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terça-feira, 22 de abril de 2014

Lampião, o rei do cangaço tinha seus protetores

Por Governador do Sertão Virgulino 

Também na região do agreste pernambucano, o Rei do Cangaço; Virgulino Ferreira, encontrava abrigo e acolhida à sua epopeia nômade cangaceira. Fazendas nas vastas terras entre municípios como Bom Conselho, Águas Belas e Itaiba, traziam oportunamente momentos de descanso e ajuste de negócios entre o líder cangaceiro e seus protetores. 


Em uma dessas paragens junto ao poderoso coronel Zezé Abílio, lider político e maioral de Bom Conselho, Lampião esteve nesse povoado por nome de Serrinha de Catimbau, no município de Garanhuns-PE. Dessas casas saíram os tiros dos moradores, onde Maria Bonita saiu baleada, em Julho de 1935.

Fonte: facebook
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Um fato interessante!

Por Governador do Sertão Virgulino

Um fato interessante aconteceu logo aqui, próximo ao Estado da Bahia, do outro lado do Rio São Francisco,  Bahia, bem próxima das pequenas cidades, Rodelas, Abaré, Glória, Macururé Chorrochó). 


Provavelmente isto aconteceu entre os anos de 1931, ou 1932, em data ignorada. Lampião, Corisco e outros cabras chegaram à fazenda Mandacaru, município de Chorrochó.

A dona da casa tinha saído para fazer umas costuras em outra casa próxima, e deixou o marido com as crianças. Lampião chegou e logo pegou o fazendeiro, amarrou-o, por saber que o ele passava informações para as volantes. Quando iam saindo da casa, a mulher foi chegando das costuras, e pediu implorando que Lampião não matasse o marido e nem o maltratasse, que aquela informação era mentirosa. Era fuxico do povo da região.

Lampião disse que ela não se preocupasse, pois ninguém iria maltratar o seu marido. A mulher por ficar insistindo, o cangaceiro Corisco pegou um grande facão e deu umas três lapadas nas suas costas, com o lado do facão. 

O cangaceiro Corisco

E assim que Corisco castigou a mulher, os cangaceiros seguiram viagem, e logo um pouco distante, soltaram o fazendeiro, sem lhe dar nenuma pisa. Este acontecido foi relatado a mim pela filha da mulher, uma senhora (mãe de um vereador que é meu amigo, e reside aqui. Com medo de Lampião, vieram embora para cá. A senhora está com 85 anos de idade.

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Cangaceiro Esperança: Sua Prisão e Sua Herança.

Por João de Sousa Lima 

A fazenda Quirino, no povoado São Francisco, Macururé, Bahia, era um  dos coitos do bando de Lampião e principalmente reduto dos cangaceiros nascidos entre Macururé, Brejo do Burgo, Santo Antonio da Glória  e Chorrochó. Entre eles Gavião, Azulão, Esperança, Cocada, Zé Sereno, Zé Baiano e Gato.  No povoado São Francisco a mãe de Esperança, dona Andressa, tinha terras por lá, porém ela residia na Várzea da Ema. O comandante de volante que destacava na Várzea da Ema era Antonio Justiniano e dois dos soldados que ele comandava eram irmãos de Esperança: Vicente, apelidado de Medalha e Ananias.


A fazenda Quirino pertencia a Ludugero, tio do cangaceiro Esperança.

Esperança, Cocada, Pancada e Gavião, encontravam-se acoitados próximo ao sítio Quirino. Dentro de um cercado os cangaceiros catavam imbu quando chegou o dono do terreno e Cocada o prendeu e depois o soltou. O sertanejo correu e foi avisar a polícia do encontro que teve com os cangaceiros.

Izidoro, João Lima e José Pororô. Sobrinhos de Esperança abraçando o escritor João de Sousa Lima.

Dona Andressa sempre que precisava ir ver suas criações no São Francisco tinha que pedir autorização ao comandante do destacamento e foi em uma dessas viagens que ela travou diálogo com o contratado Reginaldo que lhe sugeriu pedir para que Esperança se entregasse que nada lhe aconteceria, de preferência que ele trouxesse a cabeça de um companheiro que sua vida tava garantida. Andressa levou o recado ao filho que mesmo relutante acabou cedendo aos apelos da querida mãe. Reginaldo mandou roupas novas de mescla azul para Esperança. O cangaceiro ainda relutante disse a mãe que não tinha coragem de se entregar e a mãe saiu triste.

João e Jovelina Barbosa,  irmã do cangaceiro Azulão, povoado São Francisco.

Era março de 1933, no coito encontrava-se Esperança, Cocada, Gavião e Pancada.  Esperança chamou Cocada para irem pegar água em um caldeirão ali próximo. Os dois seguiram na direção do caldeirão. Diante quando chegaram ao caldeirão sentaram-se e ficaram conversando. Cocada limpou sua arma e depois pediu a arma do amigo para ele limpar e Cocada entregou seu mosquetão. Esperança limpou, colocou uma bala na agulha e detonou. O cangaceiro com o impacto do tiro caiu uns dois metros de distância e sem saber de onde tinha partido o disparo pediu socorro:

- Me acode Esperança, não deixe os “MACACOS” me matar!
    
Esperança pegou o facão da marca jacaré, partiu na direção do moribundo e o degolou ainda com vida. Pegou os bornais, armas, a cabeça do cangaceiro e foi se entregar a policia. Na Várzea da Ema ele se entregou  as autoridades, contou detalhes da morte que fez, denunciou os coitos dos cangaceiros na região. Com dez dias  depois  foi encaminhado para a cidade de Uauá, onde o capitão Manoel Campos de Menezes que o livrou da prisão e o incorporou na volante policial do tenente Santinho como contratado . Ficou sendo o corneteiro do grupo. Trabalhou em Jeremoabo e faleceu tempos depois na cidade de Juazeiro, Bahia.

AINDA NA PRISÃO EM VÁRZEA DA EMA.

O cangaceiro Esperança quando preso, já atendendo agora por Mamede, seu nome real, encontrou o com o jovem sobrinho José  Gonçalves Varjão, apelidado de Pororô e lhe confidenciou que na frondosa árvore lateral a casa de sua família, enterrado próximo ao seu tronco, tinha um material guardado e que ele tirasse e entregasse a seu pai. Pororô procurou ao redor da árvore mais diante da pouca idade não encontrou forças para continuar a empreitada de escavação no duro chão de cascalhos. O tempo passou, Pororô cresceu e retornando certo dia de uma caçada, quando se aproximava de sua velha residência, viu quando seu cachorro passou acuando um preá, o cachorro parou próximo a antiga e frondosa árvore, Pororô se aproximou e viu o cão rosnando e olhando para um pé de macambira, Pororô tirou a cactácea e avistou uma lajota cobrindo um buraco, tirou a pedra, o preá correu com o cachorro latindo atrás, Pororô puxou um tecido em farrapos que cobriam algumas peças, entre elas: Uma colher de prata, 160 cartuchos de fuzil, um punhal, uma espora e algumas moedas. Era esse o tesouro de Esperança que ele havia pedido para o sobrinho guardar. Pororô vendeu os cartuchos a um dos prefeitos de Macururé. A colher de prata, algumas moedas, o punhal e uma das esporas ele me presenteou. Na colher encontramos as letras: MA. Talvez o cangaceiro tenha tentado escrever seu verdadeiro nome: MAMEDE. No punhal tem um “NA” ou “NH”.

Sargento Otávio Farias, radiotelegrafista da policia baiana, serviu na Várzea da Ema, enviava sempre as mensagens contando os combates dos cangaceiros contra as volantes.

Pororô ainda reside e seu irmão Izidoro ainda residem no São Francisco e os Quirino é herança que ficou com a família. Aquele longínquo pedaço de chão ainda guarda as histórias do cangaço vivido em suas terras, memórias ainda latentes de um tempo que teima em não ser esquecido e nem deve....

SEGUE EM ANEXO A ESSE TEXTO UMA DAS CARTAS DE INTERROGATÓRIOS REALIZADOS PELA POLÍCIA E QUE MOSTRA A IMPORTÂNCIA DESSES LUGARES CITADOS COM A HISTÓRIA DO CANGAÇO E A REFERÊNCIA COM PESSOAS DA LOCALIDADE. A CARTA VAI TRANSCRITA NA INTEGRA COM OS ERROS E INCORREÇÕES:

“Aos três do mês de maio de 1932, no arraial de Várzea da Ema em casa de residência do segundo tenente Antonio Justiniano de Souza, sub delegado de policia, foi interrogado o bandido acima referido que disse:

“Em 1929, estando ele bandido, em seu rancho no lugar denominado São Francisco, foi surpreendido pelo grupo de Lampião que ali chegava a mando do Cel. Petronílio de Alcântara Reis, para que fosse as imediações do Icó e ali receber dinheiro enviado para Lampião, cuja importância era 20:000$000, mas só foram entregues 18:000$000 e que dois restantes Lampião disse que dava por recebido, quando lhe mandasse um cunheito de munição; o que não sabe-se se isso efetuou-se,  mais depois ouviu do bandido ferrugem a declaração de que teve referido Cel. Petronilio havia comprado munição. E que devido a esse encontrão foi ele depoente obrigado a refugiar-se nas Caatingas, pois as forças andavam a sua procura tendo por isso de quando em vez constantes encontros com os cangaceiros, merecendo do mesmo consideração a ponto de lhe ser entregue por “Lampião” um rifle com cem cartuchos, os quais conservou até a data de sua prisão, não tendo, porém feito uso da dita arma para a prática de crime.

Cabeça do cangaceiro Cocada, morto por Esperança.

Que sempre foi seduzido por “Lampião”  para fazer parte do seu grupo, mas nunca aceitou, apesar de ter parente no grupo, como sejam: Azulão, Carrasco e Moita Brava. Que esses encontros se efetuavam no lugar denominado Quirino para Lagoa Grande, sendo os sinais convencionados para os referidos encontros, três  pancadas em um pau seco, ou então berrando como boi; que nunca recebeu dinheiro de “Lampião” a não ser algumas roupas dadas pelos cãibras.

Punhal do cangaceiro Esperança

Que nos últimos encontros que “Lampião” teve com as tropas. Ele respondendo notou que alguns companheiros estavam desgostosos por verem os sacrifícios da causa, que nessa data viajaram nos “cascalhos” das aroeiras com direção a Várzea pernoitando a três quilômetros de distância.

Colher de prata de Esperança presenteada ao escritor João de Sousa Lima pelo sobrinho do cangaceiro

Que nessa mesma noite desligou-se do bando a meia noite com Manoel Sinhô de Aquileu, sem que fossem pressentidos pelos outros e vieram pairar nas “Canouas” onde foram informados por Pedro de Aquileu que havia garantia para todos aqueles que tinham ligações com cangaceiros, uma vez que procurassem as autoridades para se entregarem.

Detalhe do cabo do punhal de Esperança.

E baseado nisso em companhia de Pedro veio à procura do Tenente Justiniano em Várzea de Ema onde se acha. Disse mais que “Lampião” depois do combate do touro com o Tenente Arsênio cuja força foi imboscada e morreu quase toda, escapando o referido oficial, pois é um herói que infrentou o grupo que era numeroso, com um fuzil metralhadora dando somente três rajadas conseguiu matar o irmão de Lampião, Ponto Fino e sendo forçado a abandonar a arma deixando-a inutilizada pelos bandidos.

Iniciais MA escrito no cabo da colher de prata. A prata foi muito usada pelos cangaceiros para testarem bebidas e comidas se estavam envenenados.

Que nessa ocasião encontrou Lampião cartas ao Cel. Petronilio acusando Lampião, por isso Lampião resouveu queimar algumas fazendas referido Cel. Petronilio.

Detalhes do punhal e da colher de prata.

Disse mais que ouviu de Lampião dizer que tinha mil tiros de fuzil enterrados em um ponto lá para baixo, não declarado ao certo o lugar e que ia também a Curaçá à procura de outros mil tiros que tinha para lá.

Ludugero, tio de Esperança, dono da fazenda Quirino.

Quanto ao armazenamento sabe que Lampião tem alguns  rifles ensebados em ocos de pau (ensebados, para não darem o bicho próprio de madeira).

Perguntado quais são as pessoas que fornecem armas a Lampião respondeu que não conhece mais sabe que nas fazendas Juá, Várzea, e São José há “coitos” onde lhes prestam bastante serviços em abastecimentos.

E por nada mais dizer nem lhe ser perguntado deus-se por findo estas declarações ao presente auto que vae por todos assignados pelo tenente e testemunhas.

Várzea da Ema, 7 de maio de 1932”
  
Paulo Afonso, Bahia, 16 de fevereiro de 2013

João de Sousa Lima é historiador e escritor, Membro da ALPA - Academia de Letras de Paulo Afonso. Membro do IGH - Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso Membro do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará- Fortaleza- CE.

http://www.joaodesousalima.com/2013/02/cangaceiro-esperanca-sua-prisao-e-sua.html

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Andrelino Pereira da Silva


Andrelino Pereira da Silva, 1º e único Barão de Pajeú, (c. 1830 — 30 de dezembro de 1901) foi um proprietário rural e político brasileiro, primeiro Prefeito do atual Município de Serra Talhada, Pernambuco, entre 1892 e 1895.

Foi major e coronel da Guarda Nacional, intendente do município, Cavaleiro da Imperial Ordem de Cristo e Comendador da Imperial Ordem da Rosa, agraciado com o título de barão por Dom Pedro II em 10 de dezembro de 1888.

O Barão do Pajeú, Senhor da antiga Fazenda Pitombeira em Serra Talhada, Pernambuco, era bisneto do fidalgo José Carlos Rodrigues — Patriarca da poderosa família Pereira — e de Dona Ana Joana Pereira da Cunha descendentes, por várias linhas, da Casa da Torre de Garcia D Ávila e colonizadores do sertão pernambucano através dos Rios São Francisco e Pajeú.

Ele foi um homem que zelava pela boa vizinhança, e também em manter fortes os laços dos seus familiares.

Sobre seu temperamento, o Barão, era tido como um homem de paz, que sempre fazia o bem aos seus conterrâneos, desde os mais pobres dos caboclos até os mais abastados aliados.

Fonte: facebook
Página do Governador do Sertão Virgulino

Adendo
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Sebastião Pereira da Silva- o cangaceiro Sinhô Pereira

Não posso afirmar com clareza, porque ainda não encontrei informações concretas que afirmem o grau de parentesco do barão de Pajeú Andrelino Pereira da Silva, com Sebastião Pereira, o cangaceiro Sinhô Pereira, mas pelo o que eu tenho entendido, era parente bem próximo. Se eu estiver conversando besteiras peço desculpas ao leitor.

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combate de Abóbora, povoado de Juazeiro, no Estado da Bahia


Em 07 de Janeiro de 1929, travou-se o combate de Abóbora, povoado de Juazeiro, no Estado da Bahia, lembrado pela morte de Mergulhão, cujo nome real era Antônio Juvenal da Silva, mas que aparece citado também, na literatura sobre o Cangaço como Antônio Rosa.

O fogo se deu quando a volante chegou e os cangaceiros dançavam um forró em uma casa.

A causa do forró, na verdade, era alheia aos cangaceiros. Era festejo local pela construção de uma nova "armação" para a feira do povoado, que, na verdade, não passava de um arranjo descontínuo, e desordenado de casas mais esparsas. O cemitério local foi o sítio de maior destaque, onde morreram os dois policiais, o soldado José Rodrigues e Manoel Nascimento.

Adendo:
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Lembrando ao leitor que este cangaceiro apelidado de Mergulhão não era o que foi morto na madrugada de 28 de Julho de 1938, na Grota de Angico, quando aconteceu a chacina aos cangaceiros, morrendo 9 facínoras, duas cangaceiras, mais o policial  Adrião Pedro de Souza. 


Este era o que entrou na Bahia em companhia de Lampião, Ezequiel, Virgínio, Luis Pedro, Mariano Laurindo Granja, Corisco e Arvoredo.

O leitor está lembrado que quando Lampião perdia um valente dos seus homens, colocava o apelido do falecido em outro que tivesse pelo menos um pouco da coragem daquele morto, na intenção de confundir as volantes, e tentar enganá-las, que o valente homem ainda continuava vivo. Estratégia do guerrilheiro Lampião. 

Fonte: facebook
Página: Governador do Sertão Virgulino

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Combate nas Caraíbas:


Lampião tomou conhecimento que havia duas volantes em seu encalço, comandadas por Optato Gueiros e Higino Berlamino de Morais. Juntas ,somavam quarenta homens, incluindo alguns Nazarenos. 


Lampião resolveu emboscar seus perseguidores, aproveitando a topografia da região de Caraíbas, ao lado do riacho Poço da Cruz. Lampião contava com o auxílio de Manoel Pequeno, famoso bandoleiro que comandava os "caboclos", moradores de uma localidade chamada Jacaré.

O tiroteio começou as 17:00 horas, no dia 15 de Fevereiro. Lampião abandonou a luta, levando alguns feridos, os sobreviventes da volante deram o incidente por encerrado com a fuga dos cangaceiros, e rumaram para são silvestre.

Fonte: facebook
Página: Governador do Sertão Virgulino

"Amigo leitor:

Lamento, mas infelizmente o autor deste artigo não citou o ano em que aconteceu este combate. http://blogdomendesemendes.blogspot.com"

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Lampião em Brejão de Dentro no Estado da Bahia

Por Governador do Sertão Virgulino

No dia 04 de Julho de 1929, no povoado de Brejão de Dentro, município de Campo Formoso, no Estado da Bahia, nesse dia estavam quatro soldados e um cabo, que tinham vindo de Bonfim, perseguindo um grupo de fugitivos da cadeia daquela cidade, e esperavam reforços para seguirem as buscas.

Por coincidência o grupo de Lampião estava chegando em Brejão de Dentro, e um dos moradores os avistou, e disse ao cabo Militão:

- Seus homens estão chegando!

Ao ver os homens chagando, com muita calma, o cabo Militão achou que era mesmo o reforço que esperava, e foi ao encontro dos mesmos (lembrando que as vestimentas dos cangaceiros e volantes eram idênticas, causando alguma confusão, principalmente de longe), tarde demais para o cabo. Quando deu fé que era Lampião, os cangaceiros cercaram o cabo, e  Lampiao teria dito:

- Prepare-se para apanhar!

O cabo respondeu-lhe:

- Em homem não se bate,  mata-se!

-Tire as cartucheiras para não melar de sangue.

- Tirou o revólver, deu-lhe um tiro certeiro na cabeça do cabo.

Os soldados vendo os tiros disparados por Lampião, saíram correndo para o mato da casa de onde estavam.

Luiz Pedro imediatamente, ao longe, fuzilou um soldado, enquanto corria  para dentro da casa de Alfredo Monteiro, vindo a morrer lá mesmo.


Na correria, todos os soldados foram abatidos pelos outros cangaceiros. Lampião recomendou aos moradores que enterrassem todos os soldados na sua saída.

Fonte: facebook
Governador do Sertão Virgulino

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Jovem está desaparecida e sua família pede ajuda para encontrá-la


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domingo, 20 de abril de 2014

'A humildade faz mais histórias do que a arrogância"

Por José Mendes Pereira

Existem pessoas que são importantes e não só importantes como importantíssimas, que não fazem nada para ninguém e nem por ninguém. Mas existem pessoas que na vida social, mesmo sendo muito importantes, são humildes, educadas, prestativas, e não se negam ajudar as pessoas sem olhar a quem.

Baia - foto do facebook - página da Fátima Trindade, sua esposa

Quando o Dr. Dix-Huit Rosado era Senador da República, certa feita, Baia, que foi candidato por algumas vezes a vereador de Mossoró, chegando a suplente, e eu, fomos até à Fazenda Barrinha, de propriedade de Dona Chiquinha Duarte, sendo que ela era tia do Baia.

 Dona Chiquinha Duarte - a primeira mulher a dirigir automóvel em Mossoró

O transporte que nos levava era um jeep 51, e não muito acabado, mas com certos problemas. Ao retornarmos da Fazenda, entramos na BR 304, e bem próximo à ponte do rio Angicos, infelizmente o jeep quebrou, deixando-nos sem condições de consertá-lo. 


E ali, ficamos aguardando alguém conhecido que pudesse vir à Mossoró, e levar um mecânico para tentar consertá-lo.

O mais interessante é que na BR, vinha um enorme carro preto, de luxo, em direção à Mossoró, e até aparentava carro oficial. E ao observar que o jeep estava quebrado, porque nós havíamos colocado o triângulo em uma certa distância, isto para chamar a atenção de quem vinha na BR, o condutor do veículo diminuiu a velocidade do seu carro, e lentamente, foi o parando, até que o levou ao acostamento, e em seguida, desceu, e veio em nossa direção. 

www.gazetainterior.com.br

Mas nós não esperávamos que quem vinha dirigindo aquele carro, era o ex-prefeito de Mossoró, o ex-médico Dr. Jerônimo Dix-huit Rosado Maia, que no momento era senador da República, e de grande influência política em todo Estado do Rio Grande do Norte, e principalmente em Mossoró.

Dix-huit Rosado, a esposa Naide Medeiros  e a primeira filha Liana Maria - www.defato.com

Vamos fugir um pouquinho da nossa história, mas logo voltaremos. 

Este último nome (Maia), Dr. Jerônimo Dix-huit Rosado não mais usava, porque quando o Dr. Tarcísio Maia foi nomeado a governador do Rio Grande do Norte, 

Tarcísio Maia - ex-governador do Rio Grande do Norte

Dix-huit Rosado o apoiou, e o acordo foi feito que, ao término do seu mandato, Tarcísio Maia o apoiaria para governador do Estado. Mas, em vez de colocá-lo no governo do Rio Grande do Norte, Dr. Tarcísio Maia apoiou

Lavoisier Maia - ex-governador do Rio Grande do Norte

o Dr. Lavoisier Maia para substitui-lo. Mas não ficou só aí, e assim que o governo do Dr. Lavoisier Maia terminou Dr. Dix-huit Rosado não foi apoiado por nenhum dos dois, levaram o nome de

José Agripino Maia  - ex-governador do Rio Grande do Norte

José Agripino Maia às urnas, sendo este filho do Tarcísio Maia, tendo sido eleito pelo o povo, com uma grande maioria de votos válidos. E a partir daí, surgiu a grande rixa entre os primos (Maias), fazendo com que o Dr. Dix-huit Rosado evitasse de qualquer forma usar em documentos o sobrenome (Maia).

Vamos Voltar à nossa história.

Assim que o senador Dix-huit  Rosado desceu do carrão, perguntou-nos:

- O que está acontecendo, o carro quebrou?

- Quebrou sim senhor! – respondeu-lhe o Baia.

- Vamos rebocá-lo até Mossoró – Disse ele já perguntando se tinha cordas para o reboque.

- Tenho Dr. Dix-huit, mas não é necessário. Nós vamos aguardar um conhecido, e mandaremos o recado para o meu mecânico vir com o seu carro para rebocá-lo. – Disse-lhe o Baia.

- Mas por quê? Eu não posso ser o homem que possa rebocá-lo?

- Doutor Dix-huit Rosado, não se preocupe. Não quero lhe dar um trabalhão deste.

- Vamos levá-lo agora! Pega a corda para amarrá-la no meu carro.

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- Mas é muito incômodo para o senhor, Doutor..., um senador rebocando um jeep.

- No Congresso Nacional eu sou Senador, mas aqui na estrada, eu sou um motorista como qualquer outro. - Disse ele.

Doutor Dix-huit Rosado colocou o seu carrão à frente do jeep, amarramos a corda em ambos, ocupamos o jeep, e ele partiu até a antiga loja "Almeida Aires", para que o jeep fosse reparado. E lá, ele ainda disse ao proprietário que mandasse as despesas para sua residência, e que me parece que neste tempo, ele residia no Palace Hotel de Mossoró.

Com este acontecimento, deduzi que: "A humildade faz mais histórias do que a arrogância".

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro. 

Fonte: 
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O BOTE DA SERPENTE

Por Rangel Alves da Costa*

Não seria de percurso glorioso o destino da serpente sobre a terra. Está escrito no Gênesis 3:4: Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. Eis que havia açulado o cometimento do pecado no Éden.

A partir daí a serpente passou a ter a inglória sina na existência. E sobre a terra tornou-se símbolo da traição, da maldade, do pecado, da mentira, da astúcia, da morte vil e pérfida. Enquanto animal rastejante possui a insígnia da malícia e da perversidade, do ataque ardiloso e mortal. E enquanto analogia do homem não é diferente, vez que o ser humano, mesmo sem rastejar sobre a terra, possui as mesmas artimanhas da víbora. E muitas vezes agindo com maior perversidade.

Os maldosos aguçam as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios. E o seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras, como dito no Deuteronômio 32:33. Assim também no cálice do homem, no seu vinho envenenado pela maldade, mentira e falsidade. E principalmente na frieza do bote que dá, sem permitir qualquer defesa para, muitas vezes, o amigo de instantes atrás.

Mas, sacudindo a víbora no fogo, talvez não sofra nenhum mal, como predito em Atos 28:25. Contudo, tarefa mais que difícil é fugir da víbora, se esquivar da cobra, cortar caminhos para não encontrar a serpente. Como dito, ela é esquiva, traiçoeira, silenciosamente má, longamente esperando sua vítima para o bote certeiro. Por mais que os precavidos procurem proteger seus pés e calcanhares, por mais que muitos fujam dos caminhos perigosos, de repente se vê fisgado pelas agulhas surgidas do nada.


Da língua bifurcada da cobra, tão reconhecível e temida, desprende-se um sopro silencioso e letal. Não há voz dizendo do ataque fatal ou grito que anteceda o bote. Nada disso, apenas o faro da presa adiante. A vítima já foi avistada, já pode ser alcançada, só resta esperar o momento apropriado, que é exatamente aquele que a presa menos espera. Tudo acontece tão rapidamente, tão instantaneamente voraz, que nada parece acontecido. Mas no instante seguinte e o veneno já começa a agir.

Há muita diferença com a língua também bifurcada de muitos seres humanos? A serpente age por instinto, porque vivendo para cumprir sua sina de ferir calcares ou o que alcançar seus dentes agulhados. Mas o homem veio ao mundo com o destino da víbora, da serpente, da cobra mais peçonhenta? Não, mas assim se transforma pela raiz da maldade que deixa brotar e alimenta dentro de si. E age mais covardemente que a cobra porque transmuda sua natureza humana num serpentário de falsidades, aleivosias e traições.

Em muitos aspectos o homem é comparável à serpente. De sua boca sai o mesmo veneno, esconde-se e espera para atacar, não precisa que o ferimento dê logo sinal de perigo mortal. O veneno da cobra vai fazendo efeito aos poucos, bem assim a peçonha saída da boca humana. A pessoa falsamente atacada nem percebe o bote, mas pelos arredores todos já sabem da mentira espalhada como verdade.

A cobra de vez em quando muda de pele, e o homem vive trocando de feição. Na presença é sempre a flor, pelas costas o espinho. Igualmente à cobra que se morde toda e vai secando até morrer acaso o calcanhar desejado não mais apareça na beira da estrada, o ser humano também deveria se envenenar com a própria maldade caso a sua falsidade não conseguisse produzir o efeito desejado. Mas nem precisa que seja assim. Mais cedo ou mais tarde bebe do próprio veneno e definha feito cascavel doentio.

As serpentes continuam por aí sondando a presença dos descuidados nos beirais das estradas, nas frestas escuras, nos lugares menos impensados. E não é difícil imaginar quantas víboras humanas, línguas peçonhentas e olhares corrompidos se escondem por trás das portas e janelas, nos becos da vida e até nos encontros afáveis do dia a dia. E todos prontos para dar o bote.

Poeta e cronista
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Sargento PM Elias Marques era integrante da volante que matou o bando de Lampião

Por Marília Morais - Ascom/PM
Publicado em fevereiro de 2011

“A ordem foi para que eu cortasse o pescoço de Lampião, mas não tinha frieza para isto”. A declaração é do sargento PM da reserva Elias Marques de Alencar, em entrevista à Assessoria de Comunicação da Polícia Militar de Alagoas, em agosto do ano passado. Na madrugada da quarta-feira (9), aos 96 anos, o sargento Elias faleceu, em casa e de morte natural, em Olho D’Água do Casado.

O PM Elias era o último integrante vivo da volante que combateu o cangaço, na batalha que resultou na morte de Lampião e seu bando, no dia 28 de julho de 1938, na Grota de Angicos, em Poço Redondo (SE).

Na reportagem original, o sargento Elias contou que tinha apenas três anos de corporação quando se deparou com a mais importante e perigosa missão durante a carreira na Polícia Militar de Alagoas: apanhar Lampião e seu bando.

Segundo o relato do sargento, por um triz a missão de Elias não desencadearia na morte de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e nem tampouco iria fazer parte da saudosa memória do veterano Elias.

É que o ingresso na “briosa”, no ano de 1935, só foi possível com uma ajuda política. Como durante o período de recrutamento o comandante da PM tinha negado a sua entrada na corporação, a intervenção externa foi determinante.

Poucos dias depois, Elias voltou para o Quartel Geral onde ouviu do comandante: “Pronto! Agora você já é um soldado da Polícia Militar”. Sem acreditar no que tinha escutado, disse em pensamento: “Já! Ele falou um dia desses que eu não poderia está aqui!”.

Depois disso, ele passou pela guarda do Quartel do Comando Geral em Maceió, pela guarnição de Penedo e Piranhas, município sertanejo que fica próximo à cidade de Mata Grande, onde Elias nasceu.

Com o crescimento do cangaço – fenômeno ocorrido no Nordeste brasileiro de meados do século XIX ao início do século XX e caracterizado por ações violentas de grupos armados que viviam como nômades – surge na região sertaneja as chamadas volantes, grupos formados por policiais com conhecimentos geográficos das regiões interioranas dos estados nordestinos. Elias era um dos que faziam parte das volantes.

Para combater os cangaceiros, que conheciam a caatinga e o território nordestino muito bem, era preciso uma boa desenvoltura na vegetação árida do Sertão, algo que os policiais da capital não tinham.

Mesmo com o surgimento das volantes, o cangaço ainda perdurou por 18 anos, até que no dia 28 de julho de 1938 um ataque surpresa pôs fim à dinastia de Lampião.

Considerado o mais famoso cangaceiro da época, o “Rei do Cangaço” atuou com o seu bando durante as décadas de 20 e 30 em praticamente todos os estados do Nordeste do país. Era considerado uma espécie de mito e misturava heroísmo e bravura com brutalidade e medo.

Temido por muitos, Lampião e o seu bando viviam de assaltos, da cobrança de tributos de fazendeiros e de "pactos" com chefes políticos. Praticavam assassinatos por vingança ou por encomenda. A fama alcançada torna Lampião o inimigo número um da polícia nordestina.

O então soldado Elias sabia que a missão passada para ele e toda a volante comandada pelo tenente João Bezerra poderia ter um fim impróprio.

A ordem dada pelos superiores era de não contar para ninguém sobre a missão de capturar Lampião. Mesmo assim, Elias avisou à esposa que poderia não voltar para casa.

Maria Pereira de Alencar, mais conhecida como Dona Lili, pediu então que o marido levasse consigo a imagem de Padre Cícero Romão no bolso da farda, e foi com ele e a coragem que o soldado Elias partiu de Piranhas, no Sertão alagoano, para a Fazenda Angicos, na cidade sergipana de Poço Redondo e que fica a cerca de 15 km de Piranhas, em Alagoas.

O confronto - Elias contou que duas canoas foram utilizadas para o transporte da volante alagoana à noite pelo Rio São Francisco. Na manhã seguinte, após subir e descer uma serra, já em Angicos, o grupo cercou a grota onde estava Lampião e o bando. Segundo ele, foi quando um cangaceiro saiu da toca para lavar o rosto que os policiais, cerca de 40 homens, começaram o confronto.

Na troca de tiros, Elias lembra que viu muito mandacaru e xique-xique caindo com a chuva de balas que vinha de tudo que era lado. Um estilhaço de uma pedra acertou o rosto do soldado e foi então que um sargento perguntou: “Você está baleado Elias?” E sem ainda ver o sangue escorrendo pelo rosto ele respondeu: “Até agora tá tudo em paz".

Não era realmente o dia do soldado Elias terminar sua trajetória dentro da PM. Um tiro, possivelmente endereçado à ele, veio a atingir o companheiro que estava na retaguarda.

“Por pouco àquele tiro não pegou em mim. Não tinha chegado a minha hora de morrer”, brincou. O policial que não teve sorte foi o único morto da volante.

Enquanto isso, uma outra fronte nem chegou a travar uma batalha com Lampião. Quem diria que o mais temido cangaceiro tivesse um final tão sem graça, diferente do que se imagina em uma briga entre o bem e mal, com dificuldades para ambos os lados a fim de se buscar a vitória.

A versão dada por Elias foi a de que não houve tempo para Lampião reagir. Quando partiu para pegar a arma, foi atingido na cabeça e morreu juntamente com a sua fiel companheira Maria Bonita. Na mesma sequência, Elias relata que Luís Pedro, homem de confiança de Lampião, também foi morto no confronto. Ao todo, onze cangaceiros morreram e os demais conseguiram fugir.

Como forma de concretizar a vitória da volante, surgiu a ideia de decepar a cabeça de Lampião e dos demais cangaceiros mortos para serem expostas em praça pública.

“A ordem foi para que eu cortasse o pescoço do Lampião, mas não tinha frieza para isto”, lembra o veterano Elias. De volta, ele e todos os integrantes da volante foram recebidos pelo governador de Alagoas, Osman Loureiro, que entregou para cada um o prêmio de um conto de réis.

“Dava pra comprar um bom apanhado de terra na época”, disse. Com o fim do bando de Lampião, os outros grupos de cangaceiros não eram os mesmos. Pouco a pouco, foram se desarticulando e, no final da década de 1930, encerra-se de vez a era do cangaço.

Até esta quarta-feira, os 96 anos de idade, o sargento da reserva Elias Marques de Alencar viveu, desde 1942, em Olho D’Água do Casado, Sertão de Alagoas. Ele foi pai de dez filhos, todos frutos da união com Dona Lili.

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