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domingo, 16 de novembro de 2014

1938 - ANGICO, MAIS MENTIRAS E MISTÉRIOS

POR IVANILDO SILVEIRA

O pesquisador e escritor pernambucano Paulo Medeiros Gastão, fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, lançou extra-oficialmente, mais um livro sobre cangaço. Trata-se da obra  "1938 - Angico" impressa na ind. gráfica e editora Montaigne Ltda., de Mossoró/RN.

O livro tem 144 páginas. É diferente, constam centenas de perguntas e respostas, diretamente relacionadas ao combate em Angico, em que morreram Lampião + 10 cangaceiros, além do soldado Adrião.

Soldado Adrião Pedro da Silva

O autor que tem mais de 20 anos de pesquisa sobre o tema, procura  dar uma resposta, na sua ótica, sobre  as principais dúvidas verificadas neste combate, e de seus personagens ( volantes e cangaceiros ).

A aquisição do livro, pode ser feita diretamente com o autor (não está à venda em livrarias), ao preço de R$ 20,00 (vinte reais + frete ), através do email: 
paulomgastao@hotmail.com

Abraço a todos, e, parabenizo o autor por mais essa contribuição ao estudo do cangaço.

Ivanildo  Alves  Silveira - Natal RN
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC e Cariri-Cangaço

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

OS SERTÕES


De todo modo essa estória pertence ao tempo em que se deu. Tempo em que as leis eram escritas com a ponta de uma lambedeira bem afiada ou por um parabelo endemoninhado como o de Virgulino José Ferreira, que mais parecia um lampião. Hoje é na base da Beretta ou do fuzil AR-15.

Quando termina a triste e bela saga de Joana Imaginária e Antônio Conselheiro em Canudos, na Bahia, começa a epopeia do Padim Ciço em Juazeiro do Norte e a era do cangaço. Ao entrar no século 20 pela porta dos fundos ou de serviço o Brasil é obrigado a mirar-se no espelho que reflete suas feições mais arcaicas. Fome, seca, delírios místicos e bangue-bangue de bandido e mocinho com contornos de El Cid, o campeador, ou Robin Hood. Do bando de Antônio Silvino (1875-1944) diz-se que tudo o que arrecadava distribuía entre os pobres.

Silvino teve uma trajetória sui generis entre os líderes históricos do cangaço: preso em 1914, seria anistiado por Getúlio Vargas vinte anos depois e tornou-se funcionário público.

A figura que se tornaria arquetípica do cangaceiro baseia-se, como a dos seus quase contemporâneos caubóis e bandoleiros mexicanos, no conceito arcaico de honra. A do mítico Lampião é mais uma lenda do justiceiro que está acima da lei dos homens e de Deus e que começa, para os anais, em nomes como Cabeleira

Rachel de Queiroz, que com O Quinze, publicado em 1930, inaugurou a corrente literária do romance regionalista e nasceu em Quixadá, no sertão central do Ceará, fez eco da existência no século XVII de uma certa Maria Oliveira que poderá ter sido a primeira mulher cangaceira no Nordeste.

Cangaço é sinônimo de bandoleirismo na atual Região Nordeste do Brasil cuja história e cujos parâmetros são prospectados e perspectivados por Euclides da Cunha em trechos de Os Sertões aqui reproduzidos a partir do texto original da terceira edição de acordo com as revisões feitas pelo próprio Euclides da Cunha num exemplar que está na Academia Brasileira de Letras  
 
http://revoluciomnibus.com/Deus%20e%20o%20Diabo%20E%20Corisco.htm

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Há muito o que fazer pela cultura e o movimento artístico em Mossoró.


De tudo o que já foi feito na cultura local, posso afirmar: Há muito o que fazer pela cultura e o movimento artístico em Mossoró.

A cidade e os artistas precisam de mais. Tem que melhorar, avançar, rever, substituir... Só não pode ficarmos parados como estamos agora.

Por isso, concordo com Nida Lira: "As reivindicações são legítimas e permanecem as mesmas! os novos projetos são bem-vindos (projetos de Lei VETADOS), mas a luta por tudo que está abandonado permanece." Nida Lira 

‪#‎culturaSIMvetoNÃO Movimento Ventania de Mossoró.

Fico tranquilo de falar sobre isso porque fui Secretário da Cidadania em Mosoró de 2005 à março de 2012. Naquele período, deixamos de fazer muitas coisas, erramos em outras, mas a lista de realizações é extensa: 1) sacolão cultural 2) recitando no memorial 3) estação do Brega 4) estação do rock 5) estação do repente 6) memorial jazz 7) reforma da biblioteca 8) reforma do museu 9) indústria do conhecimento 10) prêmio fomento 11) lei de incentivo a cultura Vingt-Un Rosado 13) praça da convivência 14) Escola de Artes 15) pingo da mei 16) Cidadela (do Mossoró Cidade Junina) etc.

É reconhecendo e defendendo conquistas, admitindo carências, equívocos ou mesmo omissões, que melhoramos como pessoas e nos tornamos mais fortes para transformarmos a sociedade.

Estou feliz por continuar participando dessa causa. Agora de um jeito diferente, como parlamentar, apresentando leis e defendendo o movimento cultural.

Reproduzo, então, vídeo de Nonato Santos, artista e entusiasta dessa causa, postado recentemente por Nida Lira.


Um abraço para todos e todas indistintamente.
Prof. Francisco Carlos

Fonte: facebook

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TIA MARIQUINHA

Por Rangel Alves da Costa*

Com pouco mais de um ano da partida de minha avó Emeliana, neste sábado 15 minha Tia Mariquinha também se despediu da vida terrena. Maria Marques da Silva, ou simplesmente Mariquinha, fazia parte da melhor estirpe de Poço Redondo, com raízes familiares que remontam à própria história da povoação. Faleceu aos 87 anos e após um período de melhoras e pioras na saúde.

Uma mulher sempre reconhecida e valorizada por todos, dos mais jovens aos mais velhos, e assim porque construiu sua história com a missão de servir. E serviu a todos, indistintamente. Uma bela senhora com seus cabelos brancos, alegre, sorridente, com uma palavra sempre cativante, amiga do mundo. Mesmo fragilizada pelas desditas da enfermidade, ainda assim uma flor de pétalas perfumadas.


Era uma das nove irmãs de minha avó, cuja família vingou um filho famoso: Manoel Marques da Silva, o cangaceiro Zabelê, sumido no meio do mundo desde a chacina da Gruta do Angico em 38. De todas as irmãs só restavam três: Cordélia, Mãezinha e Mariquinha. As duas primeiras, já muito idosas, sempre residiram em Poço Redondo, mas Tia Mariquinha passou a morar em Aracaju desde que casou com Aloísio Azevedo Silva, o Padrinho Aloísio, também já falecido.

Mesmo residindo em Aracaju, Tia Mariquinha sempre teve Poço Redondo como seu lar principal, principalmente pelas raízes robustas espalhadas por lá, uma infinidade de parentes e amigos e também pela sua Santa Luzia. Uma fazenda com nome de santa, desde muito adquirida e mantida por Padrinho Aloísio nos arredores da cidade. Quem segue em direção a Canindé passa bem ao lado da sede da Santa Luzia com sua vista maravilhosa.


Quando chegava em Poço Redondo Tia Mariquinha se dividia entre a cidade e a propriedade, que noutros tempos seguia até caminhando. De vez em quando passava temporadas inteiras por lá, mas ultimamente quase não visitava mais seu sertão, pois desde algum tempo acometida de enfermidades. Doenças do tempo, da idade, que vão fragilizando tudo e depois sopra o ser ao seu lar: és pó e em pó hás de retornar!

E o seu retorno foi neste sábado, e exatamente quando, após uma melhora, até se imaginava poder logo visitar seu sertão, sua Santa Luzia, sua família imensa, pois todos do lugar. Mas eis que já havia um compromisso marcado, um segredo de Deus para com seu destino, e depois disso o adeus e a aflição dos quatro filhos (Railda, Aloisinho, Rose e Anselmo), netos, bisnetos e demais familiares e amigos. E de Aracaju a Poço Redondo uma tristeza só.

E a tristeza se justifica. Não era apenas por exercício de respeito que Poço Redondo a tratava como tia, mas pelo reconhecimento de sua bondade perante cada um. Mas grande parte também a tinha como uma verdadeira mãe, pois responsável, junto com seu esposo Aloísio, pelo acolhimento, cuidado e formação de muita gente.

Ora, num tempo que não havia estudo suficiente no sertão, muitos não encontraram outro abrigo senão na sua em Aracaju. E não só familiares eram recebidos de braços sempre abertos. Do mesmo modo, quando o sertanejo necessitava de cuidados médicos na capital, a primeira porta que encontrava aberta era a do casal. E convidado a entrar para ser cuidado com todo zelo e carinho. E todo o Poço Redondo por testemunha.

Tive o prazer e a honra de conviver muito tempo na sua casa. E todos de minha família que ali chegaram foram tratados não como sobrinhos, mas como verdadeiros filhos. E antes de mim meu pai já havia sido acolhido, meus tios e outros parentes. Ao seu lado, do esposo e filhos, morei na Rua Divina Pastora e na Marechal Horta Barbosa, esquina com Hermes Fontes (nº 7, recordo até hoje). Como recordo também seu imenso prazer a cada reencontro e a sua palavra doce perguntando: Você está bem, meu filho?

São apenas lágrimas, minha tia. São apenas lágrimas. A dor adormece no coração que reconhece a grandeza do ser que se vai. Mas permanecendo sempre pelo amor vivenciado na terra.

Poeta e cronista
http://blograngel-sertao.blogspot.com

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HOMENAGEM AO REI DO BAIÃO REÚNE ARTISTAS EM CARUARU.

Por João de Sousa Lima
João de Sousa Lima e Kydelmir Dantas

Uma homenagem ao Rei do Baião   que está acontecendo em Caruaru hoje e amanhã reuniu artistas de vários estados.

Durante o dia uma equipe aproveitou para visitar a famosa feira de Caruaru.

O Grande Encontro dos Gonzaguianos em Caruaru, acontece no local o Espaço Cultural Asa Branca do Agreste. Tendo como coordenador deste evento o Diretor do Espaço Poeta Luiz Ferreira. Na ocasião será entregue o troféu Luiz Gonzaga Orgulho de Caruaru a 11 Agraciados.


João de Sousa Lima, Kydelmir Dantas, Vilela e Jéssica
Uma visita ao museu da cidade

O cantor e compositor Israel Filho com o livro de João de Sousa Lima

Luiz Gonzaga e Ludugero
Biografia de Ludugero


João de Sousa Lima é escritor, pesquisador, autor de 09 livros. Membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço. Telefones para contato: 75-8807-4138 9101-2501 email: joaoarquivo44@bol.com.br joao.sousalima@bol.com.br

http://www.joaodesousalima.com/2014/11/homenagem-ao-rei-do-baiao-reune.html

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JOSÉ ALVES DE MATOS - O EX CANGACEIRO VINTE E CINCO


JOSÉ ALVES DE MATOS - O EX CANGACEIRO VINTE E CINCO

Uma das últimas imagens registradas do ex cangaceiro Vinte e Cinco, que faleceu no dia 15 de Junho de 2014, aos 97 anos de idade, em Maceió, no Estado de Alagoas, em decorrência de problemas respiratórios. Era considerado o último cangaceiro vivo, a fazer parte das hostes de Lampião.

Foto cedida gentilmente pela família Matos.

Fonte: facebook

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A fuga de Vicente Venâncio do bando de Lampião - Parte II

Por Antonio Morais

Venâncio olhou para o sol e exclamou: São seis horas da manha. Mal fechou a boca, ouviu um tropelar a distância. Assustado, falou para os companheiros. Seu Mario. Seu Pedro, aí vem ou força de Pernambuco ou cangaceiros.

Sob uma onda de poeira, à frente a figura aterradora do capitão Virgulino Ferreira, o bando riscou em frente aos indefesos criadores. Incontinente, ouviram a voz de Lampião ao perguntar: 

- Quem é Pedro Vieira? 

- Sou eu, responde estarrecido e trêmulo o velho sertanejo. 

A seguir, travou-se o seguinte diálogo entre Sabino, cangaceiro famoso e perverso, e Pedro Vieira:

O cangaceiro Sabino

- Vocês estão presos pelo grupo de Lampião. Só serão soltos depois que Pedro Vieira der cinco contos de reis. 

- Nós somos pobres, o senhor deixe por dois contos... 

- Não quero conversa. Pode providenciar logo... 

- Somos pobres seu Sabino, insistiu Vieira, deixa por três contos... 

- Já disse que não quero conversa. Caso repita lasco este fuzil na sua cara, velho safado e atrevido.

Um silêncio enorme dominou a todos nós - afirma Venâncio, para acrescentar - Nisso chega o gado para beber. Ao avistar os animais, Lampião começou a atirar indiscrinadamente, matando vacas e até animais de pequeno porte. Foi um estrago miserável.

Diante do cruciante problema dos cinco contos de reis, Mario ofereceu-se para ir a Jardim tentar conseguir o dinheiro da exigência de Sabino, a mando de Lampião. Montando um dos cavalos pertencentes aos companheiros, exatamente o mais gordo e ardego, Mario, depois de ouvir de Sabino a admoestação no sentido de que negasse para polícia a presença do grupo nas Cacimbas, seguiu apavorado para Jardim, temendo pela sorte dos amigos que ali ficavam em situação tão difícil e perigosa.

Conta Vicente, ter ficado certo que Mario de São, logo fossem conseguidos os cinco contos de reis e deveria encontrar-se com o grupo em Caririzinho, hoje distrito do município pernambucano de Sítios do Moreiras. Lampião ia com destino a Ipueiras dos Xavier, onde se deu o cerco do grupo e a sua celebre e precipitada retirada, por encontrar forte reação da família Xavier. Foi aí que Virgulino Ferreira perdeu um de seus mais valorosos cabras. Tempero, morto por Dezinho Xavier.

Tempos depois, em conversa com Venâncio, disse Mario que, ao ouvir o grito de Sabino prevenindo-o para que nada dissesse a polícia, teve vontade de correr, mas temeu um tiro nas costas. O grito de Sabino foi, de início, interpretado como uma ordem para voltar. Venâncio fala da existência, no grupo, de um cangaceiro chamado Criança, que tinha 14 anos de idade, e usava rifle de seis tiros.

Fonte - Andanças e Lembranças.

Continua amanhã...

Fonte: facebook
Página: Antonio Morais

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sábado, 15 de novembro de 2014

O mais novo livro sobre o cangaceiro Jararaca


Autor: Marcílio Lima Falcão
Adquira logo este através deste e-mail:
limafalcao34@gmail.com
Valor: R$ 35,00 (incluso a postagem)
Banco do Brasil
Agência: 3966-7
CC – 5929-3
Marcílio Lima Falcão

Marcílio Lima Falcão é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), mestre em História Social pela
Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente faz doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP).
Suas principais áreas de pesquisa são a História Social da Memória, Religiosidade e Movimentos Sociais no Brasil Republicano.

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AS CORES DO CANGAÇO CANGACEIROS ZÉ SERENO E AZULÃO II

O cangaceiro Zé Sereno e seu amigo Azulão II

Este foi o início do trabalho na colorização pelo profissional Rubens Antonio.

O cangaceiro Zé Sereno e seu amigo Azulão II

Colorida pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antônio,   Salvador no Estado da Bahia.

Fonte: facebook

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Viajando no tempo: O Baile Perfumado.

Por Raul Meneleu Mascarenhas

Como em um passe de mágica ali estava eu em plena mata, na caatinga cheia de espinhos, com o vento tangendo os passarinhos e fazendo suas pequenas asas esvoaçarem-se graciosamente em um bailado doce e suave, amostrando-se umas pra outras e tinindo seus cantos em contra partida com o silvo dele. Aprumei minha oiças e escutei ao longe um canto de vozes humanas misturadas com sons de zabumba e ferro, acompanhadas por acordes de sanfona.


Mirei pr'onde deveria ir e olhando para meus pés, os vi calçados com alpercatas de couro sem verniz e me assustei pois a poucos instantes estava calçado com um tênis branco e fazia caminhada pela Orla da Prainha da cidade de Propriá às margens do Velho Chico, o rio da redenção do nordeste. Mais uma vez tinha viajando em meus pensamentos e relaxei.


Caminhando velozmente, mas sem medo agora, parti com ímpeto para ver de perto aquilo que estava imaginando: Deve ser uma festa.

Ao local chegando, encontrei-o varrido provavelmente com uma vassoura de piaçava, pois essa encontrava-se encostada em um pé de umburana e o chão como se tivesse sido encerado com carnaúba. Vários homens e mulheres vestidos com roupas que identifiquei rapidamente, eram cangaceiros.



O chão escorregando muito, fazia que ajudasse aquelas alegres e despreocupadas pessoas dançarem ao som tirado por um grupo de pessoas com indumentárias totalmente diferentes, e de rosto sérios como se medo estivessem daquela situação inusitada. Um deles cantando um xote que pude gravar bem sua letra que dizia...

Pra dançar eu mais tu,
roçando queixo com queixo,
se botando remelexo,
escorregando mais de um.


O ambiente era cheiroso como se tivessem derramado no chão, um perfume de hibiscos e pra melhorar a questão, caia como que um chuvisco, das folhas de um juazeiro frondoso uma suave neblina, refrescando aquela tardinha. Vi com esses olhos da imaginação, todo o carinho, de uma cabocla do sertão, abraçando seu homem, que não era outro, senão Lampião.


O baile estava perfumado, todo mundo agarrado, rodopiando pelo chão, e as belas cangaceiras, todas elas faceiras, riam e cantavam, pra Maria e Lampião.


Naquela festa na caatinga do sertão seco e espinhento, os cabras tocados, embriagados de perfume e pinga da boa, levantavam suas mãos, gritavam vivas, ao famoso capitão, seu líder Lampião.


É lampa, é Lampião!
É lampa, é Lampião!
Seu nome é Vigulino,
apelido Lampião!

Lampião, tocou também o oito baixos, esquentando a diversão, Maria dançava solta no salão, não teve homem que se atrevesse, lhe puxar pela mão, era a Maria do Capitão.

Maria dançava, toda faceira e Lampião, a sanfona botou no chão, pra dançar com ela, rodopiando e abraçando, Maria Bonita do sertão, a mais linda do Capitão.


Queria eu ficar naquela final de tardinha, olhando e vendo a inocência, a criança de cada fera daquelas, rodopiarem mais ao som do xaxado e baião onde flutuavam notas musicais tocadas com maestria por aqueles homens sisudos.

Até hoje o baile é falado, em filmes, literaturas de cordel e sendo passado de pai pra filho, registrando e gravado o que  se passou, naquele baile perfumado, onde xaxou o Capitão, e onde até hoje se ouvem os gritos cantados...


É lampa, é Lampião!
É lampa, é Lampião!
Seu nome é Vigulino,
Apelido Lampião!


Extraído do blog do pesquisador do cangaço  Raul Meneleu Mascarenhas

http://meneleu.blogspot.com.br/2014/11/viajando-no-tempo-o-baile-perfumado.html
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UM MERGULHO NA HISTÓRIA: JANUÁRIO, PAI DE LUIZ GONZAGA E SEUS OITO BAIXOS

Januário e Santana tocando para os filhos dançarem

Esse texto está disponível num site inteiramente dedicado à sanfona de oito baixos.

Pouco sabemos a respeito de Seu Januário, pai de Luiz Gonzaga e “vovô do baião”. José Januário dos Santos nasceu em Floresta, sertão de Pernambuco, no dia 25 de setembro de 1888, ano da Abolição da Escravatura. Alguns dizem que Januário não teria nascido em Floresta, mas em algum outro município dos arredores. Também não se sabe, ao certo, em que ano Januário chegou à Fazenda Araripe, nas terras pertences ao Coronel Manuel Aires de Alencar, filho de Gauder Maximiliano Alencar de Araripe, o Barão de Exu. Pelo que conta a história oral, esta palavra homônima do orixá africano, é uma corruptela de Ansú (?), grupo indígena que habitava a Serra do Araripe. Daí o nome daquele latifúndio pertencente ao Barão ter sido posteriormente batizado de Exu.

Januário trabalhava como agricultor e na confecção de couro. Não se sabe como Januário teria aprendido a tocar e afinar sanfona de oito baixos.

Teria sido sozinho, isolado no sertão pernambucano? Alguns dizem que ele teria conhecido um mascate judeu na Chapada do Araripe.*


Nas recordações de infância de Luiz Gonzaga, seu pai aparece como um sanfoneiro respeitado das redondezas. De forma mítica, Januário é apontado como o pioneiro da sanfona nordestina. Com certeza, haviam outros sanfoneiros, com seus solos de sanfona que talvez tenham sido levados para sempre no vento que sopra nas catingas, a espera de que alguma fotografia ou lembrança familiar seja encontrada para que a história possa ser reescrita. Se sabemos algo mais sobre Januário, isso se deve à Luiz Gonzaga. Graças às letras e narrativas de Gonzaga, conhecemos tão bem certos personagens e detalhes daquela região que muito provavelmente estariam esquecidos, ou, ao menos, escondidos por trás da espessa mato do cerrado.

A atuação profissional de Januário no contexto fonográfico foi errática, tendo ocorrido em 1955, na gravadora RCA-Victor, quando gravou dois discos de 78 rotações, acompanhado de sua prole. No selo dos discos, o velho sanfoneiro era apresentado como “Januário, seus filhos e sua sanfona de oito baixos”. Nestas gravações, podemos ouvir a “sanfona abençoada”, tal como se refere Luiz Gonzaga no xote “Januário vai tocar”. A letra autobiográfica, discursa sobre o papel social do sanfoneiro nos bailes interioranos e reforça a relação deste instrumento com o passado rural e as populações menos favorecidas economicamente: “a cidade te acha ruim, mas eu não acho".

Ai, ai, sanfona de oito baixos,
Do tempo que eu tocava na beira do riacho.
Ai, ai, sanfona de oito baixos,
A cidade te acha ruim, mas eu não acho

Lá na Taboca, no Baixio, lá no Granito,
Quando um cabra dá o grito: - Januário vai tocar!
Acaba feira, acaba jogo, acaba tudo,
Zé Carvalho Carrancudo tira a cota pra dançar.

Outra música gravada por Januário é o solo instrumental “Calango do Irineu”, que pode nos revelar um pouco da técnica e do estilo pessoal de Januário. Neste baião, está presente a 7a menor da escala maior, tão característica da música trazida por Luiz Gonzaga. Também estão as 3as paralelas e consecutivas, segundo o maestro Guerra-Peixe, uma reminiscência do gymel, uma técnica de harmonização medieval surgida na Inglaterra tão presente na música brasileira. Acima de tudo, nesta música encontramos aquele “tempero” que torna peculiar o estilo nordestino de tocar sanfona, que é facilmente perceptível ao primeiro toque, embora difícil de ser descrito em palavras.

Alguns anos antes, em 1950, Januário seria apresentado ao grande público, através do disco e do rádio, por seu filho, Luiz Gonzaga e o parceiro Humberto Teixeira, com o xote “Respeita Januário”. Numa narrativa metalingüística, Gonzaga descreve seu deslocamento de Exu, foragido de uma briga, da qual foi ameaçado de morte, e a longa epopéia que culmina com o retorno ao berço natal, já consagrado como Rei do Baião no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Escrito com tinturas épicas de uma saga nordestina, o relato de Gonzaga tornou-se maior e mais real do que a história literal, onde personagens ganham vida em diálogos que teriam sido inventados, mas que acabaram tomando vida própria e se eternizando de forma mítica na imaginação popular. Muito provavelmente, pela primeira vez, na história da canção popular urbana, se versava sobre a sanfona de oito baixos e o papel social do sanfoneiro no sertão nordestino. Outro aspecto salientado pela letra desta canção é a relação de constante recusa e desafio entre pai e filho que permeia a transmissão da herança cultural, que não é ensinada, mas é aprendida.

No ano de 1952, Luiz Gonzaga reuniu seu pai e seus irmãos, formando o conjunto “Os Sete Gonzagas”, que realizou apresentações inesquecíveis nas rádios Tupi, Tamoio e Nacional. Por sorte, estas gravações foram registradas em áudio, e podemos ouvir as performance de Januário ao vivo.

No entanto, Januário poderia ser aquele personagem da letra de Gilberto Gil para a melodia “Lamento Sertanejo” de Dominguinhos. Avesso à cidade grande, “por ser de lá do sertão, lá do roçado, lá do interior do mato, da catinga e do roçado”. Januário não se adaptou ao sitio dos Gonzaga em Santa Cruz da Serra, no Rio de Janeiro. Preferiu voltar a Serra do Araripe, entre a catinga e o roçado, na lavoura, tocando sanfona de oito baixos na beira do riacho.

No entanto, a despeito de sua atuação profissional em música ter sido tão breve e fugaz, sua herança foi transmitida através dos filhos; Luiz Gonzaga, Zé Gonzaga, Severino Januário e Chiquinha Gonzaga. Através deles, a música do velho Januário foi ressignificada ao contexto fonográfico, se entranhando na alma nordestina, como se fizesse parte da paisagem sertaneja, traduzindo em contornos melódicos a poética do sertão. 


Januário veio a falecer aos 90 anos, em 11 de junho de 1978, em Exu. Salve Januário, pai de Luiz Gonzaga e pioneiro da sanfona de oito baixos na região Nordeste.

* A respeito dessa pergunta do autor LÉO RUGERO eu gostaria de informar que no final do século XIX o sanfoneiro IRINEU ARAÚJO  pai de Edmundo, João, Nelson e Mário Araújo já difundia o fole de oito baixos na região de Quixeramobim-CE, tocando inclusive polcas e xotes que apareceram posteriormente no repertório dos filhos de Januário. Logo se vê que Januário, sendo um sanfoneiro respeitado e afinador, pode haver criado uma escola, mas não foi exatamente o pioneiro no manuseio desse instrumento aqui no Nordeste brasileiro. Quando Januário passou a se interessar pelo instrumento com certeza já havia outros sanfoneiros em atividade no interior de Pernambuco e no Cariri cearense, pois a ligação de Januário e seus filhos com o Crato era muito forte.

Fonte: Blog acorda cordel

http://www.diassislira.com.br/2012/12/um-mergulho-na-historia-januario-e-seus.html

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LUIZ GONZAGA E O VOVÔ DO BAIÃO


Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em Exú, no Estado de Pernambuco. Luiz Gonzaga mesmo sem ser prefeito ou outro cargo qualquer na política brasileira, ele fez tudo pela sua terra natal Exú, construiu estradas, pontes e outras mais... Luiz tinha interesse de ver a sua  pequena terra desenvolvida. Luiz Gonzaga era pai do cantor Gonzaguinha.


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