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terça-feira, 11 de julho de 2017

JOÃO: MAIOR QUE LAUTREC

Por Cid Augusto - Texto publicado na revista "Nós, do RN".

Nasceu João, em Mossoró. Nome usual numa cidade aparentemente comum do sertão do Rio Grande do Norte. Poderia ter sido batizado com os sobrenomes do pai, Jeremias da Rocha Nogueira. Talvez algum de sua mãe, Izabel Benigna da Cunha Viana. Mas, como se diz para lá da Reta Tabajara, Mossoró é outro país, o “País de Mossoró”, e João, que nem teve batismo católico, internacionalizou-se. Virou Escóssia.


João da Escóssia Nogueira com dois “esses” no costume da era pseudoetimológica da língua portuguesa, veio ao mundo aos 27 de maio de 1873, durante profunda crise, digamos, político-clérigo-maçônica. Nada específico de sua terra quente e seca, coisa mesmo de âmbito nacional, que ali, onde chove bala e Lampião leva cacete há 90 anos, toda rusga tem contorno ideológico e alcança proporções de batalha.


No centro da polêmica, em posições antagônicas, o vigário Antônio Joaquim Rodrigues, líder conservador, deitando falação no púlpito da Catedral de Santa Luzia; e Jeremias, um dos chefes liberais, retorquindo no O Mossoroense, jornal que fundou com José Damião de Sousa Melo e Ricardo Vieira do Couto, aos 17 de outubro de 1872, sob a denominação: “Semanário, político, comercial, noticioso e antijesuítico”.

Para completar, o jornalista descrito pelo historiador Raimundo Nonato da Silva como o “Marat das ruas de Mossoró”, por seu estilo “incendiário”, que anunciava a morte do poder dos papas e o fim da “bárbara Roma”, era maçom integrante do grupo incumbido de erguer, naquele chão, as colunas da Loja Maçônica 24 de Junho, inaugurada justa e perfeitamente nessa data, no ano de nascimento do menino.

Batizar o infante na Igreja? Só se o genitor e o padrinho, Targino Nogueira, renunciassem à Maçonaria, primeira instância do inferno depois do Partido Liberal, na ótica do vigário jesuíta. Jeremias reagiu e, aberto o templo dos pedreiros livres, batizou-a no simbolismo em homenagem a São João da Escóssia, então considerado patrono do rito “Escocês Antigo e Aceito”. Por isso, João da Escóssia Nogueira.

Hoje, o menino pagão nomeia Loja Maçônica e avenida importante, que liga o Rabo da Gata aos condomínios de luxo dos extremos da Nova Betânia. Quem passa, além da associação à política partidária, pela militância de vários Escóssias, desde os anos 1960, talvez nem imagine tratar-se da homenagem a um gênio: artista plástico, autor teatral, cenarista, repórter, publicitário, xilógrafo, desenhista, tipógrafo.

Fundou o jornal O Echo (lê-se O Eco), em 1901. Reabriu, em 1902, o periódico fundado pelo pai dele, trazendo páginas ilustradas com xilogravuras, cujas matrizes João talhava em madeira, utilizando um canivete. Eram paisagens, caricaturas, crítica social, sátira política, ilustrações comerciais e cenas urbanas, como um assassinato na vila de Grossos, em 1903, e a famosa explosão do Pax no céu de Paris, meses antes.

Introduziu a imagem na imprensa potiguar e foi também um dos pioneiros na publicidade, conclusão esta a que chego a partir das aulas de Cassiano Arruda Câmara, de quem guardo o privilégio de haver sido aluno no curso de jornalismo da UFRN. Segundo narrava, Toulouse-Lautrec revolucionou a ilustração de cartazes para os cabarés franceses, no final do Século XIX, época em que João estava em plena atividade.

O Atelier Escóssia, de sua propriedade, misto de tipografia e loja de variedades, além das ilustrações para O Mossoroense, e o próprio jornal, produzia cartazes destinados a empresas e eventos, rótulos de produtos e remédios, entre os quais Antinevrálgico Rosado (para dor), Viperina (antiofídico) e Peitoral de Joatonca (contra tosse). Seu portfólio oferecia outros itens, como cartões e até um laboratório fotográfico.

Perdoem-me o bairrismo – o mossoroísmo! –, mas João é maior que Lautrec, mesmo sem art nouveau. Isso, comparando oportunidades de quem nasceu no semiárido nordestino, à “margem setentrional de um rio seco”, na descrição de Henry Koester traduzida por Cascudo; e na capital cultural do mundo, na Belle Époque, expressão que me remete a Tarcísio Gurgel, professor com quem tanto aprendi. E aprendo.

Anchieta Fernandes, em Desenhistas Potiguares, afirma que João da Escóssia Nogueira apresentou o gênero caricatura ao Estado, com “virtuosismo próprio” que mesclava o clássico ao seu espaço social. De tanto esmero, os desenhos, de certo modo influenciados por revistas da época – O Malho, Careta, Fon-Fon, Ilustração Brasileira –, surgiam “plenas de movimento e plasticidade”.

Para Jeová Franklin, jornalista do O Povo, de Fortaleza-CE, característica maior de João da Escóssia “era a precisão, aliada à leveza do traço, dificilmente encontradas em imagens de madeira”. Chegava, segundo diz, “a dar movimento às figuras e a destacar planos com a técnica do sombreamento, como se em lugar do canivete, estivesse trabalhando com bico-de-pena sobre o papel”.

Dr. Jaime Hipólito Dantas

Na análise do escritor Jayme Hipólito Dantas, esboçava “o senso da observação dos detalhes mais diminutos. Parecia ser ágil, sutil e penetrante”. Era “Uma vocação, sem dúvida, de puro retratista, que a província, na pequenez das suas proporções, no incolor da sua vida no princípio do século, não pôde devidamente valorizar”, desabafa o autor de Aprendiz de Camelô e Estórias Gerais.

Registro, por dever de honestidade e de ofício, a desconfiança do grande pesquisador Alcides Sales, que publicou artigo sobre a história da xilogravura norte-rio-grandense, na segunda edição da revista Galante, atribuindo ao jornal A República, a primazia no uso de imagens, em 1889. Assevera, entretanto, que, devido à falta de informações, não poderia negar esse feito ao mossoroense.

João da Escóssia morreu aos 14 de dezembro de 1919. Parada cardíaca, sugere o noticiário da época. Produziu pouco no fim de sua breve existência, em razão da doença reumática que lhe tirou os movimentos das pernas e, não raro, causava-lhe inchaços e dores. Na mão direita, em especial, pelo esforço repetitivo no entralhe de centenas de xilogravuras. A maioria perdida, infelizmente.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso

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BEATAS E REZADEIRAS

*Rangel Alves da Costa


Sou sertanejo, lá das distâncias onde o sertão é mais longe. E que bom ter nascido num lugar que ainda não perdeu seu encantamento humilde e singelo de ser. Que bom continuar – quando permitem os afazeres da capital - convivendo com o bucólico, o simples, o afetuoso. Ainda se ouve o galo cantar, ainda se colhe fruta caída no sopro da madrugada. Há purrão no quintal e mastruço no cantinho do cercado.
Um mundo assim somente é possível onde o progresso ainda não espanou tudo de vez. Enquanto a roupa vai secando no varal, a cadeira de balanço dança debaixo do umbuzeiro. E nela a velha senhora cheia de saudade dos tempos idos. Bem ao lado o cachorro magro adormecendo sua solidão. Na ventania, as folhagens secas sujando tudo. Mas tudo muito bonito assim mesmo.
Verdade que muito já foi mudado, mas nem tudo foi transformado de vez. Compadres ainda conversam debaixo de pés de pau, comadres tomam conta da vida dos outros enquanto varrem as calçadas, o leiteiro anuncia o seu litro logo ao amanhecer. Verdura fresca à venda bem na porta de casa, queijo de coalho e requeijão de quintal. Nada melhor que a raspa na junção da goiabada.
Grande parte das pessoas, principalmente as mais humildes e empobrecidas, encontram nas palavras e nos cumprimentos provas de amizade e de valorização do outro. Avistar e abraçar um morador das brenhas matutas ou dos arredores mais esquecidos, e com ele começar uma prosa descompromissada, é o mesmo que adoçar seu coração para o dia inteiro. Para muitos, nada mais precioso que um bom dia, um boa tarde, um boa noite.
Até os sinos ecoam diferentes nas distâncias matutas. Geralmente na boca da noite, cada badalar é como um chamado ao fervor da prece, da oração, do diálogo ajoelhado perante o oratório. Mas também quando tocam mais entristecidos, mais compassados, e assim para anunciar a partida de alguém. Sinos que ecoam a fé e também as dores da despedida. E cortando os silêncios chegam aos lares tomados de espanto ou enquanto o café cheiroso vai se espalhando nos arredores.
Mas as matrizes ou igrejinhas sertanejas nunca silenciam. Mesmo que os sinos descansem seus chamados e avisos, ainda assim as vozes da fé continuam entoando cantos, rezas, ladainhas e orações. E tudo ecoado pelas vozes das beatas e rezadeiras. Como se fossem de um coro orquestral, tais mulheres elevam suas vozes como se estivessem perante os portais de um paraíso e em busca da salvação do mundo.
 Ainda cedo do dia, enquanto a cidade apenas desperta, a igreja já está de portas abertas para ecoar os cantos de fé, os hinos religiosos, as orações e as rezas do povo sertanejo: “Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte. Amém”.
Durante as missas e outros ofícios religiosos, quando a igreja está tomada de fiéis e as devoções pulsam nos corações com maior intensidade, um grupo de senhoras nas proximidades do altar, com feições contritas e olhares voltados à Cruz do Senhor, entoam: “Dai-nos a bênção, ó Virgem Mãe, penhor seguro de sumo bem. Dai-nos a bênção, ó Virgem Mãe, penhor seguro de sumo bem. Vós sois a rosa de puro amor, encheis a terra de puro odor...”.
Nas distâncias interioranas, ouvir os cantos de fé possui significação especial.  É como se a igreja tristemente silenciasse se tais vozes não forem ouvidas e seus timbres não sejam reconhecidos. Como que sonolenta, de cabeça baixa, ecoa a velha beata em máxima devoção: “A nós descei divina luz, a nós descei divina luz, em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus, em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus...”.
De suas vozes, e todas as vozes sertanejas, as canções e os hinos tão sublimemente enaltecedores como tristonhos, eis que também ecoados nos ofícios de despedidas, nas sentinelas e incelenças, como se aquelas vozes fossem ecos de um além tão próximo de nós e a nos chamar à reflexão da vida, da morte, da fé, da valorização das verdades cristãs. Assim como o Ofício da Imaculada Conceição:
“Agora, lábios meus, dizei e anunciai os grandes louvores da Virgem Mãe de Deus. Sede em meu favor, Virgem Soberana, livrai-me do inimigo com o vosso valor. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Amor também, que é um só Deus em Pessoas três, agora e sempre, e sem fim. Amém... Ouvi Mãe de Deus, minha oração. Toquem vosso peito os clamores meus... Sede em meu favor, Virgem Soberana, livrai-me do inimigo com o vosso valor...”.
E que doçura na alma ouvir “Tu és a razão da jornada”: “Um dia escutei teu chamado, divino recado, batendo no coração. Deixei desta vida as promessas e fui bem depressa no rumo da tua mão. Tu és a razão da jornada, Tu és minha estrada, meu guia e meu fim. No grito que vem do teu povo, Te escuto de novo chamando por mim...”.
Assim o canto das velhas beatas, das rezadeiras. Um céu ecoado da terra.

Escritor
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HISTÓRIA DOS BAIRROS DE MOSSORÓ - BAIRRO DE SÃO MANOEL

Por Geraldo Maia do Nascimento

Antes era apenas uma região de agricultura e criação de gado conhecida como Poços das Pedras, que pertencia ao senhor Marcolino dos Santos, pai de Manuel Cirilo dos Santos, que foi comerciante, Intendente (cargo equivalente ao de vereador), vice-presidente e presidente da Câmara de Intendência de Mossoró (cargo equivalente ao de Prefeito), no período de 1887 a 1890. 

Igreja de São Manoel no bairro Alto de São Manoel

Tudo começou quando Manuel Cirilo doou um pedaço de terra da sua propriedade, no Poços das Pedras, a Diocese de Mossoró, para construção de uma capela. O Bispo Dom Jaime de Barros Câmara retribuiu a gentileza dando o nome de São Manoel à pequena capela, doando, inclusive, a imagem do orago. Depois da capela, a região passou a ser conhecida como Alto de São Manoel. No início, o bairro enfrentou grandes dificuldades, principalmente por estar separado do centro da cidade pelo rio, tendo os seus moradores que atravessa-lo pela barragem, isso quando o rio estava seco, ou de canoa, no período das cheias. Outro problema grave que enfrentavam era o de alagamento provocado pelas cheias do rio nos períodos de inverno. Isso sem falar da falta de estrutura. Segundo o depoimento de um antigo morador do bairro, “ali só existia mato. A gente carregava tudo em lombo de jumento ou na carroça. O milho, o feijão, toda a produção passava por ali através dos animais”.  Mas com o tempo, os problemas foram sendo solucionados. Com a construção da ponte “Jerônimo Rosado”, e posteriormente a “Costa e Silva”, o Alto de São Manoel foi incorporado à parte urbana da cidade. O problema das cheias foi resolvido com a dicotimização do rio Mossoró. A área de educação é uma das mais desenvolvidas da cidade. São várias escolas estaduais, municipais e particulares, além de creches e núcleo de apoio à família. É também no Alto de São Manoel que está localizado o Campus Central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA, e ainda o Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET. O que diferencia o Alto de São Manoel de outras partes da cidade é o seu formato. O bairro abrange vários conjuntos residenciais e outras comunidades menores, formando o que se convencionou chamar de “Grande Alto de São Manoel”. De todos os bairros de Mossoró, o Alto de São Manoel (zona Leste) é, de longe, o que apresenta maior desenvolvimento e independência, com relação ao restante da cidade. Com cerca de 50 mil habitantes, ele também está entre os mais populosos, perdendo apenas para o Santo Antônio (zona Norte). A principal via de acesso ao bairro é a Avenida Presidente Dutra. Ela corta toda a extensão do Alto de São Manoel a partir da ponte Jerônimo Rosado, no centro da cidade, até a rodovia BR-304, já no giradouro que dá acesso a Natal. Na extensão da Avenida Presidente Dutra estão instaladas algumas das principais concessionárias de veículos de Mossoró.  

Nota: O autor não proíbe que o leitor use este material, desde que seja usado nome do autor e a fonte pesquisada.

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ARRAIÁ DA INCLUSÃO - GRANJA DE SEU ARI ARAÚJO - MOSSORÓ/RN .DIA: 15 DE JUNHO DE 2017














Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso

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AFINAL QUEM MATOU LAMPIÃO?

Por Geziel Moura

A versão oficial sobre os primeiros disparos em Angico, dão conta do seguinte: Eram três volantes envolvidas, a do Sargento Aniceto Rodrigues, Aspirante Chico Ferreira e a do Tenente João Bezerra, há também algumas concordâncias, por exemplo, o primeiro tiro deferido no coito de Angico, naquela manhã de 28 de julho de 1938, foi realizada pelo soldado Abdon Cosme de Andrade, da volante de Chico Ferreira, pois estava na vanguarda do ataque, em cima do cangaceiro Amoroso, este conseguiu escapar.


Outro autor de disparos, cuja autoria é pouca questionada, é o Soldado da mesma volante de Abdon, ou seja, José Panta de Godoy creditado a ele, os tiros em dois momentos, sobre D. Maria.



No que tangencia ao tiro que atingiram o Rei do cangaço, tivemos por muito tempo, seu algoz oficial no soldado Antônio Honorato da Silva, o Noratinho que também estava na vanguarda, juntamente com Abdon e Panta, sendo inclusive, esta autoria, legitimada pelo jornalista Melchiades Rocha, da Revista A Noite Ilustrada.



Entretanto, conta-se que depois do tiro de Abdon em Amoroso, a fuzilaria disparou, ficando difícil identificar quem era os executores dos cangaceiros.Por ora fico com as palavras do ex - soldado Antônio Vieira da Silva, que esteve naquele dia, em Angico, em depoimento ao escritor Antônio Amaury de Araújo, que se manifestou da seguinte maneira: "Quem diz: Fui eu que matei, é mentiroso".

Fonte: facebook
Página: Geziel Moura
Grupo: Historiografia do Cangaço
Link: https://www.facebook.com/groups/1617000688612436/?multi_permalinks=1799291787049991&notif_t=like&notif_id=1499795850807239

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CONSIDERAÇÕES SOBRE A CIVILIZAÇÃO DA SECA

Rita de Cássia Rocha (1) José Romero Araújo Cardoso (2)

Podemos considerar Civilização da Seca, conforme definição do próprio idealizador teórico (MENDES, 2010), como sendo a existente na vasta área seca e quente do sertão nordestino.
          
A Civilização da Seca caracteriza-se por ter sido capaz de:

“Originar um cangaceirismo, uma medicina caseira, uma culinária, uma prática religiosa, uma poesia popular, uma música regional, um tipo de arte, um tipo de arquitetura e uma engenharia empírica diferentes, próprios do povo dessa região, que, em seu conjunto, forma a identidade cultural dessa civilização ímpar, pioneira e criativa, que existe no semiárido nordestino”.

Elaborada pelo Prof. Dr. Benedito Vasconcelos Mendes, inspirado em obra de autoria do engenheiro agrônomo Paulo de Brito Guerra (1981), esta proposta teórica possui a versatilidade de buscar entender o processo de formação sócio-cultural sertanejo de forma holística, pois analisa a influência exercida pelas etnias constitutivas do homem do semiárido, amalgamada com os ditames estabelecidos pelas condições mesológicas regionais, sobretudo no que tange à convivência com as estiagens periódicas (MENDES, 2009).
           
O cangaceirismo expressou, em muitos casos, a revolta da população marginalizada em busca de justiça social. MELLO (1985) classificou o movimento em três categorias: Cangaço-Meio de vida, cujos representantes foram Antônio Silvino e Lampião; Cangaço-Vingança, cujo expoente foi Sebastião Pereira e Silva, o célebre Sinhô Pereira e Cangaço-Refúgio, sendo que neste inseriu-se o famoso Ângelo Roque, o qual ficou conhecido no cangaço pela alcunha de Labareda.
           
A farmacopéia sertaneja, também profusamente utilizada pelos cangaceiros, formalizou-se a partir do empirismo, sendo herança dos índios tapuias, quando da observação acerca do valor medicinal presente na fauna e flora locais, incorporando ainda recursos oriundos do criatório, a exemplo da utilização da banha de galinha e sebo de carneiro capado.
          
A culinária do semiárido é fruto também do aproveitamento da flora e da fauna do bioma caatingueiro, enriquecida com frações não destinadas ao abastecimento litorâneo através da pecuária, somada à utilização de criatório de pequeno porte, razão pela qual surgiram pratos hoje tradicionalíssimos como a buchada, a panelada, o baião-de-dois, etc.
           
A prática religiosa da Civilização da Seca agrega elementos culturais do colonizador, católica em essência, com manifestações populares bem complexas, muitas advindas do Velho Mundo, a exemplo do Sebastianismo que caracterizou o episódio da Pedra Bonita, ocorrida no ano de 1836 no sertão de Pernambuco, enumerando-se grandes fatos de nossa História, como Canudos, na Bahia e Caldeirão, no Ceará.
           
A poesia popular fez surgir estilo impar, marcado pelo cordel e desafios de viola enquanto expressão da cultura do povo do semiárido, símbolo da originalidade presente em ermos esquecidos do sertão nordestino. Notavelmente influenciada pelos feitos heroicos de antigos personagens medievais, a Civilização da Seca registrou o surgimento de celebres difundidores da cultura popular, como o paraibano Leandro Gomes de Barros, considerado pelo literato erudito Carlos Drummond de Andrade como o verdadeiro “Príncipe dos Poetas Brasileiros”.
          
A música regional, forjada no calor das intempéries, tem em Luiz Gonzaga ícone supremo de sua produção e divulgação, o qual levou o Nordeste da Civilização da Seca a ser reconhecido em todos os quadrantes.
       
A forma de arte estabelecida na região, a qual, diferente do litoral açucareiro, pautou-se no aproveitamento dos recursos da flora nativa a fim de estabelecer recursos que garantissem a sobrevivência. Exceção à parte, a arte do mestre Vitalino de Caruaru mostrou-se contemplativa, sendo a maioria das manifestações artísticas do semiárido voltada para a melhor forma de implementar a luta cotidiana por melhores condições de vida, fazendo surgir bolandeiras de casas de farinha, de descaroçar algodão, prensas de cera de carnaúba, alambiques de cachaça, engenhos rústicos de fabricação de rapadura, etc.
           
A arquitetura que caracteriza o sertão semiárido é a casa de taipa, típica do homem regional, cuja construção era realizada aproveitando matérias-primas locais, como o barro vermelho e a folhagem de plantas nativas a fim de cobri-las.
           
A seca exerce extraordinária influencia na civilização firmada na hinterlândia nordestina, pois o ritmo da vida social é ditado pela forma como esta se manifesta, assumindo dimensão irretorquível em toda sociedade, quando de sua ocorrência.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do Sol: O Banditismo no Nordeste do Brasil. Recife: Editora Massangana, 1985.

MENDES, B. V. Arte e cultura do sertão. Mossoró: DNOCS/BNB-ETENE, 2009. 202 p., il.
_____________. Manifestações Artísticas da Civilização da Seca. Anais da 62ª Reunião Anual da SBPC. Natal, Julho de 2010. Mimeo.


Rita de Cássia Rocha (1). Discente do oitavo período do Curso de Licenciatura em Geografia do Campus Central da UERN . Discente Rita de Cássia Rocha









José Romero Araújo Cardoso (2). Geógrafo (UFPB). Escritor. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UERN). Membro do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e da Associação dos Escritores Mossoroenses (ASCRIM). Prof. Msc. José Romero Araújo Cardoso (UERN/FAFIC/DGE)

Enviado pelo autor

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APÓS A VITÓRIA ESMAGADORA CONTRA UMA SUPER FORÇA VOLANTE NA SERRA GRANDE EM PERNAMBUCO NO ANO DE 1926...

Material do acervo do pesquisador Geraldo Júnior

... a moral e a autoestima de Lampião se elevaram ao ponto dele se atrever a escrever uma carta endereçada ao então Governador de Pernambuco, Julio de Melo, propondo a divisão do estado de Pernambuco. Onde ele Virgulino Ferreira "Lampião" seria a partir de então Senhor absoluto do sertão pernambucano.

Confiram o texto contido na carta na íntegra.

"Senhor governador de Pernambuco,

Suas saudações com os seus.

Faço-lhe esta devido a uma proposta que desejo fazer ao senhor para evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas. (...) Se o senhor estiver no acordo, devemos dividir os nossos territórios. Eu que sou capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão, fico governando esta zona de cá por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. E o senhor, do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada do mar no Recife. Isso mesmo. Fica cada um no que é seu. Pois então é o que convém. Assim ficamos os dois em paz, nem o senhor manda seus macacos me emboscar, nem eu com os meninos atravessamos a extrema, cada um governando o que é seu sem haver questão.

Faço esta por amor à Paz que eu tenho e para que não se diga que sou bandido, que não mereço.

Aguardo a sua resposta e confio sempre.
Capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão"

Fonte: Livro "Lampião - Seu tempo, seu reinado - Vol. III de Frederico Bezerra Maciel. Editora Vozes.
Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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UERN SUSPENDE AULAS E ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS


A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) informa que a partir de hoje (10 de julho) as aulas e atividades administrativas estão suspensas em virtude da paralisação dos vigilantes da empresa terceirizada RN Segurança.

A decisão leva em consideração a preocupação com a segurança de toda a comunidade acadêmica.

Ficam mantidas as atividades essenciais a serem definidas em cada setor.

Quanto à segurança do patrimônio da universidade foram tomadas providências junto ao comando da Polícia Militar para garantir o patrulhamento.

A UERN esclarece que tem cumprido a parte dela no contrato e segue zelando pelo que está previsto na legislação. Cabe à empresa RN Segurança entregar a documentação necessária para a liberação do pagamento.

Foram tomadas providências para que a RN Segurança sofra as penalidades previstas no contrato (ver AQUI).


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso

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segunda-feira, 10 de julho de 2017

LIVRO “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”

Por Antonio Corrêa Sobrinho

O que dizer de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO”, livro do amigo Ruberval de Souza Silva, obra recém-lançada, que acabo de ler, senão que é trabalho respeitável, pois fruto de muito esforço, dedicação; que é texto bom, valoroso, lavra de professor, um dizer eminentemente didático da história do banditismo cangaceiro na sua querida Paraíba. É livro de linguagem simples, sucinto e objetivo, acessível a todos; bem intitulado, pontuado, bem apresentado. E que capa bonita, rica, onde nela vejo outro amigo, o Rubens Antonio, mestre baiano, dos primeiros a colorizar fotos do cangaço! A leitura de “PARAHYBA NOS TEMPOS DO CANGAÇO” me fez entender de outra forma o que eu antes imaginava: o cangaço na terra tabajara como apenas de passagem. Parabéns e sucesso, Ruberval!

Adendo: José Mendes Pereira

Eu também recomendo aos leitores do nosso blog para lerem esta excelente obra, e veja se alguns dos leitores  possam ser parentes de alguns cangaceiros registrados no livro do Ruberval Souza.

ADENDO -  http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Entre em contato com o professor Pereira através deste 
e-mail: 
franpelima@bol.com.br

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POR TODA A PRIMEIRA SEMANA DO SEMESTRE 2017.1 (03 A 07 DE JULHO), O DCE/UERN ESTEVE DANDO APOIO AOS CENTROS ACADÊMICOS PARA REALIZAÇÃO DA SEMANA DE RECEPÇÃO DOS E DAS FERAS.


Na última sexta, 07.07, foi realizado o "UNIFERA - (re)volta do semestre", evento esse organizado pelo DCE em conjunto com os centros acadêmicos de Letras, Filosofia, Geografia, Direito, Música, Ciências Sociais e História com apoio da DECA, que teve como intuito recepcionar os e as novas/os feras da UERN.











Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso

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ANOTAÇÕES PARA A HISTÓRIA DE MOSSORÓ

Por Geraldo Maia do Nascimento

No início, era apenas a capela e algumas casas que formavam a quadra da rua, como nos informa os nossos primeiros cronistas. Henry Koster, um aventureiro inglês que por aqui passou em 7 de dezembro de 1810, descreve o povoado dizendo constar de “200 ou 300 habitantes, edificado num quadrângulo, tendo uma igreja e casas pequenas e baixas”. 


Existiam apenas quatro ruas, que Francisco Fausto de Souza, nosso primeiro historiador, identificou como sendo: Rua do Desterro, que era a que ficava ao lado direito da capela, tendo em vista a frente da mesma voltada para o centro do quadro; Rua do Cotovelo que correspondia a atual parte da frente do Banco do Brasil, correndo, portanto, ao lado esquerdo da capela, para quem estivesse olhando para frente do quadro; Rua Domingos da Costa, que era a que ficava por detrás da capela e a Rua Padre Longino, que correspondia ao prolongamento atual da Rua 30 de setembro. No centro do quadro, surgiu a nossa primeira praça. Era a Praça da Matriz, atual Praça Vigário Antônio Joaquim, que ocupa todo o largo do velho quadro da capela, numa área de aproximadamente 2.100m². Esta praça é marco de grandes concentrações culturais e religiosas, principalmente durante os festejos de Santa Luzia, quando a praça é totalmente tomada pelo povo. O povoado cresceu, tornou-se vila e depois cidade, e as casas se multiplicaram, fazendo surgir outras praças. A Praça da Redenção, que Raimundo Nonato nos informar ser a antiga Praça da Independência, que teria perdido esse nome depois do feito da abolição em Mossoró foi, ao que se sabe, a Segunda praça da cidade. No início, era ponto de tradição comercial, pois daí se expandiu às primeiras grandes firmas comerciais, principalmente as dos capitalistas estrangeiros. Essa praça serviu de palco a acontecimentos importantes, que culminaram com o feito histórico da abolição dos escravos, realizada a 30 de setembro de 1883. Atualmente sua denominação é “Praça da Redenção Dorian Jorge Freire”, em homenagem póstuma ao grande jornalista mossoroense. Outras praças vão surgindo como a Praça da Ibueira, depois chamada de Praça Coração de Jesus. A dita praça ficava pelos fundos da atual Coração de Jesus, em terreno onde o comerciante Miguel Faustino do Monte mandou construir um convento, ligado à igreja, para os homens que fariam à adoração noturna ao Santíssimo Sacramento, atendendo ao desejo do então Bispo Diocesano D. Jaime de Barros Câmara. Tinha a Praça Pedro Velho, que era o antigo Paço Municipal (Praça da Cadeia), hoje Praça Antônio Gomes.  Tinha a Praça São Vicente, que era um local amplo, de frente para a igreja. Depois, pessoas importantes tiveram autorização da Prefeitura para construir casas na praça. E a praça acabou...   Tinha ainda a Praça Redonda ou Praça do Poço, construída na chamada “cidade nova”, ao lado sul da “Vila Justa”, hoje Palácio Episcopal, residência do Bispo Diocesano. Nela foram construídas duas caixas d’água, ainda hoje existente. Praça Bento Praxedes, mais conhecida como “Praça do Codó”. No começo era só um quadro coberto de um cerrado de pereiros. De início, foi denominada de Padre Antônio Joaquim, conforme registrado numa planta da cidade. Depois Bento Praxedes, em homenagem a um cidadão que prestou relevantes serviços à cidade, tendo nela publicado um jornal por mais de 10 anos consecutivos. Em 10 de janeiro de 1904, por proposta do intendente (vereador) Francisco  Tavares Cavalcanti a Câmara Municipal, por unanimidade, passa a denominar Praça dos Fernandes o antigo logradouro que tinha o nome de Barão de Ibiapaba, antes também chamada Praça Chico Tertuliano e Praça da República e desde 1953 denominada Praça Rafael Fernandes. Muitas outras praças surgiram na cidade, tornando mais alegre e agradável a vida dos habitantes da terra de Santa Luzia do Mossoró.

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UM POEMA PARA QUEM AINDA SENTE AMOR PELO PRÓXIMO. AMOR SEM VAGA.

Por: José Ribamar Alves

AMOR SEM VAGA

Não há espaço na humanidade
Pra sentimentos de legítimo amor,
O bem faz tudo pelo bem dos outros
Sem querer bens pelo seu valor;
Vaga sem vaga no fundo do peito
Dessas pessoas que ferem pessoas...
O amor puro das pessoas simples 
Que sentem pena das pessoas boas.

(José Ribamar Alves, 21-06-2017)


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso

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