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sábado, 4 de janeiro de 2020

A MORTE DOS PAIS DE LAMPIÃO

Por Sálvio Siqueira

Para entender-se melhor o que ocorreu naqueles idos dias, se faz necessário retroceder mais um pouco no tempo.

José Ferreira casa-se com Maria Lopes, Maria Vieira da Soledade. Segundo alguns autores, dona Maria casou grávida e o pai da criança não era José Ferreira. Dona Maria trabalhava em uma fazenda e o dono dessa, tendo relações sexuais com ela, a engravida. Não podendo mais continuar trabalhando e morando naquela fazenda, devido à família do latifundiário morar na propriedade, dona Maria recebe uma propriedade, sítio Passagem das Pedras, que se situa na margem direita do riacho São Domingos, no município de Vila Bela, hoje Serra Talhada, PE, como bônus do fazendeiro. José Ferreira, homem de respeito, gostava de dona Maria Lopes. O fazendeiro vai até ele, no sítio Baixa Verde, no município de Triunfo, PE, de sua propriedade e faz-lhe a seguinte proposta: dele casar com dona Maria, eles receberiam a propriedade, ele registraria o criança como sua e iriam viver suas vidas. José Ferreira aceitou. Dessa gravidez nasceu, em meados de 1895, Antônio Ferreira, primogênito de dona Maria Lopes.


Na sequência das suas vidas, nasce em finais de 1896, Levino Ferreira, segundo filho de dona Maria Lopes e primogênito de José Ferreira. Pouco tempo depois, em meados de 1897, no registro civil, certidão de Nascimento e 1898 na certidão do batistério, vem ao mundo Virgolino Ferreira. Consequentemente, por casais daquela época levar a risca o que está escrito no livro Sagrado, “crescei e multiplicai-vos”, esse não fora exceção, pois foram pais d’uma prole de nove filhos, sendo cinco homens e quatro mulheres, fora, não sabemos dizer, se houve algum nascimento de feto morto ou mesmo abortado.

Pois bem, os filhos do casal José e Maria brincaram, divertiram-se, igual qualquer outra criança naqueles idos dias nas quebradas do Sertão nordestino, mais precisamente no vale do Pajeú das Flores.

Na escola, além de destacar-se sobre os irmãos no aprendizado mesmo sendo o mais novo dos três, Virgolino (Ferreira), nos intervalos entre as aulas, segundo a escritora Marilourdes Ferraz, em seu livro “O Canto do Acauã”, já liderava seus coleguinhas nas travadas lutas imaginárias entre bandido e soldado. Vindo mostrar que era um líder nato, apesar de ter escolhido o lado negro da vida.

Por volta de 1915, por motivos de roubos de animais, criações, na fazenda dos ‘Ferreira’, depois de muito procurarem, é encontrada várias peles dessas criações enterradas dentro dos limites da fazenda Pedreira, propriedade do Sr. Saturnino Alves de Barros, que, além dessa, era proprietário de outro imóvel rural, a fazenda Maniçobas, as quais passam a ser administradas, depois do falecimento do pai, pelo seu filho José Alves de Barros, alcunhado de Zé Saturnino, um dos seis herdeiros.

Zé Saturnino e os filhos de José Ferreira, Antônio, Livino e Virgolino, perambularam pelas caatingas, tomaram banho nas águas dos poços dos rios e fizeram tudo que os adolescentes praticaram na época. Saturnino e Virgolino destacam-se em pegar boi dentro da mata fechada. Eram vaqueiros que cuidavam das reses de suas propriedades.
Os irmãos Ferreira, segundo João Gomes de Lira, em seu livro “Lampião – Memórias de um Soldado de Volante”, eram amansadores de burros brabos, selvagem, vindo muita gente de lugares distantes e distintos para verem essa proeza dos rapazes.


As peles das criações que foram encontradas estavam enterradas próximas à casa de um ‘morador’ da fazenda Pedreira. Esse morador, Zé Caboclo, é levado preso por um representante da lei da cidade de Vila Bela, que era familiar dos Ferreira. Zé Saturnino não gosta, nem aprova aquele procedimento e, com a influência que tinha, ordena que soltem seu empregado, destitui a pessoa do cargo, coloca outra no lugar, de sua confiança, inclusive seu parente, e tem-se início uma das maiores desavenças já vistas no Pajeú das Flores.

Certo dia os irmãos Ferreira são emboscados nas terras da fazenda Pedreira, no sopé da Serra Vermelha, quando estavam a procura de animais extraviados, por Zé Saturnino e seus homens. Dessa emboscada sai ferido Antônio Ferreira, na altura dos quadris e sua montaria. Antônio é levado para a casa de um tio paterno, Antônio Matilde, e convalesce por vários dias. Saturnino tem conhecimento dessa ação que fizera o tio ao sobrinho ferido, então vai até sua casa, leva-o preso para sede do município e, durante os dias em que Matilde esteve preso, levava uma sova, surra, diária.

Os Ferreira iniciam então uma série de ataques e emboscadas ao inimigo e seus homens. 



A coisa começa a engrossar quando, os apaziguadores, aconselham ao Sr. José Ferreira mudar de moradia. O velho Ferreira, homem honrado e pacato, aceita os conselhos, vende sua propriedade por um valor muito abaixo do que valia e, comprando outra propriedade, Poço do Negro, distante dos limites da fazenda Pedreira, vai criar sua família, ou pelo menos tentar, em terras próximas ao Distrito de Nazaré do Pico, município de Floresta, PE. Sobre a venda da propriedade Passagem das Pedras, é sabido que fora dada uma entrada do valor e não fora feito o pagamento do restante. Segundo Metódio de Godoy, em entrevista, “...a fazenda (Passagem das Pedras) foi torrada de graça. Além do sinal, nada mais o velho José Ferreira recebeu!”. Fazia parte do acordo, os irmãos Ferreira não irem a feira livre de Vila Bela, nem Zé Saturnino ir a do Distrito de Nazaré. Os Ferreira levaram desvantagem até nessa parte do acordo por serem, também, almocreves e o comércio de Vila Bela ser muitas vezes maior do que a do povoado de Nazaré.

Zé Saturnino quebra o acordo feito e, junto a um cunhado, José Cipriano, ‘armados até os dentes’, vai ao povoado de Nazaré, segundo ele mesmo, receber um pagamento de um animal que vendera a Agripa Euzébio, que era por todos conhecido pela alcunha de “Agripe de Manoela”. Na ocasião Virgolino (Ferreira) encontrava-se no povoado, viu e não gostou da presença dos inimigos. O escritor José Bezerra Lima Irmão, em seu livro “Lampião, A Raposa das Caatingas”, refere que Virgolino, havia deixado suas armas em casa de uma pessoa conhecida, “(...) como de costume, deixou a pistola e a faca peixeira na casa do professor Domingos Soriano, na entrada do arraial (Nazaré). Quando viu os inimigos na feira, correu para apanhar as armas, mas o professor Domingos disse que só as entregaria se Virgulino prometesse ir para casa. Virgulino prometeu (...).”

Bufando de raiva, Virgolino retorna para o sítio Poço do Negro e, lá chegando, relata para um tio materno, Manoel Lopes, o que acabara de acontecer. Virgolino e seu tio pegam as armas e seguem estrada afora rumo a Nazaré. Em determinado local, no Serrote das Umburanas, se escondem e botam uma emboscada em Zé Saturnino e seu cunhado. Debaixo de fogo cerrado, Zé Saturnino e o cunhado tacam as esporas em suas montarias e dão no pé. Ninguém saiu ferido.


‘Soltando fumaça pelas venta’, Zé Saturnino chega à fazenda Pedreira , relata da emboscada que sofrera a outro cunhado, José Nogueira. Após alguns instantes, ordena que quinze homens preparem-se, armem-se, para irem atacar os Ferreira, no sítio Poço do Negro. Saturnino mantinha vários homens da espingarda sob sua proteção. Entre, ou dentre, os cabras que ‘trabalhavam’ sob suas ordens, destacamos os irmãos Zé e Antônio Guedes, esse último sendo conhecido na saga cangaceira pela alcunha de Batoque, Zé Cipriano, seu cunhado, Tibúrcio, os irmãos Beneditos e Zé Caboclo, aquele do roubo das criações. Por mais que sangrassem as barrigas das montarias com suas esporas, viajaram durante toda a noite nos lombos dos animais, só chegando ao sítio Poço do Negro, ao alvorecer do dia seguinte. Cercam a casa e atacam os que lá estavam.

De dentro da casa, tendo se levantado cedinho, Virgolino nota a manobra dos emboscadores desde a sua chegada. Estava com ele na casa, sua mãe, dona Maria Lopes, seu tio, Manoel Lopes e uma ‘reca’ de crianças. Ele ordena que a mãe proteja as crianças, seus irmãos e os afilhados dela que no momento encontravam-se lá, dentro de um quarto. Assim que Saturnino e seus homens iniciam o ataque, são repelidos com uma saraivada de balas, mesmo só estando dois homens em condições de lutar dentro da moradia.

A velocidade que Virgolino atirava era impressionante, e foi o que lhe salvou da morte por várias vezes. O combate se prolonga por boa parte da manhã. Os atacantes sofrem uma baixa importante, Zé Guedes é ferido nas pernas. Vendo a quantidade de disparos que vinha na direção em que estavam, Saturnino, sem saber da quantidade de inimigos que tinha dentro da casa, recua e vai embora. Dona Maria Lopes começa a sentir-se mal. Desde há alguns dias que ela vinha sentindo algum problema, com certeza, pelas agonias que vinha passando sua família.

Daí para frente a coisa pega fogo entre as duas famílias. Na sequência, iniciam-se as desavenças com os moradores de Nazaré. Livino é ferido em Nazaré e preso, é levado para cadeia em Floresta, PE. Em fim, a estada dos Ferreira naquelas paragens fica inaceitável. Não podendo mais ficarem naquela região, José Ferreira resolve mudar-se com sua família, novamente. Dessa vez ele procura refúgio numa região mais distante, em outro território, no vizinho Estado das Alagoas, devido lá morarem familiares da sua esposa. Não podendo ir todos de uma vez, partem primeiro os irmãos Antônio, Virgolino, Virtuosa e seu esposo, Luis Marinho. Os demais ficaram e iriam depois.

Com parte da sua família seguindo em rumo a outras paragens, José Ferreira, segue com os cuidados necessários para deixar sua ‘terra’, propriedade, com alguém. Dona Jacoza, sua sogra, migra da Passagem das Pedras e vem morar no Poço do Negro. Seu cunhado, Manoel Lopes, fica encarregado de cuidar do sítio, enquanto outras pessoas iriam cuidar da propriedade próxima a Baixa Verde. Nesse meio tempo, já em liberdade, Livino segue se recuperando do ferimento à bala sofrido em Nazaré. Escolhem para partida uma hora fria e, não há mais fria do que a madrugada, nos sovacos das serras do sertão nordestino.

A viagem foi longa e muito desgastante, principalmente para dona Maria que já vinha tendo problemas de saúde. Chegam alguns dias depois ao destino, na fazenda Olho D’água de Fora, imóvel rural pertencente ao Sr. Manoel Francelino, que era cunhado de Antônio Porcino, chefe de um pequeno grupo de cangaceiros que agiam nas Alagoas. Estando em casa de Francelino, José Ferreira procura o Padre Firmino e lhe narra tudo que estavam passando. O sacerdote faz uma missiva de recomendação e o envia ao coronel Gervásio Luna, que tinha a alcunha de ‘Capitão Sinhô’. Esse, porém, não pode, ou não quis dar guarida e trabalho para ele. Mandou-o procurar o coronel Zezé Abílio, em Bom Conselho de Papacaça, no Pernambuco. O coronel foi solícito com toda a família de José Ferreira. Com sua ajuda eles voltaram a almocrevar, na tentativa de recuperar o que perderam. 


Segundo José Bezerra Lima Irmão, em sua obra literária citada, Zé Saturnino, ao saber que os Ferreira encontravam-se na fazenda Olho D’água de Fora, escreve as autoridades de Água Branca narrando que aquela família tratava-se de bandidos: “(...) Zé Saturnino soube da mudança de seus desafetos para Olho D’água de Fora, escreveu várias cartas para as autoridades e pessoas importantes de Água Branca, denunciando os irmãos Ferreira e Antônio Matilde como bandidos perigosos, assassinos e ladrões. Pelo menos quatro pessoas receberam tais cartas: o coronel Ulisses Luna e seu irmão Sinhô, a Baronesa de Água Branca(Joana Vieira Siqueira Torres), e o comissário de polícia de Água Branca, Amarílio Batista Vilar (...).”

Logicamente que, naquela época, já estando o banditismo solto pelos sertões, aquelas pessoas que foram ‘avisadas’ ficaram em alerta. José Ferreira corre em busca de uma e de outra autoridade para dizer que sua família não era nada daquilo que disseram. Não adianta. Certo dia, o coronel Ulisses Luna, chama o irmão de José Ferreira, Antônio Matilde e o manda procurar outro patrão. Matilde arriba daquele lugar mais irado ainda com seu inimigo Zé Saturnino. Reuniu-se com os filhos mais velhos de seu irmão, José Ferreira, com planos para formarem um grupo, voltarem ao Leão do Norte e castigarem o seu inimigo em comum, Zé Saturnino. Terminando por formarem o bando, que, segundo Lima Irmão, assim ficou composto: Antônio Matilde, Higino e Luis Marinho, os irmãos Olímpio, José e Manoel Benedito, antigos ‘cabras’ de Saturnino, mais Chico de Salvador, Chico Chililim, Antônio, Livino e Virgolino Ferreira, formando um grupo de onze homens.

Esse grupo pintou e bordaram no município de Vila Bela, PE, e região. No entanto, nada daquilo que planejavam para matar Zé Saturnino, deu certo. Atingiu então, o patrimônio dele, suas fazendas, seu gado e, por aí as coisas seguiram. Retornando para as Alagoas, Antônio Matilde se esconde e os outros prosseguiram suas vidas. Notícias desencontradas chegam às autoridades de Água Branca, sem conseguir apurar nada o comissário encerra as investigações.

A partir desses movimentos, isso por volta do ano de 1918/19, os irmãos Ferreira, Antônio, Livino e Virgolino passam a fazerem parte do bando de cangaceiros denominado os “Porcino”, que atuava na região serrana do Estado das Alagoas. Esse bando destacou-se devido às crueldades praticadas em suas vítimas. Segundo o pesquisador/historiador Clerisvaldo Chagas, “Em Alagoas, o cangaço teve início em seus movimentos no extremo oeste, principalmente nas regiões de Mata Grande e, então, Matinha de Água Branca. A maioria das ações cangaceiras no estado aconteceu nessa região serrana, fronteira com Pernambuco, onde oficialmente Virgulino Ferreira da Silva tornou-se cangaceiro. Entre o homem trabalhador e ações violentas, vindo do estado vizinho, Virgulino começou a conjugar suas arruaças ao bando dos Porcino que atuava na área descrita.” Daí pra frente, a vida dos irmãos Ferreira resumira-se a fugas e pequenos ataques a fazendas, povoados e grupos de almocreves pelas estradas. As perseguições iniciam-se com bastante afinco, principalmente pela atuação dos “Porcinos”. Os irmãos Ferreira tiverem uma escola perversa e sangrenta junto a esse bando.

Nesse ínterim, João Ferreira, irmão de Virgolino, por ter ido comprar remédio em Água Branca para sua irmãzinha Lica, Maria Ferreira, que estava com uma otite, ao chegar à cidade, é preso pelo comissário Amarílio Batista. Alguém vai até a fazenda onde estão seus pais contar da prisão. A mãe, dona Maria Lopes, desespera-se ao saber da prisão de João, pois ele nada tinha haver com o que seus filhos mais velhos faziam, praticado alguma coisa fora da lei.

Os seus irmãos, Antônio, Livino e Virgolino, seu tio Antônio Matilde, e outros do grupo, são informados da prisão de João. Resolvem vir soltar o irmão na marra. Arranca-lo das mãos do comissário de Água Branca. O comissário desconfiou dos planos dos irmãos Ferreira, ou mesmo fez a prisão para que eles tentassem agir, já que suas buscas dentro da mata foram em vão, reuniu uma tropa de soldados e foi montar uma emboscada na estrada que levava a cidade. O grupo de resgate é surpreendido pelos disparos dos soldados. Saltam todos das montarias e dá-se início a uma troca de tiros acirrada. O fogo toma rumo diferente daquele imaginado pelo comandante e esse é obrigado a deixar o local onde se encontrava e sair numa desesperada carreira, sendo seguido pelos seus homens. Alguns autores citam que o comissário defecou, nas calças, por isso, antes de entrar na cidade, manda que um de seus homens vá até sua casa e traga uma calça limpa.

Voltando a entrar na cidade, retira o prisioneiro-mirim do quartel e transporta-o para o prédio da prefeitura, onde o acorrenta em cima de uma mesa. Assim passa-se o restante do dia e a noite inteira. No dia seguinte alguns moradores da cidade vão falar com José Ferreira a fim de evitarem uma luta nas ruas de Água Branca. Os três irmãos mandam um recado para o comissário para que ele solte João. Por fim, Amarílio termina por soltar o menino, pois João, nessa época não passava de uma criança. João retorna para sua família.

Após esse ocorrido, José Ferreira tem que arrumar suas tralhas e procurar outro lugar para descansar seu corpo. O velho José Ferreira, dona Maria, sua esposa e seu filho João Ferreira, iriam à frente para ver se encontravam um local para ficarem. Os três irmãos mais velhos, Antônio, Livino e Virgolino, foram incumbidos de levarem o restante da família, inclusive as meninas, para algum lugar seguro até receberem a notícia de que poderiam ir para onde estariam seus pais.

O proprietário da fazenda em que estavam, Manoel Francelino, diz para José Ferreira ir para a fazenda Engenho, propriedade de seu pai, que ficava no município de Mata Grande.

No início da nova caminhada, dona Maria desmaia novamente, e, só após alguns instantes, reanimada, colocam os pés no caminho. Chegando à fazenda Engenho, são bem recebidos pelo sinhô Fragoso e sua esposa, dona Totonha. Na fazenda existiam três casas. Numa delas, morava o velho Fragoso, em outra, morava um filho dele que era assassino, pois tinha matado uma pessoa e era procurado por isso, e, na outra, estando vazia, Fragoso a oferece ao velho José Ferreira. Instalados, José Ferreira vai até a cidade, Mata Grande, fazer compras e manda João ir amarrar os animais onde tivesse pasto. Dona Maria vai à casa do proprietário para prosear um pouco com a esposa dele. Lá estando, sentiu-se mal novamente e voltou a desmaiar. Gritos dali, chamados de cá, alguém fala para João correr e acudir sua mãe. João saiu numa carreira só, porém, ao chegar a casa, sua mãe, dona Maria Lopes, contando 47 anos de idade, estava morta. Alguém parte para informar seu esposo, o velho José Ferreira, da morte de sua esposa. Rapidamente José retorna para a fazenda Engenho, onde, meio desnorteado, envia recados aos outros filhos para que viessem para o sepultamento da mãe. O corpo de dona Maria, no dia seguinte é transportado em uma rede, levado pelos filhos, até o cemitério do povoado de Santa Cruz do Deserto.

Ocorrem fatos em nossas vidas que, por mais duros que possam parecer, conseguimos supera-los. No entanto, há aqueles em que não tem como haver uma superação, principalmente se ocorre com algo, ou alguém, a quem buscamos forças para superar as outras. Assim aconteceu com o velho José Ferreira. Aguentou tudo, ou quase tudo, que aconteceu com sua família de cabeça erguida para ir mais adiante, em busca de uma solução, menos quando da perda da esposa. A ‘partida’ prematura da companheira abateu muito, o moral e o ânimo do pai dos irmãos Ferreira.

Mas, a vida continua. E aquele pai tinha muitos filhos pequenos para proteger, dá moradia e alimentá-los todos os dias.

Após a morte de dona Maria Lopes, chega à cidade de Água Branca, AL, uma volante comandada pelo então sargento José Lucena Albuquerque Maranhão. Essa volante vinha com a ordem de irem à procura de criminosos, assassinos, bandoleiros e cangaceiros que estavam a infestar aquelas redondezas, principalmente o grupo dos “Porcinos”. O comandante da volante, em uma de suas andanças pela zona rural daquele município, vem, a saber, para onde os Ferreira teriam ido. Após essa informação, e tendo como guia o comissário Amarílio, o sargento José Lucena parte rumo à cidade de Mata Grande.


A volante chega à fazenda Engenho, onde se encontrava no alpendre da casa, o velho José Ferreira a debulhar milho. Os soldados da volante nada disseram, também nada perguntaram, apenas abriram fogo contra José Ferreira. O velho ainda tenta proteger-se pulando para dentro de casa. Segundo o pesquisador/historiador José Bezerra Lima Irmão, no livro “Lampião – A Raposa das Caatingas”, na página 100, diz: “Foi então que a polícia chegou. Não houve nenhum diálogo, não foi feita nenhuma pergunta – os soldados simplesmente cercaram a casa onde José Ferreira se encontrava e abriram fogo. José Ferreira ainda conseguiu entrar na casa, para proteger-se, mas os soldados entraram atrás, ele foi agarrado e executado sumariamente”. Já os pesquisadores/historiadores Antônio Amaury e Vera Ferreira, em seu “De Virgolino a Lampião”, 2ª Edição, na página 81, dizem: “Tudo aconteceu de repente, como costumam ser as grandes tragédias. Ouviram-se tiros, a porta da casa foi arrombada, a filha do velho Fragoso viu-se ferida e José Ferreira foi arrastado para um dos quartos, sendo sumariamente executado.” Quando de seu assassinato, José Ferreira contava com 48 anos de idade.

O corpo de José Ferreira, segundo alguns autores, fora enterrado no oitão direito da capela do arraial Santa Cruz do Deserto, ao lado da cova de dona Maria Lopes, sua esposa.

Alguns autores trazem nas entrelinhas de suas obras literárias, escritos que dizem que as mortes dos pais de Virgolino, dona Maria Lopes ocorreu aos 21 dias do mês de maio de 1920 e do velho José Ferreira, aos 29 dias de junho de 1920, um mês e oito dias de uma para a outra... já outros, referem que as mesmas ocorreram em, a de dona Maria, 30 de abril de 1921 e a de José Ferreira em 18 de maio de 1921, dezoito dias entre uma e outra morte... Antônio, Livino e Virgolino, já faziam parte de grupos de cangaceiros, porém, se existia alguma chance de um deles sair da vida de bandidos, essa fora extinta com o assassinato do velho seu pai. Virgolino, já como Lampião, andou colocando emboscadas para ver se matava, vingando, José Lucena, porém, foi abatido em 28 de julho de 1938, depois de uma longa vida como chefe de bando cangaceiro, vinte anos, e nunca conseguiu matar seus piores inimigos, José Alves de Barros, o Zé Saturnino e José Lucena Albuquerque Maranhão, comandante da volante que matou José Ferreira, seu pai... nas quebradas do Sertão alagoano.


LAMPIÃO VENERADO E ANTONIO CONSELHEIRO ESQUECIDO


Francisco Carlos Jorge de Oliveira

Em todos os grupos de estudos do cangaço, vemos o povo nordestino venerarem Lampião ao extremo, isso como se o fora da lei fosse um herói, um libertador, um justiceiro que, com seus cabras ajudavam os sertanejos, levando esperança e justiça a um povo paupérrimo e desprivilegiado, explorado pela elite. 


Quase ninguém fala em Antônio Conselheiro, e a bravura de seus valorosos jagunços, na heroica defesa do Belo Monte, derrotando por varias vezes nas Campanhas de Canudos, as tropas federais do assassino presidente Prudente de Morais. 


Também nunca comentaram sobre os intrépidos e místicos Monges José Maria de Santo Agostinho, João Maria de Jesus e Miguel Lucena de Boaventura, que lideraram a sangrenta Guerra do Contestado, uma revolução armada que incluíam posseiros e pequenos proprietários de terra de um lado, e representantes dos poderes estaduais e federais do outro; conflito armado que durou ente agosto de 1912 a outubro de 1916, na divisa do Paraná com o estado de Santa Catarina. 


Eu não quero criticar ninguém, nem macular a imagem de Lampião perante o povo nordestino, mas acho que esses lideres revolucionários e seus rebeldes, por mim supracitados, são mais valorosos e merecem todo o nosso respeito, muito mais que Lampião, pois lutavam por um ideal, enquanto o líder cangaceiro e seus sectários, atendia aos ensejos dos corneis e outros latifundiários, sem visar nenhum objetivo politico social em defesa de uma causa nobre. 


Veja bem, se os intrépidos Monges e o valente Antônio Conselheiro triunfassem no prélio ate o fim, com certeza após a guerra iriam cuidar de suas propriedades dar sequencia a seus ideais, ou fazer como os gringos ao conquistar a Província Cisplatina hoje o Uruguai.


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SAMUEL COLT

Por Rhuan Henrique
Samuel Colt

Samuel Colt (19 de julho de 1814 - 10 de janeiro de 1862) foi um armeiro, inventor e industrial, homem de negócios e caçador de Hartford, Connecticut, nos Estados Unidos. Ele fundou a Colt's Patent Fire-Arms Manufacturing Company (agora Colt's Manufacturing Company), e tornou a produção em massa do revólver comercialmente viável.[2]


Dois primeiros empreendimentos comerciais do Colt estavam produzindo armas de fogo em Paterson, Nova Jersey e fabricando minas submarinas; ambos terminaram em decepção. Mas seu negócio expandiu-se rapidamente depois de 1847, quando os Texas Rangers requisitaram mil revólveres durante a guerra Americana com México. 


Durante a guerra civil americana, sua fábrica em Hartford forneceu armas de fogo para ambos do norte e do sul. Mais tarde, suas armas de fogo foram proeminentes durante o assentamento da fronteira ocidental. Colt morreu em 1862 como um dos homens mais ricos da América.


Os métodos de fabricação do Colt estavam na vanguarda da Revolução Industrial. Seu uso de peças intercambiáveis ajudou-o a se tornar um dos primeiros a usar a linha de montagem eficientemente. Além disso, seu uso inovador de arte, endossos de celebridades e brindes corporativos para promover seus produtos fez dele um pioneiro nos campos de publicidade, inserção de marcas (product placement) e marketing de massa.


Do acervo do Sálvio Siqueira

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ZÉ BAIANO E SEU BANDO DE CANGACEIROS FORAM ELIMINADOS DO SERTÃO NORDESTINO NO DIA 07 DE JULHO DE 1936

Por José Mendes Pereira

No dia 07 de julho de 1936 no sertão do nordeste o cangaceiro Zé Baiano e seu bando foram eliminados por civis, sendo o chefe desta chacina o Antonio de Chiquinho que convisou seus amigos e partiram para a empreitada. Matar o chefe e seus cangaceiros era preciso.

Eu não tenho a fonte no momento, mas já li de um autor de nome que Antonio de Chiquinho resolveu assassinar o grupo de cangaceiros porque o Zé Baiano andava tentando conquistar uma das suas filhas. Ele temendo um desgosto marchou para o mais certo que era assassinar o cangaceiro.

O facínora Zé Baiano era sobrinho de Antônio e Cirilo ambos da família dos Engrácias. Perverso ao estremo. Com o seu ferro quente marcava as pessoas, principalmente mulheres, e usava uma palmatória com o nome de “Boneca de laço e nó”, com a qual aplicava “bolos” nas mãos das pessoas.

"BIOGRAFIA DO CANGACEIRO ZÉ BAIANO  WIKIPEDIA".

Zé Baiano (? — 7 de junho de 1936) foi um cangaceiro que integrou o bando de Lampião.

Lampião e seu bando invadiram Alagadiço pela primeira vez em 1930, arrombando casas e roubando pertences dos moradores. Pelo povoado estar em uma posição estrategicamente privilegiada, e por não contar com destacamento reforçado de polícia, os cangaceiros transitavam livremente pela região. Lampião voltou mais três vezes à Alagadiço; na segunda ocasião, procurou o coiteiro Antônio de Chiquinho, querendo informações sobre um destacamento policial que perseguia seu bando.[1]

A última visita de Lampião ao povoado foi em 1934, quando deixou Zé Baiano no comando da região. Acompanhado de seus comparsas Demudado, Chico Peste e Acelino, ele aterrorizou a localidade, cometendo atrocidades, saqueando e impondo sua própria lei em Frei Paulo e vizinhanças. O bando costumava esconder-se da polícia nas casas de fazendeiros, ou então na mata.

Conhecido por sua crueldade, tinha o costume de marcar com um ferro em brasa as iniciais "JB" no rosto ou no púbis de mulheres de cabelo curto ou por estarem usando vestidos cujo comprimento ele considerava inconveniente, passando a ser conhecido por isso como o "ferrador de gente".

Devido à cor de sua pele, foi apelidado também de "pantera negra dos sertões".[2]


Cansado de ser perseguido pelos policiais devido ao envolvimento com o cangaço, o coiteiro Antonio de Chiquinho armou uma emboscada para Zé Baiano e os demais cangaceiros[1], num povoado do município de Frei Paulo[3] . Durante uma entrega de alimentos em 7 de julho de 1936, acompanhado dos conterrâneos Pedro Sebastião de Oliveira (Pedro Guedes), Pedro Francisco (Pedro de Nica), Antônio de Souza Passos (Toinho), José Francisco Pereira (Dedé) e José Francisco de Souza (Biridin), Antônio deu fim a Zé Baiano e seu bando.

Antonio de Chiquinho manteve segredo do fato durante quinze dias, temendo represálias de Lampião. O cangaceiro, contudo, decidiu não se vingar após ser convencido por Maria Bonita que o empreendimento poderia ser perigoso, pois o povoado contava com a presença de um canhão.[1].

wikipedia

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SEM SAÍDA, O "LAÇO" COMEÇA A APERTAR!!!!

Por Sálvio Siqueira

Naquele tempo, estando Estácio Coimbra com as rédeas do Estado do Leão do Norte nas mãos, seu chefe de gabinete, Gilberto Freire, junto com seu Secretário de Segurança, Eurico de Souza Leão, os dois últimos acatam e põem em prática uma grande ideia vinda de um chefe cangaceiro que, no momento, encontrava-se preso na Casa de Detenção da cidade do Recife.

Vinda de quem no cangaço esteve por vários anos, sendo líder de bando, a ideia, posta em prática, logo começa a surtir efeito positivo. Claro que, sendo tão bem arquitetada, a ‘pirâmide’ de auxiliares, coiteiros, construída pelo “Rei dos Cangaceiros”, sua destruição foi lenta. Tendo início antes da Revolução de 1930, seu clímax só consolida-se em meados de 1938, já no chamado Estado Novo, resultando de um golpe no Congresso do revolucionário vitorioso impondo sua dura ditadura a Nação.


A meta desse movimento contra o Cangaço era exatamente aqueles que lhes fornecia mantimentos, roupas, armas, munição e informações preciosas. Acabando com esses auxiliares, o chefe mor do cangaço, foi ficando encurralado, sozinho, sem a proteção, principalmente de grandes latifundiários, os ‘coronéis’, que outrora faziam parte da sua, tão larga e elástica, malha de colaboradores.

O tenente Zé Rufino descobre um grande colaborador do “Rei Vesgo” em terras baianas. Não o mata nem o prende. Pelo contrário, faz com que ele passe a ser seu colaborador. Sendo muito conhecido e dono de vasta imensidão de terras, esse colaborador, agora das duas partes inimigas, cangaceiros e volantes, passa a fornecer importantes locais onde os cangaceiros costumavam armar seu acampamento, os coitos. Com essas informações preciosas, o pernambucano José Osório, tenente Zé Rufino, da Força Pública baiana, arquitetava o plano e o colocava em ação, tendo, sempre, êxitos. Tornando-se, na história do Fenômeno Social Cangaço, o maior matador de cangaceiros.



Voltando ao plano de desbaratar a ‘organização’ de Virgolino Ferreira, o Lampião, mostraremos, abaixo, recortes de jornais da época, noticiando prisões de auxiliares, combates e nomes de cangaceiros que foram tombados nos mesmos.

O pesquisador/historiador Rubens Antonio, nos detalha o local e as mortes de quatro cangaceiros na segunda metade de 1933, que assolavam as regiões de Mairi, Várzea do Poço, Miguel Calmon, Várzea da Roça, Serrolândia, Jacobina, em território baiano.

“(...)Um subgrupo do bando de Lampião, composto por 4 cangaceiros e 3 cangaceiras, liderado por Azulão, assolou as regiões de Mairi, Várzea do Poço, Miguel Calmon, Várzea da Roça, Serrolândia, Jacobina, em setembro e outubro de 1933.

Muitas agressões foram cometidas pelos cangaceiros, especialmente com o uso de palmatórias.

Cabeças dos cangaceiros Zabelê, Canjica, Azulão e Maria Dória. mortos no combate da Lagoa do Lino.

Em outubro de 1933, o grupo foi localizado na Fazenda Lagoa do Lino, e travado um combate, no qual morreram os cangaceiros Azulão, Zabelê e Canjica, e uma cangaceira de nome Maria.

Cabeças do casal cangaceiro, Maria Dória e seu companheiro Azulão. no Instituto Nina Rodrigues, em Salvador, capital do Estado baiano.

Dentre os que escaparam estava o cangaceiro Arvoredo(...)Em Salvador, ficaram as cabeças expostas, no Instituto Nina Rodrigues, até 1969. Então, por uma determinação do governador Luiz Viana Filho, no mesmo evento que levou ao sepultamento das cabeças de Lampião, Maria Bonita e Corisco, finalmente foram sepultadas.

Isto no cemitério de Quintas dos Lázaros(...).”(cangaconabahia.com)
Lampião ainda reinaria o cangaço por mais cinco anos. No entanto, ao estudarmos seu reinado funesto nesses últimos anos, vemos que até suas andanças caíram em mais de 60%, com certeza sendo devido às perseguições constantes e incansáveis das Forças Públicas de vários Estados nordestinos, agindo conjuntamente, para acabar, de uma vez por todas, com o banditismo... Nas quebradas do Sertão.



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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

PEQUENO NÃO EXISTE, GRANDE SÓ DEUS...

Por Luitgarde Barros




A Lucidez desconcertante da incomparável Luitgarde Barros; uma reserva dentre os melhores pesquisadores das coisas do sertão; nessa entrevista ao Conselheiro Cariri Cangaço, documentarista Aderbal Nogueira, Luit nos traz um recorte sobre as ligações de Padre Cícero, Floro Bartolomeu e o poder central da república com a famosa Patente "concedida" a Virgulino Lampião em 1926 em Juazeiro do Norte, Ceara. Vale a pena ver...

Fonte YouTube
Canal Aderbal Nogueira


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OS GRANDES INIMIGOS DE LAMPIÃO - PARTE I.


Por Geraldo júnior

Nesse documentário traremos fatos e depoimentos a respeito dos irmãos Batoque e Zé Guedes que no passado fizeram parte da mais temida e implacável Força Policial Volante que se tem notícia na história cangaceira. Os Nazarenos, como assim eram chamados os membros dessa Força, eram em sua grande maioria filhos do então povoado de Nazaré distrito de Floresta no estado de Pernambuco. O que motivou a origem do apelido dos maiores inimigos de Lampião.

Esse trabalho que foi idealizado e produzido pela minha querida e saudosa amiga Mabel Nogueira (Mabel Cristine Nogueira Sousa) trás os depoimentos das senhoras: Maria José dos Santos Araújo "Dadá" e Luzia Ana dos Santos "Luzia Guedes", filhas do Nazareno Zé Guedes e sobrinhas do afamado rastejador Batoque.

O documentário conta ainda com o depoimento do senhor Domingos Nogueira, que fala a respeito dos acontecimentos que levaram Zé Guedes e Batoque a ingressarem na Força Nazarena. Formidável é a palavra mais adequada para definir esse trabalho.



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O PUNHAL SANGRADOR


Por Sálvio Siqueira

O sangramento das pessoas na época do cangaço diferencia-se de outros tipos dessa mesma execução.

Citando como exemplo, aqueles que foram condenados à morte no final da Guerra de Canudos, sua garganta era cortada horizontalmente. O executor da pena, o carrasco, posicionava-se por trás da vítima e, colocando os dedos polegar e maior de todos nos orifícios da narina da mesma, forçava para até que a cabeça fica-se totalmente para trás e sua face para cima, em direção as nuvens. Em seguida, com uma faca afiada na outra mão, fazia com que a lâmina começa-se a fazer uma incisão junto a uma das jugulares, artéria e veia, passando pela traqueia e findava seu percurso depois da outra artéria e veia do pescoço (artérias Carótidas e veias Jugular esquerda e direita respectivamente).


A forma, maneira, do sangramento no cangaço foi ímpar. Diferentemente daquela descrita acima, era usado um punhal de lâmina longa, o qual era penetrado na ‘saboneteira’ da vítima, esse local é uma pequena saliência entre o músculo Trapézio e o osso da Clavícula, do seu lado esquerdo. A Lâmina longa, exclusiva para sangrar, tinha 65 cm de comprimento mais o cabo, que tinha por volta de 15 cm, ficando o instrumento completo com, mais ou menos, 80 cm de comprimento.


Conselheirista, ao lado de membros do Exército, não se curvou frente à morte, em 1897



ABAIXO, MOSTRAREMOS MAIS OU MENOS COMO SE DAVA A AÇÃO DEMONSTRADA PELO PESQUISADOR/ESCRITOR FEDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO, SENDO QUE, A POSIÇÃO EM A MÃO SEGURA A ARMA BRANCA, EM NOSSO ENTENDER, ESTÁ ERRADA. (Mais lógico e permitindo uma maior força empregada é segurar o cabo com o polegar para cima, pois a força exercida será no sentido vertical para baixo)



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O BATISMO DE BALÃO.

Por João Filho de Paula Pessoa

Após a morte de Lampião em 1938, alguns cangaceiros se entregaram, dentre estes o cangaceiro Balão, que sobreviveu à emboscada de Angicos. Ao se entregar, já preso, da cadeia pediu para falar com um padre, sendo atendido pelo Pe. Lima a quem pediu para ser batizado, vez que, sua família era Crente e Lampião somente o aceitou no bando, após este prometer se batizar, e embora Lampião já estivesse morto, queria cumprir sua promessa. 

Assim o Padre o batizou, tendo como padrinho o delegado. Algum tempo depois Balão foi anistiado e morreu idoso. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 07.10.2019



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LOCALIZADA E IDENTIFICADA A SUPOSTA COVA DO CANGACEIRO SABINO DAS ABÓBORAS.

Por Geraldo Júnior

Embora não existam provas concretas, existem fortes indícios de que no local apontado e apresentado no vídeo pelo pesquisador cearense Luis Bento (Luis Carolino) esteja realmente enterrado o famoso cangaceiro Sabino das Abóboras "Sabino Gomes de Góis" ou "Sabino Gore", que foi um afamado chefe cangaceiro que juntou-se ao bando de Lampião e esteve presente em alguns importantes eventos da primeira fase do cangaço lampiônico, tais como; a ida de Lampião ao Juazeiro do Norte no estado do Ceará (Março de 1926), onde os cangaceiros se incorporaram aos Batalhões patrióticos formados para combater a Coluna Prestes-Miguel Costa, que naquele período marchava pelo Nordeste e foi um dos lideres durante a tentativa de invasão à cidade de Mossoró no estado do Rio Grande do Norte em junho de 1927. Entre outros.

Lampião e seu bando estavam acoitados nas terras da fazenda Piçarra (Porteiras/CE) de Antônio da Piçarra, no mês de março de 1928, quando foram atacados de surpresa por uma Volante pernambucana comandada pelo Tenente Arlindo Rocha, auxiliado pelo Nazareno Mané Neto e seu grupo, ocasião em que Sabino foi ferido gravemente por um tiro disparado, tendo que ser executado pelo cangaceiro Mergulhão I (Antônio Juvenal), dias depois. Execução que teve o consentimento de Lampião, devido a grave situação em que o filho bastardo do coronel Marçal Florentino Diniz, se encontrava. Em relação a data do ocorrido há discordância entre estudiosos, sabe-se que o episódio aconteceu no mês de março de 1928, quanto ao dia não há unanimidade.

O renomado escritor e pesquisador Napoleão Tavares Neves em seu livro CARIRI - CANGAÇO, COITEIROS E ADJACÊNCIAS na página 51 diz que embora o local da cova de Sabino das Abóboras seja desconhecido o coronel Né da Carnaúba (Manoel Pereira Lins) dono da fazenda Carnaúba no Pajeú pernambucano, desconfiava que o cangaceiro havia sido enterrado nas terras entre Macapá (Atual Jati) e o sítio Baião, possivelmente por possuir alguma informação privilégiada a respeito do assunto. Outro fato que desperta a desconfiança de que no local esteja enterrado o cangaceiro é o apontamento da cova por populares locais, cuja história que tem sido passada de geração em geração.

Breve estarei publicando o vídeo no canal CANGAÇOLOGIA (YouTube).

Espero que assistam e tirem suas conclusões.

Filmagem / entrevista: José Francisco Gomes de Lima.

Geraldo Antônio De Souza Júnior


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AGENDE SUA VISITA NO MUSEU DO CANGAÇO - NAS PEGADAS DE LAMPIÃO

Por Anildomá Willans

É um roteiro turístico no coração da caatinga, onde a história pulsa em cada vereda e as batidas das alpercatas dos cangaceiros continuam aceleradas com a pressão do sol causticante do sertão. 

É nesse ambiente que está o palco dos primeiros capítulos da vida do Rei do Cangaço, onde teve início sua saga pelo Nordeste. Venha mergulhar conosco nessa história que inspira historiadores e pesquisadores do mundo todo, mas só nós somos testemunhas. 

NAS PEGADAS DE LAMPIÃO, a origem da saga.


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O BISONHO QUE TIROU SANGUE DE LAMPIÃO E VIVEU PARA CONTAR.


Por João Filho de Paula Pessoa

Em 1929, Lampião e seu bando entraram pacificamente na cidade de Nossa Senhora da Glória/Se, onde pré anunciaram sua visita ao intendente da cidade, foram recebidos com um almoço, passearam pela cidade sendo observados com grande curiosidade pelo povo enquanto faziam uma coleta pela cidade, Lampião foi à pequena barbearia do Sr. Zé Bisonho fazer a barba, que o recebeu em elevado grau de nervosismo.

Lampião sentou-se à cadeira e percebendo a tremedeira e o medo do humilde barbeiro, disse-lhe para se acalmar que nenhum mal lhe faria, pois quem tinha motivo para estar com medo ali era ele, pois era quem estava com uma navalha no pescoço.

Mesmo assim Zé Bisonho não conteve seu nervosismo e no descontrole de sua tremedeira cortou o rosto de Lampião, tirando-lhe um pouco de sangue na face, tomado pelo pavor e paralisado, ouviu novamente de Lampião, em tom descontraído, você é a única pessoa que tirou sangue do Capitão Virgulino e vai continuar vivo. 

Zé Bisonho viveu e contou esta história por muitos anos. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 14/102019.


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LAMPIÃO E O SEQUESTRO QUE SAIU CARO.


Por João Filho de Paula Pessoa
Foto: SerTão Sangrento

Em 1930 Lampião sequestrou o casal de missionários Virgílio Schimidt e Ramona, o líder dos religiosos Orlando Boyer enviou à Lampião a quantia de 236$000 (duzentos e trinta e seis mil réis) pelo resgate dos amigos, mas Lampião achou pouco e exigiu mais cinco mil contos de réis. Orlando pediu para conversar com Lampião pessoalmente, mesmo correndo risco de vida, o que foi concedido. 


Ao encontrar Lampião este se ajoelhou humildemente à seus pés, explicou que não tinham mais dinheiro e que aquele casal tinha filhos pequenos, e pediu para morrer no lugar deles, presenteando Lampião com uma Bíblia, e dizendo que faria por eles o que Jesus fez por nós. 

Lampião ficou visivelmente emocionado. enxugou disfarçadamente algumas lágrimas e bruscamente devolveu os 236 mil réis, deu mais 109 réis de seu bolso e disse: “Podem ir embora, depressa, vão embora!”, retirando-se com seu bando, libertando os reféns sem resgate, e ainda dando dinheiro à eles, levando consigo a Bíblia que dias depois, fugindo de uma perseguição das volantes, a escondeu num tronco oco de uma árvore, e quando voltou para pegar, não estava mais lá. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 09/10/2019


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A PAIXÃO E A GRATIDÃO DO PASSARINHO.

Por João Filho de Paula Pessoa

Passarinho era um cangaceiro meio solitário, embora fizesse parte do Bando de Corisco, muitas vezes andava e agia sozinho. Certa vez, em alto grau de embriagues, tentou assaltar alguns mercadores viajantes que passavam próximo ao povoado de Macambira/Ba, mas estes estavam armados e reagiram a tiros e Passarinho, embora bêbado, conseguiu fugir, no desespero de sua fuga sequestrou um jovem para lhe mostrar as melhores trilhas de saída. 

O pai deste garoto, José Cassiano ao saber do sequestro de seu filho empreendeu perseguição ao cangaceiro, em companhia de outro filho, rastejando seus passos. Ao encontrar Passarinho travaram uma intensa luta corporal, tendo Passarinho lesionado José Cassiano na perna à punhal, mas este juntamente com os filhos dominaram e amarraram o Cangaceiro. 

A orientação governamental da época era para matar o cangaceiro e decapita-lo, pois não era crime matar cangaceiro, sendo que, aquele dia específico era uma Sexta Feira da Paixão, uma Sexta Feira Santa, e a religiosidade e tradição local não permitiram aquele ato de violência e morte naquele dia. 

Desta forma, José Cassiano e seus filhos prenderam Passarinho amarrado numa casa de taipa local e mandaram avisar às autoridades, que no outro dia foram pegar aquele cangaceiro, já sóbrio e envolvo à muitos curiosos e o levaram preso e vivo à Salvador. 

Nos Anos 50, após o fim do cangaço e a anistia dos cangaceiros, Passarinho retornou ao local, especificamente à casa de José Cassiano e seus filhos, a quem pediu desculpas pelo seu ato e agradeceu por sua vida, por estes não terem lhe matado, pois tinham todos os motivos para isto e a lei à seu lado, mas mesmo assim não fizeram e ele estava vivo graças àquela família, podendo assim seguir sua vida em paz. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 30/12/2019


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MARECHAL RONDON E PADRE CÍCERO


Do acervo do Beto Rueda

O então ainda general Rondon e padre Cícero se encontram em Juazeiro do Norte no Ceará, em novembro de 1922, rodeados pelos outros dois integrantes da Comissão de Inspeção de Obras do Nordeste, o ministro Ildefonso Simões Lopes e o ex-deputado Paulo de Moraes Barros (sobrinho do ex-Presidente Prudente de Moraes).

Fonte:




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VISITANDO DONA DULCE MENEZES A ÚLTIMA CANGACEIRA REMANESCENTE DO GRUPO DE LAMPIÃO


Por André Areias

Visitando Dona Dulce Menezes última remanescente do Grupo de Lampião! Aproveito para agradecer grande amiga Martha Menezes Marthinha pelo carinho e hospitalidade.



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