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terça-feira, 8 de julho de 2014

Correio de Aracaju, 8 de maio de 1930!

Oi, por favor, que filme é este?

Filmando 1

Filmando 2

8 de Agosto de 1930. O Correio de Aracaju.


O Correio de Aracaju, 12 de fevereiro de 1930.


Fonte: facebook

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30 de julho de 1930. O Correio de Aracaju.


Eu disse que os jornais teriam coisas valiosas... 


O escritor e pesquisador do cangaço
Dr. Archimedes Marques disse:


- Infelizmente o advogado Lauro Rocha que foi o intermediário indicado pelo amigo pesquisador Kiko Monteiro, que terminou nos fornecendo a única fotografia do Antonio Caixeiro, e que ficou de me colocar em contato com familiares remanescentes desse personagem, infelizmente, mês passado faleceu... E assim as coisas vão ficando cada vez mais difíceis caro amigo Voltaseca Volta.

O pesquisador do cangaço 


- Caramba! Estou passando por coisas parecidas. Nos últimos 3 anos perdi mais de 5 fontes primárias... Acima de tudo, amigos!"

O pesquisador do cangaço 
Voltaseca Volta disse: 

- É isso Doutor Archimedes, as fontes orais estão desaparecendo ligeirinho. Daqui mais ou menos uns 5 anos não existirá mais ninguém.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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Fazenda Paus Pretos


A fazenda Paus Pretos, é administrada por Paulo Reis, neto do coronel. Nas cheias forma-se um açude com sete quilômetros de extensão, no momento o açude encontra-se seco.


Na casa, sede da fazenda Lampião prendeu o vaqueiro Agostinho e o fez entrar dentro do curral e pegar com as mãos um cavalo. A sorte foi que o vaqueiro conseguiu depois de muito trabalho.

Os cangaceiros tiraram madeiras do curral e tocaram fogo na casa. Quando o fogo começou a tomar os compartimentos da residência, um papagaio começou a gritar:


- Olhe o fogo, Maria! Maria, Maria, olhe o fogo!

Lampião mandou um cangaceiro entrar na casa, atravessar o fogo e salvar o papagaio. O curral foi todo queimado e os animais mortos.

Fazenda Paus Pretos, era umas das fazendas que Lampião incendiou e pertencia ao coronel Petronilo de Alcântara Reis, chefe político de Santo Antonio da Glória, no Estado da Bahia, hoje coberta pelas águas da barragem de Itaparica, que atualmente é Glória, também no Estado da Bahia. Era no município de Curaçá-Ba, hoje é município de Chorrochó-Ba. 

O coronel Petro foi quem recebeu o capitão Lampião no Estado da Bahia, no dia 19 de Agosto de 1928, em uma de suas fazendas, gangorra.

Fonte: facebook
Página: Paulo George

Ilustrado por José Mendes Pereira

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Zé Baiano tocaiou Othoniel Dória, na Fazenda São João, em Carira.


Zé Baiano levantou informações acerca o político itabaianense e ficou abismado quando constatou que se tratava de uma pessoa muito conceituada e protetor dos menos favorecidos. 


Inobstante aquelas informações, Zé Baiano tocaiou Othoniel Dória, na Fazenda São João, em Carira. 


Quando o fazendeiro estava no curral a conversar com o vaqueiro e com outros trabalhadores, teve a desagradável surpresa de ser cercado por Zé Baiano e pelo seu bando de cangaceiros".

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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Santo ou não... “padim” Ciço.


Santo ou não... o “padim” Ciço foi um homem além do seu tempo com suas dores e seus dilemas. Caridoso, carismático e desprendido, cujo exemplo ainda hoje é incomparável. Alguém que fez a opção pelos pobres dos sertões, pelo qual pagou um alto preço.


Perseguido e incompreendido (ainda hoje) do seu modo, sofreu igualmente como tantos injustiçados sertanejos, a maldade, o ódio e a inveja dos poderosos (inclusive da própria igreja). A história do Cariri deve muito a ele...

Uma “canetada” do papa não mudaria quase nada atualmente no que tange a sua magna figura humana e histórica. Entretanto, torcemos para que o pontífice Chico canonize o santo do povo Ci- ço.

Fonte: facebook

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Semana do Cangaço 2014


Acontecerá de 24 a 28 de Julho, em Piranhas, no Estado de Alagoas, a "SEMANA DO CANGAÇO - 2014", com vasta programação. 

Museu de Arqueologia de Xingó

O evento ocorrerá no "Centro Cultural Miguel Arcanjo de Medeiros" (Piranhas), e no MAX (Canindé de São Francisco).

http://max.ufs.br/pagina/semana-canga-2014-14216.html

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Aurora, Padre Cícero e as Minas do Coxá: Uma história que não quer calar ! Parte Final

Por José Cícero

Cerca de 13 km separam a sede de Aurora das velhas jazidas do Coxá  que, por sinal encontram-se ligadas geograficamente,  ao Sul com os sítio Antas e o não menos famoso serrote do Diamante, que passou à história como um dos lugares escolhidos por Lampião e seu bando para se esconder e descansar quando das vezes que estiveram no território de Aurora. Todos acoitados e na segurança do coronel Izaías Arruda, Zé Cardoso e Miguel Saraiva. Trata-se do primeiro acampamento antes dos cangaceiros chegarem à fazenda Ipueiras onde se deu toda a trama com vistas à invasão de Mossoró em 1927.

Sem esquecer que daquele riacho, ou seja, do sítio Antas pelo menos quatro cangaceiros/jagunços compuseram o temível bando de Massilon  e em seguida, o de Lampião quando da malograda invasão à cidade norte-rio-grandense. A saber: Zé Cocô, José de Lúcio, Antonio Soares e Zé de Roque.

 
Floro e seus jagunços (acervo SOUSA NETO)

Naquele tempo, tais minas foram denominadas de “Jazida cuprífera Zaíra” numa referência à filha do engenheiro de minas francês, o conde Adolfo Van de Brule (amigo de Floro conhecido na Bahia por volta de 1905) que pela primeira vez ventilou com a possibilidade de haver ouro, cobre e outros minérios naquelas terras distantes de tudo, quase inóspitas do Coxá da Aurora.  

E que aliás, fez o velho taumaturgo do Juazeiro acreditar piamente nesta possibilidade. Para tanto, sob a ótica analista do conde Adolfo gastou uma soma significativa na ânsia de ver tal projeto de exploração em pleno curso. Uma investida inglória, como se percebeu ao longo dos anos.Contudo não desistira.

Até que em 1910 quando tudo parecia caminhar para este propósito, um poderoso sindicato francês do ramo de mineração sob os apelos de De Brule enviara por fim um comissão de especialistas. Estava decidido  a assumir os negócios das minas do Coxá. O velho padre ficara exultante pelo acontecimento. Parte do pessoal francês já se encontrava na cidade    de  Milagres nos rumos do serrote quando o pior aconteceu. O chefe do projeto Dr. Frochot acometido de febre amarela terminou falecendo subitamente  no Recife onde estava hospedado antes de vir à Aurora.  

Imagem de Padre Cícero no serrote do Coxá

Uma desgraça. A empreitada se desfez, mesmo antes de começar. Desiludido o padre empreendeu esforços desde então, no sentido de vender o quanto antes o Coxá.  Mas foram em vão. Não encontrou nenhum comprador mesmo escrevendo longas missivas de apresentação, até mesmo à exploradores do exterior. Estava deveras predestinado a morrer com as suas minas.

Como uma maldição, desde o desenlace do decano sacerdote muitas outras disputadas ainda haveriam de se suceder sobre aquelas terras. A paz do Coxá ainda estaria distante, assim como sua completa exploração mineral. As disputas seguiram a partir dos próprios inventariantes, até se chegar a grande peleja(anos depois) entre os Fernandes e os Macambiras do lugar.De sorte que ainda hoje, a situação relacionada às minas do Coxá não se encontra completamente bem resolvida. Fragmentada em várias porções de terras e sítios, as antigas minas do Coxá ainda se mantêm tanto nebulosas quanto indefinidas em seus desdobramentos futuros e também atuais.

De maneira  tal que, ainda conseguem mexer com os ânimos e a imaginação, não somente dos que se debruçam a estudar sua história, mas inclusive dos que ainda alimentam o antigo sonho de extrair para si todas as riquezas que aquele serrote encerra. Muito se fala. Pouco se sabe. Nada se faz de concreto.

 
Rocha encontrada na jazida do Coxá

Volta e meia, no entanto, homens e máquinas da tal CPRM* são vistos  rasgando o serrote, em explosões,  perfurações e outras ações inusitadas que no mais das vezes não se combinam com a antiga tranquilidade sonora da bela serra. Deixando, ao contrário do passado, um longo rastro de destruição na mata virgem.  Infelizmente num dos últimos pedaços do bioma sertanejo, onde a caatinga com sua flora e fauna  ainda se encontra relativamente preservada. Algo difícil de se presenciar nos dias atuais em toda a  região. E ninguém sabe nada. Nada se ver, nada se diz,  nada se pergunta. Tudo é segredo. Um clássico top secret que se instalou nos sertões destes grotões caririenses.

Tudo é silêncio. Tudo é mistério. Como de mistério é a própria história... E de silêncio e solidão tudo o mais que se relaciona e diz respeito à  serra do Coxá em seu itinerário bucólico do mais puro realismo fantástico. Quem sabe por isso, devotos de “padim Ciço” residentes nos sítios circunvizinhos ao serrote, num esforço conjunto acabam de colocar uma estátua do padre no cume mais alto da serra. Num local de difícil acesso em face dos enormes blocos de pedras e o emaranhado da mata fechada e espinhenta.

José Cícero e equipe no Coxá

Do cume do serrote é possível enxergar toda a região, numa visão privilegiada, em um raio de 360 graus. Uma visão das mais belas e estonteantes do Cariri. Como se estivéssemos todos a estender as mãos e o  olhar sobre Aurora e o próprio vale lá embaixo  ao  lado  do velho padre. Um pouco mais abaixo da estátua já edificada  os moradores estão a construir uma capelinha também em sua homenagem. Quem sabe, uma esperança baseada no 'eterno retorno'. Como se todos, num sentimento uníssono e coletivo compartilhassem da ideia de devolvê-lo o quanto antes as suas terras de antigamente. 

Portanto, como se percebe, o esquecimento não caberá jamais na rica história das minas do Coxá. Uma história que de tão rica, arrebatadora e instigante, desde muito se confunde com a própria história do Cariri.

Fonte:http://blogdaaurorajc.blogspot.com.br/2014/06/aurora-padre-cicero-e-as-minas-do-coxa.html

José Cícero Silva
Pesquisador e Escritor do Cangaço.

Conselheiro Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com
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JORNAL “FOLHA DA MANHÔ – 05/10/1938


UM OLHAR SOBRE O INTERVENTOR FEDERAL, DOUTOR  ERONIDES DE CARVALHO
AMEALHANDO O OURO DE SERGIPE

O Dr. Eronides de Carvalho é, sobretudo, um grande humanitário. Esta qualidade corre nas suas veias e, além disto, fora aprendida como lição diuturna no seu lar. O senhor seu pai, é um dos sertanejos mais conhecidos em Sergipe e Alagoas justamente por ser humanitário. Quem adoece na vasta zona sertaneja daquelas bandas sabe que a única farmácia de que dispõe é a casa do coronel Antônio Carvalho. Só existe uma diferença: é que as receitas são aviadas gratuitamente tendo ainda o freguês uns tantos mil réis para o respectivo resguardo. Se se trata de flagelados tangidos pelas secas o remédio é este: casa e comida na fazenda Borda da Mata até que chova. O doutor Eronides sendo filho de tão caridoso pai e vendo, dia a dia, em seu lar, exemplos desta natureza, tinha de ser o que é – um grande humanitário.

Quando o aluno da tradicional Escola de Medicina da Bahia, em campanha que fez época, bateu-se com a coragem que lhe é peculiar, pela melhoria da situação penosa e de quase abandono de certa instituição, vendo, afinal, vitoriosa a causa que esposou. Antes de ser doutorando já era clínico em plena atividade. Suas férias, metade em Capela, metade em Canhoba, eram gozadas em cima d’um cavalo atendendo chamados de clientes pobres. Quando naquela ou nesta cidade, transformava a sala de visita da casa onde se hospedava em consultório movimentado. Assim era o estudante. O médico não mudou de rumo, nem de alma.

Contam-se nos dedos os pobres que não bateram às portas de sua casa ou do seu consultório. Um que não tivesse sido válido, chovesse ou fizesse sol, fosse dia ou noite, morasse longe ou perto, não se encontra para exemplo.

E o jovem médico não ia somente olhar o doente. Retornava à sua casa até registrar a cura. Nessa labuta de abnegação sacrificou sua maior fortuna – a saúde. Para salvar, desinteressadamente, a vida alheia ia perdendo a própria. As preces angustiadas da pobreza salvaram-no.

- No governo tem sido um tremendo combatente em prol da saúde da sua terra. Se dispusesse dum orçamento onde Sua Excelência visse dinheiro de verdade e não minguados contos de réis, a desapiedada foice da Morte criaria ferrugem em Sergipe. É que o talentoso sacerdote da medicina, graças à sua cultura e à longa prática, sabe muito bem “que o que torna os povos poderosos não é o ouro abrigado nas arcas, nem a arma que suplanta as outras armas, nem a couraça que, resguardando um corpo, investe contra outro, nem o artista que cria pelo seu espírito a obra sublime, nem o ardor implacável dos homens implacáveis, mas tão somente a força de cada um, resultante da saúde que representa a alavanca para que o homem possua ouro amoedado, arma, arte e ardor patriótico.

Quem tem saúde cria, luta, defende seu cabedal. O povo sadio tem iniciativa que é o melhor clarim porque canta continuamente dentro d'alma; tem entusiasmo, que é coragem alegre. Guia-se pelo ideal, que é excelso, ama a luz, que é espontânea, preza a virtude, estima a beleza e é bom; dispõe da divina seiva que dá colorido novo a tudo que a seus olhos é dado ver. O povo doente é triste, sorumbático, ferrenho, teimoso e cabisbaixo. Não encara nem céu quanto mais o seu semelhante.” É por tudo isto que aplaudimos a grande obra do Interventor Eronides de Carvalho em bem da saúde dos brasileiros. Ela é digna da ajuda do presidente Vargas, por ser uma perfeita e grandiosa realização do programa humanitário e patriótico do Chefe Nacional.

O Dr. Eronides de Carvalho gastando como tem gasto em prol da saúde do seu povo, não está amealhando o ouro de Sergipe.


Fonte: facebook

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Entrega de cangaceiros


Foto inédita do grupo de  cangaceiros de "Pancada".

Fonte: facebook


Foto melhorada da chegada em Santana do Ipanema as cabeças dos cangaceiros que foram assassinados na Grota de Angico, em 1938, no Estado de Sergipe. Para o acervo dos senhores.



Correio de Aracaju. 2 de Dezembro de 1929


Fonte: facebook
Página: Robério Santos.

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segunda-feira, 7 de julho de 2014

O HOMEM, O VIRGULINO, O LAMPIÃO

Por Rangel Alves da Costa*

Erroneamente, ao se falar em Lampião logo vem a lume aspectos dizendo respeito ao maior dos cangaceiros que já existiu nas terras nordestinas, o exímio comandante e estrategista conduzindo o seu bando, as façanhas guerreiras, o quase invencível combatente, o insurgente contra as injustiças sociais reinantes no seu tempo.

E erroneamente porque ao se pensar assim o fenômeno Lampião, logo estará abrindo um fosso entre o cangaceiro e o homem. E é nessa divisa, na visualização entre o Virgulino e o Lampião, que deve partir todo o entendimento sobre quem verdadeiramente foi esse homem, o que o guiava na sua luta, quais os seus verdadeiros objetivos em manter uma vida tão perigosa ao lado de tantos que lhe deviam respeito e adoração.

Entender Virgulino, e também Lampião, exige um enveredar na busca do conhecimento do homem mais do que qualquer outra coisa. Ora, quem um dia, por força das circunstâncias ou não, decidiu levar uma vida errante foi o cidadão Virgulino Ferreira da Silva, o rapazote das bandas pernambucanas de Vila Bela.

Por outro lado, quem já estando na estrada um dia se fez líder, o maior entre todos os cangaceiros, foi Lampião. Virgulino repousava por baixo da pele lanhada de espinho e de sol, na inquietude de seu espírito, nas reminiscências próprias, íntimas e familiares, que nunca deixou de ter. Já o Lampião se fazia do olho adiante, debaixo do pé, no passo que dava. Este não vivia em função do homem Virgulino, mas como necessidade de se manter e se fazer ainda mais Lampião.

Juriti, Sabonete e Lampião - Sabonete era irmão do cangaceiro Borboleta

Aquele outro, o Virgulino, era o de nome e sobrenome, trazia na mente as recordações, as dores e os sofrimentos, mas também as alegrias do passado. Era o sujeito moreno, de média estatura, cabelos um tanto escorridos e desgastados, chegado a magro, com uma deficiência no olhar já adquirida na idade adulta. Neste repousava o coração, os sentimentos, o vigor físico, a disposição para a luta.

E ainda neste a infância, o percurso feito de meninote a rapaz, o trabalho na terra, a lide diária na família pobre em relação aos poderosos de então, os sonhos de todo rapazote, as raivas, o ódio criado quando da perseguição dos seus; a dor pela morte do parente, o sofrimento pela raiz familiar esfacelada, a difícil decisão tomada, a decisão em si e suas consequências, o adeus. E quando ele deu adeus e passou cancela adiante ainda era o Virgulino, o homem dentro da pessoa que era, para em seguida ser apenas de alcunha e renome. 

Contudo, antes da tão conhecida transformação, quando de liderado passou a ser líder maior, há ainda um espaço no homem fazendo uma ligação entre o que era e o que passou a ser. Não é de hora pra outra que uma pessoa se reconhece plenamente capaz de fazer aquilo que escolheu, nunca basta um querer para que tudo aconteça segundo o desejado. Neste momento ainda surgem as dúvidas e os temores.

No meio do mundo, já muito além da cancela de casa, ainda que sempre acompanhado de irmãos que enveredaram pelo mesmo caminho, Virgulino ainda não tinha deixado de ser mais a si mesmo do que a outro, aquele que viria crepitosamente mais tarde. Já sabendo bem o que queria, e que não era propriamente a continuidade de uma vingança pessoal contra os inimigos da terra, ainda assim buscava o reconhecimento com base na sua coragem, astúcia e firme personalidade.

Neste momento, neste percurso que ainda fazia para o reconhecimento, o homem procurava compartilhar seus sentimentos de indignação e ódio contra as injustiças sociais, contra os poderosos que tantas perseguições faziam, contra todos aqueles que semeavam os desmandos e abusividades pelo sertão. Estando vivendo uma nova realidade e com tais objetivos, logicamente que a luta que começaria já nascia plenamente justificada.

E justificada principalmente porque a opção pela vida cangaceira logo afastaria de si qualquer semelhança com criminosos comuns, com assassinos cruéis, bandidos de beira de estrada, com jaguncismos e pistolagens. Ora, basta ver que nem antes nem depois de se transformar em Lampião, Virgulino jamais aceitou matar por dinheiro, praticar crime de mando como um bandido qualquer. Talvez aí esteja uma essencial diferença entre o cangaço e o banditismo.

Seguindo percurso e destino, e já cortando estradas distantes, muito além das redondezas de origem, o homem já se firmava verdadeiramente como tal. Já estava no caminho que havia escolhido, tinha ciência das consequencias da nova vida abraçada, estava resoluto em seguir adiante e deixar de ser subordinado, apenas um entre tantos homens de bando cangaceiro, para se tornar num líder.

E quais seriam, então, as principais características que Virgulino deveria demonstrar para se tornar Lampião, em verdadeiro líder? Ora, nessa vida de guerras e guerrilhas sertanejas, quando o momento invoca rapidamente uma única forma de agir, sem tempo para pensar ou ponderar sobre o pior ou o melhor, logicamente que a experiência diante de cada situação surgida é o grande diferencial de um líder que quer sair vencedor.

Daí que as experiências adquiridas por Virgulino nos seus momentos de subordinado, quando sentiu as fragilidades e as forças nas ações levadas a efeito, não ficaram apenas a serviço do bando ao qual servia. Enquanto uns apenas agiam e depois relegavam o aprendizado, ele guardava cada experiência vivenciada como algo a ser sempre aprimorado.

Assim, quando decidiu tomar as rédeas do seu destino e formar o seu próprio bando, apenas procurou aprimorar os conhecimentos adquiridos sobre estratégias de defesa e de ataque, sobre os sinais da presença do inimigo, a rede de relações pessoais que deveria manter com a sertanejada, a influência que deveria conseguir e manter perante autoridades e poderosos.

Neste momento já era Lampião, já era aquele que fazia mosquetão alumiar e inimigo desabar, já era o líder cangaceiro, já era o chefe a quem todos deviam respeito e obediência. Até chegar a esse estágio passou por constante aprimoramento, por lições que não eram aprendidas senão no calor da luta, pelo desenvolvimento de manobras capazes de reverter as situações mais favoráveis. E tudo no mesmo instante em que se embrenhava pelas veredas de sangue, sentia a bala zunindo adiante e derredor, via o amigo ferido, sentia o outro já sem vida por cima das pedras bicudas.

Conhecendo tais aspectos e direcionando seus comandados para vencer armadilhas e emboscadas, impondo estratégias de não deixar rastros nem sombras do paradeiro, foi seguindo adiante, circundando, retornando ao mesmo lugar para fazer bem feito. E nesse ir e voltar, na extensa rede de relacionamentos que mantinha, criou dentro de si uma espécie de mapa mental. E a partir dele visualizava todo o sertão, cada lugar inimigo, cada caminho de fogo, cada abrigo mais seguro, cada coito e refúgio de pernoite.

E mesmo se tornando completamente Lampião, extraía de dentro do homem Virgulino que nunca deixou de existir tudo aquilo que precisava para não se desumanizar, para não perder a temência a Deus e a fervorosa religiosidade, para não se afastar dos sentimentalismos próprios de quem que precisava refletir sobre si mesmo, sobre sua vida e tudo aquilo que acontecia ao redor. 

Nesse momento, saindo um pouco de Lampião e se voltando ao Virgulino, demonstrava o amor que sentia por sua Maria, fazia as amizades, cantava no coito alguns prazeres que certamente possuía naquela vida difícil. Era o cangaceiro humano, o Capitão amigo de sua tropa, o homem que conversava e não escondia o seu desejo de um dia deixar aquela vida e poder armar uma rede num alpendre sertanejo. Viver, simplesmente poder viver.

Assim, quando na madrugada de 28 de julho de 38 foi cercado e chacinado na Gruta do Angico pela volante alagoana comandada pelo Tenente João Bezerra, tombou e morreu apenas o homem Virgulino. Lampião continuou vivendo nos braços da história na mente do povo sertanejo. E assim se eternizará.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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Cangaceiros Cariri


Grandes Temas, Grandes Debates: 
Jairo Luiz OliveiraManoel Severo BarbosaBenedito Vasconcelos MendesSousa Neto, presenças marcantes na Semana do Cangaço; de 24 a 28 de julho - Cariri Cangaço Piranhas 2014.

CONFIRA PROGRAMAÇÃO COMPLETA EM:


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Jornais sergipanos


Consegui hoje todos os jornais sergipanos entre fevereiro de 1929 e agosto de 1938, digitalizados para pesquisar sobre a passagem de cangaceiros por Sergipe. 

Aguardem! Muitas coisas boas chegarão a nós. De quebra consegui 20 fotos antigas de Aracaju, como esta de 1900.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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CHAGA VALADÃO X JOAQUIM CATANÃ

Por Heitor Feitosa Macêdo
           
Joaquim Leandro Maciel, ou Francisco de Assis Brasil, vulgo Joaquim Catanã, era um temido pistoleiro que agia entre os estados do Ceará, Paraíba e Piauí, em meados da década de 1950.

O pistoleiro, Joaquim Catanã.

Era natural de São João do Rio do Peixe, na Paraíba, e abraçou a vida do crime aos dezessete anos, quando vingou a morte de seu pai, um pequeno agricultor assassinado por questões de terra. Era só o começo de uma vida de crimes. A partir de então, começou a matar por dinheiro, quase sempre sob a ordem dos babaquaras da época.
         
Em certa ocasião, homiziou-se em Valença, no Piauí, onde viveu como agricultor por alguns anos, com uma falsa identidade, até que em 1947 muda-se para Crateús, no Ceará, onde reiniciou a vida de crimes.[1]
         
Conta-se que quando se encomendava a morte de alguém a esse assassino, ao mostrar-lhe a foto da vítima, Catanã expressava-se energicamente: “Já estou com raiva”. Outra peculiaridade dele era usar de um “senso ético às avessas”, pois reza a tradição que quando empreitava para matar certa vítima, se esta lhe parecesse boa gente, findava preservando-lhe a vida em detrimento do mandante, que acabava sendo morto pelo mesmo matador dantes contratado. Catanã além de justiceiro também era judicioso.
         
Não tardou para que os serviços do célebre pistoleiro fossem locados para por fim a mais uma vida. Desta vez o alvo era o prefeito de Aiuaba, Armando Arrais Feitosa. Catanã, em seu iter criminis aproximou-se da casa do prefeito, pelo flanco, agachado por entre as madeiras empilhadas, ardilosamente engendrando a emboscada.
         
Contudo, em seu desfavor, algumas crianças brincavam naquele mesmo perímetro, e foram ter por esconderijo o mesmo lugar que o pistoleiro pusera-se à sorrelfa. Irritado, ele ainda relhou com as crianças, mandando-as partirem para longe de sua tocaia.
         
Imediatamente a meninada alardeou sobre a presença de um homem ocultado no oitão da casa. Isso foi o bastante para que o intento facinoroso se frustrasse, cabendo ao bandido “ganhar o mato”.

Chaga Valadão

Mais uma perseguição é iniciada, tendo a dianteira Chaga Valadão, novamente requisitado pelo Tenente Arnau ao patrão daquele, Zé Solano. Seguindo o rastro do foragido, vão esbarrar na porteira da Fazenda Murzela, pertencente a “Sá Tonha”, no município de Aiuaba.
Chaga ao reconhecer aquela propriedade como sendo de gente aparentada de seu patrão, recusou-se a invadi-la, comunicando expressamente ao Tenente Arnau, que ainda relutava em sede de alcançar o foragido. Então, em face do contumaz Tenente, o rastejador propôs que contornassem aquela fazenda e esperassem Catanã à margem do Rio Jaguaribe. Mas, essa manobra ficara frustrada, ante a fuga do pertinaz pistoleiro.
         
Os senhores da Murzela ficaram gratos por Chaga ter respeitado os limites de seus domínios, presenteando-o com um cordeiro e uma enorme consideração. No fundo, Chaga sabia das consequências de ignorar um valhacouto, pois, para um bandido livrar-se de qualquer pesrseguição, bastava transpor os cercados dos poderosos fazendeiros.

Armando Arrais Feitora

Por fim, Armando Arrais findou sendo assassinado por mãos de outros pistoleiros, no alpendre de sua casa no dia 1º de maio de 1972, por intrigas políticas fomentadas dentro de seu próprio círculo familiar.[2] Joaquim Catanã, depois de preso na Capital do Ceará, em consequência de outros crimes, foi transferido para um presídio em Terezina, onde se mostrava arrependido de seus desatinos, debruçado sobre livros de direito. No entanto, vez por outra saía do presídio para ceifar mais vidas, até que foi morto por envenenamento.  

[1] Fortes, José. As façanhas do pistoleiro Catanã. Meionorte.com. 25/11/2008. Disponível em: 
Acesso em: 05/04/2011.
[2] Grande parte dessa narrativa foi confidenciada pelo irmão mais velho de Chaga Valadão, José Francisco Valadão, em entrevista cedida no ano de 2010.

http://estoriasehistoria-heitor.blogspot.com.br/2013/03/chaga-valadao-x-joaquim-catana.html

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O Troféu de Leonardo Motta: Zé Pinheiro

Por Plínio Bortolotti
Aderbal Nogueira, Manoel Severo, Plínio Bortolotti e Marisa

Esta postagem é a sexta história sobre o cangaço que reproduzo do livro “No tempo de Lampião”, de Leonardo Mota [1891-1948 ], cearense de Pedra Branca que dedicou-se a pesquisar as coisas do sertão nordestino.

O troféu

"Zé Pinheiro, o celebérrimo facínora que tão sinistramente se afamou na sedição de Juazeiro contra o Presidente cearense Franco Rabelo, era um cangaceiro perversíssimo, ajutor de dezenas de homicídios bárbaros. 

O cangaceiro Antonio Silvino

O seu renome se fez no período que mediou entre o alumbramento da estrela de Antônio Silvino e o fulgor infernal da triste glória de Lampião. 


Conheci-o pessoalmente em abril de 1914, quando a jagunçada do Padre Cícero passava pela cidade de Quixadá. Acabou martirizado nos sertões alagoanos por uns rapazes, cujo pai fora por ele assassinado. Essa vingança foi terrível: convenientemente amarrado, não lhe deram pancadas nem tiros – esfolaram-no vivo, suplício que o bandido suportou, rilhando os dentes e sem a humilhação de inútil pedido de misericórdia.

Leonardo Mota

Quando Zé Pinheiro morava nos domínios do Padre Cícero, vivia também, a esse tempo, em Juazeiro, o Antônio Godê, outro cangaceiro famoso. O Godê era mais valente que o Zé Pinheiro; este tinha apenas mais perversidade. Incomodado com a fama do rival, Zé Pinheiro brabateou, um dia, que ainda havia de mostrar ao Godê quem dos dois era o homem mais homem. A ameaça chegou aos ouvidos do Antônio Godê que, sem dizer palavra, saiu ao encontro daquele que assim jurara despachá-lo, antes de tempo, deste para o outro mundo. Encontrou-o a beber cachaça e contar proezas, num quarto de feira. Aproximou-se, bateu-lhe levemente no ombro e pediu em tom camaradesco:

- Zé Pinheiro, meu cabôco, deixa eu ver aí a fralda de tua camisa!

- Que negócio é este, Antônio Godê

- Nada. É uma brincadeira, é uma caçoada que eu quero te ensinar…

E, dando o exemplo, pôs para fora das calças a camisa. Zé Pinheiro fez o mesmo e o Godê, dando forte nó com ambas as peças de roupa, falou, noutro tom:

- Agora que nós estamos amarrados um no outro e nenhum de nós pode correr, bata mão à sua faca, cabra severgonho, que chegou a hora de se decidir quem de nós dois é home mais home!


E já empunhando a sua pajeuzeira, deu vários panos no peito e no rosto do bandido acovardado, que não teve coragem de sacar o punhal e se desmanchou em desculpas e protestos de amizade. Cansado de o provocar, Antônio Godê falou, com desprezo:

- Eu não te mato, mundiça, porque cabra frouxo como tu, um home como eu inzempla é assim como eu fiz agora. Mas, olha: tu larga meu nome de mão, deixa de paleio com minha vida, senão eu te arranco o coração pelas costas! Tu cuida que eu sou o negro Quintino, que se o Padre Ciço não chega tão depressa, tu tinha comido a língua do cadáver dele crua e com cachaça?

E pôr termo à estranha xifopagia, cortando com certeiro golpe de faca a união que ardilosamente conseguira para o duelo mortal. Mas, cortando como? Por derradeiro escárnio, cortando do lado da camisa do Zé Pinheiro e pondo para dentro das calças, como troféu, o nó cego que fizera…"

Leonardo Motta
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