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domingo, 14 de fevereiro de 2021

QUARTEL CONSTRUÍDO EM FLORESTA DO NAVIO

 Por Verluce Ferraz

Um Quartel foi construído e criado no Município de Floresta do Navio; e grande contingente de soldados "Força Volante" foi deslocaUm Quartel foi construído e criado no Município de Floresta do Navio; e grande contingente de soldados "Força Volante" foi deslocado para combate ao Cangaceirismo Lampiônico (Séc. XX) - que estava dizimando os Sertanejos do Brasil. 

Conheça a História dos Nazarenos de Pernambuco, verdadeiros heróis brasileiros.do para combate ao Cangaceirismo Lampiônico (Séc. XX) - que estava dizimando os Sertanejos do Brasil. Conheça a História dos Nazarenos de Pernambuco, verdadeiros heróis brasileiros.


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sábado, 13 de fevereiro de 2021

EM BUSCA DO CANGAÇO PARTE 3

 Por Aderbal Nogueira

https://www.youtube.com/watch?v=XLIz-PsrY_o&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Em busca do cangaço - parte 3 Terceira e última parte do bate-papo entre os pesquisadores Ângelo Osmiro Barreto, Paulo Moura e Aderbal Nogueira, onde eles falam um pouco de como foram suas primeiras viagens de pesquisa em busca da história do cangaço. Link desse vídeo: https://youtu.be/XLIz-PsrY_o

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LIVROS DO CANGAÇO EM GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO !

Por Manoel Severo

O Especular Universo da Literatura do Cangaço; os livros que fizeram e fazem história trazendo uma das mais sensacionais sagas do povo nordestino. Os mais procurados, os mais lidos, os clássicos, os campeões de venda...os polêmicos, os indispensáveis; tudo isso nos GRANDES ENCONTROS CARIRI CANGAÇO desta próxima sexta-feira, dia 11 de dezembro às 20h no Canal do You Tube do Cariri Cangaço.

 

Manoel Severo Barbosa recebe o renomado livreiro do cangaço; Professor Pereira; Conselheiro Cariri Cangaço e o professor Adriano de Carvalho Duarte, para uma conversa que ficara na história. Até lá !!!

https://cariricangaco.blogspot.com/2020/12/livros-do-cangaco-em-grandes-encontros.html

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EM BUSCA DO CANGAÇO - PARTE 2

 Por Aderbal Nogueira

Segunda parte do bate-papo entre os pesquisadores Ângelo Osmiro Barreto, Paulo Moura e Aderbal Nogueira, onde eles falam um pouco de como foram suas primeiras viagens de pesquisa em busca da história do cangaço. Link desse vídeo: https://youtu.be/n4KZfWH8I8A

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MORAES MOREIRA

Por Conrado Matos

Moraes Moreira merece uma grande homenagem neste carnaval de 2021. Embora, não tendo folia, Moraes deve ser lembrado na mídia e em todos os cantos do Brasil.
Um Imortal do Carnaval
Poesia de Conrado Matos
Moraes Moreira ficará na nossa história
Imortal de todos os carnavais
Nunca esqueceremos na nossa memória
Deixará uma enorme lacuna
na Música Popular Brasileira,
no Carnaval baiano e na Literatura
"Pombo Correio" balançou o chão
Um hino do Carnaval, uma linda canção
Animou nossa gente e toda raça
Seu ritmo musical foi além da praça
Consagrou-se no carnaval em cima do Trio
Fazendo também sucesso no palco
Um cantor de valor e muito brio
Sucesso na Bahia e em todo Brasil
Um poeta, um grande cordelista
Um Novos Baianos, genial artista
Compositor, um bom instrumentista
Moraes Moreira você foi embora
Deixando saudade e muita glória.
Conrado Matos - Psicanalista, Poeta,
Filósofo, Escritor e Compositor.
WhatSapp: 71 99910-6845
Salvador, 13 de Abril de 2020
(Poema escrito a uma triste despedida
do Imortal Cantor Moraes Moreira,
que faleceu no final da madrugada
do dia 13.04.2020, vítima de infarto do miocárdio agudo). 

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DEFENSORES DO ATAQUE DE LAMPIÃO A VILA DE BELÉM DO ARROJADO, ATUAL UIRAÚNA - PARAÍBA. ANO DE 1927.

 Por Beto Rueda

Fonte foto:

GUEDES, Naldo. Lampião, imagens e história. Campina Grande: Guedes, 2015.

Veja a descrição do evento pelo grande pesquisador e escritor no blog Cariri Cangaço:

O Ataque de Lampião a Uiraúna - PB.

Por: Sérgio Dantas

Uma vitória da inteligência sobre a força.

Há meses Lampião sumira dos noticiários dos jornais. O ano de 1926 encerra-se sem grandes novidades sobre a horda do famoso cangaceiro de Vila Bela. Bem instalado e seguro no ‘coito’ da Serra do Diamante, do poderoso Coronel Isaías Arruda, Lampião sai da aparente inatividade apenas em fins de abril de 1927. Naquele fim de mês, o bandoleiro deixa o refúgio e pratica assaltos em pequenos vilarejos situados na região noroeste da Paraíba, entre os municípios de Cajazeiras e São José de Piranhas. São ataques rápidos, com vistas apenas ao saque. A proximidade desta parte da Paraíba com o valhacouto do ‘dono’ de Missão Velha facilita sobremaneira a ação do bando.

De fato, no dia 15 de maio daquele ano, liderando uma falange de cerca de trinta e cinco homens, Lampião se prepara para tomar de assalto a Vila de Belém do Arrojado - atual cidade paraibana de Uiraúna. Há dias que ‘olheiros’ residentes em sítios da fronteira já haviam sondado o vilarejo e o cangaceiro – decerto bem ciente das condições do lugar – crê que tem plena chance de sucesso na empreitada que pretende levar avante.

O Arruado de Belém situa-se junto à fronteira do Rio Grande do Norte até então inexpressivo. Ali não havia mais que cento e trinta casas e uma igreja singela. Comércio pobre ou quase inexistente. Também ali não está destacado sequer um contingente policial para manutenção da ordem ou para oferecimento de uma defesa – mesmo que acanhada – no caso de um eventual ataque de cangaceiros. A ‘ordem’ no povoado é garantida somente por um Subdelegado civil, o potiguar Nelson Leite. Apesar de reiteradas notícias sobre incursões de cangaceiros naquela parte da Paraíba nos últimos dias, o Governo do Estado parece ignorar os eventos propalados pelos jornais e pela boca do povo. Apesar de vários reclamos por parte de proeminentes de Belém, o Estado não enviara tropa regular para a localidade.

O início da tarde daquele dia 15 de maio, no entanto, o sertanejo Leonardo Pinheiro percebe a marcha de cangaceiros em direção a Belém. Sem demora, espora o cavalo e entra no povoado em sonoro alarde:

-“Vem cangaceiro por aí! Vem cangaceiro por aí! Parece que é Lampião e não está a mais que umas duas léguas!”

Enquanto a horda marcha em busca do vilarejo, Nelson Leite se apressa em organizar uma defesa. Sangue quente, cioso de suas obrigações, Leite parece disposto a sacrificar a própria vida na defesa da comunidade que lhe fora confiada.

Abandonados à própria sorte, os habitantes de Belém – incentivados por Nelson Leite - tratam de se armar e garantir a resistência do lugar. Civis são convocados e há mesmo os que comparecem voluntariamente para pegar em armas. Ao final do rápido recrutamento, chega-se à desanimadora soma de onze homens apenas. Um contingente ínfimo que tentará rechaçar um bando com cerca de trinta e cinco cangaceiros. Uma luta desigual – se considerarmos a proporção de três bandoleiros para cada defensor e a falta de experiência de guerrilha dos citadinos. Por volta das dezessete horas, finalmente, Lampião avizinha-se da Vila. O frágil agrupamento de casas lhe parece excessivamente frágil e torna-se ainda mais amiudado pela sombra da serra de Luís Gomes, não muito distante dali. “Um alvo fácil”, provavelmente terá pensado o poderoso cangaceiro. O desenrolar dos fatos, porém, lhe revelará um grave erro de prognóstico.

Em que pese a correria desenfreada que se seguiu ao alarma dado por Leonardo Pinheiro, os homens de Nelson Leite aprestam munição e armas. Tudo é feito com rapidez e disciplina. Ao mesmo tempo, mulheres, velhos e crianças – a seguir igualmente os apelos do Subdelegado – buscam refúgio na caatinga ou em sítios de familiares fincados nos arredores de Belém. Pequenos “tesouros” são previamente enterrados em lugares seguros. Potes de barro, caixas de papelão, latas de querosene: qualquer coisa serve como invólucro para as ‘economias’ adquiridas ao longo de anos de trabalho.

Em pouco tempo, os defensores se organizam e estão posicionados em lugares previamente definidos pelo Subdelegado. Dedos nervosos aguardam o desfecho do ataque. Uma testemunha registra os momentos iniciais do entrave:

“O delegado" Nelson Leite distribuiu uns homens nos pontos mais altos da rua principal, dois outros guarnecendo as laterais e três instalados no teto da Igreja. Quando Lampião entrou com o bando, pela ‘rua velha’, começou a fuzilaria”.

Nelson Leite, de fato, engendrara bom plano. Distribuíra os poucos rifles e fuzis disponíveis com os onze defensores. Repartiu com irrepreensível parcimônia a rala munição que tinha ao seu dispor. Os melhores atiradores foram destacados para pontos estratégicos. Na teto da igreja - prédio mais alto e com abrangente visão dos arredores - posicionaram-se Luís Rodrigues, Moisés Lauriano, José Teotônio e Joaquim Estevão. O tempo corre lento. Não há novidades. Até perto das oito horas nem sinal da sinistra patuléia de chapéu de couro. A espera alongada transforma as trincheiras em ninhos de ansiedade.

De súbito, Luís Rodrigues dá o alarma. Alguém se aproxima. O luar denuncia vultos sorrateiros. Homens armados aproximam-se do povoado pela ‘rua da Proa’. É o início da invasão. De pronto, grande incêndio ilumina a noite na pequena Belém. Grossas labaredas passam a consumir a casa de um agricultor e espalham-se rapidamente para um antigo curral e plantação de milho já há dias quebrado. O incêndio. Método infalível para incutir terror aos sitiados.

Josefa Augusta Fernandes, bem jovem à época do evento, anota a origem do fogaréu:

"Lampião começou destruindo a propriedade do finado João Gabriel, tendo em seguida tocado fogo nos currais e nas plantações de feijão e milho. O fogo serviu para alertar os homens da cidade, sendo que eles já estavam em posição nos principais pontos daqui”. (Maria do Socorro Fernandes, entrevista).

Não havia mais o que esperar. Ao primeiro grito de comando de Nelson Leite, trava-se pesado tiroteio. Lampião, decerto, não esperava semelhante reação. A fantástica fuzilaria oriunda da Vila lhe faz recuar. De efeito, os tiros vindos da rua da Proa tornam inviável uma entrada por aqueles lados.

Sem sucesso na primeira investida, o chefe de cangaço tenta confundir os defensores entrincheirados. Sob sua batuta, os bandoleiros passam a gritar, urrar como animais e a praguejar insultos e xingamentos aos defensores e suas famílias. A permear a gritaria, grossas baterias de tiros.

O rei do cangaço deseja tomar Belém. Tentará de todas as maneiras penetrar no vilarejo para vilipendiar suas casas e lhes extrair até o último ‘cobre’. Sem demora, ordena aos comandados a ‘abertura’ de uma linha de fogo pela lateral, com o fito de invadir a Vila pelo flanco oposto.

Nada, entretanto, parece gerar resultado prático. A posição privilegiada dos atiradores locados no telhado da igreja permite que tiros sejam disparados em todas as direções. A resistência agiganta-se com estrondos de repercussão fantástica e de curiosa origem. Nelson Leite improvisara – no pouco tempo que dispôs antes da consecução do ataque - algumas “ronqueiras” e logo começou a fazer uso dos artefatos. Os estrondos causados pelas bombas caseiras são assustadores e surpreendentemente surtem efeito. Um simples improviso que, ao que tudo faz crer, parece realmente ser a chave para uma vitória.

Em pouco, qualquer objeto metálico em formato cilíndrico - e vazado pelo menos em um dos lados - torna-se invólucro para manufatura dos pesados rojões. Joel Vieira, com dezoito anos à época do fato, registrou em depoimento:

"Os que estavam no alto da Igreja, começaram a atirar de ponto e também para dentro da igreja, causando um eco que parecia canhão. O Subdelegado também tinha improvisado umas ‘ronqueiras’, feitas com pólvora socada dentro de latas, e de quando em quando estourava uma. Já estava escuro, e aqueles tiros davam a impressão que havia um canhão com a gente”.

No alto da igreja, Luis Rodrigues - artilheiro mais aguerrido – resolve acrescentar estrondos adicionais aos estampidos das ‘ronqueiras’ improvisadas pelo Subdelegado. Dessa forma, com o intuito de causar impacto ainda maior, começa a atirar quase em paralelo à lateral da nave do prédio sagrado. Estrondos fantásticos, causados pelo eco do salão quase vazio, dão ainda mais ânimo aos outros defensores entrincheirados no teto da igreja. Decide-se que alguns deles, alternadamente, passarão a atirar também para dentro da nave.

A estratégia funciona. Os estrondos se multiplicam. De fato, para quem está do lado de fora, resta a impressão de que algum tipo de canhão está sendo utilizado. Os cangaceiros, atarantados, mantém posição de cautela e não avançam. O escuro da noite enevoada pela fumaça dos disparos os impedem de enxergar, na verdade, o tipo de “arma” adicional que ora se usa na defesa do arruado. O engodo paulatinamente funciona.

No calor da peleja, porém, passos apressados denunciam silhueta humana esgueirando-se próximo à igreja. A escuridão da noite não permite distingui-la com precisão. Da torre principal um defensor atira. O civil Antônio Correia é atingido. Confundiram-no com um cangaceiro. Correia morre pouco tempo depois em razão do profundo ferimento à altura do pulmão. É a única baixa durante o combate.

Os cangaceiros não desistem e tornam a investir contra o território inimigo por uma ruela lateral à igreja. Lampião brada ordens aos seus homens. Todos, contudo, parecem hesitar em razão dos estrondos que continuam a reverberar entre as casas da pequena Belém.

Do lado dos defensores, um voluntário prontifica-se para preparar novas ronqueiras, de forma ininterrupta, servindo-se como espécie de municiador.

Dominado pela ira, Lampião manda reacender o fogo que arde tênue na propriedade de João Gabriel. O vento rapidamente espalha as labaredas em espantosa velocidade. As chamas consomem vacas e bezerros cativos no cercado contíguo a casa. Urros de dor de animais engolidos pelas chamas desenham dantesco suplício. Poucos escapam ao bizarro holocausto.

A derradeira tentativa de conquista do povoado fracassa. Com pesar, os cangaceiros reconhecem que não conseguirão penetrar em Belém.

O desconhecimento dos pontos de defesa, o espocar das “ronqueiras”, o ribombar de tiros reverberados pelo salão da igreja, a configuração física da vila, o cansaço da longa marcha até ali. Tudo parece sugerir uma retirada. Lampião não demora em perceber o malogro da empreitada:

- Vamos sair para economizar munição! – grita furioso.

Ainda se ouvem tiros por mais um quarto de hora. Aos poucos os cangaceiros se retiram do campo de luta. Disparos tornam-se esparsos. Ao compasso da retirada, a fuzilaria regride até reinar o mais absoluto silêncio. Lampião e seus homens deixam Belém em definitivo. É ainda Joel Vieira quem destaca:

“Eles tentaram muito, mas não conseguiram entrar. Antes das sete horas da noite, já tinham ido embora. No dia seguinte, o festejo foi grande, pois todos pensavam que ia morrer muita gente, mas não. Apenas um rapaz morreu vítima de uma ‘bala doida’ e caiu ali perto da Igreja. Tirando o incêndio na propriedade de João Gabriel, o prejuízo aqui foi pouco. Com pouco recurso, a gente botou Lampião prá correr!”.

E Lampião, de fato, jamais voltou a Uiraúna. Nos dias seguintes, um telegrama é enviado para as principais cidades do sertão do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Anunciava-se a vitória de um povo contra o poderoso rei do cangaço. O Intendente local assinou o comunicado:

“Fomos atacados dia 15 famigerado Lampião. Resistimos cerrado fogo, bandoleiros recuaram. Vítima tiroteio Antônio”. (a) José Caboclo.

É a vitória inconteste de um sumário grupo de cidadãos contra quase quarenta cangaceiros. Uma vitória nascida da confiança de homens do povo; sertanejos comuns. Não houve – como aconteceu em Mossoró – um grande lapso de tempo para a preparação de uma defesa. Não houve reuniões; não se teve tempo para comprar armas modernas. Não havia sequer uma torre na igrejinha da cidade. Existia, apenas, a vontade de preservar os próprios lares.

Uiraúna se defendeu heroicamente, a exemplo da resistência mostrada pela pequena Nazaré, em Pernambuco, quatro anos antes. Uiraúna impediu a entrada dos cangaceiros de Lampião como faria a população sergipana de Capela, liderada pelo destemido Mano Rocha, três anos mais tarde.

A vitória do povo de Uiraúna foi obtida sem recursos, sem alarde e sem exploração midiática posterior. Vitória conseguida sem um ‘notável planejamento prévio’ e sem colóquios barulhentos. Vitória de um pequeno grupo de homens pegos de surpresa pelo maioral do cangaço. Vitória, porém, recheada de atos do mais real e verdadeiro heroísmo. Vitória, enfim, da inteligência sobre a força.

Sérgio Augusto S. Dantas é autor dos livros “Lampião no Rio Grande do Norte – A História da Grande Jornada” (2005), “Antônio Silvino – O Cangaceiro, o Homem, o Mito” (2006) e “Lampião: Entre a Espada e a Lei” (2008).

NOTA:

(1) s.f. – Ronqueira: “Cano de ferro, preso a uma tora de madeira e cheio de pólvora, o qual produz grande detonação quando se lhe inflama a escorva”. (Aurélio). As ronqueiras já haviam sido largamente usadas em revoltas populares, como na guerra de Canudos. N do A.

FONTES UTILIZADAS:

A União, edições de 17 e 18 de maio de 1927.

DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. LAMPIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE – A HISTÓRIA DA GRANDE JORNADA. Editora Cartgraf, Natal/RN. 2005. 452 pgs.

SOUZA, Tânia Maria de. UIRAÚNA NO ROTEIRO DE LAMPIÃO, in Revista Polígono, 1997, 158 pgs.

Entrevistas concedidas ao autor por Maria do Socorro Fernandes (2003), Joel Vieira da Silva (2001), Josefa Augusta Fernandes (2000) e Sinforoza Claudina de Galiza (2000).

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ARIBALDO: “AMIGO É COISA PRA SE GUADAR DO LADO ESQUERDO DO PEITO, DENTRO DO CORAÇÃO...”.

 Por Rangel Alves da Costa


“Mas quem cantava chorou, ao ver seu amigo partir...”. Ainda tomado de perplexidade pela notícia chegada nesta manhã de sábado e, por isso mesmo, juro que as palavras de despedida ao amigo e professor José Aribaldo Campos Lima, o querido Ari, ou ainda Badinho para muitos, chegam lavadas de sofrimento e de terrível aflição. Sua inteligência, sua bondade, e principalmente seu espiritualismo e sua espiritualidade sempre aflorada em justificadas crenças superiores, já me levaram a escrever nestas páginas alguns textos sobre sua pessoa, sobre o seu jeito de sentir, de viver e pensar o sentido da vida e da morte. Mas eis que agora a morte lhe chega pelas mãos da perversidade, da covardia, da maldade humana. Aribaldo era amigo e um verdadeiro irmão. Sua sabedoria estava sempre presente não apenas no ato de ser um exímio educador, mas na sua visão de mundo e de realidade, sendo um mestre nos diálogos sobre o espiritismo e nas explicações do tempo presente perante o destino imposto a cada um. 

Estava terminando um livro onde a vida e a morte se cruzavam de braços dados, entrelaçados que são pelo amor terreno e no além. Escrevia textos e me enviava para as primeiras considerações. Não havia um só momento que eu o encontrasse pelas ruas de Poço Redondo, mas principalmente nos arredores da casa familiar, que não viesse logo para o abraço, o sorriso, o costumeiro diálogo. Verdadeiro, franco, fiel, sem temer críticas ou adversidades, foi conduzindo sua existência como um ser colocado entre nós para dignificar o mundo. Mas agora as mãos da maldade ceifaram covardemente sua vida. A vida, no seu sopro de existência, de nós se despede, mas a presença de seu amor, de sua sabedoria, de sua amizade e de sua verdade, em nós continuará para a eternidade. Triste, muito triste, aqui indagando mil coisas e sem encontrar nenhuma que possa acalantar a angústia, apenas digo, como se diante de Aribaldo estivesse. Obrigado por ter existido ao nosso lado, obrigado pelo frondoso jardim que deixou semeado entre seus amigos e familiares de Poço Redondo e sertões sergipanos e alagoanos. Vai a Deus, Aribaldo. Adeus, amigo Aribaldo!

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O CRIRI CANGAÇO SERÁ EM NAZARÉ DO PICO

 Por Verluce Ferraz

Nós somos de Nazaré do Pico - Floresta do Navio - Terra de combatentes do cangaceirismo lampiônico nos Sertões do Nordeste do Brasil.

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EM BUSCA DO CANGAÇO - PARTE 1

 Por Aderbal Nogueira

Primeira parte do bate-papo entre os pesquisadores Ângelo Osmiro Barreto, Paulo Moura e Aderbal Nogueira, onde eles falam um pouco de como foram suas primeiras viagens de pesquisa em busca da história do cangaço. Link desse vídeo:

https://youtu.be/Ut4QZnTyo48

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CHAPÉU DE CANGACEIRO

 Por Volta Seca

BARBICACHO, CARAPUÇA, BICA, TESTEIRA, ..Vc sabe o que é ?

São algumas partes do chapéu cangaceiro. Confira abaixo.

Fonte: Foto pescada no Google.

https://www.facebook.com/voltaseca.volta/posts/1575979329270702?comment_id=1575984195936882&notif_id=1613168014860974&notif_t=close_friend_comment&ref=notif

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

TRÊS LIVROS DO ESCRITOR JOSÉ BEZERRA LIMA IRMÃO.

 


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FENÔMENO SERTANEJO

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de fevereiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.469

Durante e após vários dias seguidos de altíssima temperatura nesse verão de janeiro e fevereiro, o nosso Sertão alagoano aguardava até com ansiedade, uma trovoada daquelas que arrancam braúnas pela cepa. Mas nem tudo é como se quer que seja e a Natureza, tão agredida pelo homem, vez em quando surpreende os terráqueos nas diversas regiões do Planeta. Ontem mesmo, dia 11 de fevereiro, o clima do Sertão desconcertou seus habitantes.  O amanhecer trouxe um céu completamente cor de marfim, frieza mansa e uma garoa a que chamamos aqui de sereninho.  Pois foi esse sereninho e essa inexplicável mudança de tempo que deixaram nosso “verãozão” com cara de inverno normal do mês de junho. Pense o amigo na alegria do nosso habitat.

Sertão alagoano (foto C. B. Chagas)

O pouco d’água, pelo menos ajudou em alguma coisa. Diz o ditado da nossa região: “O pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada. Se o sereninho não deu para encher barreiros e açudes, melhorou significativamente a temperatura, o ânimo sertanejo, temperou a pastagem seca umedecendo o pasto para o criatório, o boi, o cavalo, o bode... O carneiro, com suas respectivas namoradas: vaca, égua, cabra e ovelha que espanaram água do capim nos seus dedicados vaqueiros. Alegria nos campos, júbilo nas cidades, “coceiras” nos bolsos. Será que teremos um inverno precoce? Não será o fenômeno do dia 11 apenas um capricho da Natura? Os idiotas do mundo mexeram tanto negativamente no meio ambiente que as surpresas do Alto ganham filas em todos os recantos do mundo.

A moça do tempo anunciou na TV chuvas em todas as regiões do País. Seria a continuação da prévia do nosso sereninho?! Vamos tocar a realidade e comparecer à Feirinha da Agricultura Familiar no Bairro Monumento onde estarão se apresentando os Profetas das Chuvas.

Quem mora no Sertão, não é agricultor e nem pecuarista, não deixa, entretanto, de namorar constantemente o tempo. Procura dinheiro nos raios do Sol, na face da Lua, procurando a negação do repentista:

“Cala-te com teu Sertão

Sertão é monturo

A água do teu Sertão

É mijo de bode, puro”.

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LAMPIÃO, NÃO!

 Por José Mendes Pereira

Algumas pessoas têm esta foto como sendo o capitão Lampião, mas não é. Deve ser algum estudioso assim como eu ou você, que tirou foto como se fosse o rei Lampião. 

Mas isso não quer dizer que seja um erro grave. De forma alguma, porque quem tem memorizado as fotos do capitão, ver logo que este não se refere ao bandoleiro das caatingas, e sim, apenas alguém que quis aparecer como um cangaceiro, e o mais interessante, seria com as vestes do capitão Lampião

Observe que o homem vestido como se fosse Lampião não tem o olho cego.

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JOÃO FERREIRA DOS SANTOS ERA IRMÃO DE VIRGOLINO FERREIRA DA SILVA O FAMOSO CAPITÃO LAMPIÃO.

 Por José Mendes Pereira

Foto do acervo do Erick Bap.

O único irmão do velho guerreiro e sanguinário capitão Lampião que não entrou para o cangaço, mas por duas ou mais vezes ele tentou para que Lampião o admitisse na sua “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia!

Lampião disse-lhe que não e fosse cuidar das suas irmãs. Deixou para ele a tarefa de cuidar da família, e por fim, cuidou também da filha de Lampião e Maria Bonita que é Expedita Ferreira Nunes.

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ELA MESMA EM PARIS. SERÁ QUE EXISTEM 2 OU 3 GATOS PINGADOS EM MOSSORÓ QUE SAIBAM A HISTÓRIA DESSA EXTRAORDINARIA MULHER?

 Por Júnior Maia

O escritor e pesquisador do cangaço Honorio de Medeiros disse: 

- Parecia com a condessa Lali Carneiro.

- Certeza, Honório de Medeiros! - Respondeu Junior Maia. Existe alguma rua aqui em Mossoró com o nome dela? Nasceu nos paredões. Foi presa no 16 RI na Hermes. Fugiu, escondendo-se dentro de um cargueiro da FAB. Conseguiu chegar à Paris. Perambulou entre ruas. Caiu nas graças do conde (não sei como), aí teve a vida mudada, e mudou a vida de muita gente. Reconhecida mundialmente como grande expressão da pesquisa cientifica Médica.

É completamente desconhecida na cidade onde nasceu.

https://www.facebook.com/

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TIVE A GRATA SATISFAÇÃO DE PRODUZIR A CAPA E PREFACIAR ESSA SENSACIONAL OBRA...

Por Geraldo Júnior

... escrita pelo nosso amigo Poeta Guilherme Machado pesquisador/Historiador e que tem como assunto principal as biografias de alguns dos homens de confiança do rei dos cangaceiros, além de outros assuntos.

Um livro que deve estar presente no acervo de quem estuda e se interessa pelo estudo do fenômeno cangaço.

Para adquirir basta entrar em contato com o Poeta Guilherme Machado através do WhatsApp ( 71) 9 9248 - 4502.

Custa apenas R$ 50,00 com frete já incluído.

Adquira o seu antes que acabe.

Recomendo.

Geraldo Antônio de Souza Júnior.

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TELEGRAMA DO PREFEITO DE JOAZEIRO AO SECRETÁRIO DA JUSTIÇA DA PARAYBA.

http://brasilianafotografica.bn.br/?tag=padre-cicero

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O PADRE CÍCERO E A FUNDAÇÃO DA ARTE DA RELOJOARIA EM JUAZEIRO DO NORTE

 Por Roberto Júnior

Padre Cícero e mestre Pelúsio

Clique no link abaixo:

https://cariridasantigas.com.br/o-padre-cicero-e-a-fundacao-da-arte-da-relojoaria-em-juazeiro-do-norte/?fbclid=IwAR0v_pgc0uhPrlJhwCiU8uGgDbxs5FIqX1JLo0fk9Pt1UpBvZjXOVEhCAQo

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INICIANDO OS PASSOS PARA A SEGUNDA EDIÇÃO

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LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS

 Por Antônio Corrêa Sobrinho

EM julho de 2014, publiquei no hoje extinto O CANGAÇO, do meu amigo Geraldo Junior, grupo bem sucedido pelo CANGAÇOLOGIA, o seguinte comentário sobre o livro então recém-lançado, de José Bezerra Irmão Lima: LAMPIÃO - A RAPOSA DAS CAATINGAS, opinião que aqui renovo, com algumas alterações no modo de expressar-me, como forma de, novamente, cumprimentar o autor, pelo sucesso do livro e por ter sido, na minha opinião, o trabalho que mais notável, sobre cangaço, dos publicados nos últimos seis anos.

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LAMPIÃO - A RAPOSA DAS CAATINGAS

Confesso que ao me deparar, nesta manhã de julho, na sala de leitura da Livraria Scariz, em Aracaju, com o livro LAMPIÃO – A RAPOSA DAS CAATINGAS, do sergipano-baiano José Bezerra Lima Irmão, das terras agrestes de Frei Paulo, do meu amado Sergipe, esperei defrontar-me com mais um livro sobre Lampião. Confesso, até pelo tamanho do livro, porque já saturado de tanta coisa vã em invólucros grandes e atraentes que a atualidade tem produzido, que, ao abrir suas páginas, veria um amontoado de informações por demais ditas sobre o Cangaço; pior, imaginei um replicar tipo Ctrl C + Ctrl V, encharcado de imagens de personagens e lugares, também já amplamente divulgados. Realmente, desconfiei tratar-se de mais um desses trabalhos produzidos para os mais variados fins, menos o de traduzir o passado de forma honesta e científica.

Para minha surpresa, e contentamento, depois de umas duas horas de leitura e ter folheado inúmeras de suas páginas, constatei tratar-se de uma obra séria, LAMPIÃO – A RAPOSA DAS CAATINGAS, e não um mero apanhado de ditos e opiniões sobre Lampião, mas um verdadeiro compêndio sobre o cangaço lampiônico. Uma obra bem organizada, fundamentada nos principais autores e que se apresenta rica em diversas de suas partes, e inédita noutras, tudo transmitido de forma didática, escorreita, sem preciosismos, de forma clara e objetiva; ilustrado sob medida, com croquis, visando melhor situar o leitor, além de, na parte final, nos ofertar com um presente: genealogias de personagens do Cangaço.

É um "Lampião", este o de José Bezerra Lima, contextualizado e circunstanciado, portanto, menos extremo, menos imaginário, humano, o que nos coloca mais próximo dele.

Vi, por fim, em Bezerra Lima, seriedade, humildade e respeito aos que protagonizaram o Cangaço, consideração que estende aos que de alguma forma fazem parte integrante ou se sentem inseridos na história do Cangaço, cuja maior expressão encontra-se na indelével figura de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

Cumpre-me recomendar a sua leitura e, de novo, parabenizar o seu autor.

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O VELHO QUE PERDEU O VICIO TEXTO DE LEONARDO MOTA

 Leonardo Mota

Zabelê disse certa vez:

– A coisa mais engraçada que eu tive de assistir passou-se numa fazenda do município de Princesa, na Paraíba. O velho dono da casa tremia que era ver vara verde. Lampião o botou debaixo de confissão, riscando-lhe o punhal nas costelas e ele acabou descobrindo o rumo da volante do Tenente Mané Binisso. Virgolino queria dar no velho uma surra de relho, mas, era tanto choro de muié e menino, que o jeito foi se perdoar. Mais com pouca, Lampião tirou do bolso um maço de cigarros e ofereceu:

– Pita?

O velho ficou calado, fez que não tivesse ouvido. Lampião tornou a perguntar, desta vez gritando no pé do ouvido dele:

– Pita?

Aí, todo tremendo, o velho disse:

– Pito. Mas, Vamincê querendo, eu largo o viço…

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ABC DE LUCAS DA FEIRA

Do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

“Passado mais de um século e meio da execução desse salteador baiano, resta dela os 104 versos das 26 estrofes com o título de “ABC de Lucas da Feira”, composição atribuída ao oficial de justiça da mesma Feira de Santana, Souza Velho, que escreveu este trabalho, em 1849, por ocasião do enforcamento do dito celerado:

Adeus, Saco do Limão,

Lugar aonde eu nasci,

Eu vou preso para baixo,

Levo saudades de ti.

Bem me diziam meus sócios

Que eu mudasse de condição,

Que Cazumbá por dinheiro,

Fazia a pintura do cão.

Cuidava que esta vida

Nunca havia de ter fim;

Porque contava na Feira

Muitos amigos por mim.

Desenganado fiquei

Quando me vi prisioneiro,

Só com a minha prisão

Ganharam tanto dinheiro.

Entusiasmado carreguei,

Muitas pompas e grandeza,

Pois em meu rancho eu tinha

Botes de rapé Princesa.

Fui preso para a Bahia,

Fizeram grande função,

Mas eu desci a cavalo

E os guardas de pés no chão.

Gostaram de eu estar preso

Com tanta rigorosidade,

Eu vou para a Bahia

Dos sócios levo saudade.

Homens pobres não roubei,

Que não tinham o que roubar,

Mas os ricos de carteiras

Nenhum deixei escapar.

Integra-te, negro Lucas,

Que hoje chegou teu dia,

Assegura tuas armas,

Que [que é] de tua valentia?

Já estou entregue, gente,

Me mostrem o delegado,

Na mão direita a cravina,

Na esquerda o meu terçado.

Kalumbi e Sobradinho,

Tapera e São João

Aonde eu tinha meu rancho

Lá me fizeram a traição.

Lá na Oliveira tinha

Manoel Nunes confiado [atrevido],

Um dia preguei-lhe o berço

Em um pau bem apregado.

Mulata de bom cabelo,

Cabrinhas de boa cor,

Crioulinhas por debique,

Brancas não me escapou.

Não digo quem são meus sócios,

Não me convém dizer,

Que eu por me ver perdido

Não deito os mais a perder.

“O” é letra redonda

Toda aquela redondeza

Me chamava capitão,

Sou capitão com grandeza.

Perdão, perdão, minha gente,

A todos por caridade,

A injustiça que fiz

Nesta pequena cidade.

Queriam saber com certeza

Quem era meu grande amigo;

Se almoçava, jantava e ceava

Era somente comigo.

Roubava também muita gente,

À fiúza do Luquinha,

Quem não rouba dinheiro,

Rouba carne e farinha.

Saltando eu, na Bahia

Vi muita gente faceira,

Brancos e pretos chamavam:

Venham ver Lucas da Feira.

Tapera e Santo Amaro,

Muritiba e Cachoeira,

Corriam todos pra ver

O grande Lucas da Feira.

Unicamente o presidente e chefe

Vieram com muita alegria;

Vieram me apertar a mão,

Quando cheguei na Bahia.

Vigário José Tavares,

Com o qual me confessei,

Só o pecado que eu disse

Foi o da moça que eu matei.

Choro hoje arrependido

Por conselho não tomar,

Já me cortaram o braço

Inda querem me enforcar.

Pisilon é letra do fim,

Comecei e vou findar,

A forca é pena última

Queiram, gente, perdoar.

Zombem velhos, zombem moços

Zombem também os meninos

Que hoje chegou o meu dia

Vou cumprir meu destino.

Letras vogais são cinco,

Que são a, e, i, o, u,

Adeus, Caldeirão de Lucas,

Adeus, Tanque do Urubu.”

Fonte: “A Pena de Morte em Sergipe”, de Pedrinho dos Santos, historiador.

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