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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

SILA E ZÉ SERENO


"Sila e Zé Sereno, já entrosados, estavam indo em direção à Frei Paulo. Ele era acompanhado de Pitombeira, Balão, Criança, Enedina, Dulce, Mergulhão II, Marinheiro II e Novo Tempo II (os últimos três, irmãos de Sila e entraram junto com ela no bando). Eles vinham do norte, iam até a povoação se encontrar com o coiteiro José de Binha. O céu estava carregado, trovões cruzavam o céu e o bando se agasalhava quando podiam. Era mais ou menos nove horas da manhã e então, após caminharem umas três léguas (quase quinze quilômetros) a chuva veio. O céu praticamente “desabou” sobre eles. Marinheiro e Criança foram procurar lenha para uma fogueira, mas nem conseguiram acendê-la. Foi um pandemônio. 

Passaram três horas com fome e com frio tentando se apadrinhar nas pedras altas que encontraram, a chuva começara a dar ares que ia parar. Quando a última gota caiu, Zé Sereno ordenou que continuassem a marcha até Frei Paulo, pois deveriam chegar em breve. Foi aí que chegaram no Rio Jacoca. Sim, aquele rio hoje seco que corta a estrada entre os municípios de Nossa Senhora Aparecida e Ribeirópolis que hoje chamamos de Riachinho. Vejam a descrição de Sila no livro “Sila, Uma Cangaceira de Lampião”, escrito pela cangaceira e Israel (Zai) Araújo Orrico.

Três quilômetros adiante, porém, deparamo-nos com o Rio Jacoca que brotava água pela boca. Zé Explanou:

-Vixe Maria, parece o mar! Quem é doido de atravessar um rião desse?

Todos sabíamos ser temerário tentar a travessia naquele momento. Decidimos, então, esperar as águas baixarem, o que ocorreria no dia seguinte. Escolheu-se local junto a umas pedreiras. Também este não oferecia proteção, de modo que deixamos de armar barracas. Assim, seria mais fácil empreendermos a fuga, caso houvesse necessidade de fazê-lo.

Hoje este rio está completamente assoreado e nem nos períodos de chuva é capaz de reter tamanha quantidade de água ao ponto de impedir que uma pessoa passe a pé.

O sol começou a iluminar o chão, a fome apertava e as providências eram mínimas. Zé Sereno resolveu enviar Novo Tempo até uma venda no povoado próximo, já que conhecia a região. Este povoado, tomando como base a localização deles e a impossibilidade de passagem pelo rio, só poderia ser Cruz do Cavalcanti. Como Novo Tempo estava há pouco tempo no cangaço, era pouco conhecido, facilitando assim sua entrada no vilarejo em trajes civis. Então ele foi, chegando lá comprou algumas coisas e foi logo rodeado por volantes que começaram o interrogatório:

-De onde tu vem, ômi?

-Tô de passagem p´ra Frei Paulo, vou atrás de minha irmã, para avisar a ela que nossa mãe tá muito doente, morre num morre.

Ficou por ali passando o tempo, pagando umas pingas bebendo outras e então resolveu ir embora. Se despediu de todos e saiu. Percebeu que estava sendo perseguido. Chegando perto de um mato ele apertou o passo e correu, percebendo que a volante estava atirando nele, apertou o passo até chegar onde o bando se encontrava. Lá, tomou bronca de Zé Sereno, trocaram tiro com a volante e ficou nisso. Depois de tudo se acalmar, eles tentaram descansar um pouco e seguir viagem no dia seguinte. Eles seguiram dois quilômetros oeste por dentro do rio, assim, dificultaria a volante em decifrar os passos dos cangaceiros.

Chegando no seu destino, comeram bastante e descansaram... Sila estava grávida de seu primeiro filho..." O Cangaço em Itabaiana Grande (inédito).

Fonte: facebook
Página:  Robério Santos

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LAMPIÃO E O CORONEL - DIÁRIO DE UM RAPTADO - PARTE I

Material do acervo do pesquisador Raul Meneleu Mascarenhas






CONTINUA...

http://meneleu.blogspot.com.br/2015/01/lampiao-e-o-coronel-diario-de-um-raptado.html

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O CANGACEIRO E O PROFETA NO CENTRO DE ARACAJU

Por Rangel Alves da Costa*

O inusitado gosta de acontecer nas principais ruas, praças e avenidas de capitais. E muito mais quando se trata de centros comerciais apinhados de gente. E em Aracaju não é diferente, mesmo sendo uma capital apenas mediana. Nos seus calçadões se encontra de tudo, mas de tudo mesmo.

Ninguém caminha pelo calçadão da João Pessoa – principal centro comercial – sem estar ouvindo gritarias de vendedores de chips. São dezenas nos mesmos trechos, gritando na maior altura do mundo. E por todo lugar mocinhas e rapazes insistindo a todo custo para que faça cartão de loja. E outros tomando a frente e em seguida puxando pelo braço, arrastando praticamente à força para que faça cartão de crédito.

Baboseira igual somente pelos arredores, nas lojas de roupas e objetos de cama e banho e seus anunciantes de microfone em punho, e cada um aumentando cada vez mais o volume para o anúncio de ofertas. E não há nada mais repulsivo que locutores de porta de loja. Sempre se achando os maiorais, dão entonação tão ridícula às vozes que mais parecem locutores de fm desempregados. Ou ali para serem ouvidos e convidados para algum estúdio da vida.

Mas nem tudo é tão insuportável assim, pois algumas situações avistadas diminuem o desconforto da caminhada pelo centro comercial. Mas ainda causa espanto perceber o quanto as pessoas se iludem com qualquer um que faça um truque, uma mágica ou faça uma boneca de pano dançar. Avista-se uma multidão num determinado local e ao se encaminhar até lá para verificar a extensão do acontecido, logo se percebe uma gente pasmada ante um espertalhão com truque qualquer. E ganhando dinheiro com isso.

Nos calçadões também se percebe o quanto as pessoas gostam do que não presta e negam tudo que tenha valor cultural. São capazes de fazer enormes aglomerações ao redor de um ilusionista, mas não dão à mínima atenção aos espetáculos teatrais que são encenados de vez em quando. O bom e autêntico teatro de rua ali chega e sai com pouquíssima assistência e muito menos aplausos. Lamentável que assim aconteça nas ruas de Ará.


Dentre as tantas figuras estranhas que por ali fazem ponto, duas merecem destaques: um cangaceiro e um profeta. Quem quiser passar por lá vai avistar o cangaceiro no primeiro trecho do calçadão da João Pessoa, e o profeta mais adiante, geralmente na esquina com o calçadão da Laranjeiras. Apenas cerca de quinhentos metros separa o temido justiceiro das caatingas daquele de Bíblia tosca à mão pregando o fim do mundo pela maldade do homem. Ou coisa que o valha, pois mistura tudo nas profecias enlouquecidas.

Só mesmo sendo cangaceiro para suportar o que aquele sujeito aguenta. Fazendo papel de homem-estátua para ganhar qualquer vintém, pintado de laminado no corpo inteiro, ou do chapéu estrelado à alpercata de couro cru, todo paramentado de cartucheira e embornal, o sujeito sobe num banquinho e ali permanece a tarde inteira, e sem piscar um olho, todo petrificado. Não adianta nem dizer que a polícia volante está no encalço do bandoleiro.

Logo se imagina quanto difícil a vida do cangaceiro. Os de verdade sofriam na mata, debaixo do sol escaldante, se arrastando por cima de espinhos e carrascais, mas se reviravam de canto a outro como fuga ou alento. Mas esse não. Debaixo dum sol danado, num calor de lascar, sem qualquer ventilação que amaine a queimação no juízo, e ele ali totalmente imobilizado. E tendo de sentir a ingratidão das pessoas, de tantos e tantos que passam sem prestar qualquer atenção, e de quase todos que não colocam qualquer moeda na latinha adiante do banquinho.

Mais adiante o profeta. Ou maluco mesmo. Já era meio doido quando o conheci estudando na UFS, porém foi enlouquecendo ainda mais. Não está de todo insano, pois logo me reconhece no brilho do olhar, e até responde quando o cumprimento. Mas, de resto, uma coisa do outro mundo. Sempre em pé no meio da esquina, com roupa surrada e paletó envelhecido, gesticula com uma velha Bíblia sempre fechada à mão, e fala sem parar. Já rouco de tanto esforço na voz, mas fala o mais que pode.

Mas é melhor ninguém parar para ouvir o profeta. Suas pregações não defendem nem santos nem humanos. Coloca todos numa panelinha só. Até contra Deus pronuncia impropérios. Deixa o papa numa situação deplorável e não diz nada de bom da igreja. Numa situação tal o mundo tem de acabar mesmo, segundo as profecias malucas do profeta insano.

Poeta e cronista
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Reencontro com o Mestre

Por Manoel Severo
Dr Benedito, Antônio Amaury e Dona Renê, Manoel Severo

Fazia tempo que não encontrava São Paulo tão quente, a sensação térmica estava terrível, a umidade do ar e termômetro marcando 33º C em plena 18:30 h só perdiam para a satisfação e alegria em reencontrar queridos amigos. O bairro; Jardim São Paulo;  extremamente agradável e a travessa Guajurus, um recanto onde pontuam preponderantemente residências, pequenos sobrados e pequenas vendas, nos transportam para uma "Sampa" mais tranquila, onde as pessoas ainda se cumprimentam nas calçadas, jogam conversa fora, sorriem juntas... É ali o "coito" de um dos mais respeitáveis pesquisadores sobre o cangaço no Brasil: Antônio Amaury Correia de Araujo. 

Mestre, segundo o "Aurélio" significa: Professor de grande saber e nomeada, o que é versado em qualquer ciência ou arte, oficial graduado de qualquer profissão... Para mim, Mestre é tudo isso e mais: É aquele que coloca a alma, o coração e todos os seus talentos e esforços, naquilo em que acredita, naquilo pelo qual tem paixão, naquilo que faz o "olho brilhar". Abraços, cumprimentos, como vai esse ou aquele...o tempo está assim, aliás: assado... Os amigos , o governo, os transportes, as manifestações da praça da república, e... "Cangaço"! Pronto, os olhos daquele espetacular paulista de alma sertaneja começaram a brilhar; sem dúvidas, estava diante do Mestre.

 Dr Benedito, Manoel Severo e Antonio Amaury: Anfitriã, dona Renê e seu famoso Bacalhau. 

A noite quente transcorreu agradável pela qualidade dos interlocutores e o manancial inesgotável que é o cangaço, a cada assunto, um novo dado, um novo detalhe, quando vimos estávamos detidos em "Mané Veio..." o famoso Antonio Jacó e sua saga de um homem que possuía uma coragem que "beirava a loucura", como diz Amaury.

"Severo você sabia que Antônio Jacó quase entrou para o bando de Lampião? a família dele, os Marques, eram ligadas à família de Maria Bonita na Malhada da Caiçara, foi a própria Maria que fez o convite... Já pensou se esse homem se soma ao bando de Lampião? Depois veio a Maranduba e ali Antônio Jacó viria a perder vários parentes e aí o ódio a Virgulino ficou quase incontrolável, culminando no Angico quando perdeu a vida o Rei do Cangaço e Antônio Jacó foi ali um dos personagens principais. Ele esteve por várias vezes aqui em minha casa, confiando aqueles episódios todos", ressalta Antônio Amaury.
  
Dr. Benedito, Amaury e dona Renê,Carlo Araujo

Teremos novidades em breve. Antonio Amaury me confidenciava que está dedicado, do alto de seus 70 anos de labuta, à finalização de mais uma obra "que já vai com mais de mil páginas" , essa com um enfoque todo especial às volantes. "Esse pessoal fez barbaridades" confessa Antonio Amaury. Corisco, Dadá, Sinhô Pereira, Zé Sereno, e tantos outros personagens acabavam sendo citados e lembrados ao longo da conversa, como numa grande prévia dos próximos encontros a partir da agenda Cariri Cangaço 2015.

Ao final, ao lado de nosso confrade Dr. Benedito Denardi e do filho, companheiro de viagem e de pesquisas, Carlo Araujo, Antônio Amaury ainda refletia entusiasmo com a mais nova empreitada do Cariri Cangaço, "sensacional o Cariri Cangaço ir até Princesa e Triunfo, sem dúvidas vamos esta presentes, Princesa é uma cidade que ainda não conheci, rica em tradição e história" finaliza o Mestre. Agora é aguardar Março chegar e reencontrar os amigos, muita história e muita emoção em mais um grande ano de Cariri Cangaço.

Manoel Severo, Curador do Cariri Cangaço
visita a Antonio Amaury em 10 de janeiro de 2015 - São Paulo

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O Cariri está de Luto, Faleceu Mestre Antonio Aniceto

Por Cacá Araujo
Mestre Antonio Aniceto

A Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto fica, a partir de hoje, tristemente desfalcada com o falecimento do Mestre Antonio Aniceto, batizado Antonio José Lourenço da Silva. Fez aquela viagem inevitável, partiu para junto de tantos outros grandes e inesquecíveis artistas e mestres, como Chico e João Aniceto, Britim, Eloi Teles, Correinha, Walderêdo Gonçalves, Dedé de Luna, Cego Aderaldo, Zé de Matos, Zé Gato, Toni Bonequeiro... Em grande festa será recebido na outra dimensão da existência; com enorme tristeza nos despedimos de seu convívio.

Estamos todos de luto! O Mestre Antonio Aniceto tinha em si a riqueza de uma ancestralidade que resiste mantendo viva e pulsante a arte tradicional popular. Exímio pifeiro, imitador de bichos e brincante performático sem igual, fazia par com seu irmão Mestre Raimundo Aniceto na condução da banda cabaçal mais famosa e respeitada do Brasil, também integrada hoje pela terceira geração representada por Adriano, Cícero, Joval e José Vicente, e já tendo uma bandinha mirim. Com sua morte, perdemos um dos mais vibrantes e brilhantes ícones da cultura popular, um patrimônio imaterial reconhecido que deixa valioso legado musical e exemplo de homem de coração generoso.

Cacá Araújo, Folclorista e Dramaturgo - Cia. Brasileira de Teatro Brincante

Foto: Wilson Bernardo
Fonte: Blog do Crato - Dihelson Mendonça

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

“O GLOBO” – 13 DE OUTUBRO 1927 - FINAL

Por Antonio Corrêa Sobrinho

A PSICOLOGIA DO CANGACEIRO
O BANDITISMO NOS SERTÕES DO NORDESTE BRASILEIRO
UM ENSAIO POLÍTICO-SOCIAL
(Especial para o GLOBO)

JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO – POTÊNCIA FORA DA LEI INCRUSTADA COMO UM CANCRO NO ESTADO DO CEARÁ
AS CONCLUSÕES DE UM ENSAIO POLÍTICO-SOCIAL

CAPÍTULO VII

Compreende-se bem que, com o rompimento do Ceará ao convênio pernambucano, torna-se dificílima a captura de Lampião, de Massilon, de Sabino Gomes, dos irmãos Marcelino, e de outros facínoras, desde que as forças aliadas não podem mais atravessar o território daquele Estado em sua perseguição.

Acossados, eles internam-se nos sertões do Ceará, onde se refazem de armas, munição e mantimentos, e onde se acham garantidos pelos chefes políticos locais, seus protetores ostensivos, tais como os membros das famílias Sant’Anna, Chicote e Arruda, e, acima de todos, o padre Cícero, do Juazeiro.

Para se ter uma ideia do que é o Juazeiro e da proteção que naquele reduto gozam todos os criminosos, basta ler-se o interessante livro de Lourenço Filho – “O Juazeiro do Padre Cícero”.

O Juazeiro – diz ele à página 161 – “se tornou um Estado no Estado, sem outra lei senão a do arbítrio de seus chefes, com forças armadas próprias, justiça própria, moral e religião especialíssima; e, nessa situação fantástica, “ainda hoje permanece.”

Não há quem ignore que o presidente Artur Bernardes incumbiu o falecido deputado federal Dr. Floro Bartolomeu de organizar nos sertões do Ceará um batalhão patriótico para auxiliar o exército nacional na perseguição aos revoltosos da coluna Prestes; e o Dr. Floro, que era o alter ego do padre Cícero, chegando ao Juazeiro, não teve a menor dificuldade em organizar o referido batalhão, composto de 800 homens, em grande parte criminosos, que foram armados de fuzis Mauser e fartamente municiados.

Há quem conteste que Lampião e seu grupo de 50 cangaceiros (inclusive ele) fizesse parte do batalhão patriótico do Dr. Floro; mas, se não fez, foi porque não quis, porquanto o Dr. Júlio Ibiapina, diretor do jornal “O Ceará”, de Fortaleza, achando-se nesta capital em janeiro deste ano, deu uma entrevista ao matutino “A Manhã”, publicada no dia 7 do mesmo mês, na qual disse o seguinte (textual):

- “Quando, no meu Estado, cogitaram de organizar o célebre batalhão patriótico, Lampião foi convidado pelo “general” legalista para assumir uma posição “de comando” (!) nas hostes governistas.

Essa declaração foi feita pelo padre Cícero ao meu jornal “e pelo próprio Lampião, em entrevista que nos concedeu”! (Os grifos são nossos).

Só ultimamente é que se verificou o rompimento de relações entre esse famoso bandido e os seus protetores, desinteligência que foi até registrada pelos vates do sertão. Por mero acaso, ele não é hoje um herói nacional, depois de ter sido, durante muito tempo, um colaborador dos políticos do sertão.”

E tanto isto é verdade que, quando o batalhão patriótico estava em pé de guerra no Juazeiro, Lampião entrou na cidade à frente de seu grupo, e lá se manteve durante o tempo que entendeu, sem ser de leve incomodado.

Ouçamos o que diz Lourenço Filho a este respeito:

- “Afrontando o próprio batalhão patriótico de Floro Bartolomeu, entrou no Juazeiro ostensivamente com toda a sua gente, o temível bandoleiro Virgulino Ferreira da Silva, o celebérrimo Lampião, e estripador de crianças e incendiário, “rei do sertão”, que ainda há pouco declarou guerra oficialmente aos governos da Paraíba e Pernambuco! Os bandoleiros chegaram via Barbalha, permanecendo até às 10 horas da noite nas imediações da fazenda do deputado Floro Bartolomeu, quando se transportaram ao centro da cidade, hospedando-se em casa de um dos tipos sui generis do Juazeiro, o poeta popular João Mendes de Oliveira, que se intitula jocosamente – “Historiador brasileiro e negociante”. Vinham muito bem armados de rifle ou fuzil Mauser, revólver e punhal; à cintura traziam 3 ou 4 cartucheiras, acondicionando nelas, cada homem, um total de 400 balas!

Tendo o jornal “O Ceará” mandado alguém perguntar ao padre Cícero Romão Batista porque não mandava prender Lampião, pois que tinha ao seu dispor 800 homens armados e municiados do batalhão patriótico, ele respondeu, textualmente:

- Não, meu amiguinho, Lampião procurou o Juazeiro com intuitos patrióticos; (sic!) ele pretende alistar-se nas forças legais para dar combate aos revoltosos. Uma vez vitorioso, espera que o governo lhe perdoe os crimes.

Este homem, que veio ao Juazeiro, “confiado em minha proteção”, pretende se regenerar.

Se não for possível alistá-lo nas forças legais, eu o encaminharei para Goiás, onde levará vida honesta, como já fiz com Sinhô Pereira e Luiz Padre. Está mais ou menos demonstrado que os governos de Pernambuco e Paraíba não conseguirão prender Lampião, entregando-o, e o seu bando, à Justiça. Eu consigo que Lampião se vá embora para muito longe, e assim ficaremos livres dele.

Porém mandar prendê-lo aqui, em Juazeiro, nestas circunstâncias?! Era um ato de revoltante traição, indigno de qualquer homem, quanto mais de um sacerdote católico!

- Mas, padre Cícero, retrucou o jornalista, o governo pode perdoar criminosos comuns?

- Pode, meu amiguinho, pode...

E o historiador termina esse capítulo com as seguintes palavras: - Lampião é um expoente, apenas, da malta de celerados que têm feito do Juazeiro o seu quartel-general”.

(Lourenço Filho. Obra citada, páginas 216 e 218).

A título de curiosidade, reproduzimos aqui o fac-símile de uma carta de Lampião (que se assina O Capitão) na qual o atrevido bandido ameaça o sargento comandante do destacamento policial de Juazeiro, José Antônio do Nascimento.

Este autógrafo foi estampado pelo jornal “Correio do Ceará”, em seu número de 31 de março do corrente ano, acompanhado da seguinte apreciação: - A publicação do presente autógrafo dispensa qualquer comentário em torno das imunidades de que se julga investido o audaz e famigerado bandido.

Tiramo-lo do livro de Lourenço Filho que também o estampou. E é de notar a audácia com que o bandido escreve e a franqueza com que ele diz – “que vem chamado por homem”. Eis o texto da carta:

“Ilmo. Sr. José Antônio.

Eu lhe faço esta, até não devia me sujeitar a ti escrever, porém sempre mando te avisar pois eu soube que no dia que cheguei aí na fazenda esteve pronto para vir me voltar porem, eu sempre lhe digo que você crie juízo, e deixes de violências a pois eu venho chamado é por homem, mesmo assim, com a suada não me faz medo. Eu tenho visto, é, cousa forte, e não me assombro, por tanto deve e tratar de fazer amigos não para fazer como diz você. Sempre lhe aviso, que é para depois não se arrepender e na mais não se zangue, isto é um conselho que lhe dou.

Do capitão – Virgulino Ferreira da Silva.”

Ora, à vista de uma proteção tão escandalosa, não é de admirar, como pensam os jornais cariocas, que Lampião e outros chefes de bandos criminosos não tenham ainda sido mortos ou presos, mormente enfrentam as forças que os perseguem, e, ainda assim, somente quando surpreendidos.

Ainda recentemente, a 2 de setembro corrente, o “Globo” publicou um telegrama de Fortaleza, no qual se dizia que o tenente Manoel Firmo, comandante do destacamento policial de Juazeiro, se achava ameaçado de morte devido a sua atitude querendo perseguir Lampião. – “Esse oficial (diz o telegrama) dera uma entrevista comprometedora para o major Moisés, comandante das forças cearenses, no sertão; e tão graves foram as suas revelações, que determinaram a abertura de um inquérito.

“Houve, porém, quem tomasse as dores do major Moisés e dirigisse sérias ameaças ao tenente Firmo que, sentindo-se sem garantias de vida em Juazeiro, pois fora ameaçado de morte pelo próprio prefeito de Missão Velha, Sr. Oseias Arruda, viu-se forçado a telegrafar ao comandante do Regimento Militar, que o chamou a Fortaleza, por ordem do governador do Estado.

Cremos que não é preciso dizer mais para patentear as dificuldades quase insuportáveis com que está lutando o Dr. Eurico de Souza Leão, chefe de polícia de Pernambuco, para exterminar Lampião e os seus companheiros de crime.

Por isso foi que o Dr. Estácio Coimbra, quando o chefe de polícia do Ceará pediu a retirada das forças pernambucanas do território cearense, respondeu ao Dr. Moreira da Rocha, governador daquele Estado, com um telegrama já divulgado, no qual disse o seguinte: - “Começo a persuadir-me de que só a interferência do governo da União, sobrepondo-se nos melindres regionais e aos interesses subalternos de protetores de bandidos, poderá extirpar dos sertões do Nordeste a vilta ignominiosa do cangaceirismo”.

De fato, só com a intervenção do governo federal poder-se-á extinguir o foco de criminosos que é o – Juazeiro do padre Cícero – arraial e feira, antro e oficina, centro de orações e hospício enorme, como o qualificou Lourenço Filho.

Enquanto existir o Juazeiro atual e o grande protetor de assassinos, que é o padre Cícero Romão Batista, como ele próprio confessou quando recusou prender Lampião, o cangaceirismo continuará a devastar os sertões do Nordeste.

A cidade de Juazeiro, situada na região fertilíssima do Cariri, verdadeiro oásis no centro de desertos e que bem poderia ser o celeiro abastecedor doas zonas martirizadas pelas secas periódicas, não passa ainda hoje de um viveiro de criminosos – potência fora da lei incrustada como um cancro no estado do Ceará – reduto fortificado por trincheiras com mais de 3 léguas de extensão circundando toda a cidade, e onde não falta, como em Canudos, uma igreja que mal dissimula uma verdadeira fortaleza.

Amanhã, com o desaparecimento do padre ou por qualquer motivo político, aquilo se transformará de um momento para outro em um segundo. “Canudos”, repleto de bandidos e de fanáticos, sorvedoiro de dinheiro e de oficiais e soldados do exército nacional, sacrificados à incúria de dezenas de anos, quando os governos do Estado e da União se resolverem intervir, tarde demais, para varrer aquela vergonha do solo brasileiro.

Enquanto isto se não dá, e não obstante todos os tropeços, Dr. Eurico de Souza Leão, chefe de polícia de Pernambuco, não esmorece na campanha, para sanear, ao menos, o sertão de Pernambuco.

Os jornais cariocas, de quando em vez, inserem telegramas do Norte noticiando, ora as mortes em combates, ora as capturas de mais bandidos pelas forças pernambucanas.

Tenhamos, pois, a esperança de que afinal o terrível celerado Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e os facínoras que o cercam caíam em poder dos abnegados soldados pernambucanos, que não desfalecem na perseguição tenaz que lhes movem, chegando ao ponto (como têm salientado os jornais de Recife) de permanecerem nas caatingas, ali recebendo o soldo, ali se alimentando e dormindo ao relento, no cumprimento do dever.

Que tanto esforço seja coroado de êxito, para glória do atual governo de Pernambuco, são os votos de todos os brasileiros!

Fim
Justiniano de Alencar

Fonte: facebook

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MULHERES CANGACEIRAS: A HISTÓRIA LEVADA AOS ALUNOS DA ESCOLA OLIVEIRA BRITO

Heleno, Prof. Socorro, João Sousa Lima e Nely Conceição

Hoje, dia 12 de janeiro de 2015, realizei uma palestra tendo por tema a Mulher Cangaceira.



A palestra aconteceu na Escola Estadual Ministro Oliveira Brito, durante o projeto  VI Feira do Livro.



O convite partiu da professora e Vice-diretora Maria do Socorro Feitosa e teve na plateia a participação de Nely Conceição (filha dos cangaceiros Moreno e Durvinha).



Também marcou presença o senhor Heleno, Presidente do grupo Cultural Os Cangaceiros.

http://www.joaodesousalima.com/2015/01/mulheres-cangaceiras-historia-levada.html

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DOMINGUINHOS O NENÉM DE GARANHUNS


O livro "DOMINGUINHOS, O NENÉM DE GARANHUNS" de autoria do professor Antonio Vilela de Souza, profundo conhecedor sobre a vida e trajetória artística de DOMINGUINHOS, conterrâneo ilustre de GARANHUNS, no Estado de Pernambuco.
Adquira logo o seu através deste e-mail:
incrivelmundo@hotmail.com
R$ 35,00 Reais (incluso frete)
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LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS

Por José Bezerra Lima Irmão

Lampião – a Raposa das Caatingas é um livro concebido e realizado com seriedade, deixando de lado as lendas, mitos e invencionices sobre a figura do legendário guerrilheiro do Pajeú. Além da farta bibliografia sobre o cangaço, baseei-me nos jornais da época, entrevistei dezenas de personagens ligadas aos fatos.

O livro contém fotos e dezenas de mapas, indicando os lugares onde os fatos ocorreram. Indica até as coordenadas geográficas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.

Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço. Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.

A leitura desse livro, espero eu, fará com que o Natal da pessoa presenteada se prolongue por mais tempo, durante o Ano Novo, já que a obra tem exatamente 736 páginas.

Feliz Natal! Boas Festas! E que em 2015 e nos anos vindouros se mantenha sempre acesa a chama do interesse pela história e pela cultura do nosso querido Nordeste. A melhor forma de demonstrarmos amor à nossa terra é estudando a sua geografia e a sua história.

Um fraternal abraço.
José Bezerra

Para adquirir esta obra entre em contato com o autor através deste e-mail:

josebezerra@terra.com.br
Vendas presenciais: Livraria Saraiva; Livraria Escariz (Aracaju)

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domingo, 11 de janeiro de 2015

LAMPIÃO VERSIFICANDO


"Tive também meus amores, 
Cultivei minha paixão, 
Amei uma flor mimosa, 
Filha lá do meu sertão, 
Sonhei em gozar a vida,
 Bem junto à Brenda querida, 
A quem dei meu coração.

Mais o destino impiedoso, 
Foi cruel para comigo 
E a sorte caprichosa, 
Me impôs esse castigo, 
Quando eu não esperava,
 Nem em tal coisa pensava, 
Tinha terrível inimigos" 

Versos ed autoria de Lampião.

Fonte: facebook

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LAMPIÃO EM SERGIPE


Interessado neste título? 

Entre em contato com: rangel_adv1@hotmail.com - franpelima@bol.com.br Autor: Alcino Alves da Costa - Área: CIÊNCIAS HUMANAS Sub-área: História ISBN: 978-85 63318-07-7 Número da edição: 1 Ano da publicação: 2011 Número de páginas: 302 Idioma: Português Informações técnicas: Formato: 15 x 21 cm Papel: Triplex 300g (capa) Pólen Soft 80g (miolo) Acabamento: Brochura

No dia 1º de março de 1929, fugindo do cerco das volantes baianas, Virgolino Ferreira da Silva - Lampião - refugia-se em Sergipe e, a partir daí, estabelece um reinado que durou nove anos. É essa a história que Alcino Costa nos conta, a trajetória do rei do cangaço na região conhecida como Sertão do São Francisco. Das cidades que sofreram com peso da presença dos bandoleiros, das tragédias que acometeram o povo sertanejo, das atrocidades cometidas pelos asseclas do cangaço e pelas "forças da lei", o autor narra episódios estarrecedores, no entanto, afasta-se das lendas buscando a verdade sobre histórias fantasiosas que rondam o nome de Lampião. "Lampião em Sergipe", não se refere somente ao mais ilustre dos cangaceiros, dando espaço também aos coadjuvantes como Corisco, Azulão, Zé Baiano, Maria Bonita, Dadá, Sila e Adília, estas últimas têm dedicação especial do autor no capítulo "A mulher no cangaço". O livro faz ainda um cuidadoso levantamento dos sergipanos - homens e mulheres - que aderiram ao banditismo, marcando para sempre suas vidas e de suas famílias. "Lampião em Sergipe" é antes de tudo a história dos sertanejos, que experimentaram um sofrimento sobre-humano vivenciando na árdua vida do sertão uma verdadeira guerra. Guerra que só viria a ter fim com o controverso episódio na Grota do Angico onde Lampião foi morto e, segundo o autor, com ele o cangaço.

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Historiador José Romero Araújo Cardoso lança seu segundo e-book com estudos nordestinos

Publicado em 11 de Janeiro de 2015 - por Redação

Não é de hoje que o professor José Romero Araújo Cardoso presenteia os amantes da boa literatura com obras de grande relevância para os estudos nordestinos. Ao longo da carreira já são mais de doze livros publicados e um incontável número de plaquetes (publicações com menos de 50 páginas).

Adaptando-se aos novos tempos, acaba de sair do “forno” o segundo e-book de autoria do historiador, intitulado "Notas para a História do Nordeste". A obra foi organizada pela professora Marinalva Freire da Silva, da Universidade Estadual da Paraíba, e conta trinta e três textos, alguns ainda inéditos, como o "Josué de Castro e a Ousadia de Denunciar um Tema Ainda Proibido".

"É um texto que causa reflexão pelas disparidades sociais ainda hoje. A fome ainda é um assunto delicado de se tocar e Josué de Castro ainda é a maior referência sobre este assunto", diz Romero.

Assuntos como a origem do comércio do Nordeste (A Civilização do Couro) e as tradições nordestinas (O Heroísmo das Parteiras Tradicionais) também estão presentes no trabalho que reúne escritos produzidos pelo autor há mais de dez anos.

Sem data ainda para lançamento, "Notas Para a História do Nordeste" pode ser adquirido diretamente com o escritor pelos seus telefones: 9702-3596 e 8738-0646 ao custo de dez reais.


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A FERRUGEM NAS LATAS E AS TRAÇAS COMERAM UMA BOA PARTE DOS FILMES DE LAMPIÃO

Por José Mendes Pereira
Nos cinemas os filmes eram guardados assim em prateleira dentro das suas latas

A ferrugem nas latas e as traças comeram uma boa parte dos filmes de Lampião que Benjamin Abraão Botto fez na caatinga do nordeste brasileiro

É lamentável que um documentário tão importante feito pelo cineasta Benjamin Abrahão Botto tenha ido nas enchentes da ditadura. Proibido de ser exibido nos cinemas brasileiros, o filme que o cineasta fez sobre o cangaço, e principalmente sobre a "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia, foi guardado em suas latas protetoras, e com o tempo, tanto a ferrugem como as traças, findaram com um dos mais importantes documentos sobre o cangaço no nordeste brasileiro.

Afirmam alguns pesquisadores que Benjamim Abraão Botto usou em média mil metros de fitas cinematográficos, e infelizmente restou muito pouco. Outros são mais vantajosos, afirmam que eram em torno de dois mil metros.

As inúmeras fotografias que Lampião e seu bando deixaram no nordeste, serviram muito para os repórteres, escritores, pesquisadores, estudantes e colecionadores do cangaço, que sem pressa, irão montando as peças do dominó da mais bela história do povo nordestino. 

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Estes acontecimentos foram bons? Não! Foram péssimos, mas já que aconteceram, não devemos deixá-los adormecidos em páginas engavetadas para serem destruídas pelos ácaros e pelas traças. Que todos juntos continuem ainda procurando algumas peças do cangaço, que talvez não estejam tão longe de quem é obcecado pelo assunto.

José Mendes Pereira
Mossoró-Rn.

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Piranhas (Alagoas)

Vista geral da cidade de Piranhas - Vista do Mirante

Piranhas é um município brasileiro localizado no oeste do Estado de Alagoas. Sua população é de 21.716 habitantes e sua área é de 409,1 km² (53,23 h/km²).

Limita ao norte com o município de Inhapi, ao sul com o Estado de Sergipe, a leste com os municípios de São José da Tapera e Pão de Açúcar, a oeste com o município de Olho d'Água do Casado e a nordeste com o município de Senador Rui Palmeira.

Piranhas ficou nacionalmente conhecida por conta do cangaço. Sediou um combate épico entre um de seus moradores, Seu Chiquinho Rodrigues e um dos bandos de Lampião. O tiroteio entre o aludido habitante de Piranhas e o famigerado bando marcou singularmente os valores nordestinos de honra, fé, amor à família. Tendo chegado a notícia que um dos bandos de Lampião invadira a cidade e estava por fazer atrocidades por onde passava, os moradores da cidade abandonaram-na em retirada urgente; exceto Seu Chiquinho Rodrigues, pois sua esposa Helenira Rodrigues estava de resguardo da primeira filha do casal. Movido pelo amor à família e um fundamental valor de honra, Seu Chiquinho armou-se com seu rifle e muita munição e pusera-se a esperar o bando de Lampião na sacada de sua casa, praticamente sozinho. Quando o primeiro dos cangaceiros apontou, iniciou-se o tiroteio, marcado pela bravura de um cidadão que ousara enfrentar um dos mais temidos bandos, em defesa da integridade física e moral de sua esposa, pois não a podia abandonar em tal situação. Dentro da casa (Sobrado) dos Rodrigues, a cena era em dois tons: na varanda, Seu Chiquinho, munido com seu rifle, enfrentava o bando de Lampião; no quarto, D. Helenira Rodrigues, buscava refúgio em sua fé, recitando o Rosário e suplicando a ajuda de Deus, com orações dirigidas à Virgem Maria. O tiroteio estendeu-se e só se encerrara quando o bando, tendo perdas e vendo não conseguir invadir a cidade, desistira do embate e caíra fora daquela cidade. Venceu a virtude nordestina de, buscando reforço na fé, defender o valor da família ainda que nas mais adversas situações.

Curiosamente, Lampião repreendeu seu bando por ter invadido uma cidade cuja padroeira era Nossa Senhora da Saúde, santa da qual ele era devoto. Diante do feito histórico, Seu Chiquinho Rodrigues foi presenteado pelo Exército Brasileiro com dois rifles de exclusividade das Forças Armadas, um dos quais foi recebido e o outro doado de volta ao Exército como forma de demonstrar seu amor à Pátria Mãe. 

Outras duas curiosidades acerca de Piranhas e do embate entre Seu Chiquinho Rodrigues e o Lampião é que (1) ambos nasceram em Serra Talhada, no Estado de Pernambuco, e que (3) Seu Chiquinho Rodrigues morrera no dia 03 de junho de 2002, aniversário de sua amada esposa e da cidade que tão bravamente defendera.

Quando da morte de Lampião e seu bando, aconteceu que, no Centro Comercial de Piranhas e na sede da Prefeitura de Piranhas, a cabeça de Lampião, e outras do seu bando, ficaram expostos após decapitação, para que ficasse bem claro a todos que o Exército Brasileiro vencera a batalha contra os cangaceiros de Lampião.

Em Piranhas também foram rodados muitos filmes e documentários sobre cangaço e assuntos correlacionados, como Baile Perfumado, com o mesmo tema do cangaço. No museu da cidade, podem ser vistas várias fotos de Lampião, inclusive a famosa foto que mostra o empilhamento das cabeças na escadaria da prefeitura do Município. Neste mesmo museu trabalha hoje, como auxiliar, um dos policiais que, na época, mataram Lampião e seu bando.

O município ainda é banhado pelo rio São Francisco. Piranhas foi reconhecida como patrimônio histórico nacional pelo IPHAN. Além do tombamento histórico, Piranhas destaca-se por encerrar o último trecho navegável do Baixo São Francisco; por ser cravada entre serras, o que lhe deu o carinhoso nome de Lapinha do Sertão; por ter feito parte da chamada Rota do Imperador, passagem de D. Pedro II; por ter sido palco de inúmeras visitas de artistas notáveis como Altemar Dutra, o qual - por seu grande amor por aquela cidade - fora homenageado com a rodovia Altemar Dutra e o nome da orla ribeirinha. Ademais, o Município de Piranhas abre caminho para o conhecido Canyon do São Francisco, o qual pode ser visita por meio de catamarãs e barcos, muito usados por turistas. No Município de Piranhas, também fica o conhecido bairro de Xingó, o qual serviu de base para a construção da Usina Hidrelétrica de Xingó, pela Chesf, responsável pela geração de cerca de 25% da energia do Nordeste.

Dentre as festas que mais se destacam na cidade estão o carnaval, que se realiza no centro histórico. O Forrogaço (Forró do Cangaço), no bairro de Xingó, que se realiza no início de junho, comemorando o aniversário da cidade e antecipação das festas juninas.

Cidade razoavelmente calma, com economia baseada no turismo, nas verbas federais oriundas do tombamento pelo Patrimônio Histórico Nacional e no recebimento de royalties, provenientes da Chesf.

Uma das peculiaridades da Lapinha do Sertão, Piranhas, é sua singularmente bela vista por qualquer dos ângulos que se chegue à cidade, quer pela rodovia Altemar Dutra, quer pelo rio São Francisco ou pelo ar, de helicóptero.

Atualmente, Piranhas é muito visitada por turistas, os quais encantam-se com seus belos mirantes, seu rio formidável, as comidas e danças típicas, além de excelentes opções de passeios, restaurantes, hotéis e pousadas, em locais estratégicos e com vistas singulares. Diz-se que aquele que naquelas águas se banha sempre para lá quer voltar.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Piranhas_(Alagoas)

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