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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ratos? Nunca mais. DICA...



REPASSANDO...

"VENENO" ECOLÓGICO PARA MATAR RATOS.
     
Nossos cientistas são feras mesmo!
Método usado por criadores de pássaros!
COMBATENDO OS RATOS.
                 
"Mudei-me há poucos meses para o primeiro andar de um prédio e, como todo paulistano, estou sendo vítima desses indesejáveis hóspedes...
Pergunta daqui, pergunta dali...
Uma amiga me disse que feijão triturado matava ratos, mas não detalhou.
Fui pesquisar e descobri esse estudo da Universidade Federal de Pelotas".
                 
Como fazer:

a) Pegue uma xícara de qualquer feijão cru (sem lavar mesmo);

b) Coloque no multiprocessador ou liquidificador (SEM ÁGUA);
c) Triture até virar uma farofinha bem fininha, mas sem virar totalmente pó.

Onde colocar:
                   
Coloque em montinhos (uma colher de chá) nos cantos do chão;

a) Perto das portas;

b) Janelas (SIM... eles escalam as janelas...)
c) Atrás da geladeira;
d) Atrás do fogão;
e) À beira de esgotos, de córregos e valas, em ruas e/ou alamedas, por exemplo.

OBS.: O custo é muito barato e a eficácia é muito elevada!

O rato come essa farofinha, mas não tem como digerir o feijão (cru), por falta de enzimas digestivas ou substâncias que digerem feijão cru. Isso causa aos ratos envenenamento natural por fermentação. Todos os que ingerem morrem!

A população de ratos se extingue em três dias no entorno da área em que o farelo do feijão cru foi colocado.
DETALHE IMPORTANTE:

a) Ao contrário dos tradicionais venenos (Racumim, por exemplo), o rato morre e não contamina animais de estimação. E a quantidade de feijão que ele ingeriu e o matou é insuficiente para matar um cão ou gato, mesmo porque estes gostam de MATAR pra comer... Mas animal morto, eles não comem. E não há evidências de que o farelo do feijão cru faça mal a gatos e cachorros, pois, eles têm enzimas digestivas capazes de metabolizar esse alimento.

b) Se tiver crianças pequenas (bebês), ainda em período de engatinhamento, que colocam tudo na boca, não faz mal algum, pois o feijão para o ser humano, mesmo cru, é digerido. Mesmo assim, é preciso colocar o "veneno" em lugares seguros, longe do alcance das crianças, isto é, onde crianças não costumam transitar, porque a urina de ratos, em alimentos (no feijão triturado, no caso) pode conter Leptospirose, contaminação microscópica que pode matar seres humanos de qualquer idade, se não tratadas a tempo! Só isso, como cuidado!

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço: 
Kydelmir Dantas

O JAGUNÇO TRAIÇOEIRO

Por: José Leandro

1925 foi o ano da morte de meu pai. No dia 13 de junho de 1925, eu estava dormindo na casa da minha irmã, na cidade. Cerca de meia-noite, surgiu um tiroteio para as bandas da cadeia pública. Era um tiroteio cerrado que durou cerca de meia hora. No dia seguinte, toda a cidade tomou conhecimento do fato: Pedro Costa soube que alguém da dele havia pegado o Chagas Firino em flagrante com sua empregada da cozinha. Chagas de cor branca e a empregada, Maria Preta, de cor preta. Tomando conhecimento do caso, o chefe político do município, Antonio Correia, mandou chamar a Chagas Firino em sua casa e convenceu-o de que o local mais seguro para ele era a cadeia pública, com guarda policial durante o dia e a noite, e que ele reforçaria a guarda com uns seis ou oito cangaceiros armados. O Chagas aceitou o argumento e trataram de pô-lo em prática.
  
Antonio Correia conhecia Pedro Costa e sabia que ele ia se sentir desrespeitado e possivelmente tomaria medidas drásticas. Pedro Costa ficou desesperado quando soube da medida tomada por Antonio Correia. Seguiu para a sua Fazenda Umari, e lá, reuniu um sobrinho, um enteado, um primo e mais oito cangaceiros, com ele formando um grupo de doze homens. Entre eles estava um cangaceiro que sempre foi de Antonio Correia, mas tinha se desgostado por causa de uma prisão feita pela policia. No caminho para a cadeia, um soldado passou a mão no fundo das calças dele e disse: “Deixa ver se ele está brelhado?” João encolheu-se e com uma rasteira e o braço derrubou três soldados. Como era seis soldados, levaram vantagens, deram-lhe umas cacetadas. O nome desse cangaceiro era João Ricardo, era um cangaceiro valente e perverso. Quando saiu da prisão, fugiu da cidade e foi se oferecer a Pero Costa para morar na Fazenda Umari. Pedro Costa aceitou para fazer afronta a Antonio Correia. No dia do plano de Pedro Costa para seqüestrar o Chagas Firino da cadeia, ao se prepararem na Fazenda para seguirem, João Ricardo pediu a Pedro Costa para ir na frente a fim  de tomar a bênção a sua mãe nas proximidades da cidade, onde morava a velha. Pedro Costa consentiu. João Ricardo seguiu de chicote fincado no burro a toda carreira, foi direto para a casa de Antonio Correia e avisou o plano de Pedro Costa. Em minutos, Antonio Correia reuniu cerca de dez cangaceiros, incluindo o próprio João Ricardo, e mandou reforçar a guarda da cadeia.
  
Quando Pedro Costa se aproximou uns 100 metros da cadeia, foi recebido à bala, se ocultaram por trás da casa onde morava o pai de Chagas Firino, o velho Chico Firino. Tiroteio durou uma meia hora, o Pedro Costa se convenceu da impossibilidade de vitoria, quebrou a porta da casa do velho Chico Firino e seqüestrou-o seguindo para Arneiroz, nos Inhamuns, onde tinha grande parte de seus parentes, passando antes  no sítio Serrote, onde estava  a Maria Preta já pronta para viajar. Seguiram sem parar aquelas vintes léguas.
  
No dia seguinte, meu pai, já acometido de uma congestão ou “ramo” como diziam os camponeses, causada por ele estar dormindo num quarto abafado e se levantou atendendo um chamado de um vizinho, disse a uma pessoa de casa: “Eu estou sentindo uma coisa ruim no corpo”. Quando o dia clareou, foi para a cidade e lá andou fazendo alguma gestões para ver se acalmava aquela situação. Começou demonstrar agitação. Voltou para a casa e constatamos o seu estado de saúde. Já não falava mais certo, tivemos que prendê-lo num quarto e ficar de quatro a cinco homens para impedir que ele saísse correndo. Não se alimentou mais de coisa nenhuma, nem bebeu água. Durou apenas doze dias e morreu  de fome e sede, com a casa cheia de mantimento.
   
Durante a sua doença, apareceu um político e parente dos Inhamuns, Antonio Colô, o qual pertencia à mesma corrente política no Estado a que pertencia Antonio Correia. Vinha tentar uma reacomodação para Pedro Costa voltar, visto que não tinha cabimento continuar mantendo Chico Firino como refém para trocar pelo filho Chagas, a fim de casá-lo com Maria Preta. Antonio Correia disse àquele seu correligionário que o Pedro Costa podia voltar trazendo o velho Firino, que nada lhe aconteceria. Era 25 de junho de 25.
  
Havia na cidade um farmacêutico prático muito entendido. Chamava-se Raimundo Siebra e tinha um filho que era igual a ele, Jorge, que vivia curando doentes por todo município. Morava em sua fazenda – Fortuna – mas demorava temporada na casa de seu pai na cidade. Era um político agitado, como Pedro Costa, e também adversário do Antonio Correia, ao ponto de João Ricardo juntar-se ao a um irmão e outro rapaz e seguirem em direção à Fortuna, disposto a matar Jorge Siebra. Chegaram no Sanharol, no dito sitiozinho de meu pai, à  meia-noite, quando começou uma chuva fina. Os três bandidos saíram da estrada e se encostaram no alpendre da casa de Antonio Preto. Este estava acordado, levantou-se e ficou junto da porta escutando aquela conversa dos homens estranhos. Um deles insistia em perguntar para onde iam e o que iam fazer. Diante da insistência, um que parecia ser o chefe dos outros, respondeu que logo adiante ele saberia de toda empreitada. Saíram pela estrada do Iputi.
  
Chegando no sítio São Vicente, o João Ricardo convidou para irem fazer um trabalho naquela casa grande, dizia ele. A casa era do padrinho de Chico Vara Seca. O rapaz que ia acompanhando sem saber de nada foi logo indagando: o que vamos fazer aí? Os cachorros já estavam alarmando e o dono da casa já estava encostado na porta com uma espingarda na mão escutando aquele movimento estranho. João Ricardo respondeu: “Aqui vamos assaltar e roubar e na frente  vamos para a Fortuna matar Jorge Siebra, é isso o que você quer saber?” Chico Vara Seca respondeu exaltado dizendo que “nessa casa mora meu padrinho Francisquinho Bezerra e eu tomo a defesa dele como também não foi ajudar a matar Jorge Siebra, que ele é um homem muito bom para os pobres”, e foi se preparando para reagir, mas o chefe do grupo, João Ricardo, mais ágil, sacou do rifle e disparou, matando o Chico Vara Seca e convidando o segundo rapaz, que era seu irmão Doca Ricardo, para se afastarem de repente daquela casa, sabia que o dono da casa naquelas alturas já estava preparado para reagir e como estava dentro de casa, contava com vantagem. Assim desistiu do assalto e voltou para Várzea Alegre, deixando o companheiro morto no terreiro do Francisquinho Bezerra, que já tinha reconhecido ele e o seu irmão Doca. A justiça processou-o e condenou-o. Ficou cumprindo a sentença passando o dia pela calçada da cadeia pública contando anedotas e à noite indo dormir em sua casa. Em Várzea Alegre há uma festa de igreja muito animada do padroeiro São Raimundo Nonato, começando no dia 21 de agosto de cada ano e terminando dia 31 do mesmo mês. No mesmo ano de 1925, já no terceiro ou quarto dia da festa, meia-noite, os vizinhos de João Ricardo acordaram por gritos dele acompanhado de disparos de rifles. Saiu para fora de casa gritando: “eu te mato, cabra safado.”
  
Quando o dia clareou na manhã seguinte, se espalhou a noticia: “mataram a mulher de João Ricardo e feriram ele em dois lugares”. Mais tarde surge o escândalo. João Ricardo, ferido no couro da barriga e no dedo indicador esquerdo, acusou Pedro Costa e Jorge Siebra de terem ido lhe matar e como não puderam, mataram a sua mulher. O incrível aconteceu. O delegado mandou prender Pedro Costa e Jorge Siebra. Durante a festa da igreja receberam muitas visitas de solidariedade.
  
Não foi difícil para o advogado e o promotor público descobrirem que os ferimentos de João Ricardo tinham sido feito por ele mesmo, que depois de matar  sua própria mulher, continuou atirando e gritando. Para forjar ter sido ferido, o astuto bandido pegou o couro da barriga do lado esquerdo, puxou-o bem com os dedos polegar e indicador e com a mão direita encostou a boca do rifle e disparou. Não teve a lembrança de defender o dedo indicador que estava por baixo e o mesmo foi atingido pela bala.
  
Provado isto, foram soltos Jorge Siebra e Pedro Costa. Jorge Siebra foi para a fazenda e no dia 10 de novembro de 1926 estava numa trincheira defendendo a farmácia de seu pai e a própria cidade em companhia de uns cinco moradores da fazenda e seu cunhado Joaquim Ferreira Lima. Deram prova de coragem porque, sentindo-se isolados do combate, seguiram em procura da casa de Dr. Serra, mesmo sem serem chamados como os dois camponeses que foram até a casa do Dr. Serra. Quando chegaram na trincheira do Marinheiro, onde estava Zé Leandro, este avisou-os das medidas tomadas. Como o combate já tinha se encerrado, ficaram ali mesmo até o amanhecer. 

José Leandro do seu livro "Depoimentos" 1988 Pag. 25 a 28

http://blogdoisraelbatista.blogspot.com.br/

Enviado pelo Giovani  Costa
http://blogdoinhare.blogspot.com.br/


Faça uma visitinha a este site:
http://cantocertodocangaco.blogspot.com

Encontrada afilhada de Lampião

Por: João de Sousa Lima

Durante minhas pesquisas cheguei até Ana Maria dos Santos, dona Nô, que reside em Triunfo, Pernambuco. Ela foi batizada por Lampião, seu pai era coiteiro do cangaceiro. O nome do pai dela era João Zeferino dos Santos e sua mãe chamava-se Maria Joana da Conceição.

Dona Nô nasceu no dia 14 de abril de 1919 e encontra-se viva, completará  94 anos de idade daqui a dois meses, reside em um dos bairros da cidade pernambucana, vive cercada por filhos, netos e amigos. Encontra-se lúcida e gosta de contar as histórias da época do cangaço. Dona Nô foi casada com Manoel Pedro, irmão do cangaceiro Luiz Pedro, homem de confiança de Lampião. Ela diz que junto com Luiz Pedro seguiu o irmão Ulisses Pedro para o cangaço, ficando poucos dias na companhia de Lampião. Luiz Pedro ficou até a morte no dia 28 de julho de 1938, na Grota do Angico.
    
Na sua certidão de nascimento que se encontra no museu de Triunfo tem a comprovação  do batismo e do apadrinhamento, onde lê-se padrinho: Virgolino Ferreira da Silva. Documento que marca a história dessa mulher que viveu momentos festivos na presença daquele que foi o mais famoso cangaceiro do Nordeste Brasileiro.


Ana em foto de sua carteira de trabalho


Josué, Ana e João Lima; colhendo informações sobre sua história ao lado do Rei do Cangaço


 Familiares de Ana e do cangaceiro Luiz Pedro. O senhor de camisa azul chama-se Luiz Pedro e é sobrinho do cangaceiro do qual herdou seu nome.


Irmão de Luiz Pedro chora a morte de um parente ainda na época do cangaço.


Carteira de Ana que ela me presenteou. O detalhe de sua residência cita Sítio Retiro, mesmo lugar onde nasceu Luiz Pedro.


Paulo Afonso, janeiro de 2013

João de Sousa Lima - Historiador e Escritor. Membro da ALPA - Academia de Letras de Paulo Afonso. Membro GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará.


http://www.joaodesousalima.com/

Mais amigos se unem ao Cariri Cangaço 2013 !


Caro Severo, Parabéns pela decisão.
Já anotei na agenda.
Abraços,

Renato Casimiro
Fortaleza - CE


Olá, Manoel Severo, parabéns pelo
CARIRI CANGAÇO 2013.
Quero estar presente, contribuindo com essa construção histórica. Vamos à luta!

Anildomá Willans de Souza
Serra Talhada - PE


Meu caro amigo Severo,
Agradeço pela amizade e carinho. Desde o primeiro Cariri Cangaço que desejo participar de tão importante evento.
Sempre algo impede de concretizar a minha ida ao Cariri. Porém, deste ano não passa.
Com o forte abraço triunfense do amigo,

André Vasconcelos
SESC -Triunfo - PE



http://cariricangaco.blogspot.com 

Hospital do Sal - 17 de Fevereiro de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 17 de fevereiro de 1964 era inaugurado em Mossoró o Hospital Francisco Menescal, construído pelo Instituto Brasileiro do Sal - IBS, que tinha como Presidente o Prof. Jerônimo Vingt-un Rosado Maia. Na placa inaugural estava escrito: “Instituto Brasileiro do Sal, Hospital Francisco Menescal. O povo brasileiro, através dos impostos que paga, pelo sal que consome, construiu este Hospital, na cidade de Mossoró, para servir principalmente aos trabalhadores em salinas e seus dependentes. Início da construção: 10/12/1962. Inaugurado em: 31/01/1963”.

Hospital Francisco Menescal

A inauguração na verdade foi a 17 de fevereiro de 1964, por atraso na remessa de equipamentos hospitalares do Rio de Janeiro. Inauguração, seguida de imediato funcionamento.
               
Assim Vingt-un se refere ao Hospital Francisco Menescal, o conhecido Hospital do Sal ou dos Salineiros: “Era o melhor da minha terra, o mais bem equipado, com uma biblioteca refrigerada, com 26 periódicos assinados, um Centro de Estudos (organizado por cientista de renome internacional, Máximo de Medeiros Filho) e um Boletim”.
               
O primeiro diretor do hospital foi Clóvis Augusto de Miranda. Vingt-un Rosado relembra: “Fui arrancado das vossorocas da Espadilha, onde dirigia os trabalhos de campo da mineração de gipsita, quando Mossoró abastecia 90% do mercado nacional daquele minério, pela convocação do Presidente da República. Aceitei com relutância a Presidência do Instituto Brasileiro do Sal, porque a minha cidade me exigia o sacrifício. Servi aos trabalhadores, ajudei aos empresários, fiz cumprir a lei que mandava dar assistência social aos operários do sal,...”.
               
No discurso de inauguração, dizia Vingt-un: “Seja esta casa templo de servir ao povo. Os que receberam o galardão de serem os seus operários, médicos, enfermeiras, servidores de todas as categorias, saibam dar-lhe em dobro, idealismo, espírito de cooperação, de sacrifício e humildade cristã. Aqui se plantou a semente de uma Faculdade de Medicina, outra célula da futura grande Universidade de Mossoró, que haverá de aproveitar a experiência da gente mossoroense em sua caminhada de 200 anos, através de vicissitudes, lutas e vitórias. Um Centro de Estudos já funciona neste hospital, como sua cúpula, como sua verdadeira Faculdade de Filosofia. O povo brasileiro construiu este hospital para servir principalmente aos trabalhadores em salinas e seus dependentes. Homenagem que foi prestada à brava gente que em onze províncias elabora com músculos e alma uma de suas riquezas: a economia salineira”.
               
Embora fosse de fundamental importância para o município uma instituição daquele porte, mudanças na política de saúde fizeram com que o hospital fosse fechado. Sobre essa questão, Vingt-un desabafa: “Havia uma alma danada que sonhou levar-me ao cárcere que foi o grande inspirador do fechamento do hospital. A cidade cruzou os braços; os políticos temeram questionar a Revolução. Os pernambucanos, mais valentes e valorosos, salvaram o seu Hospital do Açúcar, mesmo depois de fechado o instituto do Açúcar e do Álcool. No dia em que o Hospital foi desativado, telegrafei ao deputado Vingt Rosado dizendo que Felizes deviam ser os países que se davam ao luxo de fechar os seus hospitais”.
                
Com o passar dos anos, O INAMPS transformou o Hospital que estava fechado, num ambulatório que atualmente presta muito bons serviços à população, sendo hoje centro de referência especializada ambulatorial do município. Conta com 168 servidores e atende as áreas de oftalmologia, cardiologia, gastroenterologia, otorrinolaringologia, mastologia, cirurgia geral, endocrinologia, dermatologia, pneumologia, fonoaudiologia, fisioterapia, clinica médica, pediatria, ginecologia, totalizando cerca de 5.000 consultas por mês. Vários programas de saúde e exames laboratoriais e radiológicos, além de EEG, ultra-sonografia,citologias oncóticas são ali executados, como também curativos, vacinações etc.
               
Um projeto aprovado na Câmara de Vereadores, apresentado por Júnior Escóssia e sancionado pela então prefeita Rosalba Ciarlini, prestou homenagem ao Prof. Vingt-un Rosado Maia, fundador do Hospital do Sal, emprestando o seu nome ao complexo de saúde que ali funciona.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

http://cantocertodocangaco.blogspot.com

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Fatos mossoroenses - Padre Humberto

Por: Paulo Menezes

Padre Humberto Bruening, vigário da catedral de Santa Luzia em Mossoró, era por demais zeloso e exigente com relação aos preceitos religiosos.


Registro feito pelo fotógrafo Wilson Moreno (Gazeta do Oeste) a catedral de Santa Luzia - http://www.ismaelsousa.com.br/

Certo dia, uma senhora altamente maquiada, lábios cobertos de batom vermelho, entrou na fila para receber a hóstia consagrada. 

Chegada a vez da carola glamourosa, o vigário saiu de lado e deu a hóstia a pessoa seguinte, e daí por diante. 

A mulher ficou no aguardo. Depois do último da fila, padre Humberto olhou para a senhora e aconselhou: 

“Vá para casa, passe água com sal nessa “ferida” e venha. A hóstia sagrada não entra em fornalha!”.

http://www.melmenezes.com.br/blog/2012/12/cantinho-do-pe-huberto-2

Lampião contra o mata sete


Autor: Archimedes Marques


Preço: R$ 50,00
BANCO DO BRASIL
Agência: 3088-0
Conta: 33384.0

Em nome de Elane Lima
Marques (Minha esposa).
E-mail
archimedes-marques@bol.com.br

http://blogdomendesemendes.blogsapot.com 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Dona Fideralina Augusto- Nota Premiliminar

Por: Dimas Macedo

Primeira filha de Isabel Rita de São José e do major João Carlos Augusto, antigo deputado à Assembleia Provincial cearense, nasceu Fideralina Augusto Lima em Lavras da Mangabeira (CE), aos 24 de agosto de 1832. Apesar de jamais ter vivido fora do seu município, sua fama de mulher destemida e audaz correu mundos, sendo considerada uma das maiores simbologias do mandonismo e uma das grandes expressões políticas do Ceará e do Nordeste.

Conhecida como figura de destaque do coronelismo, cujo espírito encarnou com a sua armadura de guerreira, Fideralina sempre levou às últimas consequências as vinditas com os seus adversários, ganhando ou perdendo as demandas com as quais se envolveu. Falecida aos 16 de janeiro de 1919, foi casada com o major Ildefonso Correia Lima, e entre os fatos marcantes da sua trajetória podem ser enumerados: a detenção do poder político supremo, em Lavras da Mangabeira, e a derrubada do seu próprio filho, Honório Correia Lima, da chefia da Intendência local.

Senhora de vastos domínios territoriais e de grande vocação para o exercício da política, em Lavras estabeleceu residência em casarão localizado na então Rua Grande, hoje Major Ildefonso, e sua vivenda de campo foi construída no sítio Tatu do mesmo município, ostentando, além da casa-grande, a senzala, a capela e o engenho, símbolos máximos da autonomia do sistema latifundiário. Vastíssima tem sido a crônica histórica a seu respeito, valendo destacar algumas opiniões de abalizados conhecedores da nossa história política, selecionadas entre a complexa bibliografia que regista a sua trajetória. Em torno de sua pessoa disse Antônio Barroso Pontes: “Dona Fideralina, que na sua época dominou toda a região sul do Ceará”. E Joaryvar Macedo: “Mulher forte, Dona Fideralina tornou-se uma das maiores expressões da política cearense do seu tempo”.

Dona Fideralina Augusto Lima

Assim opinaram Antônio Martins Filho e Raimundo Girão: “Valente espírito feminino a quem muito interessava a política cearense”. Já para Hugo Victor Guimarães foi Dona Fideralina uma “mulher extraordinária como expressão de bravura e coragem” e “uma das mulheres que tiveram maior projeção na vida política do Ceará”.

Para o pesquisador João Alves de Albuquerque, foi Dona Fideralina a “respeitável senhora que durante longos anos dirigiu a política de Lavras, cuja chefia lhe fora arrebatada pela morte, pois, só assim, lhe seria abatido o grande prestígio que sempre desfrutou em sua terra”.

O poeta Gentil Augusto Lima, em conferência proferida na Associação de Imprensa da cidade de Campos (RJ), em 1955, assim se manifestou sobre ela: “Mais brava e de muito mais valor do que Bárbara de Alencar, e ainda do que Anita Garibaldi”. Já o historiador Valdery Uchoa afirmou ser Dona Fideralina uma “mulher notável pelo seu destemor e pela sua bravura”.

João Clímaco Bezerra, em artigo estampado na revista Manchete (em 1976), buscando um paralelo para Marica Lessa, que inspirou o romance – Dona Guidinha do Poço –, de Oliveira Paiva, assim expressou o seu ponto-de-vista: “uma dessas mulheres que dominaram os sertões no tempo do império e que passaram ao lendário cearense como Dona Fideralina das Lavras da Mangabeira”. O historiador fluminense João Medeiros, em passagem de um dos seus livros, registrou que Dona Fideralina era uma mulher que, pela coragem e atitudes matriarcais, merecia o respeito em toda uma vastidão rural. E argumentou, em seguida: “Daí ser acatada sua palavra nos pronunciamentos políticos da região, pois conseguia ter seus filhos na representação do governo municipal, Assembleia Estadual e Câmara Federal”. E mais, revelou João Medeiros que o Padre Cícero, certa feita, chegou a ponderar que “não se podia escrever a história do Cariri sem se deter  na pessoa dessa digna matrona”.

Rachel de Queiroz

O testemunho mais lúcido sobre Dona Fideralina, no entanto, fica por conta de Rachel de Queiroz, que, em artigo estampado na revista O Cruzeiro, de 07 de agosto de 1976, depois de afirmar que essa destemida matriarca lavrense foi “a mais famosa dona do Nordeste, e a senhora de mais cartaz do seu tempo”, acrescenta que Dona Fideralina “foi uma espécie de rainha sem coroa, foi uma legenda”. Ainda segundo as palavras de Rachel, “Das margens do São Francisco aos seringais do Amazonas a palavra de Dona Fideralina era lei. Sendo de corpo uma fraca mulher como nós todas, tinha, entretanto, uma alma de varão, e como varão era não apenas reconhecida, mas temida”.

E prossegue a autora de O Quinze: “Como toda pessoa que cai no folclore, acontece que a figura de Dona Fideralina foi algumas vezes deformada, envenenada, pois a boca do povo sempre altera o que repete, para o bem e para o mal. E assim, porque Dona Fideralina não tinha medo de ninguém, porque sendo apenas uma mulher, sabia fazer-se respeitada como um coronel de bigodes; porque, num tempo em que o cangaço era a lei única e nem o exército podia direito com um bando de jagunços (exemplo: Canudos, Juazeiro, Princesa), Dona Fideralina também se cercava de cabras armados para a defesa dos seus e da sua casa”.

Na fase mais criativa da maturidade, ao publicar a sua obra-prima, Memorial de Maria Moura (São Paulo, Editora Siciliano, 1992), Rachel de Queiroz foi incisiva ao dizer que se tratava de um romance à clef, inspirado na vida de Dona Fideralina Augusto. E mais: chegou a publicar um folheto intitulado: Dona Fideralina das Lavras (Rio, UFRJ, 1990).

O Cego Aderaldo, num dos seus poemas em que historia a Revolução de 1914, que derrubou o Governo Franco Rabelo, no Ceará, dá-nos igualmente a dimensão dessa ilustre matrona sertaneja, quando diz: “Goesinho rolou no chão / temendo a bala ferina / mas quando ele conheceu / que ali havia ruína / correu com medo dos cabras / de Dona Fideralina”.

A sua participação na Revolução de 1914, conhecida por Sedição de Juazeiro, foi das mais decisivas para a vitória do Movimento. De uma só empreitada, segundo Floro Bartolomeu, ela teria colocado cinco mil cartuchos à disposição dos que lutavam contra o Governo de Franco Rabelo.

Padre Cícero

Otacílio Anselmo, que se refere a esse episódio, no seu livro Padre Cícero: Mito e Realidade (Rio, Editora Civilização Brasileira, 1968); e bem assim historiadores como João Brígido e Joaryvar Macedo atribuem um papel político de destaque a Dona Fideralina Augusto, diante da Sedição de Juazeiro e ao tempo da Primeira República.

Manteve Dona Fideralina relações de amizade com o Padre Cícero, e com os maiores coronéis do Cariri, colocando-se contra ou a favor dos que rezavam ou não rezavam pela sua cartilha, mandando e desmandando nas coisas da política sempre que achava que assim devia proceder. E o vulgo popular compreendeu, e a literatura de cordel assim registrou que ela, Dona Fideralina, diferente dos grandes coronéis do Cariri, queria mandar no mundo inteiro e não apenas na política da sua região. Na sua terra de berço, jamais admitiu que alguém tivesse mais poder do que ela, vivendo sempre às turras com o Monsenhor Meceno, político cearense da maior expressão e que foi vigário de Lavras durante o apogeu do seu mandonismo. Fidera vasculhou de tal forma a vida desse sacerdote, que terminou descobrindo, em Tauá, um deslize por ele cometido, dando ciência do feito a seus paroquianos, através de um panfleto bastante audacioso.

Na primeira década do século precedente, tomou partido em várias refregas memoráveis verificadas no Sul do Ceará, e de todas essas refregas saiu-se Dona Fideralina muito bem, fazendo, em Lavras da Mangabeira, o casamento da sua filha Josefa com o Juiz de Direito da Comarca, ameaçando-o com uma severa imposição, e tal forma que o magistrado se mudou depois para o Amazonas, não regressando mais ao Ceará.

Em 1902, como registra Joaryvar Macedo, em Império do Bacamarte (Fortaleza, Casa de José de Alencar, 1990), a velha matriarca de Lavras determinou a invasão de Princesa, no Estado da Paraíba, para vingar a morte do seu neto, Ildefonso Augusto, constituindo, na época, o Batalhão de Dona Fideralina, comandado por Zuza Febrôncio e que ali cumpriu fielmente a sua decisão.

Em Lavras, investiu-se com todas as prerrogativas no poder local, fazendo o jogo dos interesses políticos com a posição da Intendência; e, não conseguindo demover o seu filho, Honório Correia Lima, do cargo de Intendente, em 26 de novembro de 1907, retirou o mesmo do poder pela força do velho bacamarte, cobrindo-se depois de luto e se enfurnando em sua fazenda, durante certo tempo. O fato, como bem salientou o historiador Joaryvar Macedo, trouxe consequências funestas, não somente para os membros da família Augusto, da qual Dona Fideralina era o pedestal máximo de referência, mas para todo o município de Lavras da Mangabeira.

 
Casa de Dona Fideralina em Lavras da Mangabeira

Seu pai, João Carlos Augusto, antigo Deputado Provincial, fez-se, em toda a região do Vale do Salgado, um dos maiores líderes políticos do seu tempo. Afilhado e tido como filho natural de um governador do Ceará (o Barão de Aracati), trazia do berço, o Major João Carlos, os requintes da aristocracia; e como bom guerreiro e líder político do seu povo, chefiou as tropas que libertaram a Vila de Lavras dos asseclas de Pinto Madeira.

Em 1832, ano em que Dona Fideralina nasceu na Capital do Médio Salgado encontrava-se dominada por esse grande caudilho de Jardim, que espalhava terror e sobressalto em todas as ruas do lugar, às vezes, até em parceria com o Padre Verdeixa, o vigário lavrense de então.  Esse desmiolado Padre Verdeixa, conhecido pela alcunha de Canoa Doida, foi quem batizou Fideralina Augusto, aos 19 de setembro de 1832, na Igreja Matriz de São Vicente Ferrer, recebendo ela, na pia batismal, o nome que o seu pai achava muito próximo dos ideais federalistas e da forma de Estado nos quais acreditava, e pelos quais os seus familiares lavrenses haviam lutado bravamente.

O entorno familiar de Fideralina Augusto fez-se, todo ele, cercado de tragédias e acontecimentos que chamam de plano a atenção: seu tio-avô, pelo lado materno, José Joaquim Xavier Sobreira, vigário da freguesia de Lavras e político de grande atuação em todo o Ceará, foi envenenado; sua tia, pelo ramo paterno, Cosma Francisca de Oliveira Banhos, assim como seu pai, João Carlos Augusto, e o seu irmão, Ernesto Carlos Augusto, foram assassinados; e seu primeiro neto a formar-se em Medicina, Ildefonso Augusto de Lacerda Leite, foi trucidado de forma violenta na Vila de Princesa, em 1902.

Mas Dona Fideralina, com os fulgores da sua fortaleza, sobreviveu a todas as tragédias, à ferrenha oposição da sua irmã, Dulcéria Augusto de Oliveira, e a todas as circunstâncias difíceis da sua trajetória. Teve que tomar decisões que lhe fizeram sangrar o coração, tal aquela de optar por um filho, o Coronel Gustavo, e ter que derrubar o outro do poder político pelo uso da força. Episódios verificados na cidade de Lavras entre 1907 e 1910 e, especialmente, entre 1911 e 1914, trouxeram-lhe vários dissabores, e dividiram definitivamente os descendentes da família Augusto, ao preço de assassinatos memoráveis, tal aquele perpetrado contra o seu próprio filho, o célebre Coronel Gustavo.

Como nenhum mandatário do seu tempo, Dona Fideralina encarnou as instituições vigentes em sua época, juntando, ao seu patrimônio de latifundiária, várias possessões de terras do município, e garantindo a sobrevivência do feudo com o trabalho servil de base escrava, que jamais aboliu nas cercanias das suas fazendas e na casa-grande do sítio Tatu.

Sítio Tatu

Ali, ignorou a abolição da escravatura e durante a primeira década do século precedente continuou sendo carregada de liteira pelas ruas de Lavras, segundo os seus próprios descendentes, que com ela conviveram de perto e testemunharam a sua maneira ousada de viver. No sítio Tatu – como reza uma quadra popular –, não apenas criou negros para o sei deleite, mas os transformou em expressões de relevo da vida social do município, exportando-os também para outras regiões do Ceará, tais os casos de José Ferreira da Silva (o Zé Rainha), personagem de destaque do carnaval de Fortaleza; e de Luís Preto, que foi imortalizado por Batista de Lima num dos seus poemas de maior expressão.

Vivendo num momento marcado pela presença do banditismo das hordas facínoras de cangaceiros, não deixou de arguir em torno de sua defesa pessoal, na preservação dos interesses legitimados pelo seu código de honra, homens ágeis no manejo do trabuco como um Antônio Preto ou um Nego Bento, ou ainda cangaceiros destemidos do porte de um Miguel Garra. Desfrutou Dona Fideralina as concessões sociais da sua época; mas é certo também que dispensou as regalias que lhe eram conferidas pelo sistema latifundiário, fazendo o percurso do sítio Tatu até a sede municipal nas costas de possantes cavalos, sempre com um bacamarte na lua da sela, cena varonil que deixou marcantes impressões no Dr. Augusto Dias Martins, que exerceu as funções de Juiz de Direito da Comarca de Lavras, no final do século dezenove.

Viúva ainda muito jovem, assim permaneceu até a data do seu desenlace, sublimando a sua solidão e, possivelmente, a sua libido, com a energia que movimenta o mundo da política, mas surpreendendo, também, pelo gosto que demonstrou pelas coisas da cultura, tendo sido, em Lavras da Mangabeira, correspondente da revista Estrela, fundada e dirigida em Fortaleza (e depois em Baturité e Aracati) pela escritora Francisca Clotilde.

O seu esposo, Ildefonso Correia Lima (16.3.1928 a 27.12.1876), natural de Várzea Alegre, exerceu, na Vila de São Vicente das Lavras, preponderante atuação política, tendo ali ocupado os cargos de membro da Guarda Nacional, juiz municipal, delegado de polícia, vereador e presidente do Poder Legislativo, o que correspondia na época ao cargo de Prefeito. Além do seu marido, todos os seus filhos, genros e cunhados protagonizaram de tal modo o poder político em sua terra, que se torna difícil, na história de Lavras, encontrar um cargo de chefia do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário (estadual ou municipal) que não tenha sido por um deles monopolizado, isto desde quando ela resolveu encarnar a política como vocação, somente deixando de reinar após a sua morte, em 1919.

Conhecida igualmente por Fidera, ou Didinha, como ainda hoje lhe fazem referências alguns membros da família, o certo é que Dona Fideralina Augusto tem presença assegurada na história das transformações políticas por que passou o Ceará nas primeiras décadas da República Velha.


Figura lendária e até certo ponto mitológica, em seu município e na região Sul do Ceará, a sua condição de matriarca de uma prole que por diversas razões se tem destacado no Ceará e além-fronteiras, imprime-lhe respeito ao nome e aos valores da sua tradição.

Em Dona Fideralina, a vocação maior foi sempre a política, que recebeu como herança dos ancestrais e que tão bem soube transmitir como legado aos seus descendentes. Três dos seus filhos tomaram assento como deputados na Assembleia Legislativa estadual, tendo dois deles exercido o cargo de Vice-Presidente do Estado. 

Dois dos seus bisnetos chegaram ao Senado Federal e nele tomaram assento, e doze outros descendentes seus exerceram mandatos de Deputado. Diversos membros da sua estirpe memorável têm exercido postos de destaque na vida política, administrativa e econômica do Estado, bem como em outros setores da vida social do Ceará.

É vasta a bibliografia a seu respeito. Entre livros e opúsculos, no entanto, sugiro a remissão às seguintes fontes: Dona Fideralina das Lavras (Rio, 1990), de Heloisa Buarque de Holanda e Rachel de Queiroz; Uma Matriarca do Sertão – Fideralina Augusto Lima (Fortaleza, 2008), de Melquíades Pinto Paiva; e A Vocação Política de Fideralina Augusto Lima(Fortaleza, 1991), de Rejane Augusto.   

Dimas Macedo
www.dimasmacedo.blogspot.com.br

NOTA CARIRI CANGAÇO: Fideralina Augusto é a personagem principal da Avant Premier do Cariri Cangaço em grande estilo na cidade de Lavras da Mangabeira; é esperar para conferir.

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Livros sobre "Cangaço"

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QUANDO AS PEDRAS CAÍRAM DO CÉU NO RIO GRANDE DO NORTE

By: Rostand Medeiros

QUANDO AS PEDRAS CAÍRAM DO CÉU NO RIO GRANDE DO NORTE

O meteoro de aproximadamente 10 toneladas caiu a cerca de 80 quilômetros da cidade de Satka, na Russia, mas a onda expansiva afetou várias regiões adjacentes e até a vizinha república centro-asiática do Cazaquistão.
Um meteoro de aproximadamente 10 toneladas caiu a cerca de 80 quilômetros da cidade de Satka, na Rússia, mas a onda expansiva afetou várias regiões adjacentes e até a vizinha república centro-asiática do Cazaquistão.

Casos de Quedas de Corpos Celestes no Rio Grande do Norte

Um Meteoro atravessou o céu da Rússia na manhã desta quinta-feira, dia 15/02/2012, lançando bolas de fogo na direção da Terra e fazendo centenas de vítimas, quebrou janelas e provocou vários outros problemas. O nosso Rio Grande do Norte já viu este tipo de situação.

O Rio Grande do Norte, desde que a sua história passou a ser registrada através de documentação escrita, guarda poucos informes de fatos naturais que, de tão incomuns, marcaram o momento em que ocorreram, fazendo com que os homens do passado registrassem para a posteridade estes acontecimentos insólitos.


Um dos fenômenos naturais incomuns que mais chamavam a atenção dos antigos habitantes das terras potiguares eram os tremores de terra. Comuns até os dias atuais, estes acontecimentos geológicos ocorrem principalmente na região da antiga Baixa Verde, atual município de João Câmara. Desde o final do século XVIII, antigos cronistas já registraram a impressão que os tremores deixaram junto aos antigos habitantes. Quem está na faixa dos 30 anos de idade, certamente deve se lembrar do terremoto ocorrido em 1986, que abalou a região, alcançando a magnitude de 5.3 na escala Ritcher e que marcou profundamente a história potiguar e chama a atenção dos geólogos.

Se ocasionalmente os potiguares sentem o solo tremer, muito mais raros são os registros de bólidos vindos do céu, de meteoros despencando com estrondo na nossa região. Entretanto, estes fenômenos já ocorreram.

Uma chuva de meteoritos em Macau

Nos anais do VIII Simpósio de Geologia do Nordeste, realizado em 1977, em Campina Grande, Paraíba, encontramos o resumo de uma pesquisa realizada pelos geólogos brasileiros Celso de Barros Gomes, da USP (Universidade de São Paulo), W. S. Crurvello, do Museu Nacional do Rio de Janeiro acompanhado dos cientistas norte-americanos K. Kiel, da Universidade do Novo México e E. Jarosewich, do Instituto Smithsonian, de Washington, que estiveram na região de Macau e Açu, em busca de restos de um meteorito, que caiu do céu no dia 11 de novembro de 1836.


A queda deste bólido ocorreu ás cinco da tarde, nas imediações da foz do rio Açu, em uma área territorial que então pertencia ao município de Macau. Segundo os relatos da época devido ao impacto no solo, morreram algumas vacas e a queda do objeto celeste foi acompanhada de um forte clarão e ribombos. Aparentemente o meteorito se fragmentou em vários pedaços, alguns maiores e outros tocaram o chão no formato de uma chuva de pequenas pedras. Fontes pesquisadas por estes cientistas relataram que o clarão produzido pela queda deste meteoro foi visto por uma embarcação que se encontrava a 324 milhas náuticas, ou cerca de 600 quilômetros de distância, da costa potiguar. Consta que os tripulantes relataram a passagem do objeto seguindo em direção a costa, que não era visível aos tripulantes a esta distância.

Durante as pesquisas de campo, foram encontrados restos do meteorito, que foi recolhido e transportado para o sul do país, onde análises detalhadas apontaram a existência principalmente de ferro-níquel na sua composição.

O resumo deste trabalho científico não informa de qual fonte histórica provinham estes dados, mas aparentemente este é o primeiro relato conhecido, descrevendo a queda de meteoritos no Rio Grande do Norte.

Um juiz informa a queda de um meteorito em Açu

Dezenove anos depois, coincidentemente a mesma região anteriormente atingida seria o local da queda de outro meteorito.

Na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, volume XIV, de 1916, encontra-se a transcrição de um documento datado de 28 de agosto de 1855, produzido pelo então juiz de direito de Açu, João Valentim Dantas Pinagé, que informa ao então Presidente da Província, Antônio Bernardo dos Passos, que ele estava enviando a capital da província algumas amostras de um meteorito que havia caído na região de Açu. Informava o magistrado que as amostras apresentadas pesavam juntas “duas arroubas”, equivalente a 30 quilos, e sua queda havia deixado o povo da região assombrado com o fato que aquelas rochas “pudessem vir do céu”.

O juiz informava que o objeto foi visto desde as “praias”, provavelmente entre as áreas territoriais dos atuais municípios litorâneos de Guamaré, Macau e Porto do Mangue, e por outros locais da Comarca de Açu. Durante a sua queda, o meteorito foi visto vindo da direção nordeste, seguindo em descendente na direção sudoeste e sendo testemunhado por várias pessoas na região.

Infelizmente o juiz Pinagé não informou exatamente a data do ocorrido, nem o local exato do impacto, mas indica que recebeu as amostras que remetia para Natal “quatro dias depois da passagem do meteoro”.

Tarcísio Medeiros, em seu ótimo livro “Aspectos geopolíticos e antropológicos da história do Rio Grande do Norte”, comenta sobre este fato.

Um “corisco” assombra Santana do Matos

Quarenta e dois anos depois, no dia 8 de abril de 1897, a primeira página do jornal “A Republica”, estampava uma nota intitulada “Aerólito”, onde uma “pessoa de fé, ultimamente chegada do sertão”, informava que no dia 21 de março, um domingo, pelas cinco e meia da tarde, foi visto por diversas pessoas, tanto na área urbana e na zona rural da pequena Santana do Matos, um objeto incandescente, em formato de um ”globo brilhante caindo do céu”.

“A Republica”, 8 de abril de 1897.

As testemunhas comentaram que durante a queda o objeto se mostrava extremamente luminoso e soltava fagulhas. No impacto, segundo o informante, o estrondo foi ouvido a uma distância de oito léguas, equivalente a cinquenta quilômetros. O fenômeno natural chamou a atenção de todos, tendo um grupo de pessoas se deslocado ao ponto onde ocorreu à queda.

Segundo a nota, o impacto se deu na região da “serra de São João”, a sudeste da sede do município de Santana do Matos, onde as pessoas do lugar informaram que um grande “bálsamo”, provavelmente alguma árvore frondosa, fora reduzida a “estilhaços”, mas nenhuma parte do “aerólito” foi encontrado.


A não existência de uma cratera de impacto, que houvesse deixado uma marca mais permanente no solo da região, deixa a entender que o bólido poderia ser classificado como um meteorito de pequenas dimensões. Provavelmente durante a queda, com o atrito junto à atmosfera terrestre, esta rocha foi perdendo massa, criando fagulhas e ao tocar o solo teve força suficiente apenas para destruir esta possível árvore frondosa. O que de toda maneira causou um tremendo espanto aos habitantes da região.

No final do século XIX, ainda era comum a utilização por parte da imprensa do termo aerólito, em detrimento a meteoro ou meteorito. Para o homem simples do campo, e a nota registra isto, a pedra caída do céu era tão somente um “corisco”.

Extremamente econômico na discrição, o relato não cita fontes, nome do informante e outras informações mais apuradas. Mas tudo indica que o local da queda seja localizado no município de Jucurutu, próximo a fronteira com Santana do Matos, na área da fazenda conhecida como “São João”, ou “Saco de São João”, onde existe uma serra homônima.

Um corpo celeste ilumina a noite de Caraúbas

Passados seis anos da queda deste meteorito, o Rio Grande do Norte, foi novamente “visitado” por outra rocha vinda do céu. Na edição do jornal “A Republica”, de 23 de outubro de 1903, o correspondente baseado na cidade de Caraúbas, remeteu uma série de notícias referentes ao município. Entre estas constam informes da seca que assolava a região e sobre o benemérito trabalho do senhor Benevenuto Simões, em perfurar poços na busca do precioso líquido. Em meio a notas políticas, sobre casamentos e de viagens de membros da elite local ao Rio de Janeiro, uma pequena nota, novamente intitulada “Aerólito”, informava ter sido “nossa vila espectadora de um lindo drama”.

“A Republica”, 23 de outubro de 1903.

Por volta das nove horas da noite do dia 30 de setembro, uma quarta-feira, foi visto um brilhante meteorito que percorreu todo o firmamento, deixando um rastro luminoso em sua queda e produzindo uma forte iluminação sobre a pequena cidade. O bólido foi visto vindo da direção sudoeste, seguindo descendentemente na direção oeste, e que após cinco minutos produziu um forte estrondo.

Devido à diferença de tempo entre a visualização do meteorito e o estrondo produzido pelo impacto, partindo do princípio que o correspondente calculou corretamente o tempo, este bólido caiu em uma área distante da sede municipal e a nota do jornal não especifica o ponto exato da queda.


Mesmo sendo um fenômeno raro, chama a atenção à economia de informações do correspondente, onde é mais provável que o mesmo não tenha sido testemunha direta dos fatos, anotando informações prestadas por terceiro, mas nada mais sobre este fato foi comentado.

Os meteoritos

Os meteoritos são classificados de fragmento de um meteoroide que resistiu ao impacto com a atmosfera e alcançou a superfície da Terra ou de outro planeta antes de se consumir. Eles podem ter desde poucos quilos e dimensões mínimas a serem pesadas pedras voadoras de várias toneladas. Quase todos os meteoritos são fragmentos procedentes dos asteroides ou cometas. Podem ter em suas composições minérios como ferro-níquel, silicatos ou ferro metálico. Os meteoritos têm geralmente uma superfície irregular e uma camada exterior carbonizada, fundida. Todos os dias a terra é bombardeada por uma chuva de pedras vindas do espaço, a maioria são inofensivos micrometeoritos. Acredita-se que por ano, caiam sobre a terra seis toneladas de rochas.

Os maiores meteoros, quando se chocam com a Terra, sempre deixam suas marcas, criando crateras profundas.


Acredita-se que o maior meteorito que atingiu a atmosfera da terra, mas sem comprovação definitiva, ocorreu no dia 30 de junho de 1908, na bacia do rio Podkamennaya Tunguska, a 64 quilômetros ao norte de Vanavar, na Sibéria, Rússia. Acreditam os cientistas que um meteorito de 30 metros de comprimento, explodiu a 10 quilômetros de altitude, tendo produzido uma onde de choque sentida a mais de 1.000 quilômetros de distância. O maior meteorito conhecido, que se chocou contra a superfície terrestre, foi encontrado em Hoba West, próximo a Grootfontein, na Namíbia, África, com 59 toneladas.

Estima-se que ao longo de 600 milhões de anos, o planeta Terra tenha sido atingido em mais de duas mil ocasiões por asteroides de grande peso. A maior cratera do mundo, comprovadamente criada pela queda de um meteorito, é chamada Coon Butte, ou Cratera Barringer, localizada próximo à cidade de Winslon, Arizona, nos Estados Unidos.


Em 1784, no sertão da Bahia, próximo a região de Canudos, caiu próximo a uma serra, um meteorito de 5.400 quilos, conhecida como Pedra de Bendegó. Este corpo celeste, com muito sacrifício, foi transportado em 1888 para o Rio de Janeiro e encontra-se até hoje exposto no Museu Nacional. Contudo, cientistas descobriram que o maior meteorito que já tocou o solo brasileiro, ocorreu na divisa entre Goiás e Mato Grosso, é conhecido como “Domo de Araguainha”, deixou uma marca na forma de uma cratera de 40 quilômetros e este impacto ocorreu à cerca de 350 milhões de anos.

Os impactos ocorridos no Rio Grande do Norte e aqui relatados, certamente não foram os únicos casos de impacto destes corpos celestes em solo potiguar, que apesar de possuir uma superfície territorial pequena, não está isento de receber novas “visitas celestes”.

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