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sexta-feira, 20 de setembro de 2024

PADRE CÍCERO E O PACTO DOS CORONÉIS - DANIEL WALKER.

 

Introdução

No dia 4 de outubro de 1911,  o recém-criado município de Juazeiro, Ceará,  foi sede de dois grandes eventos políticos: a posse de Padre Cícero Romão Baptista no cargo de intendente (atualmente se diz prefeito) e a realização de uma assembleia ou sessão política para assinatura de um controvertido documento que passou à história com o nome de Pacto dos Coronéis. O referido documento também foi chamado de Pacto de paz, Pacto de harmonia política, Aliança política, Conferência política, Pacto de Haya-mirim e ainda Artigos de fé política.

Quando se fala no nome do Padre Cícero, a figura que realça em primeiro lugar é a de santo dos nordestinos, pois é como tal que ele é mais conhecido. Entretanto, existe em sua biografia um forte peso como figura política, embora isto seja mais conhecido e estudado apenas pelos seus pesquisadores. Aqueles que se consideram seus devotos, pouca ou nenhuma importância dão ao fato, porquanto para eles o que importa mesmo é o homem santo capaz de fazer milagres, o protetor nas horas das aflições. E foi assim que ele conseguiu uma grande legião de devotos. Como político fez muitos desafetos.

Mas de uns tempos para cá, sua vida política começou a ser dissecada pelos cientistas sociais e a partir da publicação dos primeiros textos, uma nova legião de admiradores surgiu. 

Assim, a dicotomia envolvendo o santo e o político passou a ter terreno próprio e essas duas vertentes, indissolúveis e complementares, coexistem a despeito dos pareceres positivos de uns e negativos de outros.

Como signatário do Pacto dos Coronéis, Padre Cícero consolidou sua vida política, transformando-se na maior liderança do interior cearense. Porém, se por um lado isto lhe deu uma indiscutível força de mando, por outro lado arranhou profundamente sua  biografia perante a sua igreja, que já o tinha na conta de embusteiro e doravante passou a tê-lo também como um coronel, certamente uma nódoa na sua apregoada santidade. 

Por isso, é muito importante estudar essa particularidade da sua vida a qual já rendeu farta bibliografia e não para de crescer. Neste contexto, o objetivo principal deste trabalho é fazer uma análise das implicações decorrentes da assinatura do Padre Cícero no Pacto dos Coronéis, conforme as opiniões emitidas por escritores que estudaram o assunto em seus mais variados aspectos. 

Para melhor compreensão do tema é feita inicialmente a transcrição da ata do histórico evento e a partir daí tem início a análise que define a importância do Pacto dos Coronéis na história política do Padre Cícero. No final é apresentada uma galeria com fotos de alguns dos coronéis que tiveram ligação com o famigerado evento. 
                                                                                                                          
O que é coronelismo
Até o final do século XIX, esteve em vigor no Brasil,  um sistema conhecido popularmente por coronelismo, cuja política era controlada e liderada pelos ricos fazendeiros então denominados de coronéis.  

No interior cearense, mais particularmente no Cariri, o coronelismo se caracterizava pela prática abusiva de duas irregularidades: o voto de cabresto e a fraude eleitoral. 

Na Velha República, o sistema eleitoral vigente era bastante vulnerável à manipulação. Por isso, os coronéis poderosos compravam votos para seus candidatos ou então os permutavam por bens materiais. Como o voto era aberto (não havia ainda o sistema de urnas), os eleitores se sentiam coagidos e para evitar represálias não havia outro jeito senão votar no candidato indicado pelos coronéis. As regiões sobre as quais os coronéis exerciam poder de mando político ficaram conhecidas como “currais eleitorais”. 

Entre as fraudes eleitorais praticadas pelos coronéis caririenses estavam o costume de alterar votos, sumir com urnas e o uso abusivo do chamado voto fantasma, o qual consistia em falsificar documentos para que eleitores pudessem votar várias vezes em prol de determinado candidato. Era comum inclusive o voto de pessoas mortas. 
Fim do coronelismo
O coronelismo em seu formato original começou a ser extinto com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, como resultado da Revolução de 1930. Em algumas regiões do Brasil desapareceu completamente, mas em outras  o coronelismo  continuou mais algum tempo, embora com menos intensidade e adaptado a uma nova realidade. A compra de votos continua até hoje. Mas os atuais chefes políticos, mesmo sendo grandes latifundiários, não são mais chamados de coronéis.

Padre Cícero pode ser chamado de coronel?
Por ser dono de várias propriedades rurais (embora tenha deixado tudo para a Igreja) e poder para decidir uma eleição, Padre Cícero é considerado por muitos escritores como tendo sido um coronel. Mas a pecha de coronel, no sentido como o termo é usado e entendido no Nordeste, não se coaduna com o comportamento e a personalidade do Padre Cícero. Ninguém conhece registro da existência de armas em sua residência ou de capangas a sua disposição, coisas muito comuns aos coronéis de que fala a literatura.

Entretanto, até hoje, não existe consenso com respeito a Padre Cícero ser ou não considerado como um coronel. As opiniões emitidas pelos estudiosos são muito variadas e dicotômicas. 

Vejamos algumas:
Maria de Lourdes M. Janotti, escritora: "Padre Cícero foi o mais célebre de todos os coronéis". 

José Fábio Barbosa da Silva, professor e escritor: "Padre Cícero também era o coronel dono de imensa força política que passou a representar os romeiros, quando Juazeiro se tornou independente. O Padre Cícero também possuía o status mais elevado, mais alto que o dos coronéis tradicionais". 
Moisés Duarte, evangélico:  “Padre Cícero era amigo do peito de vários latifundiários da região, conhecidos como "os coronéis". Esses senhores ilustres eram opressores dos pobres, marginalizavam os sertanejos, excluindo-os do direito à saúde, aos alimentos e até à vida. Pasme, o Padim Ciço pertencia a essa espécie de liga de coronéis do Ceará e a defendia”.

Rui Facó, jornalista: "Por que o Padre Cícero desfrutando de enorme popularidade, dispondo de tudo quanto fazia de alguém um coronel, por que não seria ele um coronel? Apenas porque vestia batina, ordenara-se padre, fazia milagres? Na verdade, nada diferenciava o Padre Cícero Romão Batista de qualquer dos latifundiários da zona. Utilizou, e em grande escala, os mesmos métodos familiares àqueles, como dar abrigo a capangas e cangaceiros e aproveitá-los ou permitir que outrem os aproveitassem para a consecução de objetivos políticos que também eram os seus". 

José Boaventura de Sousa, historiador e professor: "Padre Cícero foi um coronel, mas um coronel diferente da conotação que a sociologia aponta. Não foi um coronel explorador, foi um coronel porque todos o procuravam como um líder". 

Francisco Régis Lopes Ramos, historiador e escritor: "Padre Cícero alia-se aos coronéis, mas não se torna um deles. Suas atitudes são de apadrinhamento, de um protetor dos desclassificados, de um conselheiro e não de um político ou coronel". 

Neri Feitosa, sacerdote e escritor: "Ele não tinha patente militar nem da Guarda Nacional. Ninguém o chamou oralmente de coronel. Por escrito, deram-lhe este epíteto por hipérbole e por analogia". 

Marcelo Camurça, historiador:  “No meu modo de ver o Padre Cícero se relacionou com as oligarquias, transitou na sociedade política, se compôs com os setores dominantes, tanto pela sua condição de sacerdote letrado, um intelectual tradicional, e esta condição o estimulava qual outros padres no Império e na República a ter uma projeção social, quanto pela vontade de ajudar o seu povo, de levar adiante o seu projeto de manter de pé a comunidade do Juazeiro, pela via da conciliação tão marcante na sua visão de mundo. Porém, o Padre Cícero nunca abriu mão de sua identidade sacra, do seu papel de guia religioso, de líder espiritual, para se tornar um político profissional, tampouco abriu mão da mística do "milagre" e de sua visão messiânica, simbólica do catolicismo popular, daquele primeiro sonho que teve quando Cristo encarregou-o de cuidar do Juazeiro e de seu povo. Este sem dúvida não é o perfil de um "Coronel" latifundiário ou de um político das classes dominantes”. 

Ata do Pacto dos Coronéis
“Aos quatro dias do mês de outubro do ano de mil novecentos e onze, nesta vila de Juazeiro do Padre Cícero, município do mesmo nome, Estado do Ceará, no paço da Câmara Municipal, compareceram à uma hora da tarde os seguintes chefes políticos: coronel Antônio Joaquim de Santana, chefe do município de Missão Velha; coronel Antônio Luís Alves Pequeno, chefe do município do Crato; reverendo Padre Cícero Romão Batista, chefe do município do Juazeiro; coronel Pedro Silvino de Alencar, chefe do município de Araripe; coronel Romão Pereira Filgueiras Sampaio, chefe do município de Jardim; coronel Roque Pereira de Alencar, chefe do município de Santana do Cariri; coronel Antônio Mendes Bezerra, chefe do município de Assaré; coronel Antônio Correia Lima, chefe do município de Várzea Alegre; coronel Raimundo Bento de Sousa Baleco, chefe do município de Campos Sales; reverendo padre Augusto Barbosa de Menezes, chefe do município de S. Pedro do Cariri; coronel Cândido Ribeiro Campos, chefe do município de Aurora; coronel Domingos Leite Furtado, chefe do município de Milagres, representado pelos ilustres cidadãos, coronel Manuel Furtado de Figueiredo e major José Inácio de Sousa; coronel Raimundo Cardoso dos Santos, chefe do município de Porteiras, representado pelo reverendo Padre Cícero Romão Batista; coronel Gustavo Augusto de Lima, chefe do município de Lavras da Mangabeira, representado por seu filho João Augusto de Lima; coronel João Raimundo de Macedo, chefe do município de Barbalha, representado por seu filho major José Raimundo de Macedo e pelo juiz de direito daquela comarca, doutor Arnulfo Lins e Silva; coronel Joaquim Fernandes de Oliveira, chefe do município de Quixará, representado pelo ilustre cidadão major José Alves Pimentel; e o coronel  Inácio de Lucena, chefe do município de Brejo Santo, representado pelo coronel Antônio Joaquim de Santana. A convite deste que, assumindo a presidência da magna sessão, logo deixou, ocupando-a o reverendo Padre Cícero Romão Batista para em seu nome declarar o motivo que aqui os reunia. Ocupada a presidência pelo reverendo Padre Cícero, fora chamado o major Pedro da Costa Nogueira, tabelião e escrivão da cidade de Milagres, que também se achava presente. Declarou o presidente que aceitando a honrosa incumbência confiada pelo seu prezado e prestigioso amigo coronel Antônio Joaquim de Santana, chefe de Missão Velha e traduzindo os sentimentos altamente patrióticos do egrégio chefe político, Excelentíssimo Senhor Doutor Antônio Pinto Nogueira Accioly, que sentia d´alma as discórdias existentes entre alguns chefes políticos desta zona, propunha que, para desaparecer por completo esta hostilidade pessoal, se estabelecesse definitivamente uma solidariedade política entre todos, a bem da organização do partido os adversários se reconciliassem, e ao mesmo tempo lavrassem todos um pacto de harmonia política. Disse mais que para que ficasse gravado este grande feito na consciência de todos e de cada um de per si, apresentava e submetia à discussão e aprovação subseqüente os seguintes artigos de fé política:
Art. 1º - Nenhum chefe político protegerá criminoso do seu município nem dará apoio nem guarida aos dos municípios vizinhos, devendo ao contrário, ajudar a captura destes, de acordo com a moral e o direito.
Art. 2º - Nenhum chefe procurará depor outro chefe, seja qual for a hipótese.
Art. 3º - Havendo em qualquer dos municípios reações, ou mesmo, tentativas contra o chefe oficialmente reconhecido com o fim de depô-lo, ou de desprestigiá-lo, nenhum dos chefes dos outros municípios intervirá nem consentirá que os seus municípios intervenham ajudando direta ou indiretamente os autores da reação.
Art. 4º - Em casos tais só poderá intervir por ordem do governo para manter o chefe e nunca para depor.
Art. 5º - Toda e qualquer contrariedade ou desinteligência entre os chefes presentes será resolvida amigavelmente por um acordo, mas nunca por um acordo de tal ordem, cujo resultado seja deposição, a perda de autoridade ou de autonomia de um deles.
Art. 6º - E nessa hipótese, quando não puderem resolver pelo fato de igualdade de votos de duas opiniões, ouvir-se-á o governo, cuja ordem e decisão será respeitada e restritamente obedecida.
Art. 7º - Cada chefe, a bem da ordem e da moral política, terminará por completo a proteção a cangaceiros, não podendo protegê-los e nem consentir que os seus munícipes, seja sob que pretexto for, os protejam dando-lhes guarida e apoio.
Art. 8º - Manterão todos os chefes políticos aqui presentes inquebrantável solidariedade não só pessoal  como política, de modo que haja harmonia de vistas entre todos, sendo em qualquer emergência “um por todos e todos por um”, salvo em caso de desvio da disciplina partidária, quando algum dos chefes entenda de colocar-se contra a opinião do chefe do partido, o Excelentíssimo Doutor Antônio Pinto Nogueira Accioly: Nessa última hipótese cumpre ouvirem e cumprirem as ordens do governo e secundarem-no nos seus esforços para manter intacta a disciplina partidária.
Art. 9º - Manterão todos os chefes incondicional solidariedade com o Excelentíssimo Doutor Antônio Pinto Nogueira Accioly, nosso honrado chefe, e como políticos disciplinados obedecerão incondicionalmente suas ordens e determinações.
Submetidos a votos, foram todos os referidos artigos aprovados, propondo unanimemente todos que ficassem logo em vigor desde essa ocasião.
Depois de aprovados, o Padre Cícero levantando-se declarou que sendo de alto alcance o pacto estabelecido, propunha que fosse lavrado no Livro de Atas desta municipalidade todo o ocorrido, para por todos os chefes ser assinado, e que se extraísse uma cópia da referida ata para ser registrada nos Livros das municipalidades vizinhas, bem como para ser remetida ao doutor presidente do Estado, que deverá ficar ciente de todas as resoluções tomadas, o que foi feito por aprovação de todos e por todos assinado.
Eu, Pedro da Costa Nogueira, secretário, a escrevi.
Assinam: 
Padre Cícero Romão Batista
Antônio Luís Alves Pequeno
Antônio Joaquim de Santana
Pedro Silvino de Alencar
Romão Pereira Filgueiras Sampaio
Roque Pereira de Alencar
Antônio Mendes Bezerra
Antônio Correia Lima
Raimundo Bento de Sousa Baleco
Padre Augusto Barbosa de Menezes
Cândido Ribeiro Campos
Manoel Furtado de Figueiredo
José Inácio de Sousa
João Augusto de Lima
Arnulfo Lins e Silva
José Raimundo de Macedo
José Alves Pimentel

Comentários
- “O receio era o de que a reunião acabasse em tiro. Nunca se viram – nem jamais se voltaria a ver – tantos coronéis sertanejos assim reunidos em um mesmo lugar, como naquele 4 de outubro de 1911, em Juazeiro, o dia da posse do Padre Cícero na prefeitura. Lá fora, as ruas estavam enfeitadas de bandeirinhas de papel e a banda do mestre Pelúsio de Macedo fazia a festa. No interior da casa que sediou a solenidade oficial, os dezesseis homens vestidos em roupa de domingo foram recebidos com chuvas de flores e papel picado. Mas não escondiam de ninguém, que ruminavam uma coleção de rancores mútuos. Praticamente todos os chefes políticos do Cariri – incluindo o coronel Antônio Luís – haviam acatado o chamado do sacerdote para tão insólito conclave que marcaria seu primeiro dia como prefeito. Quando Padre Cícero levantou da mesa ao final daquela histórica reunião e passou a colher a assinatura de todos, os coronéis do Cariri já  tinham tomado consciência de que, diante da nova situação, precisavam eleger um chefe imediato entre eles. Esse chefe não seria, necessariamente, Accioly. Carecia ser alguém que estivesse mais perto deles e que, a despeito das diferenças e dos ódios pessoais que os separavam, fosse um homem cuja palavra seria acatada sem ressalvas. Os coronéis precisavam de um líder político no Cariri. Naquela tarde, esse líder se revelara naturalmente – e já tinha um nome. O nome dele, ninguém se atreveria a discordar, era Padre Cícero”. Assim, Lira Neto descreveu em seu livro Padre Cícero, poder, fé e guerra no sertão a reunião em que foi assinado o Pacto dos Coronéis.

- Durante muito tempo se especulou a respeito de quem concebeu a ideia da famigerada reunião. O nome do seu autor está até hoje envolto em mistério, sendo motivo de muitas especulações. O primeiro sinal dado no sentido de tentar elucidar o mistério pode ser visto num dos artigos da série “Formal desmentido” publicada por Dr. Floro Bartholomeu da Costa, no jornal Unitário, de Fortaleza, de 9 a 17 de junho de 1915,  onde ele escreveu: “Determinado o dia 11 de outubro do mesmo ano de 1911 para a inauguração da vila e estando mui acirrados os ódios dos chefes do Cariri, especialmente os de Lavras, Aurora, Milagres, Missão Velha, Barbalha e Brejo dos Santos, contra os do Crato e os de Porteiras, lembrei ao Padre Cícero a necessidade de estabelecer-se a harmonia entre todos.  Para isso conseguir, a todos convidamos, de acordo com o Dr. Nogueira Accioly, para no dia 4 de outubro estabelecermos um pacto de paz entre todos os chefes inimizados.”  

- O escritor Otacílio Anselmo tem opinião diferente, pois na sua volumosa obra Padre Cícero, mito e realidade diz que, na reunião em que Padre Cícero foi empossado como primeiro Prefeito de Juazeiro, o juiz de Barbalha, Dr. Arnulfo Lins e Silva “aproveitou o ensejo para inspirar e, sob o patrocínio do Padre Cícero, promover um convênio entre os numerosos chefes municipais ali reunidos, no sentido de estabelecer um clima de paz e assegurar a tranquilidade das populações caririenses, até então em pânico permanente por conflitos armados resultantes de velhos ódios entre grupos e famílias irreconciliáveis, transmitidos de geração em geração e que ainda hoje subsistem.”

- Edmar Morel  atribui a ideia do pacto dos coronéis ao Padre Cícero, pois em sua obra Padre Cícero, o santo do Juazeiro ele assim escreveu: “O Padre querendo firmar o seu prestígio junto à oligarquia dos Acciolys, que já governavam o Ceará há vinte anos, em dois períodos, e ao mesmo tempo pôr em prova se ainda seria hostilizado pelos políticos, seus vizinhos, como no caso das minas do Coxá, levanta a ideia da realização de um convênio, no Juazeiro, com a participação de todos os senhores feudais, senhores de cangaceiros e senhores de eleitores”. O autor conclui tachando o pacto como “uma página da história do banditismo no Nordeste, um pacto de honra assinado pelos maiores e mais respeitáveis coronéis que infelicitaram os sertões do Brasil, atirando homens contra homens e transmitindo o ódio e a sede de vingança de geração em geração. Uma página celebérrima do cangaceirismo no Brasil”.

- Nesta mesma linha segue Amália Xavier de Oliveira, quando em seu livro O Padre Cícero que eu conheci, afirmou: “Foi o Padre Cícero quem programou, para o dia de sua posse, uma reunião com os chefes políticos da região a fim de assinarem um pacto de amizade e apoio mútuo tendo como um dos objetivos evitar movimentos que perturbassem a ordem na região caririense, procurando resolver as questões que surgissem, sem contendas prejudiciais, ao desenvolvimento das comunas”. E concluiu Amália Xavier de Oliveira: “Para fazer apresentação dos artigos o coronel Santana passou a Presidência (da reunião) ao Rev. Pe. Cícero, que explicou, aos presentes, a razão por que se fazia, naquele momento, um pacto de amizade e auxílio mútuo, com aquele programa de orientação”. 
Esta passagem, inclusive, está registrada na ata do pacto transcrita no início deste capítulo. Assim, temos três autores da ideia do Pacto: Dr. Floro, o juiz Dr. Arnulfo e o Padre Cícero. E a dúvida persiste com respeito à autoria. 

- Em seu livro Império do bacamarte o escritor Joaryvar Macedo tenta minimizar a questão da autoria da ideia do Pacto salientando que: “Seja quem for o autor do Pacto, é lícito admitir, ou mesmo acreditar nas suas retas intenções. Não parece justo considerá-lo uma farsa em sua gênese, como querem alguns. O acordo, na sua realidade, transformou-se numa pantomima, porque inexeqüível, pelo menos em parte dos seus artigos. Homens, na sua maioria despóticos, vezeiros em dominar pelo poder do bacamarte, achavam-se absolutamente despreparados para assumir compromissos de tal ordem. De outro ângulo, deixar de proteger facínoras e cangaceiros equivaleria a decretar a extinção do coronelismo. Um dos seus mais fortes esteios era precisamente o banditismo”.

- Diz ainda Joaryvar: “O texto da ata da singular Assembleia dos coronéis sul-cearenses, na qual se firmou o curioso pacto, reflete a posição proeminente do Padre Cícero na contextura coronelítica regional. Manifesta ademais, que, naquela conjuntura, a jeito trabalhada e preparada, o levita, além de assumir a chefia local, investia-se, concomitantemente, no comando político da região”.

- Assim como Joaryvar Macedo, Otacílio Anselmo também acha que “apesar da boa intenção do seu idealizador, o pacto seria inexeqüível num meio em que a lei vigente era a do mais forte e onde as questões, mesmo as mais simples, resolviam-se ao sabor da vontade soberana de velhos sobas apegados a seus interesses econômicos e as suas ambições políticas”.

- Para o escritor Rui Facó, na sua famosa obra Cangaceiros e fanáticos, “o pacto era na verdade um sinal de debilidade, um prenúncio de decadência do coronel tradicional, do potentado do interior, outrora senhor absoluto de seu feudo e em disputa constante com os feudos vizinhos. Sua maneira de pensar fora sempre esta: todos lhe deviam render vassalagem!”.
- Para  Irineu Pinheiro, autor de Efemérides do Cariri, os coronéis presentes à reunião em Juazeiro assinaram de comum acordo “um pacto de amizade e apoio mútuo com o fim de extinguir a proteção aos criminosos, evitar movimentos que perturbassem a vida das comunas caririenses, buscando resolver as questões que surgissem entre chefes vizinhos!”.

- A imprensa cearense deu vasta cobertura à reunião que culminou com a assinatura do pacto. Nada, contudo, se compara ao que estampou o jornal O Correio do Cariri, da cidade do Crato que após extensa matéria concluiu assim: “Podem os nossos leitores avaliar das boas intenções daqueles que, esquecendo antigos ressentimentos, se congraçaram, para, cumprindo santos deveres sociais, rasgarem um novo horizonte mais amplo e mais claro, aos públicos negócios desta opulenta e próspera parte de nosso Estado”. 

- Mas para o historiador americano Ralph Della Cava, autor de Milagre em Joaseiro, os coronéis do Cariri “contentes com a vitória obtida sobre Antônio Luís e desejosos de impedir que o Juazeiro viesse a dominar a região lançaram na famosa reunião a proclamação do hoje famoso Pacto dos Coronéis”. E conclui della Cava: “Finalmente, com o objetivo de fazer vigorar o pacto e garantir a participação da região na divisão do espólio político do poder estadual, comprometiam-se todos os delegados (presentes à reunião), a manter “incondicional” solidariedade com o excelentíssimo doutor Antônio Pinto  Nogueira Accioly, seu honrado chefe, e como políticos disciplinados obedecer incondicionalmente suas ordens e  determinações”.

- No final das contas, o certo mesmo é que o pacto falhou fragorosamente no conteúdo dos seus dois últimos artigos, pois cerca de pouco mais de três meses após a sua assinatura o presidente Accioly é apeado do poder, constituindo-se no mais duro golpe para os chefes políticos Acciolynos do Ceará.

- A queda do velho cacique da política cearense trouxe de roldão também o baque de muitos coronéis do Cariri, seus correligionários, mas, consoante acentua Joaryvar Macedo “a partir daí, começariam os caciques sul-cearenses, com desmedido empenho, a preparar uma sublevação, no sentido de retornarem ao poder supremo dos seus redutos eleitorais. E voltaram todos, com a vitória da rebelião de Juazeiro, de 1913 para 1914, - uma sedição dos coronéis”. 

- À reunião para assinatura do Pacto duas importantes forças políticas do Cariri não marcaram presença nem mandaram representantes: coronel Basílio Gomes da Silva, de Brejo Santo, e coronel Napoleão Franco da Cruz Neves, de Jardim, pois ambos já haviam rompido com Accioly. Contudo, outros chefes políticos destes municípios estavam presentes.

Conclusão
Diante do exposto, fica evidente que paira dúvida sobre quem é o autor da ideia de realização da reunião que resultou na assinatura do Pacto dos coronéis. Mas todos concordam num ponto:  a aposição da assinatura do Padre Cícero no referido documento oficializou sua liderança como chefe político da Cariri, mas também o transformou num coronel de batina conforme lhe atribuem muitos dos seus biógrafos.  
Também  fica evidente que mesmo o Pacto não tendo conseguido o êxito esperado, isso não diminuiu em nada o prestígio político do Padre Cícero que mais tarde o confirmou quando liderou juntamente com o deputado Floro Bartholomeu da Costa, em 1914,  o movimento sedicioso que culminou com a deposição do Presidente do Ceará, Franco Rabelo.
Também é possível concluir que depois do Pacto dos Coronéis a história do Padre Cícero toma outro rumo, agora de natureza política, mas que andou ao lado da sua já consolidada áurea de líder religioso de uma grande massa de sertanejos, sob o olhar de repúdio da Igreja Católica Apostólica Romana, que tirou suas ordens em 1894 e em 2015 promoveu sua reconciliação.  
Não obstante as críticas ostensivas dirigidas  a assembleia política que culminou com a assinatura do Pacto dos Coronéis, não há como anular o fato de este evento figurar como um dos mais importantes acontecimentos políticos da história do Cariri e do Ceará, pois nunca se viu tantos caciques da política cearense juntos numa vila recém-criada. E mais: somente o Padre Cícero teria força e prestígio suficientes para convocar os participantes da reunião. 
Por tudo isso, o Pacto dos Coronéis é tema recorrente na vasta bibliografia de Padre Cícero e jamais deixará de ser um assunto polêmico.  

GALERIA DOS PERSONAGENS DO PACTO DOS CORONEIS
    Padre Cícero                           Dr. Floro
                                                 
    Cel. Accioly             Cel. Antônio Luís
                                                           
    Cel. Antônio Correia Lima e Pe. Augusto Barbosa
 
     Cel. Gustavo Augusto e Cel. João Augusto
    Cel. José Alves Pimentel e Cel. Pedro Silvino
     Cel. Cândido Ribeiro Campos    e  Cel. Antônio Joaquim de Santana
     Cel. Romão Pereira Filgueiras Sampaio

O Pacto dos Coronéis na concepção da artista plástica juazeirense Assunção Gonçalves. Esta tela encontra-se exposta na Câmara Municipal de Juazeiro do Norte.  

Casa de dona Rosinha Esmeraldo (em sua arquitetura original) onde Padre Cícero foi empossado no cargo de intendente de Juazeiro e também local da realização da assembleia política que lavrou o Pacto dos Coronéis. 
    

Prédio onde foi assinado o Pacto dos coronéis atualmente

BIBLIOGRAFIA
     
ANSELMO, Otacílio. Padre Cícero: mito e realidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
BARBOSA DA SILVA, José Fábio. Organização Social de Juazeiro e Tensões entre Litoral e Interior, in Sociologia, vol. XXIV, n° 3, setembro de 1962. São Paulo,, Fundação Escola de Sociologia Política de São Paulo.
CAMURÇA, Marcelo. Marretas, molambudos e rabelistas: a revolta de 1914 no Juazeiro. São Paulo: Maltese, 1994.
DELA CAVA, Ralph. Milagre em Joaseiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.
FACÓ, Rui. Cangaceiros e fanáticos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976.
JANOTTI, Maria de Lourdes M.   O Coronelismo, uma Política de Compromissos. São Paulo, Editora Brasiliense S.A., 1981, p. 73.
LIRA NETO. Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
LOPES, Regis. Caldeirão. Fortaleza: Eduece, 1991.
MACEDO, Joaryvar. Império do bacamarte: uma abordagem sobre o coronelismo no Cariri. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 1990.
MOREL, Edmar. Padre Cícero: o santo de Juazeiro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966. 
PINHEIRO, Irineu. Efemérides do Cariri. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1963.
XAVIER DE OLIVEIRA, Amália. O Padre Cícero que eu conheci. Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica Editora Ltda., 1969.   

O AUTOR

Daniel Walker é natural da cidade de Juazeiro do Norte, Ceará, onde nasceu em 6 de setembro de 1947. É formado em História Natural pela Faculdade de Filosofia do Crato, com Curso de Especialização em História do Brasil pela Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro. Professor Adjunto aposentado da Universidade Regional do Cariri-URCA. Desenvolve também atividade como jornalista com trabalhos publicados pela imprensa juazeirense e de Fortaleza. Em 1995 fundou o jornal eletrônico Juaonline, a vitrine da história de Juazeiro do Norte, rebatizado em 2008 com o nome de www.portaldejuazeiro.com É pesquisador da vida do Padre Cícero e de Juazeiro do Norte sobre  quem já publicou os seguintes livros:
e-mail: danielwalker47@gmail.com

http://www.padrecicero.net/2016/07/padre-cicero-e-o-pacto-dos-coroneis.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

JUAZEIRO DO NORTE, A FÉ QUE CONSTRUIU UM MITO - PROFESSOR JOSÉ URBANO

Prof. José Urbano

Quando nos debruçamos sobre o estudo da formação social do Nordeste, temos um elenco de personagens que moldaram a identidade desta região do Brasil.  Buscando memorizar a partir do século XIX, encontramos Antônio Conselheiro e sua Canudos, no sertão da Bahia;  Antônio Silvino, Lampião e Corisco em destaque no cangaço; a musicalidade de Luiz Gonzaga e o multi facetado Cícero Romão Batista.  Denomino este último personagem como a matriz religiosa do catolicismo nordestino, porém um homem que merece ser visto em 4 faces: o sertanejo anônimo até os 21 anos, assim como milhões de outros de sua época; o seminarista inquieto que tornou se Padre e foi arrebanhar cristãos no sertão do Cariri; o carismático articulador que deu independência ao povoado de Juazeiro do Norte, tornando-se o    seu fundador e líder supremo; e o homem que tornou se Mito até os nossos dias.  A vida deste personagem se prolongou por 90 anos, longevidade que o favoreceu para realizar tudo o que planejou, ou até mais do que havia sonhado.  Órfão de pai aos 18 anos, se viu na responsabilidade de - mesmo imaturo - dividir com sua mãe a tarefa de garantir a sobrevivência, bem como a moral da família, composta por sua matriarca, duas irmãs e uma criada. Plenamente vocacionado para a evangelização, aos 21 anos é admitido como seminarista na distante Fortaleza, capital do seu Estado.  Com recursos mínimos, apoio de um importante coronel, Cícero passa 5 anos estudando, longe da família.  Retorna ao seu reduto sertanejo, para ser um padre como tantos outros naquela região.  Mas seu perfil o molda em ser alguém fora do comum.  A partir de um polêmico fenômeno - suposto milagre - vê a sua popularidade alcançar as fronteiras do estado.  Questionado pelo seu Bispo, D. Joaquim Vieira, se acirra um tensionamento que nada tem de cristão, nos quesitos perdão, tolerância, caridade. Transpõe a hierarquia católica e as fronteiras do Brasil, e vai para o Vaticano, explicar-se ao Papa Leão XIII. Excomungado pela igreja e venerado pelo povo, Cícero só se fortalece a cada diversidade que enfrenta. Envolvido em causas sociais, rompe o século XIX e na aurora do século XX, desmembra o Juazeiro da cidade do Crato, firma o Pacto dos Coronéis, unindo 16 chefes políticos em torno do seu nome, e planilha a estrada do sertão ao litoral, criando as condições  do apoio popular necessário para governar ou influenciar todo o estado do Ceará. Num polêmico ato, no ano de 1926, recebe Lampião, outro mito, no seu reino encantado do Juazeiro. De fala simples, sabedoria ímpar e carisma angelical, seus azulados olhos permitem uma visão futurista daquela sociedade.  Extremamente hábil em suas falas, o padre desfaz qualquer barreira entre o pastor e o seu rebanho, o que denomino “jeito caseiro de evangelizar”.  Somando essas habilidades com a visão política do médico Floro Bartolomeu, assistido pelo libanês Benjamin Abrahão, seu secretário particular, auxiliado pela governanta Beata Mocinha, e como devota Maria de Araújo, a beata da hóstia que sangrou, o padre cria um time seleto de personagens que, sob seu comando, imprimem sua marca indelével no coração dos seus Juazeirenses, além dos milhares de romeiros à sua época.  Cícero Romão transitou entre política e religião com a mesma habilidade, acima do seu tempo e muito além dele.  Fundador da cidade, foi Prefeito, Vice Governador do Ceará, Deputado Federal...títulos passageiros, nada comparável ao mito que se tornou até os nossos dias.  Explicar ou entender o referido personagem? Ainda não, em sua totalidade.  Uma face de cada vez.  No monumento maior, do alto da colina que abriga sua gigantesca estátua de 25 metros de altura,   dia e noite, o simbolismo do mito contempla sua Juazeiro, e tem aos seus pés uma multidão diária de conterrâneos, romeiros, beatas, estudiosos, católicos, ateus,  jornalistas e todos aqueles que querem conhecer o mito sertanejo e seu maior milagre:  a capacidade de se eternizar na história e na memória do povo.  Viva Juazeiro do Norte, sua cultura e sua gente, guiada pelas mãos do seu Padim Cícero Romão Batista. História, fé e ação com a marca genuinamente nordestina.

http://www.padrecicero.net/2019/03/juazeiro-do-norte-fe-que-construiu-um.html

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SERTÃO/HISTÓRIA

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de setembro de 2024

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.111

Vê-se na foto abaixo, uma cena do sertão nordestino, provavelmente de início dos anos 60. Trata-se da feira livre de Santana do Ipanema, Alagoas, em dia de sábado. O lugar é da maior concentração da feira, mas com certo espaço para o trânsito dos veículos rurais da época, o carro de boi. Era ele quem trazia os produtos do campo para à venda na cidade e vice-versa, notadamente mercadorias mais pesadas que não davam para transporte em caçuás de jumentos, burros e éguas. O grosso desse aglomerado é no Largo da Feira, onde se encontra até hoje o Mercado de Carne e a grande algodoeira que comprava todo o algodão produzido na região, separava o caroço do capulho, vendia o primeiro para o gado leiteiro regional e exportava o capulho em forma de fardos.

PARCIAL DA FEIRA DE SANTANA ANOS 60 (FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO/ ACERVO DO AUTOR).

A foto histórica de domínio público, mostra ao fundo a serra do Poço, altitude que divide os municípios entre Santana e Poço das Trincheiras. Na parte direita da foto, parte da Algodoeira do saudoso industrial Domício Silva. Na parte esquerda, pedaço do prédio da Mercado de Carne, mercearia destaque entre os outros prédio e beco do Mercado, (não visível) entre o Mercado e a mercearia. O restante são as variadíssimas situações momentânea dos feirantes. Naqueles momentos dezenas e dezenas de carros de boi, aguardavam mercadorias no leito seco do rio Ipanema, ponto principal de estacionamento e espera.

São essas fotos antigas, tiradas por profissionais da época ou por algum curioso amador. O certo é que elas nos ajudam aqui, acolá, a recompor partes da história do Sertão e, particularmente, de Santana do Ipanema. Toda movimentação feireira estar baseada na pecuária e na agricultura com os produtos, feijão, milho e algodão. Esta, a planta industrial que gerava riqueza. E como vivemos esses grandes momentos sertanejos, você pode avaliar se bate ou não a saudade!


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CANGAÇO, HISTORIA E GEOPOLÍTICA DO BRASIL ETC.. DVDS RAROS

Por Pandora Loja

MEMÓRIA DA TV E DO CINEMA ONG - CULTURAL DE RESGATE E PRESERVAÇÃO DE IMAGENS DA TV E CINEMA NO BRASIL 

*MAIS DE 20 ANOS COLECIONANDO, RESGATANDO, PRESERVANDO E COMPARTILHANDO RARIDADES *  contatos: celular e whats-app 31-98781-1990 ------------ Instagram @magobardojc

CANGAÇO (COLETÂNEA DVDS RAROS) HISTÓRIA DO BRASIL GEOPOLITICA ETC

MARIA BONITA, RAINHA DO CANGAÇO (1968), de Miguel Borges, com Milton Morais.

CANGAÇO O CABELEIRA (1963), de Milton Amaral, com Hélio Souto e Milton Ribeiro (raridade absoluta, quase impossível de achar). -(no original, trata-se de um filme colorido; a versão que eu tenho veio de uma cópia 16mm, em preto e branco; som e imagem estão ruins, mas dá para assistir e entender tudo). UM DOS MAIS RAROS DO MEU ACERVO!!

CARA DE FOGO (1957), de Galileu Garcia  com Alberto Rushell e Milton Ribeiro PB telecinado de película 16mm (talvez uma de minhas maiores raridades) 1 dvd (VOCE SÓ ACHA AQUI!!!)

QUELÉ DO PAJEÚ -   1969. Clemente Celidônio (Tarcísio Meira), conhecido como Quelemente, ao voltar para casa em Pajeú das Flores, é surpreendido com o fato de que sua irmã fora violentada por um estranho, identificado apenas por uma cicatriz no rosto e um dedo faltante. Tomado de ódio, parte então em busca do violador, jurando um acerto de contas. Mas o caminho é longo, e a viagem guarda surpresas decisivas para ele. ELENCO Tarcísio Meira; Rossana Ghess; Sérgio Hingst; Jece Valadão; Elizângela; Jorge Karam; Reginaldo Vieira; Guy Loup; Maurício Gracco; Luiz Alberto Meireles; Anita Esbano; Simplício; Nhô Juca E PARTICIPAÇÃO ÚNICA E RARÍSSIMA DO CANTOR   Geraldo Vandré

O LAMPARINA – 1963 [Glauco Mirko Laurelli] = cangaço - raríssimo voce só acha aqui! 

CANGAÇO  A MORTE COMANDA O CANGAÇO-1960 MILTON RIBEIRO, ALBERTO RUSCHEL, AURORA DUARTE, RUTH DE SOUZA

CANGAÇO JESUÍNO BRILHANTE O CANGACEIRO NERI VITOR col 1 dvd raro- 1972, de William Cobbett , com Mussum

CANGAÇO  BAILE PERFUMADO DUDA MAMBERT, ARAMIS TRINDADE,  LUÍS CARLOS VASCONCELOS, JOFRE SOARES  COR/ P&B POR1997 1 DVD DEVHS

CANGAÇO  CANGACEIROS DE LAMPIÃO -1967 -MILTON RODRÍGUEZ, VANJA ORICO, MAURÍCIO DO VALLE, MILTON  RIBEIRO

CANGAÇO  CORISCO E DADÁ - CHICO DIAZ, DIRÁ PAES, ANTONIO LEITE, REGINA DOURADO, CHICO CHAVES  COR PORT 1996 1 DVD DE VHS

LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO 1964,  dirigido por Carlos Coimbra. O roteiro é baseado nos livros Lampião, o Rei do Cangaço de Eduardo Barbosa, e Capitão Virgulino Lampião de Nertan Machado.conta a história de Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, que liderou um bando de cangaceiros através dos estados do nordeste do Brasil, e que era respeitado e considerado um herói pelos pobres locais. Leonardo Villar; Vanja Orico. Milton Ribeiro.Dionísio Azevedo . Glória Menezes

CANGAÇO  CORISCO O DIABO LOIRO DE MOSAEL SILVEIRA,c/ MAURICIO DO VALLE, LEILA DINIZ, MILTON RIBEIRO, JOHN HERBERT, GEORGIA GOMIDE -E REJANE MEDEIROS    P&B-1969

LAMPIÃO E MARIA BONITA - minissérie - versão integral) 8 capítulos Globo(Gravado do Canal Futura, Faixa Comentada) 4 DVDs

CANGAÇO  LAMPIÃO & MARIA BONITA –MINISSERIE (COMPACTO) 1 DVD (TÂNIA ALVES, NELSON XAVIER, ROBERTO BONFIM e gde elenco; ) + CURTO DOCUMENTÁRIO PB SOBRE OS CANGACEIROS

CANGAÇO  MEU NOME É LAMPIÃO -Milton Ribeiro, Rejane MEdeiros, Milton Rodrigues,cor 1969

CANGAÇO  O CANGACEIRO DO DIABO -1980-Direção: Tião Valadares. Com Claudete Joubert, Heitor Gaiotti. Dois sertanejos vão ganhando fama e reunindo em torno de si  muitos aventureiros, graças às pilhagens que praticam. A polícia, utilizando  métodos tão violentos quanto os deles, os perseguem.

CANGAÇO  O CANGACEIRO - PAULO GORGULHO, LUIZA TOMÉ, ALEXANDRE PATERNOST, INGRA LIBERATO COR PORT 1997 1 DVD/ VHS

CANGAÇO  O CANGACEIRO -1953-P&B-ALBERTO RUSCHEL, MARISA PRADO, MILTON RIBEIRO, VANJA ORICO – Cia Vera Cruz – um clássico do gênero.

CANGAÇO  OS TRÊS CANGACEIROS ANKITO, GRANDE OTELO, RONALD GOLIAS, NEIDE APARECIDA, NELLY MARINS P&B POR COMÉDIA  1959 1 DVD/ TV

CANGAÇO - A MULHER NO CANGAÇO -documentário de 45 min. sobre o papel da mulher no cangaço nordestino, enfocando diversas figuras como Maria Bonita, Dadá, etc. Fotos e cenas da época

CANGAÇO - documentário raríssimo O ÚLTIMO DIA DE LAMPIÃO 1 dvd

CANGAÇO - PEDRO BÓ O CAÇADOR DE CANGACEIROS COMEDIA COR 90 MIN

CANGAÇO - AS CANGACEIRAS ERÓTICAS -  DIR. ROBERTO MAURO, 1977-ESTRÉIA DE HELENA RAMOS E MATILDE MASTRANGI.  CANGACEIRO COM FAROESTE  TUPINIQUIM.

CANGAÇO -  DEU A LOUCA NO CANGAÇO (1969), de Nelson Teixeira Mendes, com Dino e Dedé Santana

CANGAÇO FAUSTO O CANGACEIRO   -1970-DE LEON HIRZMANN- a história de Faustino Guabiraba, cangaceiro conhecido como Faustão, que andava nos sertões do nordeste.

CANGAÇO O CANGACEIRO SANGUINÁRIO. [1969, Dir. Osvaldo Oliveira, Com Mauricio Do Valle e Jofre Soares]  1 DVD

Cangaço  NORDESTE SANGRENTO (1963), de Wilson Silva, com Paulo Goulart (raríssimo)

CANGAÇO O JULGAMENTO DE LAMPIÃO 1 DVD RARÍSSIMO!

CANGAÇO - CANTA MARIA 2006  Vanessa Giácomo – José Wilker – Marco

Ricca  Francisco Ramalho Jr. 1 DVD

CANGAÇO -ANTONIO DAS MORTES – c/ Mauricio Do Vale 1 DVD - DE GLAUBER rOCHA

CANGAÇO MEMÓRIA DO CANGAÇO – raríssimo documentário,p&b,com o apoio do Gov.da Bahia,fotos originais da época, depoimentos autênticos, e trechos do documentário filmado em 1936 pelo mascate Abraão Benjamim, mais versos do próprio Virgulino Ferreira e da narrativa de cordel...imagem excelente 1 DVD

CANGAÇO A ILHA DAS CANGACEIRAS VIRGENS- Dir. Roberto Mauro, 1976. 1 dvd

CANGAÇO FAUSTÃO, O CANGACEIRO DO REI Eduardo Coutinho 1971

FATOS: Documentário com (cangaceiros) João Gomes de Lira,Candeeiro,Vinte e Cinco,Cila,Adilia,Elias marque e Durval Rosa.

NORDESTE SANGRENTO NA TRILHA DO CANGAÇO (1963), de Wilson Silva, com Paulo Goulart (raríssimo)
-  4 Documentários ( ALAGADIÇO,LAMPIÃO E O CANGAÇO, OS HERDEIROS DO CANGAÇO E ESTÉTICA DO CANGAÇO ) 4 dvds
A CIDADE DE QUATRO TORRES ( Filme sobre o ataque a cidade de Mossoró 
ENTRE HERÓIS E BANDIDOS: A MULHER CANGACEIRA.( Documentário)
VANJA ORICO ( Documentário Vanja Vai , Vanja Vem )
ESTÉTICA DO CANGAÇO. ( Documentário com Frederico Pernambucano de Mello )
DADÁ A MUSA DO CANGAÇO ( Documenário com Dadá,esposa de Corisco )
ATÉ O SOL RAIÁ ( Doc. 3D )
O LUGAR DA MORTE DE JESUINO BRILHANTE ( Documentário)
A VIOLÊNCIA OFICIALIZADA NO TEMPO DO CANGAÇO ( Documentário )
DEPOIMENTO DE LUIZ RUFINO ( Documentário )
CANDEEIRO - Manuel Dantas Loiola ( Documentário )
A VIDA DE LAMPIÃO SERRA TALHADA ( Documentário )
RASTEJADORES ( Ducumentário )
DURVINHA E MORENO ( Documentário Inedito) Durvinha faleceu,Moreno ainda é vivo em BH.
SERRA TALHADA ( Documentário inédito revela fatos inusitados sobre Lampião -repórte Diário
ALPERCATA DE RABICHO ( Documentario, o Xaxado em Pernambuco )

O CALDEIRÃO DE SANTA CRUZ DO DESERTO ( Documentário )

A HISTÓRIA DO REI DO CANGAÇO (JORNAL DA NOITE-BAND) PB, raríssimo,curto

IMAGENS DO CANGAÇO Filmagem original por Benjamim Abrahão(ABBAFilmes) – 1936 (bônus: a Historia do Cangaço, Jornal da Noite, Band; Exposição Lampião (emmuseu, as cabeças dos cangaceiros,roupas etc)

HISTÓRIA E IMAGENS DE LAMPIÃO, DO CANGAÇO E DO MUSEU CASA DE MARIA BONITA (BA)

CANGAÇO RARIDADES 1) A Saga de Lampião – da série Almanaque.  23’ 2) A Estética do Cangaço. 29’ 3) O Cangaceiro: roupas e apetrechos. (Luiz Gonzaga aparece) 13’ 4)  Registros históricos (apresentam algumas falhas técnicas):Memória do Cangaço (1965)  28’ A Musa do Cangaço (1981) – entrevista com Dadá.  15’ 5) Benjamin Abraão – mostra as imagens originaL    8’

CANGAÇO RARIDADES 2 - 1) Chuva de Balas no País de Mossoró - retrata a festa que é realizada na cidade em comemoração à resistência da mesma ao ataque do bando de Lampião.   2) MandaCaru – abertura da novela que reproduz o ataque a Angicos.  3) O Brasil É Aqui – trecho do programa que mostra a trilha do cangaço.   11’4) Memória do Cangaço (1965) – nova cópia, sem falhas técnicas.  25’  5) O Rastejador (1972) – apresenta depoimentos de especialistas em caçar animais e perseguir cangaceiros.   25’ 6) Lampião, uma história de amor e sangue – Globo News Especial.        22’

O CANGACEIRO - (Tomas Milian, Howard Hoss, cor/leg - 1971)
OS ÚLTIMOS CANGACEIROS (Wolney Oliveira, 2011)Jovina Maria da Conceição e José Antonio Souto são dois senhores que levam uma vida bem comum pelos últimos 50 anos. O que ninguém sabe, incluindo seus filhos, é que estes nomes são falsos. A dupla, na verdade, é conhecida como Durvinha e Moreno. Eles integraram o bando de Lampião, o mais controverso e famoso líder do cangaço. A verdade só vem à tona quando Moreno, aos 95 anos, resolveu compartilhar suas lembranças com os filhos, além de sair a procura de seu parentes vivos, incluindo seu primeiro filho.

CANUDOS Brasil, 1978 Documentário 70 minutos Direção: Ipojuca Pontes Temática: Realizado a partir de depoimentos de remanescentes e estudiosos da Campanha de Canudos (1896/7). Narrado por Walmor Chagas.

CAPARAÓ  documentário de Flávio Frederico, vencedor do Festival "É tudo verdade" de 2006, acaba de estrear em circuito nacional. Baseado em pesquisa cuidadosa, o filme busca reconstituir, por meio de depoimentos e imagens atuais e de arquivo, o primeiro episódio de luta armada contra a ditadura militar no Brasil, nos anos 60. Com trilha sonora bem cuidada, montagem afinada e direção consciente, Caparaó seduz pelo tema, teor dos testemunhos e talvez, principalmente, por recriar uma atmosfera de idealismo, tão rarefeita nos dias de hoje.O foco é a Serra do Caparaó, na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais. Mas o filme varre o território nacional em busca dos personagens do episódio. Aprende-se que, na verdade, o episódio Caparaó nasce no Sul – mais precisamente no Uruguai – de onde Brizola, então exilado, envia dinheiro e instruções ao grupo de ex-militares expurgados pelo regime. Esse grupo se organiza em Porto Alegre, e a primeira tentativa de guerrilha, frustrada, se dá em Criciúma. De lá o grupo parte para Caparaó, no sudeste do país, para estruturar uma resistência no campo.Apoiados pelo governo de Fidel Castro e na expectativa de criarem uma "Sierra Maestra" brasileira, os guerrilheiros do Caparaó passam bom tempo nas montanhas se preparando, à espera de uma ordem para entrar em ação que nunca chega. Com saúde e moral abalados nessa espera, os militantes acabam presos antes mesmo de a guerrilha ser efetivamente deflagrada. O episódio resultou na morte de um dos revolucionários, assassinado pelo exército.

CAPITÃES DE ABRIL, 2000. DIREÇÃO: Maria de Medeiros

CAPITU 1 DVD -1968, Com Othon Bastos, Raul Cortez e Rodolfo Arena (da obra DOM CASMURRO de Machado de Assis)

CARA A CARA  [1968, Com Helena Ignez e Paulo Gracindo, Dir. Julio Bressane]

CARA DE FOGO (1957), de Galileu Garcia  COM Alberto Rushell PB telecinado de película 16mm (talvez uma de minhas maiores raridades) 1 dvd (VOCE SÓ ACHA AQUI!!!)

HISTORIA 

O Cangaceiro 1953 Lima Barreto

Os Fuzis 1964 Ruy Guerra

Pindorama 1971 Arnaldo Jabor

Como Era Gostoso o meu Francês 1972 Nélson Pereira dos Santos

Getúlio Vargas 1974 Ana Carolina

Lucíola - o Anjo Pecador 1975 Alfredo Sternheim

Xica da Silva 1976 Carlos Diegues

Doramundo 1977 João Batista de Andrade

O Caminho das Índias 1979 Augusto Sevá

Coronel Delmiro Gouveia 1979 Geraldo Sarno

Os anos JK - uma Trajetória Política 1980 Sílvio Tendler

Gaijin - os Caminhos da Liberdade 1980 Tizuka Yamasaki

Fitzcarraldo 1982 Werner Herzog

Pra Frente, Brasil 1983 Roberto Farias

Cabra Marcado para Morrer 1984 Eduardo Coutinho

Quilombo 1984 Carlos Diegues

Memórias do Cárcere 1984 Nelson Pereira dos Santos

Jango 1984 Sílvio Tendler

O Evangelho Segundo Teotônio 1985 Wladimir Carvalho

Céu Aberto 1985 João Batista de Andrade

O Beijo da Mulher da Aranha 1985 Hector Babenco

O Homem da Capa Preta 1985 Sérgio Rezende

Chico Rei 1987 Walter Lima Júnior

Eternamente Pagu 1987 Norma Bengell

Guerra do Brasil 1987 Sylvio Back

O País dos Tenentes 1987 João Batista de Andrade

Rádio Auriverde 1991 Sylvio Back

Independência 1991 João Batista de Andrade

Os Reinados 1992 Fernando Severo

Canudos 1993 Antonio Olavo

Corisco e Dadá 1994 Rosemberg Cariry

Lamarca 1994 Sergio Rezende

Carlota Joaquina - a Princesa do Brazil 1995 Carla Camurati

O Cangaceiro 1995 Anibal Massaini Neto

O Judeu 1995 Jom Tob Azulay

Baile Perfumado 1996 Lírio Ferreira e Paulo Caldas

O Guarani 1996 Norma Bengell

O Quatrilho 1996 Fábio Barreto

Guerra de Canudos 1997 Sergio Rezende

O que é isso, Companheiro? 1997 Bruno Barreto

Adágio ao Sol 1997 Xavier de Oliveira

Anahy de las Misiones 1997 Sérgio Silva

For All - o Trampolim da Vitória 1998 Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz

Tiradentes 1998 Oswaldo Caldeira

Policarpo Quaresma - Herói do Brasil 1998 Paulo Thiago

Lost Zweig 1998 Sylvio Back

Hans Staden 1998 Luiz Alberto Pereira

A Hora Mágica 1999 Guilherme de Almeida Prado

Mauá, o Imperador e o Rei 1999 Sergio Rezende

Dois Córregos 1999 Carlos Reichenbach

No Coração dos Deuses 1999 Geraldo Moraes

Villa-Lobos, uma Vida de Paixão 2000 Zelito Viana

TONY VIEIRA, FAUZI MANSUR, ALEX PRADO

FILMES DE TONY VIEIRA

QUATRO PISTOLEIROS EM FÚRIA--TONY VIEIRA - RARIDADE QUE VC SÓ ACHA AQUI!!!  R$39,00 

UM PISTOLEIRO CHAMADO CAVIUNA--TONY VIEIRA - RARIDADE QUE VC SÓ ACHA AQUI!!! R$39,00

A FAMOSA LINGUA DE OURO Tony Vieira 1988 R$16,90  (+ frete abaixo)

A FILHA DO PADRE  [1975, Tony Vieira e Claudette Joubert R$16,90

AS AMANTES DE UM CANALHA (1977), de Tony Vieira, com Tony Vieira, Heitor Gaiotti e Claudete Jaubert (raro) -(imagem um pouco desbotada, como já estava na fita original; nada que comprometa, no entanto) Tony Vieira (Mauri de Queiroz) é um dos grandes cineastas brasileiros que não tem o devido reconhecimento. R$16,90

OS PILANTRAS DA NOITE TONY VIEIRA raríssimo – única copia existente – imagem apenas razoavel,de antiga película 16mm vc. Só acha aqui R$49,00

AS MENINAS DA B... DOCE   TONY VIEIRA    1986 R$15,90

CALIBRE 12 (1988), de Tony Vieira, com Tony Vieira, João Amorim e Heitor Gaiotti (raríssimo, o último bangue-bangue do maior astro brasileiro do gênero) R$19,90  

CONDENADA POR UM DESEJO  [1981, Dir. Tony Vieira, Com Claudete Joubert e Tony Vieira] R$15,90

DESEJOS SEXUAIS DE ELZA 1 dvd Tony Vieira-Shirley Benny,Cleusa Ramos R$15,90

EU ADORO ESSA COBRA Tony Vieira  1987  R$15,90

GREGÓRIO VOLTA A ATACAR Tony Vieira raridade telecinada de película 16mm que vc só acha aqui R$49,00

GRINGO - O ÚLTIMO MATADOR  1972  Faroeste  Tony Vieira R$15,90

MENINAS DE PROGRAMA      TONY VIEIRA    1984 R$16,90

NEUROSE SEXUAL Tony Vieira 1985  R$18,90

O EXORCISTA DE MULHERES (1974), de Tony Vieira, com Tony Vieira, Heitor Gaiotti e Claudete Jaubert (um dos mais raros filmes policiais de Tony Vieira). R$16,90

O ÚLTIMO CÃO DE GUERRA  -DIR.TONY VIEIRA R$16,90

OS DEPRAVADOS [1978, Dir. Tony Vieira, Com Claudette Joubert e Tony Vieira] R$15,90

OS VIOLENTADORES 1978-Tony Vieira,Claudette Joubert, Heitor Gaiotti Raridade televisada de película 16mm PB que você só encontra aqui (trás de bônus o trailer de Os Depravados)

PANCA DE VALENTE (1968), de Luiz Sérgio Person  -Tony Vieira RARÍSSIMO! R$19,90

SINAL VERMELHO AS FEMEAS- VERA FICHER. Raridade telecinada de película 16mm na Alemanha (áudio em alemaõ s/leg) R$49,00

TORTURA CRUEL- (FÊMEAS VIOLENTADAS) Dir. Tony Vieira 1 dvd R$15,90

TORTURADAS PELO SEXO  1976 Tony Vieira R$16,90

TRAÍDAS PELO DESEJO [1976, Dir. Tony Vieira, Com Claudete Joubert e Tony Vieira] R$15,90

VENHA BRINCAR COMIGO    Tony Vieira 1986 R$15,90

ALEX PRADO

A VINGANÇA DE CHICO MINEIRO (1977), de Rubens da Silva Prado, com Alex Prado (raríssimo ) R$17,90

GREGÓRIO 38 telecinado de pelicula 16mm - 1969 - de ALEX PRADO    "Depois de trabalhar muito e ganhar o suficiente para saldar as dívidas da família, Toni regressa ao sítio dos pais e encontra todos mortos. Descobre que seus familiares foram exterminados por jagunços chefiados por Gregório, um pistoleiro da região que aluga suas armas ao latifundiário Saldanha. Toni leva seus mortos à cidade mais próxima e constrói para eles um pequeno cemitério. Em decorrência da decisão que tomara, de impor a si mesmo o dever de vingança, abre diversas covas, colocando em cada uma delas os nomes dos jagunços do bando de Gregório. Daí em diante, perseguirá implacavelmente os assassinos de sua família, ficando o duelo final entre ele e Gregório." (Guia de Filmes, 24, 1969)  Como muitos colegas de geração, Rubens Prado aprendeu a fazer e produzir film es sem respaldos oficiais, no dia-a-dia dos sets de filmagem. Ao lado dos inúmeros artistas e técnicos que deram corpo e vida ao cinema da Boca, dirigiu alguns dos maiores clássicos do western feijoada. Inspirado por filmes como Da terra nasce o ódio (1954), A lei do sertão (1956) e Homens sem paz (1957), Rubens Prado tomou por cenário a cidade de Guararema, no interior paulista, para as filmagens de Gregório 38, seu primeiro bangue-bangue. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra R$49,00

DAVID CARDOSO

A MORENINHA  -capítulo 79 na íntegra + extras - 1 dvd  -  A Moreninha é um dos principais romances brasileiros e seu autor, Joaquim M. de Macedo é um dos mais importantes autores da língua portuguesa. centrado no romance entre Augusto e Carolina, é um dos pilares de nossa literatura. numa época onde a cultura era voltada para Europa, A Moreninha é uma das primeiras e magníficas tentativas de fazer literatura brasileira, observando usos e costumes do Brasil do 2º  Iimpério, retratando o cotidiano da vida brasileira. com Sônia Braga  e David Cardoso

A FREIRA E A TORTURA (83) – De Ozualdo Candeias / Com Vera Gimenez, Cláudia Alencar, David Cardoso, Sérgio Hingst.

AGNALDO, PERIGO A VISTA 1969, Agnaldo Rayol, David Cardoso, Erasmo Carlos, Jô Soares e Ronald Golias (RARÍSSIMO!)

A HERANÇA (1971), de Ozualdo Candeias, com David Cardoso e Bárbara Fázio (a lendária adaptação de Hamlet que Ozualdo Candeias fez, transpondo a ação para o interior do Brasil; é pra lá de raro). 

A NOITE DAS TARAS I. [1980, de David Cardoso c/ Matilde Mastrangi

AS SEIS MULHERES DE ADÃO [David Cardoso, 1977]

BANDIDO, FÚRIA DO SEXO DAVID CARDOSO, MALU BRAGA 1978 

CAÇADA SANGRENTA. [David Cardoso]

CAÇADAS ERÓTICAS 1983  David Cardoso, Matilde Mastrangi e Sônia Garcia. O filme é dividido em três episódios. Na primeira história (A Espiã Portuguesa), um homem é seduzido por uma estranha mulher; na segunda (sem título), casais fazem orgias; e, na terceira (Os Punks), garotas punk seqüestram e estupramrapazes Obs: gravado, digitalmente, da TV

CORPO ARDENTE c/ DINA SFAT , David Cardoso, de Walter Hugo Khoury

CAIGANGUE - A PONTARIA DO DIABO 1973  Faroeste   David Cardoso

CORPO E ALMA DE MULHER (83) – De David Cardoso / Com Matilde Mastrangi, Helena Ramos, Tássia Camargo.

CORPO DEVASSO (DAVID CARDOSO E ARLINDO BARRETO

DESEJO SELVAGEM, MASSACRE NO PANTANAL. [1979, Dir. David Cardoso, Com Mário Lúcio e David Cardoso 1 DVD

19 MULHERES E 1 HOMEM 1977 David Cardoso, Luiz Carlos Braga, Zélia Diniz, Patrícia Scalvi

PORNÔ! [1981, David Cardoso, Matilde Mastrangi e Zélia Diniz]

POSSUIDAS PELO PECADO. [David Cardoso e Agnaldo Rayol]

SEDUÇÃO,  com a Sandra Brea e o David Cardoso.raro, de FAUZI MANSUR (possivelmente a única copia que existe!)

TENTAÇÃO NA CAMA. [1984, Dir. Ody Fraga, David Cardoso e Marli Mendes] 

O GUARANI - 1996-José de Alencar -  David Cardoso - ÓTIMO

AMADAS E VIOLENTADAS 1 dvd David Cardoso

ROBERTO CARLOS EM RITMO DE AVENTURA (1968) – 1 DVD – COLORIDO (David Cardoso)

NOITE VAZIA WALTER HUGO KHOURI 1964 com David Cardoso

O VICIADO EM C...1 DVD

AS NOVAS AVENTURAS DO VICIADO EM C...1 DVD

O CARA DE FOGO (1957), de Galileu Garcia  com Alberto Rushell e Milton Ribeiro PB telecinado de película 16mm (talvez uma de minhas maiores raridades) 1 dvd (VOCE SÓ ACHA AQUI!!!) R$49,00

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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

EX-CANGACEIRA NARRA MORTE DE LAMPIÃO

ANA FRANCISCA PONZIO - ESPECIAL PARA A FOLHA

O cangaceiro Zé Sereno e o cangaceiro Azulão III

Hoje dona Sila tem medo de cobra e sapo. Nem parece a cangaceira que, há quase 60 anos, participou do bando de Lampião, o mito das caatingas, misto de bandido e justiceiro, que morreu em uma emboscada em 1938.

Costureira aposentada, Sila é viúva de Zé Sereno, homem de confiança de Lampião. Foi ele quem a sequestrou, quando ela tinha 14 anos, para transformá-la em companheira e cangaceira.

Os dois tiveram quatro filhos e ficaram juntos até que um enfarte o matou, em 1981. Na época, já viviam em São Paulo, para onde vieram em 1945, após a anistia concedida por Vargas aos cangaceiros sobreviventes.

Alheia às versões sobre o cangaço, Sila está lançando um livro de memórias.

``Sila - Memórias de Guerra e Paz" narra as experiências da autora desde a entrada no cangaço. ``A partir de meus depoimentos, foi lançado um livro sobre minha vida, em 84. Como a assinatura era de outra pessoa e nunca vi a cor do dinheiro, resolvi contar minha história para que meus netos saibam que fui uma mulher corajosa e batalhadora".

Na verdade, Sila é o apelido que Ilda Ribeiro de Souza ganhou na infância. Nascida na cidade de Poço Redondo, interior de Sergipe, era filha de um fazendeiro. Com oito irmãos, ela perdeu a mãe aos seis anos e o pai aos 13.

Aprendeu a costurar e bordar -habilidade que continuou praticando no cangaço, durante os curtos períodos de trégua policial. Apesar da aridez do sertão, os cangaceiros gostavam de vestir roupas enfeitadas, além de usar jóias.

Andar perfumado era outro hábito dos homens e mulheres do cangaço. ``Ganhávamos perfumes estrangeiros dos fazendeiros que nos protegiam. Banho era mais difícil, só tomávamos quando parávamos em algum lugar seguro."

Ao contrário do que já se disse, os homens do cangaço não costuravam. ``Esta era uma tarefa das mulheres. Cozinhar, sim, era costume dos cangaceiros", diz Sila.

Ela conta que teve um filho um ano após se juntar a Zé Sereno. ``Maria Bonita foi a parteira". Como não eram permitidas crianças no cangaço, Sila entregou o filho, que chamou de João do Mato, aos cuidados de conhecidos de sua família. Muitos anos depois, ela soube que o bebê morreu com poucos dias de vida. ``Era uma vida sacrificada. Só cangaceiro aguentava, os soldados não".

Sila acompanhou o bando, ainda que contrariada com Zé Sereno por tê-la raptado. No segundo dia de cangaço, após muita caminhada, ela presenciou o primeiro confronto entre o bando de Lampião e os mocas, ou macacos, como eram chamados os soldados. ``Com o tempo, a gente vai se acostumando com o que é bom e o que é ruim", comenta Sila, na casa em que mora com o filho mais novo, Wilson, no Butantã (zona oeste de SP).

Sila nunca entendeu bem os porquês do cangaço. ``Não havia muito tempo para conversa".

Contudo, ela guarda boas lembranças dos antigos companheiros. ``Éramos uma família. Todos eram iguais e as mulheres sempre foram muito respeitadas. Os soldados é que faziam barbaridades e botavam a culpa em Lampião."

O rei do cangaço, afirma Sila, era calmo, leal, honesto, valente, tinha senso de justiça e despertava respeito. Já Maria Bonita, era mais espevitada, na opinião de Sila. ``Sempre foi brincalhona."

Na noite anterior à tragédia que abateu o grupo de Lampião, em Angico, em Sergipe, Sila avisou Maria Bonita de que luzes estranhas piscavam ao longe. ``Ela disse que deviam ser vaga-lumes. Na verdade, eram os macacos, já posicionados para nos matar."

Boa corredora, Sila escapou ao cerco que matou Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, cujas cabeças decepadas foram exibidas em cidades do Nordeste. Alguns meses depois, Sila e Zé Sereno se renderam para enfrentar a legalidade no sul do país. ``Naquela época, nunca pensei que um dia relataria essa história."

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https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/7/30/cotidiano/28.html

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