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domingo, 22 de novembro de 2015

MULHERES NOTÁVEIS


Durvalina Gomes de Sá, nasceu em 25 de dezembro de 1915 em uma fazenda denominada arrasta pé, Paulo Afonso/BA. Lugar esse preferido para coito de Lampião e alguns cangaceiros, o cangaceiro Virgínio, viúvo da irmã mais velha de Lampião, se apaixona por Durvalina, que tinha 15 anos. Com fama de galanteador, não perdeu tempo. Pegou Durvalina e, para desespero dos pais dela, fugiu com a moça para o cangaço.

Após a morte de Virgínio, Durvinha profundamente abatida, é amparada por Moreno, assim se inicia uma das mais incríveis histórias de romance do cangaço.

Fonte: facebook

http://meumundojosemendespereira.blogspot.com

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“O FIM DE VIRGULINO LAMPIÃO” O que disseram os JORNAIS SERGIPANOS


O livro “O FIM DE VIRGULINO LAMPIÃO” O que disseram os JORNAIS SERGIPANOS custa:
30,00 reais, com frete incluso.

Como adquiri-lo:
Antonio Corrêa Sobrinho
Agência: 4775-9
Conta corrente do Banco do Brasil:
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A ESPOSA DE JESUÍNO BRILHANTE


Capa do Livro 'Jesuíno Brilhante: O cangaceiro romântico', de Raimundo Nonato. Fonte da foto: http://ozildoroseliafazendohistoriahotmail.blogspot.com.br/

Dona Maria era a esposa legítima de um pacato lavrador e vaqueiro que trazia o nome de Jesuíno Alves de Melo Calado. 

Isto até a idade de vinte e sete anos, quando tornou-se conhecido como Jesuíno Brilhante. 

Estas informações vamos encontrá-las num trabalho do escritor Raimundo Nonato. Seu livro “Jesuíno Brilhante, o cangaceiro romântico”, é mais um elo na corrente da história do cangaço. 

O casal tinha quatro filhas e um filho, o caçula. 

No ano de 1871, o destino resolveu terminar com a vida pacífica do jovem pai de família. 

O furto de um caprino, propriedade da gente de Jesuíno, por um membro da família dos Limões, pretos valentes e famosos por seus atrevimentos, deu início a uma sequência de lutas e mortes. 

Um irmão de Jesuíno foi agredido, dentro da vila de Patu, uns dias depois do furto por Honorato Limão, que ficou vangloriando-se do sucedido dentro da humildade em que ocorrera o episódio.

Alguém avisou Jesuíno do que acontecia; estava em uma casa bastante próxima.

Honorato falava alto para que todos ouvissem e Jesuíno escutava calado. 

Sua mulher em dado momento, chamou-lhe a atenção com as seguintes palavras: (segundo Raimundo Nonato): “Quem ouve tanto desaforo deve ter perdido a vergonha”. 

Essas palavras, ditas a queima-roupa, pela mulher, mexeram com seu brio de sertanejo.

Armou-se. 

Entrou na venda e matou o preto Limão a punhal. 
Estava iniciada a guerra entre os dois clãs.
Sua vida foi cheia de lances marcantes. 

Ordenou vários casamentos, como quando o noivo depois de seduzir a jovem negava-se a reparar o mal, ele intervinha a favor da desprotegida. 

Contam ainda quem que, certa vez uma pobre mulher disse-lhe que um valentão da região, sabendo que o marido da mesma estava ausente dissera que viria dormir com ela nessa noite. 

Jesuíno teria ficado dentro da casa, no quatro e este, ao ser invadido pelo malfeitor, foi palco da luta, pois o cangaceiro armado de punhal já aguardava o atrevido que foi crivado de pontaços. 

Salvou a honra da honesta sertaneja. 

Não teve dúvida em matar um de seus melhores homens quando este movido pela força irrefreável do sexo tentou abusar de uma donzela colocada sobre a proteção do cangaceiro zeloso das questões morais. 

Em ocasiões em que a polícia ou outros inimigos o atacavam, procurava refúgio na Casa de Pedra, esconderijo da serra do Cajueiro, onde em tempos anteriores seu tio José Brilhante buscava também abrigo e enfrentava as volantes. 

O sobrinho seguiu lhe os passos.

Sua família, a esposa Maia e os filhos acompanhavam-no, bem como seus comandados em números que não ultrapassava a uma dúzia, e escondiam-se ali na Casa de Pedra. 

Esse grupo atuava no Rio Grande do Norte e Parayba, lutava cantando como o fizera durante o combate na cidade de Imperatriz (atualmente denominada Martins) a mora da Corujinha. 

“Corujinha que anda na rua
Não anda de dia
Só anda de noite
Às Ave Maria...”

Ou esta outra estrofe que cantavam enquanto carregavam e disparavam os terríveis e mortíferos bacamartes: 

“Corujinha que vida é a tua? 
Bebendo cachaça, caindo na rua
Isto é bom, corujinha!
Isto é bom!”...

Interessante, e aqui vamos fazer um reparo para marcamos bem o fato. quase todo cangaceiro tinha como um ponto de honra máxima, na vida guerreira, não ser preso jamais. 

Morrer, ficar aos pedaços, tudo isso era uma possibilidade bastante presente para quem escolhia o cangaço. 

Segundo Câmara Cascudo, seu pai ao perseguir o cangaceiro Rio Preto ouvia-o cantar assim: 

“Rio Preto foi quem disse
E como disse não nega;
Leva bala e leva chumbo, 
Morre solto e não se entrega...”

Já do famoso Antônio Silvino, os cantadores afirmam que seria esta a opinião. Exaltando a morte do pai teria se externado desta forma: 

“Foi morto a tiros lutando
Na rua dum povoado
Vimos ele cair morto
No mais doloroso estado
Porém, tivemos a glória
De o não ver desfeitado”.

Não ser preso era o que importava. A morte, para quem se defendia das grades da prisão, era uma medalha honrosa, motivo de orgulho para os descendentes. 

Curiosamente esse cangaceiro foi obrigado, em virtude de grave ferimento, a entregar-se

“Num recado que mandei
Aonde a polícia estava
Eu pedia garantia
Dizendo que me entregava,
Mesmo porque - estava certo 
Daquela não escapava”.

Mas voltemos a Jesuíno Brilhante, este sim, seguiu a conduta tradicional dos antigos cangaceiros – tombou no campo da luta.

Sua esposa, Maia, findou casando-se com um dos cabras do falecido. 

Fonte: Lampião: As mulheres e o cangaço - Antonio Amaury Corrêa de Araújo

http://tudodepatu.blogspot.com.br/2015/08/a-esposa-de-jesuino-brilhante.html

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O CANTOR JOÃO MOSSORÓ FAZ SHOW NO PRIMEIRO SÁBADO DE CADA MÊS, NO RIO DE JANEIRO, NO MERCADÃO CADEG


Você que é nordestino, principalmente de Mossoró, ou de outra cidade do Rio Grande do Norte,  e mora no Rio de Janeiro, ou apenas paciando, prestigie o artista, participando do seu show no Mercadão Cadeg.

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LANÇAMENTO


O pesquisador social e médico psiquiatra Epitácio Filho lançará em Mossoró no próximo dia 24 o seu livro digital "Fui ao Croatá... O lançamento acontecerá no auditório da Biblioteca Ney Pontes Duarte, antiga União Caixeiral.

NOVEMBRO AZUL

Dentro das programações do Novembro azul, as UBS de Patu têm realizado uma série de ações preventivas nos bairros da cidade. Os dias "D" acontecem semanalmente e tem ampliado o número de consultas relacionadas à saúde masculina. A culminância do projeto será no próximo dia 28 com ações da Secretaria Municipal de Saúde nas ruas da cidade.

ACONTECENDO

Muita festa e alegria para Sandra Suassuna, Nadyr Godeiro, Lorena Nunes, Rubson Medeiros, o professor Mascena, Eveline Soares, Joalmi Júnior e hoje Larissa Maia e o querido Stefferson Dantas. Parabéns.

A Prefeitura de Patu, através da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos, em parceria com o Ministério das Cidades, retomou ontem as obras de sinalização de todas as avenidas da cidade. Os trabalhos estão bem avançados.

Na última quarta (18) aconteceu o coquetel de lançamento da coleção de alto verão da loja Fina Flor com direito a muitos brindes, desfile de peças e presenças ilustres. Eulália Alves e Jaqueline Jales receberam as clientes com muito luxo. 

A festa de Nossa Senhora dos Impossíveis está movimentando a cidade e a região que têm comparecido em massa para as celebrações no santuário. A programação segue com eventos sociais especiais até hoje e procissão amanhã, participe!

O fim de semana já tem destino certo, a boate pântano programa superfesta pra você que quer curtir no melhor estilo. Hoje, o Dj Guilherme comanda a festa e amanhã, o show fica por conta de Carlinhos e Banda. A entrada é gratuita!

Já com as coleções de alto verão bombando a LORD Boutique traz pra suas clientes o que há de melhor no universo da moda e do bom gosto.
As coleções da Santa Lolla e da Lança Perfume estão de arrasar!

http://omossoroense.uol.com.br/index.php/sociais/patu/71889-20112015

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(IN)DISCIPLINA NO ESPAÇO ESCOLAR: DESAFIOS À PRÁTICA NA EDUCAÇÃO - SUBMETE A PUBLICAÇÃO

Por Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva – UESB/DFCH
educacao.atarde.uol.com.br

Prezado Sr. 

Submeto a apreciação de V.Sas., para possível publicação artigo intitulado: (In)disciplina no Espaço Escolar: Desafios à Prática na Educação.
Atenciosamente,

Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Departamento de Filosofia e Ciências Humanas
Coordenador do Núcleo de Estudos da criança e do Adolescente - NECA/UESB

(In)disciplina no Espaço Escolar: Desafios à Prática na Educação

Estamos vivendo um tempo de crise de autoridade nos espaços educacionais, notadamente, das escolas, institutos e universidades, que refletem os problemas sociais, entre eles, o respeito ao bem comum, as ideias e valores (ou a falta), a convivência comunitária etc. Pesquisa realizada em 2008 pela Organização dos Estados Ibero-Americanos com cerca de 8,7 mil professores mostrou que 83% deles defendem medidas mais duras em relação ao comportamento dos alunos, 67% acreditam que a expulsão é o melhor caminho e 52% acham que deveria aumentar o policiamento nas escolas. Espaços educacionais tem sido alvo de consumo e tráfico de drogas, bebidas alcoólicas, brigas etc, nas atividades regulares e também em festas, reuniões e eventos.

A (in)disciplina no espaço escolar tem sido um desafio as práticas educativas. Gestores, professores, alunos, pais, mães e responsáveis tem sido chamado a enfrentar os desafios, que deixaram de ser esporádicos. Educadores não sabem como lidar, interpretar. Compreender ou reprimir? Encaminhar ou ignorar? Como administrar o ato indisciplinado? De um lado, autoridade e controle absoluto, substituídos por uma crescente perplexidade. Violência e indisciplina, linha tênue entre os limites de convivência. Mas, afinal, o que é indisciplina? Existem vários conceitos e definições.

Para Makarenko e Gramsci, “diz respeito a todos os elementos envolvidos com a prática escolar, estando desta maneira intimamente relacionada com a forma e, como a escola, organiza e desenvolve o seu trabalho...” não pode ter o caráter externo, posto que, a disciplina é resultado da educação. A disciplina não surge espontaneamente e, sem disciplina, o trabalho escolar não pode alcançar o seu alvo, as suas finalidades. Para Gramsci “disciplina significa a capacidade de comandar a si mesmo, de se impor aos caprichos individuais, as veleidades desordenadas, significa uma regra de vida, a consciência da necessidade livremente aceita, na medida que é reconhecida como necessária para que um organismo social qualquer atinja o fim proposto. A disciplina exterior está fadada ao fracasso, não é um instrumento educativo, ao passo que a disciplina fixada pela própria coletividade dos seus componentes mesmo, se tarda a ser aplicada, dificilmente fracassa na sua aplicação”. Para Silva, 2004 é todo e qualquer comportamento que seja contrário as regras[...]. No caso da escola todas as vezes que o(a)s aluno(a)s desrespeitarem alguma norma serão vistos como indisciplinados. A revolta contra estas normas (desobediência insolente); O desconhecimento delas (caos dos comportamentos, desorganização das relações); “Desobediência, rebelião, insubordinação” ou mesmo, ser compreendida por: regime de ordem imposta ou mesmo consentida; ordem que convém ao bom funcionamento de uma organização; relações de subordinação do aluno ao mestre e, submissão a um regulamento, etc.

Possíveis origens: Faixa etária dos alunos e diferença de gêneros? Situação socioeconômica? Reflexo da fragilidade na educação familiar? Forma de contestação ao currículo e procedimentos desenvolvidos nas instituições educacionais? Manifesta-se da mesma maneira nas diversas disciplinas e espaços escolares? Alicerça-se na ausência de algumas competências docentes? Questão de afetividade? Pedido de socorro dos alunos, chamando a atenção para conflitos emocionais? Possíveis equívocos referentes à compreensão do termo indisciplina?

Segundo (CHISPINO, 2005), grande parte da revolta dos alunos não vem “do nada”. Ela tem um início e vai aumentando à medida que o educando percebe que a sua opinião, seus valores e seus direitos, não são levados em conta dentro do ambiente escolar ou quando professor/instituição não consegue fazê-lo entender o seu papel como aluno. O aluno quer sentir-se parte da escola, Dar ideias para a melhoria; perceber a preocupação dos professores e ser ouvidos por eles e demais responsáveis pelo ambiente (…).

A simples obediência não é sinal de uma boa disciplina e não pode nos satisfazer, porque a disciplina não se cria com algumas medidas “disciplinares” mas, com todo o sistema educativo, com a organização de toda a vida, com a soma de todas as influencias que atuam sobre a criança e/ou adolescente” Makarenko. 1981. Assim, os castigos e outras medidas coercitivas devem ser evitadas ao máximo, como também, afirma Montessori e D. Bosco.

Mas como garantirmos a autoridade do professor e o convívio num clima de indisciplina? Quais seriam os limites de cada professor no trato desta questão? Tentando conter a onda de "indisciplina" alguns educadores e estabelecimentos de ensino lançam mão de atitudes autoritárias que, ao invés de contribuírem para a democratização do ensino, para a melhoria das relações humanas e do ensino, só fazem tornar o ambiente mais hostil, na tentativa de transformar os alunos em corpos dóceis. Não estaria ai um dos fatores do desinteresse, da apatia, da " indisciplina" dos alunos? Seria possível uma integração entre os professores para que haja espaço de participação ativa dos alunos. Onde não se resumisse a cópia de pontos, resolução de tarefas, mas houvesse uma dinâmica interna na sala de aula que, dentro do possível, alterasse a forma de distribuição das carteiras, e a relação individual pudesse ser coletiva, inclusive na solução dos problemas, etc.

Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva – UESB/DFCH -

Enviado pelo professor Dr. Reginaldo de Sousa Silva

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ALCINO E RANGEL (O FILHO CONFESSA)

Por Rangel Alves da Costa*

Difícil de compreender e mais ainda de acreditar, mas confesso que somente agora, já passados três anos de seu falecimento, é que verdadeiramente estou mais próximo a Alcino, meu pai.

Até aquele novembro de 2012, fui simplesmente filho. Mas a sua partida acabou me colocando numa proximidade tal que o reencontro como se fosse em vida. A partir de então tenho me dividido entre o que sou e o que ele era. Ou ainda é.

Explico por que. Após sua partida me debrucei na sua biografia. Não é fácil escrever sobre um pai, pois se corre o risco de fugir à realidade para sentimentalizar os escritos. Tudo fiz para apenas transcrever a pessoa, sua obra e sua memória.

Desde aquele instante entrei num mundo de Alcino que eu, apenas como filho, ainda não conhecia em profundidade. Ao analisar seus escritos, encontrei valores que permaneciam desconsiderados para mim. Ao enveredar no seu legado, passei a compreender sua importância enquanto escritor, pesquisador, estudioso do cangaço, conferencista, poeta, radialista e sertanejo.

Certamente que eu já conhecia a produção de literária de Alcino, mas não sua importância dentro do contexto nordestino, do cangaço, do messianismo, da saga do povo matuto, da preocupação maior com a terra, com a gente e com a história.


Fato também relevante se deu no entendimento de sua importância perante outros estudiosos e pesquisadores da saga cangaceira. Somente após sua partida é que conheci o entrelaçamento profundo e as grandes amizades construídas no mundo acadêmico, nos seminários, bem com a partir das correspondências mantidas com ilustres escritores.

A evidência de tais aspectos foi surgindo na construção da biografia. Contudo, quando comecei a me envolver na apuração de seu acervo, no sentido de preservação e manutenção, bem como para posterior formação de um memorial, então é que o filho se viu novamente diante do pai.

Como Alcino era muito cuidadoso – e até ciumento – com os seus livros, discos, manuscritos, rascunhos, correspondências, fotografias, enfim com o que escrevia e também com o que lhe servia como base de pesquisa, eu nunca quis me intrometer demais no seu mundo. Mas a situação já era outra. Ele havia partido e a mim cabia ser o guardião de suas relíquias.

Quando afirmo que a mim cabia cuidar de suas relíquias, não pretendo afastar a responsabilidade dos demais filhos. E são muitos os meus irmãos. Contudo, há um fator que sempre me uniu a Alcino muito além da condição de filho: a propensão à escrita e o amor ao sertão. O amor incondicional de Alcino pela terra sertaneja é o mesmo sentido pelo seu filho.

Coisas do destino, talvez. Mas dizem que sou o filho mais parecido com Alcino, com relação à feição. Já outros vão além para reconhecer na minha obra uma herança paterna. De qualquer modo, sempre bom que haja tal reconhecimento. Sinto orgulho de tudo isso.
Hoje, confesso mais vez, convivo com Alcino a cada instante, principalmente quando estou em Poço Redondo. Agora, confesso ainda, tenho Alcino ao meu lado e o compromisso fraterno de preservar sua permanência, não somente em mim, mas por todo o sertão.


Quando lutei contra o mundo para dar vida ao memorial, só Deus sabe a força do destino que me conduzia. Ainda luto com todas as forças que tenho, mas consciente que assim teria de ser. Ninguém constrói uma obra grandiosa sem grandes sacrifícios. E sei do merecimento de meu pai para a minha contínua luta.

Foi o memorial que novamente colocou pai e filho dentro da mesma casa. E um na presença do outro. Tudo ali é Alcino, é Dona Peta, é família, é história, é sertão. E eu com a dádiva divina de cuidar dessa moradia que acolhe a tudo e a todos com tanto amor.

Os caminhos de Deus são assim: apenas uma estrada, mas chamando a cada um para encontrar seu destino. E o meu é me dividir entre o que sou e o que Alcino ainda é.

Poeta e cronista
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O VALENTE CANGACEIRO LAMPIÃO


"Desconfiado e valente
Lampião temia mais
Uma só sombra por trás
Do que cem homens na frente
Obedecia somente
Ao Padre Cícero Romão
O resto era no facão
Na lazarina e no braço
Lampião rei do cangaço
Foi assombro do sertão."

Fonte: facebook

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sábado, 21 de novembro de 2015

LAMPIÃO O CANGACEIRO!


O mais novo Livro do escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima, e para adquiri-lo, basta entrar em contato com o autor através deste e-mail:

joao.sousalima@bol.com.br

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ESCRITOR SABINO BASSETTI PÕE NA PRAÇA O SEU MAIS NOVO TRABALHO SOBRE CANGAÇO - LAMPIÃO O CANGAÇO E SEUS SEGREDOS


Através deste e-mail sabinobassetti@hotmail.com você irá adquirir o  mais recente trabalho do escritor e pesquisador do cangaço José Sabino Bassetti com o título "Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

O Livro custa apenas R$ 40,00 (Quarenta reais) com frente já incluído, e será enviado devidamente autografado pelo autor, para qualquer lugar do país.

Endereço para pedido: sabinobassetti@hotmail.com

Não perca tempo e não deixa para depois, pois saiba que livros sobre "Cangaço" são arrebatados pelos colecionadores, e você poderá ficar sem este. Adquira já o seu.

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UMA MULHER COMANDOU CANGAÇO CONTRA JESUÍNO

Por Epitácio Andrade

Em seu livro clássico Solos de Avena, o escritor catoleense Alicio Barreto narra que o jovem Zé Limão ao devolver uma junta de bois que havia sido emprestada ao major José Lobo dos Santos da Fazenda Dois Riachos, na zona rural dos municípios paraibanos de Belém de Brejo do Cruz e Catolé do Rocha, ao major Brilhante, pai do famigerado cangaceiro Jesuíno Brilhante (1844-79) no Sítio Tuiuiú, zona rural de Patu, no médio-oeste do Rio Grande do Norte, cometeu o infortúnio de cumprimentar o senhor major, sem a tradicional retirada do chapéu, situação que na sociedade escravocrata consistia num ato de grande desrespeito, ofensa que Jesuíno reparou com uma sova de chibatadas no escravo insolente.

Major Zé Lobo

Esse episódio desagradou, profundamente, dona Felícia Joaquina lobo Maia, esposa do major Zé Lobo dos Santos Maia, casal proprietário do escravo Zé Limão, criado favorito de dona Felícia, entre os muitos da Fazenda Dois Riachos, aonde veio a se formar grande parte do bando de cangaceiros da Família Limão. 

Dona Felícia

Em 1871, com a morte do major Zé Lobo, Dona Felícia passa a comandar ao lado de seu filho ainda jovem Valdivino Lobo Maia, coronel da guarda nacional as ações de enfrentamento ao cangaço de Jesuíno Brilhante.  

Coronel Valdivino Lobo

O temor a Jesuíno no Sertão também estava ligado à crença de que o bandoleiro tinha o corpo fechado, ou seja, invulnerável à penetrabilidade de armas brancas e projéteis. Tal crença está ligada ao mito do catolicismo popular de que o sacerdote tem o poder de transformar a hóstia em corpo e o vinho em sangue. 

Doc: O Lugar da Morte de Jesuíno Brilhante

Foi nesse cenário mítico-religioso-fatalista que os algozes do Brilhante conferenciaram na fortaleza do coronel João Dantas de Oliveira, segundo Câmara Cascudo, afeito à magia, no sítio Patu de Fora, zona rural de Patu, a confecção de uma bala envenenada e a mobilização de uma tropa destacada na cidade de Imperatriz (Hoje Martins) que, sob o comando do sargento Preto Limão organizou a emboscada fatal que ceifou a vida do cangaceiro Jesuíno Brilhante, no serrote da Tropa, comunidade Santo Antônio, zona rural de São José de Brejo do Cruz, na Paraíba, em dezembro de 1879. 

Fortaleza do Coronel João Dantas - 1981 - Foto: Emanoel Amaral

No documentário O Lugar da Morte de Jesuíno Brilhante depois de uma encenação de uma cerimônia de fechamento de corpo conduzida pela benzedeira patuense dona Francisca de Mica, o cidadão Nonagenário Mário Valdemar Saraiva Leão, com 98 anos, narrou que Jesuíno procurava rastrear a tropa e era alertado por um de seus cabras de que quem caça cobra, caça a morte e, ao ser alvejado por uma descarga fatal, sussurrou: Valha-me Nossa senhora uma bala envenenada atravessou meu coração. 

http://epitacioandradefilho.blogspot.com.br/2015/11/dona-felicia.html

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ESPAÇO PERNAMBUCO MOSTRA HISTÓRIA DE LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO


Clique no link abaixo: Um excelente vídeo sobre Cangaço. Se não abrir, leve-o até ao google.

http://g1.globo.com/pernambuco/videos/v/espaco-pernambuco-mostra-historia-de-lampiao-o-rei-do-cangaco/2794538/

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CONVERSANDO COM VERA FERREIRA NETA DE LAMPIÃO E MARIA BONITA

Por Rubens Antonio

Conversando sobre colorizações e outras referências.
Tive o prazer de receber a visita de Vera Ferreira.
Marcada pela cordialidade, afinidades e simpatia, tivemos uma muito proveitosa conversa sobre, principalmente, é claro, Cangaço.

Fonte: facebook

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PRECISAMOS COMPROVAR QUEM É QUEM NA FOTO

Por Geziel Moura

Solicito pequena ajuda dos amigos, na identificação de um cangaceiro, e para isto, farei breve relato, que me fez ficar em dúvida. Em seu livro, Lampião: As Mulheres e o Cangaço, edição de 1984, o escritor Antônio Amaury aponta tal cangaceiro, como sendo Cirilo de Engrácia (p. 156) (vide foto), é óbvio que não poderia ser, pois este morreu, em agosto de 1935, conforme o Diário de Pernambuco de 28.08.1935 (vide imagem), sendo que o autor da foto, Benjamin Botto esteve com o bando, por duas vezes, somente em 1936. Na edição de 2012, do mesmo livro, a foto foi suprimida, portanto a dúvida persistiu.

No Livro - Álbum, Os Cangaceiros de Élise Jasmin, o cabra aparece em diversas fotos, porém a autora não assume o nome, dizendo apenas que seja "desconhecido".

Em sua recente obra Corisco, A sombra de Lampião, de Sérgio Dantas, o cangaceiro aparece com o nome de Ricardo Rocha, vulgo Ricardo Pontaria (Vide foto), cuja identificação, tal autor se apoia, dentre outras coisas, o reconhecimento feito por Moreno, e Candeeiro. E agora? o que os amigos pensam sobre isto?

Fonte: facebook
Página: Geziel Moura‎ OFÍCIO DAS ESPINGARDAS

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O FORRÓ DE JAIME

Por Rangel Alves da Costa*

Com o falecimento de Miltinho, responsável pela preservação e continuidade da tradição forrozeira no sertão sergipano de Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo, alguns logo sentenciaram o fim do autêntico forró pé de serra como animação costumeira de chinelado e ralabucho. Com efeito, somente Miltinho mantinha a preocupação de não deixar esmorecer o autêntico forró de salão e aquelas raízes tão profundamente fincadas no povo sertanejo de mais idade.

Amainando as preocupações dos antigos forrozeiros, verdadeiros apaixonados pelo compasso suado e o vai-e-vem requebrado, alguns sanfoneiros continuaram puxando o fole no salão de Miltinho. Mas nada mais era como antes. Sem a presença do comandante maior, mesmo forró de casa cheia tinha a mesma animação nem o mesmo contagiamento de antes. Por consequência, os forrós foram se rareando e somente em épocas festivas o salão reabre suas portas.

Logicamente que tudo isso causava um desânimo danado nos apaixonados pelo velho e bom pé de serra. Ademais, era até incompreensível que em pleno sertão o seu habitante mais tradicional de repente se visse apartado da sanfona, do zabumba, do pandeiro, do triângulo, do cantador, do forró como expressão maior. Foi então que o empresário Jaime Mendonça teve a ideia de aproveitar um espaço aberto num seu empreendimento e ali colocar à disposição do forró e dos forrozeiros.

Foi a tábua de salvação forrozeira. A partir de então, todos os sábados, geralmente a partir da boca da noite e se estendendo até dez horas ou mais, a sanfona come solta ao lado do Alto de Tindinha, num espaço adjacente ao Posto Bijota, todo cimentado, seguro, com o frescor da aragem sertaneja, e distando menos de um quilômetro do centro da cidade. E é a coisa mais bonita de se apreciar: a velha guarda sertaneja ali reunida, dançando sem parar, sem pagar um tostão, num fôlego e disposição maiores que o da juventude.

A iniciativa de Jaime – que não somente fornece o espaço como cuida do bem-estar de todos e paga ao tocador e seu grupo - prosperou de tal forma que a fama do forró ultrapassou fronteiras. Todo sábado uma verdadeira procissão de forrozeiros, entre homens e mulheres, chega das redondezas sertanejas e até municípios mais distantes para aproveitar a festança matuta. Quem está na cidade sequer imagina a forrozança animada de logo depois da ponte.


É uma verdadeira romaria. Ônibus são fretados em Canindé exclusivamente para o chinelado bom, veículos de todas as placas estacionam para o “funrufá da moléstia”. Há um carteiro de Nossa Senhora da Glória, rapaz ainda moço, que não perde um só forró. Que chova ou faça sol, e ele marcando presença. E assim muitos outros que veem no Forró de Jaime a oportunidade de reencontrar suas raízes e cultivar suas tradições mais antigas.

Mas o Forró de Jaime só alcançou tal fama e importância pela organização que possui. Jaime fornece o espaço, paga o sanfoneiro, mas quem toma frente para tudo sair a contento é o vereador Aderaldo Caldeira, contando sempre com a ajuda de João e outros da velha guarda cabocla. Segundo o próprio Aderaldo, há também uma preocupação em socializar as oportunidades. Ou seja, não há um só sanfoneiro responsável pela festança, mas dando a cada um a chance de ganhar sua parte. Assim, um sábado é reservado a Olivan, outro sábado a Vera, ou mesmo os dois numa só noite, ou ainda outros tocadores. O próprio Aderaldo de vez em quando puxa o fole com gosto. Sabe mais fazer política, mas ali o dançador quer mesmo é o som do fole roncando.

E quando o fole ronca é um deus nos acuda. Pedro Rosendo puxa uma de lado e sai numa maestria forrozeira de deixar qualquer um de queixo caído. Zé Bina se transforma em menino novo e parece não querer mais parar de dançar. Fernando rodopia pelo salão de fazer voar a saia da companheira. Até Eraldo de Chico Bilato se mostra passinho de ouro naquele encantamento matuto. É coisa verdadeiramente de se admirar. Senhores com oitenta anos e mais num fôlego de espantar. Senhoras já tidas como velhas por muitos e ali numa graciosidade dançadeira e numa afoiteza que só vendo. E o forró correndo solto.

Toda vez que chego ali logo recordo de Miltinho. Todo forró tem a sua feição e a sua memória. E certamente que Jaime mandará levantar uma placa dizendo “Espaço Forrozeiro Miltinho”. Nada mais justo.

Poeta e cronista
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Livro CHARGES COM LAMPEÃO

Autor Luiz Ruben Bonfim

Adquira logo o seu através deste gmail: luiz.ruben54@gmail.com

Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo
Pesquisador do Cangaço e Ferrovia

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TEMOR EM MOSSORÓ, MEDO EM AREIA BRANCA

Por Tomislav R. Femenick – Historiador

No dia 31 de janeiro de 1926, quando o jovem Padre Luiz Ferreira da Mota (o célebre Padre Mota que depois viria a ser vigário geral, prefeito e deputado estadual) tomava posse como o novo vigário de Mossoró, correu a notícia de que os revoltosos da Coluna Prestes estavam na iminência de atacar a cidade. Em ata paroquial, o Padre Mota registrou o impacto que a noticia de um provável ataque da Coluna a “capital do oeste” teve entre a população da cidade. Dizia ele:

“Neste mesmo dia, espalhou-se pela cidade o terror da notícia de que os revoltosos se encaminhavam pa­ra nossas fronteiras, noticia que foi divulgada pe­la manhã, e logo começou o êxodo da população. Quando me dirigia para a Matriz, às 8 e meia, para a posse, fui, com surpresa, avisado do que se passava e sobretudo de que certas pessoas de autorida­de e responsabilidade já haviam abandonado, preci­pitadamente, a cidade. Diante desta situação, resolvi fazer um apelo de tranquilidade ao público, para melhor se resolver a situação e convocar uma sessão de todas as autoridades e pessoas de responsabili­dade, o que fiz de púlpito, com palavras repassadas de fé no patrocínio de nossa Virgem Padroeira, Santa Luzia, e também de confiança no patriotismo do nos­so povo. A sessão realizou-se no mesmo dia, a 1 ho­ra da tarde, no edifício do Colégio Diocesano, com grande comparecimento de povo e nela tomaram-se me­didas que são do domínio público. Dai por diante, nos dias de aflição e apreensão pa­ra o nosso povo, sempre tomei a dianteira de todas as manifestações civico-patrióticas pela defesa da nossa cidade, procurando, sobretudo despertar o ânimo do povo, aconselhando a calma, prudência e per­manência na cidade, para guarda dos acontecimentos. Aprouve a Deus que tudo se passasse sem desgraças e atropelos para nosso povo; os rebeldes tomaram outro rumo e nossa população voltou à paz do costu­me, que a caracteriza. Todos [nós] reconhecemos, nesta salvação de tamanho fla­gelo, [que foi] o dedo de Deus que nos protegeu, por intercessão da nossa querida Padroeira Santa Luzia. Em reconhecimento de tão grande graça, cantou-se um ‘Te Deum’ solene, em ação de graças, no domingo, 21, pelas 5 horas da tarde” – Texto transcrito do livro do tombo da igreja de Santa Luzia, em Mossoró-RN.
           
Mossoró, pela sua importância econômica e estratégica, foi um palco de agitação quando os revoltosos que estavam nas imediações da cidade de Jaguaribe, no Ceará, se preparavam para adentrar em nosso Estado. Diz Raimundo Nonato (1966): Mossoró era “um porto aberto ao intercambio de vasta área do comercio nordestino, no negócio de algodão, sal, sementes de oiticica, cera de carnaúba, gesso [e com] agência do Banco do Brasil, não sendo despropositada a precisão de assalto, depois de longas travessias e combates, a um porto que oferecia vantagens múltiplas, inclusive o reaprovisionamento de tropa”.
          
Essa ameaça de ataque iminente espalhou o medo na população que procurou fugir da cidade. Um grande contingente de pessoas foi se refugiar em Areia Branca. A companhia Estrada de Ferro Mossoró-Porto Franco colocou diversos trens extras, porém não conseguiu atender a demanda e mais de 150 pessoas não tiveram como embarcar. Quem não conseguiu lugar nos trens, fugiu para qualquer lugar da vizinhança.
          
Na cidade se preparava a resistência. O deputado Juvenal Lamartine, o chefe da polícia (Dr. Silvino Bezerra), o comandante da polícia militar (Cel. Joaquim Anselmo), o intendente municipal (Cel. Rodolfo Fernandes, que um ano depois comandou a defesa da cidade contra o ataque de Lampião), o presidente da Associação Comercial (Cel. Cunha da Mota), o vice-presidente da intendência (Dr. Hemetério Fernandes) e muitos outros organizaram o esquema de defesa. Algumas das decisões tomadas foram: a distribuição de armas e munições fornecidas pelo Exército Nacional, a formação de trincheiras em torno da cidade e na zona urbana e a vigilância da fronteira com o Ceará.
         
O Padre Mota, o novo vigário da Igreja de Santa Luzia, atuava em várias frentes. Ao mesmo tempo em que cedia o prédio do Ginásio Santa Luzia (onde hoje é a agencia central do Banco do Brasil) para servir de sede do “quartel general” da defesa da cidade, promovia reuniões entre os representantes do governo com as lideranças civis e procurava acalmar as famílias e evitar as fugas precipitadas, com seus sermões nas missas e, inclusive, com a publicação de um Boletim.
          
Os revoltosos não chegaram a Mossoró, como não chegaram a Areia Branca e Natal, cidade onde as notícias e boatos de ataques da Coluna Prestes também chegaram, com maior ou menos alarme que causaram na “capital do oeste”.
Medo em Areia Branca
            
No ano do ataque da Coluna Prestes ao Rio Grande do Norte, a cidade e o porto de Areia Branca tinham importância vital para a economia do Estado. Muito mais do que é hoje. Eram ligados a Mossoró pela Estrada de Ferro Mossoró-Porto Franco, cujos trilhos serviam de rota para as exportações e importações do oeste potiguar, da região jaguaribana cearense e, ainda, do alto sertão paraibano.
            
Segundo Paulo Pereira dos Santos (2002), por um longo período que vai das décadas de 70/80 do século XIX até as três primeiras do século XX, toda a atividade empresarial da região oeste do Estado, em especial dos estabelecimentos industriais e comerciais localizados em Mossoró, se refletia na intensa movimentação do porto de Areia Branca. De 1893 a 1895, cento e cinquenta e seis embarcações atracaram naquele porto, enchendo seus porões com mercadorias exportadas por firmas mossoroenses. Em 1911, cento e treze navios nacionais e outros 153 estrangeiros levaram produtos negociados por empresários de Mossoró, sendo 33 noruegueses, 30 ingleses, 50 alemães, 17 dinamarqueses, 10 suecos, seis holandeses, quatro portugueses, um americano, um francês e um russo. O porto de Areia Branca movimentava anualmente entre 200 e 250 mil toneladas de cargas, enquanto o porto de Natal movimentava cerca de 40 mil e os de Fortaleza e Cabedelo, 90 mil cada um deles. Era o sétimo maior porto do Brasil, em movimentação de tonelagem de cargas e contribuía com 58% das receitas portuárias do Estado, enquanto que Natal contribuía com 40%, e Macau apenas com 2%. Além de porto cargueiro, Areia Branca era também ponto de escala de navios de passageiros (os chamados paquetes) e navios mistos – carga e passageiros – da Companhia Nacional de Navegação Costeira, da Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro e de outras empresas marítimas.
          
Naquele começo de ano, a notícia que circulava na cidade era de que um batalhão de Exército estava vindo de Fortaleza pelo navio Paconé (embarcação de origem alemã, confiscada pelo governo brasileiro durante a Primeira Grande Guerra e então agregado à frota do Lloyd) e de lá deveria seguir para Mossoró e para o alto oeste, com a missão de defender as localidades ameaçadas de ataques pelos integrantes de um pelotão avançado da Coluna Prestes, o mesmo que já havia atacado cidades do interior do Ceará.
            
Envolta nesse clima, a cidade recebia uma multidão que era despejada das embarcações que faziam a ligação entre Porto Franco e Areia Branca. Eram as pessoas vindas de Mossoró – principalmente, mulheres, crianças e velhos –, fugidas de um possível ataque da Coluna Prestes. Como as hospedarias já estavam cheias pelos passageiros que esperavam a chagada do Paconé e que iriam embarcar para Recife, Maceió, Salvador, Rio de Janeiro e Santos, os mossoroenses foram abrigados em casas de parentes, amigos e até de desconhecidos.
            
Em uma localidade relativamente calma, essa situação inusitada de agitação gerou uma serie de hipóteses e especulações, envolvendo a cidade e o porto. Umas eram simples boatos. O mais difundido dizia que entre os defensores das cidades atacadas haveria um herói areia-branquense, José de Samuel, isso quando nem ataques ainda tinha havido no Rio Grande do Norte e o impávido Zé de Samuel estava placidamente trabalhando em uma máquina de beneficiar arroz, em uma fazenda localizada em Apodi. Outro propagava que o popular “Geleia, muito conhecido nos círculos de jogatina”, servia de indicador de caminho para os revoltosos.
           
Todavia as autoridades estudavam seriamente um sistema de defesa para o porto, tendo em vista a possibilidade de que os militares rebelados, com a habilidade de estrategistas que possuíam, optassem por um caminho alternativo e, evitando atacar Mossoró, atacassem Areia Branca, o seu porto de abastecimento. Seria uma maneira de garantir o reaprovisionamento das suas tropas e, ao mesmo tempo, um grande tento que, certamente, teria repercussão nacional como uma derrota das forças legalistas. Afora a invasão da multidão de mossoroenses que foram se abrigar na cidade, nada mais aconteceu em Areia Branca.
           
No Rio Grande do Norte as lutas da Coluna Preste se limitaram a São Miguel e Luiz Gomes.

Tomislav R. Femenick

Mestre em Economia, pela PUC-SP, com extensão de Sociologia e História; pós-graduado em Economia Aplicada para Executivos, pela FGV-SP e bacharel em Ciências Contábeis, pela Universidade Cidade de São Paulo.

É sócio e diretor principal da Femenick & Associados Auditoria e Consultoria S/C Ltda, empresa nacional de auditoria, perícia e consultoria, fundada em 1987 e foi diretor adjunto (assistente da diretoria) da Soteconti Auditores, Campiglia & Cia e da Revisora Nacional/Deloit, empresas nacionais de auditoria. Foi sócio e diretor da Technoway, empresa de organização de eventos e editora; diretor superintendente das Empresas Mayrton Monteleone, revendedoras Mercedes Bens e Massey Fergunson, em São Paulo e Goiás; gerente de divisão do Banco Geral do Comércio S/A; diretor adjunto da Cia. Real Brasileira de Seguros; assistente da diretoria do Banco Cidade S/A; titular do Serpes Serviço de Promoções e Pesquisas, de Mossoró-RN, empresa jornalística, instituto de pesquisas e de elaboração de projetos econômicos, além de funcionário do Banco do Nordeste do Brasil S/A.

Na capital paulista foi professor titular dos Centros Universitários UNIBERO, UNIFMU, FIAM-FAAM e Belas Artes, nas áreas de Economia, Contabilidade, Administração, Câmbio, Comércio Exterior, Finanças, Orçamentos, Mercado de Capitais, Custos, Auditoria e Perícia Contábil, além de Coordenador Acadêmico do curso de Hotelaria, do UNIFMU, e orientador de Estágios e Monografias, do UNIBERO. Foi professor visitante na PUC-SP, UNICID, Faculdades Paulo Eiró e Faculdade Santa Rita de Cássia. Atualmente é professor da FACEN-Faculdade de Ciências Empresariais e Estudos Costeiros de Natal e da Faculdade União Americana e professor visitante da UnP-Universidade Potiguar e da FAL-Faculdade de Natal.

É escritor, com mais de 40 obras publicadas, entre livros e monografias. Como jornalista, atuou em vários jornais do país. Atualmente é colaborador dos jornais Tribuna do Norte e O Jornal de Hoje, de Natal, e da Gazeta do Oeste e de O Mossoroense, de Mossoró – RN.

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