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domingo, 24 de maio de 2020

A DERROTA DA OUSADIA DE LAMPIÃO AO TENTAR INVADIR MOSSORÓ

Por Redação - 16 DE OUTUBRO DE 2018
O Memorial da Resistência a céu aberto é o principal equipamento turístico da cidade de Mossoró, que expulsou Lampião

Mossoró era uma cidade de grande porte em relação às demais saqueadas por Lampião. A tentativa de invadi-la arranhou sua imagem de estrategista

Mossoró (RN). A mais fragorosa derrota de Virgulino Ferreira da Silva aconteceu nesta cidade do Rio Grande do Norte, em junho de 1927. O Rei do Cangaço foi de encontro ao que sempre apregoou: jamais invadir uma cidade com mais de duas torres (igrejas). O fato denotava a condição da cidade ser grande e também das "torres" serem utilizadas como mirantes. 

Igreja Cagrado Coração de Jesus - Igreja construída pelo empresário Miguel Faustino que fora empregado do coronel Delmiro Gouveia. - Acervo do historiador Geraldo maia do Nascimento

A cidade norte-rio-grandense tinha nada menos do que quatro torres. Duas pertenciam à Igreja de Santa Luzia, uma ao Sagrado Coração de Jesus e a quarta à Igreja de São Vicente. Todas elas viraram cidadelas inexpugnáveis.

O cangaceiro Massilon Leite

Mas Lampião deixou-se levar pela argumentação de um cangaceiro chamado Massilon, que morava em um lugarejo próximo a Mossoró, onde trabalhava como cambeiro, levando e trazendo mercadoria. 

Catedral de Santa Luzia de Mossoró

Por causa da antiga profissão, conhecia bem a cidade. O cangaceiro descreveu o futuro alvo como um local de "povo pacífico, mofina e incapaz de se defender". Além disso, lembrou que a cidade contava com a agência de número 36 do Banco do Brasil, o que era sinal de grande prosperidade à época.

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'Era cabeça  que não acabava mais' diz testemunha de batalha.


Seguindo o seu padrão, Lampião escreveu um bilhete endereçado ao prefeito Rodolpho Rodrigues solicitando 400 contos de reis para não atacar a cidade. Ao receber o bilhete de um portador chamado Formiga, o prefeito mostrou uns tambores com mercadoria e disse a ele que estavam cheios de bala, como forma de intimidar o cangaceiro enviado por Lampião.

Prefeito de Mossoró Rodolfo Fernandes

A situação de Mossoró era temerária. Rodolpho Rodrigues já houvera solicitado ao governo do Estado do Rio Grande do Norte ajuda para combater a Coluna Prestes que, segundo ele, estava na iminência de invadir sua terra. A ajuda veio. A Coluna, não. Quando foi pedir a interferência do Estado para barrar a entrada de Lampião, o governo julgou que tal jamais aconteceria e negou o pedido.

Ciente do perigo e da iminência ao ataque, o prefeito arregimentou comerciantes, lideranças políticas e civis e a população em geral para se cotizar e contribuir na aquisição de armamentos para enfrentar o bando de Lampião. No dia 13 de junho, no fim da tarde, chovia bastante. Virgulino dividiu o grupo em três blocos, permanecendo ele no intermediário.

A residência do prefeito Rodolpho Fernandes é hoje o Palácio da Resistência, sede da Prefeitura; a Igreja de São Vicente preserva a marca de balas na sua torre, onde homens armados defenderam a Cidade 

Igreja de São Vicente lugar que ficou uma boa parte dos combatentes para defender a cidade.

Disfarce

À frente o cangaceiro Sabino Gomes vestido de policial. Outra estratégia de Lampião era mandar seus homens se disfarçarem de mendigos, vendedores, policiais etc. E entrar na cidade para sondar o ambiente. Ele se aproximou da residência do prefeito, que desconfiou da artimanha, dizendo que não pediu ajuda à Polícia, e mandou os homens responderem à bala. Sabino Gomes se escondeu perto da ferrovia e, depois, comandou o ataque à casa do prefeito, o Palácio da Resistência, sede atual da Prefeitura, onde se estabeleceu a maior das trincheiras, dentre tantas espalhadas pela cidade. Nesse combate, o cangaceiro Colchete tombou morto.

O cangaceiro Jararaca

"Foi uma hora de tiroteio aproximadamente. Após a morte de Colchete e Jararaca ser baleado, os demais cangaceiros bateram em retirada", conta o pesquisador mossoroense Eriberto Monteiro, para quem a resistência podia ter sido derrotada por causa de um vacilo. "Quando soaram os sinos da Capela de São Vicente, esqueceram de fechar a porta. Se os cangaceiros tivessem descoberto esse deslize, creio que a história poderia estar sendo contada de outra maneira".

Artimanhas

José Leite Santana, o Jararaca, saiu baleado e ainda conseguiu escapar pelo mato por algumas horas. Foi capturado, porém, pelas forças policiais. A história do primeiro Jararaca é um capítulo à parte (leia na página 7). Aqui um parêntese para explicar o uso de homônimos no cangaço. Virgulino, longe de ter sido um simples bandido, era idealizador de artimanhas que conseguiam ludibriar seus inimigos. Uma delas era dar o mesmo apelido para vários cangaceiros.

Apelido

Usava o ardil com dois objetivos, segundo o depoimento de alguns pesquisadores. Primeiramente, para homenagear seus homens mais "valorosos" que morriam. Manter o mesmo apelido era uma forma de "ressuscitá-los". Por outro lado, isso desmoralizava a Polícia, os chamados macacos.

É que muitos volantes se gabavam de ter matado tal cangaceiro. Ao tomar conhecimento desse fato, Lampião fazia questão de passar no local e conversar com o "defunto" (substituto), deixando a Polícia no descrédito. Há casos de três pessoas que ostentaram a mesma alcunha.

O homem que ganhou a confiança de Virgulino

Padre Cícero Romão Batista e Benjamin Abraão

A trajetória do sírio Benjamim Abraão, inclusive a sua morte, é também cheia de mistérios. Ele migrou para o Brasil em 1915, segundo consta, para fugir da convocação obrigatória durante a Primeira Guerra Mundial. Dentre outras atividades, atuou no comércio de tecidos e miudezas. Depois de residir em Recife (PE) por muitos anos, seguiu para Juazeiro do Norte de olho no grande número de romeiros que buscavam a cidade do Cariri cearense.

Sua vida começou a mudar quando conheceu Padre Cícero e passou a ser seu secretário. Em 1926, foi apresentado a Lampião, durante sua passagem pela Cidade, no episódio que ficou conhecido como o da entrega de armas e da patente de capitão ao cangaceiro para que, juntamente com seu bando, enfrentasse a Coluna Prestes. Em 1929, Abrahão fotografou o líder cangaceiro ao lado do Padim. Após a morte do religioso, Abrahão obteve a permissão do "Rei do Cangaço" para acompanhar o bando na Caatinga. Conseguiu captar as imagens que o consagraram e deram fama. À essa altura, já contava com a parceria do cearense Ademar Bezerra de Albuquerque, proprietário da Aba Film que, além de lhe ceder os equipamentos, ensinava como usá-los. Esteve junto aos cangaceiros liderados por Lampião pelo menos em duas ocasiões.

Abrahão teve seus trabalhos confiscados pelo Estado Novo, que via na sua atuação algo "perigoso" para o regime. Guardada pela família de libaneses Elihimas, em Pernambuco, a película foi analisada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), um órgão de censura.

Sua morte foi parecida com a de outras vítimas da luta entre policiais e cangaceiros. Foi esfaqueado quarenta e duas vezes. O crime jamais foi devidamente esclarecido. Não se conhece o autor nem a motivação. Uma das versões é de que foi morto pelo Estado Novo para não levar adiante a história do cangaço. A outra dá conta de que o fotógrafo sírio-libanês foi alvo de um latrocínio. A terceira é que sua morte teria sido um crime passional. 

Adendo: 
Tenho lido também que ele fora morto porque estava
 de namoro com a mulher de um deficiente,
e ele com ciúme o matou. Mas não 
sei se tem procedência,e se não 
tem, eu não sou o culpado 
da informação errada.
José Mendes Pereira.


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IDENTIFICADOS COM EXCEÇÃO DO PRIMEIRO DA ESQUERDA


Créditos: Ricardo Nascimento(Cangaço Eterno).

Mais uma bela imagem de Benjamim.



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CANGACEIROS DEIXAM RASTROS EM CASTELO DO PIAUÍ

https://www.youtube.com/watch?v=CMqGyXhZaSI 

Wesslley Sales

A história do cangaço no Nordeste do Brasil é envolta em lendas e uma dúvida: eram heróis ou bandidos? Em Castelo do Piauí um cangaceiro cearense estabeleceu paragens no caminho para o Maranhão. Seus rastros continuam vivos na memória do povo. Imagens: 

Volmar Cardoso
Categoria

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A MORTE DO DESTEMIDO CANGACEIRO CATINGUEIRA I.



José Mutti de Almeida "Mutti", ex-comandante de Forças Volantes baianas, fala a respeito do destemor e da morte do cangaceiro Catingueira (Primeiro da alcunha). Um cangaceiro que teve uma breve passagem pelo bando de Virgolino Ferreira da Silva "Lampião" e que foi morto durante o combate ocorrido na Fazenda Maranduba, localizada nas terras pertencentes ao município de Poço Redondo em Sergipe no dia 09 de janeiro de 1932. Um depoimento inédito que está sendo apresentado pela primeira vez aqui no canal Cangaçologia. Ao final deixem suas opiniões, críticas e sugestões. 

Grato. Geraldo Antônio de Souza Júnior

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O SUMIÇO DO TRAÍDO E MARTÍRIO DO TRAIDOR - CONTOS DO CANGAÇO


Conto do cangaço

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MAMÃE, 90 ANOS!

Por Valdir José Nogueira 

A década de 1930 foi rica em cultura, cinema, moda, assim como em grandes conflitos políticos. O mundo passou por intensas mudanças no comportamento social, na política. Foi instituída uma nova legislação eleitoral e as mulheres conquistaram o direito ao voto. O fato é que a década marcou a história, e traçou rumos que nos trouxeram até aqui.

Pois foi nessa década marcante, no dia 24 de maio, dia de Nossa Senhora Auxiliadora, do ano da graça de 1930, na cidade de Belmonte, sertão de Pernambuco, que nasceu Aliete Rodrigues de Moura filha do casal Joaquim Donato de Moura e Luíza Rodrigues de Moura (d. Lizô).


Primogênita de sete irmãos: Auridete, Maria Felismina (Lia), Maurício, Maria Auxiliadôra (Dôra), Antônio e Joaquim Donato Filho (Quinca), foi batizada na Matriz de São José da localidade, pelo padre Carlos Frichzahu (alemão). Foram seus padrinhos de batismo os seus avós paternos: Tertuliano Donato de Moura e Felismina Nunes de Menezes; madrinha de crisma Antônia Iluminata de Moura (tia Tonha) e madrinha de apresentar Joaquina Nunes de Moura (Quina), sua tia também.

Apesar dos percalços enfrentados por seus pais, pode-se dizer que Aliete teve uma infância feliz.

Muito comunicativa, desde pequena fez parte de dramas, pastoris, brincou de circo, foi madrinha de times de futebol, foi anjo nas procissões, participou de coroação de Nossa Senhora e um dia alimentou o desejo de fugir para Hollywood e concretizar o sonho de ser atriz.

Cresceu ouvindo boa música e por ter voz bonita, cantou na matriz de São José nos corais de dona Alexandrina Sobreira, dona Badú e Rosa Pau Ferro. Com memória privilegiada, sabia de cor as valsas, baladas, canções e cançonetas, que cantavam nas festas, nos bailes, na difusora e no rádio. Cresceu num ambiente festivo da casa do seu avô paterno Terto Donato e na riqueza do carinho de suas tias e do seu pai Quinca, seu maior incentivador.

Teve como primeira professora dona Umbelina Menezes, seguida de Antônia Moura, Elina e Virgínia Sabino, Maria Belfort, Ameriquinha, Alaíde, Lourdes Siqueira e Waldecy de Paula.

Foi também aluna da Escola Silva Jardim, no Recife, ainda hoje existente, onde passou dois anos da sua vida (1936/1937), juntamente com sua irmã Auridete, morando com sua avó materna Bubuzinha (Maria Rodrigues da Costa), no bairro do Monteiro.

No ano de 1944 foi estudar no Stella Maris em Triunfo. Ali, naquele tradicional educandário bebeu conhecimento e cultura, e estimulou sua aguçada inteligência, aplicando os ensinamentos adquiridos na sua vida, até os dias de hoje.

A Igreja de São José foi o alicerce da sua fé, onde, além de ser batizada, fez a sua 1ª comunhão em 1939.

Por intermédio de sua madrinha Francisca Costa, se associou ao Apostolado da Oração. Participou da Associação de São José, do Anjo da Guarda, onde era secretária.

Na Matriz de São José, foi uma das iniciantes da novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de quem é muito devota, juntamente com a sua grande amiga e comadre Mocinha (Maria do Carmo Gomes).

E mamãe cresceu assim: cantando roda e ladainhas, modas e ofícios. Dentro dela as rezas cresciam, enchiam seu coração de esperança de ver o progresso acontecer. Era uma menina querendo concertar o mundo que ela conhecia. Belmonte era o seu mundo.

Mulher de garra, inteligente, espirituosa, determinada, habilidosa e audaciosa. Uma mulher vaidosa, forte e sensível, amante da vida.Diante de tantos predicados, logo apareceu um pretendente: Pedro Andrelino Nogueira. O casamento então veio a se realizar, numa cerimônia singela, em casa dos pais da noiva no dia 29 de junho de 1946, no povoado do Serrote. Época que seu Quinca Donato estava morando ali, gerenciando uma usina de caroá.

Depois do casamento passou a ser Aliete Moura Nogueira.

Desse casamento tiveram seis filhos: Valdemir, Maria do Socorro, José Vital, Pedro Filho, Valdir e Enildo.

Viveram por 51 anos, até que papai morreu. Foi uma vida alternada entre altos e baixos como toda família. Mas mesmo nos momentos difíceis mamãe nunca desanimou nem tirou da sua boca palavras de fé e risos de felicidade.

Sempre tivemos sincera admiração pela personalidade de nossa mãe. Admitindo-se que seja possível abstrair os laços emocionais que nos ligam, aprendemos a ver nela a personalidade invulgar que sempre foi.

De que estofo queremos que sejam montados nossos heróis? Se eles são como os santos, seres em quem encontramos o modelo para nossas vidas, então dona Aliete de Moura Nogueira tem todo o perfil característico dos verdadeiros heróis.

Sua vida é tão rica de lições e exemplos e ela sempre em frente sem perder o entusiasmo, sem perder a esperança de ver tudo melhorar.

Boas lembranças ficam para sempre guardadas num cantinho especial da nossa memória.

Lembrar o ontem de dona Aliete é lembrar a máquina de costura, os pés ligeiros fazendo a máquina levar as linhas para o pano estirado no bastidor, correndo para cima e para baixo fazendo nascer flores, frutos, peixes, pássaros, nos bordados no linho...é lembrar dos pincéis e tintas misturados no tecido fazendo surgir baianas com tabuleiros, holandeses de tamanco entre tulipas e moinhos, gueixas com sombrinhas e ventarolas...é lembrar dos crochês e do ponto de cruz... é lembrar das confecções femininas de adulto e criança, dos enxovais de noiva...

É pensar na cozinha, cheia de panelas e formas com os melhores gostos do mundo. É pensar nas compoteiras repletas de doces que as frutas nos davam. É relembrar os suspiros de açúcar adoçando nossa infância.

A doçura da nossa meninice vem nos ajudando a enfrentar as amarguras que surgem. As mãos de dona Aliete, mesmo trêmulas, nos sustentam. 

Envelheceu assim...Ainda espera dias melhores para todos que a cercam. Sempre foi o suporte de tudo, a mola mestra que impulsionou sempre. Mãe dedicada sempre deu o melhor de si, principalmente na saúde e educação dos filhos, no intuito de ver o futuro assegurado, todavia, cada um seguiu o caminho que escolheu. 

Sem sombras de dúvidas, é realmente uma mulher extraordinária que enfrentou desafios com inteligência e coragem. Fez valer seu trabalho artístico, fez valer seu trabalho culinário. Sempre valorizando o simples e o belo. É uma criatura com dotes singulares.

Todos têm mamãe como espelho e sentem o reflexo do maior amor do mundo dela por nós e por tudo da nossa cidade.

Mário Quintana nos deixou uma quadrinha que diz bem o que agora vivemos:

Para louvar nossa mãe
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer.

Mamãe! Agradecemos a Deus pelos seus 90 anos.
Feliz Aniversário!


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DESCRENÇA

Por Francisco de Paula Melo Aguiar

O universo é treva e pluma do luar
Do céu de estrelas que baixam a fronte
E o sol em prantos some no horizonte
Em fuga louca para se esconder no mar.
A onda chora para manipular a flor que soluça
Enquanto a ave perde a mania do cantar saudoso
Vendo o dia terminar triste na carapuça
Do manto noturno impiedoso.

O Id, ego e superego humano é intransigente
Em cada ser submerso do universo entre as orgias
Que vive a mentir e rir da natureza onipotente
Dona do céu, terra, mar, ar e não das covardias.
E é porque se ouve falar da sua existência
Na história bíblica do verdadeiro Messias
Cantada em verso e prosa, resiliência
Geram crenças, descrenças e controvérsias.


https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6930446

Enviado por Francisco de Paula Melo Aguiar

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A EFICÁCIA DO MÉTODO DO ESTILISTA


Por Verluce Ferraz

Para não ser apanhado pelas Volantes, Lampião criava seus próprios métodos, ora sendo caçador era incansável senhor do sertão, empreendendo longas viagens no lombo dos cavalos; enganava a todos que por suas pegadas procuravam nas pedras, nos matos quebrados e até nas fisionomias dos coiteiros. 


Por onde passava ia deixando nuvens de fumaça, removendo restos de comidas, atravessava um pau nas bocas dos cachorros para os mesmos não latirem, tudo com bons resultados. Outras, não relutava, e no mesmo atropelo, se desfazia dos problemas ou sentimentos continuando o seu passeio, aproveitando as oportunidades para dar expansão aos seus instintos sádicos. Seus dons de estilista eram mostrados nas roupas, nas alpargatas, nas armas e no chapéu de abas quebradas para cima, moedas e estrelas eram pregadas. Exibia nos dedos, os anéis; no pescoço os trancelins de ouro, tudo roubado. 


Os lenços usados no pescoço, em substituição as gravatas presas com argolas; as vestes e bornais eram bordados com sutache e sianinhas. O sonho do cangaceiro era ser Governador do Sertão, para comandar o seu Estado, depois de dividir o Nordeste. A farda de capitão, que recebera de Floro Bartolomeu, era oficial das Forças Volantes, com todas insígnias dos militares de carreira, afinal, provocar era ‘uma singularidade no cangaceiro, que se intitulara de Capitão do Sertão’. Recuperava facilmente objetos perdidos, confeccionava ele mesmo, os seus adornos, se fazia hóspede de comerciantes e fazendeiros, sem oferecer rosas nem amabilidade, apenas expondo suas armas e o seu silêncio, quem explodia eram as armas. Todos os seus cangaceiros tinham a marca dele, do visual até as atitudes, compartilhavam todos dos sentimentos anti-sociais que regulavam o cangaço lampiônico. 


Lampião refugiava-se ao reino do próprio delírio, como alguém já disse ‘hei de vingar’ ele nunca interrompeu o desejo de matar; impossível aplacar seu desejo e assim usa o nome do pai, insistindo que todos os por ele assassinados eram era a representação do pai; acabando por matar inúmeras pessoas, como se isso lhe restituísse a dignidade. 


Verificamos que isso desce a um nível mais profundo, ao constatarmos que tudo vem de uma relação infantil, só explicada pelo desejo de matar o próprio pai, seu único rival. Considera-se que o seu modo pessoal renasce de sua física aparência e estereótipo compartilhados com o desejo esquecido na infância de fazer renda. 


Está na infância a fonte de suas fantasias, por isso é que usará tempos depois, todo seu acervo de impressões infantis. O desenvolvimento de seus desejos será revelado subsequentemente, pelo uso de apetrechos e nos crimes perpretados pelo cangaceiro, porque jamais morreu a sua relação infantil e ainda continuará nele atuantes.



ACHO QUE FOI 2015. E AÍ, NARCISO DIAS E PROFESSOR FRANCISCO PEREIRA LIMA?

Por Jorge Remígio

Três cangaceirólogos do cangaço do Nordeste do Brasil. Professor Francisco Pereira  Lima á esquerda, lá da cidade de Cajazeiras no Estado da Paraíba. Ao centro está o policial militar Nasciso Dias também da da Paraíba e reside na capital João Pessoa. E à direita está o Jorge Remígio que é pernambucano da cidade de Custódia. Esses três homens com as suas armas nas mãos (livros) são bons atiradores.
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A EX-CANGACEIRA DULVE MENEZES ANIVERSARIOU ONTEM 23-05-20

Por Múcio Procópio Araújo

Hoje (23/05/2020) quem está fazendo aniversário é a Dona Dulce Menezes dos Santos a última cangaceira do bando de Lampião, sobrevivente de Angico, ainda viva. Noventa e sete anos. Como não posso abraçá-la, conforme o meu desejo vou dedicar uma música que pode causar umas lembranças que não sei qualificar se de saudades ou da saída para uma vida longa e mais sossegada.


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sábado, 23 de maio de 2020

ARQUITETO DO UNIVERSO


POR FRANCISCO DE PAULA MELO AGUIAR

Arquiteto do Universo, quanta miséria?
A Covid-19 matando a humanidade
É coisa de gente grande, não pilhéria.
Depende de Tu, superior Divindade.

Se não bastasse no mundo desgraçado
Onde o desemprego é fábrica de prostituição
É o desenho ideológico aqui executado
Grande é o traçado de desamparo e ação.

O mundo que Tu fizeste com cuidado
E hoje se vê homens de carnes nuas
Máscara do ser invisível, ignorado
Mercado crescente do viver nas ruas.

É o inferno em vida tal sofrimento
Si vê más não se vê tantas crianças
Abandonadas vivendo de momento
Desnutridas e sem esperanças.

Crianças maltrapilhas sem futuro
Falta tudo: família, carinho e proteção
E ainda vivem de sorriso puro
Sem livro, caderno, lápis e pão.

Nas ruas vivem mulheres
De roupas sujas e descabeladas
Come o que recebe sem talheres
Assim vivem preocupadas...

São seres humanos renegados
Da sorte, esquecidos do poder estatal
São invisíveis e nunca cumprimentados
Partitura humana em carne e osso, sem jogral.

https://www.recantodasletras.com.br/poesias/6925551

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima através deste e-mail:.

franpelima@bol.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: anarquicolampiao@gmail.com.

Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira – (61) 98212-9563 leidisilveira@gmail.com.

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CORISCO E DADÁ



Corisco & Dadá (1996) é um filme de Rosemberg Cariry focado na relação amorosa do ilustre casal. Produzido na época da retomada do cinema brasileiro, foi o último filme do cinema nacional a retratar a dupla como protagonistas.

Filme Completo: 



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A DOR E AS PALAVRAS AO LEITO

*Rangel Alves da Costa

Um relato angustiante, certamente. Uma realidade – ou ficção, se assim desejem – mas tão presente no cotidiano de muita gente, senão de todos. Quem já não sofreu perante o leito de um parente enfermo?
Quem nunca experimentou a dor de sofrer o mesmo sofrimento do outro, mas ainda assim buscar forças inexplicáveis para “fingir” o que sente e, assim, fazer da ilusão um meio de abrandamento da angústia do enfermo. E muitas vezes já em estágio terminal.
A pessoa doente, em enfermidade profunda, e então o outro se aproxima como se ali estivesse para um abraço de alegria. A aparência engana o que o coração não pode esconder. A boca quer sorrir, mas os olhos querem chorar. Quer demonstrar calma, força, até alegria, mas tudo vai se dobrando ao sofrimento.
Parecendo o cenário da pintura “A Menina Doente”, de Edvard Munch, onde uma mãe está sentada ao lado de sua filha enferma, zelando pelos seus últimos instantes de vida.
Na pintura, as faces esmaecidas da menina, num tormento de fim de vida, enquanto sua mãe pranteia internamente a sua dor. Uma representação triste, comovente e demasiadamente realista.
Desta feita, também um parente zelando pelos últimos momentos de um ser amado. Uma filha e uma mãe. Uma filha sofrendo a mesma dor da mãe, e uma mãe já sem forças para esboçar qualquer reação, senão através de palavras:
“Não chore assim, minha filha. Não chore que vou melhorar...”.
“Mas não estou chorando, mãe, não estou chorando. Só estou um pouco entristecida por tanto sofrimento que a senhora está passando e nada dessa doença ir embora...”.
“Oh filha, suas lágrimas chegam a cair sobre minha face...”.
“Aqui está muito quente e estou suada. Deve ser apenas isso. Deve ser apenas o suor respingando sobre a senhora...”.
“Já não tenho a idade das ilusões, minha filha. Lágrimas são lágrimas, respingos são respingos...”.
“Tá bem, minha mãe, tá bem. Não vou mais chorar. É que sofro tanto ao ver a senhora assim. Dia após dia e a senhora sem ter diminuição nessa febre, nessas dores...”.
“Oh filha, os tempos também chegam. As folhas perdem o viço e se vão com a ventania...”.
“Não fale assim, minha mãe. Por favor, não fale assim. A senhora vai logo ficar bem. E não demora muito e faremos uma viagem maravilhosa...”.
“Viagem, viagem, é o que eu farei minha filha. O vento sopra, tudo em açoite. E logo virá a ventania...”.
“Tome aqui esse remédio. Já está na hora. E, por favor, não fale mais nessas coisas de vento, de ventania. Tudo isso me entristece e sei que a senhora vai ficar logo boa...”.
“Lembra-se de quantos dias, semanas e meses, que eu venho tomando esses remédios sem parar. Qual foi a melhora que eu tive?...”.
“Mas eu sinto melhoras sim. Talvez a senhora nem perceba, mas suas faces ficam mais cheias de vida e sua disposição aumenta quando toma os remédios...”.
“Sei que tudo faz para me encorajar, para fazer com que eu penso que estou melhorando. Mas também sei que os remédios não fazem mais qualquer efeito...”.
“Oh minha mãe, não diga assim. O médico mesmo veio aqui, examinou a senhora, prescreveu os mesmos remédios e disse que a senhora logo vai ficar curada...”.
“Está ouvindo, minha filha, está ouvindo?...”.
“O que minha mãe, ouvindo o que? Ouço apenas o cortinado se balançando pelo vento que bate de vez em quando. Apenas isso. Agora tente dormir um pouquinho...”.
“Não. É a ventania. Ouça!...”.
“Não se preocupe. Vou fechar a janela e ajeitar as cortinas. Não haverá mais nenhum barulho e a senhora não ouvirá mais qualquer som...”.
“Deixe-me apertar sua mão. Dê-me a mão, minha filha. Aperte bem a minha mão...”.
“Por que?”.
“Sou apenas uma folha. O outono chegou. Já não tenho forças para mais nada. Sinto a ventania, sinto a ventania. Estou sendo levada, minha filha...”.
“Não diga isso. A senhora ainda será primavera e a beleza de sua flor...”.
“Filha minha... O vento vem, vai chegando a ventania. Já não me sustento em nada. Que não me leve distante na triste folha que sou. Filha minha, já vou...
“Mãe, mãe?...”.
Nenhuma palavra mais. Nenhum suspiro. O outono havia chegado. A ventania havia levado. Um silêncio profundo. Um grito de dor que vai se soltando das amarras do silencio forçado para se soltar. E que agonia...
Parece aquela cena retratada por Munch. Mas o pintor retratou uma realidade. No quadro, a doente era sua irmã. Sua mãe aquela que sofria ao lado. A pintura não tem voz. Mas a tudo ouvimos e sentimos.
Os leitos enfermos são como folhas secas que vão esperando outonos. As lágrimas ao lado tudo fazem para reanimar e novamente chamar o viço do viver.
E quando a mão se desprende, quando se solta da outra, então a ventania perfaz seu destino. Na folha seca da face, a morte.

Escritor
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LAMPIÃO EM JATOBÁ DE TACARATU.


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O ATAQUE ÀS FAZENDAS E O DESAFIO DE LAMPIÃO AO POTENTADO CORONEL "ZÉ PEREIRA" DE PRINCESA.


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LAMPIÃO REI DO CANGAÇO, VÍDEO REAIS COM MONTAGEM DE SOM


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A NOBREZA DOS LÍDERES MAIORES DO CANGAÇO.


João Filho de Paula Pessoa

O Fenômeno do Cangaço no Nordeste Brasileiro arregimentou muitos sertanejos em suas fileiras de combate, das mais variadas origens, do pobre miserável ao detentor de posses. No entanto, há um fato marcante quanto à seus líderes maiores, que tinham origem nobre ou de certa relevância social e econômica. Jesuíno Brilhante era fazendeiro, tinha lavouras, gado, imóveis, escravos e era escolarizado. Antônio Silvino era de uma respeitável família de fazendeiros com grande socialização com chefes políticos, coronéis e autoridades políticas e judiciais e era alfabetizado. Sinhô Pereira era de origem nobre, de família influente e rica, possuidor de terras, fazendas e bens, era neto do Barão do Pajéu, detentor de boa cultura e alfabetização. Lampião, era de família mais modesta, mas tinha um nível social mais elevado que a maioria dos sertanejos, pois eram proprietários de fazenda, tinham lavouras, rebanhos de gado, caprinos, ovinos e muares, eram comerciantes de couro e almocreves e eram escolarizados, algo incomum para a época e região. 

João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce. 18/05/2020.


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CEEC ENTREVISTA - José Bezerra Lima Irmão



José Bezerra Lima Irmão é membro da Academia Gloriense de Letras. Natural de Alagadiço, município de Frei Paulo. Aos cinco anos, sua família se mudou para a Barra das Almas, no município de Glória, e depois para o povoado Piabas. Reside atualmente em Salvador. 

É pesquisador apaixonado do cangaço e de tudo o que diz respeito à história do Nordeste, envolvendo suas figuras míticas, tais como Padre Cícero, Antônio Conselheiro, José Lourenço, Severino Tavares e Quinzeiro, e os trágicos episódios de Canudos, Caldeirão, Pau-de-Colher, Serra do Rodeador e Pedra Bonita do Reino Encantado ou Pedra do Reino. 

Adquira-o com franpelima@bol.com.br

Fruto de onze anos de pesquisa, publicou um imenso tratado sobre o cangaço "Lampião - A Raposa das Caatingas". A obra, de 736 páginas, sucesso de público e de crítica, em pouco mais de um ano, já se encontra na terceira edição. 

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O VOLANTE TEÓFILO PIRES CONTA A JOÃO DE SOUSA LIMA COMO MATOU CALAIS.



O volante Teófilo Pires, conta ao nosso amigo João de Souza Lima, como matou o cangaceiro Calais.

Crédito: João de Souza Lima


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ESPECIAL EGITO - O FARAÓ DO ÊXODO


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NATIMORTO LITERÁRIO POR ANTONIO CORREA SOBRINHO


Acabo de ler o livro "LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE", e confesso, embora eu já considerasse o autor Archimedes Marques um bom escritor, estou impressionado com a sua capacidade de, em frases e períodos tão longos, mas com clareza e objetividade, num linguajar até certo ponto jornalístico, sem perder de vista a técnica investigativa, fazendo disso, talvez, o maior "inquérito" de sua vida; formular argumentos tão lógicos, utilizando-se, inclusive, de forma constante, da ironia para dizer com humor das suas críticas e censuras aos ditos de Pedro Morais e, principalmente, para impor a este a obrigação de provar as suas acusações, ironia esta que também lhe serve para desvalorizar mais ainda o texto deste senhor. Trata-se de obra equilibrada, parecendo até que foi feita num só instante. Ao mesmo tempo, doutor Archimedes, inteligentemente, divide o ônus desta contestação com as principais vozes da historiografia do Cangaço, sem falar do cuidado para não atingir moralmente a pessoa de Pedro Morais.

Realmente, mesmo considerando a sua vasta experiência como delegado de polícia, a sua paixão pela cultura nordestina, notadamente o Cangaço, associado a um impulso natural que conduz os homens de bem a insurgir-se contra as injustiças, confesso mais uma vez a minha grande e grata surpresa, até porque o autor construiu tudo isso em tão pouco tempo, visto que "Lampião, o Mata-Sete" foi publicado um dia desses. Embora eu não seja um crítico literário, considero o livro "Lampião Contra o Mata Sete" uma obra completa no seu propósito de rebater as mal-intencionadas acusações de Pedro Morais, e tenho certeza de que os leitores estão se deleitando com tão boas explicações e excelentes raciocínios.

"Lampião Contra o Mata Sete", portanto, não apenas contesta de forma robusta e insofismável as aleivosias infundadas de Pedro Morais, mas condena este autor a viver doravante como um natimorto literário. Além do mais, o que é pior, o sentencia a ter que se explicar e ser criticado o resto da vida.

Daqui pra frente, o escritor Archimedes Marques pode considerar-se inscrito nos anais da história do Cangaço, com todos os méritos, não apenas pelo ineditismo da sua obra, mas pela excepcional defesa que fez, em última análise, desse pedaço da história nordestina, o que orgulha e enche de honra todos os sergipanos. Minhas efusivas congratulações.

Aracaju, Sergipe

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