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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

CARTA DE THEOPHANES FERRAZ PARA EUCLIDES DE SOUZA FERRAZ (EUCLIDES FLOR). CORRESPONDÊNCIA CEDIDA, GENTILMENTE, PELO PRIMO HILDEBRANDO NOGUEIRA NETO.




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A EXPLOSIVA E ELUCIDATIVA ENTREVISTA DO CANGACEIRO RAIMUNDO MORAIS


Preso em Missão Velha/CE e recambiado para a cadeia da capital cearense, em agosto de 1928, o cangaceiro Raimundo Morais relatou sua participação em marcantes fatos da história do cangaço, citando importantes companheiros de luta, a exemplo de Sebastião (Sinhô) Pereira, Luiz Padre e Lampião e a relação de importantes figurões da política cearense, paraibana e pernambucana, como o major José Ignácio, do Barro; o coronel José Pereira, de Princesa; Yoyô Maroto (Crispim Pereira de Araújo), de Belmonte; dentre outros.

A reportagem foi publicada, em 01 de setembro de 1928, no Jornal “O Ceará”, de Fortaleza. Abaixo transcrevo a matéria integralmente, alterando apenas a ortografia da época para a dos dias atuais.

“Entre os cangaceiros que se encontram na cadeia pública desta capital, presos pela polícia cearense, depois que o dr. Mozart Catunda Gondim assumiu a direção da Secretaria da Polícia e Segurança Pública, figura Raimundo Maximiano de Morais, que conta 28 anos de idade, de cor morena, baixo, natural de Brejo dos Santos. Gaba-se Raimundo Maximiano de Morais de ter vivido doze anos na espingarda no meio dos mais temíveis cangaceiros, como José Ignácio, do Barro; Sebastião Pereira, Lampião, Luiz Padre, Gitirana e muitos outros. Inicialmente disse-nos Morais que fosse contar toda a sua vida de cangaceiro, levaria muitos dias.

Por isso, concordou conosco em fazer uma narrativa completa, mas desprezando certos pormenores que julga sem importância.

Viveu em Brejo do Cruz até 1914, em companha de seu pai José Maximiano de Morais, a quem ajudava numa loja de que o mesmo era proprietário. No fim daquele ano, quando contava apenas 14 anos de idade, abandonou a casa do seu pai a fim de ganhar a vida sozinho, passando a trabalhar para Chico Chicote, político influente, que pouco dias depois convidou-o a tomar parte do assalto armado a Porteiras. Com extraordinária satisfação, Morais aceitou o convite e seguiu no meio de numeroso grupo para o ataque àquela vila, que caiu em poder de Chico Chicote. Durante a luta, Morais portou-se com tal valentia, que passou a ser alvo de elogios do chefe do bando e dos seus companheiros, o que encheu de orgulho e o animou a prosseguir na vida do cangaço. Pouco depois dessa façanha, quando se encontrava no sitio Guaribas, de propriedade de Chico Chicote, tomou, por duas vezes, parte na defesa daquela propriedade, atacada por forças do governo.

Serenadas as cousas em Guaribas, foram dispensados os serviços de todos os cabras, tendo Morais seguido com diversos deles com destino a Brejo dos Santos, onde foram cercados por uma numerosa força policial, que conseguiu capturar um. Morais conseguiu não ser apanhado e fugiu para São José de Piranhas, Paraíba, onde, não sendo conhecido, pôde empregar-se como lavrador no sítio Picadas, de propriedade do Major Andrade. Passou seis meses trabalhando naquele sítio, mas tinha saudade da vida do cangaço, e, por isso, voltou a Brejo dos Santos, sendo, logo após a sua chegada ali, cercado por uma força policial. Graças ao auxilio que lhe prestou um seu irmão, pôde fugir, indo ter ao sítio Barro, de propriedade do coronel José Ignácio, homem rico, de Milagres. Durante um ano, pouco mais ou menos, esteve trabalhando como agricultor naquele sitio, mas, em certo dia, José Ignácio chamou-o, dando-lhe um rifle e farta munição para, em companhia de outros “rapazes”, ir fazer um serviço.

Tratava-se nada mais, nada menos, de liquidar João Flandeiro, inimigo de José Ignácio. O grupo era chefiado por Sebastião Pereira e, entre outros cangaceiros, contava Tiburtino Ignácio, Ponto Fino, Deodato, Patrício, João de Genoveva e José Pedro. Cerca de 5 horas da manhã, o grupo cercou o sítio Pitombeiras, distante uma légua do Barro, propriedade e residência de João Flandeiro, começando, então, violento tiroteio, que durou até as 9 horas da manhã, quando a família do atacado, obteve permissão para sair de casa. João Flandeiro, apesar de ferido, resistiu ainda 15 minutos de fogo, mas, afinal, abriu a porta para entregar-se, sendo crivado de balas. Imediatamente, os assaltantes atearam fogo na propriedade. Terminado o “serviço”, o grupo voltou ao sítio Barro, ficando José Ignácio muito satisfeito quando soube que o seu inimigo tinha morrido e que a sua propriedade fora incendiada.

Dois meses mais tarde, fazendo parte de um grupo de 12 homens, em que figuravam Luiz Padre, Sebastião Pereira, Mourão, Gitirana, José Dedé, João Dedé, Vicente Marinho, José Marinho e Cambirimba, dirigiu-se Morais para o Pajeú, em Pernambuco, onde morava uma filha de José Ignácio. Ali, no povoado Queixadas, mataram, depois de renhida luta, o Antonio da Imburana, que havia assassinado Manoel Pereira Dadir, irmão de Sebastião Pereira. Cometido esse crime e sendo perseguido pela polícia pernambucana, o grupo voltou ara o sitio Barro, fazendo, em caminho, vários saques.

Depois de alguns meses de repouso, Morais entrou num grupo de 45 homens, organizado por José Ignácio e do qual fazia parte Lampião, para atacar o padre Lacerda, Em Coité. Pelas 9 horas da manhã o numeroso bando, que se encontrava bem armado e municiado, atacou a vila de Coité, ocupando, no primeiro embate, três casas. A população ofereceu heroica resistência, que durou de 9 horas da manhã a 6 e meia da tarde, quando os assaltantes foram obrigados a recuar, indo até a fazenda do coronel Antonio Cartaxo, em Maurity, o qual, sabendo da aproximação dos bandoleiros, abandonou a sua propriedade, que foi saqueada e depredada.

De acordo com as recomendações de José Ignácio, o grupo, ao retirar-se de Coité, deveria atacar Milagres, mas achando-se essa localidade bem guarnecida. Lampião tentou atrair a atenção da força policial para fora daquele município, para o que fingiu a fazenda Queimada, próximo a Maurity. No momento em que efetuava o assalto a Queimadas, o bando foi surpreendido por uma força de 12 praças, comandada pelo Sargento Gouveia, que recuou três vezes. No último ataque do sargento Gouveia, o grupo decidiu retira-se em direção a Conceição de Piancó. Durante a luta, morreram dois soldados e os cangaceiros perderam “Pitombeira”, ficando ferido o bandido “Lavandeira”, que foi levado para a casa do velho “Baptista dos Valões”, tio de Sebastião Pereira e de Luiz Pedro. De Conceição do Piancó, os bandoleiros dirigiram-se para o povoado Cristóvão, do município de Belmonte, em Pernambuco, onde foram homiziados por Yoyô Maroto, que lhes forneceu munição.

Após esses acontecimentos, voltaram todos ao “Barro”, de José Ignácio, que mostrou a Morais um telegrama que lhe fora enviado pelo deputado Floro Bartolomeu, aconselhando-o a abandonar a vida de cangaço, visto como pretendia fazê-lo prefeito de Milagres, Em virtude deste conselho, José Ignácio resolveu dispensar o grupo, mandando-o para o Pajeú das Flores.

Os bandoleiros não quiseram ir para aquela localidade pernambucana, e rumaram a Patos e dali a Vila Bela, onde se acoitaram no sitio Abóboras, de propriedade do coronel Marçal Diniz. Numa dessas viagens, o grupo dividiu-se e seis homens dirigiram-se a Olho D’água, tendo um encontro com a força cearense comandada pelo capitão José de Santos Carneiro. Os seis cangaceiros perderam as montarias e refugiaram-se em Patos, onde se encontrava Lampião.

Desse encontro nasceu o receio de que a força cearense atacasse Patos, razão porque o dr. Marcolino Diniz, que protegia os bandoleiros, pediu auxílio do coronel José Pereira, de Princesa, que lhe remeteu mais de 100 homens armados. Enquanto enviava esse reforço de cabras, o coronel José Pereira foi ao encontro da força cearense, avistando-se com a mesma nas proximidades de Patos. O coronel José Pereira procurou convencer ao capitão Carneiro que não havia cangaceiros naquele município, mas o aludido oficial, com cerca de 80 praças, foi até Patos, não encontrando, ali, nenhum bandoleiro, pois, de acordo com os planos do coronel José Pereira, foram escondidos todos os “rapazes”. Foi isso uma felicidade para a força cearense, porquanto estava combinado se tentasse a mesma efetuar qualquer prisão seria repelida pelos cangaceiros, em número, então, superior a 200. No dia imediato, o capitão Carneiro se retirou de Patos. Lampião, à frente de 30 homens, dirigiu-se para o Pajeú das Flores, não sendo acompanhado de Morais que, com dois bandoleiros, voltou ao Ceará.

Durante dois anos, Morais viveu como bodegueiro, mas, vez por outra, realizava, “expedições” de cangaço por conta própria. Numa dessas “expedições”, chefiou um grupo composto de Antonio Padeiro, Lavandeira e dos Mateus, com os quais atacou José Amaro, no município de Aurora, saqueando totalmente a casa deste. Esta façanha custou-lhe nova perseguição da polícia, o que determinou sua fuga para o Pajeú, onde encontrou a proteção de Yoyô Maroto. Este, pouco meses depois, recebia Lampião em sua fazenda, passando Morais a “agir”, juntamente com o temível chefe bandoleiro.

Retirando-se Lampião, Morais não o quis seguir, e, com Lavandeira, passou a roubar entre Cristóvão, Belmonte e Poço dos Paus. Depois de várias peripécias, Morais foi acusado da morte de Vicente Quilarino, pelo que teve de fugir, vindo para Gameleiras, no Ceará, onde foi contratado para, em companhia dos Marcelinos, perseguir Horácio Novaes. Demorou em Gameleira, mas, ali, se viu perseguido por Júlio Pereira, por não querer trabalhar com ele em furtos de gado. Júlio Pereira, com diversas homens, atacou-o no dia 12 de maio de 1926, mas não conseguiu matá-lo.

Morais foi para Olho D’água do Santo, em Brejo dos Santos, onde pediu a proteção do coronel Joaquim de Lucena, conhecido por Quinca Chicote, prefeito municipal, que prometeu acoitá-lo, dando-lhe uma casa. Depois de pouco dias, o mesmo coronel Quina Chicote mandou mata-lo por um grupo de que faziam parre João Chicote, Antonio e Pedro Granjeiro, Manoel Salgueiro e Ferrugem. Morais entrincheirou-se em casa e resistiu ao ataque desde 10 horas da noite até 8 e meia da manhã seguinte, quando recebeu duas balas na perna direita.

Além desses ferimentos, a sua munição acabou-se, não podendo mais resistir. O primeiro a entrar em sua casa foi o Manoel Salgueiro, a quem Morais comunicou que estava ferido. Minutos depois, penetravam na casa mãos trê4s cangaceiros que queriam matar Morais, que apelou para Salgueiro, mostrando que era covardia assassinar e homem ferido e sem armas. Manoel Salgueiro ficou ao lado de Morais, não consentido que lhe tirassem a vida. Ferrugem e os outros insistiram em dar cabo do ferido, mas Salgueiro botou bala na agulha do rifle e tomou posição, disposto a defender a vida do homem, que tinha ido matar. Ferrugem e os outros cangaceiros não quiseram entrar em luta com Salgueiro, retirando-se da casa resmungando.

Morais foi levado para Brejo dos Santos, onde, depois da amputação da perna direita, acima do joelho, foi recolhido a cadeia. Passados alguns meses, Morais foi posto em liberdade, seguindo para Missão Velha, onde encontrou a proteção de Izaías Arruda, que lhe deu cama e mesa. Passou a viver tranquilamente em Missão Velha, mas, ultimamente, quando menos esperava, foi preso e removido para esta capital.

Terminado a sua história, Raimundo disse que fazer um pedido: Tem muitos inimigos na Paraíba que desejam sua remoção para aquele Estado, a fim de assassiná-lo, e por esse motivo queria que intercedesse junto ao dr. secretário da Polícia e Segurança Pública a fim de conservá-lo preso no Ceará, onde tem de responder por diversos crimes, inclusive a morte de João Fladeiro, em Milagres, a mandado de José Ignácio, e a morte de dois soldados da Polícia cearense.”

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PERNAMBUCANA NA GUERRA DO PARAGUAI

Por Beto Rueda



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VOLTAM À ALAGOAS OS OBJETOS DE LAMPIÃO


Material do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

O Capitão João Bezerra e o Portador da Tenda do “Rei do Cangaço”

Vão ser devolvidas ao governo de Alagoas os objetos arrecadados de Lampião após os acontecimentos ocorridos em Angicos e que tiveram tão funda repercussão em todo o país, porque culminaram na morte daquele terrível bandoleiro que assolou a região nordestina durante muitos anos como uma verdadeira praga.

O interventor Osman Loureiro, num gesto de gentileza que nos sensibilizou, confiou ao nosso enviado especial a Alagoas, os objetos em apreço a fim de serem expostos no Rio, antes de sua entrega ao Instituto Histórico daquele Estado que os vai guardar. A tenda de guerra, pois, do alcunhado “rei do cangaço" aqui foi conhecida, devido ao Interventor alagoano que teve a amabilidade de confiá-la à NOITE, que, por sua vez, a cedeu ao Dr. Miguel Salles, diretor do Instituto Médico Legal, em cuja sede esteve exposta. Devolvida novamente a este jornal entregamo-la agora ao capitão João Bezerra, o chefe da célebre diligência policial de Angicos, que aqui se encontra e vai regressar ao seu Estado.

Será ele, pois, portador também dos nossos agradecimentos ao Sr. Osman Loureiro.

Jornal “A Noite” – 19/10/1938

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AGRADECIMENTOS

 Por Verluce Ferraz

Meus agradecimentos a todos, pelas orações e pedidos de saúde para que minha filha Raquel Ferraz voltasse a casa com saúde. Ela está bem. Entre todos, os agradecimentos, estão àquelas estendidas pessoas que acreditam em Deus - independendo de Igreja, e religião, pois tivemos quem rezasse por ela muitos seguidores de todas as religiões. Aqui meus votos de paz e felicidades para todos.

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ESTÁVAMOS SEM CONDIÇÕES DE POSTAGENS

Assim que melhorar o sinal faremos postagens!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

CORISCO - DOC 200 ANOS

https://www.youtube.com/watch?v=QajWBjH6mlo

Publicado em 29 de jan de 2018
O "Alagoas, dois séculos de História", traz a história do Cristino Gomes da Silva Cleto, mais conhecido como Corisco (Água Branca, 10 de agosto de 1907 - Barra do Mendes, 25 de maio de 1940) que foi um cangaceiro do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Confira!
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Volta Seca
Álbum
A Musica do Cangaco
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O CANGACEIRO LAMPIÃO - FILME - TAPEROÁ-PB

https://www.youtube.com/watch?v=eibzBIFqahE

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SERTÃO GOSTOSO

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de dezembro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.020

SERRA AGUDA (FOTO: B. CHAGAS).
Novamente o tempo mudou completamente, ontem, em Santana do Ipanema e sertão inteiro. E como dissemos anteriormente, ficamos aguardando pelo dia os locais chovidos na noite anterior. E as notícias foram excelentes para a faixa sertaneja do Rio São Francisco e proximidades, como Pão de Açúcar, Belo Monte, Delmiro Gouveia, Batalha, Jacaré dos Homens, Jaramataia e o grande sítio Olho d’Água do Amaro, entre Santana e Senador Rui Palmeira. Só não sabemos se isso é suficiente para evitar carro-pipa rodando nas caatingas. Na tarde de ontem, quarta, o tempo voltou a cercar a nossa Capital do Sertão com nuvens pesadas e muito escuras. E pelo que se via no céu, a cidade ficou até receosa de uma pesadona daquelas.
Pela tardinha o velho trovão voltou a arrotar muito valente. No início parecia móveis arrastados na sala. Rsssss... Depois imitando mil bombas de São João: ssstbum... Bum... Bummmmm!... “Corre, menino – o menino sou eu mesmo – feche a porta da rua e dos fundos que o trovão está valente!”. Kkkkkk, eu sozinho em casa criando personagens. Caem os primeiros pingos com o espaço recomendando cautela. O trovão abusado ronca e o relâmpago clareia o mundo, Zé! Ligar TV é muito perigoso nessas circunstâncias. E logo na hora do Jornal, amigo! Computador? Nem pensar! “Corre, Zezinho, vá espiar o cuscuz no fogo, menino danado!”. Virei-me no Zezinho e corri lá. “Não esqueça às velas, caixa de fósforos e lâmpada de emergência... A luz apaga nestante!”.
O vento levou as nuvens para distante da cidade e ficaram apenas as ameaças do trovejar e a insistência do relâmpago. Tempo limpo novamente, vamos registrar os fatos. Para o novo amanhecer, ficamos aguardando o paradeiro das chuvas. Quando se aproxima o Natal, é costume cair um bom volume d’água para enverdecer o cinza do plano e dos montes. E nós santanenses, após a peneirada do céu, aguardamos três quatro dias, para notar a mudança no serrote do Cruzeiro, na Reserva Tocaia, no serrote do Gonçalinho... Na serra Aguda, elevações que a circundam a urbe. Bem, ainda não foi dessa vez que choveu bem em Santana. Quem sabe, amanhã! E como disse certa vez o padre José Augusto: “mas venha mansa”.
Ô Sertão gostoso!

CAFÉ COM SAUDADE

*Rangel Alves da Costa

Todo santo dia, que esteja chovendo ou não, que esteja em frieza ou não, antes das quatro da manhã eu já tenho pulado da rede. Um pulo automático, como se diz, sem necessidade de relógio ou despertador. É apenas a propensão biológica do acordar sempre no mesmo horário, e ainda enquanto o galo dorme e os fantasmas passeiam.
O negrume final da madrugada sempre me desperta para o encontro com o silêncio, com a nudez das ruas, com a paz ainda presente neste momento. Gosto que seja assim. Gosto de ouvir somente os meus passos, de sentir somente o meu pulsar, de escutar os quase-silêncios das emanações próprias da madrugada. Creio que alua tem voz. As estrelas, estas eu tenho certeza que sim.
Quando está chovendo ou mesmo serenando, é como o instante se transformasse em algo tão cativante que me torno mais pensativo e até melancólico. A chuva emoldura o instante de forma exuberante. Há um mistério tão envolvente na chuva, que o seu sentir tem o dom de transformar todo o espírito e toda alma. E me entrego a esse instante de espiritualidade voz. Também de reminiscências e reencontros.
De qualquer forma, o passo seguinte é correr ao chuveiro para o verdadeiro despertar. Um banho assim afasta a sonolência do corpo, as inércias da noite e o acúmulo de sonhos entrecortados pelo impossível. E já deixo a água no fogo para o primeiro café do dia. O primeiro de tantos e tantos, pois sou verdadeiramente um adorador de café.
Sempre dizem que o café desperta, que anima, que provoca disposição e criatividade. Talvez eu já tenha sentido tudo isso, mas depois de anos de beiços na xícara, agora tenha certeza que é mesmo um caso passional. É como se a borda fosse uma boca gulosa, o sabor fosse a mulher amada e o sorver fosse o mais prazeroso dos gozos.
Despejo a água fervente por cima do café solúvel e forte, sem açúcar, e depois me afasto um pouco de mim, me distancio do corpo ainda um tanto molhado. Passo a ser somente o café, sorvido aos pouquinhos, e pensamentos e reflexões. Deixo que meus olhos vagueiem pelos espaços ainda escurecidos, que encontrem restos de estrelas e réstias de luar. Deixo que meus olhos viajem pelas distâncias e imaginem ter avistado outras realidades.
Então chegam as saudades, as nostalgias, as recordações. Um terno entristecimento na madrugada. Gosto e não gosto que seja assim. Mas não há como fugir disso. Se está chovendo, então tudo se redobra no sentimento. Como dita, na chuva a transformação é total. Saio de mim para ser a própria chuva. Pingo e respingo saudades, visões, retratos. E valseio cada plangência desta magia molhada.
O silêncio do mundo, a canção da chuva, a valsa molhada lá fora, em meio ao chão molhado e aos amarelos das luzes, então tudo parece querer forçar uma lágrima. Talvez eu lacrimeje mesmo, não sei, vez que os pingos caindo também perante a minha face banhada de passado e presente, como se os belos e os angustiantes retratos surgissem todos diante de mim.
E depois, bem depois, já depois de tantos e tantos cafés, apenas o gostar do beber. Mas nada igual aos primeiros goles da madrugada. Na boca, o café negro se derramando como se fosse um noturno sem lua. Mas logo a doçura do sabor e a lua inteira.

Escritor
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PROGRAMA ENTRELINHAS

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Publicado em 5 de dez de 2018
Lançamento do documentário "Angico:80 Anos -Parte 1"
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ENTREVISTADO PELO JORNAL A NOITE (RJ), ASSIM SE PRONUNCIOU O CAPITÃO JOÃO BEZERRA A RESPEITO DA MORTE DE LAMPIÃO: _____________ NÃO HAVIA NINGUÉM COM VIDA

Material do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

NÃO HAVIA NINGUÉM COM VIDA

O capitão Bezerra fala à NOITE, ao chegar hoje ao Rio.

Chegou hoje pela manhã, a esta capital, o capitão João Bezerra, comandante da força que extinguiu o bando de Virgulino Ferreira – o famoso “Lampião”.

O capitão Bezerra é tipo autêntico do sertanejo.

Caboclo forte, bronzeado, em pleno vigor dos seus 36 anos.

- Sim senhor, tenho 36 anos de idade, 19 dos quais, de farda, pois ingressei na Força Pública com 17 anos. Foi preciso até aumentar a idade...

- Quantos anos dedicados ao combate dos cangaceiros?

- É uma pergunta difícil de responder. Na minha terra todo soldado que se preza leva a sua vida pensando em dar cabo daquela mancha que enodoa o seu nome.

- Perseguição sistemática ao bando de Lampião, eu vinha fazendo há 4 anos. Encontramos-nos duas vezes. Da primeira ele quase deu cabo de mim. Éramos nove homens na volante, contra 18 cangaceiros... de Lampião. Isso do primeiro encontro. Do segundo, o senhor já sabe – a sorte foi ingrata para ele. Eu vim ao Rio para um passeio e trabalhar em um livro, onde pretendo contar para os brasileiros o que seja o problema do cangaço no Nordeste. Então eu direi quem é e por que existe o coiteiro – principal auxiliar do cangaço. Narrarei a história tremenda que foi a perseguição ao bando de Lampião. Há muita gente que acredita na primeira lenda que se lhe conta, sem examinar os fundamentos da questão. Cito, como exemplo, o fato de Lampião escapar sempre com vida dos combates que oferecia às forças policiais. Dizia-se que o soldado sempre era vencido porque tinha medo de Lampião, ou então, porque Lampião tinha o “corpo fechado”.

Eu explico a questão nestes termos: “Lampião sempre escapou porque os soldados que o atacavam iam tão cheios de vontade de dar cabo do homem e sentiam tal emoção durante o embate, que, em regra, perdiam os tiros.

Qualquer de nós está sujeito a estas situações.

- Correm as mais diversas versões a respeito do degolamento de “Lampião” e do seu bando.

- Bem lembrado. Faço questão de frisar este detalhe. Em primeiro lugar, não encontramos ninguém com vida quando entramos na toca. Depois, havia a necessidade de mostrar as cabeças às autoridades e ao povo, a fim de evitar possíveis dúvidas sobre a morte do rei do cangaço. Ninguém acreditava que o homem pudesse morrer... Isto é um ponto de honra para mim e para os meus soldados. Não somos tão desumanos... Não transportamos os corpos, porque não era possível, dada a grande distância de que nos encontrávamos de qualquer povoado.

O capitão Bezerra falava fluentemente, com entusiasmo mesmo.

Chegavam, porém, os seus amigos para levar-lhe as boas-vindas e fomos obrigados a encerrar a palestra para darmos lugar aos abraços.

A NOITE (RJ) - 04/10/1938

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EM MEIO À FUGA O PADRE QUE CASOU DULCE E 'CRIANÇA' E BATIZOU 'BALÃO'

 Padre Lima

Gonçalo de Souza Lima, popularmente conhecido por Padre Lima, nasceu em Porto da Folha aos 27 de julho de 1900, filho de Pedro de Souza Rito e Josefa Maria dos Prazeres. Nessa época Porto da Folha passava por significativa mudança no que se refere ao fim da escravidão à cerca de 20 anos, algo que havia deixado por lá a ferrenha marca do preconceito racial.

A primeira missa celebrada pelo Padre Lima aconteceu dia 01 de Dezembro de 1929 na terra natal. No ano seguinte foi designado a substituir o Padre Arthur Passos em Porto da Folha, permanecendo até 1931, quando foi transferido para a paróquia de Pacatuba, onde ficou até 1937, ocasião em que passou a ser o pároco de Aquidabã.

O Padre Lima esteve por diversas vezes a celebrar missas, casamentos e batizados em Porto da Folha, embora sendo o pároco oficial de Aquidabã. Este compromisso espontâneo se deu pelo fato de sua terra natal haver ficado longo período sem Padre.

 Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no município de Porto da Folha/SE

Após a chacina de Angico, em 28 de Julho de 1938, quando morreram Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, chegou a Porto da Folha um grupo de 17 cangaceiros para se entregar, três deles foram à casa do Pe. Lima a procura dos sacramentos. 

Entre estes, o casal Criança e Dulce e o cabra Balão.

João Alves da Silva "o Criança" e Dulce Menezes pediram para se casar e Guilherme Alves dos Santos "o Balão", para ser batizado. O Padre, então vigário de Aquidabã, encontrando-se na terra natal não se opôs ao pedido de Criança. Quanto ao pedido de Balão, disse com seu vozeirão:

“Eu não acredito que um homem na sua idade seja pagão!”

E o cangaceiro respondeu: “Eu sou”. A minha família é crente. O Capitão só me aceitou porque prometi que tão logo encontrasse um Padre, pediria pra me batizar.”

O Padre Lima retrucou: “Lampião já morreu!”

Balão justificou: “Mas eu estou devendo e quero pagar.”

O Padre achando bonito o gesto do cangaceiro, lhe disse: “Então vá procurar um padrinho”.

Ele foi direto a “seu” Manezinho Delegado, mas este recusou o convite.

O cangaceiro voltou triste e o Padre Lima perguntou: “Já tem padrinho?”

Balão: “Eu convidei seu irmão e ele não aceitou”.

O Padre mandou chamar o irmão e disse: “Aceite, que é para fazer dele um cristão”.

O casamento e o batizado foram realizados perto do meio dia, na presença de muitos curiosos, principalmente meninos, tendo por padrinhos o Sr. Manoel de Souza Lima, "Manezinho delegado" e sua esposa Dona Estefânia Poderoso a Dona Ester.

Manoel de Souza Lima, o 'Manezinho delegado'. (1910 - 2012)

A partir deste e de outros acontecimentos marcantes, o Padre Lima foi se tornando cada vez mais conhecido no sertão de Sergipe. O religioso faleceu no dia 28/01/1980, em sua residência na capital sergipana.

Trecho da biografia composta por Joaquim Santana Neto, de acordo com informações da família em conjunto com os dados contidos no livro “Porto DA Folha, fragmentos da história e esboços biográficos” de Manoel Alves de Souza.

Pescado em http://www.joaquimsantana.net/galeria/padre-lima/

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

UM EXCELENTE TRABALHO DOS ESCRITORES CLERISVALDO B. CHAGAS & FRANÇA FILHO!


Eu já o li e é uma excelente obra. Fui presenteado pelo professor Pereira. E para você adquiri-lo entre em contato com o professor através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

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CONVERSA ENTRE SERTANEJOS

Clerisvaldo. B. Chagas, 5 de dezembro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.019

Referindo-se à localização sertaneja, o matuto se encontra com um companheiro e indaga: “Lá pra cima chove?”. O outro querendo ser engraçado, responde: “Não, senhor, só chove pra baixo”. Mas não tem como sertanejo não falar em chuva logo nas primeiras frases de um encontro. E foi ontem, terça-feira, assim aqui no Médio Sertão alagoano. Dias abafados como forno de padaria, ou chove ou assa tudo. E lá para o meio da tarde nuvens negras se exibiam, mas não em sentido leste de onde vem 99% das chuvas para Santana do Ipanema. E eu com desdém afirmei em voz alta para mim mesmo: “Agora pela tarde não chove em Santana, mas bem que o despejo por aí vai ser bonito”. Mas, para não parecer desafio a Deus, trastejei na hora: “Quer dizer... Se Deus quiser não tem esse negócio de posição de nuvens, não. Depende da sua vontade e não do meu parecer”.

SANTANA ANTES DA CHUVA. (FOTO: B. CHAGAS).

Não perdi totalmente o palpite acumulado através de tantos anos. É que as nuvens das cercanias fecharam também o leste sem muito rigor e à tardinha os pingos cantaram na telha. Corre o gato para o fogão, corre a galinha para a moita, corre a mulher para a marquise. A energia some por algum tempo. Rôôôbummmm!... Estremece o mundo com o regougar do trovão. Acende-se por aí o “relampo” e se “caiu” corisco, não sei. A festa dos gigantes no céu foi muito barulhenta, mas, dentro do previsto, pouca chuva caiu na cidade de Santa Ana.

Os pipocos e o clarear nos céus, continuaram por uma boa parte da noite, mas o grosso das chuvas foi parar em municípios circunvizinhos. Por essas bandas, cabra velho, as notícias dos torós começam a surgir no dia seguinte. São os motoristas que trazem as boas novas, palitando os dentes como quem comeram as chuvadas da noite. Foi o que eu disse, compadre, não se fala em outra coisa sem primeiro reverenciar a tradição.

E como estou precisando ir à bela Maceió, antevejo as perguntas dos conterrâneos:

“Lá em cima chove?”

E depois da gostosíssima gargalhada:
“Chove não, comadre, só chove pra baixo”.


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NAS CHEIAS DO RIACHINHO: A MULHER DE BRANCO, A PEDRA CHORADEIRA E OUTRAS APARIÇÕES

*Rangel Alves da Costa

Toda vez que bota cheia, que vem escorrendo de riba com água de lado a outro, o Riacho Jacaré, lá no sertão sergipano de Poço Redondo, transforma-se numa maravilha de encantar.
Contudo, mistérios e mais mistérios chegam juntos nas águas. Desde o barulhar das correntezas ainda ao longe, tudo já se mostra como mistério. Tem gente que acha que aquele murmurejar é produzido pela força da correnteza irrompendo tudo, mas dizem que não é bem assim.
Os mais velhos sabiam decifrar aquele murmurejar e logo começavam a orar assim que os seus ecos surgiam ao longe. Rezavam pelas almas arrastadas pela correnteza e que eram levadas para mais além, para as desconhecidas distâncias.
Que não se imagine, contudo, que eram almas humanas, mas almas mortas dos sertões morridos pelas ações do homem em carne e osso e dos segredos indecifráveis da natureza. Alma do gado morto, do bicho morto, da planta morta, da pedra morta, do leito morto. Alma da nascente ossuda e magra, da beirada devastada, da feiura tomando conta de todo o riacho, do abandono e destruição.
Tudo isso se iniciava quando a cheia começava a avolumar e a escorrer. Num gemido lamentoso, num sussurrar lastimoso, num canto represado e fúnebre, assim os ecos surgiam ao longe: a morte ou as mortes pedindo passagem. Zuuummmmm, vrrruuuuummm...
Hoje em dia, o som das águas parece até melodia. E é melodia sim. Mas uma melodia chorosa e enlutada que vem trazendo as vidas mortas quando depois de anos e anos de seca e da impiedosa ação humana.
Depois do anoitecer, tem gente que chega às suas margens molhadas e jura por tudo na vida ter ouvido fortes baticuns como se pessoas, animais ou objetos, saltassem das pedras e sumissem nas águas.
Tem gente que diz da existência de Nego D’água. Mas uma criatura assim de repente surgida num leito de cheia recente? Nego D’água não, mas o véu pesaroso e pesado da Mulher de Branco.
Sim, toda vez que o riachinho enche ela aparece. Poucos conseguem avistá-la, mas ela sempre fica bem ao alto da pedra mais alta no meio das águas. Pedra misteriosa, inexistente ali, mas surgida como altar à lamentosa mulher: a Mulher de Branco.
Bem naquele local, em priscas eras, numa época de cheia grande, uma moça bonita se lançou às águas, toda pronta para o casório, após o seu noivo abandoná-la no altar e fugir com a viúva Donana dos Queijos.
Então, em toda cheia ela surge no alto da pedra e lá, sempre lacrimejando, vai jogando sua grinalda e seu véu. De tecido branco, leve, de seda, mas faz um barulho tão grande que mais parece um baticum.
Ali o carregamento das dores, o peso do abandono amoroso. Tem gente que diz tê-la avistado toda nua, de corpo tão lindo que mais parece feito de lua, mas que de repente vai tomando forma de lágrima e se derrama toda, toda inteira pelas águas.
Mistérios assim acontecem muito. Causos e mais causos dão conta dos inexplicáveis acontecidos no riachinho em época de cheia. Tem também a história da pedra choradeira, da carcaça de gado que sobe das águas e voa gemendo, ruminando, berrando, em direção aos escondidos da lua.
Também do menino com gaiola à mão e que num instante é avistado num lugar e no mesmo momento já está em outro. E fica acenando, chamando, chamando, até caminhar para o meio das águas e desaparecer.
Eu mesmo já ouvi contar da cobra tão grande que de uma vez só engoliu mais de dez porcos que eram criados dentro do leito seco do riacho. Quando o riacho botou cheia e pegou os porcos desprevenidos, a cobra se posicionou de boca aberta por onde as águas iam passar. Não tinha nem o trabalho de mastigar. Era só engolir.
Sem falar na chinela que aparece sozinha e atrás de bunda de menino pra bater. Mas essa é uma história muito triste. A pobre da mãe foi atrás do filho no riacho pra dar chinelada, escorregou numa pedra e... Ao menos assim me contaram. Só não sei se é verdade. Se for mentira, não é minha não, viu?!


Escritor
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REUNIÃO NO GECC DE FORTALEZA

Por Benedito Vasconcelos Mendes

O destacado jurista PAULO Quesado FAZ PALESTRA NO GECC SOBRE AS MINAS DE COXA DO PADRE CÍCERO Em Uma Importante Reunião realizada Ontem (04-12-2018) Pelo Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará-GECC, o eminente jurista cearense Paulo Quesado proferiu Uma Importante Palestra Sobre as minas de cobre do Padre Cícero Romão Batista (Mina do coxa). 

Assistiram à palestra referida, destacadas do Mundo fortalezense cultural, ELAS dentre, o Professor Melquíades Pinto Paiva, anfitrião fazer evento, o Presidente da Dinamarca SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, Professor Benedito Vasconcelos Mendes (Mossoró), o Presidente fazer GECC, Pesquisador Ângelo Osmiro Barreto, Presidente da Academia Lavrense de Letras, escritora Cristina Couto, o Palestrante Paulo Quesado, o cineasta Aderbal Nogueira, o Jornalista e escritor Barros Alves, Como Professoras Arair Pinto Paiva e Susana Goretti Lima Leite, Pesquisadores OS fazê tema Cangaço, Ezequias Menezes Aguiar, Daniel Cruz, Galileu, Arlindo Moreira Barreto e MUITOS Outros. 

Enviado pelo professor, escritor e pesquisador do cangaço Benedito Vasconcelos Mendes.

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UMA MANHÃ DE DESPEDIDAS DO CARIRI CANGAÇO NO CASTELO ARMORIAL

Por Manoel Severo
Francine Maria e Cecília do Acordeon

A manhã de 14 de outubro de 2018 foi uma manhã marcada por muitas despedidas, mais uma vez tínhamos o encerramento de uma agenda Cariri Cangaço, desta vez  no sertão pernambucano, na cidade de São José de Belmonte. A programação marcou a visita guiada ao Castelo Armorial, nosso ilustre e surpreendente anfitrião de todos os dias; espetacular e ousada iniciativa do empresário Clécio Novaes, representado em todo o evento por seu irmão Clênio Novaes. 

A iniciativa do empresário e pesquisador Clécio de Novaes Barros, surpreende pela grandeza, ousadia e pela riqueza de todos os elementos que se fazem presentes no Castelo Armorial de São José de Belmonte, nos transportando para o extraordinário universo do Movimento Armorial, criado pelo Mestre Ariano Suassuna. Clécio investiu dinheiro, suor, e muita determinação para a construção de seu sonho: Foram 14 anos entre o planejamento e a construção do Castelo, ao final mais de 2 milhões de reais investidos numa obra extraordinariamente inédita e sem precedentes.

Quem sai do sul do estado do Ceará com destino a Pernambuco pela BR 116, mas precisamente para a região do Pajeú e da Serra Verde, optando pela entrada das confluências das Rodovias CE 153 e PE 430 invariavelmente passa por São José de Belmonte e passando pelo centro daquela agradável urbe vai se deparar de forma surpreendente com uma edificação incrivelmente inusitada, no meio do sertão nasce um dos mais significativos exemplos da força da arte Armorial: O Castelo Armorial de 
São José de Belmonte.

Ingrid Rebouças, Valdir Nogueira, Manoel Severo e Clênio Novaes
Ingrid Rebouça e Narciso Dias
Josué Santana, Manoel Severo e Louro Teles
Dra Amélia Cardoso, Ingrid Rebouças e Cristina Couto

Muitos dos pesquisadores convidados do evento ainda permaneciam na cidade antes de "pegar a estrada" para os quatro cantos do Brasil, a visita foi precedida por um "café da gota serena": Caldo de costela e muito cuscuz para depois conhecer cada detalhe da extraordinária construção de Clécio Novaes, bem no meio do sertão pernambucano.

O Castelo Armorial tem uma área de cerca de 1.500 metros quadrados distribuídos em salões, auditórios, salas de exposição, salas de aula e ainda um último andar onde os visitantes poderão encontrar em "tamanho real" as mais significativas figuras do universo sertanejo sob o olhar armorial; são cenários, personagens e figuras que em sua grande maioria estiveram presentes na mini-série da Rede Globo, a Pedra do Reino, elementos conseguidos pelos proprietários do lugar junto a Ariano Suassuna.
Manoel Severo e Aderbal Nogueira 
Maria Júlia, Francivaldo Romão, Francine Maria e Manuel Dantas Suassuna
Júnior Almeida, Manoel Severo, Yasmin e Ranaise Almeida e Ingrid Rebouças
Cecília do Acordeon e Manoel Severo
Jorge Remígio

Clécio Novaes mantém no Castelo Armorial peças que nos trazem a maravilha e o encanto de todas as manifestações artística do sertão, ali ainda poderemos encontrar várias cópias de quadros confeccionados por Ariano e dona Zélia Suassuna; réplicas de Xilogravuras de J.Borges, e uma extensa e rica exposição de fotografias de época retratando a sociedade do começo do século passado, além de artefatos, quadros diversos, peças antigas e de grande valor histórico.

Os anfitriões "Belmontenses"; com letra maiúscula; representados por Clênio Novaes, Valdir Nogueira, Edízio Carvalho, Débora Cavalcantes, Ernando Carvalho, dentre outros,  saudaram aos participantes do Cariri Cangaço. Nas palavras de cada um dos organizadores a certeza do dever cumprido e a grande satisfação de receber o Brasil de Alma Nordestina através do Cariri Cangaço.

 Manoel Severo entrega Diploma a Clênio Novaes
Palavras de Clênio Novaes
 Comendador Mariano e Dra Amélia entregam Diploma a Débora Cavalcantes
Palavras de Débora Cavalcantes

Na oportunidade a curadoria do Cariri Cangaço através de Manoel Severo prestava as últimas homenagens do evento. De forma solene receberam seus Diplomas de "Amigo do Cariri Cangaço" o pesquisador e membro da Comissão Organizadora Local, Clênio Novaes e a escritora 
Débora Cavalcantes.


Os principais elementos arquitetônicos do Castelo Armorial estão centrados nas representações do "Reino Encantado de Dom Sebastião" . Logo na entrada, sua torre central com esculturas do próprio Rei Quaderna, personagem principal de "A Pedra do Reino" mostram a força da arte armorial. Inúmeras e esmeradas esculturas ornamentam todo o espaço, muitos dos trabalhos são de artesãos de Tracunhaém, na Mata Norte, também em Pernambuco. 

Cariri Cangaço no Castelo Armorial
Manoel Severo e Kayson Pires
 Manoel Severo e Eliane Giolo
Manoel Severo e Cris Silva
Renato Bandeira, Manoel Severo e De Assis

"São José do Belmonte ainda não é destino turístico. Nosso principal atrativo é a Cavalgada à Pedra do Reino, em maio. Pretendemos incluir o município nesta rota, com apresentações de teatro e música e agora com a chegada do Cariri Cangaço a São José do Belmonte, trazendo pesquisadores de todo o Brasil, com certeza estaremos dando um passo importante nessa direção." Nos ressaltava Clécio Novaes ainda em uma das primeiras visitas do Cariri Cangaço a São José de Belmonte.

 
 
 
 
Francine Maria e Eliane Giolo
Manoel Severo e Professor Pereira
Valdir Nogueira e Ingrid Rebouças
Manoel Severo e Iêda Cavalcanti
Ingrid Rebouças e Yasmin Almeida
Kydelmir Dantas, Francine Maria, De Assis

"Foram quatro dias respirando a história e a cultura sertaneja nordestina. A cada conversa com um amigo, aprendia algo sobre a nossa alma sertaneja, sem falar das aulas que os palestrantes nos brindaram, tanto no auditório do Castelo Armorial, como nos locais onde alguns fatos que fazem parte da história do sertão aconteceram. Poder vivenciar tudo isso, para mim foi muito especial, já que nasci no Tamboril São José do Belmonte-PE. Esse pedaço de torrão sertanejo mostrou para os visitantes de 15 estados do Brasil toda a sua força histórica e cultural, e sua alma hospitaleira, como filho desse chão só podia ficar orgulhoso. Agradeço ao mestre Manoel Severo Gurgel Barbosa, Curador do Cariri Cangaço e a todos os conselheiros, e um agradecimento todo especial para os amigos e conterrâneos Valdir José Nogueira, Clênio Novaes, Edízio Carvalho, Clécio Novaes, Ernesto Carvalho, e aos membros da Associação Pedra do Reino, figuras que faziam parte do comitê organizador local, como também as autoridades constituídas do município que tiveram a sensibilidade de enxergar a grandeza de um evento tão importante para a história e a cultura do Nordeste que é o Cariri Cangaço" , reforça o pesquisador Cícero Aguiar.

Francine Maria, Ingrid Rebouças e Cecília do Acordeon
Cecília do Acordeon, sob as bençãos do Mestre Ariano...

Ano passado, 2017; no mês de abril o Cariri Cangaço realizou a primeira visita a uma dessas pequenas e talentosas sertanejinhas maravilhosas, naquela época estávamos construindo o Cariri Cangaço Exu e chegávamos a Redenção onde mora Cecília do Acordeon, foi paixão a primeira vista. A pequena Cecília e o Cariri Cangaço iniciaram uma grande história de amor, de lá até aqui outras maravilhosas surpresas: Os queridos e sensacionais, Pedro Lucas Feitosa - "O menino do Museu", Pedro Popoff - "O menino do Baião e do Cordel" , as princesinhas maravilhosas, Francine Maria e Deisielly do Acordeon, criando uma atmosfera diferente a partir dali em todos os eventos do Cariri Cangaço... Isso repetiu-se mais uma vez  e dessa vez no magnífico Castelo Armorial, quando Cecília do Acordeon e Francine Maria receberam as "bençãos do Mestre Ariano".

Voldi Ribeiro e Francine Maria
 Francine Maria e Louro Teles
 
Francine Maria e Cícero Aguiar

Rita Pinheiro, a incrível "Garimpeira da Cultura", uma mulher extraordinariamente surpreendente pelo tamanho de seu coração, sua disposição e seu amor incondicional à nossa cultura, dominando todas as manifestações artísticas com sua alma verdadeiramente nordestina e universal... Em Belmonte , no enigmático Castelo Armorial, Rita novamente apresentou à Família Cariri Cangaço sua majestosa "Saia Mágica da Cultura" onde os registros de cada alma nordestina vão se sucedendo e são apresentados ao Mundo. "Essa saia já rodou o mundo inteiro e continuará sua missão..."

Rita Pinheiro e a "Saia Mágica" da Cultura Universal...
 Débora Cavalcantes e Cícero Aguiar assinam a Saia da Cultura...
Clênio Novaes e Dra Amelia Cardoso, registros para todo o Planeta...
Ingrid Rebouças e Manuel Dantas Suassuna
 Ingrid Rebouças, Eliana Pandini e Jorge Figueiredo, Manoel Severo
Maria Júlia, Manoel Severo e Francine Maria

"Até recentemente talvez muitos não imaginassem que um tema como o fenômeno de banditismo do Cangaço, sempre tão controverso, tão espinhoso, que produz tantas discussões apaixonadas, que mexe com tantas emoções (muitas delas terrivelmente dolorosas), conseguisse reunir pessoas em um evento onde ocorressem interessantes debates e instrutivas visitas aos locais onde aconteceram os fatos.Estou comentando sobre o espetacular Cariri Cangaço, que hoje 14 de outubro encerrou mais uma edição em São José do Belmonte PE com bastante sucesso." Comemora o Presidente da Comissão Local, pesquisador Valdir Nogueira.

Kydelmir Dantas e Francine Maria
Ingrid Rebouças e Nerizangela Silva 
Arthiur Holanda, Ingrid Rebouças e Wescley Rodrigues
Ingrid Rebouças e Narciso Dias
Beto Sousa, Manoel Severo e Thiago Gontijo
Valdir Nogueira, Voldi Ribeiro e Manoel Severo
Família Sertão Nordestino...

"Cada Cariri Cangaço. uma surpresa. Para mim tudo começou em Princesa Isabel, na Paraíba, em março de 2015. Com a bagagem de quatro anos de Cariri Cangaço já posso afirmar, e sem medo de errar, que faço parte da família mais importante do Nordeste, a qual reúne relevantes personalidades de todo território brasileiro, sejam escritores, pesquisadores ou simples admiradores da saga nordestina, com realce para a história do cangaço, esta cheia de mistérios, intrigas e mentiras, mas que teve e tem um valor histórico imensurável no desenvolvimento turístico-cultural brasileiro, com ênfase para o nosso querido, amado e rico torrão nordestino! AVANTE!" Celebra o pesquisador de Alagoinhas, Bahia; Antônio Edson.

Nete, Ingrid, Valdir Nogueira e Veridiano Dias
Abreu Mendes, Voldi Ribeiro e Rosalia Freire
Josué Santana
Neidinha, Jorge Figueiredo e Cecília do Acordeon
Teresa Raquel e Voldi Ribeiro
Partidas...

Cariri Cangaço
Visita Guiada ao Castelo Armorial
14 de Outubro de 2018
São José de Belmonte

Uma viagem através da Arte Armorial 
em São José de Belmonte...























Fotos de Ingrid Rebouças

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