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segunda-feira, 23 de março de 2015

O Brasil invadiu Princesa !

Juliana Pereira, Manoel Severo, Cristina Amaral Lira e Ana Lucia

Pesquisadores, escritores, professores e universitários, alunos, e amigos de todo o Brasil prestigiaram a noite de abertura do Cariri Cangaço Princesa 2015. Quase todos os estados do Nordeste estavam presentes; Ceará com uma grande comitiva, inclusive com a presença de 4 secretários municipais de cultura; Aurora, Barro, Brejo Santo e Lavras da Mangabeira; Rio Grande do Norte com destaque para caravanas de Mossoro e Natal, dentre outros municípios potiguares; Pernambuco com amigos de Recife, Petrolina, Triunfo, Floresta, Flores, Calumbi, São José do Egito, Serra Talhada, Afogados da Ingazeira, dentre muitos outros; Alagoas com Maceió, Piranhas e Santana de Ipanema; Sergipe com Aracaju, Poço Redondo, Itabaiana, dentre outros; Bahia com amigos de Salvador, Paulo Afonso, Feira de Santana e outros, além do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, sem falar no grande anfitrião, a Paraíba, com inúmeras caravanas de amigos de toda o estado.

 Rosane Pereira, Thiago Pereira, Manoel Severo e Paulo Moura
 Manoel Severo, Miran Basílio e Sousa Neto
 Humberto Paz, Raimundo Cândido, Manoel Severo e Aguiar Caçula
Manoel Severo e João Antas Florentino

Princesa Isabel se notabiliza pela história e por seus grandes personagens que influenciaram nos destinos de todo o Brasil. O Cariri Cangaço Princesa teve a grata satisfação de abraçar as muitas e tradicionais família de Princesa Isabel, principalmente os descendentes do grande Cel. José Pereira Lima; Sua filha Rosane Pereira, seu genro Roberto Soares e seu neto, Thiago Pereira, atual secretário municipal e ex-prefeito de sua terra natal por duas vezes. 


Jose Cícero, Manoel Severo e Sousa Neto
Manoel Severo, Ivanildo Silveira e Thiago Pereira
 Manoel Severo, Juliana Pereira, Wescley Rodrigues e Elane Marques
 Jorge Remígio, Professor Pereira, Ângelo Osmiro, Ivanildo Silveira e Sousa Neto
Juliana Pereira e Emmanuel Arruda

Além da presença maciça de pesquisadores que compõem o Conselho Consultivo do Cariri Cangaço, o evento contou com a presença importante de vários componentes dos grupos de estudo sobre a temática, como a SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço e GECC - Grupo Cearense de Estudos do Cangaço; como também de vários representantes de Academias Literárias de vários municípios nordestinos, como é o caso da caravana da Academia de Letras de Crateús, no Ceará.

 Romero Cardoso, Manoel Severo, Ivanildo Silveira, Netinho Flor, Geraldo e Rosane Ferraz
 Louro Teles, Narciso Dias e Manoel Severo
 Luana Lira, Alcides e Gerlena Cavalcante, Manoel Severo e Pedro Barbosa
José Tavares e Manoel Severo
Tomaz Cisne, Afranio Gomes, Juliana Pereira, Vagner Ramos, Livio Ferraz e Manoel Severo

Impossível citar todas as honrosas presenças e vale ressaltar a grande e significativa presença das família de Princesa, que tinha ali no Cariri Cangaço a oportunidade de mais uma vez ter sua história revisitada e recontada por qualificados conferencistas e debatedores numa autentica festa da cultura e do conhecimento em pleno sertão paraibano.

 Jorge Remígio, Pacelli Mandu, Manoel Severo e João Mandu
 Romero Cardoso e Ana Lucia Souza
 Emmanuel Arruda, Ingrid Rebouças, Manoel Severo e Elane Marques
Manoel Severo e Paulo Moura
 Casal Roberto Santana e Manoel Severo
 Chagas e Assis Nascimento com Manoel Severo

A noite de abertura do Cariri Cangaço Princesa 2015, superou todas as expectativas, não só pela primorosa organização, não só pela Conferencia extraordinária de abertura, não só pela imensa platéia, mas e principalmente, pela qualidade dessas presenças, que de todo o Brasil enriqueceram o evento, traduzindo e materializando nesta noite, o respeito e a credibilidade do Cariri Cangaço em todo o território nacional.

 Patrícia Brasil, Aderbal Nogueira, Manoel Severo e Celsinho Rodrigues
Manoel Severo, Nalva Passoni e João de Sousa Lima
 Manoel Severo e Vereador Irismar Mangueira
 Geraldo Ferraz e Ivanildo Silveira
Manoel Severo e Neli Conceição 
Professor Pereira e Manoel Severo
 Pacelli Mandu, Manoel Severo e Emmanuel Arruda
 Equipe de Brejo Santo com Miran Basílio, Neli Conceição e Manoel Severo
 Pedro Barbosa, Manoel Severo e Aldo Anísio
 Ivanildo Silveira, João de Sousa Lima, Nilda Passoni, Neli Conceição e José Cícero
Romero Cardoso, Thiago Pereira, Manoel Severo, João de Sousa Lima e Roberto Soares
 Ingrid Rebouças e Juliana Pereira

Ao final ficou a certeza da salutar parceria entre os grupos de estudo e as municipalidades na direção da consolidação de nosso história e cultura. Princesa Isabel viveu juntamente com São José de Princesa e Nazaré do Pico, um evento único, onde o trabalho articulado e harmônico entre todos os envolvidos foi a tônica principal; marca indelével do Cariri Cangaço.


Muitos e muitos amigos ainda irão ser registrados na sequencia de postagens de nosso Cariri Cangaço Princesa 2015, mas encerramos esse capítulo por aqui com uma das mais ilustres presenças; representante das novas gerações de pesquisadores do futuro, em suas veias corre o sangue sagrado do nordestino: João Lucas NAZARENO !!! Filho dos queridos Nazarenos Hildebrando Neto e Nancy.
Viva o Nordeste, viva o Sertão !!!

FOTOS: Pedro Bruno, Ingrid Rebouças, Celsinho Rodrigues

Cariri Cangaço Princesa 
19 de Março de 2015
Princesa isabel, Paraíba

OS CANGACEIROS ANTONIO SILVINO E ZEZÉ PATRIOTA E SUAS AVENTURAS EM ITAPETIM, PERNAMBUCO.

Por: João de Sousa Lima

As intricadas veredas do nordeste serviram de caminhos para os vários bandos de cangaceiros, assim como fazendas, sítios e roças, dos homens simples aos mais abastados criadores da época, foram passagens desses grupos. Os catingueiros tinham suas residências visitadas tanto pelos que andavam “à margem da lei”, como pelos que se diziam defensores delas.

A cidade de Itapetim, em Pernambuco não fugiu a regra: Antonio Silvino (Foto ao lado) pisou aquelas terras.

Segundo a história registrada em livros, o povoamento daquele município começou em 1885, sob a orientação do Senhor Amâncio Pereira, que deu início a construção das primeiras casas. Graças ao seu esforço e espírito progressista organizou-se uma feira e a primeira casa de comércio, que marcou a evolução do povoado.
  
Marcos e João de Sousa Lima na casa visitada pelos cangaceiros

É fácil desmistificar essa data, pois fazendo uma pesquisa mais detalhada encontramos casa com datas gravadas nas madeiras, registrando o ano de 1814.

Em 1890 foi erguida uma capela em homenagem a São José do Egito, Coube ao padre

José Gomes, a celebração da primeira missa. Outro templo, mais amplo, foi construído em 1914, com a finalidade de acomodar maior número de fiéis.

 A dupla próxima à árvore onde os cangaceiros amarraram os burros.

O primeiro nome de povoação foi Umburana, em virtude da existência de uma árvore de igual denominação na localidade. Posteriormente passou a ser conhecida como São Pedro das Lajes. O terceiro nome foi Itapetininga e, finalmente, em 1943, por decreto lei nº 952, passou a ser Itapetim.

Entre as várias construções ali existentes, a casa do casal Emídio Ferreira de Lima e Maria Ferreira da Conceição era uma dessas residências, em suas madeiras e paredes, apesar de abandonadas, ainda estão registradas essas datas. A casa foi construída nas proximidades do Riacho do Gato, um dos afluentes do Rio Pajeú.

Data da construção da casa.

Antonio Silvino se dividia entre a Paraíba e Pernambuco, Itapetim faz essa divisa com Teixeira, são dois lugares conhecidos por ter nascido grande cantadores repentistas.

No Sítio Prazeres (tinha esse nome Prazeres por ser o lugar das danças realizadas pelos escravos que ali viveram) Maria Ferreira da Conceição e Emídio Ferreira de Lima viram surgir o famoso Antonio Silvino e seu grupo, o cangaceiro apenas solicitou água e alimentação; Maria serviu alguns biscoitos “Mata-Fome” ou Bolachas Pretas, feitas de rapadura.

Os cangaceiros devoraram a saborosa iguaria e Antonio Silvino, depois desse primeiro contato, sempre que possível passava nessa residência para apreciar as bolachas feitas por Maria, acabaram tornando-se amigos.

Além de Antonio Silvino, outros grupos de homens armados apareceram na região. Um desses grupos era chefiado por Zezé Patriota.

Aspecto atual da Casa de Maria Ferreira da Conceição.

Como sempre nos rastros dos cangaceiros vinha às volantes policiais, aquela região passou a ser também caminho dos soldados. O tenente Alencar fazia diligências contínuas por lá.

Um dia de feira o tenente chegou entre os feirantes e prendeu Caboclinho Patriota, o tenente forçou o rapaz a dizer o itinerário dos cangaceiros que andavam com seu irmão Zezé; Caboclinho aproveitou um descuido do tenente e fugiu no meio da feira; Na mesma hora o tenente encontrou outro irmão do cangaceiro: Levino Patriota.

O jovem foi espancado e forçado a dizer quais eram os lugares percorridos pelo irmão cangaceiro. O jovem acabou contando ao tenente sobre o paradeiro do irmão. O tenente seguiu com o grupo até a fazenda São Pedro, os cangaceiros foram cercados, o tiroteio foi intenso, morrendo Bernardo Nogueira, apelidado de Repentista. O tenente continuou sua busca, indo ao Sítio Mucambo.

Chegando ao sítio, novo cerco foi armado, tiros pipocaram, o combate durou pouco, como saldo dos disparos, morreu Zezé Patriota, o restante do grupo, sem a voz de comando do chefe, partiu mato à dentro, em disparada. Os familiares de Zezé Patriota o enterraram em Itapetim. Como registro daquela época, resta uma cruz tombada e carcomida que marca o lugar do tiroteio, onde Zezé caiu morto.

A casa do casal Emídio Ferreira de Lima e Maria Ferreira da Conceição, ainda está lá, teimando contra o tempo, semi destruída, como imagem querendo perpetuar um tempo que não volta mais.

Nas palavras emocionadas de minha entrevistada Antonia Dias de Oliveira, neta do casal citado acima e do seu filho Marcos, ouvi sobre esse tempo de lutas, histórias que o tempo não apaga.

Na visita à velha casa, durante alguns minutos observando-a, transportando-me no tempo, imaginei sentir o cheiro da fabricação da saborosa bolacha preta, a mata fome, que tanta fome matou, nos confins das terras, no mais distante rincão, da região banhada pelo adorado Rio Pajeú.

João de Sousa Lima é Pesquisador e escritor.
Paulo Afonso madrugada do dia 20 de dezembro de 2010.

http://www.joaodesousalima.com/2010/12/os-cangaceiros-antonio-silvino-e-zeze.html?spref=fb

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VÍTIMAS DO CANGAÇO - SENHOR BERTHOLINO LIMA DA CIDADE DE CURAÇÁ-BA


Senhor Bertholino Lima da cidade de Curaçá-BA, que foi marcado com ferro quente na bochecha esquerda, na testa e na omoplata direita por ordem de Lampião no ano de 1931, ficando com 3 marcas com as iniciais "JB" (José "Zé" Baiano) em seu corpo.

Fonte: facebook
Página: Lampeão o Rei do cangaço

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A GUERRA QUE QUASE HOUVE

Por Tomislav R. Femenick

Dois fatos relativamente recentes voltam a suscitar a controversa que ainda existe com relação à fixação da divisa do Rio Grande do Norte com o Ceará. Desde 2009 tramita na Assembleia Legislativa do estado vizinho um projeto de Decreto Legislativo, que dispõe sobre a convocação de plebiscitos para decidir sobre os limites territoriais interestaduais. Em 14 de abril de 2011, o Diário Oficial do Estado do Ceará publicou ato daquela casa que criava uma Comissão Especial para diagnosticar a indefinição de divisas do Ceará com o Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. Por trás dessa nova disputa estaria a disputa pelos royalties do petróleo que a Petrobras descobriu na divisa das cidades de Tabuleiro do Norte (CE) e Apodi (RN).
            
No ano passado o engenheiro Jorge Cintra, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, utilizado técnicas e instrumentos de medição modernos que proporcionam maior rigor de resultados, elaborou um novo mapa das Capitanias Hereditárias (terra doadas no século XVI pela Coroa Portuguesa a comerciantes e nobres lusitanos) que contradiz o mapa tradicional, de autoria do historiador Francisco Adolfo de Varnhagen. Esse novo estudo, confirma a posição do Rio Grande do Norte na questão dos limites, baseados na prelazia histórica.


Essa é uma questão antiga e que, na opinião do historiador Saul Estevam Fernandes, teria sido a causa principal que motivou a criação dos Institutos Histórico Geográfico do Rio Grande do Norte e do Ceará.

UMA QUESTÃO DE SAL

O monopólio do sal, instituído pela coroa portuguesa permitia que apenas as províncias de São Tomé, Rio Grande e Pernambuco produzissem e comercializassem sal brasileiro, desde que em suas respectivas fronteiras. Em meados do século XVIII a Vila de Aracati era uma grande produtora de carne salgada e usava sal trazido de Portugal, que era gravado com altos impostos. Visando solucionar seu problema, Aracati solicitou a anexação das salinas do Rio Mossoró ao seu território, o que foi concedido por uma Carta Regia de 1793. Em 1801 o governo cearense como ponto de referência do limite a margem esquerda do rio Mossoró, o que provocou protestos do governo da província do Rio Grande do Norte. A questão perdurou mesmo após a independência e durante todo o período do Império.

Em meados do século XIX, o desenvolvimento de Santa Luzia de Mossoró atraía mais e mais pessoas para a cidade e reavivou o clima de disputa fronteiriço com o Ceará. Caso típico foi a disputa em que a cidade se viu envolvida em torno das oficinas de carne-seca, quando alguns comerciantes de Aracati quiseram fechar os portos dos rios Assú e Mossoró, visando impedir a saída do produto. Sem mercado, as oficinas seriam fechadas. A situação se adensou, em 1888, quando a Câmara daquela cidade cearense “mandou medir terrenos à margem esquerda do Mossoró” e tentou estender os limites de seu Município, absorvendo terras das localidades de Tibau e Grossos. Depois de marchas e contra marchas, um ouvidor substituto mandou dar posse dos terrenos em litígio à vila de Aracati, mas o território limítrofe continuou sem ser demarcado.

Mapa de 1848

Em 1894, o Estado do Ceará impetrou uma ação no Supremo Tribunal, alegando “conflito de jurisdição”, que se transformou em “ação de limites”. Mesmo com a situação sub judice, isto é, em trâmite judicial, em 1901, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou, e o Presidente provincial sancionou uma Lei elevando Grossos à condição de Vila. O governador potiguar protestou. Os norte-rio-grandenses, que moravam na área disputada, reagiram, e os governos dos dois Estados mandaram tropas para o local. Entretanto, não houve conflito armado.

CONFLITO QUE QUASE HOUVE

A fronteira entre os dois Estados era marcada pela barra do rio Mossoró, e ali se posicionaram tropas do Rio Grande do Norte, em fins de janeiro de 1904. Os cearenses reagiram, trocando sua posição de invasores para invadidos. “Multidões se reuniam na praça Central de Fortaleza exigindo a guerra ao Rio Grande do Norte”. O governo do Ceará nomeou um Tenente-coronel do Exército, Salustiano Padilha, para expulsar as tropas potiguares. Em cinco de março de 1904, a tropa cearense, composta de duzentos e cinquenta homens, tomou posição em Aracati, a somente oitenta quilômetros da zona disputada.

 
A região reivindicada pelo Ceará

José Torcápio Salustiano de Albuquerque Padilha nasceu em Camocim, no dia sete de setembro de 1861. Ele foi criado por um tio, que tinha sido voluntário da pátria na guerra do Paraguai e que lhe incutiu um grande sentimento de xenofobia. Em 1883, formou-se aspirante pela Escola Militar de Rio Pardo. Quando dos problemas fronteiriços do Brasil com a Bolívia por causa da questão do Acre, ele externou o desejo de “oferecer sua vida em holocausto pela pátria”. O tratado de Petrópolis de 1903, que resolveu as questões com a Bolívia, frustrou seus sonhos de glória nos campos de batalha. Decepcionado, voltou para o Ceará. Agora, ele tinha um outro inimigo, os norte-rio-grandenses; tinha a sua guerra, a região contestada entre o Rio Grande do Norte e o Ceará.

Os cearenses se deslocaram de Aracati até Grossos, aonde chegaram em 11 de março de 1904 e ali estabeleceram seu quartel-general, porém não encontraram as forças potiguares, que tinham feito um recuo tático, cruzando a barra do rio Mossoró, para se reagruparem em Areia Branca. O comandante da expedição planejou atravessar de barcos a barra do rio e invadir a cidade de Areia Branca. Entretanto, alguns dos seus oficiais se anteciparam; cruzaram o rio, se entenderam com as tropas opostas e telegrafaram ao Presidente da Província do Ceará, recebendo deste a ordem para evitar a invasão do Rio Grande do Norte (que eles já haviam invadido quando entraram em Grossos).

Todavia, o Tenente-coronel Salustiano se negou a cumprir a ordem do seu governador e, às sete horas do dia 12 de março de 1904, com apenas poucos homens, fez a travessia do rio e ficou esperando pelo outros, que nunca chegaram. Sem apoio, teve que se retirar.

O Presidente da República interveio na questão e mandou que as tropas de ambos os lados recuassem para suas bases. A primeira tentativa de solução pacífica da disputa da região contestada pelo dois Estados deu-se via arbitragem, portanto sem envolvimento dos Tribunais regulares. A decisão foi favorável ao Ceará. Nos Tribunais, o Rio Grande do Norte ganhou em três ocasiões diferentes: 30 de setembro de 1908; 02 de janeiro de 1915 e 17 de julho de 1920.

Caso o Rio Grande do Norte tivesse perdido essa causa, na verdade quem sairia perdendo mais ainda seria o Município de Mossoró, pois grande parte de sua receita e da renda da população vinha daquela região, onde eram desenvolvidas as mais profícuas e proveitosas atividades econômicas locais: extração de sal, criação de gado, exploração agrícola e produção de carne de sol.

NOS ANOS 1960

O problema ainda teve um outro desdobramento. Quando Aluísio Alves era governador, o Estado do Rio Grande do Norte fez a doação de glebas de terras devolutas a antigos posseiros, muitos deles moradores em região fronteiriça com o Ceará, expedindo o competente documento de posse e editando ato que autorizava que os beneficiados pudessem contrair empréstimos com bancos oficiais, dando as referidas terras como garantia. Essa medida favoreceu os habitantes da região, dando-lhes possibilidades de melhorar seu nível de vida.

Em outubro de 1967, vários proprietários de terras de Baraúnas, então distrito do Município de Mossoró, foram vítimas de arbitrariedades por parte de supostos donos de suas terras. Entretanto, inesperadamente eles foram presos pela polícia cearense e levados para a cidade de Russas, onde um cidadão de nome José Louredo declarou-se dono de toda a área doada pelo Governo do Rio Grande do Norte, além do mais sob a alegação de que todas aquelas terras fazem parte do estado do Ceará.

Os proprietários se viram forçados a abandonar suas glebas e benfeitorias nelas existentes, depois de terem iniciado o beneficiamento e cultivo das terras doadas pelo Governo potiguar. Após esse incidente, numa zona supostamente contestada, pois oficialmente nada havia a respeito do assunto, os trabalhos agrícolas e pastoris da região foram paralisados, com grandes e sensíveis prejuízos para a economia local.

A CONSTITUIÇÃO

A Constituição Federal Brasileira de 1988, no art. 12, parágrafos 2º, 3º e 4º, de seus dispositivos transitórios, determina que em um prazo de três anos, contados a partir da data de sua promulgação, que os Estados e municípios promovessem a demarcação de suas linhas divisórias em litígio. Esgotado esse prazo, cabe à União determinar os limites das áreas litigiosas.

Como até agora o Rio Grande do Norte e o Ceará não resolveram definitivamente suas pendências de limites geográficos, o caso deve seguir o que estabelece a alínea “f” art., do art. 102 da nossa Carta Magna: “Compete ao STF […] as causa e os conflitos entre a União e os Estados, entre a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros…”.

Tomislav R. Femenick – Mestre em economia, com extensão em história e sociologia. Do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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A CENTENÁRIA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA - 100 ANOS: DE ESTAÇÃO FERROVIÁRIA PARA O TEMPLO DA CULTURA MOSSOROENSE

Por Edilson Damasceno - JORNAL DE FATO
Dirigível Zeppelin sobrevoando a Estação Ferroviária de Mossoró, 1945 - www.panoramio.com

Lá se vão 100 anos. A Estação das Artes Elizeu Ventania, que tem sua funcionalidade quase que totalmente voltada para shows artísticos, possui um valor histórico que, à primeira vista, não é devidamente reconhecido. Primeiramente pela questão econômica. Foi ali, no prédio construído em 1915, que Mossoró registrou seu primeiro meio de transporte de massa (leia-se popular). Sua estrutura permanece com os parâmetros iniciais, mas pouco se vê o resgate histórico do que aconteceu naquele local. Em 19 de maio de 1915, surgia a Estação Ferroviária de Mossoró, com linha inicial ao Porto Franco, para onde boa parte dos mossoroenses fugiu em virtude da invasão do bando de cangaceiros liderados por Lampião, em 1927. Hoje, Porto Franco é o atual município de Grossos, que era – à época, ligado à cidade de Areia Branca e esta fazia parte do vizinho estado do Ceará.

Ao longo do tempo, a Estação Ferroviária de Mossoró sofreu transformações. Não da sua estrutura. Mas por força do homem e provocadas pelo desenvolvimento da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. O trem que fazia a linha para Porto Franco foi levado à Paraíba algum tempo depois. Especificamente em 1940 e 49 anos depois foi desativada. Os trilhos arrancados e o seu objetivo esquecido. O que veio para fomentar a economia acabou sendo deixado de lado em nome de outros interesses.

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Quem hoje observa a antiga Estação Ferroviária de Mossoró não pode perceber, diretamente, que dali partiu um dos avisos acerca da chegada de Lampião à cidade. É bem verdade que o aviso maior veio do sino da Catedral de Santa Luzia. Isso em 13 de junho de 1927. Antes disso, muita gente já tinha deixado Mossoró. E tais informações podem ser vistas no Memorial da Resistência, onde se conta toda a história relacionada àquele dia de junho de 1927.

Todo revitalizado o prédio da antiga Estação de Trem de Mossoró - franciscoguiacm.blogspot.com

A retomada, não da linha Mossoró/Souza, da importância da Estação para a cidade, se deu em 1999. Dez anos depois de sua desativação. Foi durante o governo Rosalba Ciarlini, prefeita à época, que veio a revigoração de algo esquecido e abandonado. E isso se deu através de parceria envolvendo a Prefeitura de Mossoró e a Petrobras. Ali, em meio ao esquecimento de sua história, surgiu o Museu do Petróleo, o qual apresenta as particularidades relacionadas à atuação da maior empresa de petróleo do Brasil na maior cidade do Rio Grande do Norte. Duas potências econômicas, pode assim dizer, que não têm o devido reconhecimento histórico, pois não se vê nenhuma ação para resgatar traços do passado e apresentar ao presente. Muitos não sabem o que representou a Estação Ferroviária para Mossoró. E os que sabem não têm condições de fazer tal registro.

Hoje, passados 100 anos, a Estação Ferroviária deveria fazer jus ao seu novo nome: Estação das Artes. Mas a arte que é inerente ao espaço é a comercial. Além, obviamente, de acomodar a estrutura de palco do projeto “Mossoró Cidade Junina”, maior festa popular do município.

Fonte: http://www.defato.com/noticias/46385/100-anos-de-estaa-a-o-ferrovia-ria-para-o-templo-da-cultura-mossoroense

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço José Edilson de Albuquerque Guimarães Segundo

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