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sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Quem matou Delmiro Gouveia?
Autor: Gilmar Teixeira
Não deixe de adquirir o seu, leitor!. É um excelente trabalho sobre o coronel Delmiro Gouveia

Edição do autor:
152 págs.
Contato para aquisição
Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 (Frete simples)
Total R$ 35,00
O cantor João Mossoró fará Show no "Mercadão Cadegue"

O cantor João Mossoró estará se apresentando neste sábado (dia 4), no Mercadão Cadegue, no restaurante
CANTINHO DAS CONCERTINAS,
no Rio de Janeiro.
UMA FESTA PORTUGUESA
Prestigie o artista participando desta grande festa
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Surge o Sinhô, o maior de todos os Pereiras
Por: Manoel Severo
Sinhô Pereira, sentado e Luiz Padre, de pé
O ano é 1915 quando vamos encontrar Né Dadu, retornando da cidade de Triunfo após ser absolvido de crime de morte de João Jovino. Naqueles dias uma volante se formava para capturar um dos maiores desafetos da família Carvalho. Sob o comando do Tenente Teófanes Ferraz Torres e contando ainda com os Carvalho: Antonio e José da Umburana e João Lucas das Piranhas, atacam São Francisco, mas não encontram Né Dadu, espancando fortemente uma negra de nome Antonia Verônica, governanta do lugar, conhecida por “Mãe Preta” e prendem o mais novo dos filhos de D. Constança, irmão de Né Dadu: Sebastião Pereira, então com 16 anos.
A represália dos Pereira veio logo em seguida, quando é morto José da Umburana em emboscada de Vicente de Marina, o morticínio continua, desta feita mais um Pereira tomba, Né Dadu morre em 16 de Outubro de 1916, vítima de covarde traição de um ex-cabra dos Carvalho, Zé Rodrigues, Zé Grande ou simplesmente “Zé Palmeira” que o matou com seu próprio rifle no lugar Poço do Amolar, na fazenda Serrinha. Esse caboclo Zé Palmeira havia se aproximado de Né Dadu após ardilosa trama traçada pelos próprios Carvalho, simulando o rompimento do referido cabra com a família inimiga. Apesar de Atento e desconfiado Né Dadu acabou sendo ludibriado pelo audacioso golpe e acabaria sendo vítima fatal do mesmo.
A morte do irmão empurrou definitivamente o mais jovem da família para o mundo do crime, nascia ali aquele que seria o mais valente de todos os cangaceiros, segundo o próprio Virgulino Ferreira: Sebastião Pereira, vulgo Sinhô Pereira.
A represália dos Pereira veio logo em seguida, quando é morto José da Umburana em emboscada de Vicente de Marina, o morticínio continua, desta feita mais um Pereira tomba, Né Dadu morre em 16 de Outubro de 1916, vítima de covarde traição de um ex-cabra dos Carvalho, Zé Rodrigues, Zé Grande ou simplesmente “Zé Palmeira” que o matou com seu próprio rifle no lugar Poço do Amolar, na fazenda Serrinha. Esse caboclo Zé Palmeira havia se aproximado de Né Dadu após ardilosa trama traçada pelos próprios Carvalho, simulando o rompimento do referido cabra com a família inimiga. Apesar de Atento e desconfiado Né Dadu acabou sendo ludibriado pelo audacioso golpe e acabaria sendo vítima fatal do mesmo.
A morte do irmão empurrou definitivamente o mais jovem da família para o mundo do crime, nascia ali aquele que seria o mais valente de todos os cangaceiros, segundo o próprio Virgulino Ferreira: Sebastião Pereira, vulgo Sinhô Pereira.
Sinhô Pereira em foto da década de 70
Partindo na sanha da formação de seu grupo, Sebastião Pereira partiu em busca do Coronel Zé Inácio, do Barro, conhecido coiteiro e protetor de bandidos, dali saiu com um grupo de 20 cabras, tendo como seu lugar tenente seu primo, Luiz Padre, rumo a Vila Bela, no Vale do Pajeú.

Sinhô Pereira, sentado e Luiz Padre, de pé
Invadindo São Francisco, depredou e queimou a loja de Antonio da Umburana e tomou a pequena vila, partindo dali para as fazendas dos Carvalho, Umburanas e Piranhas, depredando, queimando, matando animais, destruindo cercas, arrasando tudo. Os Carvalhos diante de tanta fúria se retiraram para a cidade, finalizando assim a primeira grande investida do grande cangaceiro.
Sobre a eterna peleja entre os clãs vamos ter o episódio da invasão à fazenda Piranhas, narrado por inquérito na própria delegacia de Vila Bela, como segue: “... no dia 1º corrente apresentaram-se voluntariamente a prizão os indivíduos José Alves de Barros e José de tal conhecido por José Caboclo e Francisco Alves de Barros, Cincinato Nunes de Barros, Antonio Carvalho de Barros, conhecido por Antonio da Umburana, Antonio Alves Frazão, José André, Feliciano de tal, João Ferreira, Francisco Porphirio, Antonio Teixeira, Antonio Pedro da Costa Neto, Antonio Pequeno, José Flor e João Tapia todos denunciados neste município como incursos no artigo 294 por terem morto ao cangaceiro Paixão na ocasião em que os mesmos se defendiam do ataque feito a fazenda Piranhas pelo grupo chefiado por Sebastião Pereira e Luiz Padre dos qual fazia parte o referido Paixão (Informe ao Chefe de Polícia pelo delegado de Vila Bela, 5/9/17).
Algum tempo depois Sebastião Pereira mataria o assassino de seu irmão Né Dadu, o indivíduo Palmeira, na localidade de Viçosa em Alagoas, tendo Luiz Padre sangrado o matador de seu pai Padre Pereira, Luis de França, em São João do Barro Vermelho. Em outra oportunidade na localidade de Queixada, sob a proteção do Coronel Pedro da Luz, acabou encontrando Antonio da Umburana que foi sangrado, esquartejado e queimado, assim se configurava a vingança dos primos, Sebastião e Luis Padre.
Manoel Severo
http://cariricangaco.blogspot.com
Hoje na História - 04 de Agosto de 2012
Por: Geraldo Maia do Nascimento
Em 03 de agosto de 1946 dava–se a posse do Dr. José Nicodemus da Silveira Martins como Prefeito de Mossoró, por nomeação do Interventor do Estado, cujo mandato se prolongou até 6 de marco de 1947.
Em sua gestão foi realizado o congresso Eucarístico Nacional, numa promoção do então Bispo Diocesano, D. João Batista, Portocarrero Costa.
Todos os direitos reservados
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comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.
Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:
LAMPIÃO E O CHIQUEIRO VÉIO
Por: Clerisvaldo B. Chagas - Crônica Nº 834
(Para Archimedes Marques e José Mendes Pereira)
Muito ainda se especula sobre a fortuna do bandido Virgolino Ferreira da Silva. É de fato impressionante o puxa-puxa dos que se dedicam à causa lampionesca, na tentativa adivinhatória documentada do paradeiro monetário virgoliniônico.

Bornal à cangaceira.
O grande mistério e desencanto para os pesquisadores, é que uma pessoa muita maldosa cortou a língua do dinheiro. Com o bichinho mudo, ficou mais difícil saber qual era o real poder de fogo dos embornais microbianos do chefão. Quanto tinha de fato no papo-de-ema que Lampião conduzia na cintura? E nos bornais? E nos bolsos? Qual o valor em joias e dinheiro que havia nas mãos dos seus coiteiros-bancários de confiança? Caso fosse de fato descoberto cem por cento esse enigma, outra interrogação ocuparia com muito mais força o lugar da primeira. Uma pergunta, sem dúvida, desdobrada em miríades.
Teria sido mesmo Bezerra, o sortudo ganhador do papo-de-ema, dos bornais e bolsos do comandante cangaceiro? E o tanto de joias que daria uma bacia de rosto, correu para onde? As inúmeras fazendas compradas por Ferreira escolheram quais herdeiros? Quem se denomina “pesquisador de cangaço” e outros títulos, corram para investigar e nos dizer com a certeza dos cartórios, pois o leitor exigente quer saber.
Em 1938 ─ quando as cabeças dos cabras trucidados em Angicos viajaram a Maceió ─ houve questionamento. Após a exposição em Palmeira dos Índios, cidadãos do núcleo, nas praças, barbearias, bares e portas de igrejas, indagavam uns aos outros, onde estaria a verba deixada por Virgolino. No bate e rebate das discussões, segundo o escritor Valdemar de Souza Lima, saltou um velhote da cadeira de barbeiro e falou. Disse que após a carreira de Mossoró, destroçado, via Pernambuco, Virgolino foi bater no povoado ribeirinho Entremontes, do São Francisco. Ali em Alagoas, com a pressa da passagem, arrumou uma canoa para atravessar o rio, ele e seu reduzido grupo. Numa bodega miserável apresentou-se, deixando sem fala momentaneamente a dona da espelunca. Pelo mutismo da mulher, ele mesmo escolheu a mercadoria e indagou a conta, feita por ela, que importou em cerca de trezentos mil réis.
Os entendidos calculem, então, com auxílio de um matemático, a quantidade de rolinhos pretos, como quixabas, em chiqueiro velho de caprinos, por metro quadrado. Talvez aí tenha início à solução do mistério de quanto era em contos de réis, a fortuna de Ferreira. Ê... Cabra macho sabido, medite aí sobre LAMPIÃO E O CHIQUEIRO VÉIO.
Enviado pelo escritor romancista e cronista Clerisvaldo B. Chagas
JORGE AMADO, EU SÓ QUERIA UM CAIS, UM CACAU, UMA FLOR AGRESTE... (Crônica)
Por: Rangel Alves da Costa(*)
Que Deus me perdoe o que vou fazer. Que eu não seja castigado por remoer sobre o nome de quem já se tornou apenas saudade, mas não podia, de jeito nenhum, deixar de dizer umas poucas e boas a Jorge Amado. Esse mesmo, o Amado Jorge, o escritor de cais, de cacau, de flor agrestina.
Há muito que gostaria de ter enviado uma carta raivosa endereçada à Rua Alagoinhas, 33, no Rio Vermelho, e dizendo tudo. Mas deixei simplesmente o tempo ir passando. E o tempo passou demais. Daqui a poucos dias, mais precisamente no dia 10 de agosto, estará completando cem anos de nascimento. E nascido em meio ao cacau de Ferradas, distrito da baiana Itabuna. Fruto de amor e ódio, de riqueza e morte, como tantas vezes escreveu.
O mundo literário estará em festa, toda a Bahia, do recôncavo ao sertão, também; o Brasil inteiro mais uma vez homenageará sua obra. Ora, foram 38 livros publicados e inúmeras traduções mundo afora. E só não recebeu o Nobel pelo conservadorismo daqueles velhotes da academia que jamais avistaram a beleza da flor no meio das coxas de Gabriela nem o sexo pastoril de Tieta.
Verdade é que as comemorações serão muitas, mas infelizmente, de minha parte, não posso fazer o mesmo. E não posso por muitas razões. Que digam que é inveja, raiva, ciúme, covardia, animosidade barata, coisa de gente que não tem o que fazer. Tudo bem, aceito, até mesmo porque sei que não deveria fazer isso. Mas faço.
Seu Jorge, o senhor não tinha o direito de partir assim, ainda tão cedo, devendo a cada apreciador de sua pena mais uma síntese da história brasileira a partir do fazer verdadeiro do povo. Um povo mulato, negro, branco europeu, imigrante, de religiosidade diversa, sincrética, com suas estórias de amor, paixão, ódio, vingança, piedade, descendo ou subindo a ladeira, cortando vereda, entrando na igreja, sendo recebido pelos orixás.
Isso não se faz, Seu Jorge. Os seus livros, personagens, estórias, tramas, enredos, não fizeram outra coisa senão esgotar minha criatividade. Como posso criar se tudo já foi criado e dito pela boca do coronel, da prostituta, do proxeneta, do pai e da mãe de santo, do jagunço e do servil nordestino, da matrona balofa, da mocinha sonhadora e almofadinhas forniquentos?
Como posso escrever sobre a desfeita, a ferrenha disputa entre afamados coronéis do cacau, se não me resta mais nenhum jagunço, nenhuma cartucheira pendida na sela, nenhum rifle ou mosquetão, nenhuma covardia na emboscada, nenhuma frieza na tocaiagem? Não há nem mais jeito de mandar apertar o gatilho, de fazer chegar ao ouvido do velho mandante de terno de linho que o seu inimigo havia ficado estrebuchado na curva da estrada.
Como posso descrever a vida no cais, a vida no porto, a vida marinheira, a saudosa vida, se todas as vidas já foram descritas por sua pena? Queria descrever o pescador partindo pra luta do dia, a noite chegando e nem vulto ao longe; a companheira chorosa esperando, o tempo passando e a notícia de dor. E todo o cais velando o amigo, e todo o mar chorando o conhecido, e todo homem do mar temendo não voltar no dia seguinte. Tudo já está nos seus livros, tudo isso já foi escrito.
Seu Jorge, que falasse sobre os meninos de rua, as crianças abandonadas, os pivetes de mão estendida, de mão desvalida, de mão de furto e de roubo, e também sobre aqueles capitães da areia levantando bandeiras para a revolta, mas deixasse ao menos um pouquinho dessas vidas imensas e tão pequeninas para serem descritas por outras mãos. Eu mesmo, por exemplo, queria falar sobre o menor que faz da rua um microcosmo para lutar contra as injustiças. Mas posso?
Desculpe-me dizer, mas não passaste, Amado Jorge, de um egoísta, de um inveterado larápio das coisas boas da vida e, de forma também coronelista, juntado tudo no seu feudo romancista. Comeu todas as francesas dos cabarés, fez amizades suspeitas com as maiores cafetinas, alisou as coxas lisas e branquinhas das filhas dos coronéis, emprestou a juros absurdos o sustento dos bêbados e noctívagos, trouxe a menina flor sertaneja pra cidade e depois ofereceu casa e roupa de chita.
Meu sonho maior, Seu Jorge, era ter tido oportunidade de passar a perna na sua incomparável criatividade. Quando pensasse em escrever sobre um cavaleiro e sua esperança de transformar o mundo, eu já teria escrito sobre a liberdade como luz no fim do túnel; quando tencionasse escrever sobre uma fogosa pastora de cabras, eu já teria escrito que ela não passava de uma cabra servindo de pasto para os moços carentes do agreste. Mas tem nada não Seu Jorge, tem nada não.
Fique com raiva se quiser, mas juro que bem antes eu já tinha pensado em escrever sobre o adultério fantasmagórico de Flor, a tocaia que o coronel mandou preparar para o inimigo de mesma patente, os olhos da clientela nas ancas da jovem e doce Gabriela, os sonhos revolucionários de Malvina, a safadeza de Tonico Bastos, o cajado ignorante do velho pai descendo no lombo safado da filha Tieta, o adultério mais deslavado, a fé mais verdadeira, os santos africanos comandando os terreiros e as vidas, os barcos voltando cheios de frutas olorosas, e um lenço aberto na mão à beira do cais.
Agora vou confessar uma coisa, segredo que escrevo em marca d’água e digo baixinho: li e releio seus livros todos os dias; a cada dia me encanto mais com seu maravilhoso mundo, e juro que jamais abdicarei de ser um fiel amante dessas páginas que maravilhosamente pulsam no meu sangue nordestino.
Mas peço um favor: Quando eu vender minha safra cacaueira e junto com dois capangas for fazer uma visitinha ao Bataclan, que Maria Machadão feche as portas do recinto e mande à minha presença as moças novas da casa: Gabriela, Dona Flor, Tieta e Tereza Batista. Juro que de lá sairei cansado de guerra.
Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Canudos na Telinha - Antonio Conselheiro - Os Sertões e os Sermões
O programa Tela Brasil da TV Senado apresentou em 2011 este documentário - Aqui dividido em quatro partes - que resgata a memória de Antonio Conselheiro. Figura carismática, tornou-se conhecido como o maior beato da história brasileira, liderando milhares de sertanejos em um pequeno vilarejo no sertão da Bahia, o arraial de Canudos. Direção: Maria Maia.
Créditos: Taekwonmaster/ YouTube
http://lampiaoaceso.blogspot.com
CONTRIBUIÇÃO DO LEITOR
Por: Jair Eloi de Souza (*)
UM TEMPLO À ORAÇÃO DE PADRE JOÃO MARIA, FAZENDA -TRÊS RIACHOS.
Naqueles tempos, transcorria o terceiro quartel do Século XIX. Havia uma casa rústica, o dedo de Deus e um mestre escola. O cênico caseiro; uma fagulha de carência e de precisão material, mas a aselha do saber era o adereço nobre que estava sempre ombreado à fé inabalável do Clã Cavalcanti-Brito. Para os comeres, a natureza ainda estava prenha de mel, perdizes e jacus, os cervos da caatinga e desdentados como o peba, o tatu-galinha. As aves aquáticas havia em abundância e, somadas às criações e legumes cultivados, eram a base alimentar daquele núcleo de sitiantes.
Mas as secas e o voo em travessia da asa branca fugitiva, sem comida, eram motivo de reflexão, que fazia do espírito e do estado d’alma um nicho de sabedoria e inconformismo para dois jovens daquela família. Amaro, o mais astuto, ambição de felino para evitar o ócio daquele lugar. João Maria, a mansidão e um olhar terno para a vida em comunhão cristã, de clausura, na qual em silêncio pudesse rezar e ouvir os cânticos gregorianos. Personalidades díspares, porém havia um pensamento comum entre aqueles dois varões: o de aprender a todo custo a língua mãe, o Latim. Esse idioma era o primeiro degrau e também o passaporte para aqueles infantes transporem fronteiras internas e até d’além mar.
Assim, a vontade divina e a sabedoria naqueles jovens se fazem na estrada da vida. Amaro tornara-se o jurisconsulto do Império, após oficiar como Consultor do Presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos da América, como prêmio pela tese da pós-graduação. Ainda, Ministro da Corte Internacional de Haia, na Holanda. Deputado Geral, Senador, Prefeito do Rio de Janeiro, Ministro do Império e do Supremo Tribunal Federal, deixando tratados de Direito Público ainda consultados pelos doutos.
E João Maria, o Santo? Ah!... João Maria, após a ordenação sacerdotal, tornara-se paladino da solidariedade humana. Apóstolo da assistência aos enfermos. Caminhava léguas e mais léguas, a fim de ofertar as últimas recomendações aos que estavam se despedindo deste mundo. Para as gentes pobres, a simbologia maior é endereçada para a obra apostolar e de solidariedade deixada exemplarmente por João Maria. Nenhum catequista das terras potiguares, dos sertões do Seridó, deixara legado maior com exclusividade para as gentes desvalidas na fome, na doença, que escutavam a pancada do mar.
A simplicidade caridosa de João Maria não almejava qualquer panteão que viesse a homenageá-lo, nem em vida, nem no pós-mortem. No entanto, os que sabiam ser sua obra de assistência dimensional, seja no plano material ou nas instâncias das coisas celestiais, nominaram-no em praças, logradouros, artérias citadinas. Jardim, seu berço, pois, é onde fica o antigo feudo Logradouro, hoje Fazenda Três Riachos, fizera um pouco mais. Construíra no lugar onde João Maria, o santo, esboçara o primeiro sopro de vida, um altar templário e sacro, para a comunhão dos cochichos da fé cristã. Quem sabe se não venha levantar-se de seu silêncio em Deus e faça renascer uma nova Jardim, na busca da cura dos dependentes em drogas, no respeito ao ancião, na melhor assistência à saúde das crianças pobres, na lisura quando no trato do dinheiro público, não só na forma zelosa quanto à utilização, mas, sobretudo, naquilo que traduza mais serventia.
A alma de Padre João Maria é uma eternidade, habita um lugar de destaque na Corte Celestial, mas, não acredito que continue em silêncio e não venha iluminar os caminhos da vida, do renascimento de uma Jardim, que utilize melhor a inteligência e bravura do seu povo.
Em tempos de lua crescente/2012.
(*) Professor de Direito da UFRN e escriba da cena sertaneja.
Fonte: Alcimar Araújo
Fonte: Alcimar Araújo
Extraído do blog: Edna Araújo
Na PARAIBA é assim...
*** COPIADO DO JORNAL da PARAÍBA...

fonte: blog do Juazeiro
Carros de som devem ter licença da Semam para propaganda eleitoral em João Pessoa - Publicado em 21/07/2012
Carros de som devem ter licença da Semam para propaganda eleitoral em João Pessoa - Publicado em 21/07/2012
Os proprietários de carros de som, trios elétricos e motocicletas, entre outros, que atuarão com propaganda eleitoral, têm que retirar Licença Ambiental ou Autorização Ambiental na Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam). Para os veículos que circularão apenas durante a campanha eleitoral, será emitida a Autorização Ambiental. Já para os carros de som que circulam em qualquer período do ano é necessária a retirada da Licença Ambiental.
O valor do pagamento da Guia de Recolhimento é calculado com base na Unidade de Referência Fiscal (Ufir), considerando as características do veículo e a potência do equipamento de som. Não está autorizada a propaganda eleitoral em equipamentos de som instalados nos porta malas de carros de passeio.
Depois de dar entrada na documentação, os técnicos da Semam farão a aferição do som. A chefe da Divisão de Fiscalização da Semam, Anna Patrícia Ferreira de Araújo, explicou que é preciso respeitar o limite de horário, das 8h da manhã às 22h, todos os dias da semana, estabelecido pela Resolução nº. 23.370/2011, do Tribunal Superior Eleitoral.
Outras informações podem ser obtidas na Semam, pelo telefone 3218-9200, ou na sede da secretaria, localizada no Centro Administrativo Municipal (CAM), na Rua Diógenes Chianca, 1777, em Água Fria, das 14h às 18h, horário de atendimento ao público.
Documentação – Os usuários devem dar entrada na documentação na Divisão de Fiscalização da Semam, levando:
Documentos pessoais; Documento do veículo como o DUT, que traz a especificação do Detran (se é trio elétrico, recreativo, reboque, motocicleta equipada com caixa de som, de acordo com a resolução do Contran); Foto demonstrando o veículo, o equipamento de som e a placa, devidamente inspecionado e carimbado pelo Detran; Cópia do Certificado de Segurança Veicular (CSV), nos casos de motocicletas; Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do responsável elétrico e mecânico, nos casos de veículos com três eixos; Autorização do proprietário do veículo para utilização do mesmo como veículo de propaganda; Comprovação do vínculo entre o solicitante e o proprietário, quando o veículo estiver em posse de terceiros (casos de alugados ou com contrato de compra e venda); Guia de Recolhimento, emitida na Semam, devidamente quitada.
O valor do pagamento da Guia de Recolhimento é calculado com base na Unidade de Referência Fiscal (Ufir), considerando as características do veículo e a potência do equipamento de som. Não está autorizada a propaganda eleitoral em equipamentos de som instalados nos porta malas de carros de passeio.
Depois de dar entrada na documentação, os técnicos da Semam farão a aferição do som. A chefe da Divisão de Fiscalização da Semam, Anna Patrícia Ferreira de Araújo, explicou que é preciso respeitar o limite de horário, das 8h da manhã às 22h, todos os dias da semana, estabelecido pela Resolução nº. 23.370/2011, do Tribunal Superior Eleitoral.
Outras informações podem ser obtidas na Semam, pelo telefone 3218-9200, ou na sede da secretaria, localizada no Centro Administrativo Municipal (CAM), na Rua Diógenes Chianca, 1777, em Água Fria, das 14h às 18h, horário de atendimento ao público.
Documentação – Os usuários devem dar entrada na documentação na Divisão de Fiscalização da Semam, levando:
Documentos pessoais; Documento do veículo como o DUT, que traz a especificação do Detran (se é trio elétrico, recreativo, reboque, motocicleta equipada com caixa de som, de acordo com a resolução do Contran); Foto demonstrando o veículo, o equipamento de som e a placa, devidamente inspecionado e carimbado pelo Detran; Cópia do Certificado de Segurança Veicular (CSV), nos casos de motocicletas; Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do responsável elétrico e mecânico, nos casos de veículos com três eixos; Autorização do proprietário do veículo para utilização do mesmo como veículo de propaganda; Comprovação do vínculo entre o solicitante e o proprietário, quando o veículo estiver em posse de terceiros (casos de alugados ou com contrato de compra e venda); Guia de Recolhimento, emitida na Semam, devidamente quitada.
Fonte: Redação com Secom/JP
Enviado pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas
Hoje na História - 02 de Agosto de 2012
Por: Geraldo Maia do Nascimento
No dia 02 de agosto de 1912 deu–se a inauguração do Colégio Sagrado Coração de Maria, com afluência de famílias e populares, além de autoridades do município, dentre estas o Tent. Cel. Cunha da Mota, vice-Presidente do Conselho Municipal, em exercício, Padre André de Araújo, diretor do Colégio Diocesano Santa Luzia, Cel. Bento Praxes e Tércio Rosado Maia.
A direção do referido estabelecimento de ensino destinado ao sexo feminino foi entregue às Irmãs Franciscanas Hospitaleiras Portuguesas, refugiadas e expatriadas de Portugal pela perseguição religiosa de 1910.
As Irmãs Maria Leocádia do Menino Jesus (primeira Diretora) e suas auxiliares, Irmãs Rosária de São Francisco, Maria do Divino Coração, Maria da Visitação e irmãs Helena e Rute, estavam já dois meses em Mossoró, hóspedes do industrial Raimundo Fernandes, delineado planos que adotariam para a edificante missão que tomariam de responsabilidades.
O prédio do Colégio, construído em precária situação em 1904, passou por reformas por iniciativa e às expensas do poder público municipal.
Sua capela, de invocação a S. Francisco de Assis, foi construída em 1917.
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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:
Vilma Maciel na Bienal do Livro
Antônio Vilela, Ângelo Osmiro, Vilma Maciel e Kiko Monteiro
É com muita satisfação que convidamos a todos os amigos da Família Cariri Cangaço para prestigiar a presença de nossa querida amiga Vilma Maciel na Bienal do Livro, no próximo dia 12 de agosto no Parque de Eventos do Anhenbi em São Paulo.
A escritora de Juazeiro do Norte estará no Stand da Biblioteca 24 horas e apresentará suas obras: Caminhos Femininos, Lampião Luta, Sangue e Coragem. É esperar e conferir. Todos a Bienal !
Cariri Cangaço
http://cariricangaco.blogspot.com
LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE
Autor: Archimedes Marques
Preço: R$ 50,00
BANCO DO BRASIL
Agência: 3088-0
Conta: 33384.0
Em nome de Elane Lima
Marques (Minha esposa).
E-mail
UMA VELA ACESA (Crônica)
Por: Rangel Alves da Costa(*)
UMA VELA ACESA
Ai se os meus olhos, diante dessa vela acesa, apenas enxergassem a luz, apenas vissem a chama, apenas sentissem o lume tremulando o seu instante! Ai se meu olhar não se transformasse em chama, não brandisse aceso, não subisse aos céus! Eis que essa vela acesa surge diante de mim além do objeto, além da cera e pavio, para receber minha fé e ser muito mais do que apenas a valsa da luz a flamejar na semiescuridão.
Não sei perante os outros, vez que a fé, a devoção e a religiosidade são muito próprias em cada um, mas em mim o ato de acender uma vela é o mesmo que entrar numa igreja, que assistir missa, que subir na montanha para segurar na mão de Deus, que dialogar com a divindade sobre o meu ser tão sem palavras. No fósforo, o passo, no pavio, o templo; na chama, o portal.
Manhã ou noite, qualquer hora que sinta necessidade de fortalecimento espiritual, de proteção, na intenção de alcançar uma graça, a pessoa segue em direção ao oratório ou qualquer outro lugar onde possa expressar sua fé, e então, após o ritual de chegada, acende uma vela e põe-se contrito para que a mente e os lábios leiam o livro da alma:
“Eis-me aqui, ajoelhado a teus pés, orando a prece maior, invocando aos céus e pedindo do fundo do peito que atendei os meus clamores. Eis-me aqui, cheio de fé e de devoção, humilde servo do teu piedoso gesto, clamando um clarear meu destino nesta estrada sombria. E veja, e sinta o meu semblante nesta vela acesa!”
Após esse instante de clamor e devoção, de expressão da espiritualidade religiosa e da fé, a pessoa retoma o seu cotidiano e a vela fica flamejando no seu cantinho. Para alguns, a cera e o pavio que vão queimando lentamente fazem parte apenas daquele momento ritualístico, sem qualquer importância futura. Já para outros é bem diferente.
Diferente, e com razão. A simples vela em si, enquanto objeto de cera com um pavio no seu interior e que serve como fonte de luz, já é vista de modo diferenciado. Quem deseja iluminar um ambiente onde não há energia elétrica, o faz com candeeiros ou lampiões, mas não especificamente com vela. Ao ser adquirida, esta certamente terá por objetivo outro uso, que será o religioso.
Mesmo quando são adquiridas para fins decorativos, as velas não perdem aquela feição de religiosidade. As pessoas apenas transferem o uso nas igrejas para suas residências. Do adorno ritualístico, tão comum sobre a mesa na celebração de missas e batizados, onde geralmente são colocadas em castiçais por cima de toalhas lindamente trabalhadas, passa a enfeitar os ambientes residenciais. E ainda aí aquela inspiração religiosa.
E basta que uma dessas velas seja acesa para ganhar outra significação, e já diferente da que se tem na igreja. E isto porque uma vela acesa na igreja não possui a mesma intencionalidade espiritual que uma acesa dentro de um lar. Ali é abrangente, amplamente significando a chama da crença e da fé, a presença divina, enquanto cá, no recanto de cada um, tem-se essa crença e essa fé internalizada espiritualmente, expressando o sentimento mais íntimo.
Ainda nesse passo, cabe ao olhar que se lança sobre a vela dar o seu significado. Seja na igreja, no lar ou em qualquer outro lugar, a vela não passará de simples chama se do seu fulgor flamejante não surgir um portal para o encontro com a divindade, a santidade, os seres angelicais. Diante da chama, a cada um caberá saber caminhar por entre seus mistérios, sua força e a intencionalidade do ser diante da luz.
O olho que mira a vela, sente a chama amarelo-avermelhada dançando para iluminar, não se contenta em apenas sentir a claridade, pois logo sente que o seu espírito procura ultrapassar aquela luz e logo se transformar numa momento indescritível: sentir a presença maior, se envolver por incontida fé, se entregar aos rogos para ser ouvido. É um diálogo tão intenso, travado entre o semblante e a chama, que de olhos fechados a pessoa se sente como iluminada.
E tão iluminada que pode enxergar a face de Deus!
Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
O cangaceiro Alvoredo foi assassinado por dois meninos
Por: Rubens Antonio


Esta foto foi cedida gentilmente pelo pesquisador e colecionador do cangaço, Doutor Ivanildo Alves da Silveira
Cangaceiro Arvoredo... Hortêncio Gomes da Silva, e uma imagem, cuja dificuldade para conseguir foi grande, mas, graças ao senhor Raimundo, de Jaguarari, ex-cunhado de João Biano, e a gentileza imensa da filha e do filho deste valente matador de Arvoredo, aqui a única foto existente... de João Biano:

Muito chamado por "João Biana" é uma alteração posterior ao evento da morte de Arvoredo.
O nome correto do matador de Alvoredo é João Biano da Silva. No texto de Oleone Fontes, em seu livro "Lampião na Bahia", aparecem os matadores citados como Xisto e João Martins da Silva... Este erro apenas reproduz o cometido pelo coronel Alfredo Barbosa, de Jaguarary, que, à época do evento, relatou-o, errando no nome de João.
Chegam de Jeremoabo os cangaceiros entregues... alguns já em trajes civis... outros ainda "cangaceirados"...
São Eles:
Zé Sereno, Criança, Balão, Jurity, Novo Tempo, Pernambucano, Laranjeira, Candeeiro, Ponto Fino II, Quina-quina, Marinheiro, Cacheado II, Beija-Flor, Devoção, Borboleta, Chá Preto, Penedinho, Cuidado, Azulão.
Fonte: "Blog Cangaço na Bahia", do professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio
http://cangaconabahia.blogspot.com
Hoje na História - 01 de Agosto de 2012
Por: Geraldo Maia do Nascimento
Em 01 de agosto de 1926 dava–se a inauguração da paróquia do Sagrado Coração de Jesus, criada por provisão de D. José Pereira Alves, Bispo de Natal.
A cerimônia foi realizada na referida igreja, após missa celebrada pelo missionário Pe. Aníbal Coelho, nomeado seu primeiro vigário.
O Monsenhor Almeida Barreto proferiu a leitura da pastoral, declarando a criação da nova paróquia.
O ato esteve acolitado pelos Padres Luiz da Mota e Raimundo Subirana,
A cerimônia foi realizada na referida igreja, após missa celebrada pelo missionário Pe. Aníbal Coelho, nomeado seu primeiro vigário.
O Monsenhor Almeida Barreto proferiu a leitura da pastoral, declarando a criação da nova paróquia.
O ato esteve acolitado pelos Padres Luiz da Mota e Raimundo Subirana,
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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:
Corisco, um "diabo" não tão louro assim.....
Notícias do Futuro: Encontrada antiga imagem do cangaço. Estudiosos do assunto afirmam que o cangaceiro desconhecido pode ser "Sorrisinho", o homem que treinou Lampião.
Daniel Abreu
cariricangaco.blogspot.com
Adendo
Talvez eu ainda não entendi o que quer dizer o pesquisador. Mas com todo respeito, peço desculpas ao pesquisador Daniel Abreu. A foto acima é uma montagem. Se eu não entendi a sua mensagem, desculpa-me a minha caduquice.

blogdomendesemendes.blogspot.com
Zé do Telhado - Bandoleiro de Portugal
Zé do Telhado, titular da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, permanece no imaginário popular como um assaltante que roubava aos ricos para dar aos pobres. O mito e as lendas têm servido para ocultar um processo judicial feito de mentiras e provas forjadas.
Na campa, onde jaz, consta uma data de nascimento igualmente falsa. As quadrilhas integravam padres, morgados, administradores, empresários e alfaiates. Nunca foram julgados. A História reconduz-nos a julgamentos recentes, alguns dos quais da actualidade...
Na noite de 16 para 17 de Março de 1857, Zé do Telhado é já alvo de uma caça ao homem sem precedentes. Tinha renovado a quadrilha, agora constituída por Zé do Telhado e o irmão Joaquim, António da Cunha, o Silva mestre pedreiro, a senhora Tomásia, Joaquim Pinto e a mulher, donos de uma estalagem, o Morgado António Faria, o padre Torquato José Coelho Magalhães, o alfaiate Miguel Exposto, o Morgado da Magantinha(António Ribeiro de Faria) e o administrador Albino Leite.
Zé do Telhado resolve pernoitar em Amarante, cujo administrador, José Guedes Cardoso da Mota, fora avisado que o fugitivo passaria a noite na casa de Manuel Teixeira, do Sardoal.
Cabos de ordens, tropas de caçadores e regedores das freguesias são mobilizados em peso para a captura, cujo comando fora confiado ao regedor Alves, de São Gonçalo.
Cercaram a casa durante a noite. Mal irrompessem os primeiros raios de sol, por imposição legal, o assalto e as prisões consumar-se-iam. A mulher do dono da casa, quase de madrugada, apercebeu-se do cerco e tentou alertar Zé do Telhado, entretanto ocupado a cuidar do visual. Nas situações mais dramáticas, o homem cofiava a barba hirsuta, ajeitava o paletó, empertigava a peitaça frente ao espelho.
Dirigiu-se a uma janela e interpelou um dos cabos. ”Quem anda aí? – as palavras de Zé do Telhado rasgaram a noite gelada. A resposta chegou e trazia mau augúrio: ”É o regedor da freguesia. Por ora não queremos nada, o que queremos será mais logo”. O foragido dirige-se para o lado oposto da casa e abre outra janela. ”Tu, que estás detrás do carvalho, sai!.. senão morres!”
Ao grito da última palavra, colou-se um tiro que aterrorizou a patroa. “Entregue-se, senhor, que eles não lhe fazem mal” – ajoelhou-se a mulher. Zé do Telhado nem ouviu. Ao nascer do dia, para surpresa geral, abre a porta de casa e aparece de peito feito. Desce os degraus e simula que se vai entregar. Em tropel, a tropa lança-se sobre a criatura. O gesto é fulgurante - recua, entra de novo em casa, bate com a porta, foge pelas traseiras, galgando um monte.
Os sitiantes seguiram-lhe no encalço. Sentindo-se perseguido, desfechou um tiro. Depois, outro. Estava morto o regedor Alves, comandante do pelotão destroçado.
A verdade histórica confronta-se, hoje, com as versões oficiais e a lenda de José Teixeira da Silva, nascido em 1818 no lugar do Telhado, freguesia de Castelões de Recezinhos, concelho de Penafiel.
Aos 14 anos, o garoto muda de ares e vai residir para casa do tio João Diogo, no lugar de Sobreira, freguesia de Caíde de Rei, concelho de Lousada. Castrador e tratador de animais, acolhe o sobrinho, interessado em aprender o ofício. Diogo tinha vida abastada e deu abrigo a José Teixeira da Silva durante cinco anos.
Agosto quente, festa da Senhora da Aparecida, 13 de Agosto, dia de folguedo geral no lugar. José Teixeira descobre o aceno de um lenço branco por detrás de uma janela, na casa onde morava.
Ana Lentina, a prima, faltara ao festim. Afogueado, o moço galga o portão e corre para os braços da prima. Um beijo subtil e cinco palavras de amor selaram uma paixão que acabaria em casamento e tragédia. Tinha 19 anos.
Pouco depois, assenta praça no quartel de Cavalaria 2, os “Lanceiros da Rainha”. Corria o mês de Julho de 1837. Rebenta a “Revolta dos Marechais”, contra o partido dos setembristas e pela restauração da “Carta Constitucional”. Os lanceiros alinham com os revoltosos, desbaratados a 18 de Setembro.
O general Schwalback, líder da insurreição, foge para Espanha e leva José Teixeira, que se distinguira em combate. A caminho do exílio, o intrépido recebe a notícia de que o tio, finalmente, abençoara o seu casamento com Ana.
Regressado com um perdão a Portugal, troca alianças a 3 de Fevereiro de 1845. A 7 de Novembro, nasce a primeira filha do casal – Maria Josefa.
Grassava no país uma revolta larvar contra o governo de Costa Cabral. O povo, ajoujado a impostos e arbítrios, aproveita a publicação da “Lei de Saúde Pública”- que proíbe os funerais nas igrejas e impõe aos cadáveres um exame por mandatários do governo, em detrimento dos cirurgiões locais – e amotina-se por todo o Minho contra as “papeletas da ladroeira”.
Estala a 23 de Março a “Revolução da Maria da Fonte”, liderada por mulheres. As quatro cabecilhas da revolta são presas dois dias depois, mas o rastilho espalha-se a Trás-os-Montes.
Há soldados que desertam para o lado dos insurretos. Chaves adere, depois Póvoa de Lanhoso, Vila Real, Guimarães. Centenas de revoltosas são presas pelos soldados e libertadas por companheiras.
José Teixeira foi o líder militar da insurreição, à qual aderiram pés descalços e o General-Visconde de Sá da Bandeira, às ordens de quem fica o sargento Silva. Logo se distingue na expedição a Valpaços.
Os actos de bravura, despojamento, apurado instinto militar, num combate que perdeu, valeram-lhe a mais alta condecoração que ainda hoje vigora em Portugal: a ” Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito”.
O pior viria depois.
Derrotado, aconchega a condecoração, tira as divisas de sargento e voa como um pássaro para os braços da mulher e dos cinco filhos. Os vencedores atacaram a canalha. José Teixeira é perseguido, atola-se em dívidas por impostos que não consegue pagar e é expulso das Forças Armadas.
Não há quem lhe dê ofício, a todas as portas bateu – todas se lhe fecharam.
Assim nasce o Zé do Telhado que faria lenda.
Nesse tempo, Custódio, o “Boca Negra”, capitaneava a maior quadrilha de bandoleiros que aterrorizou as duas beiras em 1842. Conhecia, de gingeira, as façanhas militares de José Teixeira.
Ferido num dos assaltos, “Boca Negra” leva Teixeira a um casario meio abandonado onde se acoitava o bando. Apresentam-se à luz da vela - o “Tira-Vidas”, “O Girafa”, o “Sancho Pacato” o “Veterano” e o “Zé Pequeno”. Para o assalto do dia seguinte, “Boca Negra”, o líder ferido, informa a quadrilha que José Teixeira o substituiria no comando.
A bola de neve cresceu, imparável.
Zé do Telhado faz e reorganiza quadrilhas, ganha fama de generoso e audaz pelas vítimas que escolhe para os assaltos e o destino do dinheiro ou das jóias – os desgraçados com que se cruzava e, antes de tudo, a “ minha rica mulher e os queridos filhinhos”,como os viria a chamar, mais tarde, ao companheiro de prisão Camilo Castelo Branco.
A fama do bandoleiro atravessa o país. O temido Zé do Telhado emite, aos que estimava, um salvo conduto com a sua assinatura e esta informação:” O portador deste salvo-conduto pode passar livremente e mando que o ajudem quando for preciso”.
Com as autoridades no seu encalço por todo o país, mil vezes o cercaram, mil vezes se escapuliu o tenebroso. Vendo-se perdido, decide fugir para o Brasil. Escondeu-se na barca “Oliveira”, acostada no Porto, onde lhe dera guarida nos últimos três dias Ana Vitória, uma das suas vítimas que passou a idolatrá-lo e sobre quem disse haver pessoas “de bem que nunca deram às classes humildes um centésimo do que lhes deu Zé do Telhado.” Desarmado e a horas de zarpar, Zé do Telhado é preso no esconderijo, a 5 de Abril de 1861.
Às dez da manhã do dia 25 de Abril, começa no tribunal de Marco de Canaveses o julgamento de José Teixeira da Silva
No dia 27, às duas da madrugada, o júri, presidido pelo juíz António Pereira Ferraz, considerou Zé do Telhado culpado da prática de doze crimes. Roubos, um homicídio, organização de quadrilha de assaltantes e a tentativa de evasão sem passaporte.
“Condeno o réu José Teixeira da Silva da freguesia de Caíde de Rei, comarca de Lousada, na pena de trabalhos públicos por toda a vida na Costa Ocidental de África e no pagamento de custas” – assim determinou o tribunal.
O julgamento, sabe-se hoje, foi uma farsa. Uma consulta, ainda que superficial, a todos os documentos oficiais que constam no Tribunal da Relação do Porto e no Arquivo Distrital do Porto não deixam qualquer margem para dúvidas.
Alguns dos membros das quadrilhas chefiadas por Zé do Telhado foram arroladas pela acusação e safaram-se. Morgados, padres, administradores e regedores que tinham cometido os mesmos crimes do réu nunca seriam acusados ou perseguidos. Várias testemunhas de acusação nada viram, de tudo souberam por terem ouvido.
Consta do processo que António Ribeiro, pedreiro, ”ouviu dizer que fora o querelado José do Telhado a roubar”. Alexandre Nogueira, comerciante, “não sabe que armas feriram o regedor se as do querelado se as dos sitiantes”. António da Silva, lavrador, “soube pelo ouvir dizer do padre roubado que o Zé do Telhado fora um dos que penetrara dentro da casa armado e isto tem ouvido ao povo”. Manuel de Sousa, lavrador, disse que “ sabe por ser bem público que tivera lugar o roubo de que se trata no dia pela forma que nos autos se declara”. Timóteo José de Magalhães, lavrador, “ disse que sabe pelo ter ouvido ao povo que tivera lugar o roubo de que se fala nos autos”. Francisco Moreira da Cunha, lavrador, “ouviu dizer e ser público e notório que o réu José Teixeira e o irmão estavam para embarcar para o Brasil”.
Só um tiro sairia pela culatra à acusação. Francisco António de Carvalho, lavrador, afirmou que “ o Zé do Telhado pagava crimes que não tinha cometido e ouviu dizer que se havia combinado com o administrador do concelho para imputar os dois crimes de roubo ao Zé do Telhado”.
Os quadrilheiros nobres evadiram-se para o Brasil, como sucedeu com o padre Torcato, ou colaboraram com a acusação, a troco da ilibação. O historiador Campos Monteiro analisou os autos e emitiu um parecer a este respeito:
“É de crer que nesta altura se movimentassem altas influências tendentes a ilibar estas parelhas de bandidos engravatados. O facto é que saíram em liberdade. E é natural que o administrador, ao mesmo tempo que os inocentava, procurasse aproveitá-los”.
O caso da ilibação do Morgado da Magantinha está igualmente documentado nos autos. Após a fuga do padre Torcato, a acusação subornou a testemunha António Eliziário que, perante o juíz, afirmou saber que “Margantinha foi um dia convidado pelo padre Torcato a ir ter à capela de Santa Águeda e, indo ali, o encontrou com alguns membros da quadrilha e quatro bois roubados”, pedindo-lhe “ o padre que tomasse conta dos bois para os vender, mas o Margantinha recusou-se”.
A verdadeira história do mito Zé do Telhado está mal contada, a começar pela data de nascimento que lhe é atribuída – na campa aparece 1815, em vez de 1818 – e culminando no julgamento relâmpago que durou menos de dois dias úteis.
Foram subtraídas testemunhas indispensáveis, promovidas declarações falsas e adulterados os critérios de escolha dos jurados. Em vez do sorteio, foram escolhidos a dedo conhecidos inimigos de Zé do Telhado. Condenado ao degredo, José Teixeira da Silva desembarcou em Luanda, seguindo para Malange, onde viveu cerca de um ano.
Palmilhou cada légua das terras da Lunda.
Fez-se negociante de borracha, cera e marfim.
Casou-se com uma angolana, Conceição, de quem teve três filhos. Cresceu-lhe a barba, até ao umbigo.
Era, para os angolanos, o “quimuêzo” – homem de barbas grandes. Viveu desafogado, financeiramente. As saudades da mulher e dos cinco filhos levaram-no mais cedo. Morreu, moído de remorsos, aos 57 anos. Sepultado na aldeia de Xissa, a meia centena de quilómetros de Malange, os negros ergueram-lhe um mausoléu. Hoje, fazem-se romagens à campa do mito.
Os anciãos de Malange dizem que, embora fosse um homem austero, tinha um grande coração e nunca deixava cair um pobre.
O julgamento de Zé do Telhado iniciou-se em 25 de Abril de 1859, com acusação pública em 9 de Dezembro do mesmo ano. Foi condenado na pena de trabalhos públicos por toda a vida, na costa ocidental de África e no pagamento das custas. Esta pena foi mantida pelo Tribunal da Relação do Porto, cujo acórdão de sentença substituiu a expressão "costa ocidental de África", por "Ultramar".
Por acórdão da mesma instância, foi comutada a pena aplicada na de 15 anos de degredo para a África Ocidental, que contou desde a data de publicação do Decreto de 28 de Setembro de 1863.
A condenação deu como provados os seguintes crimes: tentativa de roubo, na forma tentada, em casa de António Patrício Lopes Monteiro, em Santa Marinha do Zêzere, comarca de Baião, homicídio na pessoa de João de Carvalho, criado de Ana Victória de Abreu e Vasconcelos, de Penha Longa, Baião, roubo na casa de referida senhora (Casa de Carrapatelo) de objectos de ouro e prata no valor de oitocentos mil e um conto de reis e algumas sacas com dinheiro, cujo valor a queixosa calculou em doze contos de reis, ainda que revelasse desconhecer os montantes visto que o dinheiro se encontrava na casa mortuária onde jazera, poucos dias antes, seu pai, e, após isso, ela ainda nem sequer lá voltara a entrar, roubo em casa do Padre Padre Albino José Teixeira, de Unhão, comarca de Felgueira, no valor de um conto e quatrocentos mil reis em dinheiro e ainda objectos de prata e outro, outro homicídio na pessoa de um correligionário, ferido num confronto com as autoridades.
Para além de outros crimes de roubo e de resistência à autoridade, foi também condenado como autor e chefe de associação de malfeitores e de tentativa de evasão do reino sem passaporte, com violação dos regulamentos policiais.
Este texto será publicado num semanário de circulação nacional, cujo director me autorizou que fosse dado em primeira mão a este jornal
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