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sábado, 11 de junho de 2011

Scans: Revista Veja, 19 de Novembro de 1975.

Por: Ivanildo Alves da Silveira
Ivanildo Silveira e João de Sousa Lima

Encontraram o ex cangaceiro "Curió"




            Pedimos ao leitor desconsiderar o trecho: "Preso, CURIÓ foi obrigado pelas volantes a cortar as cabeças de seu chefe, de Maria Bonita, Angelo Roque e Vila Nova..." pois, não corresponde a VERDADE HISTÓRICA DOS FATOS.

Um abraço a todos
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN.

Para saber o destino do
"velho pássaro" não deixe
de ler este adendo de
Messier Rostand.

           Procurei mais detalhes e descobri no "Diário de Pernambuco,, edição de domingo, 19 de Agosto de 1990, um dia antes, as 7:40, havia falecido no Hospital da Restauração, de embolia pulmonar, Marcos Alexandre da Costa. Ele tinha 88 anos, havia sido atropelado por um ônibus no Complexo de Salgadinho, no dia 16 de agosto de 1990.
             Depois que foi solto em 1975, o então governador de Pernambuco, Moura Cavalcante lhe arranjou um emprego de marceneiro no Juizado de menores.

jose-francisco-de-moura-cavalcanti-margarida
Margarida Krause e José Francisco de Moura Cavalcanti.
Ex-governador de Pernambuco
      
            Morava na chamada Vila Popular, no bairro de Peixinhos, em Olinda. Havia residido anteriormente na Estrada da Caixa D'Água.
             Do seu casamento, depois que foi solto, cuidou de três enteados, que lhe deram 26 netos e 22 bisnetos.
             Segundo a reportagem, Curió havia nascido no dia 7 de maio de 1907, na cidade de Bom Conselho, Pernambuco.
            Primeiramente, entre 2006 e 2007, eu estava trabalhando em Caicó-RN, onde conheci uma senhora que nasceu em Olinda e vivia (acho que vive ainda) na cidade potiguar e me falou que quando morava em Olinda conheceu "Seu Marcos". Passou-me algumas informações que foram corroboradas, em parte, pela reportagem. Ela comentou que sobre sua vida cangaceira, ele era extremamente reticente em comentar este assunto. Mas na região onde eles viviam todos sabiam quem foi Curió.

Rostand, João de Sousa Lima e Juliana Ischiara

          Em 2007 postei sobre este encontro com esta senhora na comunidade do Orkut "Lampião, Grande rei do cangaço". Mas devido ao silêncio gélido "dos gênios" que aqui comentavam sobre cangaço, achei melhor me resguardar para depois não levar o nome de mentiroso.      
           A única pessoa que se interessou e tentou encontrar alguma coisa sobre este cangaceiro em Recife foi nosso amigo Jal Gomes. Mesmo infrutífera na sua busca, valeu pela iniciativa maravilhosa.
             Depois achei este artigo no "Diário de Pernambuco", mas aí assunto já tinha morrido. E agora vejo, de forma muito positiva, o amigo Ivanildo trazer este artigo da Veja. 
             Lembrei-me de outros detalhes: Se não me engano, na época em que Curió foi atropelado, a senhora me comentou que a empresa proprietária do ónibus se chamava “Vera cruz”, mas não tenho certeza. Que a família do ex-cangaceiro ficou revoltada, cogitando até entrar na justiça.
             Outra coisa que ela me falou foi que em Peixinhos ele igualmente havia morado próximo a um antigo local que foi um “matadouro”. Pessoalmente não conheço estes locais. Seria legal nossos amigos de Pernambuco comentarem se estas informações poderiam, ou não, terem sentido. È só o que recordo. 
             Analisando esta questão do ex-cangaceiro Curió, percebemos que num primeiro momento ele teve até sorte e sua saída chamou atenção da sociedade local. O próprio governador pernambucano da época mandou buscá-lo em “carro oficial”, lhe recebeu como “herói” no palácio, lhe deu emprego e o utilizou (mesmo sendo ele analfabeto) como “garoto-propaganda” em uma feira regional de municípios. 
             Interessante como estes acontecimentos apontam a mudança de percepção da sociedade pernambucana, e por tabela a brasileira em geral, em relação ao cangaço. 
             Se em 1975, a saída de um ex-cangaceiro da prisão gerava toda esta notoriedade, se ele tivesse sido solto no final da década de 1950, certamente Curió buscaria inicialmente o anonimato, pois seria muito mais fácil ele ser execrado pela população como “marginal”, “bandido”, ou levar uma bala de algum desafeto.
              Aparentemente, apesar da sorte inicial, sua vida posterior deve ter sido de muitos apertos. 
Comento isso analisando as várias fontes apresentadas neste tópico, pois mesmo com o seu emprego de marceneiro no Juizado de Menores, ele deve ter ralado muito o ex-cangaceiro. Vemos que primeiramente passou a residir na “Favela do Córrego do Euclides”, em Casa Amarela, depois aparentemente na “Estrada da Caixa D'Água”, seguindo para a “Comunidade de Peixinhos”, onde viveu próximo ao antigo “Matadouro”, ou na “Vila Popular”. Além disso, teve de cuidar da mulher, três enteados, vários netos e bisnetos. 
            Detalhe; Não sei se procede (os colegas de Recife podem me corrigir), mas pelo que sei, estes locais que Curió morou na Região Metropolitana de Recife, são (ou eram) locais de alta periculosidade, de ocorrência de tráfico de drogas, etc. Mas, pelo menos até onde se sabe o ex-cangaceiro não se envolveu com nenhum tipo de problema envolvendo a marginalidade.
             Não sei, mas creio que Curió foi o último cangaceiro a deixar vivo (e na época totalmente lúcido) um ambiente prisional no Brasil. Será? 
             Perda de oportunidade
            Fosse por que Curió não gostava de falar, ou talvez por que em 1975 os estudiosos do assunto “cangaço” tinham “material de sobra” para pesquisar (ainda haviam muitos dos velhos coronéis, ex-perseguidores, ex-coiteiros, etc). Fosse por que estes estudiosos entendiam que naquela época não valia à pena perder tempo com um cangaceiro que, talvez, não fosse considerado “importante”, ou no bando era apenas um "lavador de cavalos”. 
             Fossem por estas ou outras razões, sei de uma coisa, para aqueles que gostam do assunto, faltou naquela época alguém ir até este Senhor e “furar” a sua barreira de prevenção em relação a falar sobre o seu passado.

Pesquisador e escritor João de Sousa Lima

               Faltou alguém ter tido a oportunidade de ao menos tentar conseguir dele a sua memória sobre este período. Faltou naquele tempo um “batalhador da história”, como um João de Sousa Lima, que trouxe a bela a rica saga de Moreno e Durvinha.

              Vemos que este ex-presidiário só ganhou notoriedade pelas suas andanças no cangaço. Provavelmente a reportagem da Veja, edição de Novembro de 1975, gentilmente postada por Ivanildo, foi publicada a partir de algum “furo” conseguido por algum correspondente da revista lotado em Recife, ou através de notícias publicadas nos jornais recifenses.        
            Se ele não tivesse sido o cangaceiro "Curió", a morte do aposentado Marcos Alexandre da Costa seria uma simples notinha de rodapé da cronica policial recifense.
           
Um abraço.

Extraído do blog: "Lampião Aceso"

Observação:

Gostaria de informar aos amigos que fazem os seus comentários, que eu estou os lendo, mas não  consigo agradecer na própria página, pois a minha  senha não está sendo reconhecida na janela de comentários.

Primeira Viagem de Sinhô Pereira e Luiz Padre, do Nordeste Para Goiás

Por: Napoleão Tavares Neves

           Vivia-se a segunda metade do ano de 1918. Obedientes ao Padre Cícero Romão Batista, Sinhô Pereira e Luiz Padre decidiram deixar o Nordeste para o norte de Goiás. Eram muito jovens e tinham toda a vida pela frente. Todos aconselhavam a viagem. Só assim a família Pereira poderia levantar a cabeça e recuperar o seu prestígio social, político e econômico seriamente abalado por tantas lutas e tanto sangue derramado em vão!


            Manoel Pereira Lins, “Né da Carnaúba”, promoveu vários encontros de família em sua fazenda estruturando a saída dos primos do cenário nordestino conflagrado pelas lutas de famílias, sobretudo pelas lutas entre Pereiras e Carvalhos.         
           Depois de marchas e contra-marchas, a viagem foi decidida. O roteiro foi traçado, segundo orientação do Padre Cícero Romão Batista que certa vez recebeu Luiz Padre e o aconselhou a abandonar a luta por uma vida de paz no Brasil Central onde ninguém soubesse da vida pregressa dos dois vingadores da família Pereira.

Padre Cícero
           
            Segundo foi planejado, os dois Pereiras deixariam o sertão, beirando o sopé da Chapada do Araripe, lados de Pernambuco, buscando o Piauí de onde deveriam demandar o norte de Goiás.

Sinhô Pereira, sentado e Luis Padre em pé
          
             Atravessar os sertões de Pernambuco era uma temeridade para eles que seriam impiedosamente perseguidos. Naquele tempo cada polícia só perseguia cangaceiros até a fronteira do seu Estado! Atravessar os limites de um Estado para outro era considerado agressão! Assim, entrando no Piauí, seria mais fácil para Sinhô Pereira e Luiz Padre fazerem a difícil travessia sem obstáculos. Por isto os dois primos deixaram o Nordeste com o seguinte roteiro:           
             Fazenda do major Zé Inácio, no Barro, Ceará. Fazenda Olho d’Água do Araripe, lados de Pernambuco até o Piauí, pelos municípios de Serrita, Exu e Araripina. Simões, de Jaicós, no Piauí. Foi esta a primeira etapa da viagem feita por Sinhô Pereira e Luiz Padre, a cavalo e levando seis cabras de confiança escolhidos a dedo. Iam armados de revólveres e com as carabinas desmontadas nas pequenas malas.
           Em Simões, já distante do Pajeú, decidiram se separar para despistar possíveis perseguidores, marcando um reencontro no sul do Piauí, em Correntes, próximo à fronteira com Goiás. Luiz Padre, com dois cabras, tomou o rumo de Uruçu, mais para o centro do Piauí, pelo Vale do Gurguéia.
            Sinhô Pereira, com quatro cabras, seguiu na direção de Correntes por São Raimundo Nonato, em roteiro paralelo à fronteira de Pernambuco. Com ele iam os homens de confiança: Cacheado, Coqueiro, Raimundo Morais e Gato.

O cangaceiro Gato
Luiz Padre
            
           O trajeto planejado evitava a travessia do Rio São Francisco que ainda não tinha pontes e a perseguição policial de Pernambuco. A meta de ambos era uma só: sul do Piauí e daí, norte de Goiás, por caminhos diferentes. Luiz Padre ia mais pela direita e Sinhô Pereira mais pela esquerda, não muito distante um do outro, de tal modo que não fosse tão difícil o reencontro planejado no sul do Piauí. Ambos levavam cartas de recomendação para famílias amigas do Piauí: família do Barão de Paranaguá, do Marquês de Santa Filomena e Marquês de Paraíso, já que Luiz Padre era neto do Barão do Pajeú, coronel Andrelino Pereira da Silva.

 Coronel Andrelino Pereira da Silva

             Os barões sempre se entendiam muito bem. A viagem ia sendo feita com marcha de 6 a 10 léguas por dia, mais durante as noites para serem menos percebidos.             
           Ao atingir Nova Lapa, município piauiense de Gilbués, Luiz Padre soubera que Sinhô Pereira fora cercado pela polícia do Piauí nas proximidades da cidade de Caracol. É que as autoridades do Piauí receberam precatória contra os dois e o tenente Zeca Rubens ia no encalço de Sinhô Pereira com 20 homens, sendo três soldados e os demais civis, jagunços a serviço da polícia! A casa em que Sinhô Pereira e seus homens dormiam foi cercada pelo pessoal do tenente Zeca Rubens. As carabinas de Sinhô Pereira estavam desmontadas, mas depois de um tiroteio de uma hora, Sinhô Pereira e o seu pessoal fugiram, deixando dois soldados feridos levemente e carregando Cacheado quase nos braços, gravemente ferido. Sinhô Pereira nunca abandonou cabra ferido, sendo muito solidário a seus homens!          
           Sinhô Pereira ficou visivelmente irritado com a perseguição. Seus inimigos do Pajeú não queriam que ele encontrasse a paz em Goiás e o perseguiam tenazmente!           
           Luiz Padre resolveu prosseguir a viagem e perdeu por completo o contato com Sinhô Pereira que ficou por quatro dias na Fazenda Mulungú, com Cacheado muito ferido, até que o tenente Zeca Rubens, através de um seu irmão mandou lhe dizer que não o perseguiria enquanto ele tivesse tratando do cabra ferido! Foi um gesto muito nobre, indiscutivelmente.
            Somente em março de 1919 Luiz Padre chegou no Duro.

Escritor Nertan Macedo

           Sinhô Pereira ficou por 57 dias, quase dois meses, tratando de Cacheado para além de Caracol. Não abandonaria o ferido, custasse o que custasse, disse ele, de viva voz, ao escritor Nertan Macedo e ao pesquisador Luíz Lorena, de Serra Talhada, seu primo.

Luiz Lorena e Sá
              Cacheado não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu. Sinhô Pereira reiniciou a viagem, mas em Jurema, encontrou o cabra que ferira Cacheado, João de Bola, que foi morto por um dos seus homens.
            A partir deste episódio a perseguição policial recrudesceu, com o tenente Zeca Rubens à frente de 40 soldados seguindo as pegadas de Sinhô Pereira que ia trocando de animais cansados substituindo por animais tomados ao longo das fazendas percorridas. Novamente cercado pela polícia quando dormia 40 léguas para além de Caracol, Sinhô Pereira e seus homens conseguiram furar o cerco policial, mais uma vez, depois de meia hora de tiroteio, morrendo um soldado e saindo ferido um rapaz da casa onde estavam arranchados. Em Tocoatiara Paulista, perderam os animais: um cavalo e três burros.
            Em Sete Lagoas tomaram novos animais que foram trocados novamente em Barra de São Pedro. Foi aí que Sinhô Pereira decidiu voltar ao Pajeú e lutar com os seus inimigos até um dia, já que não o deixaram buscar a paz e o esquecimento em terras distantes, como era o seu desejo.
            Foi uma decisão nervosa, mais em oito dias Sinhô Pereira estava novamente nas barrancas do Pajeú até 1922 quando conseguiu deixar o Nordeste, desta vez em definitivo, saindo da Fazenda Preá, Serrita propriedade do coronel Napoleão Franco da Cruz Neves, casado com Ana Pereira Neves, prima de Sinhô Pereira e Luiz Padre, além de madrinha de batismo deste último.

Bando de Lampião recebido das mãos do Sinhô Pereira

            Com a volta de Sinhô Pereira, de Caracol (PI), foi que Lampião, passou a integrar o seu bando. Por outro lado, a segunda e definitiva viagem de Sinhô Pereira para Goiás, será objeto de outro trabalho oportunamente. Só em março de 1922 foi que ele pôde chegar ao Duro!


Barbalha, 16.11.1989 Médico, escritor. Sócio da SBEC.

Extraído do blog: "Lentes Cangaceiras" 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

As muitas versões do cangaço

Por: Juliana Ischiara


            Caros pesquisadores do Cangaço, não é minha intenção polemizar, mesmo em se tratando de cangaço, terreno bastante fértil para debates, controvérsias e discordâncias, porém, todos nós devemos ter em mente que não existem verdades absolutas, mas, simplesmente verdades. O que é uma verdade para mim, pode não ser para o outro e assim sucessivamente, pois, em se tratando de história como ciência, podemos falar de verdades históricas, ou seja, a verdade dos vencedores, dos vencidos e daqueles que tiram suas conclusões tendo como base as duas primeiras elencadas.
           A história não é uma ciência exata, não podemos sair por aí argüindo nossos pensamentos como se fosse uma idéia absoluta do objeto pesquisado.

Frederico Pernambucano de Melo       
           
              Esta semana que passou lemos em alguns blogs e no Jornal da Cidade de Sergipe, um excelente debate entre dois grandes pesquisadores do cangaço. De um lado o acadêmico Frederico Pernambucano de Melo, autor de vários trabalhos importantes sobre a temática em tela e, do outro lado, o sergipano Alcino Alves da Costa, um exímio conhecedor do fenômeno cangaço, em particular os seus dez últimos anos tendo Lampião como líder.

Juliana e Alcindo

             Alcino é de Poço Redondo, um irmão de sua mãe foi cangaceiro, além de ter crescido em meio à história viva do cangaço, pois se em Poço Redondo, ainda nos dias de hoje, o cangaço é assunto comum nas rodas de conversa, imagine na meninice e ao longo de sua vida, com um tio cangaceiro, o sogro sendo o velho “China do Poço” amigo de Lampião. Alcino também é autor de vários livros sobre o cangaço.

O rei Lampião

           Se por um lado, um pesquisador tem como esteio de suas pesquisas o aparato acadêmico, tendo inclusive conversado como alguns sobreviventes, do outro lado temos um pesquisador que nasceu, cresceu e passou sua vida em meio a sobreviventes do cangaço como ex-cangaceiros, outros jurados de morte por cangaceiros, coiteiros e amigos de Lampião. Com isso, não estou medindo a competência dos pesquisadores, nem mesmo aceitando um pensamento em detrimento de outro, pois cabe a mim, assim como aos demais, aprender com estes dois mestres da historiografia cangaceira a arte do bom debate. Tanto um quanto outro são autoridades no assunto.
 
Da esquerda para a direita:
Vila Nova, lá nos fundos, um   cangaceiro desconhecido,
Luiz Pedro, Amoroso, Lampião, Cacheado, Maria Bonita, Juriti,
outro cangaceiro desconhecido e Quinta Feira. Foto do repórter
Benjamim Abrão em 1936. Acervo Abafilm – Fortaleza.      
          
           O bom do debate é perceber as diferentes versões acerca do mesmo objeto. Ao analisar as duas ou mais vertentes, individualmente tiramos nossas próprias conclusões.
           Um exemplo disso é que, mesmo respeitando o trabalho e os anos de pesquisa de Frederico Pernambucano de Melo, não concordo quando ele disse “... que a valentia e a capacidade de urdir planos vinham na cabeceira dessa criteriologia de ascensão hierárquica no bando, da qual passou a fazer parte, de início timidamente, e depois como concausa cada vez mais relevante, especialmente no meado dos anos 30, a habilidade com as agulhas e as linhas, assim como o domínio da máquina Singer de mesa”.
             Penso que ter habilidade em contornar situações delicadas e difíceis, capacidade de estratégia, facilidade em comandar adversidades comuns em um grupo de seres pensantes, dada a particularidade de cada um, ter pulso forte diante de eventuais divergências, fossem os critérios para ascensão hierárquica dentro do bando e não o manuseio da máquina de costura, mesmo porque, viviam e sobreviviam em meio a combates, no liame entre a vida e a morte.
          Sendo assim, não creio que ter habilidade na arte de bordar e costurar fosse de suma importância para o chefe de um subgrupo. As máquinas de costura, na famosa foto das cabeças, não sinalizam que Lampião e/ou seus comandados gostavam de relaxar, tirar o estresse dos dias difíceis no manejo da máquina de costura, mas que usavam tal ferramenta para fazer seus pertences como bornais e roupas, deixando claro que não discordo dos bordados, nem da habilidade dos mesmos nesta arte.

Casa do coiteiro Pedro de Cândido
      
            Por falar nas ditas máquinas de costura, nota-se duas delas na famosa foto das cabeças. Sabemos que a máquina de dona Guilhermina, mãe de Durval e de Pedro de Cândido foi levada para o coito por Mané Félix e Vicente – este ainda com vida,

Coiteiro Manoel Félix

– e que a mesma iria servir para Sila e Maria Bonita fazerem a roupa do sobrinho de Lampião que ali havia chegado com a finalidade de acompanhar o tio.

Sila
Maria Bonita

             Em momento algum se falou que quem iria “costurar” a roupa do rapazinho seria Lampião e, ainda, por que com uma máquina no coito, Maria Bonita (ou mesmo Lampião), mandou buscar a da senhora proprietária da fazenda Angico?
             Ainda sobre as questões levantados pelo pesquisador Frederico ao falar do divórcio cultural entre o litoral e o sertão, concordo plenamente com ele. Houve realmente uma falha no processo de colonização, processo este que sentimos o ranço ainda nos dias de hoje. Porém, não digo que este fato não tenha reflexo no surgimento do cangaço, mas, em nada tem a ver com o cangaço da geração lampiônica, pois, sem sombra de dúvida, trata-se de uma insurgência nascida de uma particularidade estendendo-se para um campo mais amplo, porém não atingindo os ideais da divisão geopolítica e cultural. Seria forçoso demais pensar o contrário.
          Quanto ao simplismo dos marxistas em considerar o cangaço filho exclusivo da luta de classes envolvendo coronéis e cangaceiros, também concordo que até então estes fenômenos, em especial o cangaço, era tratado de forma mais simplista. Existe uma complexidade bem mais faraônica envolvendo todo este período.

Lampião
          
            Lampião era bem quisto por alguns coronéis, pois se sabe que em meio à medição de força e poder entre os donos dos sertões nordestinos, Lampião foi um veículo utilizado por uns em desfavor de outros. Claro, quando digo utilizado, não estou dizendo que Lampião foi um fantoche nas mãos deste ou daquele coronel, mas que todos ganhavam, porque no acerto entre Lampião e o coronel, cada um tinha como objetivo a satisfação dos seus intentos.
           Dizer que: “... o cangaço sai à luz como uma espécie de conspiração tácita sertaneja, irmanando coronéis e cangaceiros na luta surda contra inimigo comum: o poder litorâneo, fonte de toda repressão.” Não é nem forçoso, mas é absurdo mesmo.
          Controvérsias à parte, sabemos que realmente Lampião sabia manusear a máquina de costura, bem como bordar. Percebemos que atrás daquela fera, muitas vez insana, havia um indivíduo capaz de sutilezas como costurar, mesmo em um universo tão machista. Quanto a ser um sucesso ou não, bem, sabemos que trabalhar com oralidade é complicado, dada a subjetividade de conceitos e ao fato de a memória ser seletiva. Tanto é verdade que temos depoimentos de sobreviventes que caíram em total descrédito por conta do surrealismo em demasia.

CangaçoDa esquerda para a direita
Cobra Verde, Vinte e Cinco, Peitica, Maria Jovina, Pancada,
Vila Nova, Santa Cruz, Barreira, e possivelmente um oficial
da polícia. Barreira não fazia parte deste bando
             
            Um exemplo claro de um depoimento deste é o de Barreira ao então pesquisador Frederico. Pelo visto, a memória dele é tão seletiva que esqueceu que Lampião tinha um feeling apurado, tanto que mesmo sem saber que ele seria um traidor execrável, já não gostava dele.
           No mais, parabenizo os dois pesquisadores, por serem grandes mestres e nos darem um exemplo tão bom sobre um debate, donde se pode discordar do posicionamento do outro sendo respeitoso e sem perder a admiração mútua.
            Sou uma admiradora dos dois mestres e muito tenho aprendido com ambos. Sou uma iniciante nesta seara tão complexa e, por vezes, tão árida de se transitar, mas não podemos e nem devemos desanimar, pois, se as veredas percorridas pelos cangaceiros e volantes não foram nada fáceis, não vamos querer um campo de rosas como terreno para pesquisar.
            Se todos colaborassem de alguma forma para com as pesquisas, estaríamos muito mais avançados e não teríamos o que vez por outra temos. Pessoas que usam suas pesquisas como holofotes, sem se preocupar com o futuro do conhecimento, dada a imensidão de teses mirabolantes defendidas com objetivo único de serem mercadológicas.

Saudações Canganceiras
Juliana Ischiara é Pesquisadora, sócia da SBEC.
Quixadá / CE

Extraido do blog: "Lampião Aceso" 

Amigo Leitor:

Eu sei que nos dias de hoje ninguém usa mais parágrafo,
mas eu o acho tão bonito que continuo usando. Mania de antes.

O bolero de Lindomar Castilho

   Ramiro Zwetsch, de Goiânia
  

            Conhecido como o rei do bolero na década de 70, Lindomar Castilho retorna a carreira depois de cumprir doze anos de prisão por assassinar a mulher
           Nem os boleros mais tristes teriam desfecho mais dramático. A história que envolveu os cantores Lindomar Castilho e Eliane de Grammont acabou em tragédia, abrindo uma ferida que ainda está longe de cicatrizar.
           O goiano Lindomar e a paulista Eliane se casaram no dia 10 de março de 1979, dois anos depois de se conhecerem nos corredores da antiga gravadora RCA, em São Paulo.

Ag F4/ Lucrecio Jr
Lindomar e Eliane

           O cantor, na época, já era conhecido como o rei do bolero enquanto ela ainda ensaiava os primeiros passos de sua carreira. O casal teve uma filha, Liliane de Grammont, e se separou exatamente um ano depois da data do casamento.
            “Antes de casar, os dois decidiram que ela não cantaria mais para se dedicar ao lar”, conta Helena de Grammont, 50 anos, irmã de Eliane e repórter do Fantástico.
          Depois da separação, a cantora voltou a fazer shows. Na madrugada de 30 de março de 1981, ela cantava no Café Belle Époque, em São Paulo, acompanhada pelo violão de seu novo namorado, Carlos Randall, primo de Lindomar.

Lindomar Castilho na rua e em sua casa, em Goiânia: “Carrego
um sentimento de culpa enorme”, diz o cantor, que recomeça
a carreira, ainda atormentado pelas lembranças
do crime que cometeu
          
            Enquanto cantava os versos “Agora era fatal que o faz de conta terminasse assim”, da canção “João e Maria”, de Chico Buarque, levou cinco tiros pelas costas. O autor do crime era seu ex-marido.

Chico Buarque de Holanda

           Depois de cumprir doze anos de pena – seis deles em regime semi- aberto – Lindomar Castilho ganhou liberdade em 1996 e tenta agora retomar a carreira, na esteira do sucesso de Reginaldo Rossi, outro cantor romântico que estourou nos anos 60 e voltou a ser notícia recentemente.

 
Reginaldo Rossi

           O cantor está lançando Lindomar Castilho ao Vivo, o primeiro CD por uma grande gravadora desde o cumprimento da pena. “Minha voz não é a mesma, mas continua boa”, opina.
           Desde que se encontra em liberdade, Lindomar mora em Goiânia e evita ir a São Paulo. “Eu carrego um sentimento de culpa enorme”, diz o cantor. Arrependimento, no entanto, é uma palavra que ele prefere não pronunciar. “Não é arrependimento. A tragédia aconteceu, independente do meu querer ou não querer”, diz ele, enxugando as lágrimas e tentando mudar de assunto. “Agora estou procurando ocupar minha cabeça, trabalhando dia e noite nesse disco.”
          Por ironia do destino, Lindomar saiu de Goiás para começar a carreira em São Paulo, em 1961, a convite de Paulo de Grammont, tio de Eliane e diretor artístico da Organização Vítor Costa, grupo de comunicação que detinha a concessão do canal 5. Nessa época Eliane nem era nascida. “Embora nossa família tivesse contato com Lindomar, nós só o conhecemos de verdade através de Eliane”, lembra Helena. “Conhecíamos o artista, não a pessoa”.

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Eliane

           Ainda em 1961, o cantor lançou seu primeiro álbum, com repertório de Vicente Celestino. Daí em diante trilhou um caminho de sucesso, chegando a vender, na década de 70, 500 mil cópias de um LP, marca mais do que satisfatória para os padrões da época.

Vicente Celestino

           Com o novo disco, Lindomar pretende vender ainda mais. “Minha filha, Liliane, me fez uma grande surpresa, me procurando um dia antes do meu aniversário, em 1998”, lembra Lindomar. “Foi ela quem me sugeriu que eu retomasse a carreira”.
           Lindomar não via a filha havia 17 anos. Liliane – que não retornou o contato ao ser procurada por Gente – cresceu em São Paulo, criada pelas tias Helena e Carmen de Grammont. Ela tem hoje 20 anos, é dançarina e realizou um curso de seis meses na escola de dança Julliard School, de Nova York, financiado pelo pai.

Liliane

         Desde aquele reencontro, Lindomar e Liliane voltaram a se ver poucas vezes. “Eu não a procuro por respeito à família atingida”, argumenta o cantor que não se sente à vontade em ligar para a casa de Helena de Grammont, com quem a filha mora atualmente. “Liliane foi atrás da história de sua vida. Ela precisava conhecer o pai”, explica Helena. “Nós nunca falamos mal do pai dela, aliás nós quase nunca mencionamos sequer o nome dele.”

Lindomar Castilho
Lindomar Castilho

           Depois de ser procurado pela filha, Lindomar voltou a fazer alguns shows. Logo veio o convite da gravadora Sony, que foi aceito na hora. O repertório reúne grandes sucessos de sua carreira, incluindo composições próprias e canções de outros autores que ficaram famosas na sua interpretação. Estão no disco, entre outras, “Eu Vou Rifar Meu Coração” (que tem mais de 50 regravações mexicanas), “Você É Doida Demais” (regravada por Leandro e Leonardo) e “Cabecinha no Ombro”. 

 
Leandro & Leonardo

           Lindomar vive em Goiânia e namora a funcionária pública, Vera Cruz de Castro Lobo, 49 anos, que o cantor faz questão de manter distante da imprensa. “Ela não tem nada a dizer sobre tudo que aconteceu”, afirma Lindomar.


Copyright - Editora Três

"Os últimos cangaceiros"

COMUNICADO



           O Cineasta, escritor e pesquisador do cangaço, Aderbal Nogueira, comunica aos leitores deste blog, e dos:  "Cariri Cangaço", "Lampião Aceso", "Tok de História", "Cangaço Nordestino", que atualmente atua com o nome "Blog do Neto", e os demais que publicam o estudo "cangaço", hoje, sexta-feira, dia 10 de Junho, às 20 horas, será lançado o documentário "OS ÚLTIMOS CANGACEIROS", de Wolney Oliveira, no teatro José de Alencar em Fortaleza.

            Na madrugada de 28 de Julho de 1938, na Grota de Angico, no  Estado de Sergipe, as volantes do governo conseguiram acabar de uma vez por toda com o movimento social de cangaceiros, e lá foram  mortos 11 asseclas, entre eles os Reis do Cangaço, Lampião e Maria Bonita.

Lampião e Maria Bonita

            Como todos os asseclas que pertenciam à Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia haviam ficado órfãos de pai e mãe, a partir daquele dia em diante seria cada um por si e Deus por todos. Muitos resolveram enfrentar os horrores da polícia. Mas todos que procuraram se entregar, foram liberados pelo capitão Aníbal Ferreira, lá em Geremoabo, este em vez de usar a razão, usou o coração, liberando todos para novamente participarem da sociedade livre.

Moreno e Durvalina

          Mas na ativa segurando o sofrido e desastroso movimento social, do velho companheiro Lampião, continuavam os minúsculos bandos de Moreno e o de Corisco.

Corisco e Dadá

          No dia 2 de fevereiro de 1940, Moreno e Durvalina resolveram dependurar as indumentárias do cangaço, e dando fim as suas malditas armas e munições. Mas teimosamente continuava o bando de Corisco, que não durou muito tempo, tendo sido ele assassinado no dia 25 de maio de 1940, pelas armas do tenente Zé Rufino.

Tenente Zé Rufino

            Durante mais de meio século Durvinha  e Moreno jamais se identificaram com seus nomes próprios, até dos filhos.  Durvinha e Moreno fizeram parte do bando de Lampião, o mais controverso líder do cangaço.

João de Sousa Lima

             A verdade só foi revelada diante do escritor João de Sousa Lima, quando Moreno,  com 95 anos, resolveu dividir com os filhos o peso das lembranças e reencontrar parentes vivos.

Sobre o autor do filme


Wolney Oliveira

           WOLNEY OLIVEIRA: Diretor, roteirista e produtor. Graduado em televisão pela Escola Internacional de San Antonio de los Baños, EICTV, Cuba, com especialização em fotografia. Seus filmes têm recebido numerosos prêmios no Brasil e o exterior. Seu curta El invasor marciano foi o primeiro filme da EICTV a receber um prêmio internacional, entre muitos outros. A ideia original do curta deu origem também ao longa de ficção A ilha da morte. Wolney Oliveira dirige a própria produtora, a Bucanero Filmes, em Fortaleza.


FILMOGRAFIA

Os últimos cangaceiros (2011), longa-metragem
El cayo de la muerte (2006), longa-metragem
Borracha para a Vitória (2003), longa-metragem
Milagre em Juazeiro (1999), longa-metragem
Elementais (1994), curta-metragem
As barricadas abriram caminho (1993), curta-metragem
Sabor a mí (1992), longa-metragem
Los regalos de Don José (1990), curta-metragem
Um, dois (1989), curta-metragem
El invasor marciano (1988), curta-metragem
Sirio en quadro (1987), curta-metragem
Gilberto y Yayá (1987), curta-metragem
Un día de Tito (1982), curta-metragem

FICHA TÉCNICA:

Direção: Wolney Oliveira
Direção de fotografia e câmera: Eusélio Gadelha
Som direto: Danilo Carvalho
Montagem: Mair Tavares e Daniel Garcia
Edição de som: Simone Petrillo
Mixagem: Claudio Valdetaro
Trilha sonora: DJ Dolores
Produção: Margarita Hernández

CONTATO:

Bucanero Filmes
Av. Barão de Studart 1165 sala 804
Fortaleza CE, CEP 60120-001
Tel/fax.: (85)32610646
 
 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Professores de História não estudam "cangaço"

Por: José Mendes Pereira


Interessante!

            O tema "Cangaço" ou ainda a "literatura lampiônica", é um dos assuntos mais estudados no nordeste brasileiro. E nele, encontramos, Médicos, sargentos, capitães, Advogados, juízes, Geógrafos, literários, Matemáticos, jornalistas, escritores, pesquisadores, estudantes..., em fim, todo tipo de formados  encontramos. Mas, não se ver professores de História envolvidos com esse tema.

Paulo Medeiros Gastão 

           Eu conversando com o fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço,  o escritor/pesquisador e empresário Paulo Medeiros Gastão, ele relata isto, e eu já havia analisado, pois durante o tempo em que eu me dediquei ao estudo "cangaço", somente um ou dois professores de história que se interessaram pelo tema.

Bando de cangaceiros de Lampião

            A literatura lampiônica não é bicho de sete cabeças. É simplesmente um movimento social que os jovens do século XX fizeram, quando todos os subgrupos tinham um chefe superior que determinava onde iriam atacar para saquearem o que eles desejavam; e um dos mais famosos cangaceiros, foi o Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, que com o seu famoso bando, enfrentava as volantes dos governos dos sete Estados Nordestinos.    
           É claro que era um movimento que violentava, roubava, assassinava e tudo mais. Mas isto é passado. Pior são os acontecimentos de hoje, que matam para estorqui  1 real, uma moto, um carro, um tênis..., e ainda ficamos diante do televisor para vermos as terríveis cenas praticadas por marginais.

Osama Bin Laden

           Pensando bem. Será que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e outros e outros cangaceiros fizeram o que o terrorista Osama Bin Laden fez? Conseguiu em dez segundos matar quase três mil pessoas inocentes, usando uma jaqueta de falso militar, e ainda se dizia perseguido pelos os países potentes?

As Torres Gêmeas

           Arquitetou e pôs em prática a sua maldade contra a humanidade, que não só sofreram os que morreram, os que lá estavam, como todo globo terrestre sofreu as piores consequências, a economia dispencou de vez, deixando as nações do mundo inflacionadas?

Adolf Hitles

           O Adolf Hitles que com o seu poder de dono do mundo, matou milhares e milhares de pessoas que sonhavam muito alto, de ter uma família, um lugar para morar, uma vida totalmente feliz, e um único administrador de um país, destruiu os seus sonhos e suas vidas?

Joseph Mengele

          O doutor Joseph Mengele, que fez experimentos com humanos, e foi o responsável pelo extermínio de milhares de judeus, fugiu para a Argentina e nunca pagou por suas atrocidades?
           Friamente, usou os judeus como cobaias humanas com todo tipo de experimentos macabros?  A muitos outros enviou-lhes diretamente do trem ao crematório - e fugiu do campo de concentração em janeiro de 1945, dias antes de sua liberação? Josef Mengele nem sequer foi citado nos Julgamentos de Nuremberg e como muitos outros criminosos nazista cruzou o Atlântico e converteu a América do Sul em seu esconderijo?
E tantos outros que fizeram as maiores atrocidades e ninguém os ver?
           Lampião não foi realmente o que dizem. Lampião foi acusado de diversos crimes, quando muitos desses terríveis crimes eram feitos pela própria polícia.

Leia o que escreveu o historiador
João de Sousa Lima em:
"A vida nem sempre bela de
Maria Bonita"

No Artigo do escritor Ronaldo Pelli

 
João de Sousa Lima

             "A polícia, que era quem devia proteger a população, o sertanejo, foi muito pior que os homens e mulheres que viviam à margem da lei. A polícia matou mais, estuprou mais, roubou mais. Muitos desses crimes foram creditados aos cangaceiros. É importante que escritores e estudiosos do tema saibam manter a imparcialidade na hora de retratar os casos e deixem que a história e o tempo decidam essas questões polêmicas e que não cabem no olhar individual de algum analista".
             Portanto professor de história, cabe ao senhor se engajar neste estudo. Não ofende, não maltrata ninguém, e com certeza, você vai adquirir mais conhecimentos históricos para sua vida profissional.
            Um dia, quem sabe, um aluno lhe faz uma pergunta sobre o cangaço. E o que você vai dizer? "-Eu não o respondo porque não sei nada sobre o cangaço".
 
             Que resposta sem graça hein!?