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sábado, 4 de junho de 2011

Um forte abraço ao Potiguar Oscar Schmidt

Por: Rostand Medeiros


           Recentemente todo o Brasil ficou apreensivo com a notícia da internação de Oscar Schmidt no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para a retirada de um tumor do cérebro.

Rostand Medeiros e Oscar Schmidt

          Foi durante uma viagem ao exterior que Oscar passou mal e retornou ao nosso país, onde foi submetido a esta cirurgia. O hospital informou que a operação foi realizada com o objetivo de retirar um nódulo localizado na parte frontal esquerda do cérebro.
           Ainda segundo a imprensa, o hospital esclareceu que um exame parcial realizado durante a cirurgia, apontou que o nódulo é benigno (de menor gravidade), mas enfatizou que a confirmação definitiva deste diagnóstico só “deverá ser divulgada nos próximos dias”.

Oscar à direita

             Para alegria de todos os procedimentos cirúrgicos foram realizados com sucesso e Oscar está se recuperando de forma satisfatória. A imprensa divulgou que ele está “com muito bom humor”.
            Para quem não sabe Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em Natal, no dia 16 de fevereiro de 1958. Ele é filho de Seu Oswaldo Aires e de Dona Janira Bezerra, uma orgulhosa seridoense da cidade de Parelhas.
            Até 1970 Oscar e seus familiares residiram na capital potiguar, onde nasceram seus dois irmãos, Luiz Felipe (oficial da Marinha) e Emanuel Tadeu (jornalista e apresentador da Rede Globo).

Oswaldo Aires e Janira Bezerra

            No primeiro semestre de 2009, em Brasília, tive a oportunidade de conhecer Seu Osvaldo, Dona Janira e Oscar. Coincidentemente este encontro se deu em um restaurante de comidas típicas do nosso sertão, onde eles apreciavam um belo prato de carne de sol.
            Extremamente simples e atenciosos, nunca esqueci como sua mãe valoriza suas raízes e de como Oscar tem orgulho de ter nascido em Natal e no Rio Grande do Norte. Já seu Osvaldo demonstrou um afeto muito especial por Natal, fato este comum em praticamente todos os militares que vieram servir as Forças Armadas na capital potiguar.

Oscar

           Para minha satisfação, mesmo sendo um encontro fortuito e inesperado, ao conversar com Dona Janira descobri que ela havia conhecido pessoas da minha família quando morava em Parelhas. No bate papo com Oscar ele espontaneamente buscou conhecer mais detalhes dos aspectos históricos de região de origem de sua mãe.

Oscar Schmidt

            Isso tudo é muito positivo, pois já tive a oportunidade de conhecer pessoas que por pura ignorância, negam ter nascido no Rio Grande do Norte e desvalorizam suas raízes. Ao ver uma figura como Oscar Schmidt ter este posicionamento, cada vez mais me convenço que devemos conhecer e valorizar nossas origens, pois sem isso certamente uma pessoa tem pouco futuro.

Oscar Schmidt

            Confesso que me recordei da maior conquista deste grande jogador. Foi a sensacional vitória do Brasil frente aos Estados Unidos, nos Jogos Pan-americanos de Indianápolis, em 1987 (na casa dos “hômi”), que deu a medalha de ouro ao nosso país com uma maravilhosa vitória de 120 a 115 pontos.


             Era um domingo à noite e este fantástico jogo foi transmitido pela extinta TVE do Rio, e retransmitido em Natal pela TV Universitária. Simplesmente não acreditava vendo a vitória brasileira e vibrando junto com a minha irmã Carla Régia por este feito sensacional. Aquilo foi incrível.

Oscar

           Espero que logo o nosso “Mão Santa” esteja de volta as suas atividades de comentarista e palestrante, estando plenamente recuperado.

Valeu campeão!

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Extraído do blog: "Tok de História", do próprio autor deste artigo - "Rostand Medeiros" 



Benjamim Abrahão: O Enviado especial de Ademar Albuquerque?!

Por: Aderbal Nogueira


                Pois é, a história nos causa muitas surpresas. 
               Pelo que eu sabia até ontem foi o libanês Benjamin Abrahão quem teve a iniciativa de filmar e fotografar Lampião, porém, em uma gravação de um documentário que estou fazendo com o amigo Gláuber Paiva, que não tem nada a ver com cangaço, surgiu o assunto Lampião.

Benjamin a esquerda, Maria Bonita e Lampião
            
            Pois o nosso entrevistado, Miguel Ângelo de Azevedo, o famoso "Nirez" que juntamente com Christiano Câmara são os dois maiores memorialistas e pesquisadores da história de Fortaleza, tendo um acervo incrível sobre nossa cidade, nos relatou que Chico Albuquerque, filho de Ademar Albuquerque lhe contou como foi que ocorreram as famosas filmagens de Lampião e seu bando.

Ademar Albuquerque
              
               Eu não tenho como provar a veracidade desse fato, porém Nirez é de uma sinceridade acima de qualquer suspeita.
            Se o que ele nos fala for a verdadeira versão, é mais um sinal de que a história sempre tem duas caras. Como dizia o famoso humorista: "há controvérsias, amado mestre". 

          
            Se pensarmos bem após esse depoimento, realmente o que um libanês que não tinha nenhum conhecimento de técnicas fotográficas poderia querer filmando Lampião?
            Já Albuquerque era diferente, era empresário do ramo, vivia disso e conhecia os meios e como, depois, distribuir o material para o mundo. Tinha uma visão ampla do lucro que isso podia trazer, era influente e é muito mais plausível essa hipótese.
 
Pesquisador e Memorialista Nirez Azevedo
              Quero ressaltar que em momento algum Nirez tentou dizer nada a respeito de que o relato ia de encontro a tudo o que foi dito até hoje, não tentou criar nenhum tipo de polêmica, ele simplesmente relatou o que ouviu.
              Eu sim fiquei pasmo, na mesma hora vi que ali poderia estar a verdadeira história... mas quem sou eu para atestar?
Abraço
Aderbal Nogueira
Extraído do blog: "Lampião Aceso"


sexta-feira, 3 de junho de 2011

A beleza da mulher cangaceira

 Por: Alcino Alves Costa

           
            Há muitos anos, dominado pela minha obsessão em pesquisar as coisas do sertão, em especial, as coisas do cangaço, eu vivo à procura de fatos quase que impossíveis de serem encontrados dos tempos de Lampião.

Lampião
            
             Carrego em meu sentimento uma vontade louca de encontrar fotos daquelas mocinhas que se bandearam para o cangaço. Será que fotografias não conhecidas poderiam ainda ser encontradas? – assim eu imaginava. Eu tinha quase a convicção que não.

Baiano
       
           Você, meu querido vaqueiro da história, você já imaginou encontrarmos uma foto de Lídia Pereira de Sousa, a famosa Lídia de Zé Baiano, nascida no Raso da Catarina, no lugarejo Salgadinho, o mesmo local do nascimento de Nenê de Luís Pedro e de Naninha de Gavião?

Neném do Ouro e Luiz Pedro
         
            Como se sabe, dizem que Lídia era a mulher mais linda e mais atraente do cangaço. A sua história foi triste e medonha. Em 1934 foi assassinada. O assassino foi seu próprio companheiro, o desalmado “Carrasco de Chorrochó”, o antigo pedreiro Aleixo, celebrado no cangaço com o nome de Zé Baiano. Uma versão dá conta de que ela foi enterrada no Riacho do Quatarvo, nas terras da antiga fazenda Paus Pretos, do coronel Antônio Caixeiro, em terras do município de Poço Redondo.


João de Sousa Lima e Juriti

            
             Será que existem fotos da bela Maria de Juriti, nos tempos de sua juvenil mocidade ao lado deste famoso cangaceiro?

Lampião e Juriti  - ambos  esposos das Marias
           
            Quem é de nossos confrades que conhece uma foto de Dinda, a mocinha filha de Poço Redondo que foi para a companhia de seu noivo, João Mulatinho, irmão de Adília de Canário, alcunhado no bando de Delicado?

Adília, à esquerda, Sila, à direita
             
              Quem conhece uma foto de Rosinha, de Mariano e de Adelaide, de Criança, caboclinhas irmãs, filhas que eram de Lé Soares? 
Quem antes dessa postagem conhecia uma foto de Enedina, a única mulher casada do bando de Lampião? Com certeza absoluta ninguém. 
Pois bem! Meus amigos e companheiros no rastejar a história dos povos sertanejos, em especial a história do cangaço e de Lampião, neste mês de fevereiro de 2011, eu tive uma grandiosa surpresa. Surpresa que me deixou pleno de felicidade. Emocionado mesmo.

Zé de Julião, companheiro de Enedina
          
             Conversando com Antônio Neto, um grande artista de Poço Redondo, neto da falecida Maninha, que era irmã de Enedina, a Enedina de Zé de Julião, a Enedina que morreu em Angico ao lado de Lampião, ele me disse que sua mãe, dona Antonieta, tinha uma foto da esposa do cangaceiro Cajazeira de pouco antes dela ter ido para o cangaço. Ainda mais. Que aquela foto havia sido tirada no dia de seu casamento que aconteceu na igrejinha de Poço Redondo, em 15 de Agosto de 1937.
          Fiquei atarantado com aquela inesperada novidade. Ter esta foto em minhas mãos era algo de um valor extraordinário. Tonho Neto se comprometeu em ir buscá-la na Pia do Boi, fazendinha do município onde a sua mãe reside. A minha expectativa era enorme. Eis que no dia 20 deste mês, este meu querido amigo me entregou a foto, esta foto que tenho a felicidade de mostrá-la a todos os que pesquisam e estudam o cangaço.

Enedina, esposa de Zé de Julião,
antes de entrar para o cangaço

               Vejam meus companheiros o quanto Enedina era bela. Uma menina-moça que carregava em seu corpo e em seu espírito uma lindeza incomparável. E saber que uma jovem e linda mulher, como Enedina, no fulgor de sua mocidade, perdeu a vida, com a sua cabeça esbagaçada por uma infeliz bala, na subida de uma das serras de Angico, é um acontecimento que ainda hoje, após tantos anos, nos deixa tristes e desconsolados.
             Olhem devagar e com muito carinho esta foto. O que é que vocês acharam? Que tal! Aí está a prova do quanto a mulher sertaneja era e é bela, linda, maravilhosa. 
             A beleza da mulher cangaceira era realmente invulgar. Além de Lídia, considerada a mais bela de todas, não podemos desconhecer a beleza

de Maria Bonita,
de Maria de Pancada,
de Dulce, a segunda companheira de Criança;
de Sila de Zé Sereno,
o jeito trigueiro e belo de Dadá de Corisco
 e Inacinha de Gato

e tantas outras que com sua beleza e seu fascínio alucinavam os jovens cangaceiros que tinham naquelas lindas flores campestres, flores em forma de gente, a essência do amor e do desejo se derramando aos dengos em seus másculos braços, alucinadas de desejos, dominadas por uma volúpia incontrolável, dando e recebendo quase que divinais momentos de felicidade e prazer, mesmo que em um ambiente quase que perene de sofrimento e gravíssimos perigos da própria vida.
             A história tem sido injusta com a mulher cangaceira. Elas mudaram o viver do cangaço. Foram verdadeiras heroínas que amenizavam a brutalidade dos cangaceiros. Foram elas as sertanejas que ali estavam, naquele tão perigoso meio, unicamente para estarem ao lado do homem amado, dando e recebendo carinho, arriscando a vida em troca do prazer e da felicidade em acompanhar e estar ao lado do homem de sua vida.
             Elas eram lindas. Enedina era uma prova do que estou afirmando. Admirem esta foto que é uma relíquia da história de Poço Redondo e da história do cangaço.

Alcino Alves Costa
Caipira de Poço Redondo

Já deu uma olhadinha no blog "Cariri cangaço" hoje?

Extraído do blog "Conversas do Sertão"