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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

O Fogo do Coité

 PorGeziel Moura 

Igreja do Coité e Padre Lacerda

A história do cangaço é muito fascinante, e nem sempre cangaceiros, volantes e civis, que foram às armas. Em janeiro de 1922, quem pegou nelas foi o representante da igreja, o Padre Lacerda. Esse acontecimento se deu, na época que Lampião e seus irmãos, eram simples cabras de Sinhô Pereira, e atuavam na região do Cariri Cearense, a história é mais ou menos assim:
Após a morte do Coronel Domingos Leite Furtado, poderoso chefe político em Milagres (CE), no ano de 1918, o seu braço armado, o Major José Inácio de Sousa, fazendeiro abastado no município do Barro (CE), conhecido como Zé Inácio do Barro, passou a assediar a família do falecido, reclamando que o Coronel Domingos Furtado devia certa quantia a ele, por serviços prestados, o que produziu inimizades entre as família Furtado e Zé Inácio do Barro.
Major Zé Inácio do Barro
Antonio Vilela, Sousa Neto, Dr Leandro Cardoso, Jorge Remígio, Manoel Severo e Ivanildo Silveira na visita do Cariri Cangaço a 
Fazenda Nazaré do cel. Domingos Leite Furtado

Cabe, neste momento, uma explicação: Zé Inácio era conhecido protetor de cangaceiros, assim como outros coronéis no Cariri cearense, inclusive, Sinhô Pereira e seu bando, estavam na folha de pagamento daquele Major, tendo, ainda, seu filho, Tiburtino Inácio de Souza, vulgo Gavião, no bando de Pereira, isto denuncia, que nem sempre a constituição de um cangaceiro, era por conta da pobreza.
Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena nos conta, em sua obra "Lampião e o Estado Maior do Cangaço", que o Sítio Nazaré, da viúva do Coronel, D. Praxedes de Lacerda foi assaltado, em Janeiro de 1919, por grupo de cangaceiros, comandado por Gavião, filho do Major Zé Inácio do Barro.
Assim, após ser denunciado como mandante do assalto, Zé Inácio, não esconde o feito, mas diz que aquele dinheiro era dele, por anos de serviços prestados ao Coronel Domingos Furtado, e ainda o chamou de ladrão, pronto estava aberta a questão entre as famílias, principalmente na figura do Padre José Furtado de Lacerda, ou simplesmente, o Padre Lacerda, pároco da Vila de Coité, pertencente ao município de Mauriti (CE).


 Caravana Cariri Cangaço e a visita ao Coité de Padre Lacerda em Setembro de 2013
Manoel Severo, Sousa Neto, Antônio Amaury e Dr Leandro em conferência sobre o Fogo do Coité na própria igreja local
Luitgarde Barros, Daniel Apolinário e Dr Lamartine Lima na 
Conferencia do Cariri Cangaço no Coité
Insultos vão, insultos veem, entre o Padre Lacerda e o Major Inácio do Barro e o certo é que no dia 20 de janeiro de 1922, a pequena Coité é invadida pelo grupo de Sinhô Pereira, à frente com setenta cangaceiros. Entretanto, o Padre Lacerda, não usava somente a Bíblia e terços em seus ofícios, era possuidor de rifle e um bom contingente de homens, bem armados e municiados.
Segundo, o escritor Sousa Neto, que biografou o major Zé Inácio do Barro a resistência vinha da casa do Padre Lacerda, e sustentou o fogo por seis horas, forçando uma retirada dos cangaceiro, ao chegar soldados da policia de Mauriti e Milagres.
Ainda, segundo aquele autor, o bando de Sinhô Pereira fora atacado no dia seguinte, na Fazenda Queimadas, por aquelas volantes, sendo necessário dividir o grupo em três, um grupo com Lampião, outro com Baliza e o resto com o chefe Sinhô Pereira, desta forma conseguiram furar o cerco, e seguir para o coito, no Barro. O saldo do Fogo do Coité, foram três homens do Major, e diversos cangaceiros feridos, inclusive Antônio Ferreira. Padre Lacerda não era fácil.
Geziel Moura , Pesquisador
24 de novembro de 2017
https://cariricangaco.blogspot.com/2017/
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UM TESOURO DE AVIÕES HISTÓRICOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ESCONDIDOS EM UMA FAZENDA

 

Por mais de 60 anos, uma verdadeira “Caverna de Aladim” de aviões históricos da época da Segunda Guerra Mundial, incluindo um dos 30 aviões de combate Mosquito restantes no mundo, permaneceu praticamente fora da vista de todos, em uma propriedade rural próxima a cidade neozelandesa de Nelson.

Mas agora esses raros aviões estão sendo restaurados no Omaka Aviation Heritage Centre (OAHC) para serem exibidos, ou voar novamente. Este é um museu localizado próximo ao campo de pouso do Aeroclube de Omaka, a cinco quilômetros do centro da cidade de Blenheim, região de Marlborough, na ilha sul da Nova Zelândia. Um dos principais colaboradores dessa instituição é o diretor de cinema neozelandês Sir Peter Jackson, ganhador do prêmio Oscar em 2004, que ficou mundialmente conhecido por dirigir a trilogia épica O Senhor dos Anéis.

Mas Quem Guardou Esses Aviões?

Esses aviões pertenceram ao fazendeiro John R. Smith, que viveu na pequena localidade de Mapua, a oeste da cidade de Nelson, na costa da Baía de Tasmânia, onde iniciou sua coleção particular de aeronaves ainda jovem, na década de 1950.

Rob Smith, sobrinho do recluso colecionador de aeronaves histórico John Smith, abre o galpão onde seu tio acumulou um tesouro de aviões, incluindo um raro avião de combate Mosquito da Segunda Guerra Mundial – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

John dedicou uma vida inteira a caçar e salvar antigas aeronaves na Nova Zelândia. Além do Mosquito a sua coleção incluiu um P-51D Mustang, um biplano Tiger Moth, dois caças Curtiss P40 Kittyhawk, fuselagens de jatos de combate Vampire, além de uma grande quantidade de peças.

Sua própria família não tem muita certeza sobre o que motivou essa sua paixão. Mas segundo George Smith, com 89 anos e irmão de John, antes de emigrar para a Nova Zelândia a sua família viveu perto de uma base aérea chamada Finningley, que pertencia a RAF – Royal Air Force (Real Força Aérea). Essa base ficava nas imediações da cidade de Doncaster, no sul da região de Yorkshire, Grã-Bretanha, e os Smiths viveram naquele lugar em pleno período da Segunda Guerra Mundial.

George Smith, 88, com o caça P-51D Mustang da coleção de seu irmão que está sendo vendido– Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

É provável que essa situação, associado ao simples desejo de resgatar pedaços da história da aviação do ferro-velho, tenham motivado John a adquirir essas velhas aeronaves junto a RNZAF – Royal New Zealand Air Force (Força Aera Real da Nova Zelândia).  

Ao longo das décadas seguintes essas aeronaves ficaram protegidas em um grande galpão de ferro corrugado. Não demorou para que colecionadores, entusiastas e historiadores de aviação da Nova Zelândia e do exterior realizassem várias peregrinações a Mapua para ver os aviões cada vez mais raros. Mas John Smith permaneceu um personagem recluso e arredio, deixando potenciais compradores desapontados.

George Smith, 88, compartilha memórias de seu falecido irmão John e sua coleção da Segunda Guerra Mundial e outras aeronaves históricas – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

Quando ele morreu em agosto de 2020, aos 84 anos, ele deixou seu tesouro no grande galpão e um enorme trabalho para sua família resolver. Os Smiths, hoje liderados por George e seu filho Rob, tinham que tomar uma decisão.

Entrar no galpão dessa propriedade rural era o mesmo que entrar em uma espécie de cemitério de aviões totalmente indisciplinado. Em frente a uma modesta casa de madeira encontravam-se as carcaças de metal do motor – chamadas nacelas – do caça-bombardeiro Mosquito. Perto dali asas do jato de combate Vampire repousavam na grama alta, em outro canto peças dos P-40 e do Mustang.

O galpão está cheio de peças de uma grande variedade de aeronaves antigas – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

Rob Smith disse que quando eles começaram a lidar com o enorme trabalho de seleção, era difícil até mesmo entrar no galpão por causa do grande número de peças, desde fuselagens e asas, até caixas cheias de componentes de motores.

“Estimamos que levasse cerca de três anos para arrumar e limpar tudo”.

O Mosquito

O item mais importante que havia no galpão era um avião de combate bimotor, multifuncional, modelo Mosquito, que foi utilizado pela RAF e outras forças aliadas na Segunda Guerra Mundial. 

Um dos poucos aviões do tipo Mosquito em condições de voo – Fonte – https://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki

Esses versáteis caças-bombardeiros eram incomuns, porque suas estruturas eram feitas principalmente de madeira, o que os tornavam relativamente rápidos para construir e principalmente voar. Em 1942 os Mosquitos foram considerados as aeronaves operacionais mais rápidas no conflito, tornando-se uma verdadeira lenda da Segunda Guerra e 7.781 modelos foram construídos.

Especificamente sobre esse avião sabemos que ele deixou a fábrica em 19 de novembro de 1945, sendo um modelo Mosquito FB MK. VI FB e não lutou na Segunda Guerra. Na RNZAF serviu até 22 de abril 1952, como parte do No. 75 Squadron (Esquadrão Nº 75), na Base Aérea Ohakea, localizada na ilha do norte da Nova Zelândia. Foi então armazenado na Base Aérea de Woodbourne e em 30 de junho de 1955 o fazendeiro John Smith comprou o bombardeiro excedente em um leilão. O interessante é que esse Mosquito voou pela RNZAF apenas 80 horas e 35 minutos.

John Smith coletou aviões e peças de toda a Nova Zelândia, muitas vezes rebocando-os de volta para Mapua, perto de Nelson – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

Depois de desmontar as asas do Mosquito, Smith o rebocou para Mapua na parte de trás de um trailer. A Força Aérea havia removido as armas e itens da cabine, mas ele conseguiu encontrar peças de reposição autênticas, incluindo uma mira de bomba e um rádio.

Durante os anos vindouros, segundo George Smith, de vez em quando seu irmão colocava os enormes motores Rolls Royce Merlin para funcionar, gerando um som ensurdecedor que podia ser ouvido na comunidade de Mapua, a vários quilômetros de distância.

O Mosquito de Woodbourne na década de 1950, onde John Smith o comprou, desmontou suas asas e o levou de volta para Nelson – Fonte – https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

O trabalho de preparação do Mosquito para seu novo destino em Omaka começou com a delicada e especializada tarefa de desmontá-lo. Que no final das contas será uma espécie de volta ao lar, pois o local de armazenamento dessa aeronave fica a poucos quilômetros de Blenheim e não muito distante de Omaka.

No museu o Mosquito será exibido ao lado de outros aviões que pertenceram a John Smith. Um deles é um modelo Tiger Moth e um dos Kittyhawks, este último apelidado de Gloria Lyons.

Homenagens

Curtiss Kittyhawk, batizado como “Gloria Lyons”, diante do sol, pela primeira vez em muitos anos. Ainda resplandecente em sua camuflagem da Segunda Guerra Mundial, esse avião foi enviado para o Omaka Aviation Heritage Center para fins de conservação. (imagem de Graham Orphan via Omaka Aviation Heritage Centre) – Fonte – https://warbirdsnews.com/aviation-museum-news/omaka-aviation-heritage-center-receives-rare-warbirds-for-display.html

Graham Orphan, membro do conselho do OAHC, prestou homenagem à visão de John Smith de preservar esses aviões históricos e aos esforços de sua família para honrar seu legado. Ele disse que visitar a coleção de John Smith era um privilégio e um teste.

“John era apenas cauteloso. Mas se você falasse por muito tempo e ele percebesse que você era um entusiasta genuíno, ele o receberia de braços abertos. Todos nós queríamos que ele vivesse para sempre, porque enquanto John estivesse vivo, os tesouros da Caverna de Aladim da Segunda Guerra Mundial permaneceriam assim.”

No entanto, Orphan ficou maravilhado com o fato do público futuramente ter a chance de ver esse bimotor Mosquito restaurado em Omaka, além de outros aviões que pertenceram a Smith.

Mas um avião que pertenceu a John já está em exibição nessa instituição há algum tempo. Quando ainda era vivo, John presenteou um piloto de helicópteros da região com um bimotor de fabricação americana Lockheed Hudson. Por razões que desconheço esse piloto não reformou esse avião e acabou entregando-o para o OAHC. Por sua vez o museu criou com essa aeronave um belo cenário para seu acervo, representando um avião perdido no meio da selva tropical.

Já o destino da aeronave P-51D Mustang, que ficava no galpão sob a asa do Mosquito, ainda não foi decidido. Ao contrário do bimotor que vai para o museu, que precisaria ser totalmente reconstruído para voar novamente, esse Mustang poderia se tornar aeronavegável, embora a um alto custo, pois as asas foram cortadas e teriam que ser reconstruídas.

O Mosquito dentro do galpão em Mapua, Nova Zelândia, com uma miríade de outros materiais relacionadas à aviação. Logo atrás da fuselagem do Mosquito é possível ver o P-51D Mustang. essa aeronave é um candidato a restauração em condições de aeronavegabilidade e foi colocado à venda – esperançosamente para alguém na Nova Zelândia. (imagem de Graham Orphan via Omaka Aviation Heritage Centre) – Fonte – https://warbirdsnews.com/aviation-museum-news/omaka-aviation-heritage-center-receives-rare-warbirds-for-display.html

Mesmo desmontado, esse avião foi avaliado em cerca de um milhão de dólares. Rob Smith disse que houve interesse por esse avião vindo de potenciais compradores da Nova Zelândia e de outros lugares. Mas a família gostaria que ele permanecesse no seu país, preferencialmente na ilha sul.

Brian Weir, um entusiasta da aviação de Nelson que conhecia John Smith, disse que estava tentando levantar dinheiro suficiente para manter esse avião na região. Essa aeronave foi um dos trinta Mustangs recebidos pela RNZAF em 1945, com a maioria sendo retirada de serviço em 1955 e vendida como sucata em 1958. Weir disse que manter o Mustang na Nova Zelândia seria uma homenagem ao legado de John Smith.

Página principal na internet do Omaka Aviation Heritage Centre (OAHC). Vale a pena a visita – Fonte – https://www.omaka.org.nz/

Realmente o fato de John Smith ser uma criança que vivia na Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial e sua família morar próximo a uma base aérea, poderia facilmente explicar essa sua louca paixão por essas aeronaves. Mas acredito que muito disso se deve também a memória extremante ativa da intensa participação da Nova Zelândia e seu povo na Segunda Guerra Mundial.  

A Nova Zelândia entrou nesse conflito no dia 3 de setembro de 1939, no mesmo dia que a Grã-Bretanha declarou guerra a Alemanha Nazista. Para a maioria do povo dessa nação, a associação com a Grã-Bretanha em uma época de crise era natural e necessária. Como um firme oponente do apaziguamento, a Nova Zelândia há muito defendia uma posição forte contra as ditaduras fascistas.

Um Mosquito sobrevivente em manutenção – Fonte http://www.aeronews.com

Apesar de possuir em 1940 uma população com apenas 1.600.000 habitantes, cerca de 194.000 homens – 67% daqueles com idades entre 18 e 45 anos – e 10.000 mulheres serviram nas forças armadas. Esse país dedicou uma proporção muito alta de seus recursos ao esforço de guerra: cerca de 30% da renda nacional geral foi utilizada nesse objetivo, com a cifra aumentando para 50% durante os anos críticos de 1942-44. O saldo negativo foi que 11.928 neozelandeses foram mortos.

As duas grandes ilhas que compõem a Nova Zelândia não foram atingidas diretamente durante a guerra, mas os neozelandeses estiveram envolvidos em combates em terra, mar e ar, sendo estes travados globalmente. Desde o Egito a Itália, passando pela Grécia e chegando ao Japão e ao Oceano Pacífico. Consta que a natureza da Segunda Guerra Mundial não só deu muito ímpeto ao desenvolvimento do senso de identidade dos neozelandeses, mas também aumentou muito a confiança dos membros dessa nação em relação ao seu papel no mundo.

Fontes

– https://www.stuff.co.nz/national/121990112/treasure-trove-of-hidden-historic-planes-including-rare-wwii-mosquito-to-see-the-light

– https://www.omaka.org.nz/index.html

– http://www.adf-serials.com.au/nz-serials/nzmosquito.htm

Extraído do blog Tok de História do Historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

https://tokdehistoria.com.br/2021/09/26/um-tesouro-de-avioes-historicos-da-segunda-guerra-mundial-escondidos-em-uma-fazenda/

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CLEMENTINO QUELÉ E SUA FICHA MILITAR NA POLÍCIA PARAIBANA

Por João de Sousa Lima

Clementino Quelé


A ficha cadastral constante nos arquivos da Polícia Militar da Paraíba do sargento Clementino José Furtado, Clementino Quelé, uma lenda entre as volantes que combateram no cangaço na Paraíba e em Pernambuco, especialmente ao bando de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, está amarelada, mas conta um pouco da história da Paraíba.

Clementino Quelé “sentou praça” na PM da Paraíba em 13 de Maio de 1925 e reformado com a patente de sargento em 18 de Julho de 1940. Quelé ingressou na Polícia já com a patente de sargento, acreditem. Relatam que por um arranjo político do famoso coronel José Pereira. Impossível condensar a história de Clementino José Furtado num texto de 70 linhas ou num livro de 700 páginas, tal a inacreditável, quase inverossímil, trajetória de Quelé do Pajeú ou “Tamanduá Vermelho”, apelido que recebeu quando ingressou no bando de cangaceiros chefiado por Virgulino Ferreira da Silva, Lampião.
Reza a lenda que tudo começou quando Clementino Furtado tornou-se inspetor de quarteirão, espécie de subdelegado da polícia pernambucana, seu estado de origem. Ao realizar a prisão de dois ladrões de cavalos, os matou, gerando assim a aurora dos seus problemas – os ladrões eram de famílias poderosas; daí a natural perseguição política que a ele foi movida.
De agente da lei, tornou-se procurado; acabou reagindo à bala a um mandado de prisão. Na sequência, sua família foi alvo de perseguições políticas e, caçado pela polícia, Clementino ingressou no bando de Virgulino Ferreira, de quem viria a se torna lugar-tenente, pois liderava seu próprio grupo de cangaceiros, formado por seus parentes e agregados da família. Clementino não deu certo como cangaceiro. Entrou em conflito com o chefe, numa discussão quase letal. Contam que um parente de Clementino se apresentou para ingressar no bando de cangaceiros de Lampião, mas tutelado e sob às ordenas do próprio Clementino. O ingresso de neófito de cangaceiro encontrou rejeição por parte do cangaceiro Meia Noite, outro chefe de subgrupo e guarda-costas do próprio Virgulino.
Não houve acordo. A discussão causou um racha no bando de Virgulino, que se posicionou ao lado de Meia Noite. Assim, não havia mais lugar para Clementino e os seus no bando de Lampião – e a querela foi tão feia que Virgulino e Clementino tornaram-se inimigos mortais. Caçado pela polícia pernambucana e tendo Lampião como seu inimigo figadal, Clementino manteve sua milícia privada em sucessivos embates com o bando de Virgulino; entreveros que quase dizimaram sua própria família.


Sem saída, Clementino fugiu para Paraíba onde obteve proteção do coronel José Pereira, latifundiário e político poderoso na região de Princesa Isabel(PB) praticamente um “senhor da guerra” num vasto território nos dois lados da divisa entre Paraíba e Pernambuco, que se estendia de Princesa até Serra Talhada.
O poder do Cel. Zé Pereira na Paraíba era imenso. Deputado estadual, de forte influência política e econômica, a ponto de alistar Clementino José Furtado na Polícia Militar, já com a patente de sargento – estar sob o manto protetor do Cel. Zé Pereira era o porto seguro para muitos desgarrados com ou sem família. Na condição de sargento da Polícia Militar da Paraíba, Clementino tornou-se chefe de volante, assumindo protagonismo na perseguição implacável ao banditismo rural, especialmente ao seu inimigo histórico: Lampião.
- Que não teve trégua nem sossego na região de Princesa, antes uma espécie de spa para repouso e lazer de Lampião, em função da alargada cobertura que o “rei do cangaço” tinha de coiteiros e aliados. Virgulino amargou derrotas, ferimentos à bala e caçadas implacáveis movida por Clementino e sua volante não só na Paraíba. Clementino tocou o terror na caçada a Lampião, na vasta região que vai de Triunfo até Nazaré do Pico, passando por Serra Talhada, matando tudo “que rastejava, andasse ou voasse” em associação com Virgulino, cantavam poetas e repentistas nas feiras livres.
A saga de Clementino não se limitou no combate ao cangaço e sua reputação o precedia. Em fevereiro de 1930, estourou a famosa “Revolta de Princesa”, que antecedeu a Revolução de 30. Revolta esta liderada pelo cel. José Pereira contra o presidente do estado, João Pessoa. Ele declarou a independência de Princesa em relação ao estado da Paraíba, simplesmente. O cel. José Pereira mobilizou mais de 2 mil homens em armas para combater o governo do estado da Paraíba, menos o seu protegido e leal aliado até aquele momento, o sargento da PM Clementino José Furtado, que àquela altura havia jurado fidelidade à Polícia Militar sob às ordens do governo João Pessoa.
De novo, Clementino estava de volta ao campo de guerra para liderar uma tropa de 60 soldados da PM no combate ao revoltosos de Princesa. Nessa jornada, o sargento Quelé sitiou a vila de Patos de Irerê, raptou mulheres e crianças para usá-las como “escudos humanos” num planejado ataque a Princesa Isabel, que nunca ocorreu, pois Clementino havia cometido um ato ousado demais: Raptara a senhora Alexandrina Diniz, ou dona Xandu, esposa do cel. Marcolino Diniz, parente de chefe dos revoltosos o cel. Zé Pereira, também seu parente. Alexandrina era da fina flor da elite que governava Pernambuco e o sertão paraibano.
Ao término de tudo e não por fim de sua trajetória guerreira, Clementino se viu cercado por 100 jagunços e cangaceiros a soldo de Marcolino e Zé Pereira, furando o cerco numa noite de tempestade e deixando para trás granadas com pavios acessos que não explodiram. Clementino jamais recebeu uma promoção na PM da Paraíba, foi para reforma como sargento e terminou sua carreira como delegado na cidade Prata, onde morreu e está sepultado.

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/09/clementino-quele-e-sua-ficha-militar-na.html
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O TRÁGICO FIM DE PERPÉTUO DE FREITAS, O POLICIAL MAIS RESPEITADO E TEMIDO DA HISTÓRIA DO RIO DE JANEIRO

Acervo do Beto Rueda

“Perdi, vou pra jaula, mas só vou me entregar se a cana for dada pelo Doutor Perpétuo”.

Essa é uma das frases de Sombra, um bandido muito conhecido nos anos 50, na cidade do Rio de Janeiro, após resolver se entregar à polícia.

Perpétuo de Freitas foi um temido detetive policial civil da cidade maravilhosa. Suas práticas iam desde arrumar emprego para o cidadão sair do crime, a assassinatos a sangue frio de bandidos que atacavam policiais. Perpétuo foi um dos agentes que instituiu no Rio a lei do 10 pra 1. Se um policial fosse morto por algum bandido, 10 foras da lei eram executados para servir de exemplo e mostrar aos ladrões a pesada punição da infração das regras. Os foras da lei eram poupados se entregassem o assassino do policial.

Durante anos, Perpétuo e seu parceiro, Detetive Milton LeCoq, andaram pela cidade do Rio de Janeiro conhecendo todo tipo de fora da lei. Os dois resolviam crimes e trabalhavam a partir do código das ruas, uma espécie de lei paralela que gerenciava a convivência no submundo entre policiais e ladrões.

Perpétuo era respeitado no mundo do crime pois, como diziam seus adversários, “era um homem de uma palavra só”. Tudo que dizia cumpria, seja para o bem ou para o mal. Essa espécie de ética levava bandidos e policiais a confiarem no trabalho do detetive e temerem sua fúria em caso de descumprimento de acordos.

Quando Perpétuo dizia que o ladrão sairia preso, ele não colocava nem algema, conduzia o meliante com as mãos em seus ombros, mas garantia que ninguém encostaria o dedo no “vagabundo”. O tira também sustentava uma longa lista de arapongas (informantes) e favores a cobrar. Foi Perpétuo que instituiu a lei que impunha o fim dos tapas na cara de presos. Ele dizia: “Nunca esqueçam que quem bate esquece. Mas um homem que apanhou na cara sempre vai querer vingança”.

Fazia o estilo Good Cop (o policial bom), disparava tiros apenas quando descumpriam acordo. Porém, Perpétuo entrou em crise com novos policiais que tinham aderido à matança como forma de conter o crime. Conhecidos como Polícia Mineira, seus rivais na própria instituição passaram a boicotar seu trabalho.

A trajetória de Perpétuo começa a mudar, quando seu parceiro Milton LeCoq é assassinado por Cara de Cavalo, um bandido extremamente perigoso, havia indícios na época de que, na verdade, o detetive foi morto pelos próprios parceiros em uma troca de tiros. A culpa, entretanto, caiu nos ombros do fora da lei.

Perpétuo, transtornado com a morte do colega, e desconfiando das ações de certos policiais, resolveu investigar o crime sozinho. Montou tocaia na Favela do Esqueleto e conseguiu contato com Cara de Cavalo, que jurou se entregar para ele, desde que garantisse sua vida. Esperando Cavalo numa birosca, Perpétuo foi abordado por policiais que queriam vingança pela morte de LeCoq.

Na birosca, Perpétuo aguardava um informante que daria a localização de Cara de Cavalo para ser efetuada a prisão. Mas enquanto o detetive aguardava seu contato, um grupo de policiais sedentos por vingança, compareceu também ao local. Jorge Galante, um recém incorporado à polícia, resolveu enfrentar Perpétuo. Ele foi empurrado com dois tapas no peito e ouvir a frase: “Galinho, isso é trabalho pra profissional, sai daqui. Eu dei a palavra que vou prender e ele vai sair daqui vivo”. Galante, então, colocou a mão na arma e disse: “Não esqueça que o vento que venta lá, venta cá”, sacou o revólver e disparou no peito de Perpétuo. Um único disparo tombou o homem de 1,90 de altura.

A morte de Perpétuo de Freitas marcou o fim de uma era da polícia carioca e fluminense. Cara de Cavalo foi encontrado dias depois e foi fuzilado com 120 disparos de arma de fogo.

Após esses acontecimentos, foi montada, no Rio de Janeiro a “Scuderie LeCoq” , um grupo de extermínio conhecido também como Esquadrão da Morte e parte significativa da polícia passou a respeitar somente uma lei: a pena capital.

Foto: Detetive Perpétuo, de terno, realiza prisão de um fora-da-lei.

#fotosevideosantigos

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RELÍQUIAS DO CANGAÇO EM CALUMBI-PE

Por Fas Estudios
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ADEUS, CELSO RODRIGUES!

Por Manoel Belarmino

Eu soube do falecimento do ex-prefeito de Piranhas, senhor Celso Rodrigues Rego, ocorrido na manhã de hoje, na cidade de Piranhas, nas Alagoas. Celso Rodrigues era amigo das antigas da família Soares. Os Rodrigues sempre confiaram aos Soares as suas fazendas nos sertões do lado de cá. Mais do que uma relação entre vaqueiros e patrões, a amizade dos Rodrigues com os Soares era quase familiar. Eu me lembro que a última vez que vi Celso Rodrigues pessoalmente foi no velório de Idália Soares, em 2019, aqui em Poço Redondo. Mesmo com dificuldades devido à sua idade, seu Celso, acompanhado do seu neto Celsinho Rodrigues, esteve presente manifestando aqui a sua solidariedade aos Soares.

Piranhas e os sertões das Alagoas e de Sergipe sentem a perda irreparável desse sertanejo ilustre.

Com quatro mandatos de prefeito da sua terra Piranhas, Celso Rodrigues deixou a sua contribuição e o seu legado em Piranhas e em todo o Sertão.

Meus sentimentos ao confrade Celsinho Rodrigues, ao Monsenhor Luciano Rodrigues e a toda a família Rodrigues.

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