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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

DEDICADO AO MANO RAIMUNDO FELICIANO QUE DEUS O LEVOU NA MADRUGADA DE HOJE - O DIA EM QUE NÓS FOMOS DESPEDIDOS DA CASA DE MENORES MÁRIO NEGÓCIO - PARTE IV

Por José Mendes Pereira
Saudoso Raimundo Feliciano

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano:

Ainda recordo como se fosse hoje numa manhã ensombrada pelas nuvens sem previsões de chuvas, o dia em que a nossa diretora dona Caboclinha nos chamou em sua diretoria, e nos comunicou que aquela boa vida que nós tínhamos antes, naquela Casa de Menores Mário Negócio, havia chegado o fim, pois nós não tínhamos mais direito de continuarmos como internos daquela instituição, alegando-nos a nossa maioridade, por ser uma escola que abrigava alunos até que completasse 18 anos.

O mês era novembro, o dia, se não me foge a memória, 26, mas o ano não tem como fugir da minha memória, foi em 1970, e neste mesmo ano, havíamos terminado os nossos sofrimentos no TG - Tiro de Guerra em Mossoró. Mas digo sofrimentos no bom sentido, porque quem passa pelo TG, ficará preparado para enfrentar a vida como ela é.

Aquela notícia de imediato era como se a gente tivesse sido atingido por uma perversa punhalada. O que era bom antes, agora seria difícil para procurarmos um lugar seguro, onde nós pudéssemos conviver em família. Os que ali ficaram não sabiam bem se o nosso amanhã iria nos dar alimentos ao redor de outros, que talvez substituíssem as nossas amizades de antes.

Lembro-me que a nossa convivência naquela casa seria até quarta-feira que se aproximava. Você com seu jeito engraçado, apoderado daquele violão do Chico Pompilo, que com ele fazíamos as nossas serenatas, pôs-se a cantar uma música de Roberto Carlos, a qual estava sendo a mais tocada nas emissoras de rádio. "Não vou ficar".

https://www.youtube.com/watch?v=E-b-dVu-HZo&fbclid=IwAR0jhiGQ5LfgG9U9RtO2C7qvA1fW8M3xNB7upO8pA5HPUKaNx8FW7p_p4Z0

Após a nossa saída de lá você tomou rumo aos seus familiares, e como sempre foi responsável, trabalhou durante muitos anos com a família Negreiros, a qual tinha toda confiança e respeito à sua pessoa, e pelo seu profissionalismo, só a deixando, quando os Negreiros mais velhos partiram para a eternidade.

Assim como eu você também foi um que passou pela Editora Comercial S/A. Sei que foi por pouco tempo, porque a sua profissão não era manusear aquele quebra-cabeças, de juntar letras por letras, para formar palavras ou conteúdos inteiros.

Eu não quis voltar para os meus familiares porque de lá eu já tinha vindo, e a solução foi me alojar no Sindicado da Lavoura de Mossoró, hospedagem adquirida pelo meu pai, Pedro Nél Pereira, que era um dos membros da diretoria daquela instituição sindical.

A primeira noite em que dormi lá senti-me como se fosse um sujeito rejeitado por Deus, pela sociedade, pelos amigos, sem pai, sem mãe e irmãos ao meu lado. Deitei-me e fiquei a olhar o teto, imaginando o teto que eu havia deixado para trás, seguro, com alimentação na hora certa, roupas e calçados se eu precisasse, acompanhado de uma porção de amigos. Eu ali sentia uma solidão que só eu sabia. Em alguns momentos, levantei-me, fui até à porta e fiquei observando os transeuntes, que àquelas horas, ainda passavam para suas casas.

Eu, em segredo, pelas rótulas da porta da frente, observava aquele movimento bastante restrito de pessoas que se deslocavam, e de repente, vinha um senhor ocupando toda a Rua Almirante Barroso, e em suas mãos, um objeto. Vi de imediato que era um bêbado que conduzia um cabresto, talvez para recolher um dos seus animais.

As horas já se passavam, mas eu não tinha a mínima ideia, o que os relógios da humanidade marcavam naquele momento. 

Lembrei-me da matriz de Nosso Senhora da Conceição, e resolvi sair fora, para ter ideia que horas o relógio da Igreja assinalava. E vi que os enormes ponteiros marcavam 2 horas da manhã. Retornei à rede e fiquei imaginando o que seria de mim no dia seguinte, onde eu iria tomar o primeiro café do dia, almoçar, e posteriormente o jantar. Mas finalmente, minutos depois, eu adormeci, só acordando quando Maria da Paz a assistente do dentista do sindicado (Dr. João Falcão) chegou para dar início aos seus trabalhos rotineiros.

Vivi dias e noites difíceis, alimentando-me muito mal, e se eu almoçava (na Churrascaria do Batista, na Alberto Maranhão com o cruzamento da Almirante Barroso), às vezes eu não jantava, por falta de dinheiro; eu ainda não era gráfico profissional, e ganhava muito pouco. Foram dias, meses tentando me adaptar a nova vida que eu havia ganhado.

Neste período de sofrimento eu era aluno do Ginásio Municipal, e que muitas vezes, frequentei àquela escola sem jantar, mas nunca cheguei a nenhum dos meus amigos para contar o que estava se passando comigo. E para amenizar um pouco a falta de alimento em minha barriga, eu fumaça, fumaça, e feito isso, o que me maltratava no momento, havia desaparecido, só retornando as mesmas crises horas depois.

Quando o meu pai me visitava no meu local de trabalho especulava-me sobre o meu passadio, se eu estava comendo todos os dias, se eu jantava, tomava café..., se eu estava necessitando de roupas e calçados. Mas eu o deixava sossegado, em paz, sem aperreios, para que ele, minha mãe e meus irmãos dormissem as noites inteiras sossegados.

O meu pai nunca fora rico apenas era um homem que tinha um bom chiqueiro de caprinos, mais umas cabecinhas de bovinos. Ele sempre me dizia, que se eu estivesse necessitando de alguma coisa para tanger a vida ele venderia alguns bichos miúdos. Mas eu lhe dizia que eu estava muito bem, obrigado! Comia francamente, todos os dias.

Devido a minha situação difícil em alguns momentos pensei em retornar ao campo, voltar a viver àquela vida de camponês, trabalhando na agricultura, nos carnaubais, acordar três horas da madrugada para fazer empilhamentos das palhas das carnaubeiras, cuidando das criações, campeando o minúsculo rebanho de gado que o meu pai possuía, carregando água em ancoretas sobre o lombo de animais, ou sobre o meu próprio ombro.

Mas me veio o medo de passar por covarde, fraco, sem esperanças, desprovido de fé em Deus, e depois de imaginar tudo isto, decidi-me, tentar valia a pena, desistir do sofrimento não era uma boa opção. Que eu seguisse o caminho para ver aonde eu iria chegar, do jeito que Deus havia determinado para mim.

Para tomar intimidade com esta nova vida, levei muitos dias para me acostumar, e como sempre Deus está perto de nós, felizmente, um funcionário que trabalhava comigo na Editora Comercial, José Nogueira filho de Aldenor Nogueira resolveu ir morar em Natal, e a partir daí, fiquei assumindo o seu lugar, e passei a ganhar de igualdade com os outros profissionais.

Sofri muito, mas tudo que passei valeu a pena. Estudei e sou formado pela Universidade Regional do Rio Grande do Norte - FURRN, nos dias de hoje, UERN. Já estou aposentado pela Secretaria de Educação e tenho quatro filhos, todos, empregados, e tenho sete netos. Foi uma prova dada por Deus. Venci todos os obstáculos que um ser humano tem que enfrentar para contar a sua história. Hoje estou amparado pela divina graça do Deus todo poderoso.

Minhas Simples Histórias

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

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VIRGULINO LAMPIÃO EM MAIS UMA PALESTRA EM FORTALEZA

Serzedelo Freitas, Manoel Severo e Joélcio Alves

A cada dia que passa me surpreendo ainda mais com o fascínio que o tema cangaço desperta nas mais variadas plateias; do menino ao mais experiente, do estudioso ao curioso, enfim. Nestas nossas andanças por todos os caminhos nordestinos; do litoral ao sertões ; o tema cangaço encanta e quando começamos a falar de Virgulino Lampião até o tempo estaciona para ouvir...

Na manha do último dia 12 de fevereiro tivemos o privilégio de atender ao convite do professor Joélcio Alves, do colégio da Imaculada Conceição na cidade de Fortaleza, capital do meu Ceará. Naquela manhã foram reunidos os alunos das turmas do nono ano do referido colégio, turmas sob o "comando" dos professores Joélcio Alves e do professor Serzedelo Freitas, reunidos ali para conhecerem um pouquinho mais da incrível historia dos míticos Lampião e Maria Bonita.


Diante de mim uma preciosa platéia de admirados e curiosos expectadores, esses queridos alunos; todos com idade entre 13 aos 17 anos; começaram meio sem jeito a partir da apresentação de um assunto que nem todos possuíam afinidade, entretanto, com o passar dos minutos a curiosidade e a atenção redobrou, e aqueles surpresos expectadores passaram a ávidos curiosos desejando conhecer mais e mais a historia do Rei do Cangaço e sua amada. Não pelo talento do palestrante mas pelo incrível magnetismo do tema, tivemos uma manhã onde o tempo passou como um raio e deixou um gostinho de "quero mais"...Como confirma o professor Joélcio: "Precisamos fazer outra palestra, desta vez muito maior."

Na verdade um grande desafio, explico: Estamos acostumados a debater, discutir e aprofundar o estudo do tema cangaço junto a um público de estudiosos, pessoas que dedicam boa parte de suas vidas à pesquisa e ao estudo do tema, sempre em conferências que acabam reunindo centenas de pesquisadores, assim, quando somos colocados diante de um público como esses estimados alunos chega a dá um "frio na barriga"... Mas missão dada, missão cumprida !

 "Virgulino Lampião tinha a real noção da força de sua imagem..."

Ao final ficou a impressão de um bate-papo leve, solto, quando nos esforçamos para apresentar aos alunos o cangaço  de forma completa; em sua complexidade e simplicidade; como as coisas do nosso sertão nordestino e apesar de todas as diferenças, ninguém melhor para entender um nordestino do que outro.


"Hoje recebemos a visita do amigo Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço aqui no Colégio da Imaculada Conceição para conversar com os alunos dos nonos anos sobre o Cangaço no Brasil.Foi um momento rico em histórias e conhecimento. " Ressalta o professor Joélcio Alves, que já confirmou presença na primeira agenda do Cariri Cangaço para este ano de 2019: Cariri Cangaço Quixeramobim - Antônio, o Conselheiro do Brasil.

Cariri Cangaço no Colégio Imaculada Conceição
12 de Fevereiro de 2019, Fortaleza,CE
Fotos:Ingrid Rebouças

E vem ai...

http://cariricangaco.blogspot.com/2019/02/virgulino-lampiao-em-mais-uma-palestra.html

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SOCIEDADE CEARENSE DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA LANÇA REVISTA NA CASA JUVENAL GALENO

 Por Manoel Severo

Vicente Alencar, Rene Lobo, Ângelo Osmiro e Manoel Severo

A Sociedade Cearense de Geografia e História, instituição cultural com sede na cidade de Fortaleza, lançou na tarde de ontem, dia 19 de fevereiro, na Casa de Juvenal Galeno, no centro da cidade, a edição comemorativa de sua Revista de 2018 sob o comando de seu presidente, jornalista e radialista Vicente Alencar.


Nomes como Ângelo Osmiro, Aristides de Sousa Neto, Cássio Borges, Evandro Bezerra, Herculano Verçosa, Geraldo Bezerra, Marum Simão e o próprio Vicente Alencar, dentre outros ilustres escritores fazem parte dos autores escolhidos e responsáveis pela edição 2018 da prestigiada revista.
  


"A Sociedade Cearense de Geografia e História com essa publicação mostra o pensamento que envolve os seus membros, como estão acompanhando tudo o que se registra no mundo. Que os conceitos aqui contidos possam colaborar, diretamente, para um melhor posicionamento de todos nós, perante a população brasileira" afirma o presidente Vicente Alencar.

NOTA CARIRI CANGAÇO: A SCGH-Sociedade Cearense de Geografia e História, foi fundada em 25 de agosto de 1935, reconhecida como de utilidade pública pela Lei Nº 107 de 15 de maio de 1936. Mantem reuniões na Casa de Juvenal Galeno, rua General Sampaio, 1128, centro da cidade de Fortaleza.

http://cariricangaco.blogspot.com/2019/02/sociedade-cearense-de-geografia-e.html

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NOSSO MANO RAIMUNDO FELICIANO SE FOI PARA O REINO DE DEUS!

Por José Mendes Pereira
Raimundo Feliciano e sua esposa professora Iza

Comunico aos manos da antiga Casa de Menores Mário Negócio Railton MeloJorge BrazJoao Augusto BrazFrancisco Mauricio Gurgel, Manoel Pereira da Silva, Antonio Mendes Sobrinho, Manoel Flor de Melo, Manoel Maia Néo, Antonio Galdino da Costa em Guarulhos - São paulo, Francisco José Caldas da Silva em Recife, Sérgio Salém de Miranda e a cantora de Areia Branca Amanda Costa, que o nosso mano Raimundo Feliciano faleceu na madrugada deste dia.

Todos nós acima fomos internos com ele na Casa de Menores Mário Negócio durante alguns anos. O Raimundo era uma pessoa brincalhona e sempre estava a fazer suas graças sem prejudicar ninguém. Um mano de verdade!.


Raimundo Feliciano e José Mendes Pereira


A semana que se passou eu estive com ele na sua loja. Ele me falou:

-  Mano, vamos visitar o quanto antes Tetê lá na Abolição 2, se não acontece o que aconteceu com dona Caboclinha de Genildo de Miranda, que falamos de ir visitá-la, e findamos não indo, porque ela faleceu antes. 

- Vamos marcar o dia , Raimundo Feliciano. - Eu o disse.

Ele ainda me falou o seguinte:

- Lá no Abrigo Amantino Câmara tem um rapaz que foi lá da Casa de Menores Mário Negócio, só que ele me disse o nome e eu me esqueci. Vamos também marcar um dia para visitarmos e reconhecermos.

- Certo, Raimundo Feliciano.

Agora foi a sua vez de ir para a Casa do Senhor. 

Adeus, mano Raimundo Feliciano! Um dia iremos nos encontrar novamente, mas desta vez na casa do Senhor. A estrada poderá ser outra, mas o caminho é exatamente o mesmo que você seguiu.

"Assim escreveu Gilvan Rodrigues Leite:

FALECEU EM MOSSORÓ MEU AMIGO RAIMUNDO FELICIANO DA SILVA (RAIMUNDO DA AGROTEC). É com enorme sentimento de pesar que recebo através das redes sociais, a infausta notícia do falecimento do meu velho amigo e companheiro de trabalho RAIMUNDO FELICIANO DA SILVA (RAIMUNDO DA AGROTEC). Nasceu em Mossoró no dia 01/08/1950, era casado há 42 anos com a Senhora Ilza Feliciano, companheira de toda sua vida e pai de Simone e Ciro Eduardo. Na sua infância foi interno da Casa de Menores, nos tempos áureos da gestão de Dona Caboclinha Miranda. Iniciou sua carreira profissional na antiga Casa Negreiros, de propriedade do saudoso Manoel Negreiros. Com o fechamento da Casa Negreiros, passou a laborar na Agrotec - Agro Técnica Máquinas e Motores Ltda., de propriedade do Dr Gabriel Fernandes de Negreiros, onde tive a satisfação de conviver com ele durante dez anos, de 1981 à 1991. Tendo ele, permanecido na aludida empresa até sua aposentadoria, poucos anos atrás, e como trabalhador e vendedor nato, estabeleceu se no segmento de móveis, máquinas e equipamentos usados. É difícil falar de Raimundo Feliciano, sem ser com o sentimento de gratidão, respeito e amizade. Como colega de trabalho sempre foi um professor, um incentivador, um amigo solidário. Como amigo, era amigo na verdadeira acepção da palavra. Companheiro, afetuoso, espirituoso, simples, Alegre e constante nas horas de lazer e tb nos momentos difíceis. Deixa viúva uma grande mulher, Dona Ilza Feliciano, os filhos Simone e Ciro Eduardo e um neto. Neste momento de profundo pesar, faço chegar às família enlutada minhas condolências, pedindo à Deus que o receba no Reino Eterno".

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A VIOLENCIA OFICIALIZADA NO TEMPO DO CANGAÇO

https://www.youtube.com/watch?v=6dZU5zz283A

Aderbal Nogueira
Publicado em 27 de jun de 2011

Depoimentos sobre a violência policial no tempo do cangaço. Poderia ter feito inúmeros videos mostrando a violência dos Cangaceiros, mas isso... todos já sabem. Esse vídeo foi feito para reflexão e também para fazer um paralelo com a violência dos dias de hoje.
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97 ANOS!


Por Vanessa Campos

Hoje, o Cine Theatro Guarany, na bela Triunfo, Sertão Pajeú,,faz 97 anos. E continua imponente, testemunha da história ,local, que vai de política as artes. Sua construção durou três anos utilizando inclusive mão de obra local, numa iniciativa dos prósperos comerciantes e primos Manuel de Siqueira Campos e Carolino de Arruda Campos que bancaram a obra com recursos próprios. A finalidade era impedir a fuga dos operários para outras cidades, sobretudo São Paulo. Era período de seca.


O prédio em estilo neoclássico chama a atenção do visitante, passou por vários donos e reformas. Foi tombado em 1988, governo Miguel Arraes e depois comprado pela Fundarpe. Sua história está sendo contada por mim, que sou sobrinha –neta de Carolino. 

Aguardem.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2177680395603647&set=a.341264589245246&type=3&theater

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ASSIM CAMINHA UM SERTÃO

*Rangel Alves da Costa

Já chegando o entardecer, já se aproximando o momento do candeeiro do sol se apagar, já surgindo a boca aberta da noite. E depois a lua, depois os noturnos sertanejos, depois os grilos e o farfalhar das sonolentas folhagens. Assim os passos sertanejos de Poço Redondo.
O pão quentinho e saboroso na Padaria de Tio Luiz, as últimas compras nas vendas e mercadinhos, as cadeiras nas calçadas, os amigos em proseado pelos quadrantes de cada canto. Meninos brincam de bola, garotos passam com gaiolas de passarinhos. Janelas e portas são abertas e são fechadas.
Entardecer chegando, noite batendo à porta, mas quer tomar um banho e não pode. Abre a torneira e não cai um pingo d’água. E assim dia após dia, num desmedido desrespeito à população. E não adianta reclamar. Parece que quanto mais reclamações mais agem propositalmente para deixar o povo desguarnecido de água limpa.
Quando cai, a água mais parece um suco de barro do que qualquer outra coisa. Mas a conta chega certa pra pagar, e já foi anunciado um novo aumento. Quando a conta não é paga no tempo certo, logo aparece que faça o desligamento. Quer dizer, mesmo sem água há cobrança, e sem pagamento há o corte imediato.
Logo mais, os fogões estarão preparando os jantares, as mesas serão postas segundo o que dispuser a família. Em alguns lares, as sombras do almoço, as macarronadas, as carnes de sol com cuscuz, macaxeira ou inhame. Em outras apenas o cuscuz com ovos ou mesmo o pão com tiquinho de café e sem manteiga.


Mas em muitas outras - em muitas outras mesmo - apenas as feições entristecidas dos pais e os choros famintos dos filhos. Quando muito um pão para enganar a fome, ou o pão repartido em dois na ilusão de que o adormecer será de barriga cheia.
Alegrias, sorrisos, angústias e sofrimentos em meio ao povo desse mundo-sertão, desse Poço Redondo que traduz nas suas agruras e grandezas todo o viver sertanejo. Em Poço Redondo todo o retrato de um sertão tão sertanejo que não haveria outro lugar como exemplificação.
Mas agora, em instantes de calor mais amainado, uma brisa boa vai soprando ali e acolá. Maria chegou cansada carregando na cabeça um pote. Assim acontecia noutros tempos, mas agora o modismo forçadamente retornou. Muita gente achou estranho o pote de Maria. Muita gente vai ficar sem água. E Maria não.
Na sua caminhada com o pote, ao longe o seu cantarolar:

Dias de destino e de sorte
para sorrir mesmo no sofrimento
e tentar viver tendo a morte
e viver a cantar no tormento
uma velha canção de um realejo
quase assim como um lamento
num povo de viver sertanejo.

Assim a canção dos dias, assim a canção da vida e do viver sertanejo.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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OS PODEROSOS DESPREZAM QUEM TENTA MONTAR O XADREZ DA LITERATURA LAMPIÔNICA

Por José Mendes Pereira
Lampião e Maria Bonita. Colorido pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

Quantos pesquisadores, escritores e até mesmo curiosos que nesse momento estão por aí nas caatingas do nordeste brasileiro, que deixaram as suas famílias e estão nas caatingas, sofrendo, passando fome, sem beber água potável, e ao anoitecer dormindo no chão, dormindo no chão na intenção de organizarem mais ainda a literatura lampiônica, mas os poderosos não têm um tico de interesse para este fim.


Governador de Pernambuco Paulo Câmara - https://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&tbm=isch&source=hp&biw=1366&bih=657&ei=iW1tXOiyFpGi5OUPtvKeqAc&q=Fotos+do+atual+governador+de+pernambuco&oq=Fotos+do+atual+governador+de+pernambuco&gs_l=img.12...2780.13942..15718...2.0..1.249.6521.0j34j7....2..1....1..gws-wiz-img.....0..35i39j0j0i3j0i10.QJWoCug43kg#imgrc=BidM48Yttd44NM:

O "governador" do Estado de "Pernambuco" ou o "prefeito" da cidade de "Serra Talhada", um deles já deveria ter mandado fazer os exames de "DNA" das ossadas dos supostos cangaceiros que alguns afirmam ser de Virgolino Ferreira da Silva o rei do cangaço Lampião, e do seu irmão Ezequiel Ferreira da Silva o Ponto Fino, mas infelizmente parece que o Estado de Pernambuco e o prefeito de Serra Talhada não querem  saber da verdade, querem que as dúvidas continuem.


Prefeito de Serra Talhada Luciano Duque - https://noticias.ne10.uol.com.br/interior/sertao/noticia/2017/01/02/prefeito-de-serra-talhada-luciano-duque-e-empossado-654958.php

Pernambuco e Serra Talhada aliados devem formar uma equipe de estudiosos e enviarem para ir atrás do túmulo do Lampião de Buritis, e procurar o túmulo do suposto Ezequiel Ferreira, que segundo a sua esposa informou onde ele está enterrado, assim como o escritor José Geraldo Aguiar diz no seu livro onde o suposto Lampião de Buritis está enterrado no Norte de Minas Gerais. 

Não tenho nada contra ao escritor, mas o Lampião de Buritis é falso. O escritor informou o que o Lampião de Buritis informou a ele. - https://manoelhiginoconsultor.wordpress.com/tag/o-livro-de-jose-geraldo-aguiar/

Será que estão com medo da verdade? O tema cangaço é um assunto sério e que devem ser feitos os DNAs desses supostos cangaceiros. Uma história tão bonita e o tempo vai se passando, e quando cuidarem de fazer os DNAs não encontrarão mais ossadas para este fim. Cuidem disso, Pernambuco e Serra Talhada! Formem uma equipe de estudiosos. São milhares de pessoas que muito interessam saber a verdade. Eu que não sou escritor e nem tão pouco pesquisador vivo esperando pela verdade, imagina bem quem vive organizando o xadrez do cangaço nordestino, hein!?

Eu não estava lá, mas Lampião foi morto naquela triste madrugada do dia 28 de julho de 1938 na Grota do Angico em terras de Poço Redondo no Estado de Sergipe. Assim também eu não estava lá, Ezequiel Ferreira da Silva morreu ali mesmo onde afirmam os pesquisadores. O que aconteceu foi gente querendo aparecer e criou mentiras para entrar na mídia. Se Serra Talhada e Pernambuco não procuram resolver estes absurdos é porque temem a verdade.

Sei que não é tão fácil para os escritores e pesquisadores exigirem  um encontro com estas duas autoridades: governador de Pernambuco João Câmara e prefeito de Serra Talhada Luciano Duque, para falar sobre o assunto, e providenciar o "DNA" dos supostos cangaceiros, porque não só eles, mas o Brasil e o mundo inteiro querem uma confirmação a quem pertencem os cadáveres em dúvidas. 

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O FOGO DAS GUARIBAS – A TRAGÉDIA DE CHICO CHICOTE

Por Roberto Junior

1927 foi o ano em que o Cariri estremeceu com um dos maiores e mais memoráveis tiroteios que a crônica histórica do Coronelismo Caririense pôde registrar. O ataque a casa grade do Sitio Guaribas, em Porteiras, é até hoje um dos maiores exemplos dos arranjos e conluios que uniam numa massa uniforme, os mandões do Cariri e os praças que representavam a Policia Militar do Ceará, sendo esta última, não raras vezes, utilizada como força auxiliar dos poderosos que a tudo e sobre tudo decidiam sob a ótica do bacamarte.


Em 28 de Janeiro de 1927, chegava a Brejo dos Santos, atual Brejo Santo, uma volante comandada pelo então tenente, José Gonçalves Bezerra, uma dos maiores facínoras que já circulou pelo Cariri, e que também esteve envolvido no desmonte do Caldeirão do Beato José Lourenço, em Crato. O militar havia montado campanha com a justificativa de que estaria em busca de Virgulino Ferreira da Silva, O Lampião, que de fato estava na região, mas seria usado apenas como cortina de fumaça, pois, Zé Bezerra, na verdade estaria atendendo a outras demandas, mais especificas e que nada diziam sobre combater o afamado cangaceiro.

A primeira missão do tenente havia sido ir até Macapá, atual Jati, em busca de Antônio Marrocos de Carvalho, um coletor de impostos que ganhava rápido prestigio em sua localidade, a época anexada ao município de Jardim, e que estaria incomodando velhas lideranças politicas. Algum tempo antes, Marrocos havia sido denunciado por essas mesmas lideranças, por ter dado abrigo a Lampião e seu bando, o que de fato havia ocorrido, e é interessante ressaltar que as denuncias ocorreram após duas tentativas fracassadas de assassinar o coletor. Nêgo Marrocos, ciente do contexto desfavorável a si, explica ao cangaceiro, em outra visita do mesmo, que não mais poderia abriga-lo em sua residência diante das denúncias, e Virgulino, compreendendo os fatores, causas e finalidades, recomenda a Marrocos que fizesse denuncia de sua passagem pelo local, como tentativa de afastar de si a fama de coiteiro, que muito poderia lhe complicar. Foi valendo-se desse argumento, que o militar conseguiu fazer com que Antônio Marrocos o acompanhasse, pois, segundo Zé Bezerra, endossando as fileiras da volante que buscaria Lampião, Marrocos afastaria definitivamente as confirmações de suas atividades como aliado de Virgulino Ferreira.

Procedente de Jardim, a volante iniciou sua marcha até o Sitio Guaribas, atual município de Porteiras, nos primeiros minutos da madrugada de 1° de Fevereiro de 1927, tendo como ponto intermediário o sítio Salvaterra, onde o sanguinário tenente cumpriria mais um acordo fechado com os potentados rurais do Cariri. Como podemos observar, Zé Bezerra havia fechado o que poderíamos chamar de “Pacote de Pistolagem”, pois, atendendo as velhas raposas de Jardim, iria exterminar Antônio Marrocos de Carvalho, e respondendo aos mandatos de Sebastião Salviano, vulgo Sinhô Salviano, mataria também a Antônio Gomes Grangeiro e Francisco Pereira de Lucena, vulgo Chico Chicote.

Antônio Grangeiro, tempos atrás havia tido um sério desentendimento com José Franklin de Figueiredo, por questões de terra, e Chico Chicote, em apoio a Grangeiro, havia assassinado José Franklin, que era cunhado de Sebastião Salviano; este último teve por ação buscar abrigo junto do coronel José Pereira Lima, maldito Zé Pereira de Princesa, no reduto absoluto do mandão, a cidade de Princesa Isabel, na Paraíba, com a finalidade de tramar sua vingança que foi executada justamente na ação acima citada.

Mas voltando ao sítio Salvaterra, a casa grande do mesmo foi invadida antes do raiar do dia pelo troço de malfeitores da policia. Em seu interior estavam Antônio Grangeiro, João Grangeiro (Louro Grangeiro), sobrinho do proprietário, e dois moradores, Aprígio Temóteo de Barros e Raimundo Madeiro Barros (Mundeiro) que foram rendidos e obrigados a marchar rumo a Guaribas junto do exército de facínoras. Em determinado ponto da caminhada, estima Joaryvar Macedo que a cerca de 500 metros da residência de Chico Chicote, foram os supracitado assassinados, sofreram degola e tiveram seus corpos incinerados. O batalhão sanguinário seguiu sua marcha, ainda mantendo Nêgo Marrocos entre seus números; anteriormente, Marrocos, segundo algumas fontes, teria inocentemente desenhado a planta da casa grande de Guaribas, que ele tão bem conhecia, e que era praticamente uma fortaleza, com paredes largas e seteiras por onde se poderia armar defesa, o que facilitou em grande soma o trabalho de Zé Bezerra e seu bando.

Deixando o grosso da tropa em ponto estratégico, Zé Bezerra e seu incansável braço direito, Veríssimo Gondim, seguiram com Nêgo Marrocos, e pasmem, um sobrinho de Chico Chicote, que serviu de guia ao troço de malfeitores, até o terreiro da casa de seu tio. O imóvel, as 7h da manhã já estava rodeado de plena movimentação, e o rosto conhecido de Marrocos não deu grande alerta aos anfitriões, somente o estampido da arma do tenente Veríssimo, que com um balaço atingiu o coletor de impostos nas costas, denunciou a trama diabólica que se desenrolava naquele momento. A chuva de balas iniciou com carga máxima, e Chicote em minutos viu seu reduto cercado por 70 praças e muitos “Papo Amarelo” com o cano quente, e em seu auxilio, Chico teve inicialmente somente sua esposa, Dona Geracina, sua filha, Josefa, seu filho, Vicente Inácio, e os cabras, Sebastião Cancão e Mané Caipora, era o inicio do Fogo das Guaribas.

Durou 31 horas a peleja de Chico Chicote, e nem o pequeno contingente de auxílio que veio de Porteiras, composto por cerca de 50 pessoas, conseguiu dar vencimento nas volantes criminosas, que ao cair da tarde do dia 1° de Fevereiro de 1927 já haviam recebido reforços de volantes do Pernambuco e da Paraíba, assim como também de um magote de cabras chefiados por Sinhô Salviano, que a conferiu uma força de mais de 200 homens. Mas eram valentes os que se defendiam; Dona Geracina e Josefa se revezavam recarregando, e com o a ajuda de uma gamela de água, refrigerando os rifles. Chegado o dia 02, a fuzilaria continuava a todo vapor, mas Chico, vendo um de seus cabras mortos e o cerco se fechar, sugeriu ao filho, Vicente Inácio e ao outro companheiro, que fossem embora, e contando somente com a ajuda da esposa e da filha, deu combate aos desditosos fardados até as duas horas da tarde. Baleado no maxilar inferior, no braço esquerdo e com o tiro fatal no tórax, Chicote foi encontrado de joelhos, amparado na parede, na posição de atirar e ainda com uma bala na agulha, estava completamente escura a sua pele do rosto, mãos e braços, por efeito das horas de disparos por ele executados, e naquele momento Sinhô Salviano executou sua vingança pela morte do cunhado, encravando na axila esquerda de Francisco um punhal, configurando semelhante ferimento ao que Chico havia causado em José Franco.

Conta-se que na Malhada Funda, localidade ali próxima, estava Lampião, que ouvindo o tiroteio, soube exatamente do que se tratava, mas era Chico Chicote inimigo seu, e por isso não foi em seu socorro. Não obstante a traição de João Gomes Lucena, sobrinho de Chico que serviu de guia aos integrantes da volante, também nos causa estranheza a ação de Quinco Chicote, irmão do falecido e chefe de Brejo Santo, que além de não enviar ajuda, também impediu que Isaias Arruda, chefe de Missão Velha, e Pedro Furtado, de Milagres, enviassem seus homens para travar batalha no Fogo das Guaribas.

É fato o temperamento explosivo e a vida marcada por malfeitos que levou Chico Chicote, mas a figura não ofusca a trama asquerosa que foi montada e que teve como protagonistas homens que deveriam fazer valer a lei, mas que na realidade eram jagunços fardados, usados como braço armado do aparelho politico de outrora, sendo um dos maiores exemplos deste triste papel, que não raras vezes as policias do nordeste representaram.

Terminado o Fogo, a Casa de Guaribas sofreu um saque completo, plantações e animais foram atacados e o cenário era desolador. O imóvel foi usado ainda por longos anos, e a oralidade de Porteiras registra que muitos dos que ali padeceram (também morreram 27 praças, que após dias ainda eram encontrados no meio da mata) continuaram a vagar pela localidade e pela casa, que infelizmente foi demolida no começo dos anos 2000.

Zé Bezerra foi assassinado em 10 de maio de 1937, envolvido em mais um caso escabroso, o do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. Veríssimo Gondim foi morto em 26 de junho de 1932, atingido pelas costas, assim como fez com o Nêgo Marrocos, pelo coronel Raimundo Augusto Lima, suas últimas palavras teriam sido: “Que homem falso”.

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