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terça-feira, 12 de agosto de 2014

A QUINTA MORADA DE CORISCO


Finalmente em 1977, após a aquisição de um jazigo perpétuo no Cemitério Quinta dos Lázaros em Salvador, o descanso do Guerreio com toda ossada junta. 

- Como foi Dadá, conte aí?:

Corisco e Dadá

"- Foi àquela burocracia cabeça e braço num lugar, ossada que eu trouxe de Miguel Calmon do outro, eu fui em tudo, no Exército, nas Quintas, repartições. Só o Exército autoriza o enterro do cristão. Falei com a mulher do Governador e consegui o enterro decente. Queria uma coisa simples, nada de recepção. Na hora que colocaram a cabeça e o braço juntos dos ossos, parece que o mundo tremeu. Todo mundo ficou olhando pra mim, chorando todo mundo. Jorge Amado fazia pena.

Escritor Jorge Amado

Foi um choque para todos, um remorso bateu. Só assim ele ficou em paz, pois era muito contrito com Deus. Ele chamava muito por Nossa Senhora. Colocamos na carneira uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, uma cruz de mármore e aquele ramo escrito Cristino Gomes da Silva Cleto".

Fonte: facebook
Página: Corisco Dadá

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Coroné Pereira

Por José Mendes Pereira

Eu soube através do radialista Collins Aquino que o nosso amigo Antonio Pereira de Melo "Coroné Pereira", como é conhecido em Mossoró e por todas as cidades adjacentes, que durante muitos anos foi líder de audiência, comunicando no rádio mossoroense, com os seus programas: Show de Comunicação, Românticos do Povo, Tarde Sertaneja, O Trem da Alegria (este último criado pela radialista Aunice Marques); encontra-se em um dos leitos da UTI em Mossoró, no Hospital Wilson Rosado, onde se submeterá a uma cirurgia de Ponte Safena.

 
Caby Costa Lima e Coroné Pereira

Trabalhei na mesma empresa com o coroné Pereira nos 60 e 70, sendo que ele era controlista da Rádio Difusora de Mossoró, e eu era tipógrafo da Editora Comercial S/A. Posteriormente Antonio Pereira de Melo - coroné Pereira passou a ser locutor, através da radialista Aunice Marques.

  Coroné Pereira- Rádio Difusora – 1969 - http://www.azougue.org/conteudo/dobumba139.htm

Esperamos que a sua cirurgia seja bem sucedida, e que Deus e Jesus estejam presentes nesse  momento de reparos de artérias.

Edmilson Lucena, Coroné Pereira e Tota – Enchente 1974  http://www.azougue.org/conteudo/dobumba139.htm.

Há poucos dias ele me falava sobre a sua função como locutor, e que agradece muito a radialista Aunice Marques, que criou o programa "Trem da Alegria", organizou e o entregou.

Coroné Ludugero e Otrópe -  Fonte do texto e foto: http://www.forroemvinil.com

Sobre o apelido "coroné Pereira" também foi uma criação da Aunice Marques, e nesse período, o humorista coroné Ludugero fazia sucesso por onde passava com este nome artístico. Daí, surgiu a criação de coroné Pereira. O coroné Pereira nunca perdeu a simplicidade, parece que os amigos de ontem são ainda os de hoje. 

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LAMPEÃO

Por João Rabelo

Sentando-se numa pedra colocada entre as redes dos dois interlocutores, Joramor indaga:

- Alguém dos senhores conhece, de vista, Lampeão?

- Passou diversas vezes na nossa propriedade, fugindo dos “macacos”.

- Dizem ser ele malvado, enquanto outros afirmam tratar-se de um sujeito temente a Deus, caridoso, que tira do rico e dá aos pobres.

Olhando em seu derredor, Joaquim, um dos interlocutores, voltou-se para o companheiro, na outra rede, e disse:

- Conte você, Zé, que tem mais jeito do que eu para estas histórias, é lido e corrido.

José Pequeno, meio desconfiado, como demonstrou o companheiro, perguntou:

- O senhor não é o que trabalha com o engenheiro?

- Sou.

-Quer dizer que não é daqui e por isso não conhece a vida de Lampeão e dos seus bandos?

-Realmente. Sou de fora e muito me interessa ouvir a respeito de tão discutido homem.

- A primeira vez que vi Lampeão foi quando ele atravessou o Rio São Francisco, passando para o lado de cá. A minha propriedade fica na beira da estrada que vai do Carira a Cipó de Leite. Eu faço feira no Carira e duas ou mais vezes por semana vou à Rua (cidade) comprar querosene, chumbo e pólvora para minha espingarda, ou mesmo para beber uma pinga com os amigos. 

“Aconteceu que, numa destas vezes, já à tardinha, quando pensava em voltar para casa, ouvi certo rebuliço na Rua e perguntei o que era aquilo...”

Joramor notara que o Zé sabia fazer uma narração com tanta precisão, como se tivesse decorado. Também observava que usava uma linguagem desenvolvida, naturalmente fruto de convivência que tinha com os habitantes da Rua, como ele chamava.

- Me disseram: "- Então você não sabe ainda?” Não, respondi. – “É Lampeão que está no curral do açougue.” 

"Ainda que muito falado, o nome de Lampeão não me pareceu tão grande como achavam as pessoas que ainda estavam na bodega de Seu Zezé Martins.”

“Saindo da bodega, acompanhei algumas pessoas que seguiam para a Rua Nova e escutava, de vez em quando, alguém dizer: “Seu Felismino Dionísio, o Delegado, recebeu um bilhete do Capitão, comunicando que ia entrar na Rua.”

“Quando cheguei na casa do Delegado Felismino, encontrei lá muita gente e ele no meio, mostrando a cada um o bilhete que recebera e que estava assinado por Virgulino Ferreira. Estava escrito de lápis, num pedaço de papel do tamanho desta folha – e mostrou uma folha seca, caída ao chão, de uns oito centímetros de tamanho, por cinco ou seis de largura.

“A letra não era feia não, moço. Eu li o bilhete todinho. Dizia que ia entrar, mas pedia o consentimento do Delegado e este estava então consultando os amigos como deveria fazer. Alguém aconselhou que primeiro devia falar com o comandante do destacamento.

“Seu Felismino foi até o quartel do destacamento, que contava com um cabo e cinco soldados, mas quando chegou lá não encontrou ninguém. Tinham saído e levado o armamento e munição. Com medo de que os soldados quisessem enfrentar os bandidos e estes se vingassem na população, o Delegado consulta, novamente, os amigos.

“-Olhe, Felismino - disse um - segundo a vizinha informou, os soldados seguiram na direção da Baixa da Tapioca. Lampeão vem pelo outro lado. Acredito que os soldados se ausentaram com o objetivo de deixarem a Rua livre.

“Verdadeira procissão acompanhou o Delegado, naquela tardinha, bem clara, em direção ao curral do açougue. Todos queriam conhecer o afamado Capitão Lampeão, autor de muitas façanhas, todas elas causadoras de luto e lágrimas.”

“E assim foi a primeira visita ao Carira e ao Estado, pelo grupo, que se compunha de oito homens, inclusive o Capitão e Volta Seca, rapazola que não podia sequer com o fuzil e, por isso, usava um rifle papo amarelo. Também Curisco, chamado de Diabo Louro, fazia parte do grupo, de quem se contava agilidade e valentia.”

Permaneceram até altas horas da noite, jantaram na casa do Delegado e beberam conhaque Cavalinho nas diversas bodegas e, depois de arrecadarem pequena importância em dinheiro, seguiram viagem para o incerto, o indeterminado, o mundo da aventura, do crime.

- E a população do Carira não sofreu nenhum dano físico ou Material?

O narrador sabia, como bem o disse o companheiro, contar história e era mesmo inteligente e versado. A pergunta de Joramor, respondeu prontamente.

- Não, nenhum mal fez. Falou-se dias depois, que um certo negociante cogitara, com outros companheiros, de atacar o grupo de surpresa, quando o estado quase de embriaguez se manifestava. Isto não foi confirmado.

- Depois voltaram a Carira?

- Sim, no mesmo ano de 1929, meses depois. Só que desta vez não comunicou ao Delegado. Quando o dia amanheceu, a população tinha o grupo pela frente, agora de dez homens, dentro do povoado e por ele sabendo terem sido sangrados três pessoas nas imediações de Serra Negra, e exibiam os punhais, de cerca de oitenta centímetros, em forma de espeto de três quinas, ainda sujos de sangue.

Dessa segunda entrada, a população como se comportou?

- Mais apavorada do que da primeira vez, sabendo o que ocorrera na véspera, em Serra Negra. Não fizeram mal a ninguém. Comandava o destacamento policial um cabo, preto, que gostava de caçada e era bom atirador. Quando os bandidos foram embora, o cabo arrotou que fora impedido pelo comerciante Francelino Gordo, de atirar em Lampeão, que estava sob a mira do seu fuzil, lá no fundo da bodega de Balbino, no momento em que levava à boca um copo do seu preferido conhaque Cavalinho. Francelino negou-se a confirmar a bravata e ninguém o vira em tal local.

- Qual a roupa e equipamento que traziam ou trazem consigo?

- É, compadre, este moço ta querendo sabe de muita coisa!

- Não vejam, meus amigos, outro desejo ou intenção de minha parte, senão conhecer tais fatos e detalhes, pois não sou daqui e é esta a primeira vez que ouço falar a respeito e com tal conhecimento, creiam-me.

- Acredito no que você está dizendo. Mesmo porque não estou falando nada de mal. Estou contando o que se passou.

- Bom, isto é verdade. É que, compadre, como senhor sabe, a gente sofreu o que sofreu e ainda temos gente nossa lá e temos de voltar um dia.

- Eles andam vestidos de blusa de mescla azul, abotoada até o pescoço; usam culote do mesmo pano ou de cáqui; calçam alpercatas de couro bem tratado e curtido; usam meias de algodão. Como armas, o Capitão Lampeão carrega um mosquetão, com a bandoleira enfeitada de medalhas e moedas de prata; usa dois parabenuns, um punhal de quase um metro de tamanho, atravessado na frente, preso na cartucheira da cintura. O equipamento se compõe de dois embornais de mescla azul, enfeitados de sutaches brancas, formando artísticos desenhos, pesos aos ombros por meio de largas tiras do mesmo pano e igual enfeites, ombros protegidos com pequenos cobertores de lã. Metade dos embornais está cheia de balas de fuzil, a granel. Sob a contura, uma cartucheira cheia de pentes de bala de fuzil e outra, mais estreita, de balas de parabélum, artisticamente bordadas com tiras brancas de pelica; uma bolsa de couro, também conhecida como fogosa, muito bonita, com fechadura de metal, carrega, como dizem os filhos da candinha, a fortuna em dinheiro e joias.

-Tal equipamento deve ser muito pesado para um só homem conduzir, não é mesmo?

--realmente, contudo eles estão acostumados. Tive ocasião de apalpar os embornais. Dizem que o equipamento completo pesa mais de trinta quilos.

- Naturalmente que, para dormir ou tomar banho, tem que tirar tudo.

-Geralmente só tira quando estão em acampamento seguro. Fora disto, dormem assim mesmo, encostados em árvores e nunca tomam banho. O mau cheiro do corpo, abafado muitas vezes pelos perfumes que derramam na roupa, forma ou produz uma espécie de inhaca.

- Ouvi falar que as forças que os perseguem, em muitas coisas a eles se assemelham, é verdade?

- Os trajes e equipamentos, muitas vezes se confundem. Até mesmo o cabelo comprido, como de mulher, muitos dos contratados usam. Posso até afirmar, aqui para nós e que ninguém nos ouça: às vezes são piores do que os bandidos.

- Aqui em Sergipe, quais outros lugares onde os bandidos passaram? 

- Estiveram no Carira duas vzes e se lá não voltaram mais, foi porque o povo resolveu reagir, armando-se com o fim de não deixa-los entrar novamente. Tiveram no saco do Ribeiro e, de lá, Lampeão telefonou para Seu Dorinha de Itabaiana; foi o que ouvi dizer. Estiveram até na cidade de Capela, que fica na Cotinguiba e tem estrada de ferro. Em outros lugares tentaram, mas o povo reagiu. Estiveram ainda em outros, que assim não me recordo.

O fogo há muito se tinha apagado; os dois filhos de José Pequeno dormiam a sono solto; somente Joaquim bocejava, em luta com o sono, quando deles, Joramor se despediu.


Almas Torturadas. Rio de Janeiro, 1967. João Rabelo. Páginas: 75/80. Capítulo XIII.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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XII JORNADA CULTURAL DO MUSEU DO SERTÃO


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Aniversariante Antonio Vilela de Souza


Hoje é o aniversário do professor, escritor e pesquisador do cangaço Antonio Vilela de Souza.


"- Hoje estou apagando mais uma vela da vida, uma vela de pai, filho, esposo e amigo. Com orgulho estou ao lado da cangaceirinha Neli e do Capitão cangaceiro Dr. Ivanildo Silveira, e a minha pessoa representa a briosa Polícia Militar que combateu o famigerado Lampião. Obrigado meu Deus por mais um ano de Vida!".

Todos nós que mantemos o http://blogdomendesemendes.blogspot.com atualizado, desejamos-lhe muita saúde, paz, prosperidade, felicidade, harmonia entre família e amigos, e que Deus lhe dê a chance de comemorar muitos e mais anos de vida rodeado de filhos, esposa, parentes e amigos.

Amigos do http://blogdomendesemendes.blogspot.com

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JOÃO FERREIRA, IRMÃO DE LAMPIÃO.

Por José Mendes Pereira
Foto de Virgulino Ferreira DA Silva - facebook

Este é o João Ferreira dos Santos, irmão dos cangaceiros Lampião, Livino, Antonino e Ezequiel Ferreira. Além dele, Lampião tinha quatro irmãos homens cangaceiros, mas o João Ferreira dos Santos não quis entrar para o cangaço. 

Mesmo não tendo vestido as roupas coloridas e enfeitadas do cangaço, João Ferreira dos Santos foi preso e maltratado pelos policias que perseguiam os seus irmãos. Ele era o 4º filho homem do casal José Ferreira da Silva e dona Maria Sulena da Purificação.

 Antonio Ferreira da Silva - Segundo informação do pesquisador Rubens Antonio, Antonio Ferreira da Silva era mais perverso do que o próprio Lampião - Fonte: cangaconabahia.blogspot.com

Segundo os historiadores e pesquisadores Antonio Ferreira da Silva era o filho mais velho do casal, mas ele não era filho de José Ferreira da Silva. 

Quando José Ferreira casou com Dona Maria, ela já era mãe de Antonio, filho de um fazendeiro lá de Serra Talhada. A terra em que o casal e os filhos moravam foi doada pelo próprio fazendeiro, como se fosse uma indenização à dona Maria Sulena da Purificação.

Pela foto, nota-se que João Ferreira dos Santos (não sei o porquê dele assinar o seu nome com Santos) não foi cangaceiro, mas o seu olhar era perigoso, carrancudo...

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O cangaceiro Candeeiro


O senhor Manoel Dantas Loyola, ex-cangaceiro do bando de Lampião – o “Candeeiro”, lá da cidade de Buíque em Pernambuco disse aos grandes historiadores 

Os pesquisadores Paulo Gastão e Aderbal Nogueira

Paulo Gastão e Aderbal Nogueira, que Lampião ao atravessar para Alagoas (ainda em Pernambuco), com sentido a Sergipe, disse: "-

Grupo de cangaceiros da Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.

 “- Eu tô com vontade de ir pra Minas, e vou avisar aos meninos quando tiver lá do outro lado, combinar com os meninos que quem quiser e comigo bem, quem não quiser, fique, que a viagem é meio pesada."

Fonte: facebook

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Cariri Cangaço em Nazaré

Por Manoel Severo

Manoel, Euclides, Odilon, Hidelbrando; a famosa família Flor; Davi Jurubeba, João Gomes de Lira, Manoel de Sousa Neto e tantos outros... Nomes eternizados na história por sua bravura, destemor e coragem na luta contra o cangaceirismo, notadamente dos "filhos de Zé Ferreira": Virgulino, Antônio, Levino...

A mais famosa vila da história do cangaço: Nazaré; guarda entre suas pequenas ruas, capela e casario antigo, remanescências de uma das mais ferozes guerras do sertão, quando as famílias Ferraz, Sousa, Gomes e muitas outras do solo castigado da antiga Carqueja deram inicio a mais abnegada perseguição que se tem noticia de todo o ciclo do cangaço. Na mira dos bacamartes dos Nazarenos: Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião.

Zezinho, Netinho, Fernando, Euclides Neto, Manoel Severo e Ulisses Ferraz

Neste último mês de Julho, a Caravana Cariri Cangaço, teve a oportunidade de revisitar Nazaré. Fomos anfitrionados mais uma vez pelos amigos e confrades; Euclides Neto, seu pai Ulisses Ferraz; Hildebrando Neto, Netinho; Fernando Ferraz, José Nogueira Sousa, Julinho, entre outros integrantes da família Flor, além dos companheiros Paulo George e Jonatan Pires de Belém do São Francisco.

Andar pela mística Nazaré é como se pudéssemos ser transportados no tempo até os idos de 1919, 1920... Viver novamente os primeiros desentendimento entre o velho João Flor e os irmãos Ferreira; o polêmico episódio do casamento da prima de Virgulino, Licor; os primeiros combates, o tiro e a prisão de Levino, o recrutamento dos meninos de Manel Neto... Tudo parecia passar ali, na nossa frente, sob o sol abrasador daquela tarde de julho...

Cemitério de Nazaré, campo santo onde repousam os restos mortais dos valentes Nazarenos


Manoel Severo, Fernando Ferraz e Julhinho

O almoço ciceronizado por seu Ulisses Ferraz nos permitiu enveredar ainda mais nas histórias daqueles lendários homens que dedicaram toda sua vida ao combate a Lampião. Seu pai, Euclides Flor, irmão dos não menos lendários, Odilon e Manoel Flor, estiveram ao lado de seus primos e parentes nos mais emblemáticos combates do cangaço de toda a história, como Serra Grande e Maranduba, esse último, cenário dos mais tristes para a memória dos Nazarenos.

Manoel Severo e Ulisses Ferraz

Caravana Cariri Cangaço em Nazaré
Paulo George e Manoel Severo

A capela, as ruas, a pracinha; os monumentos aos heróis de Nazaré, todos ali; reverenciados de forma solene pelo solo que foi berço. No pequeno cemitério do lugar, repousam muitos desses que fizeram história contra Lampião. Entre uma história e outra, a visita às casas onde fizeram história esses homens, "aqui era o salão de Euclides Flor, aqui eles promoviam os bailes e só entrava de palito, até o prefeito de Floresta foi barrado por Odilon Flor" confirma Hildebrando Neto.

Serra Vermelha
Fernando Ferraz, Manoel Severo e Euclides Ferraz Neto
Hildebrando Neto, Manoel Severo e a memória dos filhos de João Flor

 Euclides Neto, Ulisses Ferraz e Manoel Severo

Euclides Neto, ressalta o empenho que a família está desenvolvendo na criação de um museu, tendo a frente a Associação dos Combatentes das Forças Volantes de Nazaré, "ainda temos muito material e é necessário sensibilizar as família para doarem ao museu, dessa forma, a memória e a história dos nazarenos ficará preservada". Poderíamos passar ali o resto dos dias, o resto do mês, colhendo daqui e dali, fragmentos desta verdadeira saga; infelizmente precisávamos seguir com a Caravana Cariri Cangaço, mas ficou uma certeza, Nazaré permanece mais forte do que nunca e essa força, certamente ninguém jamais irá lhe tirá.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

PAULO AFONSO E OS VELHOS MOTOCICLISTAS

Por João de Sousa Lima
Manoel Messias e João de Sousa Lima

OS VELHOS MOTOCICLISTAS DE PAULO AFONSO

Centenas de motocicletas cruzam as ruas de Paulo Afonso, tanto pela a atração e sensação de liberdade que exerce sob a juventude, passando pelo modismo e tanto ainda pela alta economia de locomoção motorizada.


Muitos se definem como “Motociclistas” e taxam os menos responsáveis no trânsito como “Motoqueiros”. Com o surgimento dos motos taxistas e as motocicletas de baixas cilindradas a cidade ganhou um verdadeiro exército de motos cruzando suas ruas, os bairros e povoados e os hospitais viram crescer seus pacientes acidentados, tanto sendo guiadores de motos ou como pedestres.

Padre Lourenço

Dos acidentes de motos que tantas vidas ceifaram a mais trágica e que deixou a cidade de luto, causando uma tristeza generalizada, foi a do Padre Lourenço Tori, acontecida no dia 03 de fevereiro de 1973, quando uma caçamba passou por cima dele e sua moto.

Solon Siqueira

A morte de Padre Lourenço tocou a todos, adultos e crianças, como uma notícia trágica da perda de uma pessoa tão querida e amada.

Há tempos a cidade realiza um dos mais importantes eventos de motociclismo no Brasil.

Dentre os vários moto clubes existentes na cidade, oficialmente o Moto Clube Cavalo Doido foi o pioneiro como instituição criada com estatuto, em 17 de junho de 1998. Muitos outros grupos surgiram depois, tais como: Asas da liberdade, Grilo do Asfalto, Rota da Energia, Clandestinos do Asfalto, Pitbull do Asfalto, Águia livre Moto Família, Guerreiros da Ilha, Águia Negra, Dragões Templários, Abutres, Maluco Beleza e Falcões da Ilha. Também tem as motos trilhas: Kalango Louco e Bicho do Mato

João Mariano

O Moto Clube Cavalo Doido começou um evento na cidade como Moto Energia e agora em 2014 a prefeitura realizou um encontro como Moto Paulo Afonso.
      
Apesar de todos esses grupos constituídos e dos festivos encontros acontecidos a história do motociclismo em Paulo Afonsocomeçou muito antes com um grupo de carpinteiros da CHESF que trabalhavam na “Nova Brasília”. Foi o auge das velhas “JAWAS”, com seus motociclistas usando Calças “Coringa”, óculos Ray-Ban “Aviador” e Chapéus de Massa.
     
JAWA

Os primeiros motociclistas reunidos na Carpintaria da CHESF eram antes de tudo artistas na arte de criação de peças em ferro, aço e alumínio e muitas peças das motos eram confeccionadas por eles e muitos deles realizavam trabalhos mecânicos.  Podemos citar entre tantos motociclistas pioneiros que eram da Chesf como também profissionais anônimos da cidade, tais como: Irineu “Brabo” (pai de Gilvan da Prefeitura e Juvenal: que foi um dos talentos musicais descoberto no Coliseu Show), Miguelzinho da Oficina, Ulisses, Alceu, Jonas, Ocílio, Raimundo Carpinteiro, Rocha, Seu Luizinho “Frezador”, Manuel Galdino, Manuel Bundinha, Seu Odilon, Branco, Otávio, Seu Nelson, Aluísio, Manuel Messias, João Mariano, Antonio Galego, Ferrugem, Zuza, Zé da Geladeira, Simeão, João Batista (relojoeiro), Sólon Siqueira de Lima (pai da Nael da Retífica), os irmãos dentistas: Dedé e Duda, Joaquim do Couto, Rocha, Zé Pimenta, Jeová, Cirilo, Simeão, Reginaldo da Aviação, Zito, Zé Bico Fino, Erasmo Quixaba, Neco Relojoeiro,  Rocha, Zé Pitó, Manuel Messias do DNER,  Zé Cearense, Milton Relojoeiro,  Dom Ratinho, Juarez Eletricista, Beneval Teixeira, Manoel Teixeira, Vítor Relojoeiro.

JAWA

Os grandes mecânicos foram: Gama, Branco, Dedé Dentista, Seu Luizinho e Irineu.

Branco além de mecânico confeccionava descargas, manetes, coroa e pinhão.

Um dos motociclistas folclórico é o Zé do Fogão, conhecido como o "Vei do Fogão", que realizou dentre outras coisas a famosa passagem por entre arcos de fogo. O cinegrafista que realizou essas imagens em Super 8 mm foi o Osvaldo Maciel.

JAWA

As famosas JAWAS “Monark” CZ 125, 150, 175 e 250, fizeram grande sucesso, mais além das motos surgiram às famosas “LAMBRETTAS” LI Stand e LD Luxo e as “VESPAS” M3 e M4 que se transformaram em “modismo” nas décadas de 1950 e 1960.

Jawa de Manoel Messias 

Os que marcaram época com suas vespas e lambretas foram: Aldetino (o Cabra da Lambreta), Tico da Oficina, Pedrosa, Severino Cangainha, Manuel Barros, Gama, José Mariano de Lima (Caneco Amassado), Paulo da Lanchonete, Mozart, Pedro Neto,  Gogó, Lourinaldo Relojoeiro, Adonias, Maninho, Ananias Eletricista, Manoel José, Aristóteles do Riacho, José Manoel, Chiquinho Enfermeiro, Eronildes, Israel, Vivaldo, Raimundo Enfermeiro, Pedro Santos, Gordinho da Bicicleta, Farrone,  Zé Cabeça Branca, Zezito de Antonio Exalto, , Valter do Tingui, Ratinho do Cinema, Sebastião do Posto, Zé Rildo, Diniz da Rádio, Cláudio Xavier, Agenor, Messias do Caminhão, Brito, Éder Napoleão, Benedito, Osmar, Sandoval, Zé Bucho, Gilberto da Acalanto.
       
Uma viagem memorável realizada em duas JAWAS aconteceu com os dois irmãos dentistas Duda e Dedé. 

Moto Jawa

Dedé se encontrava em São José do Egito, Pernambuco; Duda viajou de Paulo Afonso pra encontrar o irmão e lá tentar comprar uma moto JAWA.  Os dois irmãos se dirigiram pra Patos na Paraíba e lá compraram uma moto Syster. Os irmãos vieram pra Paulo Afonso nas motos e quando chegaram em Monteiro Dudatrocou a moto  Syster em uma Royal. Quando chegaram nos “Grossos” a moto Royal partiu ao meio e quase que Duda morria no acidente. Um conhecido chamado Mansula socorreu o ferido e Dedé Santos consertou a moto do irmão. Colocaram a moto em uma caminhonete e chegaram a Paulo Afonso. A viagem acontecia pela famosa “Reta do Mirim” e por ela Dedé Santos retornou sozinho gastando dois dias de viagem retornando a São José do Egito.

Nas décadas de 1970 e 1980 eu, o primo Everaldo Sousa Lima e o amigo Willians Vieira realizamos várias viagens de Paulo Afonso a São José do Egito e Itapetim, cruzando a Reta do Mirim, em motos 125 cc.

Motocicletas da CHESF

Curioso diante de algumas fotografias antigas onde aparecem os velhos motociclistas saí procurando pra ver se encontrava os velhos aventureiros do passado e pude conversar com Antônio Galego, Aldetino e por fim com Manuel Messias. Manuel ainda guarda carinhosamente em sua casa uma moto JAWA 175 cc, ano 1963 que ele adquiriu em 1965. Manuel falou dos velhos tempos, contou histórias, revirou memórias, viajou nas lembranças e com alegria e lágrimas nos olhos reviveu aventuras passadas, compassadas lembranças que teima em guardar, momentos felizes que marcaram sua juventude.

Irineu Brabo

Hoje, olhando tantas motos que cruzam velozmente as ruas e avenidas de nossa cidade, me transporto aos velhos motociclistas do passado e tento entender os grandes momentos que vivenciaram em suas motocicletas, símbolos de uma época de ouro que embalavam as aventuras dos jovens que guardam em suas lembranças passadas a sensação de liberdade causada pelo ronco dos velhos motores que cruzaram as estradas de suas mais doces recordações.

João de Sousa Lima é escritor e pesquisador do cangaço.
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ESCRITOR JOSÉ BEZERRA VISITA JOÃO DE SOUSA LIMA


O escritor José Bezerra Lima Irmão acaba de lançar seu mais novo livro: Lampião a Raposa das Caatingas.


A cidade de Paulo Afonso foi apresentada ao escritor que esteve com João de Sousa Lima, há alguns anos, visitando os lugares históricos.
     
José Bezerra fez questão de vir a Paulo Afonso e presentear João com um exemplar.
    

O livro recém lançado tem aproximadamente 700 páginas e custa R$ 90,00. Para adquirir seu exemplar pode ser diretamente com João de Sousa Lima pelos telefones 75-8807-4138 ou 9101-2501 e pelos emails: joaoarquivo44@bol.com.br/ joao.sousalima@bol.com.br.

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