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terça-feira, 1 de julho de 2014

Mais Jararaca - O Cangaceiro que Virou Sant


Cemitério de Mossoró, final de tarde. Pouca gente viva por aqui. Um sujeito meio triscado de cachaça dá a dica: 

"- Este túmulo pintadinho de azul caixão-de-anjo, à esquerda de quem entra, coberto de flores e pedrinhas de rio, guarda os restos mortais do cangaceiro Jararaca. Preso em 14 de junho de 1927, um dia depois da invasão frustrada de Lampião à maior cidade do Seridó, Jararaca penou quatro dias na cadeia pública da cidade, ferido no peito e nas pernas. Na noite de 19 de Junho, foi trazido para cá. A guarda que o conduzia, obrigou Jararaca a abrir a própria cova. O soldado João Arcanjo o sangrou, mas o povo diz que o bandido foi enterrado ainda vivo. Tinha apenas 26 anos".

Ao lado do túmulo, Toinho do Açu explica o que são estas pedrinhas; É em agradecimento a uma graça alcançada. Aqui foi um velho bandido, ói, ele sacudiu uma criança pra cima e espetou num punhal. Depois ele ficou arrependido do que tinha feito, explica. A cera das muitas velas votivas que alumiaram esta cova no dia de Finados recobre o chão.

José Leite de Santana, o Jararaca, nasceu há cem anos, em Buíque, estado de Pernambuco. Entre 1920 e 1926 foi soldado do Exército. Largou a farda para vestir a armadura de pano e couro do cangaço. Sua desaventura durou bem pouco. Em começos de junho de 1927, o cangaceiro paraibano Massilon (tem quem diga que ele era da família Diógenes, do Jaguaribe) encheu os ouvidos do chefe maior do cangaço. Bem que Lampião ficou meio arisco, Mossoró era uma cidade grande demais, ele jamais ousara tanto. Mas a possibilidade de lucros gordos superou a hesitação. Assim, juntaram-se para a empreitada os bandos comandados por Massilon, Jararaca, Sabino Costa, Vinte-e-dois, todos sob a ordem maior de Lampião. No total, pouco mais de 50 homens bem armados.

A cidade tinha sido avisada, ninguém acreditou, a não ser o prefeito. Naquele ano, o dia de Santo Antônio caiu numa segunda-feira, e o povo passou a noite anterior dançando. No fim da tarde do dia 13, uma chuva boa. Ouviram-se os primeiros tiros, teve quem pensasse ser barulho de trovão. Rodolfo Fernandes, o prefeito, recebeu um ultimato assinado pelo capitão Lampião, que cobrava 400 contos de réis para deixar Mossoró em paz. Fernandes não se intimidou. Na cidade havia um contingente de 22 soldados, apenas. O prefeito organizou a resistência, acantonada em trincheiras de fardos de algodão.

Na lateral da igreja de São Vicente, que ainda guarda os buracos de bala do entrevero, Raimundim do Mixto, de nome todo Raimundo de Freitas Nunes, 72 (40 anos de boleia transportando passageiros entre Mossoró e Limoeiro do Norte), também conhece a história do cangaceiro milagroso. '' Todos os anos vou ao cemitério. Visito o túmulo de Jararaca por curiosidade, pra ver o movimento. Este ano, contei 520 velas, afora as da fornalha do lado. Dizem que ele se arrependeu de dois crimes, antes de morrer, o menino que ele sangrou na ponta de uma faca e os bicos dos peitos de uma mulher, que ele arrancou''.

Raimundim sabe outra história da mal-sucedida invasão. A do cangaceiro Menino de Ouro. ''Ele saiu baleado, muito doente, mas não quis morrer aqui. Quando chegou na Baixa Branca, divisa com o Ceará, num lugar conhecido como Lagoa do Rocha, perguntou a Lampião:

- Já saímos do Rio Grande?

- Já. - Respondeu Lampião.

- Pois acabem de me matar, pra não atrasar a viagem. 

Eu não vi, mas todo mundo conta (Eleuda de Carvalho)

O Povo

Fonte: sincep

http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Jararaca&ltr=J&id_perso=464

http://blogdomendesemendes.blogspot.com: Sobre a cova que o cangaceiro cavou eu não tenho conhecimento se foi real Acho muito difícil, porque o cangaceiro estava bastante doente, devido os balaços que sofreu durante o tiroteio.

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Mais sobre o cangaceiro Jararaca


A morte do Jararaca

Quando Lampião teve a certeza de que atravessaria livremente todo o Ceará, em cujo território já por vezes penetrara, erguendo vivas ao então Presidente do Estado, decidiu invadir o Rio Grande do Norte, para atacar a cidade de Mossoró. Seduziam-nos os pingues recursos desse empório comercial, servido por uma agência do Banco do Brasil.

Saiu-lhe, porém, o ano bissexto… A população de Mossoró, tendo à frente o valoroso Prefeito Cel. Rodolfo Fernandes, reagiu bravamente ao assalto da cabroeira de Virgolino e dois sequazes deste tombaram baleados, sem que os companheiros os pudessem conduzir.

Um dos feridos era o Jararaca. Transportado para a cadeia, solicitamente o medicaram. Era preciso que ele não falecesse sem que as autoridades o ouvissem. De fato, só depois de prensado, interrogado e, até, de fotografado, o Jararaca morreu. Mas ninguém o viu morto, pois o enterramento foi dado como feito alta noite.

Uns vinte dias depois, dizia-me em Fortaleza um sertanejo da terra potiguar:

"- Jararaca morreu, mas não foi de morte morrida: foi de morte matada…"

E com a desenvoltura de quem não tem papas na língua nem é jornalista do Governo, descreveu a cena macabra:

- Uma boca-de-noite, noite de lua, o Jararaca, algemado, foi conduzido da cadeia pro cemitério. Chegando lá rodeado de soldados, mostraram-lhe uma cova, aberta lá num canto, quase fora do “sagrado” e lhe perguntaram se ele sabia pra que era aquilo… Foi quando o Jararaca falou, frocado e destemido:

"- Saber de certeza não sei não, mas porém estou calculando… Não é pra mim? Agora, isso só se faz porque eu me vejo nestas circunstâncias, com as mãos inquiridas e desarmadas! Um gosto eu não deixo pra vocês: é se gabarem de que eu pedi que não me matassem. Matem! Que matam, mas é um home! Fiquem sabendo que vocês vão matar o home mais valente que já pisou neste…"

Mas, não teve tempo de acabar de dizer o que queria. Por trás dele, um soldado, naturalmente de combinação com os outros, deu-lhe um tiro de revólver na cabeça. A bala pegou bem no mole do pé do ouvido, lá nele. O Jararaca amunhecou das pernas e caiu, de olho vidrado. Aí, os soldados o empurraram com os pés pra dentro da sepultura. Só demoraram enquanto tiravam os ferros das algemas. Quando o cadáver rolou pra cova, fizeram luz e espiaram: o finado tinha caído de bruços. Mas, ninguém se embaraçou com isso: por cima do corpo inda quente, as pás de terra deram serviço…

Calou-se o narrador, para dizer, logo mais, entre compadecido e irônico, num misto de piedade e de galhofa:

"- Coitado do Jararaca! Tão valente na hora da morte, mas foi enterrado dando as costas pra este mundo velho, onde ele fez tanta estripulia…"

http://blog.opovo.com.br/pliniobortolotti/a-morte-do-jararaca

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Como morre um cangaceiro

Por Xico Sá

Antes de ser executado, Jararaca riu com as lembranças de sua vida ao lado de Lampião

Um dia depois do combate, quando o povo de Mossoró ainda temia o possível retorno de Lampião sequioso por vingança, um dos principais cangaceiros do bando, Jararaca, foi capturado se arrastando por um matagal. O que se deu a seguir foi um roteiro tragicômico, conforme a narrativa de Lauro da Escóssia, então repórter do jornal O Mossoroense. 

O jornalista Lauro da Escóssia

O nome do pernambucano Jararaca era José Leite de Santana. Ele tinha apenas 22 anos nos registros policiais, contudo, aparece com 26. 

Mesmo com um rombo de bala no peito, conseguiu gargalhar durante uma entrevista na cadeia. O cabra de Lampião dizia que era por causa das “lembranças divertidas do cangaço. Entre as memórias que ouviu do preso, Laura da Escóssia descreve o dia em que Lampião teria invadido a festa de casamento de um inimigo e, com seu próprio punhal, sangrado o noivo. Já a noiva teria sido estuprada na caatinga pelos cabras do bando. Segundo o relato de Jararaca, Virgulino também ordenou que os convidados de um baile tirassem as roupas e dançassem um xaxado completamente nus. 

Vera Ferreira neta de Lampião e Maria Bonita

Vera Ferreira, neta de Lampião, que hoje cuida das memórias do avô em Aracaju, Sergipe, vê muito folclore nesse tipo de história. Nega, a partir das suas pesquisas, que o cangaceiro tenha ordenado ou praticado estupros (ela é co-autora do livro independente De Virgolino a Lampião, que escreveu com o pesquisador Amaury Corrêa, dono de um dos maiores acervos sobre o rei do cangaço, em São Paulo). Fato é que, na cadeia, Jararaca virou atração pública na cidade potiguar. 

Manoel Severo e Antonio Amaury Corrêa

Quando já apresentava alguma melhora do ferimento, mesmo sem ser medicado, ouviu que seria transferido para a capital, Natal. Era mentira. “Alta noite, da quinta para a sexta-feira, levaram o  Jararaca para o cemitério, onde já estava aberta sua cova, relata Escóssia. Pressentindo a armação, Jararaca diz: 

“”- Sei que vou morrer. Vão ver como morre um cangaceiro!”"

Capitão Abdon Nunes

O capitão Abdon Nunes, que comandava a polícia em Mossoró, relatou dias depois os momentos finais do capanga de Lampião: “

" - Foi-lhe dada uma coronhada e uma punhalada mortal. O bandido deu um grande urro e caiu na cova, empurrado. Os soldados cobriram-lhe o corpo com areia". 

Pelas circunstâncias da morte, o túmulo de Jararaca virou local de romaria. Até hoje as pessoas rezam e fazem promessas com pedidos ao cangaceiro executado. Na terra do Sol, Deus e o Diabo ainda andam juntos.

http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/mossoro-lampiao-434400.shtml

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QUINTINO DE LACERDA

Por Zózimo Lima

Leiam amigos, a história deste ex-escravo sergipano, filho de Itabaiana, abolicionista, chefe de famoso Quilombo Paulista. Uma figura ilustre que poucos sergipanos conhecem.

O sergipano, embora mal nascido, afloradas nas primeiras manifestações da inteligência, sedento de triunfo, procura sempre gasalhado longe de seu berço e raramente recua ou tomba na peleja sem agitar na destra os florões simbólicos da vitória.

Aqui, na terra em que veio à luz da vida, é que dificilmente ele consegue alçar o voo pouco além do da coruja.

Possuidor de qualidades excepcionais que propendam para as letras ou para as artes, contra si levanta-se a maioria composta de medíocres, incapazes e invejosos.

Razão tinha o douto filósofo e sociólogo conterrâneo, autor da HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA, quando, da tribuna da Câmara Federal, em memorável discurso na sessão de 7 de abril de 1902, afirmara: “Onde encontrardes uma inteligência sergipana a brilhar em qualquer sentido, em qualquer das manifestações do espírito, ficai certos de que essa inteligência, esse talento teve de, coagido, emigrar da pátria”.

É uma verdade a afirmativa do ilustre sergipano, reconhecida por eminentes personagens de outras terras do Brasil. O saudoso Barão do Rio Branco, tivera para nossa terra a denominação de “cárcere do gênio”, e o notável estadista Nilo Peçanha, que, também, quando lhe permitiam os folgares da política partidária, se entregava ao arroteio das boas letras e da História, chamou-a “mãe da espiritualidade”.

Existiu um digno sergipano obscuro de origem, pois que nascera num almadraque de senzala com o estigma ignominioso de escravo, que bem alto se elevou elevando a sua gleba, em longínqua província brasileira onde tem memória veneranda perpetuada em magnífico mausoléu ereto pelo povo que muito o quis e o admirou pelo seu civismo incomparável.

Em Sergipe é ele totalmente olvidado ou talvez desconhecido.

Foi ele o negro Quintino de Lacerda, grande pelo amor aos seus desgraçados irmãos de cativeiro e maior ainda pelo destemor com que, afrontando as iras dos potentados escravocratas do Império, organizara por determinação de figuras notáveis da campanha abolicionista de São Paulo, um quilombo de pretos fugidos nos arredores da cidade invicta de Santos.

Quintino de Lacerda nasceu em Itabaiana, neste Estado, no ano de 1855, não se sabe o dia certo, e ali viveu até 1874, quando foi vendido, aos 19 anos, para Santos, pelo seu senhor, o major Antônio dos Santos Leite, pai do atual e conhecido livreiro desta praça Sr. Agripino Leite.

Moleque ativo, simpático, afável, inteligente, dócil, afeiçoara-se à família de seu senhor o Cel. Antônio de Lacerda Franco, de quem adotara o sobrenome, e com as suas sinhás-moças estudara os rudimentos da leitura e da escrita após os fazeres da cozinha, conseguindo, depois de oito anos de serviços como escravo, a carta de alforria, se bem que fosse por toda Santos considerado um liberto, com os privilégios da consideração a poucos brancos concedidos pelo seu riquíssimo e fidalgo possuidor.

No auge da campanha abolicionista em que batalhavam com denodo e fé um ex-escravo já ilustre, Luiz Gama e mais Antônio Bento, João Otávio, Lobo Viana, Augusto Bastos, Robim César Américo Martins, Afonso Veridiano (que eu conheci em 1911 no exercício de tabelião e com ele mantive estreitas relações), Vicente de Carvalho, Silvério Fontes (sergipano, pai do grande poeta paulista Martins Fontes), Martin Francisco, Jorge Montenegro, Geraldo Leite, Ricardo Pinto e muitos outros vitoriosos idealistas, o preto de Itabaiana Quintino de Lacerda, que então era capataz de turmas nos armazéns recebedores e exportadores de café, entre os seus companheiros fazia intensa propaganda, liderava o movimento libertador, alcançando com a sua catequese cívica prestígio extraordinário. A massa proletária seguia-o cegamente.

A sua influência e poder de sedução eram tão grandes, o seu nome era tão querido e respeitado, tão proclamada a sua audácia, que os abolicionistas de Santos, não podendo conter mais em suas residências particulares o número crescente de negros fugidos do chicote dos ferozes fazendeiros, dirigiram-se lhe, por intermédio do seu ex-senhor e amigo Lacerda Franco, pedindo-lhe organizasse e assumisse o comando do reduto estabelecido nas próximas matas de Jabaquara.

É agora que começa a obra que devia elevá-lo às cumeadas da fama que o sagrou cavalheiro da cruzada santa da libertação.

A história dos Palmares repete-se, sem o drama trágico da derrota nas planícies e alcantis que formam o inexpugnável reduto da Jabaquara.

O negro filho de Itabaiana desdobrou-se em atividade, caminhou resoluto para frente sem temer os perigos que se lhe ofereciam na campanha. As palavras inflamadas, candentes, destruidoras de Silva Jardim e José do Patrocínio, que ele ouvia nos comícios da Praça dos Andradas e no Teatro Guarani, davam-lhe estímulo e forças de um Anteu. O negro destemeroso tomava agora parte em todas as conspirações libertadoras, iludia a vigilância da polícia e da tropa de linha postada nas estradas para capturarem os fugitivos, subornava os capitães do mato, subia e descia serras e montanhas, galgava Monte Serrate e Cubatão, fazia reconhecimentos perigosos nas estradas do Vergueiro, e assim, sempre vigilante, noite e dia, povoava o quilombo da Jabaquara, que, na sua ausência, era guardado por outro negro valoroso conhecido por pai Felipe.

Santos, que considerava abolida do seu seio, desde 1886, a escravidão, era agora o refúgio dos negros que de modo próprio se davam à liberdade, fazendo longas e arriscadas caminhadas através das matas em busca do asilo que lhes preparava Quintino de Lacerda.

Quando, a 13 de maio de 88, chegara a Santos o decreto que extinguia o cativeiro foi como se propagasse a loucura coletiva entre seu povo. Bimbalhavam os sinos das igrejas, apitavam as embarcações surtas no porto, homens, mulheres e crianças de todas as classes e categorias sociais, gritavam e choravam de contentamento. Fechara-se o comércio. Toda a população negra de Jabaquara, composta de 2023 cativos com Quintino à frente, veio às ruas cantando e empunhando palmas e estandartes.

À noite houve luminárias e passeatas e festas populares que se prolongaram por dez dias.

No sexto dia, narra Carlos Vitorino nas suas Reminiscências, Quintino recebia tocantes homenagens promovidas por parte das comissões organizadoras dos festejos, como justo prêmio que cabia ao abolicionista fervoroso. E ele era, agora, ídolo do povo santista. Evaristo de Morais em substancial trabalho sobre a abolição focaliza a ação do negro sergipano que foi Quintino de Lacerda.

Passada a fase árdua da obra redentora, trabalhava-se, agora, em abater o trono.

Com esse fim Quintino organizou o batalhão Silva Jardim, no qual fora investido no cargo de seu supremo chefe, no posto de capitão. Com a proclamação, pouco depois, da República, Quintino é promovido a major honorário por merecimento. As patentes eram distribuídas aos mais dignos, capazes.

Candidatara-se ele à vereança municipal e foi eleito. Alguns colegas de representação, por preconceito racial, asseveram uns, por iliquidez do pleito, afirmavam outros, impedem a entrada de Quintino no recinto do Conselho. Quintino queda-se no seu posto, surdo aos protestos de seus pares. Os dissidentes chegam a um acordo honroso, mas procede-se a nova eleição dias depois, sendo reconduzido o abolicionista sergipano.

As classes trabalhadoras e o comércio prestaram-lhe, por mais esse triunfo, que demonstrava a sua popularidade indiscutível, significativa manifestação de apreço.

A influência política e moral de que dispunha Quintino de Lacerda revertia em proveito dos seus camaradas de jornada que não tinham amparo.

Filantropo, suas portas sempre estavam abertas aos desgraçados, aos náufragos de todas as travessias por entre tormentas e procelas da existência. Por isso a sua voz era sempre ouvida com atenção e ao seu apelo não lhe fugiam os votos nos renhidos prélios eleitorais.

Assim, por exemplo, quando em 1891 e 1892 declararam-se em greve dois mil trabalhadores no porto de Santos, foi o então major Quintino quem conseguiu voltassem os paredistas pacificamente ao trabalho, recebendo, por esse serviço relevante, uma pública e significativa homenagem do comércio.

O despeito dos seus colegas de representação no Conselho do Município mais uma vez trouxera-lhe momentos de desgostos.

Mas ele era um homem forte, de têmpera de aço, limpo de caráter e dominado pela mística de Deus e da Justiça.

Certa feita descobrira uma conspiração entre os camaristas. Puseram Quintino violentamente para fora do recinto e do ocorrido telegrafara ao presidente Bernardino de Campos, que logo interveio com imediatas providências a bem da ordem. E Quintino continuou a fazer parte do Conselho até 1896.

Terminado o seu mandato legislativo e não querendo mais tornar às lides partidárias da política, recolheu-se ao lar pobre mas honrado, recebendo por essa ocasião calorosa ovação do povo que sempre o acompanhou com abnegação nas campanhas em prol da redenção da raça negra.

Morreu Quintino a 13 de agosto de 1898. O seu enterro teve as pompas fúnebres a que têm direito os vultos singulares que se enobrecem e passam a enriquecer a História.

No cemitério do Paquetá descansam os seus despojos sob grandioso monumento levantado pela gratidão dos filhos da terra de Braz Cubas.

Eu lá estive várias vezes contemplando-o com cívica devoção e comigo mesmo lamentando que, enquanto naquela grande e orgulhosa terra um negro adventício sergipano recebia as honras que só se tributam a quem tem mérito real, Sergipe, a sua e minha terra, jamais teve a lembrança de lhe perpetuar o nome ao menos numa escura via pública de subúrbio.

"Correio de Aracaju" – 23/02/39

Fonte: facebook

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segunda-feira, 30 de junho de 2014

OUTRA RARIDADE...

Outra raridade... Terça Feira, 2 de novembro de 1847, dois anos antes do enforcamento de Lucas Evangelista.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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“SERGIPE JORNAL” – 30/04/1931


LAMPIÃO, A “PRAGA” DO NORDESTE, NOVAMENTE EM TERRITÓRIO SERGIPANO? EM TORNO DAS PROVIDÊNCIAS TOMADAS COM O TEMÍVEL SALTEADOR


Torna-se cada dia uma necessidade mais premente a captura ou dizimação do famanaz grupo de cangaceiros chefiados pelo celebérrimo Lampião.

São incontáveis, atingindo mesmo a raia do inverossímil, as atrocidades cometidas de há dez anos para cá por esse personagem singular que, galopando campinas em fora do desprotegido nordeste brasileiro numa cavalgata criminosa que quase se eterniza, tem destruído patrimônios, amortalhado famílias, tornando-se mais perigoso e temido que as epidemias, tal a sua sagacidade até hoje em não oferecer meios exitosos de ação às forças volantes que o perseguem recorrendo aos profundos conhecimentos que têm das florestas como seu legítimo habitante que é.

Forçoso é confessar que, com um número relativamente pequeno de cabras, Virgulino Ferreira tem causado verdadeiro transtorno em inúmeros Estados. Devido, porém, aos meios de defesa de vários destes, localizou-se agora entre Sergipe e Bahia, onde vem causando a maior mortandade que é possível imaginar-se, depredando, enchendo centenas de lares de opróbrio, dando vaza ao temperamento bestial de sua gente se extravasar na mais requintada e nauseante volúpia pecaminosa.

Anunciam agora várias comunicações que a malta de Virgulino penetrou ontem o povoado Pinhão. Até o momento em que formulamos esta, não se tratava de notícia confirmada.

Todavia, para Itabaiana – distante poucas léguas da referida localidade, seguiu à noite passada um contingente policial de vinte praças sob o comando do 1º tenente Stanley Silveira, que ajuntando-se lá às oito praças da milícia estadual, efetivas na cidade serrana, e mais 15 praças e um oficial do Exército acantonadas também ali perfazendo o grosso de 43 soldados, além de muitos civis que se apresentam em condições de combater para defesa das suas famílias ameaçadas.

Já Capela – duas vezes vítima das incursões dos cangaceiros de Lampião – na semana transacta mobilizou rapidamente cerca de 90 combatentes logo que teve o rebate pungente da aproximação dos abutres humanos.

Não se tratava porém de notícias fidedigna.

Itabaiana, tem, de longa data despertado a ira de Lampião. Ele deseja ir lá saquear o comércio. Fazer o seu “trabalhozinho” como diz acompanhado do mais grotesco riso de um ente humano.

Mas, se a ficha da serra que Belchior Dias afirmava rica de ouro e pedrarias possui sua defesa assegurada, o mesmo não se dá com os arraiais circunvizinhos onde poderão muito bem vingar o alvo infrutífero os vis degenerados.

É oportuno que abordemos a premente e inadiável providência para que sejam restabelecidas as comunicações telefônicas entre Itabaiana e Aracaju interrompidas por desacordo entre o senhor Deoclides Azevedo, proprietário da empresa e um fazendeiro laranjeirense, há meses.

Não só tem sofrido com semelhante anomalia o comércio como as populações e agora que o telefone poderia prestar inestimáveis serviços na troca de ordens e deliberações das autoridades quanto à disposição de forças para perseguição ou entrave de Lampião e sua corja, ele jaz abandonado satisfazendo o bel prazer de duas personalidades apenas. Oh capricho censurável!!

Urge também a abertura de uma boa rodovia para São Paulo pelos mesmos imperiosos motivos em prol do comércio e do povo, ambos em perspectiva constante da visita indesejável das feras do sertão, cuja sanha apavora e cujo contato arruína e mata...

Hoje ainda correram boatos de que Lampião e seu grupo haviam penetrado no povoado Pinhão, município de Campo do Brito.

Podemos, entretanto, assegurar, serem infundados tais boatos, que tanto tem perturbado a normalidade da vida das nossas populações do interior.

A ação do senhor Interventor Federal neste Estado, relativamente à repressão do banditismo tem sido de molde a tranquilizar o nosso povo.
As suas providências, especiais no caso do bandido Lampião, não podem deixar suspeitas de que qualquer tentativa do bandoleiro, de pisar o solo do nosso Estado, será energicamente repelida, estando, para isso, aparelhado suficientemente, o governo sergipano.

O povo deve, pois, confiar na ação enérgica, e não só enérgica, mas patriótica do atual governo.

A respeito dos boatos que hoje correram recebeu o senhor Interventor Federal o seguinte despacho telegráfico do senhor Intendente Municipal de Itabaiana, despacho esse que foi afixado em lugar público, para maior conhecimento da nossa população:

“Campo do Brito, 30, às 1h30min 
– Mandei portador Pinhão verificar boatos respeito Lampião, voltou dizendo ser tudo falso. 
Saudações. 
Lourival Almeida, Intendente Municipal.”

Fonte: facebook


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FALECEU ALZIRINHA, "MULHER CARAIBEIRA"

Por Antonio Silva Galdino

Morreu, dia 28 de Junho, aos 72 anos, a Sra. Alzira Barbosa, mais conhecida como Auzirinha, que dedicou boa parte vida atuando no Sinergia, o sindicato dos eletricitários, onde foi delegada várias vezes e ocupou cargo de direção. Ela trabalhou na Chesf como telefonista e ali se aposentou.

Sempre muito ativa, foi também candidata a vereadora, embora não tivesse sucesso nesse desejo.

Há alguns anos a Chesf em Paulo Afonso editou um calendário de mesa em que, com cuidadosos e esmerados textos do Pe. Celso da Anunciação algumas mulheres moradoras do município foram homenageadas e chamadas de “Mulheres Caraibeiras”. Alzirinha foi uma destas mulheres.


Ela também participou do Coral da Chesf em Paulo Afonso que era, então, regido pelo maestro Mizael Gusmão, chesfiano hoje trabalhando no Recife.

Seu corpo foi velado na Câmara de Vereadores de Paulo Afonso e o seu sepultamento aconteceu no final da tarde do domingo, dia 29, no cemitério Padre Lourenço Tori.

Fonte: facebook

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Ou é forró, ou não é forró!

Onaldo Queiroga - onaldoqueiroga@oi.com.br

O forró merece respeito. Representa a cultura de um povo chamado Nordeste. Não podemos sair por aí dizendo que o som dessas bandas de plástico é forró. A batida é diferente, a mensagem contida nas letras é totalmente diversa do que propõe o forró. O ritmo plástico, que agora também vem recebendo o título de estilizado, no palco se apresenta com muitas mulheres semi-nuas e com letras pobres. No São João, eu estava no terreiro do forró quando uma banda começou a anunciar no palco: “Amanhã é folga para quem não bicou. Eu quero ver. Levante o copo. Dá uma rodadinha. Só um golim e traga a cachaça, que ela libera. Você tá com medo de pedir um beijo pra ela. Gatinha mamadinha, levante o copo. Dá uma rodadinha. Só um golim”. Isso levou uns quatro minutos até que, em seguida, cantou: “É o chefe!”. Patrocina ousadia, e as novinhas se derretem / É o chefe / É o chefe / Considerado, respeitado, e com ele ninguém se mete / É o chefe, é o chefe/ Quando chega na balada, sempre chama atenção / Pelas roupas que ele usa, e a grossura do cordão / Deixa os playboys rasgar, sempre com muita fartura / Whisky com Redbull, a mais perfeita mistura / Trata todos com respeito, isso é já de costume / As novinhas ficam loucas com o cheiro do perfume / Gosta de ostentação e não tem problema algum / As novinhas ficam doidas pra andar de R1.” Nessa hora, fogos de artifícios no palco e a multidão enlouquecida, a dançar, beber e repetindo o refrão: É o chefe, é o chefe. Meu Deus! Uma ostentação repassada de forma selvagem e impiedosa para aquele povo, que mais parecia o admirável gado novo do poeta Zé Ramalho. 


As autoridades devem respeitar os festejos juninos, festa de tradição e que não pode ser transformada em micaretas ou mesmo em inóspitos e rudes festivais de música. Como conceber nos palcos do São João, as atrações principais serem figuras do mundo musical do plástico, sertanejo e do axé. Nada contra Bel Maques, Victor e Léo, César Menotti e Fabiano, Daniel, Asa de Águia e outros. Mas o fato é que São João é festa do forró, do xote, do xaxado e do baião. Cada um no seu lugar, no período próprio. O povo e os turistas querem ouvir forró!


Em entrevista, Targino Gondim, foi questionado se o seu forró era o de “pé de serra”. Com um sorriso franco, respondeu: “Não. O meu forró é forró. Por que forró só existe um! Ou é forró, ou não é forró! ... Hoje em dia, nossa juventude, de tanto ouvir, acaba achando mesmo que "nós" fazemos o "pé de serra" e as bandas "fulano-de-tal do forró" é que fazem o forró. O que é isso, gente? Gosto do som de muitas dessas bandas. Mas estão longe do nosso forró! Não estou aqui querendo atacar ninguém, mas responder de uma vez por todas a essa pergunta e chamar a atenção do povo e dos meus companheiros: - O meu forró não é "pé de serra"! É simplesmente forró!”

Enviado pelo poeta, escritor pesquisador do cangaço e gonzagueana Kydelmir Dantas

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A TURMA DO FUNIL

Por Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2014 - Nº 1.217

Lá nos idos da era 60, surgiu uma marchinha de Carnaval, entre tantas outras, simpática e que deixava eufórico o participante da brincadeira. 


Numa composição de Mirabeau, M. de Oliveira e E. Castro, a música carnavalesca chamava-se “A Turma do Funil”. Na minha terra foi formado um bloco com esse nome, tendo a marchinha como carro-chefe. Desfilando pelas ruas e entrando nas casas dos influentes, lá ia à rapaziada:

Chegou à turma do funil
Todo mundo bebe
Mas ninguém dorme no ponto
Ai, ai, ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles ficam tontos (BIS)

Como jovem adolescente eu pensava como seria bom fazer parte da Turma do Funil. A maioria fantasiada, alguns com os rostos cheios de farinha de trigo, todos conduzindo garrafas e funis. Sempre havia um trio musical composto, geralmente, à base de sanfona, pandeiro e triângulo. Aquela latomia pelas ruas e avenidas da cidade iniciava cedo e se prolongava até às 13 ou 14 horas quando a turma começava a se dispersar.

Não tinha quem não acompanhasse a musiquinha;

Eu bebo, sem compromisso
Com meu dinheiro
Ninguém tem nada com isso
Aonde houver garrafa
Aonde houver barril
Presente está à turma do funil.

Ao ver o jogo Grécia X Costa Rica, o sofrimento dos latinos, veio imediatamente à imagem do funil do vestibular, o objeto de zinco mais temido da época. E o bloco de Carnaval da “Rainha do Sertão” também veio à tona.

As etapas da copa se afunilam e, só os privilegiados rompem a parte delgada do instrumento infundíbulo.

Queiramos ou não, todos nós pertencemos À TURMA DO FUNIL.



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Vídeos sobre o cangaceiro Vinte e Cinco










Fonte: Youtube

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POR QUE OS PÁSSAROS NÃO CANTAM MAIS

Por Rangel Alves da Costa*

Em muitos lugares os pássaros não cantam mais. Mas principalmente no sertão os pássaros não cantam mais. Não há como ouvir canto daquilo inexistente, não há mais como ouvir trinado passarinheiro se as aves arribaram de vez, sumiram das galhagens e deixaram a mataria sertaneja em doloroso silêncio. E também os ninhos, restando somente as gaiolas com seus prisioneiros tristonhos. Triste sina viver chorando e o seu dono pensar que está cantando.

Rolinha fogo-pagô, coleirinho, curió, sabiá, sofrê, cabeça, azulão, pintassilgo, toda uma passarinhada voava de galho em galho em cada palmo daquele chão. E também o caboclinho, o tiziu, o tico-tico, a lavandeira, o sanhaço, numa festança de vida por cima das catingueiras, baraúnas e quixabeiras. E ainda o lamento rouco do carcará, do gavião, do anum, da coruja e do caburé. Cadê o piar da nambu e o palrar do periquito?

Passarinho pousava na mão, cantarolava em plena janela, fazia ninho na cumeeira e pelas vagas das coberturas de palha ou telha. O menino era amigo do passarinho, conversava com ele e prometia que jamais iria puxar seu pescoço mesmo que a fome apertasse demais. Pelo seu voo e pela escolha do local do ninho, logo o sertanejo sabia se a chuvarada se aproximava. Eis que passarinho em alvoroçado voo ou quando faz moradia rente ao chão é porque pingo grosso vai cair. Todo bom sertanejo sabe que é assim.

Os ouvidos atentos do sertanejo não precisavam ir muito longe na mataria para sentir a presença da orquestra passarinheira. Nas margens das estradas, nas malhadas das fazendas, nas beiradas de riachos, tanques e açudes, onde houvesse proximidade com mato e água, ali sobressaía a plangência da cantoria. Muitas vezes difícil de avistar o cantor, eis que pequenino e escondido na copa da grande árvore, mas a certeza de sua presença.


Mas também um tempo diferente, um passado até recente onde as aves possuíam garantia de moradia e de pouso e repouso. Não precisavam voar muito para encontrar uma galhagem segura para construir seu ninho e procriar. Por todo lugar os arvoredos, ainda que nem sempre grandiosos e imponentes, permitindo o aconchego da passarada. Os viveiros se formavam entre os galhos, enquanto que os troncos e arredores acolhiam outras espécies da fauna sertaneja.

O sertão era assim, tomado de uma vegetação rica e adaptada às condições climáticas, sem ter que se curvar ressequida todas as vezes que a seca do dia a dia chegasse querendo a tudo devorar. Em meio ao xiquexique, facheiro, mandacaru, ao cipó e à macambira, as árvores amigas da catingueira se espalhando de canto a outro. Juazeiros, angicos, cedros, umburanas e bonomes dividiam espaço com plantas que trocavam folhas por espinhos. Paisagem tão conhecida, e muitas vezes entristecida, retratava a pujança e a fragilidade de uma terra.

Fragilidade sim, pois mesmo que o sertão seja visto como a Fênix que sempre renasce das cinzas e o seu habitante, o sertanejo, um forte, na expressão euclidiana, não há pedra fincada no tempo que resista à brabeza da seca maior. E tudo se curva e se dobra, esmorece e definha, se prostra esperando a gota d’água. Até mesmo o mandacaru, tido como imortal diante das inclemências, mantém seus braços ossudos e espinhentos em direção aos céus. E dizem que chora, dizem que implora.

Mesmo com as plantas ressequidas, com a nudez marrom-acinzentada, e mais tarde embranquecida, enfeando toda a paisagem, e o homem tudo fazendo pra manter água barrenta no fundo da moringa, ainda assim se ouvia o canto da passarada ao amanhecer. Cantoria que ia diminuindo quando os galhos já estavam nus e não restava nem lama no fundo do poço. Era o instante de a asa branca arribar para outras distâncias e lá permanecer até a invernada chegar. E toda a revoada passarinheira fazia o percurso de volta, enchendo de canto bonito toda aquela vida sertaneja.

Mas hoje não há mais passarinho nem quando os tanques estão cheios e as plantas rasteiras florescem verdejantes. E não há mais passarinho porque a vegetação nativa foi completamente destruída e a desertificação e os descampados tomaram o lugar das moradias e pontos de apoio dos animais. O bioma caatinga perdeu suas crias imponentes, as grandes árvores penderam de morte pela incúria do homem, onde havia pé de pau, tronco e galhagem, agora parece um deserto espinhento.

Aconteceu exatamente aquilo que os mais velhos já previam desde muito: onde se tira e não se põe um dia nada restará. Impossível haver canto passarinheiro se quase não resta pé de pau nem para o ninho nem cantoria. Aquele que levanta voo vai ter de pousar na terra esturricada. E mesmo na chuva não há mais retorno. As tantas aves que um dia se foram não conseguiriam mais avistar o lar de outrora.

Soa contraditório às políticas agrárias atuais, mas quando os latifúndios se estendiam por muitas léguas e a vegetação permanecia intocada em grandes extensões, havia lar para o bicho e sequer se falava em extinção daquelas espécies próprias do sertão. Mas bastou que a imensidão das terras sertanejas começasse a ser loteada e toda a vegetação nativa foi sendo devastada. E na devastação o silêncio de morte.

Poeta e cronista
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Plebiscito / enquete (conclusão até 19:00 hs do dia 30/06/14 )


Plebiscito (conclusão até 19:00 hs do dia 30 de Junho de 2014.
Em sua opinião, Serra Talhada, no Estado de Pernambuco, terra de Lampião, deveria colocar em um local público, uma estátua em homenagem ao mesmo? 
Sim ou Não. Por quê ?


Fonte: facebook

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E o Mascate Espertalhão

Por: Renato Cassimiro

Na biografia de Benjamim Abrahão Botto, recentemente lançada pelo escritor Frederico Pernambucano de Melo, este secretário do Padre Cícero é apresentado como um espertalhão, por ter se locupletado com a amizade e o cargo de confiança que ocupou na casa do padre. E é uma verdade. No início já havia uma mentira, pois ele dissera na apresentação que nascera na terra de Jesus. Em verdade, Benjamim nasceu no Líbano, na cidade de Zahle. 


Mas, julgue o leitor ao conhecer um pouco mais desta figura. Benjamim tinha negócios em Juazeiro, como um jornal e uma loja de tecidos. Também era proprietário de um rancho para romeiros. Veja o que ele diz neste boletim de publicidade que estampamos acima. 


“CASA DOS ROMEIROS DO PADRE CÍCERO, de Benjamim Abrahão. Antiga Casa São Jorge. Aviso a todos os romeiros que a Casa dos Romeiros do Padre Cícero, não trata de negócio, pois foi aberta por ordem do Padre Cícero, exclusivamente para receber os Romeiros pobres e ricos, dar-lhes ranchos asseados e facilitar-lhes a entrada na casa do mesmo Padre, grátis, e sem nenhum interesse, respondendo as suas cartas, com a máxima brevidade. O encarregado desta casa é amigo íntimo do Padre Cícero, residindo ou morando com ele. Portanto, os Romeiros devem procurar a Casa dos Romeiros do Padre Cícero que serão bem servidos. Os Romeiros não devem iludirem-se com certas pessoas suspeitas que fazem pelas estradas propaganda contra esta casa que é a única que não explora ninguém, e é amiga de todos os romeiros. Encarregado geral: Benjamim Abrahão, Escrivão do Padre Cícero, Joazeiro-Ceará.” 

Deu para entender aí, ou querem que eu explique? Interessante que na lateral do boletim está a expressão: Para evitar disgosto, a casa não acceita pessoas com moléstias contagiosas. 

Renato Casimiro

Fonte: http://colunaderenato.blogspot.com.br

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2014/06/e-o-mascate-espertalhao-por-renato.html


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Ataque do cangaceiro Sabino Gomes e seu grupo à cidade de Triunfo


Ataque do cangaceiro Sabino Gomes e seu grupo à cidade de Triunfo, no Estado de Pernambuco. no ano de 1926. 

Foto acima da loja do senhor Antonio campos, que foi saqueada e queimada.

Fonte: facebook

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