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sábado, 19 de outubro de 2013

ZÉ DO PAPEL E LAMPIÃO - O ínfimo contingente policial fugiu às pressas

Por: Archimedes Marques

Em meados de outubro de 1930 quando o bando de Lampião entrou na cidade de Aquidabã, em Sergipe, o ínfimo contingente policial fugiu às pressas deixando as pessoas totalmente desprotegidas e nas garras dos cangaceiros. Aquele era o retrato da força policial sergipana do então governador Eronildes de Carvalho, filho de Antônio Caixeiro, sem dúvidas, dos maiores coiteiros que o famigerado Lampião teve na sua vida bandida por cerca de 20 anos no nordeste brasileiro.

Zé do papel

José Custódio de Oliveira, o Zé do Papel, em virtude de ser uma pessoa aparentemente de classe privilegiada, de classe média para rica, um pecuarista e proprietário da Fazenda Pai Joaquim, fora abordado por Lampião e dentro da sua residência na cidade de Aquidabã, além de certa quantidade de dinheiro, fora encontrado dez balas de fuzil em uma cômoda, sendo daí interpelado para contar onde estava a arma, pois pela lógica, havendo munição haveria a consequente arma, oportunidade em que o trêmulo cidadão afirmou ter emprestado o mosquetão para o juiz de direito daquela comarca, Dr. Juarez Figueiredo.


Tal fato, provavelmente incutiu na mente de Lampião que a arma fora passada ao juiz, justamente para que ele se defendesse do seu bando, daí, enraivecido com o fato, o chefe do cangaço, irracional e impiedosamente arrastou Zé do Papel ruas acima e em frente a um armazém próximo da praça principal da cidade decepou à golpe de faca a sua orelha, depois do bando ter praticado saques no comércio local e tantos outros crimes de torturas contra pessoas amedrontadas, dentre os quais o assassinato de um débil mental de nome Souza de Manoel do Norte, mais conhecido por Abestalhado, que se fez de corajoso na sua insanidade sacando um pequeno canivete com o qual cortava fumo de corda para fazer seu cigarro de palha e com tal arma teria desafiado os cangaceiros. 


Diante do fato, o sanguinário Zé Baiano partiu em verdadeira fúria contra o pobre do doido ceifando a sua vida a golpes do seu longo e afilhadismo punhal de 70 centímetros, em luta totalmente desigual de um ínfimo canivete em mãos de um doente mental contra um longo punhal em mãos de um feroz e impiedoso cangaceiro. Não satisfeito com o bárbaro assassinato, Zé Baiano abriu a barriga da pobre vítima para retirar gordura e untar as suas armas de fogo. Tal pratica era useira e vezeira quando os cangaceiros eliminavam as suas vítimas e queriam impressionar a população para serem mais respeitados ainda do que já eram.

Consta que Zé do Papel na agonia de sentir o sangue escorrendo pescoço abaixo ainda foi obrigado a beber um litro de cachaça que ao mesmo tempo era usada para estancar o seu ferimento e aliviar a sua dor. Em meio a esse místico de humilhação, crueldade, sangue e cachaça o endiabrado cangaceiro Zé Baiano pegou o roceiro Eduardo Melo e após espancá-lo com o coice do seu fuzil, também cortou a sua orelha seguindo o exemplo do seu chefe. Zé do Papel ainda viveu por muito tempo e viu o cangaço se acabar e seu carrasco morrer, entretanto, o Eduardo Melo não teve a mesma sorte e faleceu cerca de um mês depois da perversidade sofrida.

Assim, Aquidabã viveu o maior dia de terror da sua história. Assim Aquidabã fora vítima das atrocidades dos cangaceiros e para sempre pelos seus sucessores moradores aquele dia será lembrado.  Assim, Aquidabã fora vítima também do próprio Estado que deveria ser o protetor do povo, mas que estava ausente. Ausente pela covardia dos seus policiais que fugiram mato adentro sem esboçarem reação alguma. Ausente pela pouca ou nenhuma vontade política de verdadeiramente se combater o cangaço nas nossas terras.

De tudo isso, por incrível que pareça, a Justiça de Aquidabã, sequer abriu Processo Criminal contra Lampião e seu bando. Teria o juiz Juarez Figueiredo, o mesmo que estava com o fuzil emprestado de Zé do Papel, responsável indireto pela decepação da sua orelha se acovardado para não providenciar qualquer procedimento judicial contra Lampião?...

Por outro lado, em igual modo de impunidade falando, dizem – e a história de certo modo comprova –  que a polícia de Sergipe era uma polícia de “faz de conta”: Fazia de conta que caçava Lampião, e, Lampião por sua vez, fazia de conta que era caçado.

(Delegado de Policia Civil no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

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Zé do Telhado - Parte Final



Por: Guilherme Pereira - Jornalista

Camilo Castelo Branco e o bandoleiro de Portugal Zé do Telhado


O pior viria depois.
  
Derrotado, aconchega a condecoração, tira as divisas de sargento e voa como um pássaro para os braços da mulher e dos cinco filhos. Os vencedores atacaram a canalha. José Teixeira é perseguido, atola-se em dívidas por impostos que não consegue pagar e é expulso das Forças Armadas.
 
Não há quem lhe dê ofício, a todas as portas bateu – todas se lhe fecharam. Assim nasce o Zé do Telhado que faria lenda. 
 
Nesse tempo, Custódio, o “Boca Negra”, capitaneava a maior quadrilha de bandoleiros que aterrorizou as duas beiras em 1842. Conhecia, de gingeira,as façanhas militares de José Teixeira.

Ferido num dos assaltos, “Boca Negra” leva Teixeira a um casario meio abandonado onde se acoitava o bando. Apresentam-se à luz da vela - o “Tira-Vidas”, “O Girafa”, o “Sancho Pacato” o “Veterano” e o “Zé Pequeno”. Para o assalto do dia seguinte, “Boca Negra”, o líder ferido, informa a quadrilha que José Teixeira o substituiria no comando.
A bola de neve cresceu, imparável.
 
Zé do Telhado faz e reorganiza quadrilhas, ganha fama de generoso e audaz pelas vítimas que escolhe para os assaltos e o destino do dinheiro ou das jóias – os desgraçados com que se cruzava e, antes de tudo, a “ minha rica mulher e os queridos filhinhos”,como os viria a chamar, mais tarde, ao companheiro de prisão Camilo Castelo Branco.
 
A fama do bandoleiro atravessa o país. O temido Zé do Telhado emite, aos que estimava, um salvo conduto com a sua assinatura e esta informação:
” O portador deste salvo-conduto pode passar livremente e mando que o ajudem quando for preciso”.
 
Com as autoridades no seu encalço por todo o país, mil vezes o cercaram, mil vezes se escapuliu o tenebroso. Vendo-se perdido, decide fugir para o Brasil. Escondeu-se na barca “Oliveira”, acostada no Porto, onde lhe dera guarida nos últimos três dias Ana Vitória, uma das suas vítimas que passou a idolatrá-lo e sobre quem disse haver pessoas “de bem que nunca deram às classes humildes um centésimo do que lhes deu Zé do Telhado.” Desarmado e a horas de zarpar, Zé do Telhado é preso no esconderijo, a 5 de Abril de 1861.
 
Às dez da manhã do dia 25 de Abril, começa no tribunal de Marco de Canaveses o julgamento de José Teixeira da Silva.
 
No dia 27, às duas da madrugada, o júri, presidido pelo juíz António Pereira Ferraz, considerou Zé do Telhado culpado da prática de doze crimes. Roubos, um homicídio, organização de quadrilha de assaltantes e a tentativa de evasão sem passaporte.
 
“Condeno o réu José Teixeira da Silva da freguesia de Caíde de Rei, comarca de Lousada, na pena de trabalhos públicos por toda a vida na Costa Ocidental de África e no pagamento de custas” – assim determinou o tribunal.
 
O julgamento, sabe-se hoje, foi uma farsa. Uma consulta, ainda que superficial, a todos os documentos oficiais que constam no Tribunal da Relação do Porto e no Arquivo Distrital do Porto não deixam qualquer margem para dúvidas.
 
Alguns dos membros das quadrilhas chefiadas por Zé do Telhado foram arroladas pela acusação e safaram-se. Morgados, padres, administradores e regedores que tinham cometido os mesmos crimes do réu nunca seriam acusados ou perseguidos.
Várias testemunhas de acusação nada viram, de tudo souberam por terem ouvido.
 
Consta do processo que António Ribeiro, pedreiro, ”ouviu dizer que fora o querelado José do Telhado a roubar”. Alexandre Nogueira, comerciante, “não sabe que armas feriram o regedor se as do querelado se as dos sitiantes”. António da Silva, lavrador, “soube pelo ouvir dizer do padre roubado que o Zé do Telhado fora um dos que penetrara dentro da casa armado e isto tem ouvido ao povo”. Manuel de Sousa, lavrador, disse que “ sabe por ser bem público que tivera lugar o roubo de que se trata no dia pela forma que nos autos se declara”. Timóteo José de Magalhães, lavrador, “ disse que sabe pelo ter ouvido ao povo que tivera lugar o roubo de que se fala nos autos”. Francisco Moreira da Cunha, lavrador, “ouviu dizer e ser público e notório que o réu José Teixeira e o irmão estavam para embarcar para o Brasil”.
Só um tiro sairia pela culatra à acusação. Francisco António de Carvalho, lavrador, afirmou que “ o Zé do Telhado pagava crimes que não tinha cometido e ouviu dizer que se havia combinado com o administrador do concelho para imputar os dois crimes de roubo ao Zé do Telhado”.
 
Os quadrilheiros nobres evadiram-se para o Brasil, como sucedeu com o padre Torcato, ou colaboraram com a acusação, a troco da ilibação. O historiador Campos Monteiro analisou os autos e emitiu um parecer a este respeito:
“ É de crer que nesta altura se movimentassem altas influências tendentes a ilibar estas parelhas de bandidos engravatados. O facto é que saíram em liberdade. E é natural que o administrador, ao mesmo tempo que os inocentava, procurasse aproveitá-los ”.
 
O caso da ilibação do Morgado da Magantinha está igualmente documentado nos autos. Após a fuga do padre Torcato, a acusação subornou a testemunha António Eliziário que, perante o juíz, afirmou saber que “Margantinha foi um dia convidado pelo padre Torcato a ir ter à capela de Santa Águeda e, indo ali, o encontrou com alguns membros da quadrilha e quatro bois roubados”, pedindo-lhe “ o padre que tomasse conta dos bois para os vender, mas o Margantinha recusou-se”.
A verdadeira história do mito Zé do Telhado está mal contada, a começar pela data de nascimento que lhe é atribuída – na campa aparece 1815, em vez de 1818 – e culminando no julgamento relâmpago que durou menos de dois dias úteis.
 
Foram subtraídas testemunhas indispensáveis, promovidas declarações falsas e adulterados os critérios de escolha dos jurados. Em vez do sorteio, foram escolhidos a dedo conhecidos inimigos de Zé do Telhado. Condenado ao degredo, José Teixeira da Silva desembarcou em Luanda, seguindo para Malange, onde viveu cerca de um ano.

Palmilhou cada légua das terras da Lunda.

Fez-se negociante de borracha, cera e marfim.
 
Casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos. Cresceu-lhe a barba, até ao umbigo.
 
Era, para os angolanos, o “quimuêzo” – homem de barbas grandes.
 
Viveu desafogado, financeiramente. As saudades da mulher e dos cinco filhos levaram-no mais cedo.
 
Morreu, moído de remorsos, aos 57 anos.
 
Sepultado na aldeia de Xissa, a meia centena de quilómetros de Malange, os negros ergueram-lhe um mausoléu. Hoje, fazem-se romagens à campa do mito.

Os anciãos de Malange dizem que, embora fosse um homem austero, tinha um grande coração e nunca deixava cair um pobre.

P.S.1

O julgamento de Zé do Telhado iniciou-se em 25 de Abril de 1859, com acusação pública em 9 de Dezembro do mesmo ano. Foi condenado na pena de trabalhos públicos por toda a vida, na costa ocidental de África e no pagamento das custas. Esta pena foi mantida pelo Tribunal da Relação do Porto, cujo acórdão de sentença substituíu a expressão "costa ocidental de África", por "Ultramar".

Por acórdão da mesma instância, foi comutada a pena aplicada na de 15 anos de degredo para a África Ocidental, que contou desde a data de publicação do Decreto de 28 de Setembro de 1863.
 
A condenação deu como provados os seguintes crimes: tentativa de roubo, na forma tentada, em casa de António Patrício Lopes Monteiro, em Santa Marinha do Zêzere, comarca de Baião, homicídio na pessoa de João de Carvalho, criado de Ana Victória de Abreu e Vasconcelos, de Penha Longa, Baião, roubo na casa de referida senhora (Casa de Carrapatelo) de objectos de ouro e prata no valor de oitocentos mil e um conto de reis e algumas sacas com dinheiro, cujo valor a queixosa calculou em doze contos de reis, ainda que revelasse desconhecer os montantes visto que o dinheiro se encontrava na casa mortuária onde jazera, poucos dias antes, seu pai, e, após isso, ela ainda nem sequer lá voltara a entrar, roubo em casa do Padre Padre Albino José Teixeira, de Unhão, comarca de Felgueira, no valor de um conto e quatrocentos mil reis em dinheiro e ainda objectos de prata e outro, outro homicídio na pessoa de um correligionário, ferido num confronto com as autoridades.

Para além de outros crimes de roubo e de resistência à autoridade, foi também condenado como autor e chefe de associação de malfeitores e de tentativa de evasão do reino sem passaporte, com violação dos regulamentos policiais.

P.S.2
Este texto será publicado num semanário de circulação nacional, cujo director me autorizou que fosse dado em primeira mão a este jornal.

FINAL
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Meu primeiro e inesquecível Cariri Cangaço

Por: João Paulo de Carvalho
 João Paulo, Manoel Severo e Manoel Moura

Conheci o Cariri Cangaço pelas redes sociais no ano 2011, quando o mesmo já era referência no Brasil como o maior evento do tema cangaço. Naquele mesmo ano conheci pessoalmente seu curador e idealizador, Manoel Severo Gurgel Barbosa, em visita do mesmo ao vizinho Alagoas, especificamente à cidade de Piranhas. Na ocasião, estava acontecendo a Caravana do Cangaço, que visitou vários estados nordestinos tendo como enfoque a presença do cangaceirismo. Naquele janeiro de 2011, fui prontamente convidado por Severo, com quem iniciei amizade sincera e com o qual passei a me corresponder e trocar informações, a participar da 3ª edição do evento que ocorreria em setembro. Entretanto, não foi possível minha participação devido ao nascimento de meu filho Arthur cerca de um mês antes.

Desde então me preparo para a 4ª edição do evento, que eu vislumbrava ser um momento ímpar para estar entre os especialistas no assunto que tanto me fascina e do qual sou um pesquisador iniciante, bem como pela possibilidade de conhecer lugares pelos quais passaram muitos personagens cujas histórias retratadas nos livros me faziam viajar no tempo.


Eis que o grande dia do meu encontro com o Cariri Cangaço chegou: 17 de setembro de 2013. Logo cedo eu estava na estrada: antes das 5 da manhã. Para que este encontro acontecesse foi de fundamental importância a presença do “velho” amigo de N. Sra. das Dores (SE), minha terra, Roberto Pereira de Figueiredo, ele que sempre foi a ponte que eu tive com boa parte das fontes históricas que já pesquisei sobre as dorensenidades, e que eu chamo de “livro tombo” da cidade. Romeiro do Padre Cícero, com quase 20 viagens ao Juazeiro do Norte, Robertinho foi meu guia e instrutor nos caminhos nunca antes desbravados até o Crato (CE), onde ficamos hospedados.

Durante os sete dias nos quais o Cariri Cearense me recebeu pude descobri quão gentil e amigo é povo do Ceará, pude rever amigos como Archimedes Marques e sua sorridente esposa Elane, João de Sousa Lima, Manoel Severo, dentre outros. Pude também conhecer novos e “velhos” amigos, como o Prof. Pereira (com o qual me comunicava há tempos enquanto cliente, mas que não conhecia pessoalmente) e sua simpática esposa Fátima. Com este casal, certamente, nasceu um amizade duradoura. Amizade duradoura que também se repetirá com o “cangaceiro” Aristides Camargo, o Ari, sempre disposto a ajudar e com quem dialoguei muito durante estes dias. Ele foi o embaixador do Ceará, nunca hesitando em dar-me informações quando eu desejava conhecer um pouco mais a história e a cultura local.

Penintentes na noite Cariri Cangaço em Aurora

O Cariri Cangaço 2013 uniu num só objetivo mais de 163 pesquisadores de 18 estados brasileiros. Este objetivo ficou bem claro na abertura do evento, não era fazer apologia ao crime e à violência, mas uma louvação à cultura nordestina. Afinal, nem só de cangaço foi o evento... Não faltou religiosidade (com a devoção ao Padre Cícero, a festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio em Barbalha, os Penitentes de Aurora, Antônio Conselheiro etc), banda cabaçal (que aqui em Sergipe chamamos de banda de pífano), fanfarra etc.

A preocupação que eu vi nos gestores das cidades visitadas em preservar o patrimônio histórico e cultural das mesmas me deixou com um quê de inveja. Afinal, esta é uma forma de gerar emprego e renda à população através do turismo, o que já é uma realidade no sertão sanfranciscano de Alagoas, Sergipe e Bahia, como deixaram bem claro João de Sousa de Lima e Jairo Luiz em suas conferências ministradas durante o evento. Segundo dados levantados por este último, em Angicos (Poço Redondo-SE), são 30 mil visitantes por ano. Já em Piranhas-AL, o turismo histórico gera 725 empregos diretos e 2175 empregos indiretos.

Conhecer a Chapada do Araripe foi um capítulo à parte. A beleza das fontes de águas medicinais do Caldas, em Barbalha, a 780m de altitude, não sairá tão cedo de minha memória. Neste local, desfrutamos das conferências do Dr. Lamartine Lima (sobre a antropologia criminal das cabeças de vários cangaceiros, dentre eles Lampião) e da Dra. Maria Thereza Camargo (sobre plantas medicinais utilizadas na época do cangaço). Profa. Maria Thereza Camargo, que figura extraordinária! Tive a felicidade de ficar hospedado no mesmo hotel que ela e de partilhar momentos de muito aprendizado. Dialogamos bastante sobre história e sobre seu fascínio pela cultura nordestina. Para a gentil professora, vinda de São Paulo, frequentadora e estudiosa assídua do Nordeste, e do meu Sergipe, aqui está o Brasil autêntico. Eis mais uma amizade construída no Cariri Cangaço 2013.


Falando em pessoas fascinadas pela nordestinidade, o Cariri Cangaço me proporcionou ainda momentos de diálogo e aprendizado, nos intervalos das programações oficiais ou durante os deslocamentos para algumas das sete cidades-sede, com outros apaixonados pela minha região, sua história e sua cultura. Profa. Luitgarde Barros, estudiosa do cangaço e do Padre Cícero, para quem o Nordeste deu ao Brasil alguns dos seus grandes intelectuais (do quilate de José de Alencar, Gilberto Freyre, Josué de Castro etc) que puseram o Brasil no patamar de destaque no mundo, mas que precisa de um maior engajamento dos intelectuais da atualidade em prol da preservação das tradições culturais nordestinas. Antônio Amaury Correia de Araújo, o maior pesquisador do cangaço, com o qual pude conversar sobre suas vindas a Nossa Senhora das Dores e tirar dúvidas sobre o “Fogo do Salobro”, que envolveu o bando de Zé Sereno e a volante de Baltazar em 1937. Neli Maria da Conceição, a mineira Lili, filha dos ex-cangaceiros Moreno e Durvinha, foi outra apaixonada pelo Nordeste que o Cariri Cangaço me permitiu conhecer.

Não poderia deixar de ter sentido que faltava uma peça na engrenagem dos fascinados pelo cangaço e pelo Nordeste. Era o “Caipira de Poço Redondo”, meu conterrâneo Alcino Alves Costa, que tanto cantou nosso sertão e que há menos de um ano partiu para o encontro com o Pai Celestial. Justa, sincera e bonita foi a homenagem que lhe fizeram todos os participantes do Cariri Cangaço, representados por Ivanildo Silveira, Luitgarde Barros, Juliana Ischiara e Manoel Severo, no dia 19 de setembro, no Juazeiro. Foi emocionante conhecer melhor sua história de vida, sua obra (uma referência) e como este sergipano é querido por todos. Juliana e Severo, foi difícil conter as lágrimas!

Crato, Juazeiro, Barbalha, Missão Velha, Aurora, Porteiras e Barro cidades anfitriãs do evento mostraram como a parceria, a somação de esforços, é importante para o sucesso do Cariri Cangaço. Entenderam, também, a mensagem que ficou durante esses seis dias, a preservação pode ir além do “apenas” conhecer o passado, mas também pode mudar o presente, gerando emprego e renda para seus jovens, contribuindo para o exercício da cidadania e para a autonomia das pessoas. Que se faça logo a “Rota Turística Cariri Cangaço”!

Crato, anfitrião do últido dia de Cariri Cangaço

No último dia de programação do 4º Cariri Cangaço, após conhecer vários lugares de memória que marcaram a vida de cangaceiros (o “quartel general” de Sinhô Pereira no Ceará e o local dos fuzilamentos do Alto do Leitão, em Barbalha, só para citar alguns), coronéis (como Isaias Arruda de Missão Velha e Aurora) e “coronelas” (como Marica Macedo do Tipi), foi a vez do Crato encerrar a festa, com lançamento de livros, apresentações culturais e exibição da imperdível “Sedição do Juazeiro”, um filme genuinamente nordestino que em breve será transformado em minissérie e exibido para todo o Brasil.

Antes de me despedir do Ceará, entretanto, fui ao Horto (em Juazeiro do Norte) conhecer mais de perto a religiosidade do povo nordestino e sua profunda devoção ao “santo do Juazeiro”, a quem rezei em agradecimento por aqueles dias inesquecíveis. Aos 22 de setembro de 2013, às 10:30h terminava minha caminhada nos sertões do Cariri e, ao embalo de Luiz Gonzaga (um dos maiores nordestinos de todos os tempos), iniciava-se meu retorno ao agreste sergipano. 

Viva ao Brasil de Alma Nordestina!
Viva ao Cariri Cangaço!
Que venha logo a 5ª edição!

Abraço de gratidão a todos,

João Paulo Araújo de Carvalho
Professor, Sergipano, Estudante do Cangaço

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Encontro com Minha Cultura...

Por: Felipe Diniz
Visita do Cariri Cangaço a Fazenda do Major Zé Inácio em Barro

Dezesseis anos atrás tive minha primeira experiência com há cultura do  cangaço a partir da  pesquisadora e cangaceira Diana Rodrigues, ao qual me fez um convite para participar do Grupo Infantil de Xaxado Luiz  Pedro da cidade de Triunfo –PE. Nossa missão: Difundir a cultura nordestina pelos quatro cantos do Brasil trabalho por sinal muito bem feito e até hoje executado. Fiquei encantado naquele tempo com a pequena história contada e a rica cultura do cangaço.

Anos passaram e a minha curiosidade só aumentava, então comecei indagar: quem era Lampião?  O que ele representou para nossa região?... Essas e muitas outras perguntas, foram estreitadas quando recebi o convite do amigo e conterrâneo triunfense André Vasconcelos, para participar do Seminário Cariri Cangaço 2013. Ali percorri os caminhos de Lampião e seu bando, escutei quem mais entendia do assunto como o ilustre Antônio Amaury, Paulo Gastão, Manoel Severo idealizador do Cariri Cangaço e muitos outros. Foi uma experiência maravilhosa e posso falar que foi um encontro com minha cultura, histórias  espetaculares que aconteceram no terreiro da minha casa e que nunca foram contadas nas escolas que passei.

Parabéns Família Cariri Cangaço pela contribuição e a conservação da nossa história, em especial um forte abraço ao amigo Cangaceiro Severo pelo carisma e competência naquilo que faz.

Atenciosamente:

Felipe Diniz.
Administrador Do Centro de Expansão (CEEDVAM).

Fundação Pe. Ibiapina/ Diocese do Crato.

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Como conseguir ver os artigos não lidos do mês de outubro

Blog do Mendes & Mendes

Como o nosso blog está cheio de problemas, e para o leitor conseguir ler artigos do mês de Outubro que não os  leu ainda, porque  desapareceram da página principal, na coluna ao lado esquerdo do blog, já no final, tem: "ARQUIVOS DO BLOG", e lá você encontrará todos os textos publicados deste mês de Outubro, e não é difícil encontrá-los. Basta clicar.
Desculpa-nos amigo leitor, a falha não é nossa.

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Frases do rei Lampião


1 - "Que negro bom para uma enxada." 

Obs.: Aqui, Lampião confessa todo seu preconceito racial. Ele examinava as mãos de um juiz de Direito no interior da Bahia, por duvidar que ele era mesmo uma autoridade, pelo fato de ser negro.

2 - "Dinheiro eu tenho que só bosta de cabra em chiqueiro velho." 
 
Obs.: Frase dita a um morador de uma pequena cidade de Sergipe que estranhou a quantidade de dinheiro que Lampião carregava.

3 - "Diga a ele que eu não tenho medo de boi velhaco, quanto mais de bezerra."

Obs.: Recado enviado ao tenente João Bezerra, o homem que o matou em Angico.

4 - É Lampião que vai entrando, amando, gozando, querendo bem. Bom cumo arroz doce tando carmo. Zangado é salamanta." 

Obs.: Frase pronunciada em Capela (SE).

5 - "Lá vem os macaquinhos. Vamos pegar para criar que eles são bonitinhos." 

Obs.: Provocação referindo-se aos soldados, que os cangaceiros chamavam de macacos.

6 - "Num sei pruquê eu nunca vi home corado na minha frente." 

Obs.: Dito em Queimadas, na Bahia, enquanto sangrava (enfiava o enorme punhal na fossa clavicular) sete soldados da polícia.

7 - "Quando cubro um macaco na mira do meu rifle, ele morre porque Deus quer; se Deus não quisesse, eu errava o alvo." 

Obs.: Expressão jocosa, em frente a um bar na Bahia.


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