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sexta-feira, 11 de março de 2016

LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.

Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.

O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

josebezerra@terra.com.br
(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799

Pedidos via internet:

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:

Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-834

E-mail:   lampiaoaraposadascaatingas@gmail.com

Clique no primeiro link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.

http://araposadascaatingas.blogspot.com.br/

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CAVALGADA NAZARÉ DO PICO

Gravado pelo cineasta Aderbal Nogueira
https://www.youtube.com/watch?v=-xYYI4ul_Mo

Cavalgada Nazaré do Pico
Aderbal vídeo
Publicado em 20 de julho de 2015
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A HOMENAGEM DO GRUPO ‘OFÍCIO DAS ESPINGARDAS’ A TODAS AS MULHERES SE FAZ ATRAVÉS DE UM POUCO DA HISTÓRIA DA “RAINHA DO CANGAÇO”, MARIA GOMES DE OLIVEIRA, QUE POR UMA COINCIDÊNCIA DO DESTINO, NASCEU AOS 08 DIAS DO MÊS DE MARÇO DE 1911

Maria Bonita rainha do cangaço do capitão Lampião 

Nos arredores do povoado denominado Malhada da Caiçara, hoje, município de Paulo Afonso – BA havia um casal de sertanejos, o 

José Gomes de Oliveira pai de Maria Bonita - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Sr. José Gomes de Oliveira e D. Maria Joaquina Conceição Oliveira, residindo em sua modesta casa de ‘Taipa’ na Fazenda Santa Brígida.

D. Maria Joaquina Conceição Oliveira - Dona Déa Mãe de Maria Bonita - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Viviam e convivia normalmente como qualquer família viveu nos rincões sertanejos naqueles idos tempos. Dessa união nasceram doze filhos. Nada demais se dentre eles não tivesse existido a 2ª filha, Maria Gomes de Oliveira.

Benedita - irmã mais velha de Maria Gomes  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Naquele pedaço de terra o velho Zé Gomes, criava sua família tranquilamente, como assim faziam todos que pela ribeira moravam. Não tinham luxo algum.

Antonia irmã de Maria Bonita - - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Sua segunda filha, Maria Gomes de Oliveira, nasceu no dia 8 de março de 1911. Sua infância em nada foi diferente das outras meninas sertanejas. 

Maria cresce rápido, não em estatura, mas, em amadurecimento, e muito nova, com 15 anos de idade, casa-se com Zé de Neném. José Miguel da Silva era um sapateiro que morava e trabalhava naquela ribeira. Era por todos conhecido pela alcunha de Zé de Neném. Desde os primeiros dias do casamento, Zé vivia às turras com Maria. O casal não teve filhos. Zé era estéril.

Amália irmã de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

A implicância do Zé, por várias vezes, resulta em brigas. Maria também implica. Moça nova, fogosa e arredia não deixava por menos, e dizia-lhe poucas e boas. E no, ou após, calor das discussões, Maria sempre ia refugiar-se na casa de seus pais.

Arlindo irmão de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Certo dia, por volta do ano de 1929, Lampião estava passando pelas terras da fazenda e resolve dar um pulinho na casa do velho pai de Maria.

Não era novidade alguma esse bando de cangaceiros, chefiado por Virgolino, passar na residência de Zé Oliveira. Para seguir ou voltar do coito ali próximo, Lampião tinha que passar de todo jeito por aquela paragem.

Ananias irmão de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Lampião cativava sempre os pequenos proprietários de terras. Muitos deles tinham respeito e admiração por ele. Assim como as cabrochas, desabrochando para a vida amorosa, tinham fascinação pelos cangaceiros. As suas vestes, a sua ‘liberdade’, o poder que demonstravam ter, o não medo dos ‘coronéis’, pelo contrário, alguns os serviam, e muito bem, as joias, o ouro... Em fim, tudo era fascinação, principalmente para adolescentes, um sonho, uma utopia.

Olindina irmã de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Maria, como outra mulher da região, também se sentia atraída pelo modo de vida deles.

Numa dessas visitas, a mãe de Maria Gomes, D. Déa, como era conhecida, cita para o “Capitão” a admiração que Maria, sua filha, sentia por ele. Isso chamou a atenção do lendário cangaceiro que passou a prestar mais atenção em Maria. Viu,e creio, que cupido sapecou-lhe uma de suas flechas bem no meio do coração, pois, tudo indica que o homem não tirou mais ela do quengo.

Isaías irmão de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Maria também é atingida por uma das flechas do cupido e aja sonhar estar nos braços do Capitão. Então, Virgolino, sempre encontrava uma maneira de ir, mais frequentemente, na casa dos pais de Maria. Para ver ela... Claro.

“A atração foi recíproca. A partir daí, começou uma grande história de companheirismo e (por que não!) amor”. (Folha Sertaneja)

Maria do Capitão com seus dois cães Ligeiro, de cor marrom, e o preto, Guarani - colorizada por Rubens Antonio - Benjamin Abraão

O pesquisador/historiador, João De Sousa Lima , diz que o diálogo entre Maria e Virgolino, foi mais ou menos assim:

“- Você sabe bordar? 

- Sei. 

- Vou deixar uns lenços pra você bordar e volto daqui a duas semanas pra buscar!”.

Oséas irmão de Maria Bonita -  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Lampião, com a clara intenção de ver Maria mais vezes, encomenda para ela fazer, bordar, alguns lenços de ceda. Maria, claro, que aceita a empreitada, e sem pressa alguma, começa o trabalho. Vez por outra, o Capitão tá em sua porta, para ‘ver’ se algum lenço estava pronto.

Ora, com as visitas frequentes, desperta a curiosidade da Força Policial que por ali estava. Vão à casa de Zé de Oliveira e ameaçam, batem e fazem um escarcéu da gota.

Joana irmã de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Maria, vendo a situação crítica para seus familiares, pais, irmãos e irmãs, resolve partir com o “Rei dos Cangaceiros”, na dura e sofrida vida dos fugitivos das caatingas. 

Daquele momento em diante, ela passa a viver, sentir na pele, todo o peso da “canga” que carregavam os cangaceiros.

Até 1928, Lampião não aceitava mulheres no bando, mas, quando conheceu Maria Bonita, mudou sua opinião e permitiu outras mulheres fazerem parte da horda, além da sua companheira.

José Gomes irmão de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

Alguns pesquisadores citam que Maria do Capitão, ou Maria de Lampião, ou seu antigo apelido Maria de Déa, conviveu durante oito anos com Lampião. Teve uma filha, Expedita, e três abortos.

Aos 28 dias do mês de Santana do ano de 1938, na grota do riacho Angico, na fazenda Forquilha, município de Poço Redondo, SE, são assassinados Lampião, Maria e mais nove companheiros, sendo também morto o soldado Adrião.

Francisca irmã de Maria Bonita  - Acervo: Fotos Gilmar Teixeira 

A morte da “Rainha do Cangaço”, Maria do Capitão, foi uma das mais cruéis que ali aconteceu. Segundo depoimento dos médicos que fizeram a autópsia do casal, Maria Bonita, denominação que a imprensa carioca lhe dera, foi degolada viva. Vindo a ser confirmada pelo soldado volante que cortou seu pescoço. Disse o volante que ao pegar em seus cabelos, pois estava ferida e caída no chão, Maria implora, pede pela vida, mas, ele não concede que ela viva, começa então a lhe cortar o pescoço a golpes de facão. Ato que, ao iniciar-se, Maria ainda estava viva... 

Sobre as pedras do leito seco do riacho Angico, nas quebradas do sertão.

Fonte: facebook
Página: Sálvio Siqueira

Link: 
https://www.facebook.com/groups/545584095605711/?fref=ts

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MONTES E FEITOSAS...

Por Jose Bezerra Lima Irmão

As pendengas entre os Monte e os Feitosa decorreram de questões de honra e disputas por terras e poder, nos sertões dos Inhamuns, Cariri e Icó. Essas duas famílias haviam-se ligado pelo casamento de Francisco Alves Feitosa com Isabel do Monte, resultando mais tarde uma rixa familiar de cunhado contra cunhado, acrescida de disputa por terras e poder, no período da colonização. Foram tantas as mortes que o rei de Portugal teve de intervir, ordenando represálias contra os dois clãs.


Em virtude das lutas dessas famílias por anos a fio, muitos de seus membros fugiram do Ceará e foram morar em outros lugares. A cidade sergipana de Porto da Folha foi fundada por gente da família Feitosa, dali se espalhando por localidades vizinhas, em Sergipe e Alagoas. Por sua vez, muitos indivíduos dos Montes se instalaram em Penedo, Propriá Aquidabã e Carira. Um valentão chamado Manoel Monte, da fazenda Baixa do Gado, em Carira, entrou em luta com os Guedes e terminou se tornando cangaceiro, embora tivesse morada fixa em Monte Alegre e vivesse sossegado em sua fazenda Albano, na beira do Riacho do Cachorro.

A mãe do cangaceiro Antônio Silvino descendia dos Feitosa.

Os ancestrais de Virgulino, o Lampião, pelo lado paterno – família Ferreira Lima – eram também descendentes dos Alves Feitosa, da povoação de Inhamuns, à época município de Tauá, no Ceará, família antiga, dos primeiros povoadores do sudoeste do Ceará. A sesmaria de um dos patriarcas da família, Lourenço Alves Feitosa, ficava onde hoje é Cococi, atual distrito de Parambu. Seu irmão Francisco Alves Feitosa era dono da fazenda Barra do Jucá, no Vale do Jaguaribe. Vários membros da família Alves Feitosa debandaram do sertão dos Inhamuns em virtude de questões com a família Monte. Para não serem localizados pelos inimigos, muitos mudaram de nome, trocando o “Feitosa” por “Ferreira”, acrescido ora de “Barros”, ora de “Lima”. O padrinho de Anália, irmã de Lampião, foi Terto Alves Feitosa (Terto Baião, das fazendas Enforcado e Lagoa Cercada), um dos que não mudaram de nome, continuando com o “Alves Feitosa”.

O bisavô paterno de Lampião, José Alves Feitosa, passou a identificar-se como José Ambrósio Ferreira Lima. Tinha dois filhos: Antônio Ferreira Lima e João Ferreira Lima.

Antônio Ferreira Lima é o avô de Lampião. Seu nome antes era Antônio Alves Feitosa, porém passou a se identificar ora como Antônio Ferreira Lima, ora como Antônio Ferreira de Barros, ora como Antônio Ferreira da Silva, ora como Antônio Ferreira de Magalhães. Casou com uma moça do lugar Peru, na ribeira do São Domingos, chamada Maria Francisca da Chaga (dona Maria Chaga). Tiveram três filhos e duas filhas. O filho mais velho de Antônio Ferreira e Maria Chaga chamava-se João Ferreira Sobrinho, alcunhado de João Rola. O segundo filho foi José Ferreira (pai de Lampião). O terceiro chamava-se Venâncio Ferreira. Este, já adulto, se mudou para Juazeiro do Norte, onde botou uma venda (mercearia). Por motivos de doença, gastou tudo o que tinha no tratamento e foi para Picos, no Piauí.

Além desses três filhos legítimos, Antônio Ferreira Lima teve ainda um filho bastardo com uma bela jovem de olhos azuis e cabelos ruivos chamada Matilde. O filho recebeu o nome de Antônio José Ferreira e ficaria conhecido como Antônio de Matilde, ou simplesmente Antônio Matilde. Esse personagem viria a ter enorme influência na vida de Virgulino, seu sobrinho. Aí está uma síntese apertada de resultado de pesquisas que exponho no meu Lampião – a Raposa das Caatingas.

José Bezerra Lima Irmão
Pesquisador e Escritor

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A CAPELA, O PADRE E O MENINO...Futuro LAMPIÃO...!


A CAPELA, O PADRE E O MENINO...Futuro LAMPIÃO...!

O menino Virgolino Ferreira foi batizado e fez a primeira comunhão na Capela da Vila São Francisco ( reduto da Família Pereira ). Hoje, essa Vila está coberta pelas águas da Barragem de Serrinha. Foi o padre QUINCA ( Joaquim Antônio de Siqueira Torres - filho do Barão de Água Branca-AL ) quem fez a celebração do batismo do menino Virgolino, o futuro Lampião...

Primeira fonte:
Foto da capela: Cortesia Escritor Valdir Nogueira.
Foto do Padre Quinca : Livro - Autor - Edvaldo Feitosa 
Foto do menino Virgolino: Livro " Lampeão "
Autor: Optato Gueiros

2ª fonte: Facebook
Página: Voltaseca Volta

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quinta-feira, 10 de março de 2016

OSTEÍTE VENCE FLORO BARTOLOMAU

O8 DE MARÇO DE 1926 – (morre o Dr° Floro na capital do País)

Nascido em Salvador, Bahia, a 17 de agosto de 1876, sendo filho legítimo de Virgílio Bartolomeu da Costa e de dona Maria Josefina da Costa de Jesus Batista (02), recém-formado em medicina, clinicou em Patamuté, município de Capim Grosso e depois em Vila Ventura, distrito de Morro do Chapéu. Nesse povoado ele conhece o conde Adolfo Van den Brule Brulle e entrou para uma sociedade de minerados...

“(...)O êxodo da dupla para o sul cearense não foi única e exclusivamente o intuito de explorar as minas do Coxá, porquanto seria trocar o certo pelo duvidoso. Há indícios que o motivo tenha sido a fuga da justiça ou o medo da vingança, em razão de um assassinato praticado pelo doutor na cidade baiana. Há duas versões sobre o a motivação do delito praticado. Em uma, Floro Bartolomeu se defende, alegando legítima defesa ao ser agredido por um garimpeiro; noutra fala-se em crime passional, posto ter o médico se apaixonado pela primeira esposa do conde, dona Albertina e tendo, por essa razão, morto um Don Juan local que cortejava a condessa(...)O primeiro encontro entre o padre Cícero com os dois recém-chegados teve um caráter estritamente comercial no tocante à exploração das minas do Coxá, grande parte pertencente ao sacerdote. Embora exercendo a medicina, Floro era advogado provisionado e orientou ao reverendo sobre a necessidade da demarcação judicial com o intuito de assegurar legalmente a posse da terra. Coube aos visitantes essa incumbência. Nascia um forte vínculo de amizade entre o padre Cícero e doutor Floro que duraria quase vinte anos. Foi a união perfeita de duas pessoas que se completavam. Um era a luva; o outro, a mão(...)”. (http://www.fotosmcba.com.br/pagina.php?id=180)

Em maio de 1908 (01), dois homens montados a cavalos e puxando duas burras, carregadas com apetrechos, sob um sol escaldante, cruzaram as ruas empoeiradas de Juazeiro e pediram informações sobre onde morava o padre Cícero. Um chamava-se Floro Bartolomeu da Costa e o outro Adolfo Van den Brule

Floro Bartolomeu da Costa foi o deputado federal nordestino mais prestigiado da “Velha República.” O presidente Arthur Bernardes em reconhecimento aos feitos do deputado ao depor o governador Franco Rabelo, encarregou-lhe a missão de combater a “Coluna Prestes” em nossa região.

Com o passar dos anos, sua saúde abalada pela osteíte causadora de terríveis dores de cabeça, Dr° Floro, solteiro e pobre, falece no Rio de Janeiro em 08 de março de 1926, acometido de uma “angina pectoris”.
Em virtude dos relevantes serviços prestados ao Brasil, Floro foi sepultado, no Rio de Janeiro, com as honras de “General Honorário do Exército Brasileiro”.

Fonte: facebook
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O GLOBO – 05/10/1975 JOÃO ALVES, O CASCAVEL, DE CANGACEIRO A CURANDEIRO

Acervo do pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho

 Lembrando ao leitor que este artigo foi publicado no jornal "O Globo" em 05 de outubro de 1975

Aos 97 anos, Cascavel, que lutou no bando de Antônio Silvino, é o outro cangaceiro nordestino ainda vivo, chama-se João Cosme Alves e vive na Ilha do Bispo, pequeno povoado na periferia de João Pessoa, na Paraíba, preparando garrafadas que curam dor de dente, espinhela caída, doenças venéreas e até impotência masculina. Cascavel garante que já expulsou o demônio do corpo de uma mulher que contraíra uma doença chamada “macaca-de-purungá”. E embora se sinta obrigado muitas vezes a pedir esmolas na esquina da rua em que mora, costuma emprestar dinheiro a quem precisa, sem cobrar juros e nem lembrar os compromissos dos devedores.

Em 1903 – há exatamente 72 anos – Cascavel enfrentou um desordeiro que pretendia desonrar sua cunhada. Ele diz que apenas emasculou o homem. Mas outros garantem que matou o galanteador. Foi durante a fuga para escapar da prisão que encontrou o bando de Antônio Silvino e seguiu o cangaceiro, tornando-se famoso nos sertões nordestinos.

Cascavel lembra os feitos do bando de Antônio Silvino contando o caso da invasão da fazenda de Manoel Belo, em Pernambuco. O chefe dos jagunços mandou pedir três contos de réis ao fazendeiro e recebeu o recado de que teria três balas se ousasse chegar perto da propriedade:

- Juntos, nós invadimos o lugar e todos fugiram, o dono da fazenda e a resistência organizada por um destacamento da polícia. Manoel Belo chegou a Caruaru sem conseguir falar e, quando recuperou o fôlego, só conseguiu dizer: “Antônio Silvino”.

TUDO NA VIDA

Cascavel diz que já fez quase tudo na vida. Foi sapateiro, carpinador, barbeiro, funileiro e agora é rezador ou curandeiro. O apelido lhe veio quando era menino, depois que foi picado por uma cobra cascavel e esteve entre a vida e a morte. “Mas quem morreu foi a cobra”, e o episódio valeu-lhe o nome que a princípio incomodava e depois virou lenda.

A camisa entreaberta ao peito deixa à mostra uma cicatriz. Cascavel explica que o buraco é de bala calibre 44 e o tiro foi durante a companha de Princesa, em 1930, na época em que servia na Polícia Militar. Recorda a noite em que chegou à capital da Paraíba, quando João Pessoa era presidente do Estado, antes da Revolução de 30, em companhia dos batalhões destroçados pelas tropas rebeldes de José Pereira.

- Da ponte Sanhauá, avistei o fogo que subia em labaredas mais altas do que os prévios. O povo incendiava a Casa Vergara, o armazém mais importante da cidade, ligado aos rebeldes de Princesa, e isso mostrava que a Revolução tinha começado.


Fonte: facebook
Página: Antonio Corrêa Sobrinho

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SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA IMPRENSA DE MOSSORÓ - 06 DE MARÇO DE 2016

 Por Geraldo Maia do Nascimento

A história da imprensa mossoroense começou em 17 de outubro de 1872 com o lançamento do jornal “O Mossoroense”, que se declarava “seminário, político, comercial, noticioso e literário”. Na realidade era um jornal político, de propriedade e redação de Jeremias da Rocha Nogueira, declarando-se depois como “órgão do Partido Liberal de Mossoró, dedicado aos interesses do Município, da Província e da humanidade em geral”. Era um jornal bem escrito, de formato regular e impresso em tipografia própria.
               
O jornal, nessa sua primeira fase, funcionou até 1876, quando não podendo mais manter-se, fechou suas portas tendo o seu maquinário sendo vendido ao Coronel Antônio Soares de Macedo, que passou a imprimir nele o jornal “O Brado Conservador”, de sua propriedade, na cidade de Assu.
               
Nesse mesmo ano, 1876, surgiu um outro jornal na cidade: “Recreio Familiar”. Era um jornal de pequeno formato, dedicado à literatura, recreio e instrução do povo.
               
Em fins de 1901 surge o “ECO”, periódico humorístico e ilustrado.
               
Em 1902 ressurge “O Mossoroense”. O seu primeiro número, nessa nova fase, foi publicado em 12 de junho, tendo como redatores o Coronel Antônio Gomes e Alfredo Melo e como gerente-redator-xilógrafo, João da Escóssia. É uma segunda geração de jornalistas, haja vista que João da Escóssia ser filho de Jeremias da Rocha Nogueira e Alfredo Melo ser filho de José Damião de Souza, que foi parceiro de Jeremias quando surgiu o primeiro jornal.
               
O Mossoroense, nessa segunda fase, surge como sucessor do ECO, que parou de ser publicado para dar lugar ao novo O Mossoroense. Apresentava-se como um jornal periódico, humorístico e ilustrado, com intuito de prestar, como puder, serviços às letras, às artes, às ciências, às indústrias e ao desenvolvimento de todos os remos de atividade humana.
               
O jornal era quinzenal e impresso na Tipografia Aurora Escocesa, que depois passou a chamar-se Atelier Escóssia.
               
Em 18 de junho de 1902 surge também “A Ideia”, órgão do Instituto Literário “Dois de Julho”. Tinha como redatores Olímpio Melo, R. Rubira, Soares Júnior e Alves Tavares. Era impresso no Atelier Escóssia.
               
Em 1903 surge “TRINTA DE SETEMBRO”. Era uma revista manuscrita, órgão do Grêmio Literário Augusto Severo.
               
Também de 2003 é o “Passatempo”, interessante jornalzinho manuscrito do qual eram redatores Tércio Rosado, Elesbão Filgueira e Roboão Filgueira.
               
Em 1904 surge “O Comércio de Mossoró”, como órgão do comércio, da indústria e da lavoura. Definia-se como “folha hebdomadária”, e circulou pela primeira vez em 17 de janeiro de 1904, tendo apenas Bento Praxedes, como redator. Depois passaram a colaborar com o jornal: Dr. Felipe Guerra, Padre Pedro Paulino, Martins de Vasconcelos e os acadêmicos José Calazans, Bruno Pereira e Orlando Correia.
               
Era de propriedade do capitão João Carlos Wanderley, comerciante, residente em Macau.
               
Em 1904 era publicado ainda “O Mensageiro”, periódico literário, órgão da sociedade “Mocidade Católica São Luís de Gonzaga e a “Revista União”, órgão mensal da sociedade literária “Dois de Julho” e “Mocidade Católica”. O primeiro número da Revista União foi publicado em 30 de junho e declarava no artigo de apresentação que nada mais era do que a união dos dois periódicos A Ideia e O Mensageiro. Sem redatores fixos, era bem escrita e dizia que era impressa na Tipografia Potiguar.
               
Em 1905 surgiu “O Santelmo”, jornalzinho literário, independente, crítico e noticioso, redigido por Francisco Bruno Pereira.
               
De 1907 era “A Alvorada”, interessante periódico literário, que surgiu à luz da publicidade no dia 13 de dezembro, durante a festa de Santa Luzia, sob a direção de A. Quintino.
               
“Atheneida” foi uma revista lançada em 1904, sob a direção do acadêmico Souza Nogueira. Era uma revista literária, com vários colaboradores que nela publicavam os seus contos e poesias.
               
Em 1935 surgiu o “Boletim da “ABC”, órgão da Associação de Normalistas de Mossoró, tendo o seu primeiro número circulado no dia 12 de outubro daquele ano, sob a direção do professor Alfredo Simonetti. Prometia circular nos dias de comemoração cívica e era impresso no Atelier Escóssia.
               
Na próxima semana continuaremos com o levantamento dos periódicos que circularam na cidade de Mossoró. 

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.
Autor:
Geraldo Maia do Nascimento

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PUNHAL QUE PERTENCEU AO CANGACEIRO " ANTONIO SILVINO "


PUNHAL QUE PERTENCEU AO CANGACEIRO " ANTONIO SILVINO " dado como presente ao Sr. Adelino José Bezerra, por ocasião da invasão á cidade de Belém de Caiçara....Vejam, que peça belíssima..!
Cortesia da foto: Alberto Viégas Viégas


Fonte: facebook

Página: Voltaseca Volta

Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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ENTREVISTA DE CHIQUINHO RODRIGUES - A INVASÃO DE PIRANHAS POR GATO E GRUPO DE CORISCO

Entrevista feita por Aderbal Nogueira e Paulo Gastão

Lembro que um dia recebi a visita do coronel Antônio de Brito, uns Homens ricos, da nossa Região, depois dos cumprimentos, pediram que ele se sentasse e eu, intrigado, lhe disse:

- Rapaz, não estou vendo nenhum soldado.

Ele informou que haviam saído por volta da meia noite para atacar uns cangaceiros numa fazenda (Fazenda Pico) que distava 20 km de onde estávamos. 

Eu disse: 

- Tá certo. 

Em poucos minutos chegou o genro dele com um telegrama de Olhos D’água do Casado. No telegrama dizia: 

- Atacamos os cangaceiros, estamos com uma cangaceira baleada (Inacinha) e tenha cuidado aí. 

A ex-cangaceira Inacinha

Com esse último termo usado, que pedia atenção, chegamos à conclusão que os cangaceiros estariam vindo pra onde estávamos. O dia estava começando (8:30h. pra 9:00h.) minha patroa (esposa, Tereza) estava de resguardo, pedi pra o Coronel Antônio me aguardar enquanto eu iria na minha casa. Peguei três caixas de munição, com 50 cartuchos em cada e fui em casa. 

No caminho o povo estava assustado. Cheguei em minha casa e antes mesmo de sair de lá, chegou num cavalo um amigo, com a seguinte mensagem:

- Eu vim avisar a vocês que os cangaceiros estão vindo pra cá, já mataram Lelinho, Antônio Tirana e ficaram matando uma família aqui na região, bem próximo daqui.

E logo quando os cangaceiros chegaram, na entrada do nosso arraial, pegaram um compadre meu, o Abílio. Pessoas amigas pediram que ele não saísse, por conta dos ataques de cangaceiros, mas ele foi teimoso. Eu disse pra minha mãe: 

- O negócio não está bom! 

Ela respondeu: 

- Você está assustado com esse monte de munição. 

Eu rebati:

- Assustado não, estou é prevenido. Coloque a empregada da casa (Elenira) pra cuidar da criança, (com poucos dias de nascida) e a senhora vá rezar.

- Ela ainda disse pra mim: 

- Meu filho, não se entregue. 

Respondi: 

- Fique tranquila, eu não me entrego! (risos). 

Fechei as portas do sobrado e deixei apenas uma entrada disponível e logo ouvir os tiros, eu lamentei: 

- O ensaio da dança tá preparado. 

Pedi que ninguém colocasse a cabeça do lado de fora. Bem próximo da minha casa pegaram um rapazinho de 16 anos. A mãe ainda pediu pra o Corisco que não matasse seu filho. Depois desceram em direção ao comércio, decididos a tocar fogo nos estabelecimentos. 

Fiquei preocupado, pois eu era dono de armazéns. Até gasolina eu vendia. O local era movimentado, por conta de uma estrada de ferro. Eu estava municiado, com bala na agulha e toda a expectativa que gira em torno de uma situação igual a essa. 

Logo chegou um rapaz amigo (Romeu) e disse que queria ficar comigo, ele estava indo pra casa do prefeito, (João Correia de Brito), mas o cerco estava se fechando e não tinha tempo pra isso. 

Um fato inusitado: O delegado (Cipriano) e mais oito Homens armados estavam passando correndo. Eu o convidei para entrar na minha casa. Ele disse que não, pois estava era correndo para o outro lado do rio. Estava fugindo dos cangaceiros, com a desculpa de que estavam com pouca munição. 

Eu, zangado, rebati: 

- Você está correndo porque é covarde delegado, valente não pode amolecer. 

Depois veio um cabra, metido à valente, (o Artur) correndo, com medo da coisa. A mulher dele vinha atrás. Ela falava errado e gritava por ele: 

- Autur, Autur, tú vai me deixar. 

Ele respondeu:

- Pode ficar. E o “pau comendo”. 

Quando ele disse assim, eu brinquei, dizendo: 

- Tá muito bom. 

O Artur ia acompanhado de um negão de prenome Cícero Martins, os dois foram pro lado do morro e de lá deram um tiro, os ânimos se acirraram, os soldados começaram a trocar tiros com os cangaceiros e a fumaceira subiu. 

O coronel Antônio entrou na água (havia um rio próximo) com roupa e tudo, na intenção de ir pro outro lado, o rio estava cheio e no meio dele Antônio estava exausto, quase sucumbindo, quando resgataram ele, em uma canoa. 

Nem o tenente quis peitar os cangaceiros, ele disse: 

- O diabo é quem vai lá. 

Foi muito sangue derramado, durante essa batalha, o povo morrendo a poucos metros e as mulheres rezavam um rosário pelis almas mortas, mas rezavam ligeiro, apressadas... (risos). Foi muito dramático tudo isso...

Fonte: facebook
Página: Coronel Delmiro Gouveia
Link: https://www.facebook.com/coroneldelmiro.gouveia/posts/1687673631509775

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