...
Uma trahição, o diabo!
Gosto dos officiaes e odeio os chefes de policia.
Não é verdade que eu haja emboscado, para matar ao dr. Eurico Souza Leão. Ignorava que esse chefe de policia viajava, naquelle tempo, pelo sertão...
Se soubesse, com franqueza, eu teria aventurado...
- Como foi assassinado seu irmão?
- É invenção. Elle não foi morto. Está são, vivo e bolindo.
Aquillo foi brincadeira "só para atrapalhar"...
- E Sabino?
- A mesma coisa.
Está vivo, no Riacho do Navio, à frente de alguns homens. Vou encontrar-me, agora, com elle.
- Disse-me, ha pouco, que se pudesse abandonaria o cangaço...
- Sim. Por porque eu não vivo a vida do cangaço, por maldade minha.
É pela maldade dos outros. Dos homens que não têm a coragem de lutar corpo a corpo como eu e vão matando a gente na sombra, nas tocaias covardes.
Tenho que vingar a morte dos meus paes. Era meninote quando os mataram. Bebi o sangue que jorrava da pelle de minha mãe, e beijando-lhe a boca fria e morta, jurei vinga-la...
É por isso, que de rifle de costas, cruzando as estradas do sertão, deixo um rastro sangrento a procura dos assassinos de meus paes.
(...)
É por isso que eu sou cangaceiro.
Não sei quando hei de deixar os horrores desta vida, onde o maior encanto, a maior belleza seria extinguir a maldade daquelles que roubaram a vida de minha mãe e de meu pae a de minhas irmãs.
Dizendo isto, Lampeão ergueu-se, tomando o chapéo.
Despediu-se do nosso informante.
À porta um seu companheiro o "arreou", isto é, entregou-lhe as cartucheiras e o mosquetão, um fuzil Mouser cortado na extremidade do cano.
Apertando as mãos hospitaleiras de Rosendo, o dono da rustica engenhosa, o monarcha sanguinolento dos sertões tomou a estrada poeirenta para as incertezas do seu destino.
Deante da maravilha da vida de Lampeão cheia de episodios romanescos e impressionantes como aquelle em que ha a scena commovente e soberba do juramento sobre a bocca hirta de uma mãe, quem ousará atirar a primeira pedra sobre o quadrilheiro immortalisado nas chronicas sangrentas do sertão?

A vida...Biografia incerta

Os dados biográficos do mascate sírio-libanês são incertos e confusos. As referências em livros e jornais sobre datas relacionadas à vida de Abrahão são desencontradas. Uma das poucas certezas é a data de sua morte - ele foi assassinado em maio de 1938. Dois meses depois, o bando Lampeão foi massacrado em Angicos. Há diferentes explicações sobre os motivos e a maneira como Abrahão morreu.

No Brasil 

Benjamim teria chegado ao Brasil durante a segunda década deste século (há informações também de que isso teria ocorrido em 1908 ou 1916). Nômade por natureza e carregando consigo um equipamento de cinema e fotografia, Abrahão se internou na caatinga, percorrendo o Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, a fim de registrar as imagens de Lampeão.

Com Padre Cícero 

Antes de sair pelas caatingas filmando e fotografando Virgolino Ferreira, Abrahão foi fotógrafo oficial de Padre Cícero. Chegou a morar na casa do Vigário, de quem ganhou de presente uma máquina fotográfica e uma datilográfica. Foi como secretário de Padre Cícero que Abrahão ganhou popularidade e prestígio na pequena Juazeiro do Norte dos anos 20 e 30.

No cinema 

Benjamim Abrahão é constantemente lembrado no cinema, em filmes sobre o cangaço. Imagens feitas por ele, ou sobre ele, podem ser vistas, por exemplo, em O Baile Perfumado, dos pernambucanos Paulo Caldas e Lírio Ferreira, e em Corisco e Dadá, de Rosemberg Cariry.
A Aba Filme, empresa fotográfica cearense, financiou a aventura de Benjamin Abrahão. No filme com Lampeão, o cangaceiro e seu bando aparecem em atividades bem prosaicas. Uma leitura de jornal, uma "exibição"para a câmara, um "em nome do Padre". Quanto às fotos, desde que a Aba Filme revelou os primeiros negativos, os registros foram se espalhando e se formando de domínio público.

Cangaço

No Sertão do Nordeste, de Sergipe ao Ceará, os anos de 1925 a 1938 marcam o apogeu do cangaço, dos bandos errantes organizados, que não conheciam outra lei senão a de seus próprios chefes. É o tempo de Lampeão, Corisco, Zé Baiano, Volta Seca. Havia lutas entre jagunços (cangaceiros) e macacos( policiais). Roubo de terras, assassinato de parentes, violação de mulheres, abusos de poder obrigam sertanejos a se embrenhar na caatinga e a se juntar a um bando para sobreviver.

Contra Prestes 

Em abril de 1926, o cidadão Virgulino Ferreira da Silva é nomeado capitão, por influência e indicação de Padre Cícero. Lampeão recebeu alguns fuzis e 300 cartuchos para cada um de seus homens. Objetivo: combater a Coluna Prestes, que levava a guerrilha para o interior cearense.

Cabeças cortadas 

Lampeão só morreria dez anos depois de publicada esta entrevista no O POVO. Ele, Maria Bonita e mais nove companheiros foram mortos numa madrugada de julho de 1938 pelo grupo comandado pelo tenente João Bezerra, da Força Pública Alagoana. Na época, o casal já estava cansado do cangaço. Tinham já uma filha, Maria Expedita, que haviam deixado com amigos no interior de Sergipe. Como se sabe, os onze cangaceiros mortos tiveram suas cabeças expostas nas escadarias da igreja matriz de Santana de Ipanema, cidade próxima. Depois, conduzidas a Maceió e, em seguida, Salvador. Fora-da-lei?

Texto da socióloga Maria Christina Motta Machado: "Os cangaceiros nunca foram entendidos (...) passam por simples criminosos e ladrões quando, na realidade, eram homens que lutavam porque não conheceram a justiça. Fizeram, então, a justiça com as próprias mãos. Eram os fora-da-lei'? Mas onde estava realmente a lei? No bolso dos ricos ou no porrete do coronel?"


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Os escritores Clerisvaldo B. Chagas, Marcello Fausto e Pedro Pacífico V. Neto têm a honra de convidar Vossa Senhoria e ilustríssima família a prestigiarem os Lançamentos dos Livros: 


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LOCAL: Tênis Clube Santanense
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O BAÚ DE DONA BALÓ, A MÃE DA CANGACEIRA LÍDIA

Por: João de Sousa Lima


O povoado Salgadinho, em Paulo Afonso, Bahia, situado nas margens da exuberante Serra do Padre, rendeu-se aos encantos sublimes da mais deslumbrante flor germinada em seus campos: a belíssima Lídia Pereira de Souza. Uma formosa morena de traços perfeitos e sedutores e curvas delineadamente sensuais.
            
O baú de dona Baló, a mãe da cangaceira Lídia.

Lídia Pereira de Souza viria um dia a se tornar a bela cangaceira Lídia, de Zé Baiano.

            
Lídia era filha do modesto casal Luís Pereira de Souza e Maria Rosa Figueiredo, conhecida pela alcunha de Dona Baló, uma exímia rendeira e costureira.

            
O Salgadinho por ser um dos lugares percorridos pelo Rei do Cangaço e seus seguidores, na época em que as andanças do capitão Virgolino atingiu seu apogeu em terras baianas, me foi bastante informativo enquanto eu realizava pesquisas para o livro: Lampião em Paulo Afonso. Por dezenas de vezes estive naquela localidade, registrando as histórias contadas pelos velhos remanescentes da luta cangaceira e neste período, uma das coisas que mais despertou minha atenção foi conhecer a casa onde nasceu a bela cangaceira Lídia, de Zé Baiano. Contra todas as possibilidades e intempéries geradas pelo tempo, a casa teimava em continuar erguida, mesmo estando assombrosamente carcomida pelos cupins, resistia imponente e enigmática.

            
Muitos estudiosos do tema cangaço estiveram comigo visitando a velha moradia da mais linda das cangaceiras. Em uma das minhas últimas visitas fui lá sozinho e sem pressa pude apreciar cada canto, cada forma e cada fresta do velho casebre. Em um dos quartos, por uma das rachaduras da parede, divisei, entre centenas de casas de marimbondos, um antigo baú e dividindo o frestal com os morcegos, estava uma velha lamparina. Como é que tinha passado despercebido por tantas vezes estes velhos objetos? Enquanto no meu silêncio apreciava aquelas relíquias, senti a presença de alguém que se aproximava e despertei com a voz de uma senhora que me trazia a realidade: era dona Nilda, sobrinha da cangaceira Lídia. Nilda é a guardiã da velha casa. Conversamos por alguns minutos e com o consentimento de dona Nilda, acertamos de resgatar todo o material existente naquele cubículo, onde me caberia algumas peças, tarefa não tão fácil, pela dificuldade de transpor a barreira de centenas de vespas com seus ardentes e venenosos ferrões.

            
Em Paulo Afonso me preparei adquirindo equipamentos de proteção para usar e que pudessem me proteger no resgate do tesouro de dona Baló.No dia 15 de maio de 2005, uma manhã de domingo de nuvens negras e ameaçadoras, embarquei com o velho amigo Ivan Caetano, um aposentado mecânico de aeronaves e que durante muito tempo dedicou sua especializada mão-de-obra ao setor de aviação da CHESF. Seguimos viagem, eu, Ivan e sua esposa Leonídia, na boleia da antiga e inseparável "TRUBANA", uma F -1000, vermelha, que Ivan possui há muito tempo.

            
No segundo percurso, de aproximadamente 12 quilômetros, sendo a maior parte em estrada de chão, podemos observar os estragos feitos pela chuva que há dias castigava este pedaço de chão. Aos solavancos e pelas mãos firmes do estimado amigo, chegamos ao povoado Salgadinho. Descemos entre poças de lamas e riachos de águas correntes, bem na frente da casa da cangaceira Lídia e lateral às casas de dona Nilda e Sinhozinho. O verdadeiro nome de Sinhozinho é José Luís Pereira e é o único irmão vivo da cangaceira.
            

Por alguns minutos conversamos com dona Nilda e depois seguimos na direção da casa de Sinhozinho, onde pudemos saborear uma docíssima melancia, sob a fresca aragem de um frondoso umbuzeiro. Depois da melancia, nos preparamos para a árdua tarefa. Coloquei o apropriado macacão, botas, luvas e um chapéu com uma rede de nylon.

            
Seguimos, eu e o Ivan, até a parte traseira da casa, local que dava um melhor acesso para entrarmos no quarto, onde se encontrava o baú e a lamparina. O Ivan se encarregava de encher dois vasilhames com querosene e eu saía alvejando o mortífero líquido nas casas das ariscas vespas, que aos montes atacavam tentando ferroar-me, sem sucesso.

            
Enquanto centenas de maribondos voavam desnorteados, eu vasculhava os recantos semi-escuros daquele pavimento. Na verdade, lá dentro, existiam três baús. Um deles, o mais bonito de todos, mesmo sendo recoberto por couro, desintegrou-se quando eu o toquei, tentando arrastá-lo para fora e, de dentro do baú, saíram centenas de abelhas pretas que em vão tentavam picar-me para protegerem uma já esfarelada colméia. Peguei o baú que se encontrava em perfeito estado e dentro encontrei algumas velhas e carcomidas peças de roupa, carretéis de linhas, velhas notas de dinheiro, valendo um, dois, dez, vinte e cinquenta cruzeiros. Deixei o perfeito baú aos cuidados do amigo Ivan e retornei para vasculhar a velha armação de um desintegrado caixote. No meio das tábuas mofadas e da areia, encontrei coisas mais interessantes, tais como: duas grandes moedas do tempo do Império, datadas de 1831 e que trazem estampadas o numeral 40, dois tinteiros de nanquim, dois punhais, sendo um de 0,35 centímetro e um menor e mais belo, medindo 0,23/2 centímetros trazendo na folha de aço, o nome FAVORITA KOCK e C° KOLM, ST e C, uma mecha de cabelos presa por uma trabalhada peça de ouro, um chicote de couro, um canivete, dois vidros antigos de perfume, duas esporas, uma casca de bala com as iniciais FEAG e datada de 1921, vários botões de tamanhos variados, um dedal, 04 chaves de portas, várias fivelas, um pequeno recipiente de alumínio feito para guardar agulhas, uma peça para perfurar couro, vários carretéis de madeira (escrito em alguns: LINHA BISPO, GLACÊ E ÔLHO), uma almotolia para lubrificar máquina, dois fusos, um vazador de fabricação artesanal, uma moeda de 100 réis, datada de 1928.

            
Das paredes de taipa resgatei a velha lamparina e algumas imagens de santos, estas acabaram ficando com Sinhozinho. Esse era o tesouro de dona Baló, mãe de cangaceira Lídia. Dentro de três velhos baús, peças da época do cangaço se misturavam com outras coisas mais recentes e acabaram despertando o meu lado garimpeiro das coisas do passado.

            
Saímos do povoado Salgadinho, já com o horário do almoço ultrapassado e sem que antes saboreássemos outra melancia, oferecida desta vez, pelas mãos de dona Nilda.

            
No horizonte, negras nuvens caminhavam cercando o antigo povoado. Despedimos-nos e retornamos dando uma parada no povoado Açude, mais precisamente no bar do Bilinho, onde comemos uma deliciosa galinha de capoeira e o tradicional bode assado.

            
O verdadeiro tesouro que encontrei naquela nublada manhã de domingo, estava no doce sabor da melancia, nas pisadas nos riachos de águas correntes, nos esporádicos pingos de chuva que nos encharcavam e na alegria do sorriso do meu querido casal de amigos.
                                                                       

João de Sousa Lima
(Escritor e historiador)
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Paulo Afonso
Membro da BESC e da Academia de Letras de Paulo Afonso


http://www.joaodesousalima.com

Hemodiálise corre tranquila, mas Dominguinhos ainda não se comunica

Dominguinhos (Foto: Reprodução / TV Globo)

Procedimento foi iniciado domingo (6) e na sexta foi feita traqueostomia. Artista está internado desde o dia 17 na UTI do Hospital Santa Joana.

O tratamento de hemodiálise do músico Dominguinhos segue sem intercorrências segundo boletim divulgado nesta segunda-feira (7) pelo Hospital Santa Joana, no Recife. O procedimento foi iniciado no domingo (6) devido ao comprometimento da função renal do paciente.

Ainda segundo a nota, o cantor continua sem sedação, mas sonolento e sem estabelecer contato. O  tratamento antimicrobiano continua, assim como o marca-passo e a ventilação mecânica. De acordo com os médicos, o artista ainda está sem sedação, sonolento e sem estabelecer contato.

Na sexta-feira (4), o boletim informou que foi realizada uma traqueostomia no cantor e compositor. Dominguinhos está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Joana, no Recife, desde o dia 17 de dezembro, em tratamento de infecção respiratória e arritmia cardíaca. O músico é portador de diabetes e luta contra um câncer de pulmão há cerca de seis anos.

História

José Domingos de Morais, mais conhecido como Dominguinhos, é natural de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Conheceu Luiz Gonzaga com oito anos de idade. Aos 13 anos, morando no Rio de Janeiro, ganhou a primeira sanfona do Rei do Baião, que três anos mais tarde o consagrou como herdeiro artístico.

Instrumentista, cantor e compositor, em 2002 ganhou o Grammy Latino com o CD "Chegando de Mansinho". Ao longo da carreira, fez parcerias de sucesso com Gilberto Gil, Chico Buarque, Anastácia, Djavan, entre outros. Atualmente, Dominguinhos é considerado o sanfoneiro mais importante do país.

Quer saber mais sobre o músico clique no link abaixo:

http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2013/01/hemodialise-corre-tranquila-mas-dominguinhos-ainda-nao-fez-contato.htm


Manias de Jerônimo Dix-neuf Rosado Maia

Por: José Mendes Pereira
Dix-neuf Rosado e sua esposa Odete Rosado

Jerônimo Dix-neuf Rosado Maia (19º filho) era natural de Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte. Filho de Jerônimo Rosado Maia, nascido em Pombal, no Estado da Paraíba, e de dona Isaura Rosado,  sendo esta irmã de dona Maria Amélia Henrique Maia, a primeira esposa de Jerônimo Rosado. Dix-neuf Rosado tinha 20 irmãos, conhecidos como a família numerada de Mossoró. 

Mulher - Morre mãe de Fafá Rosado, prefeita de Mossoró
Dona Odete Rosado

Dix-neuf Rosado era casado com dona Odete Rosado, e pai da ex-prefeita Fafá Rosado. Dona Odete faleceu  no dia  15 de outubro de 2012, em Mossoró.

http://telescope.zip.net

Jerônimo Dix-neuf Rosado Maia morava neste palacete, construído pelo banqueiro Sebastião Fernandes Gurgel, proprietário da Casa Bancária S. Gurgel. Em 1928, foi vendido para o comerciante e industrial local, Miguel Faustino do Monte, ex-funcionário do coronel Delmiro Gouveia. 

Coronel Delmiro Gouveia

Em 13 de setembro de 1933,  o palacete entrou para a História Oficial, foi o Catete Mossoroense. Nesta data, instalaram-se o Presidente Getúlio Vargas e sua comitiva presidencial. Após  a solenidade do hasteamento da Bandeira Nacional, foi dado como instalado o Governo Provisório da República do Brasil. Em 1945, novamente o Palacete foi vendido ao Sr. Dix-neuf Rosado, industrial e político local, permanecendo em poder da família até a presente data.

Como todo ser humano tem suas manias Jerônimo Dix-neuf Rosado não era diferente, exigia cumprimento aos tratos, dado a palavra, não voltava atrás. 

Se ele dissesse que chegaria em determinado local tal hora, tal hora ele estaria ali, nem mais nem menos minutos. 

Se ele dissesse que  honraria um compromisso às três horas da tarde, não adiantava o sujeito chegar antes ou depois da hora marcada. Tinha que ser às três horas mesmo.

Quando ele e dona Odete viajavam para um lugar mais distante do Estado, Petrolina, por exemplo, onde mantinha uma empresa..., um iria de avião, o outro seguiria no ônibus, pois se acontecesse um acidente, só morreria um. 

Quando mandava um dos seus empregados fazer depósitos bancários, dividia o dinheiro em duas partes iguais, uma porção seria colocada em um dos bolsos do empregado, a outra parte seria colocada em outro bolso, pois se fosse roubada ou perdida, saldaria a metade do valor a ser depositada.  

Certa vez, aproveitando a ausência de dona Odete em sua casa, e não gostando de um pé de coco com dois metros de altura, o qual frondava viçosamente no seu jardim, ordenou a um dos seus jardineiros que o arrancasse pelo tronco. 

Sabendo do zelo que dona Odete tinha pelo coqueiro, o empregado disse-lhe que não iria fazer isto, pois quando ela retornasse da viagem, com certeza iria se zangar com ele, por ter arrancado o que ela mais gostava do seu jardim.

Dix-neuf Rosado esbravejou dizendo-lhe que quem mandava em sua casa era ele, e não o empregado, e exigiu que cumprisse a sua ordem, do contrário seria  demitido imediatamente. Mas tivesse cuidado para não maltratar o coqueiro, pois depois que fosse arrancado pelo tronco, iria precisar dele.

Depois de dada a ordem Dix-neuf saiu pelos fundos da casa em direção a sua retífica, que fica (continua no mesmo lugar com outro nome de fantasia, Montec),  na Avenida Alberto Maranhão.

O empregado não tinha outra solução, o jeito para permanecer ganhando o seu salário era meter a chibanca e arrancar o pé de coco. 

Com uma sofrida tarefa de três horas finalmente o pé de coco estava sobre o solo, e de imediato o empregado foi comunicar ao patrão que o coqueiro já estava livre do jardim.

Ao chegar, Dix-neuf viu a miserável palmeira encostada ao muro, e virando-se  para o empregado disse-lhe: 

- Quando eu ordenar uma atividade para você, faça-a. Se eu te pago, não há como me recusar.

-E agora seu Dix-neuf, o que eu faço com o pé de coco?

- Agora o plante no mesmo lugar. Faça sempre o que eu determinar.

- Mas seu Dix-neuf, o trabalho que ele me deu para ser arrancado, agora vou ter que plantá-lo?

- Se você tivesse me obedecido logo, não estaria com este trabalho de plantá-lo, depois regá-lo,...

Minhas simples histórias

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domingo, 6 de janeiro de 2013

Lançamento em dose dupla: Lampião em Alagoas e Negros em Santana


Dois belos trabalhos de pesquisa serão lançados ao público no próximo dia 19 de janeiro, em Santana do Ipanema, no Tênis Clube Santanense. O evento acontece às 19h30.

(Design: Diêgo Malta)

As duas obras são frutos do trabalho de três santanenses. Lampião em Alagoas foi escrito pelo já consagrado escritor, romancista, pesquisador e historiador 

O escritor Clerisvaldo B. Chagas

Clerisvaldo Braga das Chagas, que adotou o nome Clerisvaldo B Chagas, em parceria com o professor e pesquisador Marcello Fausto.

Professor e pesquisador Marcelo Fausto - http://www.maltanet.com.br

Negros em Santana conta, além dos dois citados, com a participação do comerciante Pedro Pacífico V. Neto, popularmente conhecido por Pedro da Loto.

Tive a grata satisfação de receber das mãos de um dos protagonistas desses trabalhos, o professor Marcello Fausto, as duas obras, logo que saíram do “forno”. Posso abalizar os dois trabalhos como sendo um riquíssimo teor literário e histórico para Santana do Ipanema e Alagoas.

Lampião em Alagoas

O assunto Cangaço de há muito vem sendo discutido em todo o Brasil e até no exterior. Quase sempre dividido entre a paixão e a revolta, muitos foram os escritores que falaram dos cangaceiros nordestinos. Mas poucos foram os que buscaram se aprofundar no assunto a fim de passarem, de uma forma imparcial, para os sequiosos pelo tema a verdadeira história de um dos piores momentos vividos por esta região, que muitas vezes pareceu ter sido fadada ao sofrimento eterno.

Foto do livro

Lampião em Alagoas é o primeiro livro que fala exclusivamente da história da passagem de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, e seu bando, por terras alagoanas.

Como citam os autores, “os veteranos escritores do cangaço, ávidos por novidade, não irão entrá-las em nosso trabalho, cujo mérito está apenas na organização sequenciada do que já foi dito por vários pesquisadores do estado e fora dele”.

Esta obra é interessante pela forma como está sendo apresenta, cronológica e didática, facilitando assim a leitura, sobre a passagem do maior líder do cangaço de todos os tempos no sertão de Alagoas na década de 30.

O livro tem 467 páginas e sua editoração eletrônica e impressão foi produzida na Grafmarques.

Negros em Santana

Foto do livro

Chamado pelos próprios autores como “pequeno grande livro”, por possuir apenas 51 páginas, Negros em Santana é fruto de uma adaptação do Trabalho de conclusão de curso (TCC), concluído pelos autores no Cesmac, em Maceió.

Como bem diz o título, a obra traz uma pesquisa sobre os primeiros negros no município de Santana do Ipanema, por volta de 1771.

Estudantes, curiosos e historiadores não podem deixar de prestigiarem este evento, que marca um novo rumo na história de Santana, do Sertão e de Alagoas.

Por Sérgio Campos

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sábado, 5 de janeiro de 2013

PATATIVA DO ASSARÉ


Ontem, em meio a uma conversa informal me pediram que eu falasse um pouco sobre Patativa do Assaré. Me surpreendeu o súbito silencio que tomou conta de mim. Na realidade me quedei pensando se falava de Antônio Gonçalves da Silva ou de Patativa do Assaré.

Coincidentemente, nesses últimos dias tenho me debruçado em leituras. Ando atento e relendo algumas pérolas do grande Patativa do Assaré. Me encanta em especial o fato da não existência REAL, do Patativa do Assaré. Me encanta saber que o “PATATIVA” era na realidade um personagem criado pelo agricultor e cantador Antônio Gonçalves da Silva.

Adianto que são poucos os que sabem dessa diferença. Mas ela existe. E eu só pude perceber quando convivi mais tempo com o grande poeta. Houve um tempo em que os contatos pessoais se intensificaram e eu passei a frequentar a sua casa em alguns sábados, unicamente pra conversar.

Numa dessas visitas, descobri o arsenal de livros, já surrados pelo tempo, que foram lidos por ele. Acervos de poesias de Olavo Bilac, Juvenal Galeno, Catulo da Paixão Cearense, estavam guardados em meio a livros de Machado de Assis, e tratados politicos diversos. Só aí pude conhecer as duas faces; a do cidadão, bravo lutador e guerreiro Antônio Gonçalves, e a do personagem por ele criado e nominado pelo Jornalista José Carvalho como Patativa do Assaré.

A grandeza da poética de Antonio Gonçalves da Silva está na verdade escondida na sua capacidade de mimesis e de diégesis quando mistura o homem do campo com o personagem da sua própria poesia. Assim, advogo que emana do homem do campo Antônio Gonçalves da Silva, o personagem Patativa do Assaré e que este é o canal através do qual o poeta dá voz ao seu instinto poético/político/ativista.

Senão vejamos quando o próprio Antônio Gonçalves denuncia em suas rimas a sua onipresença nos versos creditados a Patativa quando canta evocando a sua origem sertaneja, a sua ligação com o campo:

Poeta, canto da rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.

Na estrofe acima, vê-se Mimetizado e falando ao povo pela voz de Patativa do Assaré, em palavras recheadas de uma clara e invejável oralidade - não menos importante das erudições lusitanas - destacando as denuncias feitas por ele quando reclama da forma desigual com que é tratado o homem do campo. Fato este que caminha para as desastrosas consequências geradas pela desigualdade social como: miséria, fome, insalubridade, etc. Ou seja, através do personagem Patativa, ele fala das agruras sofridas pelo homem do campo. Classe na qual se insere Antônio Gonçalves da Silva.

Ou em outro trabalho quando deixa aparecer a sua visão social e politica, denunciando as causas do sofrimento dos sertanejos:

Não é Deus que nos castiga
nem é a seca que obriga
sofrermos dura sentença
não somos nordestinados
nós somos injustiçados
tratados com indiferença.
Sofremos em nossa vida
uma batalha renhida
do irmão contra irmão
nós somos injustiçados
nordestinos explorados
nordestinados, não.

De toda forma, Antônio Gonçalves da Silva foi um ser humano ímpar, singular. Patativa do Assaré permanece entre nós. Em livros, poesias, denuncias, etc.“Consciente do seu papel social e com a clareza de pensamento que lhe distinguiu como poeta e como homem, Patativa do Assaré depõe a favor de sua própria arte diante de si mesmo, ao explicar seus versos no poema acima, eu Digo e não peço segredo, dizendo para Tadeu Feitosa: (Mª Socorro O. Brandão)

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LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


Autor: Kydelmir Dantas


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Lá pras bandas do sertão de Canudos...

Por: Laura Ferreira
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Seu Zuca revela encontro com Lampião (Foto Silvana Costa)

De passagem por Canudos, nossa correspondente Laura Ferreira narra uma história de Seu Zuca, um homem de 99 anos que diz ter se encontrado com o cangaceiro Lampião. A narrativa segue de forma original, sem apuro no texto.

Cabelos brancos e espalhados pelo vento que entrava pela porta de duas bandas, muito comum em casas do sertão nordestino. A voz pausada, mas com a firmeza de quem muito vivera, ele logo avisa aos que vão em busca de seus relatos: “minha prosa é positiva, eu não gosto de contar o que me contaram, eu gosto de falar do que eu vi e do que tenho certeza”. Foi assim que seu Zuca, ainda muito lúcido, aos noventa e nove anos, me recebeu em sua casa, lá pras bandas da cidade de Canudos.

Seu Zuca, figura tranquila e quase secular da cidade, relata de maneira compassada algumas histórias de Canudos, parece uma fonte inesgotável, ou por certo minha sede de saber mais estava aliada à sua de relatar.

O sol ardente no centro do céu de Canudos concordava com os ponteiros do relógio de parede de seu Zuca, como um carrasco, já pontuavam quase meio dia, mas os seus relatos continuavam impressionando, e a sua paciência chega a incomodar os mais “atentos”, pois cheia de cuidados adentra a sala a sua genra alertando-lhe a hora do almoço. Sugeri então, que ele almoçasse e mais tarde continuássemos a prosa, mas ele disse não estar com fome e que preferia concluir.

E então prosseguimos, em busca dessa conclusão que parecia não querer acontecer, atentava-me às lembranças do ancião, pois esse impressiona mesmo quando contou um encontro que teve com o capitão Virgulino Ferreira, o destemido Lampião. 

Lampião

Nessa viagem relatada, me aproximo dos fatos, sinto cheiro, sabor e lembranças do que não vivi. Segundo seu Zuca, e como era de se esperar, essa foi a maior aventura de toda a sua vida.

Percebendo o teor de importância daquele relato, como principiante, tomei coragem e pedi a seu Zuca que me deixasse gravar aquela nossa conversa, preciosa demais pra ficar apenas à mercê de minha memória, e então ele autorizou sem nenhum constrangimento, aguardando enquanto eu ligava o equipamento.

Autorizado, iniciou a nova história repetindo um gesto já bem próprio, levou as mãos à cabeça branca, e essa sem dúvida denuncia a experiência de quem esteve aos cuidados do capitão Virgulino: 

“Eu nunca gostei de bandido, sempre andei certo, mas um dia eu fui obrigado a estar com o bando de Lampião”, ressalva seu Zuca.

Contou que já se passava do ano de 1928, quando o cangaço, movimento surgido no início do século XX, a partir das péssimas condições sociais do sertão nordestino, na liderança de Lampião, passou pela comunidade de Canudos. Á época, o grupo acampou nas margens do Vaza Barris, rio que corta todo o sertão de canudense.

Procurado por Lampião, o irmão mais velho de seu Zuca foi ordenado para levar um bilhete até o seu amo, (patrão) que residia em sua outra fazenda na região do Cumbe (Euclides da Cunha) o bilhete rezava que o fazendeiro deveria enviar pelo portador a quantia de cem mil réis, porém, como esse seria ainda o resultado da venda de muitas cabeças de gado, o irmão de seu Zuca retornou com outro bilhete, esse pedia a Lampião que aguardasse uns três dias até que o fazendeiro recebesse o capital.

Assim, passado mais de três dias do retorno do bilhete, Lampião ordenou a um dos seus cabras, o Arvoredo, que fosse até à fazenda em busca da encomenda. 

O cangaceiro Alvoredo

Arvoredo foi recebido por seu Zuca que informou ao cangaceiro que o amo de seu irmão, ainda não se encontrava com a quantia em mãos.

Antes que seu Zuca concluísse o recado, a volante (polícia) cercou a fazenda, seu Zuca não tendo outra opção, pois seria acusado de coiteiro (pessoas que davam hospedagem a cangaceiros), escondeu o cangaceiro em um dos aposentos da casa. Dois soldados que vinham seguindo os rastros da cabroeira sertão adentro, entraram gritando que sentiam cheiro de cangaceiro por perto. Seu Zuca negou, reprovando depois a cunhada, que nervosa e bastante desapontada, ofereceu um cafezinho aos macacos, aumentando assim, o pavor de seu Zuca.

Nesse momento deu uma pequena pausa, e novamente levando as mãos à cabeça fez um comentário: 

“Nunca vi em toda a minha vida elemento tão frio como cangaceiro, eu passada aguniado as vistas pela greta do aposento, e tava ele lá rindo de arma em punho”, conta.

Temendo confronto com Lampião...

Continuando nossa conversa, seu Zuca diz que a volante se conformou e seguiu na busca sertão afora, perdendo assim o rastro, ora tão próximo, dos cangaceiros. O melhor de toda essa experiência de seu Zuca ainda estava por vir.

No dia em que o dinheiro foi liberado pelo fazendeiro, seu irmão, receoso de um confronto com Virgulino, pediu a seu Zuca que levasse o dinheiro a outro empregado, para que esse fosse ao encontro do bando na “baixada”, local de acampamento do grupo de Lampião, combinado por este como também o local da entrega de tal importância.

Chegando à fazenda ao receber a ordem do fazendeiro e do irmão de seu Zuca, o empregado mostrou-se obediente, mas segundo seu Zuca, ele o chamou até o interior da casa dizendo que precisava de sua ajuda para levantar uma “reis” que se encontrava caída. Desconfiado, seu Zuca o acompanhou, mas chegando lá, ele disse ter constatado que o tal rapaz estava era com medo: -“A feição dele tava sem sangue e já se borrava nas caça, então eu disse:

- Cabra froxo! Tomei o dinheiro e fui ter com o bandido Lampião”, se orgulha ainda seu Zuca.

Chegando ao local combinado, Lampião recebe, conta o dinheiro, e dá-se por satisfeito, seu Zuca ainda nos relata o cenário construído pela cambada de Lampião:

“Era na beira do rio, no terreno da fazenda mermo do amo do meu irmão, o qui si via era muita panela de barro pero chão, mei mundo de tenda armada, o terrero alimpado cheio de pedra que servia de assento num é? Ou as veiz de trempe pra eles cunzinhar no meio das barraca, eles fazia a boca da noite um pagode, dançava xaxado e tirava verso,” rememora seu Zuca.

Nesse dia seu Zuca disse ter conquistado a afeição de Lampião, proseou com ele, demonstrando segurança nas respostas quando questionado, e entre um gole e outro de cachaça, servido pelo próprio Lampião e que seu Zuca, como um bom apreciador da especialidade, não se fazia de arrogado, disse ter até dançado xaxado com os cabras.

“E era home cum home, não tinha essa mardade das brincadeira de hoje, naquele tempo não tinha muler ainda no bando, só adespois quando Corisco arrumou Dádá, Lampião pegou a tale Maria Bonita, e mais muié foi chegando, isso adespois de passar por Canudos”, explica.
  
Observei que nessa fala de seu Zuca é conferido um certo cruzamento de informações, pois, segundo alguns autores, nesse período mesmo de 1928,


Lampião apanha Maria Bonita, ali não tão longe de Canudos, em Santa Brígida, já na divisa com Paulo Afonso.

 Seu Zuca, ainda confirma o agrado de Lampião por ele, dizendo que esse o convidou para fazer parte do bando, e que dando a certeza do retorno ao mesmo, prosseguiu pra sua casa dizendo ir ter com os seus para avisá-los e pegar sua trouxa.

Nesse momento após uma boa “gaitada”, ele diz: 

“Nunca mais ele viu o fio do meu cabelo, adespois disso fui pro Sú, eu tinha era recei que ele me encontrasse e viesse me tirar arguma satisfa”, finaliza a história.

Por Laura Ferreira - Correspondente em Juazeiro e região

http://www.interiordabahia.com.br

Agradecimento pela torcida por nossa aprovação no Vestibular 2013 da UFRN


Por: Rostand Medeiros

Aos amigos e amigas,

Gostaria de agradecer pela força e torcida para entrar na UFRN.
Informo que fui aprovado no curso de jornalismo, conforme mostra o link em anexo.


Forte abraço a todos e muito obrigado.

NATAL - 115 COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO - T - BACHARELADO - 1º SEMESTRE
GRUPO 1 - Candidatos egressos de escola pública, com renda familiar bruta igual ou inferior 1,5 salário-mínimo (1 salário-mínimo e meio) per capita e que se autodeclararem pretos, pardos e indígenas.
NOME INSCRIÇÃO
FELIPE JAILTON DA SILVA 116780
RODRIGO MATHEUS DE MOURA ZUZA 95129

NATAL - 115 COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO - T - BACHARELADO - 1º SEMESTRE
GRUPO 2 - Candidatos egressos de escola pública, com renda familiar bruta igual ou inferior 1,5 salário-mínimo (1 salário-mínimo e meio) per capita e que não se autodeclararem pretos, pardos e indígenas.
NOME INSCRIÇÃO
GUILHERME MENDE ALVES 116333

NATAL - 115 COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO - T - BACHARELADO - 1º SEMESTRE
GRUPO 3 - Candidatos egressos de escola pública, com renda familiar bruta superior a 1,5 salário-mínimo (1 salário-mínimo e meio) per capita e que se autodeclararem pretos, pardos e indígenas.
NOME INSCRIÇÃO
MARIA CAROLINA FREITAS DE AZEVEDO 112132
MARINA DE LIMA CARDOSO 104915

NATAL - 115 COMUNICAÇÃO SOCIAL - JORNALISMO - T - BACHARELADO - 1º SEMESTRE
NOME INSCRIÇÃO
ADRIANA DE PAIVA MACÊDO 116194
ALAN VICTOR SILVA DE LIMA 79363
ANA CLARA CALIXTO LINS DE ARAÚJO 97517
ANDERSON SAMPAIO MACIEL 88699
ANDREI CHRISTIAN TORRES BRITO DE OLIVEIRA 93296
BRENA THAÍSA QUEIROZ DE MELO 83993
CAIO DOS SANTOS ANDRADE 101956
CAMILA LAMARTINE MARIZ BARBOSA 96461
CARLOS ROSTAND FRANÇA DE MEDEIROS 118738
ÉRIKA OLIVEIRA DA SILVA 97976
GUSTAVO HENRIQUE RODRIGUES GUEDES DE LIMA 101865
ISABEL JALES COSTA SOUZA 89270
ISA DE OLIVEIRA TEIXEIRA 81034
JÉSSICA MAFRA DE OLIVEIRA 88329
LAÍS FERNANDES GALDINO DA SILVA 107219
LÁYRON RAMON SILVA DE SALES 81433
LIZETE BARBOSA DA NÓBREGA 86221
LUANA ANGÉLICA DE MELO BITTENCOURT 112518
LUCAS OLIVEIRA DE MEDEIROS 108172
LUCAS RODRIGUES FÉLIX 92479
MANOEL ADALBERTO DA COSTA JUNIOR 100699
MARIANA NOBRE DE OLIVEIRA 106880
MARINA FERNANDEZ GUEDES 110477
NATÁLIA SOUZA NORO 92961
NATHALLYA RAYANNE MACEDO XAVIER DA SILVA 93354
PAULO ARTUR MEDEIROS DE OLIVEIRA 104983
RAFAELA SOUSA GURGEL DE LIMA 89740
RAISSA SALES DE MACÊDO 81123
RENATO VILAR DE LIMA 87517
RODRIGO MEDEIROS GURGEL DE FARIA 90003
TAÍS VIVIANE GABRIEL NASCIMENTO 104702
TARLISSON DE OLIVEIRA MIRANDA 96123
THYAGO GABRIEL COSTA 108663
VITÓRIA DE SANTI ESTÁCIO 116505
YASMIN DA SILVA FARIAS 116447


Rostand Medeiros