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domingo, 18 de janeiro de 2015

LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS

Por Antonio José de Oliveira

Na realidade Pesquisador Mendes, o livro LAMPIÃO: A RAPOSA DAS CAATINGAS oferece total segurança nas informações, por ser fruto de um trabalho minucioso e didaticamente perfeito, realizado em profundidade durante onze anos de pesquisa.


Posso afirmar sim, uma vez que tive o prazer de lê-lo por completo. O autor desenvolveu uma ampla pesquisa de campo, além da bibliográfica e documental. 

Autor deste livro José Bezerra Lima Irmão e o escritor João de Sousa Lima

Não conheço pessoalmente o Bezerra Lima, mas pelo que pude interpretar na leitura do seu livro, trata-se de um escritor que, na medida do possível buscou a "verdade verdadeira". Acredito Mendes, que esta segunda edição irá logo desaparecer das prateleiras das livrarias, e ele terá que partir para uma TERCEIRA ETAPA.

A 2ª edição continua sendo vendida através dos endereços abaixo:

josebezerra@terra.com.br

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:

Mastrângelo (Mazinho), baseado 

em Aracaju:

Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

E-mail:   lampiaoaraposadascaatingas@gmail.com 

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.

http://araposadascaatingas.blogspot.com.br 

ANTONIO CONSELHEIRO E CANUDOS

Por José Romero Araújo Cardoso

Queridos e estimados amigos Mendes Pereira e Pereira Lima, boa tarde:
Encontrei na net, em pdf, o livro ANTÔNIO CONSELHEIRO E CANUDOS, organizado pelo grande Ataliba Nogueira.

A versão em pdf é muito grande, mais de 22 mil Kbites, motivo pelo qual converti de pdf para word, intuindo mandar para vocês.

Tenho esse programa no meu computador, o qual converte de pdf para word.

Em anexo segue o livro ANTÔNIO CONSELHEIRO E CANUDOS.

Forte abraço!
José Romero Araújo Cardoso

Link para contato - 26,00

http://www.livrariaphylos.com.br/?74,3962,brasiliana-antonio-conselheiro-e-canudos-ataliba-nogueira.html


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EXPOSIÇÃO VIRTUAL - OBJETOS DO CANGAÇO


Entre os vários objetos da época do cangaço pertencentes ao acervo pessoal do Dr. Antônio Amaury Corrêa de Araújo, um em especial, chamou-me a atenção.

Esse objeto é na verdade uma caixinha feita e trabalhada em couro que era utilizada presa ao cinto (cinturão) de seu proprietário e que servia para guardar pequenos objetos... no caso do dono dessa, para transportar fumo, papel, isqueiro, fósforo e etc...

Essa caixinha de couro, segundo o Dr. Antônio Amaury, pertenceu ao Capitão Virgulino Ferreira (Lampião)... o maior de todos os cangaceiros, e que lhe fora presenteada por um antigo coiteiro, durante uma de suas dezenas de viagens que fez ao Nordeste em busca da história do cangaço.

Essa relíquia histórica, acredito eu, que seja desconhecida, até mesmo de muitos que pesquisam e estudam a sério o assunto.

APRECIEM...
Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

Fonte: facebook

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OS SERTÕES: AS PRÉDICAS DE ANTÔNIO CONSELHEIRO E A POESIA DE CANUDOS - PARTE I

Por Aleilton Fonseca

Antônio Conselheiro, "documento vivo de atavismo"

Em Os sertões (1), no capítulo intitulado "O homem", Euclides da Cunha caracteriza a figura de Antônio Conselheiro e, em função de sua imagem, analisa as prédicas e a poesia de Canudos. Sua abordagem da vida religiosa concentra-se sobretudo em avaliar as práticas dos canudenses como sendo determinadas pelo fanatismo conduzido pelo Conselheiro. Já os versos encontrados, que tematizam a Guerra, são vistos como "pobres papéis" que registrariam o efeito das prédicas do beato. Dessa forma, para que se compreendam as observações de Euclides sobre as prédicas e sobre a poesia canudense é preciso observar alguns aspectos da análise que ele faz do Conselheiro.

Euclides da Cunha inicia o capítulo "O homem" discutindo o problema etnológico do Brasil, procurando demonstrar, segundo as teorias raciais correntes no final do século XIX, o processo ainda inconcluso de formação da nossa etnia mestiça, a partir das três raças originais: indígena, africana e européia. Em seguida, procura explicar a gênese do jagunço e descreve o modo de vida do sertanejo, sua cultura e sua personalidade em consonância com o meio físico, com o clima e com fatos históricos da ocupação geográfica, definindo-o como representante de uma sub-raça que seria produto desses condicionantes. Em função disso, procura estabelecer as causas que levariam ao messianismo como expressão de uma religiosidade primitiva que considerava própria de um estádio atrasado de civilização, que estaria então sendo reatualizada pelos canudenses como um fenômeno de atavismo. Assim, os sertanejos comporiam uma sub-raça dentro do processo de miscigenação brasileiro, e que, isolada durante cerca de três séculos, estaria situada à margem do processo civilizatório e do progresso conseguido pela sociedade do espaço litorâneo do país. Sob essa ótica, Antônio Conselheiro emerge como um produto do meio, portador de características determinadas pela hereditariedade, constituindo um documento vivo de atavismo. Euclides afirma: "É natural que estas camadas profundas da nossa estratificação étnica se sublevassem numa anticlinal extraordinária — Antônio Conselheiro".

Com esse epíteto principal, Euclides da Cunha procura traçar as caraterísticas do líder religioso sertanejo, enquadrando-o segundo os conceitos e premissas cientificistas que norteiam sua análise. O beato surge como sendo o falso profeta, um produto do meio, portador de psicose progressiva e consciência delirante:

Todas as crenças ingênuas, do fetichismo bárbaro às aberrações católicas, todas as tendências impulsivas das raças inferiores, livremente exercitadas na indisciplina da vida sertaneja, se condensaram no seu misticismo feroz e extravagante. Ele foi, simultaneamente, o elemento ativo e passivo da agitação de que surgiu. (2)

Para o escritor, Antônio Conselheiro resumia numa individualidade os caracteres negativos da sub-raça, sendo o " falso apóstolo que o próprio excesso de subjetividade predispusera à revolta contra a ordem natural". E assim: "A multidão aclamava-o representante natural de suas aspirações mais altas". Ao traçar o perfil do líder religioso, Euclides destaca-o como uma anticlinal, um "grande homem pelo avesso", uma personalidade forte e carismática resultante do meio social atrasado e formado por homens inferiores, degenerados. Assim, ao lado da descrição "científica", observa-se uma espécie de admiração pelo valor pessoal do pregador, visto como um peregrino, evangelista, "asceta" e "gnóstico bronco" em suas ações edificantes pelos arraiais sertanejos (3).

As prédicas de Antônio Conselheiro, n’Os sertões

Euclides da Cunha informa que, em suas andanças, Antônio Conselheiro levava "um surrão de couro em que trazia papel, pena e tinta, a Missão abreviada e as Horas Marianas" (4). Ao descrever as peregrinações de Antônio Conselheiro e seus seguidores pelas vilas e povoados sertanejos, mostra como o beato detinha o poder de aglutinar pessoas nas pequenas praças, para ouvir suas pregações. A descrição destaca, de certo modo, o aspecto teatral das pregações:

Erguiam-se na praça, revestidos de folhagens, as latadas, onde à tarde entoavam, os devotos, terços e ladainhas; e quando era grande a concorrência, improvisava-se um palanque ao lado do barracão da feira, no centro do largo, para que a palavra do profeta pudesse irradiar para todos os pontos e edificar todos os crentes. (5)

E adiante:

Ele ali subia e pregava. Era assombroso, afirmam testemunhas existentes. Uma oratória bárbara e arrepiadora, feita de excertos truncados das Horas Marianas, desconexa, abstrusa, agravada, às vezes, pela ousadia extrema das citações latinas; transcorrendo em frases sacudidas; misto inextrincável e confuso de conselhos dogmáticos, preceitos vulgares da moral cristã e de profecias esdrúxulas. (6)

As prédicas de Antônio Conselheiro são consideradas por Euclides como extravasamento de sua loucura. Assim, ao longo de sua análise, concatena juízos negativos a respeito do pregador e das prédicas, num quadro em que se ajustam como resultantes da mesma situação de incultura. O beato é visto como um "orador bárbaro", "truanesco", "pavoroso", "bufão arrebatado", enfim um "heresiarca". Enquanto isso, as prédicas são consideradas "truncadas", "abstrusas", "desconexas", "preceitos vulgares", enfim, "insânia formidável". O ensaísta cita algumas passagens das prédicas, as mais truncadas e confusas possíveis, para corroborar as suas afirmações e apontar nelas "a revivescência de aberrações extintas". Os comentários acerca do conteúdo das prédicas são articulados no sentido de mostrá-las como prova do que seria o estádio retrógrado, o atraso cultural dos sertanejos, em sua expressão religiosa. Nota-se, no entanto, que os fatos, na verdade, são arrolados para preencherem um lugar de antemão demarcado na cadeia explicativa euclideana, através de formulações conceituais estabelecidas a priori. Por outro lado, os fatos analisados não foram observados in loco pelo escritor, mas sim informados por "testemunhas existentes". Assim, os comentários e críticas são feitas a partir de impressões de testemunhas que não eram partidárias do pregador. Dessa forma, observa-se que tanto os depoentes quanto o analista observam os fatos de uma posição de fora, submetendo-os a preconceitos e prejulgamentos. Nesse sentido, a abordagem das práticas religiosas dos conselheiristas perde de vista a sua inserção no espaço sertanejo, como uma forma de resistência e como uma alternativa de sociabilidade religiosa. Assim, como líder espiritual de uma "igreja" à margem da instituição religiosa oficial situada nos parâmetros positivistas de civilização, o Conselheiro é visto como "desnorteado apóstolo" em "missão pervertedora" que "reunia no misticismo doentio todos os erros e superstições que formam o coeficiente de redução da nossa nacionalidade" (7).

CONTINUA...


Enviado pelo escritor, professor e pesquisador do cangaço José Romero Araújo Cardoso

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“QUEM PODIA PAGAVA. QUEM NÃO PODIA FICAVA…”

Por Rostand Medeiros

Transcrição Sálvio Siqueira

O ano de 1928 se iniciou e mais cangaceiros chegavam ao Recife.

Em 28 de março, vindo de Rio Branco (atual Arcoverde), chegava a Recife um trem com 15 cangaceiros e uma escolta de 30 policiais.

Na gare da estação desembarcaram Camilo Domingos de Farias, o Pirulito, Antônio Bernardo Silva, Adriel Ananias Pereira, Manoel Othon Alencar, o Seu Né, Benedito Domingos Farias, Manuel Torquato Amorim, Antônio Quelé Bezerra, o Candeeiro, Domingos dos Anjos de Oliveira, o Serra do Umã, Fortunato Domingos de Farias, o Guará, Rufino dos Anjos Oliveira, Manoel Cornélio de Alencar, o Sinhô Piano, José Bernardo da Silva, Antônio Serafim da Silva, o Antônio de Ernestina e Cícero Flor da Silva.


Para quem estava preso os dias passavam lentos, como se passa em todo local de detenção. Para evitar este problema, quem podia tratava de sair da cadeia pelos meios legais.

Este foi o caso do comerciante Emiliano Novaes. Membro de uma proeminente família da cidade de Floresta, tido como amigo e coiteiro de Lampião, consta que chegou a cavalgar de arma na mão ao lado de cangaceiros. No livro de Luiz Bernardo Pericás, “Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica” existe a reprodução de um telegrama policial enviado pelo tenente Sólon Jardim, de Vila Bela para Recife.

Informava o oficial que Emiliano Novaes estava chamando cangaceiros de várias partes para atacar a vila de Nazaré, onde viviam e se concentravam alguns dos maiores inimigos e mais tenazes perseguidores de Lampião.

O grupo de Emiliano Ferraz era superior a 100 cangaceiros e entre suas ações consta que no dia 29 de julho de 1926, no lugar Ingazeira, eles mataram o Soldado Cândido de Souza Ferraz, de número 386, lotado na 1ª companhia, do 3º Batalhão de Vila Bela. Consta que o Soldado Ferraz estava com a saúde debilitada e seguia para o quartel quando foi covardemente assassinado.

Pelo crime Emiliano Novaes foi preso. Mas em agosto de 1928, através do renomado Dr. Caetano Galhardo, seu advogado, conseguiu o desaforamento de seu processo para o município do Cabo, próximo a capital pernambucana. Depois o Dr. Galhardo impetrou uma ordem de habeas corpus. Esta foi julgada em 21 de agosto, sendo o processo anulado “Ab initio” e concedendo a liberdade ao acusado, que foi imediatamente solto.

Já os cangaceiros sem recursos, nem advogados, pagavam seus crimes na cadeia. 

Fonte tokdehistoria.com.br (Publicado em 29/07/2014)
Foto ‘pescada’ no tokdehistoria.com.br(Prisioneiros que trabalhavam na gráfica da Casa de Detenção do Recife- PE)

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EU BRINQUEI COM TODAS AS AUTORIDADES DO BRASIL, PRINCIPALMENTE DA REGIÃO NORDESTE

Por José Mendes Pereira

Vocês do meu sofrido nordeste brasileiro, sabem por que eu, Virgulino Ferreira da Silva, o verdadeiro Lampião, acanalhei um pouco o Brasil? É fácil. Na minha época, as leis que eram criadas no meu Brasil não eram cumpridas com rigor, e cumpria aquele que queria, e só quem saía perdendo, era o homem que andava na linha, que não se envolvia com malandragens, que não roubava, que não matava, que não depredava fazendas, que não estuprava, que não queimava animais, que não invadia vilas e vilarejos...


Lampião e seus comandados

No chão nordestino, de Norte ao Sul e de Leste ao Oeste, Antonio Ferreira da Silva, Livino Ferreira da Silva, Ezequiel Ferreira da Silva, minha cabroeira toda, e eu, fizemos o que bem pensamos fazer, e as autoridades, não sei por qual razão deixaram as nossas desordens acontecerem. E se estavam ganhando com isso, eu não sei. Mas a verdade é que a minha vida de bandoleiro foi um verdadeiro mar de rosas para muitos que não tinham empregos. Quem me perseguia em qualquer lugar, estava ganhando seu soldo dos governos. A minha "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia" deu emprego àquela gente do meu torrão sofrido, que vivia passando fome. Eu era perseguido, mas perseguia também, principalmente os policiais que me procuravam por todos os lugares. Eu, às vezes, quando encontrava um deles por aí sozinho, eu mandava um dos meus comandados dar apenas uma carreira nele, e lhe dizia que não o matasse, deixasse ir embora, era o trabalho dele procurar bandidos. Mas se fosse um grupo, aí, a coisa pegava. Aí o tiroteio começava mesmo com gosto de gás.


E durante o período de desordens, matamos, roubamos, cortamos língua de gente, capamos, ferramos mulheres inocentes, açoitamos indivíduos com chicotes, 

Zé do papel ficou sem uma orelha

decepamos orelhas e cabeças de autoridades ainda vivas, e eu, vivi 20 anos fazendo estas desordens, as quais eu as chamo de traquinagens de criança. Se no meu tempo as leis criadas no Brasil fossem cumpridas, eu, Lampião, não tinha feito tantas desordens por onde passei, e quem sabe, talvez nem tinha dado início à vida de cangaceiro. 


Agora você veja bem em outros países por aí, as leis são severas, e além do mais, são cumpridas. Não há choro de ninguém e pedido de clemência por autoridade nenhuma, que faça a lei não ser cumprida. É o caso da Indonésia. Não abre mão para aquele que tentar desrespeitar o seu chão, a sua autoridade, o seu governo. 

Eu sei que eu gostava mesmo era não obedecer ninguém, ficar por cima da lei. Mas, hoje, vejo que não há nada melhor do que a paz, a tranquilidade, a união com todos, amando e sendo amado, sendo respeitado sem nenhum tipo de arma nas mãos, sorrindo ao lado dos amigos, da família, participando das festividades do lugar, sem ter que olhar para todos os lados, com medo que alguém vem em direção para vingar algo. 

Eu, Virgulino Ferreira da Silva o incrível Lampião, aconselho a todos aqueles que pensam, ou já estão no mundo do crime: "saiam dessa imediatamente e cuidem de formar uma família, porque não existe nada melhor do que ser feliz, ser do bem, ser uma ovelha do rebanho de Deus. Ser cangaceiro do Diabo é a coisa pior que existe em todo o universo. Existem dois caminhos: O bem e o mal. Então o caminho do bem é mais fácil para seguir viagem em direção à casa do grande poderoso, que é Deus.

Eu, Virgulino Ferreira da Silva - o incrível Lampião.

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CALDEIRÕES DE PEDRAS DO RASO DA CATARINA

Amplie a imagem para você curtir a beleza deste caldeirão

Esses caldeirões são formações rochosas que represam a água das chuvas servindo como um reservatório natural do precioso liquido.

No passado Cangaceiros e Policiais Volantes saciavam suas sedes e enchiam seus cantis nesses caldeirões para seguirem viagem embaixo do sol escaldante que o Raso da Catarina proporciona, àqueles que ousam a desafiar sua seca e extensa vastidão.

Nas quebradas do Sertão...

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

Fonte: facebook
Página:  Geraldo Júnior

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sábado, 17 de janeiro de 2015

PADRE MOTA, MESTRE DE MOSSORÓ

Tomislav R. Femenick – Historiador, membro da diretoria do IHGRN.
O Padre Mota em reunião com lideranças política de Mossoró. O religioso foi prefeito da cidade por nove anos e nove meses

Luiz Ferreira da Cunha Motta nasceu em Mossoró no final da última década do século XIX. Estudou em sua cidade, em Natal, Recife, João Pessoa e Roma, onde se ordenou Padre em 1922, às vésperas de completar 25 anos de idade. Sua tese em teologia, apresentada à Pontifícia Universidade Gregoriana, obteve a classificação de “bone probatus”; aprovada com excelência.

Regressou à sua cidade no dia 21.10.1922. Segundo reportagem do jornal “O Nordeste”, o novo sacerdote foi recebido na Estação da Estrada de Ferro pelo Padre Manuel Gadelha, Vigário da Paróquia de Santa Luzia, seus familiares e pelo povo, que compunha uma enorme multidão. Formou-se, então, um extenso cortejo em direção à Matriz. Soltaram foguetes e a banda do Grêmio Musical tocava músicas sacras e alegres. No altar-mor da igreja de Santa Luzia, o Padre orou demoradamente ao som de “Sacerdos Magnus” e palmas da multidão.

Quando do regresso à terra natal, o Padre Mota encontrou quase a mesma Mossoró que deixara. O município tinha pouco mais que dezesseis mil habitantes. A cidade possuía trinta ruas, doze praças, cinco travessas e uma avenida, com 1.872 casas, sendo 840 de tijolos e telha, e 1.032 de taipa. Havia menos de trinta escolas primárias, um Grupo Escolar e uma escola de nível ginasial – o “colégio das irmãs”, pois o Santa Luzia estava fechado. As vias públicas eram cobertas com barro e pedregulhos. Não havia calçamento. Quando chovia, as ruas ficavam lamacentas e escorregadias. Durante o dia, o sol imperava abrasador. A escuridão das noites era cortada apenas por poucas lâmpadas de 32 velas, instaladas pela Intendência Municipal. Para reduzir o breu da noite e afugentar os mosquitos, em frente das residências eram acesas fogueiras, misturando-se estrume de gado às brasas.

O PADRE
O novo sacerdote ocupou vários cargos eclesiásticos: capelão do Colégio Sagrado Coração de Maria, vice-diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia (quando este reabriu suas portas), capelania do Sagrado Coração de Jesus, responsável pelo ensino da religião para cerca de 1.200 crianças, vigário da Paróquia de Santa Luzia de Mossoró (quando deu início à construção da Capela de São José) e vigário geral da Diocese, de 1936 até o seu falecimento. Na hierarquia da igreja, o seu posto mais alto foi o de Monsenhor.

Meses após tomar posse como vigário da Paróquia de Santa Luzia, o Padre Mota promoveu uma reunião na sacristia da Capela do Sagrado Coração de Jesus, com um número bem reduzido de pessoas. Além dele, apenas seu pai, Vicente Ferreira da Mota, e o comerciante e industrial Miguel Faustino do Monte. O motivo da reunião: a criação da Diocese de Mossoró. Muitas, muitas outras pessoas se agregaram a esse esforço.

Título Eleitoral expedido em nome do Padre Mota em 1956.

Miguel Faustino ficou encarregado de levar o assunto junto à Diocese de Natal, a qual a Paróquia de Mossoró estava subordinada. O coronel Mota junto às autoridades, comerciantes e industriais da cidade, e o Padre Mota, juntamente com o Cônego Amâncio Ramalho, se encarregariam de arregimentar apoio entre os outros clérigos locais. Entretanto, tudo isso deveria ser tratado com absoluto sigilo, para não melindrar as autoridades eclesiásticas da Diocese da capital do Estado. Se houvesse dúvidas quanto ao segredo, dever-se-ia recorrer ao sigilo confessional. O Padre Mota reconheceu: “Foi um recurso maquiavélico, mas a causa era nobre e divina”.

O passo mais importante foi dado por Miguel Faustino junto ao bispo de Natal, Dom Marcolino Dantas. A ele disse que estaria disposto a fazer uma generosa contribuição em bens e dinheiro, quando fosse oportuno transformar a Paróquia de Mossoró em Diocese. Essa contribuição visaria formar a sua estrutura material, para que ela pudesse funcionar sem percalços.

O trabalho durou mais de seis anos. No dia 14.09.1934, o Padre Mota recebeu um telegrama de Dom Marcolino em que este lhe comunicava a criação da Diocese de Mossoró, através de uma bula papal emitida por Pio XI, assinada em Roma e datada de 28 de julho daquele ano. No dia 18 de novembro de 1934, por deferência especial do Bispo de Natal, e em seu nome, o Padre Luiz Ferreira da Cunha Mota presidiu o ato inaugural da nova diocese, pela qual tanto lutara. A celebração teve lugar na Catedral de Santa Luzia e contou com a presença de autoridades e do povo da cidade.

NA LINHA DE FRENTE DURANTE A BATALHA CONTRA LAMPIÃO

Consta que o ataque de Lampião a Mossoró teria sido a ele sugerido pelo político cearense Isaias Arruda e pelo cangaceiro potiguar Massilon Leite Benevides. Como teste, o bando desse último invadiu com sucesso a cidade de Apodi. Então, vários grupos de cangaceiros se reuniram para, juntos, atacar Mossoró. O ambiente era confuso e havia mais de um comando, embora que Virgulino tivesse ascendência sobre todos. Pelo caminho, assaltavam vilas, povoados e fazendas, roubando, batendo, torturando e fazendo reféns, ao mesmo tempo em que destruíam, quebravam e incendiavam o patrimônio daqueles que não eram seus apaniguados ou acólitos. Mas todos esses casos eram preliminares da grande luta: Mossoró.

A cidade se preparou para fazer sua defesa. Foram organizadas trincheiras em diversos pontos da cidade. Segundo o historiador Vingt-un Rosado, no dia 13 de junho de 1927:“Treze horas. O padre Mota […] vai fazer um reconhecimento pela Cidade. Sozinho, de­sarmado, ei-lo percorrendo todas as trincheiras. O padre Mota e o cônego Amâncio seguem até a atual Pra­ça Rodolfo Fernandes. Começara a luta. […] Os dois sacerdotes, com extraordinário sangue frio, es­timulam os combatentes. Eram soldados desarmados, os únicos a percorrerem a Ci­dade, na hora difícil. […] Na Rua Idalino Oliveira, uma bala vinda da Praça da Independência, quase os atingia”.
A luta terminou às cinco horas da tarde. Nenhum defensor da cidade estava, pelo menos, ferido. Os cangaceiros se reuniram ao lado de um muro lateral do cemitério. Um dos atacantes fora morto, seis estavam feridos, quatro em estado grave. Derrotado, Lampião fugiu.

LIÇÕES DE DEMOCRACIA NA CALÇADA DO PADRE

Padre Mota e o sobrinho Francisco, também prefeito de Mossoró.

Muito se fala e pouco se sabe o que realmente é democracia. Na verdade, a maioria a entende apenas como repetição do sistema em que vive ou desejam viver. Todavia, o fundamento maior da democracia é o entendimento republicano de que o indivíduo é “æquabilis in paribus”, igual entre os iguais.

A calçada do vigário era o espaço mais democrático da cidade. Era uma assembleia de amigos, à moda da democracia ateniense, onde todos podiam dizer o que quisessem, desde que ouvissem o que os outros falassem. Tudo de maneira pacífica e civilizadamente, sem discussões acaloradas. Nada foi planejado, apenas aconteceu. Na Mossoró de antigamente, cidade ainda pequena, havia o costume das famílias colocarem as cadeiras na calçada para mitigar o calor com o frescor dos ventos do final do dia. O Padre Mota também fazia isso e aproveitava o tempo para fumar seus charutos. Os vizinhos e as pessoas que passavam, sentavam-se para tirar alguns dedos de prosa. Como eram muitos, criou-se o hábito de todos irem buscar suas cadeiras na sala de visitas do reverendo e depois deixa-las no mesmo lugar. As mais ilustres figuras de todas as correntes políticas, inclusive alguns evangélicos, ateus e comunistas, frequentavam essas reuniões.

Antonio Capistrano, comunista desde 1960 e ex-vice-prefeito de Mossoró, diz que a calçada do Padre Mota era “o ponto de encontro de políticos, intelectuais e comerciantes da cidade, local suprapartidário, democrático, de papos sobre os diversos assuntos de interesses da coletividade, como também não deixava de ter as fofocas provincianas. Os que participavam dessas conversas lembram-se com muita saudade dos finais de tarde da calçada do padre; ele era espirituoso, piadista e conversador. Padre Mota parece que inspirou Che na sua famosa frase ‘ser duro sem jamais perder a ternura’. É essa a imagem que tenho do padre Mota. Severo nas suas convicções, mas extremamente humano nos seus atos. Isso é, para mim, a razão do bem-querer do povo mossoroense ao seu vigário geral. Homem pronto a servir, participando ativamente dos problemas da cidade”.

BRINCALHÃO, O PADRE ENSINAVA QUE DEUS NÃO É TRISTE

Uma das características do cidadão Luiz Ferreira da Cunha Mota, inseparável de sua condição de Padre ou Prefeito, era o seu humor ferino, brincalhão, travesso, com um toque de galhofa e de gracejo fino, sem ser grosseiro, nem nunca descambar para o impudor ou para a agressividade. O Padre Mota sabia rir e não gostava de lamúrias, tristezas ou lástimas. Dizia que “Deus não é Triste. Se o fosse, não teria criado o mundo e a vida tão belos. Não teria feito os passarinhos cantar, o amor dos jovens, o sorriso das crianças, o sol, a lua, o mar”. O jornalista Lauro da Escóssia reuniu vários “causos” do padre e publicou um livro com o título de Anedotas do Padre Mota (1986).

Em 1951 aconteceu um caso emblemático do seu humor sagaz. Manuel Leonardo Nogueira levou uma filha para ser batizada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, cujo vigário era o padre holandês Cornélio Dankers, o qual se recusou a fazer o batizado, alegando que os padrinhos, João Café Filho e sua esposa, eram comunistas. Note-se que Café Filho era o vice-presidente da República. Manuel Leonardo recorreu ao Padre Mota e o batizado foi celebrado na igreja Matriz. Meses depois, o padre Cornélio falando com o Padre Mota trouxe o assunto do batizado à conversa, dizendo que não compreendia a atitude do seu colega. O Padre Mota respondeu: “Cornélio, eu conheço Café. Ele não é comunista coisa nenhuma. No máximo, é um oportunista. Além do mais, ele estava longe. E, mesmo se eles [Café Filho e a esposa] estivessem aqui e fossem comunistas, eu nunca vi comunista comer criancinha”.

PADRE MESTRE

Luis da Câmara Cascudo assim escreveu sobre Padre Mota: “Padre Mestre Luís Mota, Prefeito de Mossoró, gordo, atarracado, baixo, com um passo airoso de moço-fidalgo. Padre que viveu oito anos de Roma e conheceu três Papas, que viu a Itália guerreira, bolchevista e fascista, que aprendeu a olhar o povo como organização e jamais como figura de retórica, aí está tua Mossoró, um orgulho para os olhos e uma saudade para o coração. Ninguém se iluda com tua fisionomia espirituosa e plástica, com o humorismo de tuas graças, com o infalível charuto, com a ponteira incansável de tua bengala negra. Nem pelas anedotas que contas, pelos fatos que evocas deliciosamente. Tua história vibra nesse cenário tu­multuoso e moderno de existência sem desfalecimento”.

Tribuna do Norte. Natal, 18 jan 2015.

Leia também:


Tomislav R. Femenick – Jornalista, Historiador, membro da diretoria do IHGRN.

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“O GLOBO” – 26/06/1957 - PARTE I

Material do acervo de Antonio Corrêa Sobrinho

AMIGOS, há 57 anos, o coronel JOÃO BEZERRA, comandante das tropas volantes que, no dia 28 de julho de 1938, executaram a tiros Lampião, sua mulher Maria Bonita, e nove dos seus companheiros, concedeu a entrevista que trago abaixo, ao “O Globo”, um dos maiores jornais do Brasil, oportunidade em que este famoso comandante fez publicada num dos maiores jornais do Brasil, a sua versão sobre os acontecimentos que culminaram com a morte do mais famoso bandoleiro da história brasileira.

 “O GLOBO” – 26/06/1957

CANGACEIROS TENTARAM FUGIR, QUANDO AS PRIMEIRAS CABEÇAS ROLARAM

Para “restabelecer a verdade histórica”, o coronel João Bezerra descreve, quase vinte anos depois, com detalhes impressionantes, a carnificina que marcou o fim de Lampião e seu bando sinistro – “suspense” em plena caatinga, numa madrugada chuvosa de Julho de 1938 – “o degolamento foi uma medida acertada e não me provocou remorso”, diz a “o Globo” o Oficial da Força Pública de Alagoas, hoje reformado e fazendeiro.

MACEIÓ, junho (De Ivan Alves, enviado especial de O GLOBO) – Assegurando que o degolamento de Lampião foi “uma medida acertada” – pois, se não houvesse ocorrido, muita gente no sertão não acreditaria que ele tivesse sido eliminado – e que o célebre cangaceiro não era o “cabra” mais valente e o melhor estrategista do seu grupo, o coronel João Bezerra, que combateu, também, contra o Sr. Luiz Carlos Prestes e serviu sob as ordens do general Góis Monteiro e do então major Eduardo Gomes, encontrando-se, hoje, na reserva da Força Pública do Estado, acedeu em falar a este repórter, rompendo um silêncio de vários anos, sobre a chacina desenrolada, sob seu comando, há quase duas décadas, em Angicos, às margens do São Francisco.

Coronel João Bezerra da Silva comandou a chacina aos cangaceiros

O coronel João Bezerra, que conta atualmente 52 anos de idade e é um tranquilo fazendeiro no interior das Alagoas, nega, porém, tenha mandado decapitar o mais famoso chefe do cangaço, revelando ainda que pretende figurar, em breve, como ator, num filme do deputado Tenório Cavalcanti, em torno da vida e da morte do homem cuja série de crimes interrompeu numa manhã chuvosa de outubro de 1938, “para desafogo e alegria das caatingas nordestinas, que amanheciam e anoiteciam sob a alça de mira dos trabucos de Virgulino Ferreira”, como hoje relembra, friamente, ante a memória da sangueira celebrada em prosa e em verso, e em tom legendário, por todo o Brasil.

CONTINUA...

“O GLOBO” – 26/06/1957 

Fonte: facebook
Página: Antonio Corrêa Sobrinho

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A Fundação Cultural Cabras de Lampião vem com tudo em 2015


A Fundação Cultural Cabras de Lampião vem com tudo em 2015, pois festeja 20 anos de história, os belos eventos que já realiza terão um gosto todo especial e servirão de mote para lembrar sua caminhada, que já nasceu grande e próspera, vida longa à todos que fazem a FCCL que contempla: Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, Museu do Cangaço, Ponto de Cultura, Escola de Danças Populares, Ponto de Memória, Espetáculo Teatral ao ar Livre O Massacre de Angico – A Morte de Lampião, Festival de Músicas do Cangaço, Encontro Nordestino de Xaxado, Espetáculo de Danças Mistura Pernambucana, Grupo de Danças Gilvan Santos, Herdeiros do Xaxado, Quintal do Museu (onde acontece uma infinidades de eventos, mostrando a diversidade artística e cultural do Brasil), entre outros afazeres dessa fecunda entidade cultural.


Fonte: facebook

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O CANGACEIRO ANTONIO SILVINO NO RIO GRANDE DO NORTE

Material do acervo do escritor e pesquisador do Cangaço Rostand Medeiros - http://tokdehistoria.com.br/category/cangaco/page/3/
Antonio Silvino


http://tokdehistoria.com.br/category/cangaco/page/3/

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“CONDENARIA A MORTE TODOS OS COITEIROS”, AFIRMA AGAMENON


Em 31 de Julho de 1938, após saber da morte do cangaceiro Lampião, o seu conterrâneo e governador de Pernambuco, Agamenon Magalhães, escrevia no seu jornal “Folha da Manhã”, sobre o tema cangaço dizendo que

 “é necessário uma legislação especial para combater o banditismo. Eu condenaria à morte, sumariamente, sem direito a recursos, nem perdão, todos os “coiteiros”, todos os que por covardia ou interesse guardaram, por tanto tempo, o mais terrível e cruel dos bandidos, esse, cuja cabeça a polícia acaba de cortar para oferecer ao estudo dos institutos médico-legais”

e mais a frente conclui dizendo que a morte de Lampião prova que:

 “a civilização operou o milagre. E dentro em pouco, a memória das façanhas e das crueldades do cangaço não existirá mais, nem nas trovas dos cantadores do sertão”. 

Na época quando assumiu o governo de Pernambuco, Agamenon Magalhães mudou o nome da cidade de Vila Bela para Serra Talhada, voltando ao seu nome primitivo, em uma tentativa de repaginar o nome da cidade que estava muito ligada e associada aos cangaceiros e bandoleiros da região.

Fotografia do Governador Agamenon Magalhães

Fonte: facebook
Página:  José João Souza.

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JOSÉ ROMERO LANÇA NOVO LIVRO

Por José Bezerra Lima Irmão

José Romero lança novo livro.

O título já diz tudo: Notas para a história do Nordeste.

José Romero, paraibano de Pombal radicado em Mossoró, é um abnegado estudioso da geografia, da história e da cultura do Nordeste.

Nessa obra, José Romero, professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte/UERN, aborda temas de interesse permanente envolvendo tradições, a chamada civilização do couro, coronelismo, cangaço, almocreves, vaqueiros, parteiras, secas, Coluna Prestes, Revolta de Princesa, a morte de João Pessoal, Revolução de 30, Canudos, Delmiro Gouveia, Josué de Castro, cordel, Luiz Gonzaga.

Converse com o autor: romero.cardoso@gmail.com

Conheça sua obra: “Notas para a História do Nordeste”. João Pessoa: Ideia, 2015, 119p. ISBN 978-85-7539-961-3
EDITORA : www.ideiaeditora.com.br
ideiaeditora@uol.com.br

Por José Bezerra Lima Irmão. Escritor e jornalista sergipano radicado em Salvador/BA. Autor do livro Lampião, a raposa das caatingas.


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CANGACEIRO AZULÃO II


Primo do cangaceiro Balão, e era sergipano de Várzea da Ema.

1 - Entrou para o bando em 1929, após abusar sexualmente de uma irmã menor, e ser ameaçado de linchamento por todos que o conheciam.

2 - Participou do Massacre de Queimadas-BA em 22 de dezembro de 1929, quando sete praças da polícia baiana foram assassinados.

3 - Participou do massacre de Mirandela, no distrito de Ribeira do Pombal-BA, no dia 25 de Dezembro de 1929, onde foram mortos dois civis e um soldado.

4 - Participou do ataque a Aquidabã-SE, em Outubro de 1930.

5 - Participou do ataque a Floresta-PE, em 26 de Novembro de 1930, fazendo parte de um grupo de aproximadamente vinte cangaceiros, quando mataram e degolaram vários inimigos de Lampião, extorquindo fazendeiros e praticando depredações.

6 - Com dois cabras e uma mulher, atacou a Fazenda Maravilha, em Agosto de 1933, na região de Campo Formoso-BA, roubando e saqueando.

7 - No dia 13 de Outubro de 1933, comandando um pequeno grupo no qual estava sua companheira Maria, Canjica, Zabelê, Calais, Arvoredo e Joana companheira de Calais, invadiu a Fazenda Morrinho, de Zezé Almeida, matando o proprietário, seu filho e um vaqueiro, sangrando a punhal, além de estuprar duas meninas, da Fazenda Carrancuda, que ficava próxima.

Da esquerda para a direita: Zabelê, Maria, Azulão e Canjica - cangaconabahia.blogspot.com

Foi morto no dia 14 de Outubro de 1933, na Fazenda Lagoa do Lino, no município de Monte Alegre-BA, juntamente com os companheiros Canjica, Zabelê e Maria Dora ou Maria de Azulão. Depois do massacre, as cabeças dos cangaceiros ficaram expostas na calçada da cadeia pública de Monte Alegre, hoje Mairi-BA.

Sua cabeça era uma das que estavam expostas no Museu em Salvador-BA, somente sendo enterrada em 13 de Fevereiro de 1969, por ordem do Governador da Bahia Luis Viana Filho.

Fonte: Livro Cangaceiros de Lampião de A a Z de Bismarck Martins de Oliveira.

Foto: Cortesia de Rubens Antônio (Salvador-BA)
Transcrição: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

Fonte: facebook

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