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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O DIA DO PROFESSOR

Por Clerisvaldo B. Chagas, 15 de outubro de 2014 - Crônica Nº 1.281

Faço minhas as palavras da Wikipédia:

“No Brasil, o Dia do Professor é comemorado em 15 de outubro.

No dia 15 de outubro de 1827, Pedro I, Imperador do Brasil, baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, ‘todas as cidades, vilas e lugarejos tivesse, suas escolas de primeiras letras’. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima – caso tivesse sido cumprida.

Professora Helena Braga das Chagas

Mas foi somente em 1947, 120 anos após o referido decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia efetivamente dedicado ao professor.

Começou em São Paulo, em uma pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como ‘Caetaninho’. O longo período letivo do segundo semestre ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo este período. Quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa – e também de congraçamento e análise de rumos para o restante do ano.

O professor Salomão Becker sugeriu que o encontro se desse no dia 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, Piracicaba, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça  – inclusive dos pais. O discurso do professor Becker, além de ratificar a ideia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase ‘Professor é profissão. Educador é missão’. Com a participação dos professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a ideia estava lançada.

A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.

* Foto: Professora Helena Braga das Chagas. In memoriam.



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Hoje, Dia do Professor.

Por Lúcia Rocha

Hoje, Dia do Professor. Nossa homenagem a uma grande educadora, dona Dagmar Filgueira, fundadora do Colégio Dom Bosco, em foto de 1978. 


Discreta, não dava entrevista nem para os alunos do colégio que dirigiu ao longo da vida. Ao receber há poucos anos o Troféu Ana Floriano, concedido pela Prefeitura de Mossoró, falou timidamente para o programa de Marilene Paiva.

 kareninefernandes.com

Foi uma educadora empreendedora, pois teve a ousadia de abrir o primeiro colégio particular de Mossoró. Antes, além das escolas públicas, só havia o Colégio Diocesano e colégio das irmãs, que pertenciam a Diocese e uma congregação franciscana, respectivamente. Dona Dagmar foi dama, uma grande mulher que levou uma vida completamente comprometida com a educação.

Fonte: facebook

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CONSIDERAÇÕES SOBRE LAMPIÃO


Os sonhos do homem simples dos sertões, certamente não alcançam voos tão altos, mas planeiam quase sempre no esplendor da vastidão das terras, na boa colheita, no criatório de gado e na garantia de sua sobrevivência.

Como surgiu o Cangaço em meio a sonhos tão singelos e humanos?

É ledo engano argumentar que os cangaceiros eram deserdados da vida, os sem terra, o que resultava àquela vida de crime e terror sertanejo. 

Antes de tudo, devemos ver o cangaço como um movimento estimulado e mantido por grupos de latifundiários, com exceção é claro de muitos fazendeiros honrados, mas não podemos camuflar o nefasto coronelismo e seu poder dominante.

O fenômeno do cangaço foi um sintoma de ferida que corroía a sociedade. O sertanejo se viu vítima do acúmulo de injustiças sofridas nas garras dos mais poderosos: O estado de submissão em que viviam perseguições e as terríveis mágoas pessoais. Num contexto onde prevalecia predominava ou defendiam um código de honra particular. 

Matar por vingança significava ter poder ser corajoso. As circunstâncias sociais criavam homens violentos. Daí poderíamos ver as possibilidades desta formação de personalidades dos cangaceiros e criminosos como uma fusão da sociedade sertaneja e seu biótipo Lampião foi o expoente máximo do cangaço, não querendo dizer com isso que foi o seu criador. 

O movimento já existia muito antes; 0s grupos de Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino, Adolfo Meia Noite, Sinhô Pereira, mentor maior de Virgolino e outros. Vale salientar que Virgolino Ferreira da Silva nunca foi um líder de rebeliões, movimentos de sertanejos revoltados ou líder de guerrilhas políticas. O que podemos conjeturar é que ele se tornou líder de seu próprio grupo e formou outras lideranças com seus subgrupos.

O que ocorreu com aquele homem até então um simples trabalhador, almocreve e cheio de sonhos, para se tornar o Rei do Cangaço? Passando a se transformar num mito no imaginário popular?

A personalidade de Lampião estava povoada de paradoxos: Simples, explosiva, às vezes amável, às vezes sonhador, isso se explica porque até o fim de sua vida viveu com sua amada Maria Bonita, intrépido. Só um homem que conseguiu sobreviver na perigosa liderança da resistência por tantos anos, como ele, poderá atribuir a força deste sonho e projeto de vida. No seu caso projeto de sobrevivência. Virgolino tornou-se fora da lei, não pode voltar a vida pacata. Reconhecemos nele um homem valente. Em vez de fugir das ofensas, desafetos e perseguições, assumiu seu "EU", deixou de ser expectador passivo das próprias misérias e passou a resistir com unhas e dentes com a força descomunal do seu lado explosivo de sua personalidade.

Assumiu a liderança com extrema habilidade. Os conflitos inatingíveis assumia com coragem, nos bastidores da sua mente, gerenciou o seu EU, e, passou a ser líder de si mesmo, para ter suporte de liderança e encorajar seu grupo.

A nossa inteligência se acha encarcerada quando aceitamos passivamente algo negativo, que nos fere a alma. Com Lampião não foi diferente: Segundo John Kenedy, "O conformismo é o carcereiro da liberdade, o inimigo do crescimento".

Façamos uma comparação levando em conta as causas que o levaram a torna-se fora da lei: A perda da tranquilidade almejada por todo sertanejo, a paz da família em perigo.

A perda dessa tranquilidade roubou-lhe a alegria, mas produziu algumas JANELAS KILLERS na sua memória: segundo Augusto Cury no seu livro Inteligência Multifocal-Cultrix. SR, 1998.

"Janelas Killers são zonas de conflito intensas cravadas no inconsciente que bloqueia o prazer.

Conformismo para ele era a morte. As desavenças com a família Pereira, o conflito com José Saturnino, depois com os Nazarenos e com a polícia. Tudo isso contaminou o delicado solo do seu inconsciente. A resposta ferrenha de sua mente foi a luta, a força dos combates e as atrocidades de seus crimes e o terror sertanejo. Para o homem agir com coerência, principalmente na sociedade atual, precisamos controlar os traumas. "Só o conhecimento sobre si mesmo e o amor pela espécie humana libertam o Homo Sapiens das suas loucuras. "Augusto Cury, Sabemos que a violência dos cangaceiros e volantes advinha do próprio meio social.

Entre as várias explicações para esse fenômeno, tentei expor algumas, cabe aos nobres colegas fazer suas próprias conclusões.

Vilma Maciel-14-10-2014

Fonte: facebook

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O CANGAÇO - FAZENDA PATOS PALCO DE UMA DAS MAIORES ATROCIDADES OCORRIDAS DURANTE O PERÍODO DO CANGAÇO.


FAZENDA PATO PALCO DE UMA DAS MAIORES ATROCIDADES OCORRIDAS DURANTE O PERÍODO DO CANGAÇO.

Local em que Corisco e seu bando assassinaram e degolaram o coiteiro Domingos Ventura, sua esposa e quatro filhos do casal, enviando em seguida as cabeças de suas vítimas dentro de um saco para a cidade de Piranhas-AL, onde foram entregues ao então prefeito João Corrêa Brito.

Junto com as cabeças Corisco enviou um bilhete com a seguinte frase:

"Faça com essas cabeças uma fritada. Matei duas mulheres para vingar a morte de duas que foram assassinadas em Angico."

Corisco e Dadá

A pedido de Dadá, Corisco deixou vivos uma mulher que amamentava um bebê, e seus três filhos pequenos, justificando: alguém tem que viver para contar a história.

Fonte: facebook

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Sálvio Siqueira, você é de onde? Pernambuco?


Caro Sálvio Siqueira,

Obrigado por me responder.

Eu perguntei de onde você era por causa do seu sobrenome, SIQUEIRA. Vou lhe fazer uma revelação: você pode ser parente do cangaceiro Luís Pedro.

Vou dar algumas dicas, para que você converse com as pessoas mais velhas de sua família, de modo a checar se isso é ou não verdade. Se você tiver parentes em Triunfo, Calumbi e Delmiro Gouveia, tudo indica que existe algum parentesco com Luís Pedro. A família SIQUEIRA é ligada às famílias RODRIGUES e CORDEIRO.

Como você percebeu nos meus comentários a respeito de Corisco e Dadá, para escrever o que afirmo eu vou aos lugares, entrevisto as pessoas, leio muito, comparo os textos de um com os textos de outro autor, com senso investigativo. Entrevistei dezenas de pessoas da família Siqueira.


Neném do Ouro e seu companheiro Luiz Pedro

No que diz respeito a Luís Pedro, um dos principais cangaceiros do grupo de Lampião, alguns autores se referem a ele como Luís Pedro Cordeiro. Porém ele não tinha “Cordeiro” no sobrenome. O equívoco decorre do fato de sua irmã ELVIRA PEDRO ter casado com JOAQUIM CORDEIRO, de São Serafim (ATUAL CALUMBI), gerando vasta prole com o sobrenome “CORDEIRO DE SIQUEIRA”.

A família Cordeiro é uma das mais importantes de Calumbi. JOAQUIM CORDEIRO era irmão de JOÃO CORDEIRO (JOãO MOCÓ) – eram filhos de Pedro Cordeiro. SILVINO CORDEIRO DE SIQUEIRA foi vereador de Serra Talhada em várias legislaturas.

Luís Pedro também não tinha “Pedro” no sobrenome. Seu nome real era Luís RODRIGUES DE SIQUEIRA. Seu pai, Pedro Alexandrino de Siqueira (PEDRO VERMELHO), ao ficar viúvo, casou com Rufina Maria da Conceição, uma moça da família Rodrigues, com quem teve 18 filhos (13 homens e 5 mulheres). Em virtude do nome do patriarca da família – Pedro Vermelho –, a filharada ficou conhecida como “OS PEDRO”: fulano Pedro, fulana Pedro... Luís Pedro era o caçula.

Em alguns documentos o apelido “Vermelho” incorporou-se oficialmente ao nome do pai de Luís Pedro. Em sua CERTIDãO DE CASAMENTO consta: Pedro Vermelho Alexandrino de Siqueira.

Pedro Vermelho tinha uma engenhoca de rapadura no sítio Brejo, vizinho da fazenda Retiro, de Joaquim Marinheiro, pai do coronel Marçal das Abóboras – o Retiro e as Abóboras haviam pertencido a Braz Nunes de Magalhães, bisavô de Agamenon Magalhães, que viria a ser governador de Pernambuco.

A família Pedro foi duramente perseguida pela polícia, especialmente pela volante de Clementino Quelé, e durante muito tempo todos tiveram de abandonar o sítio, indo morar na Pedra (atual Delmiro Gouveia), em Alagoas. Um irmão de Luís Pedro, chamado JOSÉ RODRIGUES DE SIQUEIRA (JOSÉ PEDRO), levou consigo um garoto que criou como filho, chamado ELISEU NORBERTO. Eliseu viria a casar com ANÁLIA FERREIRA, IRMã DE LAMPIãO. Eliseu foi vendedor de redes. Tornou-se grande fazendeiro em DELMIRO GOUVEIA (Alagoas). Há uma ESCOLA MUNICIPAL em Delmiro Gouveia com o seu nome.

No meu livro, há um capítulo intitulado “A triste sina de Luís Pedro do Retiro”. Sobre esse cangaceiro, escrevi o seguinte:

“Em todos os setores da sociedade humana há pessoas boas e pessoas más. Assim também ocorria no mundo do cangaço. Ali havia de tudo, desde elementos que nasceram para o crime até homens de elevado quilate que as circunstâncias lançaram naquela via sem retorno.

O cangaceiro Luís Pedro foi um desses. É uma pena que um homem com suas qualidades virasse bandoleiro. Era filho de uma família de agricultores dos arredores de Triunfo, na divisa de Pernambuco com a Paraíba. Seus parentes, estabelecidos nos sítios Retiro, Junco, Canabrava e Almas, eram exemplo de gente trabalhadora e digna, gente que, quando empenhava sua palavra, podia vir a prejudicar-se ou até a perder a vida, mas cumpria o compromisso.

O garoto Luís Pedro criou-se num clima de culto à valentia. Em sua infância, não havia ainda Lampião. As estrelas do cangaço na zona do Pajeú eram os cabras de Cindário Carvalho e Sinhô Pereira. Como a maioria dos rapazes de sua época, Luís Pedro foi contagiado por aquele ambiente de aventura e macheza, materializado nas roupas vistosas e nos reluzentes apetrechos dos cangaceiros.

Em fins de 1923, um primo de Luís Pedro chamado Henrique foi assassinado na presença dos filhos. Luís Pedro não pensou duas vezes: passou fogo no assassino.

Era praticamente um menino, tinha apenas 14 anos. Com medo de ser preso, foi pedir proteção a Lampião, que naqueles dias vivia jogando baralho e dançando xaxado no sítio Almas. O dono do sítio, alferes João Timóteo de Lima, era casado com uma moça da família de Luís Pedro – família Rodrigues. Por isso, o novato já entrou no bando com privilégios e distinção. Jovem, inexperiente, abraçou de corpo e alma a vida cangaceira. Quando se arrependeu, já não havia como retroceder. Costumava lamentar:

– Eu sou cumo um urubu. Mĩa vida nun vale nem um palito de fósco riscado.

Várias vezes, a fim de matar a saudade, ele ia escondido até perto de sua casa, no Retiro, para ver a mãe, e ficava olhando-a de longe, enquanto ela cuidava dos afazeres domésticos ou ia lavar roupa no tanque, mas evitava que ela o visse, pois tinha vergonha de ser a ovelha negra da família. Achava que seria repreendido ou teria de ouvir conselhos que não podia seguir.

Luís Pedro foi o mais leal de todos os cabras de Lampião, ficando com ele durante 14 anos, até à morte em Angico.

Mesmo tendo passado 14 anos no cangaço, Luís Pedro distinguiu-se sempre como um homem equilibrado, de palavra, não se tendo conhecimento de perversidades ou baixezas de sua parte. Comunicativo, jovial, estava sempre bem-humorado. Era o conselheiro de Lampião, seu braço direito, uma das poucas pessoas a quem Lampião dava ouvidos e atendia. Houve inclusive ocasiões em que escorou o chefe na boca do mosquetão, fazendo-o acalmar os seus furores e mudar de ideia. Era corajoso como poucos. Lampião dizia:

– Cumpade Luís Pedo vale pur trinta boca de fogo.

Ficou conhecido como Luís Pedro do Retiro em alusão ao sítio onde nasceu, a meia légua de Triunfo.”

Dê-me notícias, Sálvio.
Um cordial abraço.
José Bezerra

Fonte: facebook

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GRANDE IVANILDO SILVEIRA


Hoje vivemos em um mundo onde os meios eletrônicos aproximam os seres humanos, mas os acomodam em suas cadeiras diante de seus computadores. E as vezes esquecemos como é bom conversar, trocar ideias despretensiosamente. 

Ontem tive um encontro muito interessante com o amigo Ivanildo Alves da Silveira. Daqueles encontros que no qual passamos mais de três horas conversando e parece que foi tudo muito rápido. Debatemos vários acontecimentos e situações sobre inúmeros temas, principalmente envolvendo o Nordeste. Ele é Promotor de Justiça em Natal, sendo considerado em sua atividade um dos mais denodados e atuantes no Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte. Além disso, Ivanildo é também considerado um dos maiores pesquisadores e colecionadores sobre a cultura nordestina. Temas como cangaço, coronelismo, e messianismo encontram neste amigo um considerável lastro de conhecimento. Prestativo, orientador e respeitador ao extremo em relação à opinião de outras pessoas, Ivanildo possui junto aqueles que pesquisam temas nordestinos uma extrema admiração. Valeu pelo papo meu amigo e vamos nós encontrar mais vezes!

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.com.br/2014/10/03/grande-ivanildo-silveira/

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O TERROR DOS SERTÕES NORDESTINOS AS DEPREDAÇÕES DO FACÍNORA LAMPIÃO NO INTERIOR DA BAHIA


“DIÁRIO DA TARDE” – 19/07/1933 - RIO, 18. (C.E.) Via aérea. O “Diário Carioca” publicou na edição no dia 14 os seguintes telegramas:


BAHIA, 13 – O bando chefiado por Virgulino Ferreira, vulgo “Lampião”, está novamente pondo em sobressalto a tranquilidade da família sertaneja baiana.

As cidades que ficam às margens do S. Francisco, limítrofes com o estado da Bahia e Alagoas, aproximadamente já das Águas Belas, em Pernambuco, são quase sempre, o teatro das operações do terrível bandoleiro. Os sertanejos lutam com hostilidades ambientes e vivem agora, de atalaia contra a invasão periódica dos grupos de salteadores. Lampião tinha feito uma trégua. Nesta semana, porém, reiniciou os seus assaltos às fazendas e às vilas distantes.


O governo baiano tem desenvolvido a sua atividade para proteger a família sertaneja. Em trem especial seguiu, para a cidade de Juazeiro, um destacamento do 19º BC, composto de 400 homens a fim de auxiliar a polícia que as acha no encalço de Lampião.


BAHIA, 13. – Notícias procedentes do interior daqui informam que o bandoleiro Lampião acompanhado de um grupo de mais de vinte homens, se encontra, novamente, no território baiano, tendo saqueado as povoações de Bembom e Oliveira, situadas à margem do rio São Francisco.

A primeira vítima foi à povoação de Bembom, que o bandido atacou de surpresa e, depois de aprisionar o subprefeito local, Sr. Alfredo Nunes de Oliveira, saqueou as casas de comércio e principais residências particulares.

Dirigiu-se, a seguir, à povoação de Oliveira, que fica próxima e teve a mesma sorte.


Não contente com o resultado do saque, Lampião prendeu os comerciantes Antônio Nunes Santa Sé e Ormuth de Oliveira e Souza, tornando-os como reféns e exigindo para o resgate dos mesmos a soma de sete contos de réis. Depois de entregue essa quantia o bandido deu liberdade aos seus prisioneiros e retirou-se.

Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho - O Cangaço

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Pavilhão Vitória - 05 de Outubro de 2014

Por Geraldo Maia do Nascimento

O padre Luís Ferreira da Cunha Mota foi o prefeito que mais tempo passou na administração do Município de Mossoró. Foram nove anos e três meses. A 16 de janeiro de 1936 foi nomeado pelo Dr. Rafael Fernandes para exercer o cargo de Prefeito do Município de Mossoró, permanecendo nessas funções até o começo de novembro do mesmo ano, quando foi convocado, na qualidade de 2º suplente, para ocupar a cadeira de Deputado na Assembleia Legislativa Estadual. Voltou a Mossoró e reassumiu a Prefeitura no dia 23 de dezembro do mesmo ano. Vitorioso nas eleições realizadas a 16 de março de 1937 (1.486 votos), tomou posse como Prefeito constitucional, a 7 de setembro do mesmo ano. Em virtude do golpe de 10 de novembro e implantação do “Estado Novo”, foi confirmado no cargo de Prefeito de Mossoró, por ato do Interventor Federal Dr. Rafael Fernandes, de 16 de dezembro de 1937, prestando compromisso legal de posse, perante o Dr. Juiz de Direito da Comarca, a 30 do mesmo mês e ano. A 5 de abril de 1945 renunciou definitivamente ao cargo e afastou-se da política.
               
Como gestor, procurou implantar melhoramentos tais que proporcionaram a cidade uma aparência moderna e alegre, com implantação de jardins nas praças Vigário Antônio Joaquim, da Independência, Rafael Fernandes e Ulrick Graf; remodelou os jardins das praças da Redenção e Rodolfo Fernandes. 


Nessa última, no centro do jardim, por volta dos anos 40, ergueu um majestoso pavilhão de cimento armado, de aspectos modernista, que chamou de Pavilhão Vitória, numa homenagem à vitória das nações aliadas sobre a Alemanha de Hitler. O Pavilhão tinha sobre o teto um simbólico V, de concreto, com mais ou menos um metro de altura. Tinha formato circular, sendo composto por duas salas fechadas e uma área aberta. Destinava-se a servir como bar, sorveteria e café. O seu primeiro arrendatário foi o senhor Severino Rodrigues, de Pernambuco, que na instalação tratou de implantar algumas modernidades como a geladeira. O Pavilhão Vitória oferecia serviços de bebidas geladas, café, doces e lanches, possuindo ainda seções de confeitaria e charutaria. Os outros arrendatários foram Antônio Jerônimo de Queiroz (mais conhecido por Seutônio), Jeremias Gurgel e Francisco Leonardo Nogueira (Chico Leonardo), dentre outros.
               
Foi por vários anos um agradável ponto de encontro de amigos para os bate-papos sobre qualquer assunto. Era o point da cidade. Todos os que se dirigiam ao cinema Pax para ver um filme ou retornavam de uma sessão cinematográfica ali reservavam algum tempo para um gostoso papo, sempre regado a um gostoso cafezinho.
               
Ao seu redor, pela manhã e a tarde, ficavam os engraxates, alguns bem tradicionais na cidade, com clientela fixa, numa época que era comum o uso de paletó e gravata, principalmente o branco, que amenizava o calor sem perder o estilo. Os sapatos, portanto, tinham que estar sempre polidos.
               
Na década de 60, em nome do progresso e da modernidade, demoliram o Pavilhão Vitória. O grande fotógrafo Manuelito Pereira legou para o futuro a imagem que ilustra este texto. Foi só o que restou de um recanto da cidade que marcou época e que ainda é lembrado por muitos que o frequentaram. 

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Fonte:

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Há muito o que estudar sobre o fenômeno cangaço


Há muito o que estudar sobre o fenômeno cangaço. Citando um exemplo, por demais conhecido dos amigos, é a relação de Corisco e Dadá. Dadá, quando menina, tinha entre 12 e 13 anos de idade, foi arrancada do seio familiar, sequestrada por Corisco e, segundo os relatos, estuprada em cima de um lagedo, pedra muito grande. Pois bem, na sequência de suas existências, criou-se um elo muito forte entre eles. Corisco não fazia determinadas coisas que desagradassem a Dadá, como vemos no caso do massacre na Fazenda Patos, onde ela o enfrenta e consegue salvar duas crianças da morte certa, e as declarações de um cangaceiro dizendo que ele só fazia o que sua mulher queria ou mandava. Dadá defendeu ou salvou Corisco de morrer pelo fuzil do valente Torquato. Aconteceu aquilo que chamamos, ou os especialistas chamam, 'Síndrome de Estocolmo'?

O escritor José Bezerra Lima Irmão falou o seguinte ao pesquisador e escritor Sálvio Siqueira:


Sálvio Siqueira, você é de onde? Pernambuco? O seu "Siqueira" tem a ver com os Siqueira de Trinfo, Calumbi ou Afogados da Ingazeira?

Olha, amigo Sálvio, as considerações que você faz são decorrentes das coisas que os autores, repetindo-se uns aos outros, costumam dizer a respeito de Corisco e Dadá.

Estive em Salgado do Melão, Pariconha, Verdão, Serra da Jurema, Delmiro Gouveia... Posso assegurar que Dadá não foi "arrancada do seio de sua família. Dadá não foi "sequestrada" por Corisco. Dadá não foi estuprada em cima de um lajedo.

A história do sequestro e do estupro é resultante do que Dadá contou aos seus entrevistadores, já morando em Salvador, depois da derrocada do cangaço. Ela contava o que lhe interessava.

Os cangaceiros Corisco e Dadá

Dadá e Corisco tinham vários laços familiares. Certamente nas entrevistas ela omitiu seu parentesco com Corisco para esconder sua participação, mesmo que indireta, na morte do namorado, Cazuza, assassinado por Corisco. Seus parentes em Salgado do Melão afirmam que Dadá não era mais “moça” quando se juntou a Corisco.

Corisco e Dadá têm vários vínculos familiares. Dois tios de Dadá (Livino Ribeiro e Né Cunha) casaram com duas irmãs, tias de Corisco (Lina Quileto e Maria Quileto), irmãs de Firmina Quileto (mãe de Corisco). Corisco não se chamava Cristino Gomes da Silva Cleto, como dizem por aí. Não era "Cleto": era Quileto (apelido). Quileto era o apelido de um antepassado da família, chamado Anacleto.

O pai de Corisco não "morreu cedo", como dizem por aí. E o nome dele não era Manoel Gomes da Silva. Este era o marido de Firmina, mas não é pai de Corisco. Manoel Separou-se de Firmina e casou com Rosa Ribeiro, tia de Dadá. Já separada de Manoel, Firmina teve um relacionamento com um homem casado chamado José Francisco da Silva (Zé Peba), residente no Verdão, perto de Pariconha.

Dadá acompanhou Corisco por livre e espontânea vontade. Ela vivia recebendo presentes de Corisco. O próprio pai de Dadá ajudou-a a montar na garupa do cavalo de Corisco.

Nas entrevistas, Dadá contava seu sofrimento ao ser "sequestrada". Que sofrimento? Estava com o primo. Os cabras que acompanhavam Corisco eram todos primos.

Sofrimento mesmo quem passou foi o pai de Dadá, quando a polícia soube que sua filha estava amigada com um cangaceiro de Lampião. Mal uma volante saía de sua fazenda, chegava outra. O tenente Manoel Campos de Menezes, de Chorrochó, prendeu o pai dela e levou-o para a cadeia de Uauá. Como se não bastasse toda aquela humilhação, o velho ainda foi surrado: apanhou tanto que ficou inchado. A mãe de Dadá foi para Belém de São Francisco com os filhos pequenos a fim de pedir ajuda a um cidadão chamado Antônio Félix, que socorria os retirantes em épocas de secas. Chegou a pedir esmolas. Os filhos também.

O notável professor Estácio de Lima dedicou um subcapítulo de seu primoroso livro a Dadá, a Princesa do Cangaço. Porém, como o respeitável mestre se baseou no depoimento de Dadá, pouca coisa se aproveita, porque Dadá foi entrevistada numa fase em que ela não abria sua alma para ninguém, pois vivia assustada diante de todo tipo de perigo. Além disso, havia aspectos relativos a sua família que Dadá não conhecia, porque saíra de casa ainda menina. Dos irmãos, ela conhecia apenas os apelidos. Errou até o nome de sua mãe. Está errada também a data de seu nascimento (de acordo com seus documentos pessoais, Dadá nasceu em 1915, e não em 1914).

Dadá disse a Estácio que o seu namorado, Cazuza, era “filho de seu Jonas, homem trabalhador...”. Porém Cazuza não era filho de “seu Jonas”, mas sim de “dona Joana” – Joana Maria da Conceição –, esposa de Silvino José de Carvalho (conhecido como Silvino Maia), um grande proprietário de terras. Silvino e dona Joana tiveram os seguintes filhos: Cazuza (José), Benjamim, Cornélio, Feliciano (Ciano), Candinho e Gregório (todos tendo o sobrenome Silvino do Nascimento). Um filho de Feliciano viria a ser também cangaceiro – Pedro de Ciano, o famoso Calais.

Dadá mentiu a Estácio ao contar que seu namorado foi assassinado “Certa noite, numa festa, bastante bebida, animação, juventude, aconchegos...”, dizendo que dois rapazes se desentenderam, e Cazuza sucumbiu.Dadá não só omitiu a participação de Corisco no crime, mas ainda negou o fato. Estácio de Lima perguntou: “Mas Dadá, Curisco matou, ou não matou, seu namorado Cazuza?” E Dadá respondeu: “Já disse e repito: não teve nada com o crime! Deixe, porém, que eu continue...” – e prosseguiu contando só o que lhe interessava. Dadá tapeou seus entrevistadores, contando as coisas como bem lhe convinha. A história de seu “rapto” por Corisco é pura fantasia. Logo ao ser presa, não tendo ainda arquitetado a versão que passaria a repetir mais tarde, Dadá contou ao repórter Evandro Américo, dos _Diários Associados_, que ela conheceu Cristino, seu “primo carnal”, quando ele estava negociando naquela zona (Baixa do Ribeiro) e certa vez apareceu em visita a seu pai.

Disse que nasceu no mesmo dia em seu coração uma admiração apaixonada pelo parente, que segundo ela nem sonhava talvez se tornar cangaceiro. “Outras visitas transformaram em amor aquele sentimento a princípio vago e indeciso. Ao primo não passou despercebida aquela atenção demasiada e aqueles agrados fora de propósito que lhe dispensava Dadá. E ele passou a corresponder ao amor da prima”.

Pelo que Dadá contou àquele repórter, fica claro que não houve rapto algum – ela simplesmente fugiu com o primo: “Corisco levou um tempo enorme sem aparecer e quando surgiu à frente de Dadá com a vestimenta característica dos cangaceiros, chapelão enorme e todo enfeitado, cartucheira arrodeando o corpo, e os cabelos compridos feito de mulher – ela tomou logo a decisão de acompanhá-lo. E sem ninguém em casa dar fé saiu numa madrugada para a aventura, para o amor”. 

Isso é, literalmente, o que consta na reportagem do Estado da Bahia, de 3 de junho de 1940. Essa entrevista foi dada por Dadá quando ela ainda estava em Djalma Dutra (atual Miguel Calmon), logo após a amputação da perna, em decorrência do tiro recebido ao ser presa.


Passei onze anos pesquisando a história do cangaço. Quem tiver interesse em saber o resultado dessas pesquisas, especialmente no tocante a Corisco e Dadá, basta checar o que consta no capítulo intitulado "Corisco, o Último Cangaceiro", das páginas 658 a 681, de "Lampião - a Raposa das Caatingas". Não estou fazendo propaganda do meu livro. É que notei que o amigo tem interesse por esses assuntos.

Veja, por favor, anexa, a capa do referido livro. Tem 736 páginas. Centenas de mapas. Centenas de fotos.

Fonte: facebokk
Página: José Bezerra Lima Irmão O cangaço

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LAMPIÃO - O Guerreiro que corria atrás do vento

Material do acervo do pesquisador Raul Meneleu Mascarenhas

Alguns historiadores em suas dissertações a respeito de Virgulino Ferreira, O Lampião, procuram mostrar que ele não era um guerrilheiro enquanto pensamento político e têm razão, pois se tornou cangaceiro pelas circunstâncias de rixas familiares e não por política partidária e alguns chegam a afirmar a maldade dele já estava no sangue desde jovem.

O que quero demostrar aqui, é que ele poderia até não ser um militante político que partiu para a luta armada, mas que era um guerrilheiro estrategista de primeira, ninguém pode duvidar.

Chegou até mesmo a ser reconhecido por um oficial combatente seu, onde desde a primeira batalha entre os dois, narrada por Frederico Bezerra Maciel em sua sextologia ‘Lampião, Seu Tempo e Reinado’ no segundo livro ‘A Guerra de Guerrilhas’ onde o Tenente José Lucena e Lampião ficaram temendo-se mutuamente. 

De sua parte José Lucena temendo  e receando a sagacidade de Lampião e da parte do temível cangaceiro, respeitando a força do Tenente pelo poderio bélico  e também sagacidade, pois nunca andava fora das estradas reais, usando dessa tática para não aventurar-se ‘no mato’, território do cangaço.

O relato abaixo se encontra no referido livro e dará a você leitor, uma visão das estratégias do Rei do Cangaço em batalha real com seu grande inimigo, José Lucena. Vamos visitar a história, lendo o relato:

ISCAS DE FOGO PARA LUCENA

Acompanhado de seus irmãos Antônio e Livino, deixou Lampião, mais uma vez, a sepultura de sua estremecida mãe, no cemitério de Santa Cruz do Deserto. Com lágrimas nos olhos e ódio no coração. Uniu-se, com seus dois irmãos, aos Porcinos, aos Marcos, a Antônio Fragoso e a seu tio Antônio Matilde, formando, com mais outros dois cabras do coronel José Abílio, um grupo de treze homens. Subiu o vale do Moxotó, cortando seus areais frouxos e escaldantes de semi-deserto, e a 1de junho de 1921, atacou Santa Clara (Tupanatinga), no município de Buíque. Em seguida, desceu o mesmo vale, passando pelo povoado de Caboclo e pela vila de Pau Ferro (Itaíba), e atravessou a fronteira alagoana do município de Mata. Grande acrescentado de mais quatro homens, agora num total de dezessete, cada qual armado de rifle e punhal e municiado com 450 cartuchos nutrindo as cartucheiras e amojando os bornais. A 5 de junho deu combate aos tenentes Optato Gueiros e Eutíquio na fazenda Pilão do Gato, sem prejuízos de parte a parte, a não ser de objetos. 

Depois atacou a residência de Firmino Brandão e levou o terror às populações sertanejas de Capiá, Maravilha e outras localidades e fazendas que, de sobrosso, corriam para Santana de Ipanema. Tudo isto Lampião fazia por estratagema, com o fito de atrair o tenente José Lucena para um ajuste de contas: — "Quero quebrar e sujicar o sedém deste peste de Zé Lucena".

Entrementes, em Jatobá de Tacaratu (Petrolândia), reunidos quatro oficiais de Pernambuco, capitães Teófanes Torres e José Caetano e tenentes Carneiro e Campos, e um oficial alagoano, tenente José Lucena, para consertarem, em ação combinada, combate eficaz a Lampião, com o acordo simultâneo das fronteiras interestaduais. De volta a Santana de Ipanema, saiu Lucena com uma volante de sessenta praças para ôlho Dágua do Chicão (Ouro Branco), ausente dez léguas a noroeste. Tendo disto notícia, frechou Lampião, com mais de vinte homens, numa disparada para ali. E a 9 de junho o atacou furiosamente qui ném onça faminta. Foi apenas um golpe de mão. 

O todo-poderoso Lucena, acostumado a correr atrás de cangaceiros, que dele se sumiam apavorados, ficou estarrecido com o atrevimento do ataque e a afoiteza da ofensiva inusitada. Por desforra, matou, em caminho, o pacato José Porcino, que não havia participado da luta. E, temeroso face às perspectivas de rumos desconhecidos e novos, que parecia a luta contra o banditismo tomar, requisitou destacamentos e volantes por perto, perfazendo sua força um total de cento e vinte praças bem equipadas. Por seu turno, Lampião arrebanhou mais gente, perfazendo um grupo de mais de quarenta cabras e com muita privinição de armas e munições.

A PRIMEIRA GRANDE BATALHA 

a) no rumo de Poço Branco

Passou Lampião pelo Espírito Santo (Inajá), deixando para Lucena pista visível e fácil. Vadeou o leito seco do rio Moxotó a uma légua de distância, e fez arranchação de pernoite na casa de seu amigo José Mandu, no Poço Branco, posição estratégica que escolheu para dar combate. Casa grande essa do Mandu, de varanda na frente, olhando para o sul. Na frente, o terreiro ligando-se com o caminho largo, variante da estrada real, que passa ao nascente, unindo Espírito Santo à Mata Grande, localidades separadas entre si por cinco léguas. Atrás, o rio Moxotó, largo, margeado de frondosas caraibeiras e graciosas palmeiras catolé, com suas flabelas farfalhantes encobrindo pejados cachos de pequeninos cocos amarelos. Um dos belos espetáculos daquela ribeira. 

b) base da emboscada

O despertar cedo, naquela madrugada fusca e fria de 20 de junho. Depois do café gordo, reforçado com muita carne-seca para dar sustança, distribuiu Lampião o seu pessoal por trás de pés de-pau, de pedras, de barrocas e cercas, as emboscadas para O combate. 

A casa com o curral, ponto mais difícil, porque perigoso, decerto seria o primeiro alvo visado pelo inimigo. Essa posição reservou ele para si. A direita da casa, oculto pela serroteira, seu irmão Antônio, com o bote pronto para dar retaguarda, operação esta de que me tornaria, depois, exímio mestre. A esquerda da casa, por trás das cercas de pedra, seu irmão Livino, vanguardeiro, peitudo, indômito. E, mais adiante deste, também camuflado no mato e atrás de pedras, Antônio Matilde.

A cada um coube dez a doze homens. 

Larnpiãó fez privinição quiném experimentado cabo de guerra: 

- "Os macacos não vêem todos juntos, não. Antônio Matilde, sustente no fogo os que chegarem no coice. A gente só faz fogo quando os primeiros chegarem na frente da casa. Espero o sinal meu. Não gastar munição à toa. Se a gente tem de fugir é por detrás, pelo rio. Mas esperem eu dar o sinal".

c) cabreirices de Lucena 

Em desde o Espírito Santo, vinha Lucena no rasto claro, certo e seguro, deixado por Lampião, na estrada de Tacaratu, paralela à margem direita do rio Moxotó. Mas, quando os rastos entraram no mato, em direção do rio, desconfiou de cilada ao mesmo tempo, assuntou que Lampião, tudo indicava, havia tomado o rumo da fazenda Poço Branco. Apiançando dar um golpe de surpresa pela retaguarda — a hora do dia cedo era favorável para pegar na desprivinição os cangaceiros —, mais que depressa voltou, vadeou o rio, tomando a estrada real que vai para Mata Grande e penetrando na boca do desvio que chega a Poço Branco. Mais uma vez desconfiando, fez alto. Por segurança, saiu caminhando por dentro do mato, beiradeiando a variante.

 d) a batalha

Todos os cálculos de Lampião deram certo. Lucena não o atacaria pelo outro lado, a retaguarda. Teria sua tropa dizimada no atravessar do leito seco e arenoso do rio. Acertou também: a tropa veio dividida. Na frente, Lucena com bem oitenta homens. Atrás, pouco distante, o tenente Enéias Barros com uns quarenta. Logo que a cabeça do pelotão de Lucena chegou defronte da casa, fez alto, a modo de observar, através do mato, aquele misterioso silêncio e de ganhar posição. Antes que isto acontecesse, Lampião deu o sinal convencionado com um tiro de pistola, rompendo o tiroteio da casa e do curral contra a tropa. Esta, num sufragante, deitou corpo e tratou, arrastando-se, de logo se mofumbar e entrincheirar para responder ao fogo. O pelotão de Enéias acelerou o avanço, mas foi detido pelo fogo de Antônio Matilde. A peitada não foi de graça, não. Parecia um ridimunho dos infernos! Na tiroteiação, balaços açoitavam as pedras num baticum enervante, ou assobiavam doidamente no meio do panavueiro chamando a morte, ou barbavam o mato, torando as folhas, estalando os galhos... Os cangaceiros, animosos, lançavam, no parraxaxá, desafios, insultos e xingos... gargalhavam sarcasticamente de mangação... rinchavam e zurravam feito animais...

Infuleimado o sangue com a quentura das armas cuspindo fogo e escoceiando nas detonações, as gargantas torturadas de sede com a abafação da atmosfera produzida pela pólvora queimada, os olhos zaros e ardendo e a vista alazã, sem trégua para tomar alento, depressa ficaram os combatentes bebos de raiva virando feras. Lampião levava vantagem dentro de melhores emboscadas, cuidadosamente escolhidas. 

Sob as ordens de Lampião, rápido deslocou-se seu irmão Antônio, com seus homens, bem agachados, para atacar, de retaguarda, o flanco esquerdo da tropa de Lucena. Ao impacto inesperado e violento, a parte atacada se desatou do grosso da tropa e recuou com cerca de trinta soldados.

Para salvaguardar a perigosa situação, destacou Lucena imediatamente uns quarenta soldados em contraofensiva. Nesse quando, chamando seu irmão Livino, tentou Lampião o envolvimento do flanco direito da parte da tropa de Lucena que ficara na linha de fogo. Oficial instruído em curso de caserna,  compreendeu Lucena o jogo tático de seu adversário: aniquilar ou afugentar sua tropa para, ao depois, cair sobre a do tenente Enéias. Realmente, muito tempo adiante, narrando a amigos aquela batalha, confirmou Lampião a sua intenção no momento. Isso, porém, não teria passado de mera tentativa se na ocasião tivesse ele, pelo menos, outro tanto do efetivo de Lucena e um poder bélico muito superior. Mesmo assim, saliente-se, nesse movimento de cerco dentro da batalha, talvez tivesse de sacrificar muita gente. Ademais, enquanto a polícia usava carabina-fuzil de longo alcance, semiautomático, e bala de aço de grande poder perfurante; Lampião utilizava rifle papo-amarelo* ou cruzeta, arma de repetição, que esquenta muito após quarenta tiros, de muito menor alcance, e bala calibre 44, de chumbo, chata, de poder antes rompedor que penetrante. Refez e uniu Lucena sua tropa fragmentada e, num trancão impetuoso de fogo cerrado, empurrou Lampião e seus irmãos para as linhas primitivas. Durante a contra ofensiva, houve um corpo-a-corpo, desesperado e sangrento: engalvinharam-se o valente cangaceiro Cavanhaque e um "macaco", rapidamente passando os dois apronto. 

* O rifle Winchester, desde 1866, ano de sua invenção 'por Oliver Ficher Winchester, que fundou no Connecticut a "Winchester Repeatring Arms Company", fez parte da história de todos os povos: Estados Unidos, México, Peru, Brasil, Chile, Argentina, Espanha, França, Rússia, Turquia, China... tanto na guerra, como na paz. Recorde-se sua adotação pela Polícia Montada do Noroeste dos Estados Unidos e pelo presidente Roosevelt nos safáris das selvas africanas... Mesmo depois de ter adotado o mosquetão ern 1926, • jamais deixou Lampião de utilizar .o "papo-amarelo", talvez porque arma mais fácil de conseguir. Tem o rifle esse nome por causa da pequena placa de metal amarelo — o papo — na parte infe-rior, a cujo impulso a cápsula salta para cima. Diga-se de passagem que se tornou muito conhecida, naquele tempo, a casa co-mercial "A Sertaneja", de Pesqueira, pertencente a Orestes de Almeida Maciel, a qual possuía permanente estoque de rifles e munição apropriada. Consultando-se o velho Arquivo Comercial da "A Sertaneja", chega-se a saber, através de faturas emitidas por Herm Stoltz e pelo Armazém do Caboclo. quais as armas então vendidas na referida firma: revólveres "Colt" (preto) e "Smith and Wess" (niquelado), americanos, calibre 32; revólver "Azul", espanhol, calibres 32 e 38; pistola "Comblain" (Fogopagô), belga 320 e 380; pistolas de pente:, "Mauser" (')Vf..ausa") 6,35 e 7,35, "Remington" 380, e "FN", belga, 6,37 e 7,35; rifle "Winchester"-7,44-..,(PaPo-amarelo); espingardas de caça ou de passarinhar (de 'cartucho), e^ (de I.a7s+rino, famoso milanês fabricante de espingardas no século XVI), de can° fino e comprido, de encher pela boca, em três cores, verde, amarelo e encarna4o. Para espingardas desse último tipo, vendiam-se também. acessórios: canos, fechos, varetas, ouvidos... além de espoletas BB. Note-se que a primeira pistola que apareceu no sertão foi levada por um Carvalho (cf. cap. 4, nota 7). Antes existiam apenas o bacamarte¡ e pistola de encher boca.

O sol se incrisava. 


Lampião verificando a munição ficando escassa, deu sinal de retirada — cinco tiros secos de pistola para o ar. Correndo agachados e atirando, os cangaceiros cruzaram o lençol de areia enxuta do rio e fizeram pousada num arredado perto, embiocados.

Lucena não saiu na inculca deles. Voltou, com a 'tropa em muxibas, trambecando, para Santana de Ipanema. Além dos dois mortos na luta corpo-a-corpo, não foi possível obter-se informação exata do resultado da batalha. A tarde se arriara, por coincidência, sombria e triste, envolta em tons arroxeados. E com ela, a catinga começava a adormecer, toda desarranjada e destroçada pelo espasmo da luta, parecente, de mesmo, um espojeiro de monstros anti-diluvianos...

e) oficial do Exército? 

A seu amigo, Padre José Bulhões, vigário de Santana de Ipanema, comentou Lucena a batalha do Poço Branco: — "Figurei, em dado momento da luta, que Lampião queria mesmo acabar comigo, Depois, diante de seus estratagemas, me veio uma dúvida: Não é possível! Seria mesmo Lampião o comandante? Ou esses cabras estão sendo comandados por  algum oficial estrategista de alta patente, egresso do exército?!...”

Classificou também ele, a retaguarda de Antonio Ferreira de “manobra magistral”.

Nova Ordem do Cangaço

Vemos nessa bela demonstração do grande estrategista que foi Lampião: A partir do ano de 1929, passou a acontecer uma das mudanças mais radicais no modo do famoso cangaceiro portar-se perante seus inimigos, vindo a tornar-se muito mais perigoso ainda. Mulheres passaram a integrar seu bando e ele passou a dividi-lo em grupos e subgrupos.

Que estratégia incrível para os padrões ‘cangaceirísticos’ daquela sua época. Ninguém ainda tinha feito isso. Eram uma espécie de clãs familiares e autônomos sob a direção de homens de sua inteira confiança. Era a Nova Ordem do Cangaço que se apresentava. Chamava menos atenção e seus inimigos não tinham a menor ideia onde ele se encontrava, pois o bando dividido, a população os via em muitos lugares e as autoridades ficavam sem saber onde centrar fogo, com números maiores de contingente.

Essa estratégia, ou por querer ou por necessidade e imposição do destino, fez que Lampião, perseguido sem descanso pelas Forças Volantes de Pernambuco, teve de fugir e refugiar-se na Bahia com cinco companheiros que lhe restavam e maltrapilhos e famintos ali chegaram para a recomposição mais espetacular de sua vida. Era o ‘Fênix’ que retornava mais forte e das cinzas ressurgia sua têmpera de ‘cabra macho’ que não temia ninguém .

Lampião veio a entender por conta da situação em que seus inimigos contavam com armas melhores e poderosas, que deveria mudar de estratégia. Em sua mente de guerreiro privilegiado e líder, compreendeu que já não tinha condições de dirigir um número considerável de cangaceiros. Além disso o  sertão ficava aos poucos modernizado, com estradas, vias férreas e pipocava o progresso. Sua vida e de seus cabras agora dependiam mais da ‘inteligence’ que de seus músculos, coragem e pontaria pois deixava aos poucos de ser um território virgem e impenetrável. O Governo estava agora em toda a parte com suas construções de progresso e sua ‘gana’ de exterminar o banditismo naquela região.

Élise Grunspan Jasmin em seu livro ‘Lampião, Senhor do Sertão’, veio a tecer um comentário de pé de página onde o chama de ‘O Guerreiro Sedentário’ justamente por substituir seus ataques violentos, embora vez em quando o fizesse, por essa nova ordem familiar tornando-se menos nômades.

Em suas notas, Élise Grunspan Jasmin aponta para António Silvino que tentara “resistir a construção da estrada de ferro pela companhia Great Western no sertão da Paraíba. Em 1906, ele perseguia os engenheiros ingleses encarregados de executar os trabalhos, ameaçava os operários, cortava os fios telegráficos, deteriorava as vias já instaladas e extorquia os passageiros do trem. Constatando a ineficácia de sua empresa, enviou uma carta aos diretores da Great Western por meio de Francisco de Sá, um de seus empregados, dizendo que permitiria a construção da estrada de ferro mediante uma indenização de 30 contos de réis. Ver, a esse respeito.

Sempre que tinha oportunidade. Lampião ameaçava ou assassinava os operários que trabalhavam nos canteiros. Em 1929. fez interromper a construção de uma estrada que devia ir de Juazeiro a Santana da Glória, CE, e que devia passar por seu refúgio predileto, o Raso da Catarina. Em outubro desse mesmo ano, constatando que sua ameaça não tinha sido levada em consideração, matou um dos operários. Em 1930, perto de Patamuté. BA. atacou um grupo de operários e matou um deles. Em 1932. no sitio Carro Quebrado, entre Chorrochó e Barro Vermelho, na Bahia. Lampião executou nove operários.

No Estado de Sergipe. em fevereiro de 1934, atacou operários e paralisou a construção da estrada. As autoridades governamentais nunca levaram em conta as ameaças de Lampião, e a partir de 1930 intensificaram os projetos de abertura do sertão ao "progresso". No dia 9 de junho de 1935, por ocasião de uma reunião organizada em Águas Vermelhas, na fronteira de Pernambuco. Carlos de Lima Cavalcanti, governador desse Estado, e Osman Loureiro, governador de Alagoas propuseram um plano de construção de estradas e vias férreas nas zonas do sertão afetadas pelo cangaço.

Elas deviam cortar sistematicamente em diversos eixos as regiões mais freqüentadas por Lampião e facilitar o transporte das Forças Volantes por caminhão, enquanto os cangaceiros se deslocavam quase sempre a pé. Os canais e as vias fluviais também deveriam ser controlados, pois permitiam o envio de armas aos cangaceiros. Lampião sabia que as conquistas tecnológicas com as quais as Forças Volantes tinham sido municiadas e a penetração das vias de comunicação através do sertão poderiam anunciar seu fim próximo e pôr em perigo sua autoridade na região (Informações extraídas das obras de Frederico Pernambucano de Mello, op. rir., 1985, e Quengo: !Amplio?, 1993).

Cristino Gomes da Silva Cleto, conhecido como Corisco nasceu em 1907 em Marinha de Água Branca, no Estado de Alagoas. e foi morto no dia 25 de maio de 1940, no Estado da Bahia, pelo tenente José Rufino. Da mesma forma que Jararaca. ele também chefe de subgrupo, Corisco tinha-se alistado no Exército em 1924, em Aracaju. Desertou, foi perseguido e encontrou refúgio no cangaço. Seu conhecimento das técnicas de guerra lhe valeu o interesse de Lampião, bem como sua confiança. Depois de inúmeras tergiversações. 

Corisco alia-se a Lampião em 1926. em Vila Bela (Pernambuco), e lhe permanecerá fiel para sempre. Em 1927 começou a dirigir um grupo de cangaceiros e sempre reivindicou certa autonomia com relação a Lampião, embora sempre o considerasse seu superior hierárquico. Segundo Frederico Pernambucano de Mello, como Lampião, Corisco se fazia chamar de "Capitão" e assinava assim os pedidos de resgate que dirigia a suas vítimas: "capitão Corisco, chefe de grupo dos Grandes Cangaceiros" (grad Frederico Pernambucano de Mello, op. rir., 1985, pp. 88-89). Corisco, o "diabo louro", distinguia-se por sua brutalidade e crueldade.

Depois do anúncio da morte de Lampião, que ele vingará mediante um ato punitivo de rara violência. Corisco tentou retomar o lugar deixado vago pela morte de seu chefe e procurou reestruturar os grupos restantes de cangaceiros. Essa tentativa redundou em fracasso, devido, principalmente à sua falta de diplomacia para com os coronéis e coiteiros. 

Sua morte anuncia a extinção definitiva do cangaço.

Em um artigo do Diário de Pernambuco de 11/6/1935 intitulado "Assentado Medidas para a Extinção do Banditismo", dedicado aos acordos firmados entre as forças policiais de Pernambuco e Alagoas, o major Lucena diz ao jornalista que Lampião dirigindo apenas um grupo de 30 a 35 cangaceiros, dividiu-o em pequenas unidades de 5 ou 6 homens. 

Outro artigo do Mujo de Pernambuco, datado de 24/11/1937, intitulado "O Problema do Banditismo na Zona Sertaneja" e ilustrado com uma fotografia do tenente Luís Mariano, feita possivelmente no sertão, também evoca a divisão do grupo de Lampião, divisão a que ele parece acomodar-se para levar uma vida tranqüila, dando-se o luxo de se esconder ou de se exibir em público como e quando lhe bem aprouvesse: "Lampeão nestes últimos tempos tem-se embrenhado nas caatingas do Estado de Sergipe e se demora principalmente nos municípios de Poço da Folha. [...] e São Paulo, sendo neste que o bandido chefe, faz com uma certa segurança o seu quartel general.

De vez em quando Lampeão, á frente de uma parte do seu grupo invade a Bahia, entrando ahi pelos municipios de Geremoabo. [...] Nessas excursões pratica grandes roubos e depreciações e, retorna aos logares que lhe servem de coito, onde descansa meus occulro e guardado por ectiteiros de sua absoluta confiança. [...] Depois de descansar a vontade em Alagoas. o bandido com seu grupo, procura ser visto nas caatingas de Aguas Bellas, esconde depois os rastros para promover a confusão, e desorientar os pequenos troços de volantes desorganizados. que o perseguem. Violentamente regressa ás caatingas de Alagoas. occultando-se de preferencia na zona do Serrote do Carié, Riacho do Canapy. Poeira [...] dos Municipios de Marta Grande e Pão de Assucar.[...] Enquanto Lampeão e sua Maria De Déa de José Felippe e meia duzia de bandidos descansam, os bandidos de nomes Corisco. Luís Pedro. Portuguez. Angel Roque. Moreno. Moita Brava, Chumbinho, Pedro Rocha e outros chefes de grupos matam, roubam, promovem incendios. praticando, enfim, toda sorte de miseria". 

Em artigo do Diário de Pernambuco. 11/5/1935. intitulado "Luís Pedro. do bando de lampeão. visitou Pernambuco. O prefeito de Macia Grande esteve sequestrado 15 dias — Virgulino está em Sant'Anna do Ipanema", faz-se referéncia ao rapto do prefeito de Mata Grande por Luís Pedro. o homem de confiança de Lampião, em troca de uma importância elevada.

Benjamin Abrahão

Um dos historiadores mais ousados de Lampião e seus cangaceiros foi Benjamin Abrahão Botto, que após a morte de Padre Cícero, solicitou e obteve do "Rei do Cangaço" a permissão para acompanhar o bando na caatinga e realizar as imagens que o imortalizaram. O próprio Lampião assegurou o testemunho, em um bilhete, de que todas as suas imagens eram produto do trabalho de Abrahão. Abaixo as palavras do cangaceiro escritas em um de seus famosos bilhetes:

Illmo Sr. Bejamim Abrahão

Saudações
Venho lhi afirmar que foi a primeira peçoa que conceguiu filmar eu com todos os meus peçoal cangaceiros, filmando assim todos us muvimento da noça vida nas catingas dus sertões nordestinos.
Outra peçoa não conciguiu nem conciguirá nem mesmo eu consintirei mais.
Sem mais do amigo
Capm Virgulino Ferreira da Silva
Vulgo Capm Lampião

Benjamin em seus trabalhos, diz ter encontrado vários grupos de cangaceiros, dentre eles o de Corisco, Zé Sereno e Gato, o que confirma a estruturação do grupo de Lampião em pequenas unidades relativamente autônomas. Ele fotografou os chefes dos grupos e os grupos separadamente. Apesar de esses diferentes "subgrupos" estarem com toda a evidência sob a autoridade de Lampião, não se conhecem fotografias apresentando o conjunto dos cangaceiros.

Devido então a esses testemunhos, vemos em Lampião um grande estrategista, que aprendeu na lida todos esses ‘truques’ que o tornaram um inimigo a ser respeitado pelas volantes e seus comandantes.

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