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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
A BEATA MARIA ARAÚJO..!
Por Colô
Do Arneiroz
Em 1° de março de 1889, com
Maria de Araujo, acontece a transubstanciação da hóstia consagrada em sangue em
sua boca. O fenômeno acontecerá dezenas de vezes. Acusada de embuste, D.
Joaquim José Vieira priva a religiosa de suas liberdades, é interrogada sob
forte apelo psicológico, além de tortura com uso de palmatória. Nesta data, Ela
entrega sua vida a Deus para que Sedição de Juazeiro se debelace, pondo fim a
guerra que tanto trouxe preocupações.
Seu corpo fora sepultado no inferior da
Capela do Socorro e em 1930 seus restos mortais são retirados e dado destino
ignorado. Padre Cicero, já idoso aos 86 anos, ficara ainda mais indignado e,
incompreensível, com a performance de sua igreja. O ato foi para exterminar as
romarias, reduzir a zero o milagre eucarístico ocorrido naquele idos de 1889,
cuja personagem central deveria ser ocultada.
O milagre foi real, muito bem
documentado, prova que a aquela mulher tinha sim uma relação muito próxima com
Deus, como afirma a parapsicóloga Maria Pagani Forti. Hoje, havemos de
relembra-la, pois sua vida foi de plena religiosidade, honesta, simples e
humilde. Viva a Beata Maria de Araújo.
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MAIS UM BELO MATERIAL DO PESQUISADOR CHARLES GARRIDO
Prezados,
saudações.
É sempre uma
enorme satisfação estar ao lado dos nossos queridos leitores, solicitando aos
mesmos que continuem prestigiando as publicações dos colegas que aqui expõem
seus respectivos trabalhos.
Analisaremos
as imagens, após à leitura.
Hoje, trago a
vocês, mais um relato do ex-cangaceiro "Vinte e Cinco". Leiamos
atentamente o episódio narrado por ele:
"Houve um
tiroteio muito grande e, nesse dia, o grupo não estava completo, pois o
Capitão, às vezes, dividia "os meninos" para fazerem pequenas
diligências. Nessa ocasião eu estava com ele, éramos sete ou oito, não me
lembro muito bem o número exato.
Aparentemente, estava tudo tranquilo. Mas, como sempre, os "macacos" não davam trégua, fomos surpreendidos, o chão estremeceu, foi bala pra todo lado. Porém, não deu pra saber qual era a volante, pois tratamos logo de fugir.
Caminhamos a tarde inteira no mato, mas eles não desistiram, e vieram seguindo nosso rastro.
Lampião, devido ao tiro que havia levado no pé, anos atrás, sempre que caminhava demais, começava a reclamar de dores, foi quando ele viu que havíamos saído do perigo, pelo menos por enquanto, parou o grupo e falou:
- Sei que hoje
vou morrer. Tô aqui no meio do mato com esses "meninos", sem reta-guarda,
a munição vai acabar, e dessa vez, eu sei que não escapo.
Ele disse
isso, talvez, porque Luiz Pedro, não estava junto da gente. Ele tinha perdido a
mulher há poucos dias, e Lampião preferiu deixá-lo mais resguardado.
Em certa parte
o Capitão tinha razão, naquele momento eu era o mais velho dos
"meninos", mas havia três anos que estava no cangaço e, já tinha dado
tempo de adquirir uma certa experiência. E quando eu ouvi aquilo da boca de
Lampião, me doeu. Foi então quando eu respondi:
- Pois agora
eu vou mostrar pro senhor; que menino também briga.
- Cuidado, os
macacos estão vindo no rastro. (Lampião)
- Não se
preocupe, o senhor não ta podendo caminhar. Fique aqui com dois homens lhe
dando cobertura, que a gente vai montar uma emboscada.
E assim a
gente fez, deixamos ele num local seguro e fomos esperar os
"macacos". Eu reuni rapidamente os outros que estavam comigo, e
disse:
- Ninguém
atira antes de mim.
Ficamos
escondidos atrás das árvores. Não se dava um "pio".
Nessa hora, era só tensão, a gente sabia que eles estavam se aproximando.
Tudo em silêncio, calmo... foi quando de repente, ouvimos o barulho das "pisadas" deles. Eram naquelas horas que o coração disparava sem querer, e só faltava sair pela boca.
Foi quando avistamos os "macacos" nitidamente. Eram seis ou sete. Mas não dava tempo de pensar em muita coisa.
Tinha um rastejador na frente, olhando sempre para baixo, atrás de nosso rastro, enquanto que os outros seguiam logo atrás dando cobertura. Era eles vindo, e eu na mira... eles vindo, e eu na mira..., se aproximando, vinte, quinze, dez metros... e aí foi quando eu:
Táaaaaaaaaaaaaaaa...mandei
bala!
Nesse momento,
os outros cangaceiros começaram a atirar sem parar. Foi papôco por todo canto,
e tome bala. Mas por incrível que pareça, eles não resistiram. Talvez acharam
que o nosso grupo era numeroso, por isso preferiram partir em retirada, já que
eram poucos na ocasião.
O combate foi rápido. Não demorou muito.
O rastejador morreu. Ele hoje deve estar procurando o rastro do Satanás, lá no inferno.
Cheguei perto dele, peguei o fuzil, o punhal, e dentro do bornal tinha um caderno cheio de letras... achei aquilo bonito, pois eu não sabia ler.
Pegamos tudo aquilo que podíamos, e fomos ao encontro do Capitão.
Quando chegamos até ele, eu falei:
- O senhor
disse que hoje ia morrer, porque não confiava nos meninos. Mas tá aqui o
resultado do "gado" . O fuzil é meu, o resto pode ficar.
Lampião disse:
- Eu ouvi os
tiros, mas pelo tanto de bala, pensei que não tinha sobrado um cristão. E isso
é pra macacada ver, que comigo e com minha gente, ninguém tira fiança".
Vamos à
análise das imagens, por gentileza:
1 - Vinte e
Cinco é o que está sentado ao centro, usando óculos escuros.
2 - Ele e eu,
em sua residência, em Maceió, no ano de 2006.
Meus amigos, a
vocês, o meu carinho e respeito de sempre.
Charles
Garrido.
Pesquisador.
Fortaleza-CE.
Pesquisador.
Fortaleza-CE.
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O PREFEITO QUE ENFRENTOU LAMPIÃO - FINAL
Por Ana Paula Cardoso
Cidade nomeada em homenagem ao prefeito-herói
Entre as várias homenagens prestadas em memória do prefeito que organizou o plano de resistência aos cangaceiros, se destaca a criação da cidade de Rodolpho Fernandes. Antes de se desmembrar do município de Portalegre, o povoado de São José dos Gatos, terra natal de Rodolpho Fernandes, teve início com Francisco Régis Filho, comerciante e proprietário de terras que chamavam a atenção pela grande quantidade de gatos do mato, conhecidos como maracajás. O comerciante mandou construir uma capela para São José no povoado e, a partir daí, a localidade começou a ser chamada pelos moradores de São José dos Gatos.
Somente no ano de 1962, através da Lei 2.763, o distrito de São José dos Gatos se desmembrou de Portalegre e recebeu nome em homenagem ao ilustre filho da terra e ex-prefeito que conseguiu escorraçar o bando de Lampião de Mossoró.
A pequena cidade Rodolpho Fernandes, no Rio Grande do Norte, se estende por 154,8 km quadrado e contava com 4417 habitantes no último censo no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os habitantes da terra que homenageia o mártir da resistência são chamados de Rodolfo Fernandenses.
FINAL
Fonte:
Revista: BZZZ
Ano: 4
Nº: 51
Revista: BZZZ
Ano: 4
Nº: 51
Páginas: ... 27.
Mês: Setembro de 2017.
Digitado por José Mendes Pereira
Mês: Setembro de 2017.
Digitado por José Mendes Pereira
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LAMPIÃO E DADÁ, FIGURINISTAS DO CANGAÇO...!
https://www.youtube.com/watch?v=boduo1kto-o&feature=youtu.be
Publicado
em 12 de dez de 2017
Dadá
foi quem iniciou o figurino colorido fabricando embornais cheios de cores e
figuras. Lampião vendo isso, abraçou a ideia e passou a adotar enfeites e
confeccionar a indumentária que marcou dali em diante a vestimenta do cangaço,.
Eram dois estilistas que com suas criações enfeitaram a vida dura daqueles
homens, trazendo-lhes o orgulho de pertencerem ao bando do Rei do Cangaço.
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INDICAÇÃO DE LEITURA: O CABELEIRA / FRANKLIN TÁVORA
Kleber Marins
Antecessor de Lampião no Cangaço,
quando criança ficou entre a brandura da mãe e a brutalidade do pai. José Gomes
é o vulgo Cabeleira. Apavorando o sertão com sua pouca idade e seus longos
cabelos ondulados.
Já dizia a trova popular:
Minha mãe me deu
Contas pra rezar;
Meu pai deu-me faca,
Para eu matar
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CABEÇAS DOS CANGACEIROS "SERRA BRANCA", SUA COMPANHEIRA "ELEONORA" E "AMEAÇA"
Por Sálvio Siqueira
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terça-feira, 16 de janeiro de 2018
LIVRO “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”
Por Antonio Corrêa Sobrinho
O que dizer de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”, livro do amigo Ruberval de Souza Silva, obra recém-lançada, que acabo de ler, senão que é trabalho respeitável, pois fruto de muito esforço, dedicação; que é texto bom, valoroso, lavra de professor, um dizer eminentemente didático da história do banditismo cangaceiro na sua querida Paraíba. É livro de linguagem simples, sucinto e objetivo, acessível a todos; bem intitulado, pontuado, bem apresentado. E que capa bonita, rica, onde nela vejo outro amigo, o Rubens Antonio, mestre baiano, dos primeiros a colorizar fotos do cangaço! A leitura de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO” me fez entender de outra forma o que eu antes imaginava: o cangaço na terra tabajara como apenas de passagem. Parabéns e sucesso, Ruberval!
Adendo: José Mendes Pereira
Eu também recomendo aos leitores do nosso blog para lerem esta excelente obra, e veja se alguns dos leitores possam ser parentes de alguns cangaceiros registrados no livro do Ruberval Souza.
ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Entre em contato com o professor Pereira através deste
e-mail:
franpelima@bol.com.br
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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA
Sobre o escritor
Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.
Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.
O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima.
franpelima@bol.com.br
Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.
Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.
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CANGAÇO: VINGANÇA OU NEGÓCIO?
- No mundo dos ‘negócios do cangaço’, a vingança foi esquecida.
Por Sálvio
Siqueira
A formação, ou
existência do movimento, Fenômeno Social, cangaço brotou dentro de outro
Fenômeno Social “O Coronelismo”.
A parte
violenta, obrigatória, de submissão e ‘cabrestos’ colocadas, exigidas, pelos
que na época mandavam amparados, ou não, pela “Lei”, tanto fazia, pois aqueles
que regiam as leis, não faziam com que as mesmas os acolhesse, não a fazia
impor contra o grande em proteção ao ‘pequeno’, pelo contrário, essa, a Lei,
quando solicitada em sua defesa, do pequeno, e proteção era burlada e
invertida, e a vítima passava a ser o criminoso. Em contra partida, o real criminoso,
o latifundiário, o ‘coronel’ e/ou o político regional, que era na verdade o
criminoso, saia ileso.
Quantas
surras, estupros, barbaridades violentas e até mortes, essas com as mais
variadas formas de perversidades para servirem de exemplo, foram cometidas
dentro e nos terreiros das choupanas dos roceiros agregados, dos vaqueiros, dos
meeiros e outros mais, na imensidão dos sertões nordestinos a mando de
‘coronéis’, políticos e fazendeiros em nome ‘deles’ mesmos? E ai daqueles que
pelo menos insinuasse o ocorrido na tapera do vizinho, do amigo ou mesmo de um
parente próximo, como pai ou filho, pois corria o risco de ter o mesmo
‘tratamento’.
Os
‘Manda-Chuva’ da época tinham a seu dispor, pagos com dinheiro, proteção e
favores, sempre um real e perverso contingente de jagunços e pistoleiros. Em
caso de darem um aviso, um corretivo, uma ordem para votarem em determinada
pessoa e outras mais, eram enviados os jagunços, os homens do coronel fulano de
tal, para executarem a ‘tarefa’. Já em caso de um inimigo político e/ou da
mesma classe social, era enviado um pistoleiro. Aquele que se acoita e coloca
uma emboscada para poder atirar de ponto, e resolver o caso.
Nessa época, o sertanejo que cometia um crime, muitas vezes por não ter outra saída, em defesa da sua honra ou da honra da sua família, corria a pedir socorro, proteção a algum ‘coronel’, da sua região ou em outra mais distante. Se recorresse a Lei, o que seria a maior das imprudências na ocasião, ele estava lascado. Devido à ‘proteção’ ganha, recebida do ‘maioral da região’, passava a ser obrigado a realizar os mandos do patrão até sua total extinção, ou seja, pelo resto de sua vida, tendo ainda seus descendentes sendo sempre ‘lembrados’ do favor que fora feito ao antepassado... Também continuavam com a obrigação de servir. Muitos daqueles que viviam da espingarda, pistoleiros, levavam suas vidas a cuidarem da labuta diária nas terras em que lhes fora permitido viver e trabalhar. Porém, ao primeiro sinal do patrão, trocava de ferramenta, largava o cabo da enxada pela coronha do rifle.
Dentro desse
mundo imperioso pelo poder do mais forte, surgiram alguns que em vez de
cumprirem ordens de outrem, resolvem eles mesmos serem seus patrões, chefes e
mandantes. Dentre esses, alguns, que pensavam antes de agirem, em vez de
arrumarem encrenca com os poderosos, os coronéis, faziam pactos com eles e
usava uma ‘moeda’ universalmente usada entre os bandidos, à troca de favores.
Favores por fornecimento e em contra partida, fornecimento por serviços
prestados, tornando-se assim chefe dos demais.
O cangaço surgiu da dor, da lágrima, do sofrimento, do sangue derramado, da ilusão e da morte. Surgido dentro e dessas brutais particularidades, as mesmas são vistas em toda sua existência.
Grandes nomes
que se destacaram no cenário cangaceirístico ao longo das décadas, tiveram uma
particularidade, excetuando-se uma ou outra personagem, os demais,
incrivelmente, agiram igualmente. A maioria do jovem sertanejo que procurava o
cangaço era para ter apoio e poder praticar uma vingança. Logicamente nem todos
foram devido a esse motivo. Por outro lado, também ocorreram várias entradas
nas tropas volantes para darem-se a vingança principalmente ao cangaceiros que
algum crime cometera com algum familiar do mesmo.
Pois bem,
falando de nomes destacados entre os grandes chefes cangaceiros temos Jesuíno
Brilhante, Cassimiro Honório Lima, Sinhô Pereira, Antão Godê, Antônio Silvino,
Lampião e outros... Desde o “Cangaceiro Romântico” até o último dos grandes
chefes, Virgolino Ferreira, declarou-se haver uma vingança por trás das suas
adesões às fileiras do cangaço. A historiografia nos mostra que poucos, dentre
os ‘grandes’, realizaram a façanha vingativa. Quando o cangaceiro era jovem,
essa vingança ficava mais fácil e oportuna. Destacamos Sinhô Pereira, Sebastião
Pereira da Silva, que entrou para vingar e vingou. Após ter cumprido aquilo
para que entrasse, sacudiu a poeira das terras pajeuzeiras e partiu para outros
‘mundos’ onde viveu por muito tempo.
Manoel Batista
de Morais, o Antônio Silvino, entra para o cangaço a fim de realizar uma
vingança naqueles que promoveram e tiraram a vida de seu pai, Pedro Batista
Rufino de Almeida, conhecido por “Batistão”. Apesar do tempo em que exerceu a
função de chefe cangaceiro, mais ou menos de 1896 a 1914, dezoito anos de
cangaço não o fez. Foi preso, entregou-se ao Alferes Theófanes Ferraz Torres,
em 1914 sem fazer aquilo para que se destinasse a entrar no cangaço. Além das
promessas e juras que fez a seus ‘maiores inimigos’, pessoas da família Ramos.
Tendo um de nome Desiderio Ramos, tido como o executor de seu pai que morreu de
velhice. Desiderio passou a vida trabalhando de almocreve entre o sertão do
Pajeú das Flores e a cidade de Pesqueira, no agreste pernambucano, e a vingança
não se realizou. (MELLO, 2011)
Se realmente a
vingança fosse uma prioridade para o cangaceiro “Antônio Silvino”, é lógico e
evidente que essa teria sido consumada. No entanto, ao estudarmos sua trilha
cangaceira, notamos uma tendência a usufruir daquilo que viu no cangaço: muito
dinheiro e destaque entre os homens e populares de pequenas Vilas, Povoados e
Cidades. Ou seja, após o primeiro impacto onde quase se consuma a vingança,
essa, aos poucos é deixada de lado e os “cabras” tomavam outro rumo de ação.
Na
historiografia de Virgolino (Ferreira da Silva), o Lampião aparece dois
inimigos principais. Um que, segundo ele mesmo, foi o culpado de ter entrado
para aquela vida desgraçada. Outro que comandou a volante que assassinou seu
pai, já viúvo, em terras alagoanas. No início da pendenga entre Virgolino
Ferreira e Zé Saturnino, tocaias e cercos foram colocados pelos dois rivais.
Mortes e feridos são relatados ter havido de ambos os lados. Com o passar dos
anos, o que não são tantos, notamos um ‘desaparecimento’ total no desejo de
vingança, ou pelo menos é o que percebemos ao estudarmos, e não ter-se notícia,
sobre alguma ameaça e cerco ou emboscada colocada por Lampião, em seu primeiro
inimigo, Zé Saturnino. Esse ‘desprezo’ pela vingança em seu inimigo número 1
começa a ficar nítida logo antes e após a morte do cangaceiro “Vassoura”,
Livino Ferreira, em 1925. Com a morte de “Esperança”, Antônio Ferreira, no
final de 1926, aí é que a gente não encontra mais nada.
Já quanto à
morte de José Ferreira, assassinado na casa em que recebeu para ficar de
favores, pela volante do então sargento José Lucena, em território alagoano,
mesmo tendo duas versões, a vingança também não se consume. Em uma das versões,
o soldado, da volante de Lucena, Benedito Caiçara é o autor dos disparos no
patriarca da família Ferreira. Segundo autores, Caiçara nem sabia em quem
estava atirando. Mas, relatos nos mostram que o volante era perverso e gostava
de matar, principalmente se fosse à covardia como assassinou um dos Porcino,
José, que estava ferido sem condições de lutar nem de mover-se, com pedradas na
cabeça. Há, também, relatos sobre como executava as ações do comandante José
Lucena em seus prisioneiros: “... é sabido por todos, que Lucena não gostava de
colecionar prisioneiros. Ladrões em geral, especialmente ladrões de cavalos,
assaltantes, desordeiros, perturbadores da ordem pública, muitos foram
executados em cova aberta. A ordem para limpar o Sertão já vinha de cima.”
(CHAGAS, 2013)
Na versão de
Bezerra e Silva, “houve forte tiroteio na fazenda Engenho. Além da morte de
José, ficou ferido Antônio Ferreira, na perna. Os Ferreira juntaram-se aos
Porcino, conduziram Antônio numa rede e com um grupo de 25 homens, partiram
para Pernambuco, pernoitando na Vila Mariana.”
Os autores de “De Virgolino a Lampião”, Vera Ferreira e Antônio Amaury, referem: “Na morte de José Ferreira não houve combate. Os três filhos mais velhos não estavam presente. O depoimento de João e de Virtuosa são bens claros.”
Relatos de um
ex cangaceiro do bando de Lampião, Miguel Feitosa, ao sociólogo Frederico
Pernambucano de Mello, diz que ocorreu uma espécie de ‘amaciamento, apesar de
discreto, progressivo’ entre os dois, Virgolino e Saturnino.
“(...) O amaciamento teve início no ano de 1923 com proposta de acomodação enviada por Saturnino através de José Clementino de Souza, “boiadeiro velho residente na Matinha, perto das Pedreiras, em Serra Talhada”. Como prova dos seus propósitos de paz, Saturnino envia pelo boiadeiro “um uniforme caqui, tipo especial, dos de cinco varas e uma quarta de tecido, comprado no comércio de João de Sá Gominho, em Nazaré, atual cidade de Carqueja, do município de Floresta, Pernambuco”. Ainda, segundo Miguel, o “cérebro” dessa tentativa de acomodação foi Francisco Flor, residente nesta mesma cidade, à época simples povoado (...).” (MELLO, pg. 121, 2011).
Vejam bem, um
ex cangaceiro do bando de Lampião vem nos mostrar um grande acordo que ocorreu
entre dois rivais ferrenhos. Sabedor da discordância que teria seus irmãos
quanto a esse acordo, na época ainda vivos, 1923, O “Rei do Cangaço”, esbraveja
que jamais faria qualquer acordo desse tipo com Zé Saturnino. Lampião, sendo o
cérebro do bando, sabia como lidar com determinadas atitudes se antecedendo as
mesmas, por isso que prolongou seu ‘reinado’ por quase vinte anos. O fator
vingança não estava já tão aceso motivando seus movimentos. A vida de criminoso
já estava selada, portanto, nada melhor do que prolongá-la indeterminadamente.
A razão primaria, ou seja, VINGAR-SE, não mais se enquadrava em seu particular
cangaço. Além, é claro, de não mais ter um inimigo perigoso nos calcanhares.
Sabino
Gomes de Góis ou Sabino Gomes de Melo, de alcunha ou conhecido como Sabino das
Abóboras, um dos mais destacados nomes da história cangaceira, mais audacioso
do que o próprio Lampião.
“(...) Lampião recebe o uniforme e embora diga na presença dos irmãos e de outros cabras que não poderia aceitar acordo com Saturnino, procura dias depois o boiadeiro pedindo-lhe que “reservadamente’ apresentasse ao proponente seus agradecimentos pela gentileza. A despeito das cautelas, o assunto viria a transpirar, tendo sido muito comentado no bando do qual o depoente fazia parte nessa época (...).” (MELLO, págs. 121 a 122, 2011)
Já quanto ao
comandante José Lucena, o pedido de ‘trégua’, acordo, teria partido do próprio
chefe cangaceiro nas terras da fazenda Barra Formosa, propriedade do coronel
Francisco Martins de Albuquerque, tentando usar como ‘interlocutor’ do acordo,
Gerson Maranhão parente de José Lucena, em 1932.
“(...) No auge da seca de 1932, Gerson Maranhão recebia em sua fazenda Angico Torto, do município de Águas Belas, Pernambuco, emissário do famoso bandoleiro, vindo com a incumbência de preparar-lhe uma visita (...) Segue Gerson em companhia de dois amigos, chegando já noite fechada ao local da incômoda audiência. Estava o bandido com todo o grupo num centro da caatinga situado em uma das mangas da fazenda Barra Formosa, do coronel Francisco Martins de Albuquerque(...) A certa altura, Lampião interrompe a conversa chamando Gerson para um “particular”. Sabia do seu parentesco com José Lucena – como ele, também um Albuquerque Maranhão – e lhe propunha que agisse como intermediário no sentido de uma acomodação: Lucena não mais o perseguiria, nem a seus irmãos, particularmente o mais moço, de nome João, que sempre se conservava fora do cangaço. Em troca, “o meu mosquetão não atira mais nele” (...).” (MELLO, pg. 122, 2011).
Todo catingueiro, roceiro, vaqueiro e dono de propriedade rural, naquele tempo, sabiam da fama de Lampião. O fazendeiro Gerson Maranhão, com toda certeza ficou um tanto sem entender aquela ‘proposta’. As seguintes ações, no decorrer dos anos vindouros, do líder, chefe cangaceiro, a partir de então, também demonstra um relaxamento no tocante a ‘vingança’ jurada. No início de 1938, seis anos depois da proposta de acordo, um caso ocorre aonde viria a confirmar esse fato.
“(...) Em princípios de 1938, o cabra Pedro Barbosa da Cruz, conhecido vulgarmente por Pedro Miúdo, encontra-se com o bando de Lampião na fazenda Riacho Fundo, perto da localidade Antas, município de águas Belas. O chefe, sabendo-o cabra disposto e no permanente esforço de recrutamento a que se entregava, convida-o a acompanhá-lo, ao que Miúdo lhe responde com proposta de “coisa melhor”. Conhecia bem José Kucena, fora soldado de uma volante por ele comandada, e o mataria “por cinco contos de réis”. Surpreso, Lampião agradece a oferta com um raro gesto de prodigalidade: dá-lhe de presente uma faca de cabo trabalhado. Em seguida, dirigindo-se ao cabra, devolve-lhe a surpresa com a seguinte confidência: “Deixe isso. Essas questões já estão velhas”(...).” (MELLO, pg. 123, 2011).
Tanto um como o outro, Zé Saturnino e José Lucena, foram jurados de morte por Lampião, no entanto, a mesma não foi executada. No nosso entender, pelas regras do sertão da época, se era para vingar-se de alguém o correto seria concluir a promessa ou morrer tentando. Isso se fosse penas uma questão de vingança, no entanto, o cangaço lampiônico, criado pelo próprio, tinha algo mais, algo que resultaria numa enorme empresa de proveitos econômicos.
E assim o
cangaço e os cangaceiros seguem nos surpreendendo entre seus grandes
personagens. Sabino das Abóboras, um dos cabras de Lampião mais valentes que
existiu. Sanguinário, malvado, rude e violento, era temido até mesmo mais do
que Lampião, jura matar o matador de seu irmão. Ao encontrar o ‘cabra’, referi
se ele sabe que irá morrer naquela hora por ter matado seu irmão. O pistoleiro,
sem retirar os olhos do cangaceiro chefe cangaceiro Sabino, Sabino tinha um grupo
composto por uns 16 cangaceiros, diz que seu irmão, o irmão de Sabino, morreu
sem ser a ‘encomenda’, morreu no dele. Que ele estaria realmente esperando era
ele, Sabino, para mata-lo. Diante de tão grande prova de coragem, Sabino deixa,
deixando seus homens atordoados com tal atitude, o homem ir embora sem se quer
um arranhão de ponta de punhal... Nas quebradas do Sertão.
Fotos
“Guerreiros Sol – Violência e banditismo no nordeste do Brasil” – MELLO,
Frederico Pernambucano de. 5ª Edição revista e atualizada. São Paulo, 2011.
Outras as fontes estão citadas nos rodapés das imagens
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EU E “MANÉ FUMAÇA”
Por Sálvio Siqueira
O artista
plástico Arlindo Lopes, aqui de São José do Egito, produziu um busto e uma peça
de corpo inteiro do grande comandante Manoel de Souza Neto.
A história
desse Nazareno é ímpar quanto à coragem, valentia e dedicação ao combate ao
banditismo rural na época e pós o cangaço.
Como um dos
maiores perseguidores de Lampião recebe dois apelidos, um do próprio “Rei do
Cangaço” e o outro da sua “Rainha”, Maria Gomes de Oliveira, a Maria de Déa,
mais conhecida universalmente por Maria Bonita: ‘Mané Fumaça’, esse apelido é
tido na historiografia como sendo Virgolino a ter-lhe dado. Segundo alguns
autores, Lampião, ao certificar-se de que estaria brigando com Mané Neto, dizia
a seus ‘cabras’: “cuidem da banda de suas vidas que a outra Mané Fumaça já
dispachô”. A outra alcunha seria “Cachorro Azedo”, colocada por Maria Bonita,
talvez pela insistência de não deixar seus rastros dentro da Mata Branca.
Obs.: O
artista faz esculturas de qualquer uma das personagens históricas por
encomenda.
Foto Edinaldo
Leite
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O ARROZ NOSSO DE CADA DIA
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de janeiro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.824
Teve início, semana passada, a safra 2017/2018 do arroz, no perímetro irrigado do baixo São Francisco. Estar valendo o teste das 200 toneladas de sementes distribuídas pelo governo estadual através da Secretaria da Agricultura, Pesca, e Aguicultura – SEAGRI – em 2017. A colheita está acontecendo no município de Igreja Nova, capital do arroz em Alagoas. Como tudo deu favorável, aguarda-se uma produção que irá superar a média nacional de produção por hectare. A perspectiva é de uma colheita de 24 toneladas em uma área de três hectares. Esse é um projeto ligado ao rio Boacica. Segundo se comenta a produção é atribuída à qualidade das sementes e da água da irrigação, além dos tratos culturais no perímetro irrigado dos rios Boacica e Itiúba. A média da produção nacional é de 6.100 quilos por hectare. A produção agrícola e a agropecuária são geridas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba – CODESVASF.
COLHENDO ARROZ. FOTO DIVULGAÇÃO.
O arroz, constituído por sete espécies, é uma planta da família das gramíneas e alimenta mais da metade da população humana do mundo. É a terceira maior cultura cerealífera do globo, apenas ultrapassada pelas de milho e trigo, sendo rica em hidrato do carbono. Sua cultura necessita de água em abundância e se desenvolve bem, mesmo em terreno muito inclinado, o que não é o caso de Igreja Nova com suas longas várzeas marginais ao São Francisco.
O município acima pode não contar em roteiro turístico, mas é muito visitado pelos que procuram estudar e conhecer o perímetro irrigado dos rios Boacica e Itiúba, que se espraiam pelas terras baixas e planas. Também a vida selvagem e específica do lugar atraem pesquisadores para a área tão perto da foz do “Velho Chico”. Para quem deseja conhecer a região, pode-se chegar até ali através de Arapiraca e São Sebastião ou através de Coruripe, Penedo.
Como a notícia da safra é muito boa, aguarda-se mais qualidade à mesa do alagoano e do Brasil. Não precisa ser chinês, para mergulhar num prato de arroz com bode assado.
Ê mundo “véi”, quanta coisa boa!
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