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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO NA ÍNTEGRA (INCLUINDO TERMO DE ABERTURA) - PARTE IV


Quarta - Deixo para Nossa Senhora do Perpetuo Socorro d'aqui do Joazeiro, cuja Capella está construída no Cemiterio desta cidade, os seguintes bens: - o sitio Porteiras que pertenceu ao Velho Raymmundo Pinto, sito neste Municipio, á estrada do Crato, e uma importancia em dinheiro conforme vae declarado mais adiante.

Devo declarar que esta Capella de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, que por prohibição do meu superior ainda não foi benta para ser entregue ao culto dos fiéis, fiz construir no Cemiterio publico desta cidade, para cumprir um voto feito pela virtuosa e fallecida Herminia Marques de Gouveia, quando eu tive a morte de uma molestia muito grave.

Nesta Capella fiz sepultar o seu corpo, como ultima recompensa do seu grande esforço, e bem assim os corpos das bôas servas de Deus Maria Joaquina, Maria de Araujo, minha bôa mãe Joaquina Vicencia Romana e minha querida irmã Angelica Vicencia Romana. E desejo e peço que não sejam d'ali retiradas seus restos mortaes e supplico mais que nesta mesma Capella seja sepultado parasempre meu corpo.

Quinta - Deixo para Capellinha de São Miguel nesta cidade, construida no antigo Cemiterio dos variolosos pelo bom servo de Deus Manoel Cégo, sob os meus auspicios, o terreno cercado de arame que possuo no Arisco, conhecido por terreno do Seminário.

Sexta - Deixo para o meu amigo e compadre Conde Adolpho Van den Brule e seus legitimos herdeiros o sitio Veados, deste Municipio.

Setima - Deixo para a Capellinha de Nossa Senhora do Rosario, no antigo Cemitério desta cidade, sito á Avenida Doutor Floro, antiga Rua Nova, o sitio São José que pertenceu a Gonçallo e sua mulher Dona Anna Rodrigues.

Oitava - Deixo para as duas filhas do meu primo Francisco Belmiro Maia a casa onde residem nesta cidade, á rua Padre Cícero e o sitio Carité, neste Municipio, os quaes bens por morte da ultima passarão a pertencer a Congregação dos Salesianos, salvo se durante a vida quizerem entrar em accordo com os Padres Salesianos para com elles trocarem por outros bens com a mesma condição de por morte de ambas, passarem os bens trocados aos Padres Salesianos.

Nona - Deixo para o meu amigo José Ignacio Cordeiro, pelos bons serviços que me tem prestado, o sitio Arraial, no Municipio de Missão Velha.

Decima - Deixo a casa de Caridade do Crato o sobrado onde residio José Joaquim Telles Marrocos, sito á rua Grande, na cidade do Crato, e a pequena casa encravada nos fundos do mesmo sobrado, á rua da Laranjeira, na mesma cidade.

Decima Primeira - Deixo a minha propriedade a fazenda Coxá encravada nos Municípios de Aurora e Milagres e comprehendendo na mesma área os sitios Coxá propriamente dito, Contendas, Escondido, Taveira e Bandeira com todas as bemfeitorias e com todos os meus direitos nas minas cobre que ditas terras possam conter bem como o sitio Lameiro sito mo municipio de Missão Velha para que sejam vendidos e com importancia adquirida pela venda dessas mesmas propriedades sejam pagas as dividas que eu possa deixar quando morrer, as despezas do meu enterramento e os sufragios de minh'alma.

E o que sobrar dessa mesma importancia seja entregue a Maria das Malvas, a Maria de Jesus (vulgo Babá), a Thereza Maria de Jesus (vulgo Therezinha do Padre), a Beata Jeronyma (vulgo Geluca), Maria Eudoxia da Assumpção e a cada uma das duas filhas de meu primo Francisco Belmiro Maia quinhentos mil reis (500$000) para cada uma e o que sobrar seja entregue a Congregação Salesiana que aqui se fundar para os seus respectivos Padres celebrarem missas por minh'alma e na intensão de Nossa Senhora das Dores e das almas do Purgatorio.

Decima Segunda - Deixo ainda para Maria das Malvas, Maria de Jesus (Babá), Therezinha do Padre, Beata Geluca e Maria Eudoxia de Assumpção, o sitio Barro Branco, neste Municipio, para desfructarem enquanto viverem, o qual por morte da ultima sobrevivente passará a pertencer aos Salesianos.

Decima Terceira - Desejo ser sepultado conforme já disse no começo deste testamento na Capella de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro no Cemiterio desta cidade e que os meus funeraes sejam feitos com simplicidade, bem como que sejam rezadas pelo eterno repouso de minha alma dôze missas em cada anno durante cinco annos igualmente o mesmo numero de missas durante o mesmo tempo pelas almas do Purgatorio.
Decima Quarta - Deixo mais todos os bens que escaparam de ser citados neste testamento e os que possa adquirir desta occasião até o meu fallecimento, repito, bens moveis, immoveis e semoventes á Congregação dos Padres Salesianos.

Decima Quinta - Nomeio meus testamenteiros os meus amigos Doutor Floro Bartholomeu da Costa, actualmente Deputado Federal por este Estado, o CondeAdolpho Van Den Brule e o Coronel Antonio LuiAlves Pequeno, servindo um no impedimento do outro, na ordem em que se acham collocados.

Os meus referidos testamenteiros terão a posse e a administração da herança na ordem em que se succederem e bem assim perceberão, respeitados a mesma ordem, dez por cento (10%) em dinheiro sobre toda herança liquida como compensação dos trabalhos testamentarios.

E por tal modo e fórma conclúo este meu testamento que em meu perfeito juizo e de minha livre e espontanea vontade, sem constrangimento nem tão pouco induzido por quem quer que fosse ditei ao meu amigo Luiz Teophilo Machado, segundo Tabellião desta Comarca, e assigno com o meu proprio punho, de accordo com o Codigo Civil Brasileiro em vigor.

E peço a justiça de meu paiz que o cumpram e mandem cumpril-o tão inteiro e fielmente como nelle se contém, declarando mais ficar por este testamento revogado outro qualquer testamento que por ventura existir.

E por tal modo conclúo e termino este meu testamento. Declaro em tempo que por uma resolução por mim tomada neste momento antes de assignar este testamento ficam sem effeito os legados que faço dos sitios Veados e Santo Antonio deste Municipio, cujas doações a quem desejo fazer as realizarei por escriptura publica bem como que não ficarei inhibido de vender os bens que deixo reservados na claúsula decima primeira antes de morrer para satisfação de quaesquer compromissos. Joaseiro 4 de outubro de 1923. Pe Cicero Romao Bapta. (Selado com 1 (uma) estampilha de 20$000; 3 (três) de 1000 reis e 1 (uma) de 300 reis)".

CONTINUA...

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OPINIÕES DE ESTUDIOSOS DO CANGAÇO SOBRE A MORTE DE LAMPIÃO

Por Geraldo Júnior

Lembrando que por mais de 20 anos Lampião foi perseguido incansavelmente pelas polícias de vários Estados, e nunca conseguiram capturá-lo. Porém no dia 28 de julho de 1938, Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros foram mortos, pegos de surpresa, e sem tempo para reação. Com base nisso o cangaço quer saber:

Qual dos motivos abaixo teria o levado a se deixar ser pego e abatido tão facilmente?

1 - Por achar o local (coito) seguro?

2 - Por estar desmotivado e pensando abandonar o cangaço?

3 - Excesso de confiança?

4 - Nenhuma das alternativa (Explique)

5 - Porque finalmente chegou o seu dia (destino).


Na minha opinião, Lampião não tinha confiança total em ninguém. Acredito que ele ficou em Angico por achar o local seguro. Ele não iria bobear sendo a raposa que ele era. Alguém passou as informações exatas, e isso foi a causa do seu fim. A polícia não iria armar um cerco tão bem estratégico sem informações tão precisas. Penso dessa forma.


A resposta é muito complexa. Pois até hoje existem divergências entre os estudiosos. Alguns afirmam que seu Pedro, coiteiro de Lampião, o traiu. Existem algumas especulações que os cangaceiros haviam bebido muito, e que em meio a sua bebida tinham inserido pólvora, o que na época era comum em fazer para deixar a pessoa "doidona", e aumentar o efeito do álcool. E ainda existe a especulação de envenenamento dos cangaceiros.

O estudioso Antonio Amaury, afirma que no dia da morte dos cangaceiros houve uma garoa, e que em meio ao frio, os cachorros podem ter se acuado às cabanas, e que por conta da garoa, não foi possível os cachorros sentirem o cheiro dos volantes. Essas são algumas especulações de muitas outras que existem. Provavelmente esse mistério nunca conseguirá ser desvendado. Assim como outros que ocorreram no cangaço, caros amigos.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior

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“O GLOBO” – 05/10/1927

Material do acervo do pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho

A PSICOLOGIA DO CANGACEIRO
O BANDITISMO NOS SERTÕES DO NORDESTE BRASILEIRO
UM ENSAIO POLÍTICO-SOCIAL
(Especial para o GLOBO)

CAPÍTULO V

O número de cangaceiros mortos e capturados no curto período de seis meses de dezembro de 1926 a maio do corrente ano, é a prova mais evidente de que a perseguição atual – é um fato – nos sertões de Pernambuco.

Dos pontos diversos em que se têm ferido os combates contra esses criminosos, bem como do número de oficiais que têm comandado as forças pernambucanas em sua perseguição (os quais propositalmente citamos no artigo anterior) evidencia-se igualmente o que deixamos registrado: - que o chefe de polícia de Pernambuco tem atualmente todos os pontos estratégicos do sertão guarnecidos de tropa.

Esse número é ainda a demonstração incontestável de que a preponderância de chefes políticos do interior, protetores de bandidos, terminou felizmente nos sertões de Pernambuco, graças às enérgicas providências do Dr. Estácio Coimbra. Temos elementos seguros para poder afirmar que as ordens dadas pelo Dr. Souza Leão aos oficiais da tropa pernambucana que opera contra os cangaceiros, bem como aos comandantes dos destacamentos que se acham aquartelados nas cidades e vilas, são as mais terminantes e positivas nesse sentido, secundando as determinações do governo. Nenhum chefe político se atreverá mais a proteger criminosos, nem tê-los sob a guarda e à sua disposição para satisfazer os seus ódios pessoais, sob pena de perder o prestígio político e sofrer, como qualquer outra pessoa, os rigores da lei. E a prova temo-la no desgosto (sabemo-lo de fonte segura) que já está lavrando entre alguns desses chefes, pela atitude inflexível do governo pernambucano, que não cederá neste ponto a influências de espécie alguma.

Infelizmente não podemos dizer o mesmo relativamente a todo o sertão do Nordeste. Se é exato que o chefe de polícia de Pernambuco tem conseguido eficaz auxílio de quase todos os seus colegas de outros Estados que assinaram o convênio de 1926, não é menos certo que a solidariedade estabelecida por esse convênio está sendo altamente prejudicada com o rompimento de um deles.

Sabe-se aqui no Rio, por telegramas de notícias vindas do Norte, que o Estado do Ceará tem deixado de cumprir os compromissos assumidos, constando mesmo que, por imposição dos chefes políticos locais, o governo daquele Estado não persegue mais “Lampião” e os celerados que o acompanham, como fizera no começo da campanha, com o resultado magnífico que já deixamos assinalado.

Ainda há poucos dias o vespertino “O GLOBO”, de 22 de agosto findo, publicou dois longos telegramas procedentes de Fortaleza, sob as epígrafes: “O Nordeste assolado pelo banditismo. – Aracaty e Cascavel ameaçadas por Lampião”. Dos quais extraímos os seguintes períodos:

“Está confirmada a notícia de haver sido avistado, na vila de Palhano, distante 7 léguas de Aracaty, um grupo de 15 cangaceiros chefiados pelo já célebre Massilon, que separou-se de “Lampião”.

Aracaty está transformada numa praça de guerra, passando a noite vigiada por 30 homens armados, custeados pelo comércio local, que arca com mais esse imposto forçado porque o presidente Moreira da Rocha recusou enviar forças policiais para garantia da população, sob o fundamento de não acreditar que a cidade de Aracaty seja atacada pelos bandidos.

A cidade de Cascavel, situada próximo à capital, está sendo abandonada pela população, pois que o grupo do facínora Massilon se acha a três léguas de distância.”

Estas notícias foram confirmadas por um outro telegrama procedente do Maranhão (estado que não fez parte do convênio e, portanto, insuspeito), publicado no vespertino “A Esquerda”, de 23 de agosto, sob a epígrafe: – Os bandoleiros no Ceará. – A irritante atitude do presidente Moreira da Rocha.

Ei-lo, textualmente:

“MARANHÃO, 25 – Todos os jornais desta capital inserem notícias sobre os atos de banditismo praticados pelos vários grupos de bandoleiros no estado do Ceará.

Passageiros procedentes de Fortaleza narram o êxodo das famílias residentes na fértil zona do Jaguaribe e unanimemente censuram o descaso do presidente Moreira da Rocha. Acrescentam que os bandidos estão amparados pelos chefes políticos do interior em destaque no situacionismo local.”

Novos telegramas, procedentes de Fortaleza e de Jaguaribe-Mirim, foram aqui publicados pelo “GLOBO”, noticiando que a fazenda Michael fora assaltada pelo bandido Massilon, achando-se gravemente enfermo o Sr. Enéas Ribeiro, seu proprietário, em consequência da surra que os cangaceiros lhe aplicaram; e mais, que eram conhecidas as pessoas influentes que em Riacho do Sangue se fizeram protetoras do bando sinistro.

- “Diversos fazendeiros da região jaguaribana (acrescenta o telegrama citado de Jaguaribe-Mirim) fogem abandonando suas propriedades, cumprindo ao governo do Estado enviar pessoa idônea, alheia aos interesses locais, para apurar as responsabilidades dos que protegem o bando criminoso.”

Finalmente, esta vergonhosa proteção acaba de ser confirmada por um telegrama recente de Fortaleza estampado nos jornais aqui, e comentado pela “A Manhã”, de 14 do corrente, o seguinte gravíssimo suelto:

- “Os vespertinos divulgaram um telegrama de Fortaleza em que se comunica ao país um fato que nos deve cobrir de vergonha: - a apuração, por meio de um inquérito, da conivência oficial do Estado na proteção à Lampião.

Ficou apurado, desse inquérito, haver no regimento militar de patentes elevadas incumbidas de simular a caça ao bandido e seu bando para, no momento oportuno, facilitarem-lhes a fuga.

Políticos de responsabilidade acham-se envolvidos no caso, o que vem colocar o governo do Estado numa posição gravemente suspeita, visto como esses políticos são todos influentes na administração e figuras de destaque no partido dominante.

Ora, toda a gente se lembra da ação combinada dos governos do nordeste brasileiro para liquidar de uma vez com o bandido Lampião. E toda gente se recorda do embaraço encontrado justamente no governo cearense para o êxito da diligência.

Agora, como se vê, um fio lógico vem ligar os acontecimentos e formar contra a politicagem cearense uma robusta prova indiciária de conluio.
Explica-se, pois, a inércia sempre demonstrada pelo Sr. Moreira da Rocha na campanha policial contra os bandoleiros!”.

Diante de tais notícias, provenientes de fontes diversas e todas concordes, não é mais lícito duvidarmos de que o estado do Ceará, pelas lamentáveis influências políticas que desnaturam os melhores propósitos, se tenha desligado dos compromissos do convênio pernambucano que o seu representante assinou.

De resto, para caracterizar esse rompimento, basta o fato (publicado pelos jornais de Recife) de ter o chefe de polícia daquele Estado pedido ao Dr. Eurico de Souza Leão a retirada das forças pernambucanas do território cearense, quando essas forças iam no encalço de “Lampião” e do seu bando, sob o pretexto de estarem elas praticando violências contra fazendeiros, tomando à força cavalos e “armas” (!) dos sertanejos, e outras alegações falsíssimas.

Por uma das cláusulas do convênio, os oficiais comandantes das forças aliadas tinham o direito de requisitar animais, onde os encontrassem, para perseguição aos bandidos em fuga, mediante indenização dos respectivos governos aos seus proprietários, pois não se compreende que os soldados fossem perseguir a pé bandidos muito bem montados. E, quanto aos excessos atribuídos às forças pernambucanas, o pretexto era tão calvo, que a sua falsidade decorria do depoimento de um oficial da própria polícia cearense, o tenente Bezerra, que combateu ao lado das forças pernambucanas num ataque dos bandoleiros, o qual, em telegrama dirigido ao major Teófanes Torres, comandante em chefe da tropa sertaneja, elogiava a bravura e disciplina dos soldados pernambucanos.

No ataque de “Lampião” à cidade de Jardim (Ceará) à frente de 80 celerados, foram ainda as forças pernambucanas, comandadas pelo bravo sargento Arlindo Rocha, que livraram aquela cidade do morticínio e do saque, oferecendo combate ao bando sinistro, no qual morreram 4 bandidos, fugindo os demais em debandada.

O procedimento desse inferior foi de tal natureza, que as autoridades judiciárias de Jardim, grande número de comerciantes e até eclesiásticos, telegrafaram ao Dr. Estácio Coimbra, governador de Pernambuco, pedindo-lhe a promoção do sargento Arlindo, pelo denodo e correção de que deu provas. E o Dr. Estácio atendeu o pedido imediatamente, promovendo a tenente o referido sargento.

Pois bem: - não obstante tais e tantas demonstrações de pessoas graduadas do próprio estado do Ceará, em favor da disciplina dos oficiais e praças de Pernambuco, o chefe de polícia daquele Estado pediu a retirada das forças pernambucanas do seu território, sacrificando assim uma campanha patriótica tão bem começada, e assumindo com essa atitude uma tremenda responsabilidade perante a Nação pelo malogro dessa campanha.

Justiniano de Alencar

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Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho

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domingo, 4 de janeiro de 2015

QUEM SÃO OS BANDIDOS MAIS FAMOSOS DA HISTÓRIA? – PARTE II


BARRABÁS

Todo mundo conhece a história do ladrão liberado da crucificação para dar lugar a Jesus Cristo. Mas pouco se sabe a respeito dessa figura fascinante, cujo nome em aramaico quer dizer "filho do pai" ou "filho do professor" (especula-se que seu pai era um líder judeu). 

Uma hipótese para sua condenação seria a participação num assassinato durante uma revolta contra o domínio romano em Israel - o que faria dele um revolucionário e não um larápio comum. 

Nem as escrituras sagradas dizem, nem os estudiosos da Bíblia sabem o que aconteceu com ele depois da sua libertação durante a festa da Páscoa. 

Mas Barrabás (1962), com Anthony Quinn no papel-título, imagina várias possibilidades no melhor estilo das superproduções hollywoodianas.

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-sao-os-bandidos-mais-famosos-da-historia

Biografia de Barrabás escrita pelo site wikipédia

Barrabás (do aramaico: Bar Abbas, "filho do pai") nasceu na cidade de Jopa, ao sul da Judeia. Tinha a profissão de remador de botes e foi contemporâneo de Jesus Cristo. É um personagem citado no Novo Testamento, no episódio do julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos.

Era integrante de um partido judeu que lutava contra a dominação romana denominado zelote.

Seu grupo agia através de ataques às legiões como meio de fustigar as forças invasoras dominantes. Foi preso após um ataque a um grupo de soldados romanos na cidade de Cafarnaum, onde possivelmente um soldado foi morto. «E havia um chamado Barrabás, que, preso com outros amotinadores, tinha num motim cometido uma morte.» (Marcos 15:7)

Segundo o texto bíblico, quando Jesus foi acusado pelos sacerdotes judeus perante Pôncio Pilatos, o governador da Judeia, depois de interrogá-lo, não encontrou motivos para sua condenação. Mas como o populacho, presente ao julgamento, vociferava contra o prisioneiro exigindo sua crucificação, Pilatos mandou flagelá-lo e depois exibi-lo, ensanguentado, acreditando que a multidão se comoveria (um episódio conhecido como Ecce homo). Mas tal não aconteceu.

Pressionado, o governador tentou um último recurso: mandou trazer um condenado à morte, tido como ladrão e assassino, chamado Barrabás, e, valendo-se de uma (suposta) tradição judaica, concedeu ao povo o direito de escolher qual dos dois acusados deveria ser solto e o outro crucificado. Então, o povo manifestou-se pela libertação de Barrabás.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Barrab%C3%A1s

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O RIO IPANEMA NOS TEMPOS DE LAMPIÃO E A IMPORTÂNCIA ATUAL DELE.

Material do acervo do pesquisador Raul Meneleu Mascarenhas
O rio Ipanema nos tempos de Lampião

Suficientemente, ou até palmo a palmo, conhecia Lampião as bacias dos principais rios do sertão pernambucano, e isto desde as nascentes até suas descargas no São Francisco: 


Brígida, Pajeú, Moxotó... e, também, em parte, a de dois outros que, nascendo em Pesqueira, descem para o litoral despejando-se no mar: o Capibaribe no seu curso superior, e dois terços do Ipojuca, isto é, das suas origens até a cidade de Gravatá. Esse trecho conheceu quando, nos tempos da almocrevia, comboiava intercambiando cargas de rapadura para Vitória de Santo Antão, donde voltava carregado de ancoretas de cachaças.


Finalmente, conhecia o vale de outro rio, o Ipanema, ainda nascido em Pesqueira, cujo território se tornou privilegiadamente, no generoso plexo distribuidor da maior rede de águas correntes de Pernambuco.


Partindo de suas cabeceiras concentradas nas vertentes ocidentais do imponente maciço do Ororubá, logo ali na primeira etapa de sua corrida, o Ipanema força passagem rasgando o relevo, abrindo largo e sugestivo boqueirão. Para daí prosseguir jovem destemido! Descendo e acentuando a declividade de seu leito na ânsia incontinente de enlaçar-se ao São Francisco. 


Deixando o município matriz de origem, precisamente no ponto de encontro de suas terras com as de Alagoinha e Pedra, parece que uma das razões do existir desse rio foi assumir a função de auxiliar da divisão administrativa no traçar dos limites dos municípios ao longo do seu percurso: entre partes de Pedra com Alagoinha, Venturosa e Buíque; e deste com Tupanatinga; e ainda separando completamente Águas Belas de Itaíba. E incluindo Bom Conselho de Papacaça na área de seu drenamento, marca, antes de se despedir da gleba pernambucana, duzentos quilômetros de percurso. Em seguida, invadindo Alagoas, seccionando-o em dois, quase pelo meio, percorrendo ainda uns cem quilômetros. Banhando vilas e cidades: Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema... dividindo municípios: o de Olho D'água das Flores do de Major Isidoro... lascando de alto a baixo o município de Batalha, cuja sede de jurisdição lava... servindo às populações ribeirinhas... para, no final de contas, lançar-se palpitoso no São Francisco, mas daí espiando desconfiado as janelas indiscretas do casario de Porto da Folha, na outra margem, em Sergipe... Nesse ponto, seu desnível total acusa cerca de 400 metros.

Confrontando com as ribeiras sertanejas, a do Ipanema se apresenta mais rica de solo e recursos econômicos. Agricultura diversificada, aproveitando, através de processos comuns e empíricos de cultivo, as terras férteis dos baixios, os pés de serra e os terraços pouco elevados. Feijão, milho, algodão herbáceo... de produção apreciável para manter, um ecúmeno mais denso e abastecer grandes feiras, como a de Pesqueira nas quartas-feiras. Isto afora as frutas — manga, caju, banana... — os tubérculos — inhame, batata-doce... — e as verduras... A goiaba nativa e o plantio tecnológico do tomate possibilitaram a implantação de uma potente e famosa agro-indústria de transformação alimentícia.


Grandes fazendas de criação de gado casteado, leiteiro ou de corte, em regime de pastoreio extensivo. A quase ausência de epizootias e os bons pastos, juntos à. cultura disseminada da palmatória, produzindo e conservando os animais sadios e nédios. Região de bacias leiteiras, como a de Venturosa. Possuindo excelentes climas, como o clima-saúde de Alagoinha. Sua paisagem diferenciada encanta, ora se revelando através de azulados serrotes graníticos, como o do Gavião (entre Pesqueira e Alagoinha), testemunhas geológicas de medonhas erosões em priscas eras; ora com exuberante e policrômica roupagem vegetal revestindo as serras; aqui no extenso mapeamento dos cercados traçados pelas linhas verde-escuras dos avelós; acolá na catinga verde-clara quando no inverno ou acizentada na seca... 

Infinidade de trechos pitorescos no vale. Pesqueira contemplada desse mirante natural e turístico, que é o topo da serra do Cruzeiro, deslumbra e assoberba. O povoado de Ipanema com seu singelo arruado aninhando, com ciúme, a meiga igrejinha branca da Virgem da Conceição — cujo pátio tranquilo se enfeita de copados e virentes flambuaiantes, de flores escarlates, sombreantes e aprazíveis ao sopro da viração do rio, que o abraça amoroso e benfazejo —rememora a poesia da infância de tantas cidades hoje em franco desenvolvimento...

Poder-se-iam multiplicar os exemplos por toda a extensão do vale. Incontestavelmente, porém, a paisagem mais encantadora da ribeira do Ipanema é a do microvale do seu afluente, o riacho Mimoso, que corre no sentido oeste-leste. Contemplando a paisagem de cima da serra de Mimoso, divisor de duas zonas fitogeográficas, agreste e sertão, e por onde serpeia vadeando abismos, a antiga rodagem da Obra Contra as Secas, vê-se um corredor estreito, formado pelo alinhamento de elevações paralelas, de encostas íngremes, emoldurando um estreito e alongado brejo de vale ou várzea aluvial, de solo profundo e fértil. Logo ali, à esquerda, numa suave lombada do fundo do vale, debruça-se, mimosamente e no sentido linear, o aglomerado da vila dominada por sua igrejinha com torre, também sob a invocação da Virgem da Conceição. Enchendo o vale, por meia légua de extensão, inúmeros pequenos sítios de banana, manga, laranja, pinha, mamão, cana-de-açúcar... Nos pés de serra, numerosos roçados, em pequenos quadros de culturas de subsistência, circundando as casas de seus proprietários. Mais adiante, o extenso tomatal de várias léguas, da Fazenda de Tomate Senhora do Rosário (antiga fazenda Propriedade), cultivada pela Fábrica Peixe, das Indústrias Alimentícias Carlos de Brito, de Pesqueira. Nas encostas baixas e nas colinas suaves dessa cultura solanácea é feita em faixas terraceadas, para maior rendimento do produto dentro dum plano conservacionista do solo.

Enfim, ao longe, guindada nas alturas, esplendente de branco durante o dia e de luzes à noite, avulta a cidade de Pesqueira com seus altos bueiros fumegantes e testemunhando a pujança de seu progresso. O nome de "Mimoso" aplicado a essa região define perfeitamente a paisagem — precioso mimo dos caprichos da natureza!


Vale de Mimoso! — colcha de retalhos policrônica, doirada de sol e amenizada, em seu clima, pelos ventos canalizantes, que sopram constantes... — cartão-postal de lembrança imorredoura que Pesqueira oferece a seus visitantes...

Desde a fazenda Catolé, situada nas cabeceiras, até sua foz um pouco abaixo de Belo Monte, o rio Ipanema, de depende a 'depende, pontilha-se de acidentes geográficos, aglomerados de população, traços e linhas de comunicação que gravaram as marcas da pisada de Lampião: — as serras de Ororubá, Buíque, Tará, Cumanati, Cavalos, Garanhuns... — fileiras de riachos e corregos... — cidades, vilas, povoados, inúmeras fazendas e sítios... — estradas reais e veredas de bode... — matas e caatingas... Naqueles tempos, seria o vale objeto de incursões atrevidas e desaforadas de Lampião contra Manuel Neto. Durante os últimos anos de vida iria ele, de fogo aceso, assoletrar esse capítulo da volumosa enciclopédia geográfica de seu Reino!


"O rio Ipanema é um patrimônio da humanidade, mas que ainda precisa ser mais conhecido por aqueles que o vê chorando lágrimas de lama. Pois está com uma de suas partes ferida, sangrando e, portanto precisa ser tratada. Nos seus 220 km, de Pesqueira/PE a Belo Monte/AL, a parte mais degrada está localizada na zona urbana de Santana do Ipanema, do Poço Grande às Cachoeiras, cabendo a nós, legítimos guardiões do meio ambiente, assim outorgado pela Mãe Natureza, a responsabilidade moral e humana de tratá-la para que as futuras gerações não se envergonhem das nossas atitudes, ou da falta delas."


BACIA DO RIO IPANEMA


Localização


A bacia hidrográfica do rio Ipanema está localizada em sua maior parte no Estado de Pernambuco, com sua porção sul no Estado de Alagoas, onde se estende até o rio São Francisco. Situa-se entre 08º 18’ 04” e 09º 23’ 24” de latitude sul, e 36º 36’ 28” e 37º 27’ 54” de longitude oeste.

A porção pernambucana constitui a Unidade de Planejamento Hídrico UP7, que limita-se ao norte com a bacia do rio Ipojuca (UP3) e com a bacia do rio Moxotó (UP8), ao sul com o Estado de Alagoas e os grupos de bacias de pequenos rios interiores 1 e 2 - GI1 (UP20) e GI2 (UP21), a leste com a bacia do rio Ipojuca, bacia do rio Una (UP5) e o GI1, e, a oeste, com a bacia do rio Moxotó e o GI2.

Rede Hidrográfica

A nascente do rio Ipanema se situa no município de Pesqueira. Seu curso percorre parte dos estados de Pernambuco (aproximadamente 139 km) e Alagoas, na direção nortesul, até desaguar no rio São Francisco.

Seus principais afluentes são: pela margem direita, riacho do Mororó, riacho Mulungú, riacho do Pinto, riacho Mandacaru e rio Topera; e, pela margem esquerda, rio dos Bois, riacho da Luíza, rio Cordeiro e rio Dois Riachos.


O rio Cordeiro é o principal tributário do rio Ipanema, cuja nascente se localiza no município de Venturosa.

Alguns dos municípios da bacia têm seus limites definidos por cursos d’água: Tupanatinga, pelos riachos do Pinto e Mandacaru; Itaíba, pelo riacho Mandacaru e o rio Ipanema; Águas Belas, pelo rio Ipanema, rio Cordeiro, riacho do Defunto e rio Dois Riachos; e Iati, pelo rio Dois Riachos.

Divisão Político-Administrativa

A bacia do rio Ipanema apresenta uma área de 6.209,67 km², que corresponde a 6,32% da área do estado.

Os municípios pernambucanos totalmente inseridos na bacia são Águas Belas e Pedra.

Aqueles que apresentam sua sede na bacia são Alagoinha, Buíque, Iatí, Itaíba, Pesqueira, Saloá, Tupanatinga e Venturosa, enquanto os parcialmente inseridos na mesma são Arcoverde, Bom Conselho, Caetés, Ibimirim, Manari e Paranatama.

Reservatórios


No quadro acima, são apresentadas as principais características dos reservatórios da bacia do rio Ipanema, com capacidade máxima acima de 1 milhão de m³.

O GRITO DE ALERTA



"Para alguns pode soar estranho comemorar o dia de “algo” que se apresenta de forma tão sujo e degradante. Até poderíamos considerar normal esse pensamento, levando em consideração o que nós santanenses permitimos que o nosso maior e mais belo acidente geográfico chegasse a situação na qual se encontra; pelo menos num pequeno trecho de cerca de três quilômetros, exatamente na área urbana da única cidade em que leva garbosamente o seu nome, Santana do Ipanema."

A estiagem (seca) no sertão
As enchentes do Rio Ipanema

Fontes da matéria:
Cap. 52 Na Ribeira do Ipanema (Lampião, seu tempo e seu Reinado)
Indicativos nos links citados.
  
 http://meneleu.blogspot.com.br/2015/01/o-rio-ipanema-nos-tempos-de-lampiao-e.html

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Lampião: bandido, herói e outros adjetivos

 Por Thiago Fragata
O Cangaço na Arte de Jô Fernandes

O cangaço influenciou boa parte dos movimentos sociais que pontificaram o Brasil no século XX. No século XXI o fato se renova, a insinuação da homossexualidade de Lampião constitui um bom exemplo porque atrelar qualquer tema ao cangaço ou buscar inspiração nele significa atrair público, a opinião pública.  

O fato é que ninguém consegue ficar alheio ao cangaço e seu maior representante, o afamado Virgulino Ferreira da Silva, apelidado Lampião. Já em 1937, Jorge Amado inseriu na sua obra Capitães da Areia uma importante observação: “porque a população dos cinco estados, de Bahia, Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Sergipe, vive com os olhos fitos em Lampião. Com ódio e com amor, nunca com indiferença”. Acrescentaria Ceará e Rio Grande do Norte.

Nos dias atuais vemos estudiosos apaixonados pelo exemplo de resistência ao mandonismo dos coronéis e desenvoltura perante as adversidades do sertão nordestino. A saga lampiônica começou em 1918 e findou na Grota de Angicos, Poço Redondo, em 1938, somando 20 anos de ataques, fugas e revides.


Invariavelmente, figuram adjetivos nas obras em geral que tematizam o cangaço, mesmo trabalhos acadêmicos com foros de imparcialidade, que desvelam um olhar engajado. Se no meio acadêmico o cangaço tem seus mais ardorosos simpatizantes, com raríssimas exceções, imagina no seio das populações que conviveram e tiveram experiência positivas ou negativas.

A discussão bandido ou herói dividiu e divide a sociedade. Folheando alguns livros recolhemos expressões curiosas e/ou adjetivos que representam opiniões. Vejamos repertório de Frederico Bezerra Maciel, legítimo representante dos defensores da missão divina e heroica de Virgulino Ferreira da Silva:

Rei do cangaço, Senhor absoluto do sertão, Sua Majestade Lampião, Imperador do Sertão, Rei do Norte, Governador Lampião, Hobin Hood do Nordeste, Interventor do Sertão, Sinhô Lampião,Gênio em tudo, Homem de palavra, Justiceiro, O mesmo [para Bahia] o que fora Padre Cicero para Juazeiro, Ídolo de todos, Invulnerável, Invencível, Eterno, Lampião era o povo, Símbolo das reivindicações sociais, O sertão ínterim, Libertador dos homens explorados do sertão imenso,Paterno e dócil na intimidade, napoleonicamente enérgico no comando, Maior guerrilheiro das Américas, Portador de uma luz de inteligência superior, penetrando até os domínios da cultura, dentre outros.


Por outro lado, minoria de estudiosos renitentes, ora estribado no argumento da legalidade, do Estado de direito, ora afetado pelas estripulias praticadas por Lampião e seus asseclas contra populações indefesas, enfileiram acusações e adjetivos contundentes contra o vilão. Parapesquisadores como Frederico Pernambucanos de Mello e Rodrigues de Carvalho a completa definição de Lampião inclui os termos:

“Criminoso, truculento celerado, bandido sem ética, alienado mental, nocivo, rapace por cleptomania, sadicamente perverso, imoral currador dos infelizes sertanejos, taciturno caolho, refece profissional, tenebroso celerado, avarento, corruptor das famílias, anjinho de asa de morcego, carne de pescoço infernal, catingueiro e sagaz, soturno sicário, miserável refece, terrível sicário, ardiloso sicário semi-analfabeto, espírito de porco espinho, demônio de sagacidade e esperteza, facínora destituído de humanidade, lombrosiano”, dentre outros adjetivos.

No universo da literatura de cordel é recorrente o tema cangaço. Não é difícil encontrar os títulos referente a chegada de Lampião no céu, no inferno e mesmo ao purgatório. Declara Maria Ângela de Faria Grillo que nos cordéis “as representações sobre cangaceiros diferem das encontradas nos livros didáticos o na literatura oficial. Quase sempre tratados como bandidos nestes espaços, nos cordéis são, pelo menos, mais contraditórios”, ou seja, são assassinos mas são românticos, roubam mas ajudam os pobres, enfim, possuem carga heroica.

Lampião dos cordéis mantém traço heroico e contraditório

Numa rápida leitura de A chegada de Lampião no Céu (s/d), de Rodolfo Coelho Cavalcante; de A chegada de Lampião no inferno, de José Pacheco, e A Chegada de Lampião no purgatório (s/d), de Luiz Gonzaga de Lima (1981) captamos a impressão a respeito da polêmica bandido x herói. Lampião retratado por Rodolfo Coelho Cavalcante não merece entrar no céu por isso é mandado ao purgatório. Daí foi expulso por São Miguel, segundo verso de Luiz Gonzaga de Lima. No inferno não ficou, agora expulso por Lúcifer, desde então vaga pelos sertões feito alma penada a soprar estórias e inspirando arte popular nordestina, tudo para não deixar o Brasil esquecer o cangaço.

Lampião é o herói bandido dos cordéis
Thiago Fragata

Pesquisador, especialista em História Cultural pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE) e diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS/SECULT). Matéria especial para o blog do Museu Histórico de Sergipe e sua exposição “Cangaço: por dentro do emborná e na ponta do punhá” (22 de agosto a 22 de setembro de 2012).E-mail: thiagofragata@gmail.com


http://museuhsergipe.blogspot.com.br/search/label/Lampi%C3%A3o

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ANIVERSÁRIO DO CANGACEIRÓLOGO RUBINHO LIMA


Hoje é o aniversário do escritor e pesquisador do cangaço  Rubervânio Rubinho Lima (Rubinho Lima), da cidade de Paulo Afonso, no Estado da Bahia.


Toda família do blog do Mendes e Mendes parabeniza-lhe e deseja-lhe um montão de felicidade, saúde, paz, harmonia, dinheiro, e sobre tudo, compreensão e muita paciência vivendo a vida.

Parabéns, grande Rubinho Lima!

Facebook: Rubinho Lima

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TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO NA ÍNTEGRA (INCLUINDO TERMO DE ABERTURA) - PARTE IiI


Faço estas declarações, neste documento, para que os que me sobreviverem fiquem scientes (por que perante Deus tenho a minha consciencia tranquila) que neste mundo, durante toda a minha vida, quer como homem, quer como Sacerdote nunca, graças a Deus, commeti um acto de deshonestidade, seja sob que ponto de vista se possa ou queira encarar, nem nunca commemeti, nem alimentei embuste de especie alguma.

Aproveito o ensejo para pedir a todos os moradores desta nossa terra, o Joazeiro, muito especialmento aos romeiros, que depois da minha morte não se retirem daqui nem o abandonem; que continuem domiciliados aqui, no Joazeiro, venerando e amando sempre a Santissima Virgem Mãe de Deus, único remedio de todas as nossas afflicções, auxiliando a manutenção do seu culto e de todas as instituições religiosas que aqui se fundarem e com especial menção a dos Benemeritos Padres Salesianos que serão os meus continuadores nas obras de Caridade que aqui iniciei.

Insistindo, peço, como sempre aconselhei, que sejam bons e honestos, trabalhadores e crentes, amigos uns dos outros e obedientes e respeitadores ás leis e ás autoridades civis e da Santa Igreja Catholica Apostolica Romana, no seio da qual tão somente póde haver felicidade e salvação.

Torno extensivo este meu pedido tambem a todos os meus amigos, pessôas de outros Estados e Dioceses, romeiros tambem da Santa Virgem Mãe das Dores, isto é, que continuem a visitar o Joazeiro, em romarias a Santissima Virgem como sempre o fizeram, auxiliando a manutenção de seu culto e das instituições religiosas que aqui fôrem creados e com especial menção, repito, a dos Benemeritos Padres Salesianos que serão aqui no Joazeiro os meus continuadores na Obra de Caridade que emprhendi; e que sejam sempre bons e honestos, trabalhadores e crentes, amigos uns dos outros e obedientes e respeitadores as leis e as autoridades civis e da Santa Igreja Catholica Apostolica Romana, no seio da qual tão somente poderemos encontrar felicidades e salvação.

Estes conselhos, que sempre os dei em minha vida, não me canço de repetil-os aqui, para que depois da minha morte bem gravadas fiquem na lembrança deste povo, cuja felicidade e salvação sempre fôram objecto da minha maior preocupação.

Não tenho ascendentes vivos nem tão pouco descendentes, e assim julgo poder dispôr dos meus bens, que se acham livres e desembaraçados, de accordo com as leis do meu paiz e dee modo por que desejo e como se segue e o faço na plenitude de minhas faculdades e da mais livre e espontanea vontade:

Primeira - Deixo para Ordem dos Padres Salesianos todas as terras que possúo nos sitios Logradouro, Salgadinho, Mochilla, Carás, Pau-Secco que pertenceu ao velho Antonio Felix, neste Municipio; o sitio Conceição na Serra Araripe, Municipio do Crato, onde reside o empregado Casimiro; os terrenos que possúo na serra Araripe e mais o sitio Brejinho ao sopé da mesma serra Araripe do Municipio do mesmo nome; os predios e a Capella em construção na serra do Horto, com todas as suas bemfeitorias; o predio onde funcciona o açougue publico desta cidade, sitio á Avenida Doutor Floro, antiga Rua-Nova; os predios contiguos a casa de residencia da religiosa Joana Tertulina de Jesus, conhecida por Beata Mocinha, onde tambem resido actualmente, sitios á rua São José; o sitio Faustino, sito no Municipio do Crato; o sitio Paul tambem no Municipio do Crato, porem depois do fallecimento da antiga proprietaria Dona Ermelinda Correia de Macedo, que ainda nelle reside, salvo se antes da sua morte quizer de accordo com os Padres Salesianos ficar morando em outro lugar; o sitio Baixa Dantas, no Municipui do Crato; as fazendas Lettras, Caldeirão e Monte Alto, no Municipio do Cobrobó, no Estado de Pernambuco, com todas as bemfeitorias e gados nellas existentes; o quarteirão de predios, sitos á rua de São Pedro, os quais comprei ao Doutor Floro Bartholomeu da Costa, nesta cidade, inclusive o predio em construcção na mesma rua, contiguo a casa de morada e de negocio do meu amigo Damião Pereira da Silva; a fazenda Juiz, sita no Municipio de Aurora que comprei aos Frades do Convento de São Bento de Quixadá; o predio onde funcciona o Orphanato Jesus Maria e José, sito á rua São José; o terreno contiguo a este mesmo predio; o predio em construção junto a casa da Beata Mocinha onde resido á mesma rua São José; o sitio Fernandes no Municipio do Crato; o sitio Peripery, no pé de serra de São Pedro, no Municipio do mesmo nome, porem depois da morte da sua então proprietaria Dona Maria Souto, salvo se esta de accordo com os Padres Salesianos quizer morar em outro lugar; os sitios Santa Rosa e Tabóca, no Municipio do Crato; o sitio Rangel, sito no Municipio de Santa-Anna do Cariry, que comprei a Dona Joanna de Araujo, e todas as propriedades com todas as suas bemfeitorias igualmente a estas por mim citadas que possúo ou venha a possuir e que não constam desde testamento, bem como todos gados que possúo por toda parte e que não pertençam a outras pessôas ou herdeiros estabelecidos nas clausulas deste testamento que ora faço, repito, deixo para os Benemeritos Padres Salesianos. Supplico aos mesmos Padres Salesianos que terminem a construcção da Capella do Horto.

Devo dizer para evitar conceitos inveridicos e suspeitos em torno do meu nome que comecei a construil-a para cumprir um voto que eu e os meus fallecidos collegas e amigos Padres Manoel Felix de Moura, Francisco Rodrigues Monteiro e Antonio Fernandes Tavora, então vigario do Crato, fizemos. Esse voto fizemos quando apavorados com resultados da secca de mil oitocentos e oitenta e nove (1889) receiamos, aliás, com razão justificada que o ano de mil oitocentos e noventa (1890) fosse tambem secco, com o povo desta terra ao Santissimo Coração de Jesus.

E como essa obra não pude terminar, muito a contra gosto, é verdade, tão somente para não desobedecer ás ordens prohibitorias do meu Diocesano, o então Bispo do Ceará, Dão Joaquim Vieira, peço aos Benemeritos Padres Salesianos que concluam esse templo de accordo com a planta que trouxe de Roma e a miniatura em fôlha de flandre que deixo depositada em logar seguro.

Deixo mais para os Padres Salesianos, a imagem em vulto grande do Senhor Morto que me veio de Lisbôa.

Segunda - Deixo para a Santissima Virgem das Dores desta Matriz de Joazeiro os seguintes bens: o sitio Porteiras onde mora meu encarregado José Ignacio Cordeiro, neste Municipio; o sobrado onde Manoel Salins tem a loja de santos, á rua Padre Cicero; o predio onde funcciona a cadeia publica desta cidade, sito á Avenida Doutor Floro, bem como os demais que se seguem contiguamente á mesma rua e na rua Padre Cicero; o predio onde mora Dona Rosa Esmeralda, á rua Padre Cicero, bem como os predios contiguos que foi o Oratorio do Senhor Morto e em que reside a Beata Solidade e mais ainda o terreno murado a este contiguo; o predio onde morou a Beata Isabel da Luz; o predio onde funccionaram as redacções do "O Rebate" e da "Gazeta do Joazeiro", todos á rua Padre Cicero, e os commodos situados ao Consistorio da Matriz onde funcciona o Collegio do Doutor Diniz, e mais ainda o sitio Palmeira do Municipio do Ceará-Merim, Estado do Rio Grande do Norte, com vinte braças de largura, sem plantio mas com agua permanente cujo meu encarregado é Pedro Vasconcellos; o sitio Petitinga do Municipio de Touros, do Rio Grande do Norte, com vinte braças de largura, com agua permanente e cerca de duzentos e trinta coqueiros; o sitio Sacco, do mesmo de Touros, com cento e vinte braças de largura, agua permanentemente e com cerca de dois mil pés de côcos entre velhos e novos, também no Rio Grandedo Norte, dos quaes é meu encarregado Alexrandre Mauricio de Macêdo.

Declaro mais que esses bens que deixo para Nossa Senhora das Dores, Padroeira desta Matriz, não poderão ser vendidos nem alienados sob que pretexto fôr. E no caso de quem quer que seja encarregado da direcção do Patrimonio de Nossa Senhora das Dores entender de vendel-os ou alienal-os passarão todos esses bens a pertencer a Congregação dos Salesianos.

Terceira - Deixo para Maria de Jesus (vulgo Babá), para Thereza Maria de Jesus (vulgo Therezinha do Padre), para Beata Jeronyma Bezerra (vulgo Geluca) e Para Maria Eudoxia de Assumpção o predio onde residio e falleceu minha saudosa irmã Angélica Vicencia Romana, sito á rua Padre Cícero, para nelle residirem ou morarem em quanto viverem, sendo que por morte da ultima sobrevivente passará o dito predio a pertencer a Congregação dos Salesianos.

Entretanto poderão estas mesmas minhas herdeiras durante a vida passar o referido predio aos Padre Salesianos caso entendam e queiram ou entrem em accordo em trocar com os mesmos Padres este mesmo predio por outro onde possam morar, comtanto que por morte da ultima sobrevivente fique o mesmo predio trocado para os Padres Salesianos.

CONTINUA...

http://historiaesuascuriosidades.blogspot.com.br/2011/11/testamento-de-padre-cicero-na-integra.html

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