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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:

franpelima@bol.com.br

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
FRANPELIMA@BOL.COM.BR
Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

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O “PAU-FERRO” QUE TESTEMUNHOU O COMBATE ONDE LAMPIÃO FOI FERIDO, LOCALIZADO NA LAGOA DO VIEIRA, PROXIMIDADES DA PEDRA DO REINO ENCANTADO

Por Valdir José Nogueira

Frondosa e ainda existente, a árvore do tipo “pau-ferro”, localizada bem às margens da lendária Lagoa do Vieira, a pouca distância da Pedra do Reino, testemunhou o combate travado no dia 23 de março de 1924, com uma volante comandada pelo major da polícia de Pernambuco Theophanes Ferraz, onde o cangaceiro Lampião foi seriamente atingido no pé e morta sua montaria, tombando o animal sobre sua perna. Tendo se livrado do peso do animal morto e mesmo ferido, o cangaceiro consegue reagir à altura da situação. Na gruta conhecida como Casa de Pedra, na Serra do Catolé município de São José do Belmonte, Lampião se refugiou e iniciou sua recuperação.







Interessante apontar que da Casa de Pedra onde se refugiou Lampião, tem-se uma magnífica visão do vale onde fica a famosa área histórica conhecida como Pedra do Reino, retratada no romance de Ariano Suassuna – O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. A Lagoa do Vieira também é citada nesse famoso romance através de uma explicação dada pelo personagem Luís do Triângulo:

“Naquele momento, chegávamos a uma Lagoa rasa, situada à direita da estrada, Luís do Triângulo explicou:

- Essa é a Lagoa do Vieira! Os Vieiras eram parentes do Rei João Ferreira e estiveram, também, metidos na “Guerra do Reino”! Diziam eles que esta Lagoa era encantada e que, aqui, Dom Sebastião tinha uma mina de ouro para os pobres!”.


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O MUSEU DO CANGAÇO


Por Anildomá Willans


O MUSEU DO CANGAÇO, da Fundação Cultural Cabras de Lampião, de Serra Talhada, Terra de Lampião e Capital do Xaxado, é o portal de entrada para os que querem conhecer a cultura, a história e as potencialidades turísticas do sertão. 

Pelo seu trabalho voltado para cultura conquistou o selo Ponto de Cultura, Ponto de Memória e Ponto Gesac, ampliando assim seu trabalho de inclusão social através da cultura. Vale a pena visitar o MUSEU DO CANGAÇO, diga-se de passagem, o maior museu do gênero do Brasil, conhecer passo a passo da história do Rei do Cangaço, numa visita guiada por uma equipe bonita, competente, conhecedora da história e talentosa, com qualificação profissional que deixa o visitante entusiasmado pelo calor humano. E de quebra poderá adquiri livros do cangaço, artesanatos, camisetas e uma diversidade de suvenis.


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FAMINTOS E NÚS.


Por João Filho de Paula Pessoa

Nos anos 20, Lampião costumava andar pelo Ceará, sempre em paz. Certa vez passou pelas cidades do Crato e de Mauriti, nesta última comprou roupas em uma fazenda e distribuiu dinheiro para os moradores locais. Ao partir, deixou um recado para uma volante que buscava seu rastro, escreveu numa laje de pedra o seguinte: “Estamos famintos e nús, mas cheio de dinheiro e coragem, querendo brigar, sigam em nossa procura”. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce., 03/02/2020.


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NOTA DE FALECIMENTO


Por Nivaldo Amaral

*Obs.
Informações do velório e do sepultamento.


Com profundo sentimento de pesar, o Presidente da Fundação Sócio-Educativa do Rio Grande do Norte: Pe. SÁTIRO CAVALCANTI DANTAS; comunica o falecimento de ANTÔNIO PINTO (AMIGO E GRANDE COLABORADOR), das diversas unidades da FUNSERN.

Informamos que o velório será realizado no Centro de Velório SEMPRE (em frente ao Tiro de Guerra), a partir das 20h00 - desta segunda-feira (03/02) - até às 10h00 da manhã da terça-feira (04/02); quando o corpo será transladado para a cidade de Assú, onde acontecerá o sepultamento (às 16h00).

Desde já, convidamos a todos os nossos funcionários, amigos e benfeitores, para que possamos nos unir em oração e prestarmos - juntamente com toda a família - as merecidas homenagens, ao nosso inesquecível e distinto BENFEITOR: ANTÔNIO PINTO.

Que o SENHOR DA VIDA o acolha em seu Reino de Paz e conforte todos os corações enlutados.


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BRUNA VIOLA



Bruna Viola, nome artístico de Bruna Villas Bôas Kamphorst (Cuiabá25 de maio de 1993)[1] é uma cantoracompositora e violeira brasileira ganhadora de um Grammy latino em 2017. Seus maiores ídolos e referências são Tião Carreiro da dupla Tião Carreiro e Pardinho e a cantora Inezita Barroso.[2] Atualmente, reside em São José do Rio Preto e excursiona por todo o Brasil, fazendo shows e apresentações em canais de televisão.

Biografia e carreira[editar | editar código-fonte]

Bruna Villas Bôas Kamphorst nasceu em 25 de maio de 1993 e cresceu rodeada de músicos. Por ter a viola como instrumento preferido, Bruna adotou o nome do instrumento que toca em todos os shows como sobrenome artístico. Além disso, o objeto também foi de extrema importância em sua carreira artística, pois foi aos 11 anos de idade, após ganhar sua primeira viola, que a jovem ingressou no universo musical, em uma apresentação de uma feira agropecuária.


Ao chegar aos 19 anos, a "Flor Mato-grossense" (como foi carinhosamente apelidada por seus fãs) precisou tomar a decisão mais importante da sua vida: continuar na música ou fazer faculdade de veterinária. Com a agenda cada vez mais lotada, a menina que dá um novo rosto à música sertaneja, optou por trancar os estudos e investir na carreira artística. Neste momento, Bruna também deixou sua cidade para viver em Campinas, de onde o deslocamento é mais fácil entre os shows realizados pelo interior do País, mas atualmente escolheu São José do Rio Preto por se destacar pela geografia, estando entre ParanáMato Grosso do SulMinas Gerais e também na rota São Paulo >> Goiânia. No entanto, suas canções continuam tendo como tema a vida na fazenda.[3]

Em 2015, Bruna lança seu álbum de estreia Sem Fronteiras pela gravadora Universal Music, que contém a canção "Se Você Voltar", com participação de César Menotti & Fabiano,[4] e que no ano seguinte entrou para a trilha sonora da novela Velho Chico da Rede Globo.

Em 2016, a cantora grava o seu primeiro DVD no dia 2 de março no Villa Country em São Paulo. Com Paul Ralphes na direção musical, Marcelo Amiky (ex-diretor artístico da TV Cultura) na direção de vídeo, Fábio Delduque na cenografia (já atuou com Ney MatogrossoJorge Benjor e Vanessa da Mata) e o expert em iluminação Danny Nolan na direção de fotografia. Danny foi o Lighting Design das mais recentes turnês de Sting e Paul Simon. Contando também com a participação da dupla Cesar Menotti & Fabiano no sucesso "Se você voltar".[5]


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FORMATURA DO CAIO CÉSAR MUNIZ

Por Caio César Muniz

Não tive como comprar
O anel de formatura,
Mas o que vale é honrar
Esta nova investidura
Com ética e com altruísmo,
Fazer um bom jornalismo
Com respeito e sem frescura.


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EM BREVE O SERTÃO VAI PARAR...


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UM EMPRESÁRIO À ALTURA DE MOSSORÓ

Por Lúcia Rocha

Zé Mendes em sua cadeira cativa no Posto 30 de Setembro, de onde toca os negócios. Hoje batemos um longo papo, ele tem saudades do rádio, mas se recupera de cirurgia no coração. Se você era ouvinte do Programa A Voz do Povo, na Difusora, conte algo engraçado que ouviu de Zé Mendes para a gente recordar.

ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

José Mendes é proprietário de uma rede de postos de gasolina em Mossoró, Natal, além destas, em outras cidades do Rio Grande do Norte. Reside na mesma rua que eu moro, na Raimundo Firmino de Oliveira, aqui bem perto da minha casinhola, no bairro Costa e Silva, no grande Alto de São Manoel. Ele no começo da rua e eu no final. 

Avião de Zé Mendes Rico

É conhecido pelo o Zé Mendes rico e eu, o Zé Mendes pobre. É proporietário de grandes fazendas no Maranhão e dono de avião de verdade, e eu, não sou proprietário de fazendas, mas sou proprietário de avião de brinquedos. Tenho dois fabricados pela TAM. 

Avião de Zé Mendes Pobre - Eu.

Eu nem sei porque o Zé Mendes rico  está tão novo assim. Ele já passa dos 80, e está com uma aparência de 50 anos. 

Parabéns nobre Zé Mendes, pela sua grande colaboração à nossa cidade de Mossoró, com suas empresas gerando empregos para uma porção de gente que necessita da sua ajuda como empresário.

Professor José Mendes Pereira.


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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

LÁGRIMAS GUARDADAS

*Rangel Alves da Costa

O tempo passa, a gente vai envelhecendo, de repente já estaremos distanciados demais de nossos antepassados, nossas raízes familiares e de todo o convívio que nos permitiu chegar até onde estamos agora. Mas jamais esquecer.
Ora, não se pode esquecer as lições de um livro bom que sempre pede para ser relido em nossa memória. Página a página, vidas e suas sagas.
Mesmo que às vezes doa, que aflija por dentro pelas recordações, lembranças e nostalgias, ainda assim temos que olhar pra trás e avistar o que há de nós e o que há dos nossos que ainda podem ser avistados. Não nasci agora, não vim ao mundo sozinho.
Sou filho de pessoas que foram gestadas por outras pessoas, e daí um vínculo consanguíneo e familiar que jamais poderá ser negado em nome do esquecimento, da ingratidão ou do tanto faz.
Meu pai Alcino era filho de Dona Emeliana e Seu Ermerindo. Minha mãe Maria do Perpétuo, Dona Peta, era filha de Teotônio Alves China (o China do Poço) e Dona Marieta (Mãeta).
Sou neto deles, sou neto de Seu Ermerindo e Dona Emeliana Marques, e de China do Poço e de Mãeta. E estes também tinham suas raízes, seus berços familiares.
Com isto quero afirmar que minha presença de agora é um reflexo do ontem, do passado distante, do que foi brotado pelos meus até que em mim florescesse a vida.
Por isso não posso enxergar o espelho do presente sem avistar as velhas fotografias molduradas na parede do tempo e do coração. E quanta saudade dá!
Lembro-me, dentre tantas lembranças e nostalgias, dos santos no céu amadeirado do oratório de minha avó Emeliana, de seu gosto pelo Juazeiro do Padim Ciço e de sua voz firme dizendo assim e assim. Romeira, devota, uma sertaneja de rosário de contas e de promessas.
Lembro-me do coração perfumado de meu avô Ermerindo e do seu jeito firme, como a não querer revelar seu sentimentalismo e sua bondade.
Relembro seu armazém, sua mercearia, seus couros, seus fardos de algodão, seu balcão imenso e sua geladeira a gás nos fundos da venda. Lembro sua predileção pelos repentistas nordestinos e o monte de discos que ele trazia a cada romaria.
Meu avô China era um abridor de portas para os muitos amigos que possuía. Não recebeu apenas Lampião e o Padre Artur Passos em sua moradia, mas também comboeiros, andantes, mascates, pessoas que cortavam os sertões poço-redondenses.
Sua vendinha ao lado da casa era mais para prosear com os amigos do que mesmo como meio de sobrevivência, vez que possuindo algumas fazendas e sendo reconhecido como um de posses da pequena povoação.
Minha avó Marieta, Mãeta, vivia para os santos, para as rezas, para as igrejas, para abençoar quem passasse pela sua porta e para avistar o mundo, ali sentadinha ao entardecer em sua calçada.
Em dias de missa, e lá ia ela, toda miudinha, levando livros de rezas e crucifixos, levando sua cadeira de oração e seu xale de renda escura sobre a cabeça.
Meu pai Alcino sempre foi dividido em muitos, o Alcino político, o Alcino amante de seu sertão e o Alcino familiar.
Mas eu gostava mesmo era do Alcino sertanejo, aquele apaixonado pela terra, pelo seu povo, adorador de Tonico e Tinoco, catador de causos e histórias da saga sertaneja, aprendiz de escritor dedilhando em antiga máquina de escrever.
Inesquecível aquele Alcino saindo com sua pequena radiola e discos e indo até o cruzeiro da Praça da Matriz, e aí fazer ecoar pelas noites sertanejas o cancioneiro apaixonado de seu sertão.
Minha mãe Dona Peta, a fina flor do meu coração. Sem outras palavras para descrevê-la, senão aquelas que dizem sobre sua beleza, sua doçura humana, seu indistinto amor.
Costurava, bordava, pintava tecidos, gostava de fazer doces e comidas, possuía uma voz tão bela que os anjos se encantavam quando chegava à igreja.
E eu, eu sou uma parte de tudo isso, uma prenda viva de laços familiares, ou aquele que tudo faz para jamais se afastar daquele jardim de onde floresci.
Por isso que olho no espelho e me avisto em muitos. Não sou apenas Rangel. Sou Rangel de Alcino e de Dona Peta, mas também Rangel de Seu Ermerindo e de Seu China, de Dona Emeliana e Dona Marieta.
Tenho um nome, mas sou aquele que vem do sobrenome.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

NOTA DE PESAR...



O grupo Relembrando Mossoró vem comunicar o falecimento do empresário e amigo ANTÔNIO PINTO, que ocorreu agora a tarde. Nossos sentimentos aos familiares e amigos.


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CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO 2020


Por Manoel Severo

A cidade de Paulo Afonso, na espetacular Bahia, se prepara para receber um dos maiores eventos de Cangaço do Brasil... João De Sousa Lima e Manoel Severo Barbosa; em nome do Conselho Alcino Alves Costa; convidam para participar do CARIRI CANGAÇO PAULO AFONSO 2020;

DIAS 30 de Abril, 1 e 2 de Maio... Simplesmente IMPERDÍVEL! Realização: Cariri Cangaço - IGH Instituto Geografico e Histórico de Paulo Afonso - Prefeitura Municipal de Paulo Afonso. Apoio: ABLAC Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço - SBEC Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - GECC Grupo de Estudos do Cangaço do Ceara - GPEC Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço.


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A RENDIÇÃO MACABRA.


Por João Filho de Paula Pessoa

Em Setembro de 1938, dois meses após a morte de Lampião, o jovem cangaceiro Barreira, de 20 anos, desejou abandonar o cangaço e elaborou um macabro plano para isto. Ele fazia parte do subgrupo de Português, a quem considerava covarde e medroso, pois só usava seus cabras para extorsões e punições a sertanejos. 

Certo dia, foi designado juntamente com os irmãos Atividade e Velocidade para tocarem fogo numa casa que pertencia à um senhor conhecido seu, onde moravam seu tio e seu irmão, a quem teria que matar, segundo as ordens de Atividade que liderava a missão, ato que se recusou a praticar entrando em conflito com Atividade. Neste momento Velocidade foi pegar água num riacho próximo, oportunidade em que Barreira rapidamente atirou nas costas de Atividade. 

Velocidade ao ouvir o tiro e perceber o que tinha havido fugiu. Barreira então cortou a cabeça de Atividade que ainda se encontrava vivo e seguiu com ela pendurada em mãos, até próximo da cidade de Pão de Açucar/Al, onde se entregou à autoridade policial local. Entregou-lhe a cabeça decepada do antigo companheiro e pediu para entrar para a polícia. Seu pedido não foi atendido, ficou preso por quatro anos e meio, sendo anistiado pelo Governo Getúlio Vargas. 

Em liberdade ingressou num emprego público na Secretaria da Fazenda de Alagoas, onde trabalhou por 40 anos e se aposentou como servidor público aos 64 anos e morreu idoso. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 12/11/2019


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O SANFONEIRO QUE ABOMINOU O CANGAÇO.


Foto: Painel de rua em Jericoacoara/Ce.

Zé Rufino era um modesto e humilde sanfoneiro, um sertanejo comum e pacato de Pernambuco que tocava forró e xaxado pelos sertões nordestinos. Certo dia de 1934 estava em Pernambuco tocando sanfona numa bodega, quando chega o bando de Lampião, come, bebe, aprecia sua música, se agrada do sanfoneiro e o convida a acompanhar o bando. 

Zé Rufino agradece o convite mas recusa dizendo que não tem pretensão daquela vida, de pegar em armas, derramar sangue, pois não queria ser nem cangaceiro, nem soldado, Lampião ficou contrariado mas se foi. Algum tempo depois Zé Rufino tocava em Salgueiro/Pe quando novamente chegou Lampião e seu bando e novamente o convidou para lhe acompanhar, tendo Zé Rufino novamente agradecido e recusado o convite. 

Pouco tempo depois, Zé Rufino tocava numa festa na fazenda Algodões em Belém de Cabrobó e Lampião, de novo, apareceu no local, quando a música silenciou, Lampião, já irritado, manda chamar o sanfoneiro, que comparece perante Lampião e percebe uns quatro cabras o circundando, hora em que teve medo de morrer, Lampião pela terceira vez lhe convida a acompanhar o bando, Zé Rufino pensa que terá que lutar para não morrer, mas consegue persuadir Lampião e se esquivar do bando naquele momento e fugiu para a Bahia. 

Sentido-se ameaçado, perseguido e encurralado, decide, mesmo a contra gosto, mas como meio de sobrevivência, ingressar nas fileiras das Tropas Volantes da Bahia e logo virou um implacável caçador de cangaceiro e obstinado perseguidor de Lampião, criou fama e respeito, ascendeu rapidamente na corporação militar, tendo matado mais de vinte cangaceiros, o que lhe deu a fama de “Matador de Cangaceiro”, dentre os cangaceiros mortos por ele, está Corisco. Zé Rufino poupou a vida de Dadá e sua integridade física perante os outros soldados em sua captura, após acertar-lhe um tiro na perna, que levou a amputação da mesma. Em seu leito de morte, muitos anos depois, Zé Rufino pediu a visita de Dadá, que o atendeu, oportunidade em que relembraram, choraram e se desculparam. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 08/01/2020.


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O TRÁGICO E COVARDE ASSASSINATO DE JOSÉ NOGUEIRA, DA SERRA VERMELHA

Por Luiz Ferraz Filho

Os livros sobre a história brasileira sempre trouxeram no capitulo sobre a Coluna Prestes o simbolismo da liberdade. Porém, nada foi mais aterrorizante para a população do Sertão do Pajeú, no mês de fevereiro de 1926, do que esses revoltosos sulistas. Vinda da Paraíba em direção ao Pajeú sob o comando do general Izidoro Dias Lopes, a Coluna Prestes contou com o "reforço" da boataria que estava alinhada ao bando de Lampião, para assim aterrorizar ainda mais o sertanejo. 

E foi esse boato que fez muitos fazendeiros da região abandonarem suas casas para se emprenhar na caatinga como esconderijo. Somada a isso, tinha também um batalhão patriotico para combater os revoltosos e que confundia ainda mais a população. Ao passarem por Betania (PE), onde esfomeados saquearam o comercio local, os revoltosos marcharam em direção ao povoado de São João do Barro Vermelho (Tauapiranga), distrito de Serra Talhada. De lá, desceram pelas margens do Riacho São Domingos em direção a lendária vila de São Francisco, também distrito de Serra Talhada.

 Serra Vermelha vista da Fazenda de Zé Nogueira

Entre essas duas localidades, os revoltosos encontraram a Fazenda Serra Vermelha, na época fonte rica para o abastecimento da tropa composta de seiscentos ou oitocentos soldados. Com a barriga cheia, precisavam eles de uma pessoa da região para servir como "guia dos revoltosos" e nada melhor que um homem conhecido e respeitado por todos para usarem como "escudo". E foi assim que o influente dono da fazenda, José Alves Nogueira, acabou "sequestrado" pelos revoltosos. Três dias sem nenhuma regalia, andando a pé sob olhares dos soldados até ser libertado próximo ao povoado de São João do Barro Vermelho (Tauapiranga). 

Cruz no terreiro da casa demarcando o local onde foi covardemente assassinado Zé Nogueira pelo cangaceiro Antônio Ferreira.

Aliviado, mal podia imaginar José Nogueira que voltando para sua Fazenda Serra Vermelha passaria por situação ainda pior. Ao chegar, José Nogueira pediu para um dos moradores ir avisar aos parentes e familiares que estava tudo bem com ele e que  estava em casa. E nisso, aproveitou para ir na vazante (plantação no baixio) olhar uma cacimba que abastecia o lugar. Depois de algum tempo lá, José Nogueira recebeu um recado de Antônia Isabel da Conceição (Isabel de Luis Preto) que inocentemente disse que a força volante de Nazaré (comandada por Manoel Neto) estava no terreiro da casa esperando ele. Desconfiado, José Nogueira ainda perguntou: - Tem certeza que é a força ?. Tenho sim, respondeu Isabel. 

O fazendeiro João Nogueira (neto de Zé Nogueira e bisneto do major João Alves Nogueira), na calçada onde foi assassinado o avô em fevereiro de 1926
Domingos Alves Nogueira (neto de José Nogueira) 

Ao subir da cacimba em direção ao terreiro da casa, José Nogueira avistou o bando de Lampião com 45 cangaceiros enfurecidos após sairem derrotados na tentativa de invasão ao povoado de Nazaré do Pico. Homem de firmeza, continuou José Nogueira o trajeto mesmo sabendo que dificilmente escaparia da morte. Nisso, o cangaceiro Antônio Ferreira, aproximou-se dele e falou: - É hoje José Nogueira. Ele ele respondeu: - Seja o que Deus quiser. 

Lampião mandou todos baixarem as armas e começou a conversar com o velho fazendeiro. Após a palestra, Lampião observou ele muito cansado, doente e asmático, liberando o fazendeiro. Deu voz de reunir e começou a seguir no destino da caatinga quando escutou um tiro. Tinha sido o cangaceiro Antônio Ferreira que havia covardemente atirado nas costas de José Nogueira. Vendo o ocorrido, Lampião reclamou dizendo que o velho estava doente e quase "morto". Então, Antônio Ferreira (que era irmão mais velho de Lampião) falou:

- Matei , tá morto e pronto. 

Era 26 de fevereiro de 1926. Calçou Antônio Ferreira as alpercatas (sandalias de couro) do falecido e seguiu junto ao bando caatinha a dentro. Segundo o fazendeiro João Nogueira Neto (neto de José Nogueira), durante anos o local onde o avô paterno foi assassinado ficou manchado com o sangue nas pedras. No local, os filhos do fazendeiro depois fincaram uma cruz para demarcar a tragedia. O corpo de José Nogueira foi enterrado no dia seguinte, do outro lado do riacho, no cemitério da Serra Vermelha. Deixou ele a viúva Francisca Nogueira de Barros (Dona Dozinha, tia dele) e sete filhos. 

Luiz Ferraz Filho,
Pesquisador, Serra Talhada-Pernambuco
FONTE : (LIRA, João Gomes de - Memorias de Um Soldado de Volante) - (AMAURY, Antônio e FERREIRA, Vera - O Espinho de Quipá) - (FERRAZ, Marilourdes - O Canto do Acauã) - (SOBRINHO, Jose Alves - Zé Saturnino - Nas Pegadas de Um Sertanejo). FOTOS/ENTREVISTADOS: João Nogueira Neto e Domingos Alves Nogueira (netos de José Alves Nogueira).


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A CENSURA DE LAMPIÃO.



Bejamim Abrahão, um Sírio-Libanês que foi secretário de Pe. Cícero, documentou o Cangaço em sua intimidade em 1936, produziu filmes e fotos de Lampião, Maria Bonita, de vários cangaceiros e cangaceiras e do bando em seu dia a dia nos acampamentos e na caatinga. No ano seguinte, 1937, ele veiculou em Fortaleza/Ce o filme “ Lampião, o Rei do Cangaço” e passou a vender fotos dos cangaceiros aos interessados. 

Isso indignou o governo, que há anos empenhava dinheiro, recursos e pessoal no combate ao cangaço, mas sem sucesso até então e de repente, aparece uma única pessoa, um estrangeiro civil, que não só encontra com o bando de Lampião, mas convive pacificamente com eles, faz filmes, fotos e divulga àquele movimento clandestino armado, bem organizado, com hierarquias, bem vestidos, com boa saúde, alegres, brincando, encenando lutas, dançando, cozinhando e costurando, os mostra de forma bonita e com mulheres igualmente bonitas e bem vestidas. Mostra o lado particular dos cangaceiros como pessoa comuns e seres humanas, o que foi um insulto e uma desmoralização para o Governo, que apesar de todo o combate empreendido ao cangaço ao longo do tempo, este parecia estar inabaladamente bem e em ascensão. 

Assim, o DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda do Governo Federal, emana a seguinte ordem ao Ceará: "Secretário Segurança Publica Estado do Ceará Fortaleza. Tendo chegado ao conhecimento do Departamento Nacional de Propaganda, estar sendo annunciado ou exhibido na capital ou cidades desse Estado, um filme sobre Lampeão, de propriedade de "Aba Filme", com sede á rua Major Facundo, solicito vos digneis providenciar no sentido de ser apprehendido immediatamente o referido filme, com todas suas copias, e respectivo negativo, e remettel-os a esta repartição, devendo ser evitado seja o mesmo negociado com terceiros e enviado para fora do paiz. 

Attenciosos cumprimentos. Lourival Fontes, director do Departamento Nacional de Propaganda do Ministério da Justiça.". Assim, foi confiscado todo seu material, que ficou desaparecido por muitos anos e somente nos anos 50 foi recuperado uma parte do material, uma média de 90 fotos e uns 15 minutos de filme do Bando de Lampião, sendo este material o mais importante para o registro e a história brasileira sobre o fenômeno do Cangaço. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 21/01/2020.


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