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sexta-feira, 27 de julho de 2012

CANGACEIRO ANTONIO SILVINO X PRESIDENTE GETÚLIO

Por: Ivanildo Alves Silveira

O Cangaceiro Antonio Silvino, após a sua prisão, no final de novembro de 1914 na cidade de Taquaritinga/PE, foi transferido para a Casa de Detenção do Recife (Vide foto, logo abaixo), onde, após julgamentos pelos crimes praticados, o judiciário aplicou-lhe uma pena total de TRINTA E NOVE ANOS E QUATRO MESES DE RECLUSÃO.

FOTO: Cortesia do escritor e pesquisador, Dr. Sérgio Augusto Souza Dantas.
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Após cumprir mais de 23 anos de prisão, o velho cangaceiro, incentivado por amigos do cárcere, dirigiu uma "CARTA", ao Presidente Getúlio Vargas solicitando o " INDULTO ", haja vista que, no seu entendimento, já era demasiado o tempo de recolhimento à prisão, pois, achava que já tinha pago pelos seus crimes.
Em 04 de fevereiro de 1937, SILVINO recebera a grande notícia: O Presidente havia lhe concedido o "INDULTO", a que tanto almejava.

Casa de Detenção do Recife (Fonte: Wilkipédia), onde SILVINO cumpriu pena.

No dia 17 de fevereiro de 1937, o juiz titular da Primeira Vara de Recife, expediu o "ALVARÁ DE SOLTURA" em favor do grande bandoleiro. Pagara pelos seus crimes um total de 23 anos, 02 meses e 18 dias de detenção, na velha cadeia. (Vide FOTO, abaixo - Soltura de Silvino).

FOTO: Cortesia do escritor e pesquisador, Dr. Sérgio Augusto de Souza Dantas.

Ao sair da solitária, SILVINO estava velho. Os cabelos brancos envelhecidos pelo tempo. Morrera ali, o "governador do sertão". O ex-cangaceiro voltara a ser um homem, como qualquer outro.
Com pouco tempo, percebera que estava sem emprego, sem dinheiro e sem um pedaço de terra para que pudesse retirar seu sustento.
Orientado por familiares e amigos, ainda no primeiro semestre de 1938, se dirigiu ao Rio de Janeiro, a fim de conseguir uma audiência com o Presidente GETÚLIO VARGAS, a quem solicitaria um EMPREGO. (Vide FOTO INÉDITA DO ENCONTRO, logo abaixo).


O resultado foi positivo, e SILVINO conseguira um EMPREGO comissionado, e passou a trabalhar na construção da estrada Rio de Janeiro - Salvador.
Algum tempo depois, ao ser entrevistado por um repórter do jornal "A Noite", sobre o trágico fim de LAMPIÃO, SILVINO disparou:

"Não me causou admiração, porque a vida é incerta, mas a morte é certa. Logo, Lampião tinha que desaparecer mais hoje ou mais amanhã. Acredito que os homens tinham sido pegados dormindo, mas fico espantado, de ver como caíram tão facilmente na ratoeira, porque Lampião era prevenido de verdade " (Rocha, pg. 159).
O repórter indagou-lhe, mais incisivo:
"Estará resolvido, SILVINO, o problema da extinção do banditismo??"
Ao que respondeu, o velho cangaceiro:
"Isto não acaba assim. O rifle não conserta nada. Morreu Lampião. Outros 'Lampiões' aparecerão! E o mundo por aqui continuará girando, até que a Justiça bata as portas do sertão! É de Justiça que o sertão precisa" ( Rocha, pg 160 ).
O velho ANTONIO SILVINO terminou os seus últimos dias, na casa da prima TEODULINA, na cidade de Campina Grande/PB, (Vide FOTO, abaixo), tendo falecido na manhã do dia 28 de julho de 1944, em consequência de .." glomérulo nefrite crônica - Uremia - conforme atestado firmado pelo Dr. Bezerra de Carvalho, deixando oito filhos naturais. " (Dantas, pg 261).


Está enterrado no cemitério MONTE SANTO, na cidade de Campina Grande/PB.
Vejam, logo abaixo, FOTO do monumento, no local da sepultura em que ANTONIO SILVINO foi enterrado.

FOTO: Cortesia de Kiko Monteiro (Blog - Lampião aceso).

Um abraço a todos.
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN

Cantiga de mar/amar (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

Cantiga de mar/amar


Fiz uma cantiga
pra cantar no mar
cantar a cantiga
quando eu navegar
triste vela aberta
vento a desfraldar
cantando a cantiga
querendo chorar
lágrima marinheira
no sol a secar
um porto adiante
para mais cantar
verso de regresso
tanto apaixonar
o amor espera
pra ouvir o cantar

amor já voltei
venha me abraçar
cantar a cantiga
que aprendi no mar
um verso diferente
ao te abraçar
rimando somente
palavras de amar

amor voltei
venha me abraçar
leve o meu barco
para o seu mar
singrar o teu corpo
quero navegar
sereia me beija
quero o teu cantar...


Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com

Depois da derradeira hora - “Ritos de Passagem” foi lançado em Feira de Santana


Novo longa-metragem em animação do diretor Chico Liberato, baseado em dois personagens que compõem o imaginário do sertão nordestino, foi lançado na Celebração das Culturas dos Sertões.

O cineasta e ilustrador Chico Liberato, responsável pelo primeiro longa-metragem em animação feito na Bahia (e o terceiro no Brasil), “Boi Aruá” – inspirado na literatura de cordel em 1983 -, lança seu novo longa-metragem de animação, “Ritos de Passagem”, no dia 8 de maio, às 19h, no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana. O filme foi realizado a partir do Edital de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais de Longa-Metragem, edição 2008, do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Secretaria da Fazenda (Sefaz).


A animação narra o encontro do líder espiritual Antonio Conselheiro com o cangaceiro Lampião, rebatizados, respectivamente, como o Santo e o Guerreiro. A história retrata os acontecimentos trágicos do sertão do final do séc. XIX e início do séc. XX e começa a ser contada no momento em que os dois personagens morrem e entram na Barca de Caronte, que remete à mitologia grega, na qual as almas atravessam o perigoso rio da morte, o Aqueronte, às margens do inferno. “Através da lembrança de seus ritos de passagem – nascimento, batismo, transição da juventude para a idade adulta, morte e transcendência – os personagens vivem um processo de auto-análise e refletem sobre os acontecimentos que viveram no sertão”, revela o autor.


O filme conta com a ajuda das cantigas populares, flora, fauna, costumes, trajes, vocabulário e sotaques da região para dar vida à história destes já míticos personagens. Para o cineasta, é necessário valorizar essas expressões culturais tão presentes no dia a dia do povo nordestino.  ”A cultura sertaneja, é de extrema importância e não é mostrada como deveria, há uma super valorização do que vem de fora, e a população local acaba se excluindo de uma riqueza que está tão próxima de si, por isso toda minha obra é baseada na cultura sertaneja, cujo objetivo é conscientizar o povo brasileiro”, afirma.

Só um tiquim

Para a realização do longa, foram contratados cerca de 90 profissionais, entre técnicos, artistas e equipe de apoio. Dentre os componentes, participa a esposa do cineasta, Alba Liberato, que é a roteirista do longa. “Alba fez discursos maravilhosos e emocionantes, com toque de realismo incrível”, elogia Chico. O projeto contou ainda com artistas importantes, como Jackson Costa, Ingra Liberato, entre outros que emprestaram suas vozes aos personagens, além da participação especial da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) na trilha sonora com duas peças sinfônicas: “Veredas” e “Ritos”. No longa o maestro Eduardo Torres é responsável pela regência da Orquestra na peça “Veredas”, que teve solo de violão do compositor João Omar. Já na peça “Ritos”, o próprio compositor, João Omar, assumiu a regência da Orquestra.
Trailer
Sobre o autor: Vida e obra de Chico Liberato
Nascido na cidade de Salvador, em 1936, o cineasta e artista plástico Chico Liberato iniciou sua carreira em 1963, como artista plástico, numa coletiva de alunos de Ivan Serpa e Domenico Lazarini, no MAM – Rio de Janeiro. Já no cinema sua trajetória começou em 1972 com o desenho animado de curta duração “Ementário”. A partir daí, até 1979, entre ficções e animações, produziu um curta a cada ano, um dos mais lembrados e premiados é “Boi Aruá”, inspirado na literatura de Cordel. O desenho tem traços e cores fortes, retratando a vida do interior nordestino, mostrando a cultura das comunidades da caatinga. Esse filme de animação foi premiado pela UNESCO e participou da I Jornada Internacional de Cinema, se tornando um marco para o desenho animado no estado. Ele é considerado um dos mais significativos artistas baianos, consagrado no Brasil como pintor, escultor, desenhista, artista multimídia e cineasta. Ainda na adolescência, Liberato foi morar em uma comunidade indígena no sul da Bahia. Após cinco anos, agregando conhecimento e valores culturais a sua vida e arte, ele retorna com bagagem suficiente para dar continuidade a sua empreitada. Inspirado na cultura popular, ele evidencia em seu trabalho símbolos de caráter tradicionais, utilizando materiais naturais como madeira, folhas e sementes de açaí.
Pesquei em Dimas Bahia.Gov
E eu no Lampião Aceso

Um olhar mais apurado

Por:Paulo Britto
Tenente João Bezerra - pai de Paulo Britto e matador de Lampião 

O que dizer? Será a irreverência dos tempos atuais? Será a liberalidade desmedida e irresponsável, respaldada na impunidade? E o que pensar?
Em terra de cego quem tem um olho é rei? Não, em terra de cegos fura-se o próprio olho para comungar com eles.

Os cães ladram e a caravana passa? Não, os cães ladram, atacam e mordem, e a caravana passa molestada e desmerecida. Vemo-nos agora submetidos à anticultura que confunde e desnorteia os menos informados que anseiam conhecer a verdade histórica e não têm o conhecimento necessário para excretar esses dejetos pseudo-literários. Abre-se espaço para as improbabilidades grotescas e desmedidas. Fomenta-se a irreverência, a ficção, a criatividade irresponsável, calcada em elucubrações, e devaneios de uma verdade insípida e renitente.

Deparamo-nos com escritos como: “Lampião, o invencível. Duas Vidas, duas mortes – O outro lado da Moeda” cheio de fundamentações infundadas, chegando ao absurdo de asseverar que o Lampião, morto na Grota do Angico, era um sósia: “arranjar o dublê de Lampião – um ladrão de cavalo preso em Alagoas adequado ao papel pela cegueira do olho direito”. Enquanto Maria Bonita, sua companheira, era “representada por um jovem (um homem, portanto), cujas feições lembravam as de quem ia tomar o lugar”. A despeito de todas as identificações feitas, não se conseguira descobrir que Maria Bonita era um homem.

No escrito “Lampião o mata sete”, que mexeu com o mitoLampião, causando grande rebuliço no ceio dos cangaceirólogos, coloca Virgulino Ferreira da Silva como homossexual, conivente com um romance entre a sua companheira e o seu mais fiel cangaceiro (Luiz Pedro do Retiro) de inúmeros combates. A verdade é que por mais que se antagonize o Rei do Cangaço, se chegar a alegações dessa natureza, choca os reais escritores e revolta os familiares.

Primeiro Cruzeiro em Angico

Agora, recentemente, nos vemos diante de mais um escrito, “A OUTRA FACE DO CANGAÇO - VIDA E MORTE DE UM PRAÇA”, que ao invés de procurar ressaltar a vida militar e morte do praça, ocorrida durante o combate de Angico, muda o foco, e de forma primária se expõe ao lançar calúnias e controverter os fatos, seguindo a linha dos antecessores citados. Embora trafegando, com as suas pesquisas recentes, nos mesmos caminhos que tantos já percorreram – distando mais de 70 (setenta) anos do ocorrido – esse autor descobriu fatos que pesquisadores que buscaram informações no momento próximo ao ocorrido e ao longo desses anos todos não descobriram.

O pesquisador, data vênia os demais pesquisadores, em entrevistas inéditas com participantes do combate, que nas suas existências longevas, não se cansaram em atender o intrépido autor que, em tempestuosos pensamentos contraditórios e formulando perguntas capciosas de sua conveniência para que o entrevistado, em resposta, num gesto de olho ou canto de boca confirme fatos que os demais deixaram escapar.

No escrito, (i) o comandante da volante (João Bezerra) mata o seu desafeto (o Soldado Adrião) de outra volante, que com ele disputava o amor de uma prostituta; (ii) se vê obrigado a matar seu companheiro (Lampião) de noitadas de carteado; e (iii) que 02 dias anteriores ao combate de Angico, com este estava carteando na fazenda do seu sogro (Francisco Corrêa). Por aí segue na mácula, no total desvario e com o pleno desconhecimento das personalidades de Francisco Corrêa de Britto e do próprio João Bezerra.

Victor Júnior, Paulo Gastão e Paulo Britto em momento de Cariri Cangaço

A censura é incabível, antipática e reprovável, mas a liberalidade desmedida e caluniadora desvirtua os valores morais. O que teremos para oferecer aos nossos descendentes e almejar para o futuro? Em sua folha de serviços prestados à corporação, segue abaixo um resumo da vida do Coronel João Bezerra da Silva, comandante das volantes por hierarquia e por se fazer líder irretocável dos que ali estavam tomando parte no combate de 28 de julho de 1938, em Angico/SE:

No combate de Angico, como Primeiro Tenente, já havia; participado de 03 (três) expedições de guerra fora do Estado de Alagoas, nas revoluções de 1925, 1930 e 1932; nomeado 09 (nove) vezes delegado; recebido 09 (nove) elogios e louvores em boletins da corporação; exercido o cargo de Prefeito Interventor na Cidade de Piranhas/AL; cumprido várias missões especiais; e travado vários combates com cangaceiros, inclusive Lampião.
Ao longo dos seus 35 (trinta e cinco) anos de carreira militar, consta nos seus apontamentos:

. 12 (doze) nomeações como delegado; 02 (duas) vezes como subdelegado;  02 (duas) vezes subcomandante da corporação;  12 (doze) vezes comandante de unidades da corporação; 17 (dezessete) vezes citados em elogios e louvores em boletins;  03 (três) expedições de guerra da história do Brasil; e 11 (onze) combates com grupos de cangaceiros liderados por Luiz Pedro do Retiro, Corisco, Gato, Zé Baiano, Português, Manoel Moreno, Moita Brava e o próprio Lampião.

Homem que dentro dos padrões éticos de liberdade, igualdade e fraternidade, alcançou o grau 18 do filosofismo, dentro daquela que é conhecida como a consciência oculta da humanidade, a maçonaria. Para esse homem não pedimos acalentos e salamaleques, mas se não temos afinidade com o que é justo e correto, e não tivermos provas irrefutáveis, pela total falta de veracidade das informações, não conturbemos o trabalho daqueles que empenharam anos de estudos num esforço sobre-humano para preservar a história como ela realmente se desenvolveu.

E agora? Diante da perplexidade... Qual é a regra dos tempos atuais? A regra é não ter regra? Como sempre, me coloco à disposição e um forte abraço a todos os amigos desse conceituado blog.

Paulo Britto .'.
Filho do Tenente João Bezerra
Recife-PE

Hoje na História de Mossoró - 28 de Julho de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 28 de julho de 1934 era criada a Diocese de Mossoró. 
               
Em solene missa celebrada na matriz de Santa Luzia, o Padre Luis da Mota, vigário da paróquia, dá conhecimento aos fieis, através da leitura da Bula do Santo Padre, Pio XI, criando a Diocese e elevando a matriz de Mossoró à categoria de Catedral diocesana. 
               
A matriz de Santa Luzia estava lindamente ornamentada, figurando dentre os presentes àquele ato de liturgia católica, todas as autoridades do município, além de vários sacerdotes e religiosas da região, rejubilados pelo ato do Sumo Pontífice.

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comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fonte:

quinta-feira, 26 de julho de 2012

MENINA DE 12 ANOS DESAPARECIDA EM TIBAU - Rio Grande do Norte - aparece, mas...

cinthia_livia

Clique no link abaixo para relembrar o que havia acontecido com Cintia Lívia de Araújo


Agora clique neste outro link abaixo para saber o que houve com Cintia Lívia de Araújo

O AMADO COITO DE LAMPIÃO FOI BAGUNÇADO PELOS CANGACEIROS


Segundo o escritor e pesquisador do cangaço, da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, Alcino Alves Costa, afirma em seu livro: Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico



que o rei Lampião era obcecado pelas redondezas de Poço dos Porcos, em um riacho chamado Jacaré. E costumeiramente fazia o seu merecido descanso por lá. Sua Central Administrativa estava localizada nas proximidades do rio São Francisco e de Poço Redondo. No período em que isto aconteceu, já fazia dias que o rei Lampião e a sua respeitada saga estavam guardados e bem protegidos naquele amado lugar.                                               
Cuidadoso com o seu arsenal de armas, o rei já falava que ele precisava de uma manutenção urgente, para olear as partes metálicas, ensebando algumas peças de couro e outros mais. E também zeloso com as suas riquezas, isto é, suas jóias, solicitou à presença de um afamado ourives, um senhor chamado Messias, para fazer reparos.                                     
Era do costume, vez por outra, alguns fabricantes de jóias fazerem reparos nas riquezas de toda cangaceirada. Em especial, as da majestade e as da sua amada rainha Maria Bonita.

 

Assim que o Messias recebeu o convite, sentiu-se honrado. E não querendo ir sozinho, até ao reino da majestade para atender a sua solicitação, convidou o coiteiro Manoel Félix para acompanhá-lo. Este se deu pronto, e de imediato chamou o seu irmão, o Adauto, para juntos irem até a corte do respeitado rei.

O coiteiro de Lampião - Mané Félix

O Poço dos Porcos havia recebido um grande colégio de cangaceiros, com uma quantidade de mais ou menos de setenta perigosos asseclas. E lá, o divertimento era de várias formas para alegrarem os seus sofridos corações. Uns jogavam cartas, outros bebiam, outros dançavam ao som do fole, tocado pelo cangaceiro Balão, 

Fotos do cangaceiro Balão

e o Zabelê, que também era considerado um grande e talentoso poeta, interpretava as suas velhas e bem rimadas canções.
Lampião que se encontrava deitado lá na sua Central Administrativa, sem sair de dentro, e não gostando daquele fuzuê, reclamava os festeiros, dizendo-lhes que deixassem de tanta bagunça, pois aquela anarquia dava uma boa pista para as volantes. Mas os asseclas não lhe davam a mínima atenção. Continuavam bagunçando o coito do rei.
O Messias e os dois irmãos haviam chegado ao coito, no momento em que os asseclas faziam a festança. A malta continuava usando um bordão, “Dança Gavuzinho! Dança Gavuzinho”, sendo este dirigido ao cangaceiro Juriti, que se requebrava diante dos amigos para fazer graça.

O cangaceiro Juriti

Assim que o cangaceiro Juriti viu o ourives e os dois irmãos, tomou-lhes a frente, fazendo graça e se requebrando. Adauto tentando ultrapassar para se desviar dele, a bolsa que no momento conduzia em uma de suas mãos, atingiu a cabeça do cachorro de Lampião, ferindo-o de imediato.
O cão ficou uivando como se estivesse pedindo a Lampião que vingasse aquela maldade feita contra ele. E seringadas de sangue saíam por uma das suas orelhas. Temendo ser justiçado por Lampião, Juriti gritou que tinha sido o Adauto que ferira o cachorro.
E como uma fera, Lampião agarrou o seu amado e perverso mosquetão e partiu para cima do pobre homem. O coitado esmoreceu de repente, e não sabia o que fazer.                           

Maria Bonita

Maria Bonita, como sempre, protetora dos inocentes, agarrou-o, implorando que tivesse paciência, pois não se matava um homem, só porque tinha ferido um cachorro. E ainda lhe dizia que ele parecia que tinha enlouquecido.
Maria Bonita foi a grande sossega leão de Lampião, pedindo-lhe que não fizesse tantas maldades contra as pessoas. Algumas vezes, ele ficava nervoso com coisas banais, e com essa fúria, além do normal, ela estava sempre ao seu redor para evitar tamanha atrocidade. Ela sabia que muitas vezes, as suas maldades eram justas. Mas outras, praticava pela natureza cruel que ele era dono. Se ela não tomasse as dores de alguém para si, Lampião se tornaria um bandido sem causa e sem ética.                
Assim que Lampião violentou Adauto, o seu amigo e fiel companheiro, o Luiz Pedro, correu e o colocou sobre sua proteção, amparando-o em suas costas. 

O cangaceiro Luiz Pedro

E de lá, ficou acalmando a suçuarana humana, pedindo-lhe que não se estressasse, deixasse o rapaz aos seus cuidados. E ainda lhe dizia: “-Não faça isto compadre! não faça isto!...”.
Mas Lampião estava fora de si.  Queria matá-lo por ter ferido o seu cachorro, que para ele, era como se fosse um amado filho. E ainda dizia: “-Olhe o sangue Maria! Olhe o sangue Maria, no bichinho!”.
Diz o escritor Alcindo Alves, que o ourives Messias, com medo de ser morto, não suportando as agressões de Lampião, querendo matar o coiteiro, desmaiou.
Manoel Félix não esperou que a suçuarana se acalmasse. Correu em direção ao seu animal, que estava amarrado em uma árvore. O que ele desejava no momento era sair de lá o mais rápido possível. O pior foi que o animal estava preso à árvore, e não podia sair do local. Quanto mais ele açoitava, mais o apanhador se encolhia, mostrando-lhe que se não o soltasse, ele não iria para lugar nenhum. O medo de Manoel Félix foi tão grande, que não percebeu que o pobre do animal não saía do local porque ainda estava amarrado. E só notou momentos depois, quando tudo havia passado.
Luiz Pedro e Maria Bonita foram grandes protetores de Adauto. Lampião cheio de ódio apontou a sua arma para o coiteiro. Mas o compadre se adiantou dizendo-lhe: “-Não faça isto compadre, não faça isto”. E até que enfim, Lampião se viu dominado pelos conselhos de Luiz Pedro e Maria Bonita.
Conta ainda Alcindo que tempo depois foi que Messias deu sinal de vida. Mané Félix, só se deu conta de que o jumento estava no mesmo lugar quando alguns asseclas o rodearam, zombando do medo que ele teve da suçuarana. Lampião havia endoidecido. E não queria perdoar a maldade que sem querer, Adauto fizera contra o seu amado cachorro.


Fonte de pesquisas:
Livro: 
Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico
Autor: Alcino Alves Costa

ISAURA LOPES CLEMENTINO E A HISTÓRIA DO CANGAÇO: final (Coronel Figueiredo e Lampião) - Final


Por João Paulo Araújo de Carvalho

O Coronel Vicente Ferreira de Figueiredo Porto (1876-1949) era proprietário de diversas fazendas e foi um dos maiores chefes políticos de Nossa Senhora das Dores no início do século XX. A Fazenda Cajueiro, onde residia na década de 1930, foi invadida por um grupo de cangaceiros liderado por Zé Sereno, estando a mesma desguarnecida e o coronel na posse de apenas um velho bacamarte. Estaria o velho coronel descuidado da segurança?

Zé Sereno (ao centro) e seu bando, personagens de “O Fogo do Cajueiro”. Foto: Benjamin Abrahão, 1936. Acervo da AbaFilm, Fortaleza.


Em entrevista com dona Isaura Lopes Clementino, confirmou-se a notícia corrente na cidade de N. Sra. das Dores na época: Figueiredo era coiteiro do cangaceiro Lampião, que se escondia em algumas de suas fazendas, especialmente na Quixaba, com direito a matança de gado para saciar a fome do bando.
É importante frisar que em 25 de novembro de 1929 Dores foi invadida pela malta lampiônica, o que só não resultou em derramamento de sangue devido à cata de dinheiro entre os homens mais ricos da cidade. Tal fato é amplamente relatado na literatura do cangaço, a exemplo de Ranulfo Prata (1934), José Anderson Nascimento (1981), Vera Ferreira e Antônio Amaury (1999) etc.
Mas, entre os ricos estava o Coronel Figueiredo, ausente na lista de “colaboradores” do “rei do Cangaço”. Ausência que a literatura não explica...
Indagado pelo repórter do “Sergipe Jornal” se Lampião esteve em suas propriedades naquela passagem por Dores, vejamos o que o Coronel declarou, em edição de 29 de novembro de 1929: “esteve mesmo em ambas, não me encontrou. Em seguida dirigiu-se até Dôres, onde eu me achava e tive occasião de conversar com elle”. E o senhor não teve receio? Perguntou o repórter. “Um homem é para outro. Ademais, os modos pacíficos com que me tratou, não inspiravam nenhum receio. (...) Ao serme-me apresentado pelo meu vaqueiro, declarou-me que dous homens em Sergipe tinha o desejo de conhecer. Um era seu creado. O outro o coronel Antonio Franco”.
Observemos que o Coronel estava na cidade e encontrou-se com o cangaceiro, tendo inclusive declarado ao jornal citado que intercedeu junto ao mesmo para que não fizesse um baile com as moças dorenses, que dançariam com os bandoleiros, o que foi de pronto atendido.
Não resta dúvida que o Coronel e o Cangaceiro nutriam uma relação de proximidade. Seria só o desejo de conhecê-lo, talvez pela fama de valente que o mesmo tinha e corria os sertões adentro, que fez o “rei do Cangaço” não incluir Figueiredo na lista de doadores de cobres? Ou o Coronel já lhe dava proteção naquelas paragens? Se isto não ocorria antes de 1929, certamente isto ocorreu após aquele encontro entre o homem mais temido do nordeste e o mais rico, temido e influente do médio sertão sergipano.
A negativa do pedido feito por meio da carta de fins dos anos 1930, relatado por dona Isaura, foi, portanto, a quebra desta relação, de um “contrato” firmado pela palavra empenhada, deflagrando o “fogo do Cajueiro”, fazenda que estava desguarnecida provavelmente pelo excesso de confiança que seu proprietário tinha, pela certeza de que jamais seria atacado por cangaceiros, tendo em vista a relação de cumplicidade que mantinha com o maior de todos eles.
Neste sentido, “O Fogo do Cajueiro”, filme que está sendo gravado em Dores, deve muito às esclarecedoras informações trazidas à luz pelas lembranças de dona Isaura, que nas entrevistas que nos deu pôde reascender o carvão de sua memória e reencontrar-se com sua história, bem como com a história de N. Sra. das Dores e do Brasil.

(*)(historiador, mestre em História, professor e colaborador do Projeto Memórias) contato: joaopaulohistoria@gmail.com

blogdoprojetomemorias.blogspot.com 


AMIGO TROGLÓ, O DAS CAVERNAS (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

AMIGO TROGLÓ, O DAS CAVERNAS

Conheci Trogló quando eu ainda estudava o ginasial ou coisa parecida, naquela época em que o estudo era dividido em séries ou anos. E foi durante uma aula de história que o avistei pela primeira vez.

Durante uma lição, estava folheando o velho livro didático na parte que tratava acerca dos primórdios da humanidade, mas precisamente sobre os períodos históricos do homem. Como o texto possuía muitos desenhos exemplificativos, de repente me deparei com o amigo que conservo até hoje.

Estava ele lá desenhado todo disforme, cabeludo, coberto com poucas roupas de pele de animais, acocorado junto a uma fogueira encimada por um animal estirado em vara para assar, com um instrumento feito de osso à mão e tendo ao fundo uma caverna. A etapa era o da pré-história, o período o do paleolítico, a idade a da pedra lascada, e o nome do meu amigo a partir daquele momento passou a ser Trogló.


Trogló porque no momento lembrei-me dos trogloditas, homens primitivos que viviam em cavernas nos tempos antigos. Contudo, o mais interessante é que gostei tanto do desenho que acabei arrancando a página do livro e colando-a bem ao lado do guarda-roupa do meu quarto. Todos os dias, até por diversas vezes, eu ia olhar o desenho e imaginar como seria viver naqueles tempos.

E não durou muito e eu já conversava com a figura de Trogló como se ali estivesse um amigo em carne e osso, de verdade. O tempo foi passando e a amizade aumentando, até que um dia comecei a sonhar com o estranho primitivo. No sonho, o acompanhava em caçadas, batendo pedra em pedra, friccionando para sair faísca e queimar garranchos, fazendo surgir enormes fogueiras, se lambendo deliciosamente com pedaços de javali apenas chamuscados de fumaça.

Mas numa noite o sonho veio mais estranho ainda. Depois de jogar ao lado da fogueira um animal que trazia às costas, virou-se e começou a grunhir como se quisesse falar comigo, apontando na minha direção. Falava, pulava batendo no peito, e depois apontava. Já no sonho seguinte disse, falando claramente, que um dia me faria uma visitinha.

Estava tão acostumado que não tive medo. No outro dia não sosseguei esperando a visita do amigo Trogló. A todo instante ia até o desenho avistá-lo e depois corria até a janela para olhar adiante; ficava atendo para ouvir se alguém batia na porta, e até debaixo da cama olhava de vez em quando. Contudo, passaram-se mais de trinta anos sem que o visitante aparecesse. Uma decepção que não me tirou totalmente a esperança de um dia encontrá-lo.

Os sonhos foram rareando, quase não surgindo mais, mas de vez em quando eis o amigo dizendo que não havia esquecido a visitinha. Mudei de casa, de cidade, mudei minha vida completamente, pois já exercendo profissão, mas nunca deixei nem de conversar com o desenho nem de esperar Trogló aparecer a qualquer momento.

Até que um dia, sem que eu possa nem de longe imaginar como aquilo pôde acontecer, eis que o estranho visitante surge no meu quintal. Assim que abri a porta cedinho e lá estava o primitivo da pedra lascada acocorado, com as mesmas vestimentas – ou quase nenhuma - e feições mostradas no desenho. Olhou em minha direção e atirou um enorme pedaço de osso que quase me acerta de cheio. Era o seu jeito de cumprimentar e presentear.

Depois levantou, e talvez também tendo sonhado comigo lá por onde vivesse, começou a falar a mesma língua que eu não conseguia pronunciar no momento. Antes que eu dissesse alguma coisa, se antecipou e falou que havia demorado mas não havia esquecido o prometido, e por isso mesmo estava ali.

Contudo, ainda diante de minha mudez espantada, prosseguiu dizendo que só havia aparecido agora mas já estava pelos arredores, passando de lugar a lugar, desde muito tempo, a mais de trinta anos andando de lado a outro. E o seu último lugar de visita seria ali, pois dali mesmo iria embora sem nem olhar pra trás.


Com o aparecimento da voz, pude então perguntar por que já ia embora assim sem ao menos querer olhar pra trás. E ele respondeu: “Pensei que a humanidade havia progredido, mas não. Todo mundo estuda para conhecer o jeito rude, grosseiro e até violento que o homem primitivo vivia. No entanto, não troco minha pedra lascada pela modernidade. A gente só tem a pedra, o fogo, a água, a caça e a caverna para morar. E vocês têm de tudo, e têm até demais. Mas para que serve, se humanamente não progrediram nada?”.

E foi embora em seguida. E teve razão em ir embora daquele jeito tão desgostoso. Também não entendo o que nós, ditos civilizados, fazemos aqui. Qualquer dia desses vou embora também. Juro que uma caverna é bem melhor do que o muro baixo do vizinho ou a janela que se abre do outro lado da rua.

Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Terrível cangaceiro é adorado por crianças e adultos no Estado de São Paulo.

José Ribeiro filho, o cangaceiro Zé Sereno nasceu em 22 de Agosto de 1913, na fazenda dos Engrácias, no município de chorrochó, na Bahia.   

Era filho de José Ribeiro e de dona Lídia Maria da Trinidade.  Sua mãe era irmã dos Engrácias: Antônio, Cirilo e Faustino (o mão de onça). Este último, pai do terrível cangaceiro Zé Baiano, o ferrador do bando de Lampião. 

Andava com um ferro de ferrar animais, com as inicíais "jb" José Baiano.  Ferrava mulheres e homens, de preferência, no rosto. Zé Baiano era primo carnal de Zé Sereno e primo do cangaceiro Mané Moreno.   

Zé Sereno andou no bando de Lampião com sua esposa Sila,   até o dia do massacre na Grota do Angíco,  onde mataram Lampião, Maria Bonita e mais 9 cangaceiros, mais o soldado Adrião, que se supõe que foi fogo amigo, sobre o comando  do oficial alagoano, o tenente João Bezerra.   
Zé Sereno e Sila sua companheira, saíram do massacre sem nenhuma marca de tiros, isto é, saíram ilesos.

O ex-cangaceiro Zé Sereno só veio a falecer em 16 de fevereiro de 1981, no Hospital Municipal de São Paulo. 

  
Sua mulher, a Sila, faleceu em 15 de outubro de 2005, também na capital bandeirantes. 


Nesta foto vê-se o ex-cangaceiro, o Zé Sereno em uma escola rodeado de crianças. 


Aqui, foto do ex-cangaceiro Zé Sereno no leito do hospital. 


Nesta foto Zé Sereno é o primeiro da esquerda para a direita. E a esquerda está o seu primo Mané Moreno.


Fonte de pesquisa:


http://portaldocangaco.blogspot.com

DE VOLTA A MINHA TERRA, SOLO SERTANEJO

Por: Dr. Lima
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Serra Pico - Janduís/RN

Cruz. Eu voltei. Após sete meses no Maranhão, resolvi retornar à minha terra potiguar Mossoró. “Terra do sal, do petróleo e da liberdade”. Era mês de novembro de 1990. Chegamos a Mossoró, encontramos uma cidade grande, mas em situação financeira muito difícil. Faltava emprego, inflação violenta, pouca expectativa de uma vida melhor. Sem emprego, resolvi desenvolver atividade comercial com venda de frango em uma sociedade que não deu certo. Parti para outras atividades. Recebi convite para ensinar em minha cidade natal Augusto Severo, onde passei dois anos na Escola Municipal de 1º e 2º Graus Professor Joaquim Leal Pimenta. Retornei à Mossoró e ensinei na Escola de Primeiro Grau Onzieme Rosado durante dois anos. Recebi outro convite para trabalhar na empresa Mossoró Agro industrial S.A. – MAISA. Lá, atuei por um ano. Retornei para Mossoró e fundei um Cursinho da Matemática – O PENSADOR.

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Pau-d'arco ou Ipê

Divisar as Serras do Cuó, Creca, Patu, Cabeço dos Picos e Ererê, Serra do Carro e Outeiros e no fim do dia ver o sol se escondendo por trás dos montes com seus raios multicores, enquanto se ouvia o gorjeio dos passarinhos a procura de seus leitos nos galhos de uma arvore. O meu coração batia mais forte como quem sofria com a morte de mais um dia. Os verdes campos aos poucos iam escurecendo até desaparecer o ultimo radio de sol. No céu, surgia a lua rodeada de estrelas, as nuvens emitiam raios seguidos de fortes trovoadas, prenúncios de um bom inverno que se avizinhava. O sertanejo se alegrava e se despedia do dia com uma Ave Maria que escutava com muita atenção em seu raidinho de pilha. Em 1997, recebi um convite do Prefeito eleito de Cruz/CE Manoel Nelson Silveira para que retornasse à Cruz chegando no mês de fevereiro para ensinar e administrar a Escola Municipal Pedro Marques da Cunha na Zona Rural do Município de Cruz. No período em que estive em Mossoró, passei cinco anos e desenvolvi várias atividades na área comercial, empresarial e educacional.

Dr. Lima

Ao Dia do Escritor...

Por: José Cícero

Um brinde ao dia do escritor

Palavras... Palavras.../
e mais palavras.../
Pássaros ousados e altaneiros/
que me dão asas/
me elevam e me transportam/
além de mim/
e dos meus sonhos em flor.../
Utopias da minha própria alma./
Eterna Linguagem/
em que me fortaleço.../
e permeneço bem alto/
porém à margem de mim mesmo./
Vôos além do Nebo/
e tão sem medo./
Remédios, lenitivos e refrigérios/
para a minha dor.... /
Instante eterno./
Célere e efêmero/
Versos superlativos/
que grito/
e desde então carrego/
junto ao peito./
Fugas momento de felicidade/
que vez por outra sinto,/
enquanto escrevo/
e me liberto/
dos grilhões do mundo./
Cálice de absinto/
que bebo, saboreio/
e me embriago todo/
neste dia consagrado ao escritor. 

José Cícero
Aurora-CE.
jc (Inédito) 25.07.12


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O cangaceiro Massilon incentivou Lampião a invadir Mossoró

Por: José Mendes Pereira
O cangaceiro Massilon

Segundo o jornalista Alexandre Gurgel,  em maio de 1927, Massilon incentivou Lampião para atacar Mossoró, afirmando que era uma cidade bem estruturada, com um comércio que rendia muito, e ainda tinha bancos, e com certeza assaltando-a, sairiam de Mossoró com os bolsos abarrotados de dinheiro. 
Mas Alexandre Gurgel diz que Massilon era apaixonado por uma das filhas do prefeito Rodolfo Fernandes. E sendo astucioso, sabendo que se os seus compassas aceitassem invadir Mossoró, ataque que ele tinha plena certeza que daria certo, seria uma boa oportunidade para levá-la consigo. 



Mas Lampião não sabia que o interesse de Massilon pelo ataque a Mossoró, era a paixão que ele tinha pela filha do prefeito. É claro que se o capitão tivesse tomado conhecimento desse desejo incontrolado do assecla, pela moça, com certeza não teria dado a atenção as suas palavras, e nem tão pouco vindo a Mossoró.                                          
Para que o plano de atacar Mossoró desse certo, Lampião tinha alguns bandidos que conheciam bem a região, como: Cecílio Batista, conhecido como Trovão, que em anos remotos havia morado na cidade de Assu, e já era dono de um currículo de maldades junto à polícia; o José Cesário, o Coqueiro, que antes havia prestado serviços em Mossoró. O Júlio Porto, um dos antigos motoristas da firma algodoeira “Alfredo Fernandes”, o Zé Pretinho; e Massilon, que conhecia todas as estradas que faziam chegar à cidade. 

Na agenda de anotações de Lampião nunca foi registrada a possibilidade de algum dia atacar Mossoró, por três razões: 

1 - Não era conhecedor das terras do Rio Grande do Norte, e principalmente Mossoró; 
2 - A padroeira da cidade é a Santa Luzia, e ele apesar de ser um facínora era um dos seus admiradores, e não tinha em sua mente pensamentos guardados para lutar contra ela, depredando e assassinando pessoas que viviam sob o seu olhar;
3 - Era um dos seus lemas: não invadir cidades que tivessem igrejas com duas torres, como a Catedral de Santa Luzia. 

Mas mesmo temendo isso, Lampião e o bando fizeram reunião, no intuito de chegarem a mais desenvolvida cidade do Rio Grande do Norte. 

Não se sabe o porquê de Lampião ter ido à conversa de um aspirante de cangaceiros Mas mesmo assim o rei partiu para a perigosa invasão, sendo os bandos comandados por: Massilon, Jararaca, Sabino Gomes e Vinte e Dois. Mas todos eram subordinados ao estado maior.
O grupo era composto por mais de 50 cangaceiros, que posteriormente, depois da frustrava invasão a Mossoró, a maior parte se desligou do grupo, inclusive Massilon e seu irmão Pinga Fogo, que se debandaram sem nunca mais darem notícias onde estavam morando. 
              
José Mendes Pereira – Mossoró-Rn.
Fonte de pesquisa: 
O cangaceiro Massilon – Alexandre Gurgel.
blogdomendesemendes.blogspot.com