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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Não Sou Cangaceiro por Motivos Geográficos Por:Rubem Braga

Rubem Braga
Leiam, meus amigos, esta crônica do grande escritor brasileiro, Rubem Braga, extraída do seu livro “O Conde e o Passarinho”, a respeito de LAMPIÃO, escrita em 1935, quando ainda vivo o famanaz bandoleiro dos sertões nordestinos. Teria o Capitão Virgulino Ferreira da Silva, por um acaso, lido esta sua tradução? 
Antonio Corrrea Sobrinho

Erguerei hoje minha débil voz para louvar o sr. Getúlio Vargas. Aprovo de coração aberto o veto que ele deu a uma lei que mandava abrir um crédito de 1.200 contos para a campanha contra o cangaceirismo. O presidente vetou porque não há recursos, isto é, por falta de dinheiro. Eu vetaria por amor ao cangaço.

Lampião, que exprime o cangaço, é um herói popular do Nordeste. Não creio que o povo o ame só porque ele é mau e bravo. O povo não ama à toa. O que ele faz corresponde a algum instinto do povo. Há algum pensamento certo atrás dos óculos de Lampião; suas alpercatas rudes pisam algum terreno sagrado.

Bárbaro, covarde ele é. Dizem que conseguiu ser tão bárbaro e covarde como a polícia – a polícia que o persegue em todas as fronteiras. Mas é preciso lembrar que ele está sempre em guerra: e na guerra como na guerra. Retirai de seu aconchego doce qualquer de nossos ilustres e luxuosos generais; colocai-o à frente de um bando, mandai-o lutar uma luta rude, dura, de morte, através dos dias, das semanas, dos meses, dos anos. Ele se tornará também bárbaro e covarde.
A Arte de Manoel Perigo Neto

O cangaço não é um acidente. É uma profissão. Nasce, vive e morre gente dentro dessa profissão. O tempo corre. Filhos de cangaceiros são cangaceiros, serão pais de cangaceiros. Eles não estão organizados em sindicatos nem em associações recreativas: estão organizados em bandos.

Ora, a vida do cangaço não pode ser muito suave. É uma vida cansativa e dura de roer. Quando centenas de homens vivem essa vida, é preciso desconfiar que não o fazem por esporte nem por excesso de “maus instintos”.
O cangaceiro é um homem que luta contra a propriedade, é uma força que faz tremer os grandes senhores feudais do sertão. Se alguns desses senhores se aliam aos cangaceiros, é apenas por medo, para poderem lutar contra outros senhores, para garantirem a própria situação. 
 
Ora, para as massas pobres e miseráveis da população do Nordeste, a ação dos cangaceiros não pode ser muito antipática. E é até interessante.

As atrocidades dos cangaceiros não foram inventadas por eles, nem constituem monopólio deles. Eles aprenderam ali mesmo, e em muitos casos, aprenderam à própria custa. De resto, a acreditar no que José Jobim, um rapaz jornalista, escreveu em “Hitler e Seus Comediantes”, agora em segunda edição, os cangaceiros são anjinhos ao lado dos nazistas.


Os métodos de Lampião são pouco elegantes e nada católicos. Que fazer? Ele não tem tempo de ler os artigos do sr. Tristão de Athayde, nem as poesias do sr. Murilo Mendes. É estúpido, ignorante. Mas se o povo o admira é que ele se move na direção de um instinto popular. Dentro de sua miséria moral, de sua inconsciência, de sua crueldade, ele é um herói – o único herói de verdade, sempre firme. A literatura popular, que o endeusa, é cretiníssima. Mas é uma literatura que nasce de uma raiz pura, que tem a sua legítima razão social e que só por isso emociona e vale.

Vi um velho engraxate mulato, que se babava de gozo lendo façanhas de Antônio Silvino. Eu percebi aquele gozo obscuro e senti que ele tinha alguma razão. Todos os homens pobres do Brasil são lampiãozinhos recalcados: todos os que vivem mal, comem mal, amam mal. Dar 1.200 contos para combater o herói seria uma tristeza. Eu, por mim (quem está falando e suspirando aqui é o rapazinho mais pacato do perímetro urbano), confesso que as sortidas de Lampião me interessam mais que as sortidas do ser Antônio Carlos.

Não sou cangaceiro por motivos geográficos e mesmo por causa de meu reumatismo. Mas dou àqueles bravos patrícios o meu inteiro apoio moral – ou imoral, se assim o preferis, minha ilustre senhora.

Rio, fevereiro de 1935.
Cortesia da Indicação
Antonio Correa Sobrinho

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CAMINHOS PERCORRIDOS POR LAMPIÃO...


No último domingo 29/11/2015 tive o grande prazer de conhecer pessoalmente o Dr. Sergio Augusto Dantas, Juiz de Direito, pesquisador e escritor do tema cangaço, o qual já presenteou os estudiosos do assunto com 4 maravilhosos livros. Fiquei feliz por ter recebido das mãos do mesmo o seu mais recente trabalho: CORISCO, A SOMBRA DE LAMPIÃO. E o amigo professor Geziel Moura, que percorreu uma longa distância saindo de Belém do Pará até o sertão do RN para conhecer os caminhos trilhados pelos cangaceiros naquele distante 1927.


Pra mim foi uma honra conhecê-los pessoalmente e espero que voltem outras vezes...

Na foto acima estávamos na fazenda Ponta da Serra, município de Serrinha dos Pintos, invadida pelos cangaceiros em 11 de junho de 1927.

Fonte: facebook

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Lançamento do livro CHARGES COM LAMPEÃO

Autor Luiz Ruben Bonfim

Introdução

Lendo e pesquisando tantos jornais e revistas da época em que Lampião atuava, isto é, anos 20 e 30 do século passado, não passou despercebido, de vez em quando aparecia caricaturas e charges de Lampião, mas, o que me chamou a atenção foi a utilização do personagem com a política e os políticos do poder naquele período.

Contextualizar cada charge ou caricatura seria por demais maçante, pois creio que elas não perderam o caráter atemporal.

As codificações visuais que os chargistas queriam passar ao retratar Lampião eram afetadas de acordo com a região do artista, o que determinava, até pela falta de conhecimento que tinham do caricaturado, a representação de formas tão dispares na fisionomia desenhada. 

As charges com Lampião, nessa pesquisa, abrangem o período de 1926 a 1939, porém acrescentei duas de 1969, sendo a última apresentada, uma propaganda com alusão ao desenvolvimento industrial através de incentivos fiscais, citando Sudam-Sudene onde Lampeão é usado como referência de uma região. Ao todo o livro mostra 83 charges e caricaturas.

A charge tem como finalidade satirizar, descrever ou relatar fatos do momento por meio de caricaturas, com um ou mais personagens de destaque, nas áreas da política com maior frequência.

As apresentadas nesse livro abrangem personagens de prestígio nacional como o Padre Cícero, Antônio Carlos, governador de Minas, Capitão Chevalier, com a famosa tentativa de uma expedição contra Lampião no início dos anos 30, Getúlio Vargas como presidente do governo provisório após a revolução de 1930.

Após sua morte, cartazes foram utilizados como propaganda de filme da Warner, com James Cagney “substituindo o famoso cangaceiro nordestino”.

A propaganda comercial também utilizou com frequência o nome de Lampião. Como curiosidade inseri no trabalho as da Casa Mathias e O Mandarim, que apresentavam nos seus comerciais um conteúdo humorístico.

Até o conhecido compositor Noel Rosa, como Lampeão foi caricaturado. Como se fossem dois personagens ao mesmo tempo é mostrado características de identificação de Lampião com o rosto de Noel Rosa. Mesmo nas capas de famosas revistas, Careta em 1926 e 1931, O Cruzeiro em 1932, Lampeão é caricaturado.

Na contracapa desse livro, consta a foto original muito popular de Lampeão e seu irmão Antônio Ferreira, já nesta época, famigerado cangaceiro, perseguido em Pernambuco, Paraíba, Ceará e Alagoas. Foi tirada em Juazeiro do Norte, no estado do Ceará, onde Lampeão foi convocado pelo Padre Cícero a pedido do deputado federal Floro Bartolomeu, para combater os inimigos do governo de Artur Bernardes, a Coluna Prestes, em 1926. Na capa, usando a foto da contra capa, foram introduzidas as faces de Getúlio Vargas como Lampeão e Osvaldo Aranha como Antônio Ferreira. Foi publicada pelo Estado de São Paulo em 24 de setembro de 1933, sendo Getúlio já vitorioso da revolta de 1932 em São Paulo. 

O desenho era utilizado, isto é, a charge, como uma crítica político social onde as situações cotidianas são exploradas com humor e sátira. Lampião foi personagem principal dos chargistas, mas o objetivo era atacar os poderosos da época, geralmente vítima dos jornais da oposição.

Coloquei tudo numa ordem cronológica para facilitar a sequência histórica, pois, no futuro com a leitura das diversas obras publicadas sobre Lampião e o cangaço em geral, teremos uma visão não contextualizada das sátiras contra os personagens vítimas dos chargistas.

Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo
Pesquisador do Cangaço e Ferrovia

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GUERRA DO PAU DE COLHER - CONEXÃO FUTURA - CANAL FUTURA

https://www.youtube.com/watch?v=Wa1v5OogWx4

Fonte: facebook

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DE MAR A MAR

Por Rangel Alves da Costa*

Sem jamais sair da terra firme, porém vivendo de mar a mar. Sem jamais partir de um cais e nas águas adentrar para o azul singrar, porém vivendo de mar a mar. Sem jamais ter avistado ilhas, sentido o voo de gaivotas, colocando os pés em qualquer porto ou cais do mundo, porém vivendo de mar a mar.

E de mar a mar vai singrando ao sabor das ondas, das tempestades e vendavais, dos arremedos nas traiçoeiras encostas, dos mistérios aterradores que se escondem na ilusão das calmarias e rentes e abaixo das ondas. E de mar a mar vai seguindo na tormenta da vida, um náufrago sem proa e sem esperança de salvação. Que mar será este, que é tão terrível viver de mar a mar?

A solidão é um porto e a tristeza outro porto que se alongam de mar a mar. O sofrimento é um cais e a aflição outro cais que mesmo distantes se perfazem de mar a mar. A perda é um porto e a melancolia outro porto que se unem num só mar de mar a mar. O desalento é um cais e a lágrima outro cais aonde aportam as dolorosas ondas de mar a mar. O mar da desesperança se misturando às águas do mar das desilusões e de outros mares que vão além de mar a mar.

Às vezes a tristeza é tão grande que apenas um mar se faz pequeno para as lonjuras que se quer fugir. Às vezes, as lágrimas correm tão intensamente que encheriam mais que um mar. Às vezes, a necessidade de fuga é tamanha que se quer alcançar além do mar. Às vezes, as flores das desesperanças são tantas, as prendas das desilusões são tantas, as oferendas dos entristecimentos são tantos, que muitos barcos seriam precisos para espalhá-los sobre as ondas de muitos mares.


Quantos mares cabem num olhar choroso de saudade, numa face lavada de dores e tempestades? Quantos mares cabem por cima dos travesseiros, encharcando a cama, inundando lençóis, embebendo a fonte do amoroso e despedaçado coração? Quantos mares cabem nos olhos molhados de ressequidão, nos olhos tomados de vazio infinito, nos olhos encharcados de nada avistar além da paisagem em sombras? Quantos mares caberão nas lágrimas que ainda serão choradas antes do amanhecer?

De mar a mar o sofrimento, de mar a mar, a dor, a desilusão, a desesperança. Há um cais solitário esperando a solidão de alguém. Há uma concha na areia esperando o segredo que alguém contará sobre sua dor. Há um farol entristecido esperando iluminar alguém que chegue escrevendo poesia na areia e, de flor à mão, se aproxime das águas para renovar esperanças. Há uma onda que vem e que volta, mas que deseja se demorar sobre os passos de alguém sobre a areia. Mas tudo num só mar. E um mar é pouco para desaguar os infortúnios da existência.

Talvez partindo, de mar a mar, enfim seja possível encontrar um porto que vá além do desalento. Talvez viajando, de mar a mar, consiga outras experiências de vida que não somente abrir e fechar a janela, avistar o mesmo horizonte, sofrer o mesmo sofrimento, para depois padecer, sentir saudade, chorar, querer voar, querer morrer, querer o mar. Talvez seguindo, de mar a mar, um dia se afaste das procelas e temporais e encontre um tempo de calmaria. E ante a mansidão do mar e o voo suave das gaivotas, imagine ser possível encontrar a felicidade.

Assim, de mar a mar, os dias, as horas, os instantes de vida. Uma imensidão de mar e ainda tão pouco mar para tanto padecimento. E um dia ouviu que as águas dos mares, rios e oceanos, não são enxugadas com lenços ou com as mãos sobre a face. É preciso buscar o sol da felicidade para esvaziar toda água. É preciso abrir a janela e sorrir para que as águas transbordem e desapareçam do olhar. E sem mais motivos ou lágrimas para chorar, talvez o mar se transforme apenas em poesia. Não mais sofrimento de mar a mar.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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O CANGACEIRO MANOEL VICTOR

Por Renato Márcio Cardoso
Nesta foto vê-se o seu cadáver amarrado nas grades da cadeia de Tacaratu, ladeado pelos seus executores.

Com certeza, o assunto cangaço e uma inesgotável fonte de pesquisa, descobri recentemente em minhas pesquisas um personagem interessante do cangaço, e quero passar para vocês, a história do cangaceiro Manuel Vitor. Esse cangaceiro nascido em 1899, abandonou um comércio próspero e promissor em Tacaratu, município de Pernambuco em 1926, devido a intriga familiar (tal qual Lampião), com uma família poderosa de Tacaratu, a família Faceiro, forma um bando com seus três irmãos e alguns cabras de confiança, e passa a perseguir essa família, que por sua vez procura Lampiao, pois essa família tinha parentesco com Antônio da Gia, que era um dos seus principais coiteiros.

Lampião invade Tacaratu e consegue matar um dos irmãos de Manuel Vitor, e fere outro, pondo o resto do bando em fuga.

A fuga de Lampião para a Bahia, Manoel Vitor volta a perseguir a família Faceiro, e aterrorizar a região de Tacaratu, e o sertão de Alagoas, vindo a falecer em combate a 2 de julho de 1937, pela volante do tenente Arlindo Rocha.

Mas o mais interessante mesmo desse cangaceiro é que ele era considerado o único cangaceiro comunista. Ele tinha se filiado ao partido comunista em 1934..., era um comunista ativo, participava de reuniões, e até foi convidado a participar da intentona comunista de 1935 (revolução comunista comandada por Luís Carlos Prestes que visava derrubar o governo de Getúlio Vargas), só não o aceitou porque, achava que o partido não tinha condições de dar o golpe, o que ele acertou em cheio... 

Fonte: facebook

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O BANCO DO BRASIL EM MOSSORÓ - 29 DE NOVEMBRO DE 2015

 Por Geraldo Maia do Nascimento

Notícia de “O Mossoroense”:
               
“Mossoró, 02 de dezembro de 1918.
               
Ilmos. Srs.
               
Temos a grata satisfação de vos comunicar que instalamos nesta cidade uma filial do Banco do Brasil, do Rio de Janeiro.
               
Pondo à vossa disposição os serviços da mesma filial, aguardamos vossas ordens para o bom desempenho das quais empregaremos os nossos melhores esforços.
               
Rogando-vos a fineza de tomar nota das assinaturas abaixo, vos apresentamos as nossas
               
Saudações, ...
               
Dessa maneira o Banco do Brasil dava conhecimento ao povo de Mossoró de sua instalação, cuja sede estava situada na Praça 6 de janeiro e Av. Tavares de Lira, num prédio que pertencia a Francisco Borges de Andrade. A agência instalada em Mossoró era a 36ª filial do Banco no Pais, e esse acontecimento se dava a apenas 1 ano e 6 meses após a de Natal.
               
A sua instalação ocorreu em 02 de dezembro de 1918, sendo o seu primeiro Diretor-Gerente o Sr. Álvaro Feijó Ribeiro e tendo o Sr. Virgílio Catanhedo Sobrinho como Contador-Guarda-Livros. O primeiro livro “Diário” foi registrado na Junta Comercial do Estado em 29 de novembro de 1918. O capital atribuído para início das operações da agência foi de 300 contos de réis e o primeiro suprimento efetuado pela firma M.F. do Monte & Cia. O primeiro depósito em conta corrente foi efetuado por Lourival F. Brasil, no valor de R$ 2.900$000 e a primeira ordem de pagamento tomada por F. Borges de Andrade & Cia., de R$ 7.100$000 a favor de Manoel Joaquim da Costa, de Natal.
               
Poder contar com uma agência do Banco do Brasil era um velho sonho dos que atuavam no comércio de Mossoró. Em 24 de outubro de 1917, era publicado nos jornais locais: “AGÊNCIA DO BANCO DO BRASIL – Consta-nos, com visos de verdade, que o comércio desta praça trabalha junto aos poderes competentes para a instalação de uma agência do Banco do Brasil nesta cidade. Folgamos em dar esta reportagem porque, se em breve realizar-se este cometimento, será um passo largo em demanda de um futuro mais opulento do adiantado comércio desta praça, uma das primeiras do Norte. Com esse fruto veremos os pequenos comerciantes desenvolverem os seus negócios coma mais largueza, com mais segurança. Aqueles que, sobre corajosos, inteligentes, darão, certo, maior incremento aos seus negócios, abrirão caminho a novos tentames, efetuarão transações de conta própria, alçarão vôos maiores. Além de tudo, aproveita a agência às grandes casas para os grandes negócios, aos pequenos capitais pela facilidade de recursos a novos empreendimentos. Aos demais, aproveitará a agência a classe média comercial em prol da pequena indústria, e tanto maior à grande indústria dos arrojados industriais. Nesse mister há muito que explorar.”
               
Em 1934 deu-se a mudança da agência do prédio onde originalmente havia sido instalada em 1918, na Rua 6 de Janeiro, para a Rua do Comércio.
               
Em 20 de setembro de 1960 a agência muda-se mais uma vez para um novo edifício que ficava na Praça Getúlio Vargas, nº 45.
               
Em 11 de fevereiro de 1978 é inaugurado o prédio definitivo na Praça Vigário Antônio Joaquim, em solenidade a que estiveram presentes autoridades do Estado, além de Diretores da referida organização de crédito nacional, sendo o ato assistido por grande número de pessoas. O novo prédio fora construído no local onde havia sido fundado o centenário Colégio Diocesano Santa Luzia, e onde o mesmo funcionou por quase cinqüenta anos. A compra do prédio do velho educandário foi efetuada no dia 03 de janeiro de 1974, tendo o Prefeito Dix-huit Rosado assinado a escritura de compra como testemunha.
               
Nos 97 anos de funcionamento em solo mossoroense, o Banco do Brasil tem cumprido a tarefa ensejada pelos que lutaram por sua instalação que é a de alavancar o desenvolvimento da região, sob às bênçãos de Santa Luzia, a Padroeira do povo de Mossoró.


Geraldo Maia do Nascimento

Todos os direitos reservados

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Fonte:

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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Bando de Lampião promove rapto e seqüestro em Amparo do São Frascisco em Sergipe


Bando de Lampião promove rapto e sequestro em Amparo do São Frascisco em Sergipe

Dez componentes do bando de Lampião invadiram Amparo no ano de 1937. Segundo os moradores mais idosos que lembram da história, os bandidos - oito homens e duas mulheres - chegaram à cidade de surpresa, durante a madrugada. O povo entrou em pânico, muita gente fugiu da cidade e se meteu nos arrozais que ficavam na beira do rio.


Conforme relatam, entre os componentes do grupo que tomou a cidade estavam Volta Seca, Boca Preta, Canário e Pancada. "Os cangaceiros chegaram aqui empurrando as pessoas e exigindo dinheiro de quem tinha e de quem não tinha", relembra Esmeralda Oliveira.

Depois de informar-se sobre as pessoas importantes da cidade, os cangaceiros foram à propriedade de Franklin Freire, filho de João da Cruz Freire. "Eles o pressionaram para que ele desse dinheiro, e ele disse que não tinha. Então mandaram um portador para Jundiay, a fazenda do senhor Ercílio Brito, que é hoje de João Alves Filho, para pegar dinheiro. Como os bandidos já estavam de saída, disseram que o velho iria com eles para Aquidabã. Eles afirmaram que dariam o prazo até as 18 horas daquele dia. Caso o dinheiro não chegasse, ele morreria", relembra Antonio Freire de Souza, que na época tinha 7 anos.

O sobrinho de Franklin, Adão Freire, vendo a agonia do tio, disse que iria no seu lugar. Em seguida, o portador foi para a fazenda Jundiay. Além do dinheiro, os cangaceiros também queriam levar embora uma mulher casada. "Era Sinhá Teixeira, que era muito bonita. Mas o pessoal conseguiu iludir os bandidos com conversa, enquanto ela fugia pelos fundos da casa. Um morador, que estava esperando no quintal, ajudou a atravessar o rio. Só assim eles não a raptaram", conta Antonio Freire.

Os bandidos resolveram ir embora. Mas antes de o dinheiro chegar e o prazo acabar, a polícia, sabendo que os cangaceiros estavam naquela área, encontrou-se com eles, já no povoado Barra Salgada, município de Aquidabã.

Houve tiroteio e um soldado foi morto. Adão Freire, que estava com os cangaceiros, teve que se esconder. "Ele entrou num paiol de algodão, pois a polícia pensava que ele também era bandido. O tiro zunia e ele gritava "eu não sou bandido, eu não sou bandido". Se saísse morria. Uma hora mandaram ele sair, foi então que um cabo o reconheceu, por isso ele não morreu", explica Antonio Freire.


Web site: 
www.achetudoeregiao.com.br/SE/amparo_sao_francisco/historia.htm  Autor:   www.achetudoeregiao.com.br

Extraído do blog: 
O Cangaço em Foco


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PELA DUPLA DE ESCRITORES: Bassetti e Megale

Lampião sua morte passada a limpo

Se você ainda não tem  em sua coleção, peça logo antes 
que a edição se acabe.


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Não deixe de adquirir esta grande obra.



INVESTIGADORES DA HISTÓRIA CANGACEIRA


ANTÔNIO VILELA (GARANHUNS/PE)
Professor, Escritor, pesquisador, autor de livros relacionados aos temas Cangaço e Nordeste.

Antônio Vilela é autor dos Livros:
- O INCRÍVEL MUNDO DO CANGAÇO – VOLUMES I E II
- A OUTRA FACE DO CANGAÇO
- DOMINGUINHOS – O NENÉM DE GARANHUNS
- LAMPIÃO – DE MOCINHO A BANDIDO (RECENTE)

Seus trabalhos são de extremo valor e muito tem contribuído para o resgate e a preservação das histórias do cangaço e do Nordeste.

A fotografia acima foi registrada durante uma de suas pesquisas de campo, onde visitou o senhor José Alves de Matos que no passado integrou o grupo do cangaceiro Corisco e posteriormente o de Lampião, com a alcunha de “VINTE E CINCO”.

Antônio Vilela... um “Escriba” das histórias do Cangaço.
Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

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A História da Revolta de Princesa Isabel na Paraí­ba - PB

https://www.youtube.com/watch?v=E1OUkRYF880

Fonte: facebook

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AS FOTOGRAFIAS COLORIZADAS POR RUBENS ANTÔNIO (SALVADOR/BA), PASSANDO PELO CONTROLE DE QUALIDADE.


Pelo semblante de Vera Ferreira (Neta de Lampião) na fotografia abaixo, o trabalho do Historiador e Pesquisador Rubens Antonio está mais que aprovado.

Um trabalho de colorização que requer conhecimento histórico, muita paciência em sua elaboração e que busca resgatar as cores utilizadas nas roupas, acessórios e paisagens que fizeram parte do cenário do Cangaço Nordestino.

Na fotografia abaixo Vera Ferreira e Rubens Antônio apresentam algumas das antigas fotografias produzidas inicialmente em preto e branco, que passaram pelo processo de colorização.

Foto: Rubens Antônio (Salvador/BA)

Fonte: facebook
Página: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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FOTO INÉDITA DO ACERVO DO ROBÉRIO SANTOS


Amar o Cangaço não é necessariamente aprovar os atos criminosos dos cangaceiros, é estudar seus atos e descobrir um universo contido em cada imagem. Ha dois anos localizei uma fotografia inédita do bando de Lampião em Pinhão. Uma pena que eu quem a descobri, pois ficou no mais do mesmo como sempre. Não me importo com isso. Por isso, amigos, é com todo prazer que anuncio a descoberta de uma nova foto original do cangaço. Ela me foi cedida por Claudinei Pereira e destaca que a mesma foi feita na década de 30 em Amparo do São Francisco em Sergipe. Resolvi postar ela "in natura" para que vejam que realmente se trata de uma original... esta é uma de 3... em breve teremos as outras duas. Vamos ao debate? Valeu amigos@! Hoje,a cultura cresce!

Fonte: facebook

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CONVITE II ENCONTRO REGIONAL DE NARRATIVAS (AUTO)BIOGRÁFICAS - ERNAB


Prezado(a)s,

Em anexo, encaminho convite do II Encontro Regional de Narrativas (Auto)Biográficas - ERNAB que acontecerá na Faculdade de Educação, Campus Central da UERN, nos dias 03 e 04 de dezembro de 2015. A abertura deste Encontro acontecerá no dia 02 de dezembro no Hotel VillaOeste, Mossoró/RN, as 19h.
À disposição para maiores esclarecimentos.

Atenciosamente,

Sara Couto
Secretária da FE/UERN

Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN
Faculdade de Educação - FE

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
http://www.uern.br

Maria Viviane M. de Farias - Mat. 011265-8
Técnica de Nível Superior
Departamento de Geografia

Lázaro Emerson Soares - Mat. 08944-3
Agente Técnico Administrativo
Departamento de Geografia

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
http://www.uern.br


Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso

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Exibindo Convite II ERNAB (1).pngExibindo Convite II ERNAB (1).png

Tática de Lampião - O Silêncio da Morte Por:Raul Meneleu

Raul Meneleu e Manoel Severo no Cariri Cangaço 2015

Nertan Macêdo em seu livro "LAMPIÃO", traz a narrativa do Coronel Antônio Gurgel, prisioneiro/refém de Lampião, a respeito da sua fuga do Rio Grande do Norte, depois do ataque fracassado à cidade de Mossoró. Relato esse que impressiona pois poderemos ver as táticas de guerrilha que eram aplicadas e a total obediência dos 
cangaceiros a seu líder. 

Onde Lampião aprendeu essas táticas de guerrilha? Onde buscava inspiração para desenvolver essas manobras militares? 

Era assim Virgulino Ferreira da Silva. Tinha rasgos de herói e saídas de poltrão. Inteligente e astucioso, era um homem de vocação perdida.

Se aquele talento cru fosse devidamente aproveitado, Lampião poderia ter sido, não simplesmente um bravo vaqueiro do Pajeú ou um amaldiçoado chefe do cangaço, mas poderia ter sido um poeta, músico e artista, qualidades que revelou em seus versos, tocando sanfona, confeccionando belos e artísticos objetos de couro.


Poderia ter sido um bispo católico, ou quem sabe um general brasileiro, pois em seus combates que travou, demonstrou acentuada capacidade de estrategista. Não foram poucas vezes em que empregou planos bem arquitetados e bem executados para enfrentar e desestruturar seus inimigos. Possuía tato e qualidades de comando. Era na verdade um estrategista nato. Até hoje se discute o por que de Lampião ter atacado a cidade de Mossoró. Mas vamos ao relato: 

Lampião e seu bando chegavam à fronteira do Ceará. De Cacimba do Boi, lugar conhecido também por Buraco do Gado, Lampião mandou portador a Limoeiro. De volta, o emissário vinha de matula graúda: caixas de charuto, garrafas de vinho quinado, pacotes de biscoito. Não despendera um vintém nas aquisições.

O emissário contou: O povo do Limoeiro está em festas. Vai receber o senhor com grande satisfação. Até já mandaram embora os soldados pra não haver atrapalhação. O recado tocara, fundo, na fibra orgulhosa de Virgulino. Era por Isso que ele gostava do povo do Ceará. Meteu o fura-bolo na cara animada dos comparsas e repetiu a advertência já feita durante o trajeto, quando avistaram os campos do Jaguaribe:

– Daqui pra frente é o Ceará, terra do meu padrinho. Não se rouba e nem se mata! Não quero ver desavença nem safadeza! 

Os cabras baixaram os olhos. Os campos do Jaguaribe fumegavam, espichados no mundo. Todos se enfeitaram para a entrada em Limoeiro. Botaram fitas coloridas nos chapéus de couro e nas cartucheiras. No cano e bandoleira dos rifles — as fitas esvoaçavam, sopradas pelo vento quente daquelas planuras lavadas de sol. 

Lampiao em Limoeiro do Norte, CE, retornando de Mossoró

Entraram assim em Limoeiro, o chefe na frente, os óculos faiscantes, feliz com a recepção que lhe proporcionavam as autoridades e o povo. Gritos estrugiram na rua.

— Viva o Capitão Virgulino! - Vivá...! 

Coqueiro, mais afoito, tirou o chapéu, ergueu-o no ar, o rifle seguro na esquerda, e bradou em resposta: 

— Pois viva o govêrno Moreirinha! — Vivá... ! 

Outro cangaceiro berrou: 

— E viva meu padrinho padre Cícero! — Vivá...! 

O tempo esquentou debaixo das aclamações. Os vivas se multiplicavam, um nunca acabar de aclamações.

— Viva São Francisco do Canindé! 
— Viva São Francisco das Chagas! 
— Viva Nossa Senhora da Penha! 
— Viva a Mãe das Dores! 
— Viva Nossa Senhora da Conceição! 
— Viva o Bom Jesus da Lapa! 

Raul Meneleu e dona Francisca no Cariri Cangaço Piranhas 

Eram vivas em cima de vivas, bando e povo dialogando alto, festivamente. No patamar da igreja, o Capitão fez parada. Rezou ao padroeiro da terra e distribuiu esmolas aos mendigos que lhe estendiam as mãos. Comeu, em seguida, banquete regado a vinho e cerveja. Deram-lhe automóvel para passear na cidade. E o coronel Antônio Gurgel ia anotando tudo no seu caderninho.

Padre Vital Guedes, o vigário, animou-se a pedir a Virgulino: 

— Capitão, tenho um pedido a lhe fazer... 
— Diga, seu padre, que estando na medida dos meus poderes, eu atendo... 
— Eu queria que o senhor soltasse os prisioneiros do Rio Grande do Norte. 
— Pelo menos um, seu vigário, eu deixo ir embora. Os outros vão comigo, mando soltar depois. 

Libertou o preso mais barato, cujo resgate era de apenas dois contos de réis, um rapaz chamado Leite, do Apodi. Padre Vital Guedes ficou muito agradecido pelo gesto. E lá se foi de novo o bandido pelo sertão, tangendo os seus reféns, o coronel Antônio Gurgel, dona Maria José e o velho Joaquim Moreira. Este, por ser malcriado, ia montado num cavalo em pêlo, sem direito a sela. 

Rei Vesgo...

De Limoeiro, Lampião partiu para a Fazenda Armador, de propriedade de um cearense magro, fanhoso, de voz arrastada, insolente como os seiscentos diabos, de nome João Quincola. A tudo que o Capitão perguntava, João Quincola respondia de má vontade, carregando no cenho e sem despregar o ôlho do chão. 

Aí Sabino não se conteve mais: 
— Cabra, respeite Lampião, se não vai conhecer no lombo o gosto desta peia... E esfregou o relho na cara de Quincola, que se limitou a fungar e responder:
— Não tenho mêdo não, seu Sabino. 

Deixando a casa de João Quincola, que ficou de surra prometida por Sabino, o bando foi para o Saco do Garcia. Lampião já sabia que vinham volantes no seu rastro. Esperou-a jogando o 31, balas fazendo às vezes das fichas.

Já cansado de esperar, saiu dali no rumo de Arara, onde chegou um portador, trazendo os vinte contos de réis do resgate do pobre Joaquim. Moreira. O velho começou a dar pulos de contentamento quando viu aproximar-se a hora de ir embora.


Quanto ao memorialista, continuaria arrastado pelo bando, ele e dona Maria José, sofrendo as agruras daquele jornadear inapelável, com as volantes nos calcanhares. Além do mais, era obrigado a comer o molho de pimenta que Sabino, seu companheiro na hora da bóia, fazia questão de preparar e servir ao coronel.

Enquanto isso, a soldadesca rondava. E o Capitão jogando 31 com Sabino, Moreno e Luiz Pedro, seus parceiros de baralho, para os quais, de uma feita, perdeu sete contos que pagou, estrilando e mal-humorado.

Estavam agora no Serrote da Rocha, quando receberam a visita do tenente Pereira, comandante de uma volante cearense. O tenente chegou lascando tiro. Foi aí que o coronel Antônio Gurgel pôde ver, bem de perto, o quanto valiam aqueles guerreiros endemoninhados. O Capitão pulava e rolava no chão como um condenado, no meio da fuzilaria, e não havia bala para roçar-lhe a figura encapetada.

Morreu o meu cavalo e Moreno quase entrega o couro às varas, com o osso do braço à mostra, rasgado por uma bala. Puseram-lhe ali mesmo uma tipóia, envolvendo-lhe o braço num lenço sujo e trataram de abandonar o local da escaramuça, rumando para outros brejos. 

Caminharam sem alimento e água até meia-noite. Desvencilhando-se do grupo, um cangaceiro logrou comprar, numa casa, alguns queijos, mastigados às pressas. Calados, esfomeados, os homens do Capitão varavam as trevas da noite. 

Afinal, dormiram na margem de um riacho. Quando acordaram, estavam outra vez cercados pela polícia. Novo combate violento, sob vivas ao padre Cícero, rolando, pulando pedra, saltando moita. 

De repente, Lampião fez um gesto conhecido do grupo: exigia silêncio absoluto. Não consentia mais gritos e impropérios contra a soldadesca. Queria silêncio, silêncio completo, de morte. Todos obedeceram e o campo ficou mudo. A volante veio avançando, avançando, e quando já estava chegando ao lugar onde Lampião se enfurnara, este se levantou como um gato e bradou: Fogo !

Uma fuzilaria intensa rompeu das moitas e os soldados foram caindo no chão, varados pelos cangaceiros. Era assim que o Capitão Virgulino armava as suas arapucas aos destacamentos, no meio do mato. E sumiu, outra vez, pelos serrotes engarranchados.

Raul Meneleu
Aracaju, Sergipe
Fonte:http://meneleu.blogspot.com.br/2015/08/tatica-de-lampiao-o-silencio-da-morte.html
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