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quinta-feira, 21 de maio de 2015

VÍTIMAS INOCENTES OU O DRAMA DAS CRIANÇAS DE CANUDOS

Por José Gonçalves o Nascimento*
Foto colorida pelo professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio

Nem mesmo as crianças foram poupadas das atrocidades decorrentes da guerra de Canudos. Sem dúvida, esse foi o segmento que mais sofreu com os desastres provocados pelo monstruoso conflito. As informações a tal respeito são por demais assustadoras.

Os soldados na sua fúria perversa não respeitavam ninguém, matando de forma indiscriminada. Contanto que fosse gente de Canudos. Assim, milhares de crianças indefesas foram mortas e incineradas, a maioria delas no colo dos seus próprios genitores.

Dois anos após o fim do massacre, Martins Horcades relatava haver encontrado, só em uma casa, “22 cadáveres já queimados, de mulheres, homens e meninos”. No mesmo relato informava o acadêmico baiano ter visto, “em uma rua uma mulher, tendo sobre uma das pernas uma criancinha e em um dos braços outra, todas três quase petrificadas! ”. Estas e outras cenas são parte do álbum do baiano Flávio de Barros, fotógrafo comissionado junto à quarta expedição.

Os lances de barbaridade envolvendo crianças prisioneiras se multiplicavam a todo o momento, chegando-se ao extremo da perversidade humana. Um soldado contou a frei Pedro Sinzig que vira um colega de farda pegar uma criancinha pelos pés e arremessá-la de encontro a uma árvore, espatifando-se lhe a cabeça.

Depois da vitória das forças expedicionárias, milhares de meninos e meninas, entre oito e quinze anos, foram sequestrados e em seguida vendidos a fazendeiros e prostitutas da Bahia (e até mesmo do Rio de Janeiro) onde, acabariam submetidos ora ao trabalho escravo, ora à prostituição.

Em minucioso relatório, exarado no final de 1897, a comissão do Comitê Patriótico da Bahia, encarregada de recolher as crianças feitas prisioneiras durante a guerra, dava conta de “que grande parte dos menores reunidos pela comissão, dentre eles meninas púberes e mocinhas, se achavam em casa de quitandeiras e prostitutas. Pode-se afirmar [continua o excelente relato] que muitas pessoas procuravam adquiri-las para negócio.”

Como no tempo da escravidão, a comercialização desses menores era feita às claras e, em muitos casos, com recibo de compra e venda. Ao supracitado Comitê, que tentou recuperar uma criança que se encontrava sob o poder de certo fazendeiro, de nome Emílio Cortes, fornecedor das forças em operação, disse este que “o menino era dele; estava com ele; não tinha que dá satisfação a ninguém, pouco se lhe importava se o pai ou a mãe, ambos fossem Judas ou o diabo; a questão era que o menino lhe tinha sido dado pelo general e disto havia lhe passado o recibo para maior garantia. Não o entregava”.

Além do sequestro e comercialização de órfãos, o referido relatório denunciou também numerosos casos de estupro praticados por soldados contra crianças e adolescentes. Uma das vítimas, Maria Domingas de Jesus, de 12 anos, “foi desvirginada, violentamente, pela praça do 25° batalhão de infantaria, de nome José Maria.”

Criado inicialmente para prestar socorro aos soldados envolvidos no conflito, o Comitê Patriótico acabou por ocupar-se também da gente de Canudos, especialmente mulheres e crianças. Ao concluir suas atividades no final de 1897, a organização apresentou seu balanço: “Não foi pequeno o número de vítimas que socorremos e abrigamos entre mulheres, crianças e meninos de ambos os sexos, que conseguimos reduzir debaixo da nossa bandeira de caridade, evitando a uns a morte pela falta de conforto e à míngua de recursos, a outros a verdadeira escravidão em que se achavam e, porventura, a prostituição no futuro”.

O drama das crianças de Canudos inspiraria mais tarde o jovem poeta baiano Francisco Mangabeira, testemunha ocular dos fatos e autor do livro Tragédia épica, lançado pela primeira vez no ano de 1900. A obra enfeixa um conjunto de 20 poemas, em que o autor, poeta de rara sensibilidade, narra os horrores da guerra. É o caso do poema “Crianças Prisioneiras”, aqui transcrito parcialmente:

“Não há cenas mais tristonhas,
Nem de tamanha aflição:
Bocas outrora risonhas,
Murchas à míngua de pão.

(...)

Tivestes beijos e afagos,
Mas hoje a fatalidade
Fez vossos dias pressagos,
Ainda no albor da idade.


Sois como as aves implumes
Que um dia a desgraça quis
Arrancar de entre os perfumes
Dos quietos ninhos gentis.

(...)

Os homens riem-se, vendo
Que ides morrer como cães...
Ai! Que pesadelo horrendo
Para aquelas que são mães”.


*Poeta e cronista
jotagoncalves_66@yahoo.com.br

Fonte: facebook
Página: José Gonçalves 


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FECHAR AS PORTAS DE UMA INSTITUIÇÃO DE TAMANHA IMPORTÂNCIA E DE EXCELENTE NOME, POR QUÊ?

Por Antonio José de Oliveira
http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2015/05/dr-vingt-un-rosado-pede-mais-uma-chance.html?showComment=1432230665335#c3594966283862764799

Caro Professor Mendes: 

Acredito perfeitamente que as autoridades do querido Estado do Rio Grande do Norte - em especial os Mossoroenses, tomarão as devidas providências em termos financeiros para não serem fechadas as portas de uma Instituição de tamanha importância e de excelente nome.

Atenciosamente,
Antonio Oliveira -Serrinha - Bahia.

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LEMBRANÇAS DE ANGICO


"O aspirante Ferreira de Melo parecia um diabo em pessoa, tal sua violência na luta e tal a sua coragem".

 O soldado Adrião morto em Angico pertencia à volante de Ferreira de Melo, e o  cangaceiro Vila Nova em entrevista disse que seu padrinho, o cangaceiro Luiz Pedro, ferido, implorou que o acabasse de matá-lo, porém não teve coragem e fugiu levando seu mosquetão.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior

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DR. VINGT-UN ROSADO PEDE MAIS UMA CHANCE PARA A FUNDAÇÃO VINGT-UN ROSADO CONTINUAR VIVENDO

Fonte: http://omossoroense.uol.com.br/ 

HÁ 18 ANOS, FUNDAÇÃO VINGT-UN ROSADO ERA RESPONSÁVEL PELA PRESERVAÇÃO DA HISTÓRIA DA CIDADE

A Fundação Vingt-un Rosado foi criada em abril de 1995, por um grupo de renomados intelectuais de Mossoró. Sua idealização se deu a partir de uma série de dificuldades por qual passou a Coleção Mossoroense, quando à época teve encerrado o apoio que recebia da então Escola Superior de Agricultura de Mossoró (Esam), e da Fundação Guimarães Duque.

Eu também fiz parte desta história - Raimundo Soares de Brito - Raibrito

A ideia inicial de criar uma Fundação partiu da professora América Fernandes Rosado Maia e de João Batista Cascudo Rodrigues, acompanhados por figuras renomadas na cultura de Mossoró, como: Dix- sept Rosado Sobrinho, Elder Heronildes, Wilson Bezerra de Moura, Cid Augusto, Júlio Rosado, Frederico Rosado, Raimundo Soares de Brito, Marcos Antonio Filgueira, Nelson Lucas Pires, Paulo Gastão, e Sebastião Vasconcelos.

Eu fiz parte e continuo fazendo. Estou vendo os livros sendo empacotados logo abaixo -  Geraldo Maia do Nascimento

A Coleção Mossoroense foi criada em 30 de setembro de 1949 por Jerônimo Vingt-un Rosado Maia. Naquele tempo era prefeito de Mossoró o seu irmão Dix-sept, que amparou a ideia e deu início à chamada "Batalha da Cultura", que incluía ainda a criação da Biblioteca Pública de Mossoró e do Museu Municipal.

Fundação começa a se desfazer de grande parte de seu acervo

Em seus 64 anos de história, alcançou a incrível marca de mais de 4.500 títulos publicados no país, levantamento realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo em março de 2003, o que lhe rendeu o posto de editora com a maior quantidade de títulos editados no Brasil.

Meu Deus!!! - Que pena!!!  Escrevi o que pude para Mossoró. E o atual prefeito de Mossoró não está vendo isto? - Escritor Raimundo Nonato

Um pouco sobre Vingt-un

Agrônomo por formação, Jerônimo Vingt-un Rosado Maia, ou simplesmente Vingt-un Rosado, foi um dos grandes protetores da cultura e arte de Mossoró, além de um apaixonado pelo conhecimento e a literatura.

Mesmo nesta cadeira eu continuava organizando a história da minha querida Mossoró - Dr. Jerônimo Vingt-un Rosado Maia

Vingt-un Rosado foi um dos responsáveis pela chegada do ensino superior à cidade, com o projeto que resultou na Escola Superior de Agricultura de Mossoró (Esam). Porém, seus maiores feitos seriam em respeito à produção e edição de livros, como a Coleção Mossoroense, que começou a funcionar em 1949 e se tornou uma das maiores editoras de títulos do país, com mais de 700 obras somente sobre a temática da seca.

Lamento muito, mas fazer o quê? - Dr. Jerônimo Vingt-un Rosado Maia

Vingt-un faleceu no dia 21 de dezembro de 2005, quando passou mal e foi internado no Hospital Wilson Rosado, em Mossoró. Seu estado de saúde se agravou e ele foi transferido para o Hospital São Lucas, em Natal. Saiu da vida para entrar para a história às 12h do mesmo dia, deixando órfã Mossoró e as dezenas de pesquisadores e populares, que viam em Vingt-un um protetor da história e da cultura da Capital do Oeste.

Ilustrado e legendado por:
José Mendes Pereira

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NOTA À SOCIEDADE E À IMPRENSA


A Diretoria da Fundação Vingt-un Rosado, instituição que mantém a Coleção Mossoroense, diante das condições de extrema dificuldade de funcionamento e falta de apoio a esta entidade cultural nos últimos tempos, vem por meio desta, informar a sociedade mossoroense em geral, em especial ao meio literário do Rio Grande do Norte, que em reunião no dia 19 de maio de 2015 resolveu:

1 - Suspender as atividades da Fundação Vingt-un Rosado por tempo indeterminado;

2 - Dispensar seus funcionários;

3 - Consultar a Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte e outros locais sobre a possibilidade de guarda do acervo particular de Vingt-un Rosado;

4 - Visita ao Museu do Sertão onde se encontra cerca de 90% dos exemplares da Coleção Mossoroense para verificar a situação atual do acervo;

5 - Venda dos equipamentos que compõem a sua gráfica para custear algumas das dívidas existentes.

Mossoró - RN, 20 de maio de 2015.
Jerônimo Dix-sept Rosado Maia Sobrinho
Diretor Executivo da Fundação Vingt-un Rosado.

Fonte: facebook

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O CANGAÇO COMO ATRASO DO NORDESTE


Clique no link: 
Em abril de 1937, o repórter Fernandes de Barros foi enviado pelo Diário de Pernambuco para mostrar como as chuvas haviam mudado o cenário no interior do Nordeste. O seu relato, publicado no dia 24, com direito a quatro fotos feitas por ele, apresentava uma realidade que poderia escandalizar os leitores do litoral. Pior que a estiagem, quem vivia no semiárido sofria mais era com o banditismo, agravado por extorsões e saques praticados pelas volantes, que deveriam manter a ordem e o direito.

A reportagem de Fernandes de Barros apresentou uma abordagem que vem ganhando força entre os pesquisadores do fenômeno do cangaço nas últimas décadas. Entre 1919 e 1927, agiam no interior nordestino pelo menos 54 bandos armados. Essa movimentação gerava uma instabilidade econômica em uma região que já apresentava um desenvolvimento inferior em relação ao Centro-Sul do país. Todos os setores produtivos da sociedade sertaneja sentiam-se ameaçados. Além dos saques nas pequenas cidades e ataques a fazendas, Lampião – o mais famoso dos cangaceiros, que só saiu de cena em julho de 1938 – instituiu uma nova modalidade criminosa: o sequestro.


Os fazendeiros não estão dispostos a arriscar a vida morando em sua propriedade. Há o êxodo para as cidades. Agora, não mais pelo flagelo da seca: por uma questão social. Se ficarem trabalhando, no fim da safra Lampião iria buscar o dinheiro da venda do algodão e do gado que levara para Rio Branco (atual Arcoverde). O pobre que passou os doze meses do ano embrenhado na fazenda plantando e criando para sustentar a família é obrigado a dar tudo aos bandidos e ainda fica preso para resgate. Tem de escrever aos comerciantes seus amigos pedindo dinheiro, como muitas vezes já tem acontecido.

Quando o cangaceiro sai, vem a polícia. Acusa-o de coiteiro e lá é o homem preso de novo e será feliz se não for bater com os quartos na cadeia, e não levar uma surra, como sucede sempre e como se deu ano passado nos arredores de Alagoa de Baixo, conforme as reportagens publicadas a respeito nesta folha.

Resultado: para resolver essa grave situação, os fazendeiros prejudicados não trabalham e vivem na cidade esperando que os bois e os cabritos cresçam em abandono, para terem com que se manter.

Durante 16 anos, de acordo com Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros, autora de A derradeira gesta: Lampião e Nazarenos guerreando no sertão, Lampião impediu o fortalecimento de uma camada intermediária economicamente autônoma no interior nordestino. Luitgarde é a mais contundente crítica da ação dos fora da lei na região. Ela calcula que, a partir de 1930, quando Lampião dividiu os cangaceiros em subgrupos, foram realizados cerca de 10 saques que rendiam 5 contos de réis por dia. Em 15 anos, a extorsão de pequenos e médios produtores sertanejos teria rendido a fortuna de 273 mil contos de réis, dinheiro suficiente para manter postos de pronto-socorro em cinco estados, além de uma Escola Normal e uma Profissional em cada um.

Enquanto os governos do Sudeste conseguiam subsídios para investir em produção e pesquisa, no Nordeste boa parte do dinheiro público era destinado ao combate à criminalidade. De acordo com Luitgarde, somente a Bahia recebeu 400 mil contos de réis para ação de combate ao cangaço, isso sem representar melhoria das estradas ou aparelhamento da polícia.

José Anderson Nascimento, em Cangaceiros, coiteiros e volantes, ressalta que o banditismo causou ainda uma grande queda de arrecadação nos estados nordestinos. Os cangaceiros assaltavam coletorias, incendiavam documentos, destruíam equipamentos. “Os fiscais não podiam viajar”, acrescenta. Luiz Bernardo Pericás, em seu livro Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica, ratifica a tese de que a criminalidade fez a diferença negativa no Nordeste.

De acordo com o jornalista Moacir Assunção, cujo livro Os homens que mataram o facínora: a história dos grandes inimigos de Lampião abordava os principais perseguidores do mais famoso cangaceiro, Virgulino Ferreira da Silva precisava manter a região que dominava bem longe do progresso: “Sagaz, ele percebia que o desenvolvimento do sertão conspirava contra o seu domínio. Afinal de contas estradas, telégrafo, melhores comunicações e crescimento das vilas trariam, com certeza, mais soldados e proteção às pequenas povoações do interior. O seu tempo, como notava, passaria quando o sertão estivesse em melhores condições”.

No início da década de 1930, o caminhão passaria a ser mais usado como meio de transporte de tropas, constituindo uma poderosa vantagem para os inimigos do bandoleiro, em pleno governo Getulio Vargas. Lampião chegaria a ameaçar alguns donos de caminhão que cediam seus veículos ao transporte de “macacos”. Menos de quatro anos depois, era a vez de entrar em cena as metralhadoras, que decretaram o fim dos cangaceiros.

Fonte principal: http://diariode.pe/bd88

Segunda fonte: facebook

Página: Altair Barbosa Lima

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LAMPIÃO VOTOU PELA PRIMEIRA VEZ EM 1915


Segundo o escritor João Gomes de Lira, em seu livro “Memória de um Soldado de Volante”, Virgulino Ferreira da Silva começou sua vida de uma forma totalmente errada, em 04 de fevereiro de 1915, inscreveu-se a eleitor, como agricultor, aumentou a idade para 21 anos e, assinou como Virgulino Lopes de Oliveira, conforme consta no Cartório de Vila Bela. Sabe-se que o rei do cangaço votou pelo menos três vezes: em 1915, 1916 e 1919.

Fonte: facebook

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

ENTENDER O CANGAÇO, COMPREENDER LAMPIÃO

Por Rangel Alves da Costa*

O fenômeno cangaço sempre se mostrou instigante em todos aqueles que por interesse investigativo ou curiosidade já lançaram um olhar sobre seu percurso histórico, contexto e acontecimentos. É deveras provocante, indagativo, pois à medida que se envereda nas suas trilhas mais se quer conhecer de seus escondidos. Por isso mesmo a afirmação de ser o cangaço a saga como mais revelações surgidas a cada dia.

Novos elementos da trama surgem a cada seminário sobre o fenômeno, a cada livro publicado, a cada tese defendida. Os historiadores não se cansam de vasculhar a história e, tantas vezes, ir além dos fatos por pura provocação. Ou lançar entendimento novo para questões tidas como resolvidas. Um redemoinho no cangaço, e do começo ao fim. Mas no centro dos debates geralmente as opiniões acerca do banditismo ou do heroísmo de Virgulino Ferreira da Silva, o Capitão Lampião.

Quando as considerações se voltam para o caráter heroico ou bandido de Lampião ou mesmo para os seus aspectos comportamentais enquanto líder cangaceiro, logicamente que se discute apenas a face do cangaço enquanto bando atemorizando os sertões e desafiando o sistema legal vigente. Não há nenhuma preocupação em lançar um olhar para o cangaço como um todo, desde o clamor da terra sertão por justiça ao que motivou tantos homens a adentrar na difícil jornada. 

Ora, nada surge ao acaso. Certamente nenhum daqueles rebeldes primitivos um dia cismou de brigar contra o mundo, deu um grito empunhando arma e foi acompanhado por tantos outros. Não foi por mera casualidade que homens se entrincheiraram nas caatingas e a partir daí começaram uma guerra sangrenta. As explicações e os entendimentos das reais causas ensejadoras do cangaço serviriam muito bem para afastar conclusões apenas pessoais e desarrozoadas. Avista-se a colcha do cangaço estendida, mas poucos têm o cuidado de procurar saber como e por que cada pedacinho foi sendo juntado.

É a compreensão do cangaço de forma generalizada, e não nas suas entranhas, que faz surgir partidarismos de todos os tipos e com os mais diversos objetivos. E logo se diz daquele bando de marginais que jogavam criancinhas para o alto e as esperavam na ponta do punhal, ou se afirma da justa luta dos cangaceiros contra os poderes opressores do sertão e do sertanejo. Ou ainda que Lampião não passava de um bandido cruel, feroz e sanguinário. E na defesa se afirma que o Capitão chamou para si a guerra que cabia a todo oprimido fazer. E por aí vai, com afirmações quase sempre exacerbadas ou distantes da realidade. 

Certamente que nenhum daqueles homens das caatingas enveredou na luta inglória porque achava bonito viver na mira da volante, correndo constante risco de morte, tendo aos pés a incerteza da estrada. Certamente que o rapazote Virgulino não preparou nenhuma tocaia para o seu próprio destino. Seria dizer que o seu destino cangaceiro foi por ele mesmo semeado. E os fatos por trás disso tudo, por que tanto teimam em esquecer? Será que por desejo próprio ele forjou uma sangrenta situação para depois abrir caminho e mais tarde ser reconhecido como valente e destemido, e por isso mesmo reconhecido no bando de Sinhô Pereira?

O homem em si, o filho de Seu José Ferreira e Dona Maria Lopes, o companheiro de Maria Bonita, o pai de Expedita Ferreira, este nem sempre é compreendido. Acostumou-se com a visão mundana do homem sem se ater ao fato que ali também estava um ser espiritual, um indivíduo com alma e sentimentos. Sim, nele também residia a compreensão do sagrado e do pecado, do erro e do acerto, os limites do homem no mundo. Mas se poderia dizer então que um sujeito assim não cometeria tantas atrocidades. A resposta estaria na compreensão do sujeito enquanto produto do meio, principalmente quando o meio ou o embrutecia ou o submetia.

Mas o meio moldando o caráter de Lampião não foi somente aquele vivenciado quando decidiu ser cangaceiro, ou a partir de 1921, quando entrou para o bando de Sinhô Pereira, ou quando, mais tarde, assumiu o comando dos revoltosos. O meio desde o berço de nascimento nas terras de rixas e vinditas sangrentas de sua Vila Bela. Desde criança que Virgulino se rodeou de rivalidades, traições e todo tipo de violência. O rapazote logo foi forçado a partilhar dessa desdita sangrenta. Quando foi ser cangaceiro já estava marcado pelo ferro da opressão.

Contudo – e eis a grande verdade -, o Lampião não desumanizou Virgulino, nem este permitiu que aquele esquecesse o ser humano que havia dentro de si. Do contrário, acaso prevalecesse a ideia de que o homem nascido e crescido na violência tenderia a ser totalmente desumanizado, a grande maioria dos nordestinos não passaria de bestialidade em pessoa. Ora, naqueles idos chovia mais bala do que pingo d’água na região nordestina. E nem por isso o seu povo deixou de ser reconhecido pela fervorosa religiosidade.


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"Noite Ilustrada" de 09 de agosto de 1938 que traz a famosa reportagem de Melchiades Rocha - Parte I

Por Angélica Bulhões

Com a cortesia e generosidade do escritor e pesquisador Sérgio Dantas compartilho com os amigos o "Santo Graal" das revistas sobre o cangaço, A raríssima "Noite Ilustrada" de 09 de agosto de 1938 que traz a famosa reportagem de Melchiades Rocha, o primeiro jornalista em Angico, falando sobre o último dia de Lampião... vejam o valor que estão pedindo por ela no Mercado livre:


Caso alguém queira compartilhá-la em outros grupos, blogs, páginas pessoais, etc... aponte o acervo em que foi disponibilizado, por uma questão de ética e elegância. Bons estudos!











CONTINUA...

Fonte: facebook
Página: Angélica Bulhões

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O VOLANTE ADRIÃO PEDRO DE SOUSA

Por José Mendes Pereira

Na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota de Angico, em terras da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, no momento do ataque ao bando aos cangaceiros do bando do rei Lampião (inclusive ele e sua Maria Bonita foram atacados e mortos), foi morto também o soldado Adrião Pedro de Sousa, que alguns pesquisadores afirmam que pode ter sido vítima de fogo amigo.

Alguns historiadores lamentavam e se perguntam: por que o nome do policial Adrião Pedro de Sousa não foi lembrado nas duas cruzes, e nem na placa de metal que foi colocada depois no local do combate ao bando de Lampião? Esta é mais uma pergunta que continua sem resposta em relação o que aconteceu na Grota de Angico na madrugada de 28 de Julho de 1938.


A outra face do Cangaço - Vida e morte de um praça

Depois da merecida homenagem em Angico Clique aqui para rever a matéria o escritor pernambucano Antonio Vilela de Souza autor de "O Incrível mundo do cangaço", volumes I e II apresenta o resultado de sua mais recente obra sobre o assunto em pauta.

A presente obra custa R$ 20,00 (Vinte reais) + frete a consultar. Tem 102 páginas, fotos inéditas e está sendo comercializado exclusivamente pelo autor via email :  incrivelmundo@hotmail.comou telefones: (87) 3763 - 5947 / 8811 - 1499 / 9944 - 8888 (Tim)

Soldado Adrião - O herói esquecido

Resenha de Ivanildo Silveira

Por muitos anos, em que pese a vasta produção literária sobre a morte de Lampião e seu cangaço, pouco se falou sobre o soldado Pedro Adrião de Souza, o único do lado da força a morrer no combate de Angicos, ocorrido em 28 de julho de 1938. Ainda hoje,  há polêmica sobre esse assunto...

E, as perguntas não querem calar: Vejamos:

1º) Teria o soldado Adrião sido morto  por balas disparadas pelos cangaceiros?

2º) Teria ele sido vítima do chamado "fogo amigo'?
3º) Ou, teria sido eliminado, de propósito, por algum colega no calor da refrega?

O novo livro, recentemente lançado, " A outra face do cangaço: Vida e morte de um praça ", de autoria  do professor pernambucano, Antonio Vilela de Souza, procura jogar mais lenha na fogueira, e tenta, na sua ótica, esclarecer as indagações, acima citadas...

Vamos aguardar, o que os estudiosos do tema nos trarão de conclusão, sobre essa obra, e, sobre esse mistério que, ainda, paira sobre o combate de Angicos....

Ivanildo Silveira
Colecionador do Cangaço
Membro da SBEC e conselheiro consultivo do Cariri Cangaço
Natal, RN

Leia mais sobre o volante clicando nos links abaixo:

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2012/06/novo-livro-na-praca_26.html
http://www.lampiaoaceso.blogspot.com.br/2012/04/grota-do-angico-historia-revisitada.html

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CONFIRMADA AS PARTICIPAÇÕES DOS PESQUISADORES DO CANGAÇO ANA LÚCIA SOUZA E ANTONIO VILELA AO CARIRI CANGAÇO PIRANHAS 2015


Pernambuco terra de Virgolino Ferreira decidiu invadir Piranhas, de todos os recantos os Vaqueiros da História confirmam suas participações. De Petrolina confirmada a professora, historiadora e escritora Ana Lucia Souza e da bela Garanhuns, Terra das Sete Colinas, o incomparável Antonio Vilela. Então que venha o Cariri Cangaço Piranhas 2015 !!! Saiba como tudo vai acontecer:

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RETRATOS DO CANGAÇO - LAMPIÃO E SEUS SOLDADOS


Fotografia tirada por Benjamin Abrahão Botto no ano de 1936, época em que acompanhou, filmou e fotografou Lampião e seu bando no seu dia-a-dia.

Na imagem acima da esquerda para a direita estão os cangaceiros: MARRECA, VILA NOVA, CACHEADO, JURITY, SABONETE, PONTO
FINO II e LAMPIÃO.

Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Grande Geraldo Antônio de Souza Júnior, eu não conhecia esta foto da cabroeira de Lampião, inclusive ele aparece na fotografia. 

Parabéns pela excelente publicação.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administração)

Fonte: facebook

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COITEIROS DE LAMPIÃO CORONEL ÂNGELO DA GIA


Um dos pontos mais visitados por Lampião e seus cangaceiros foi a fazenda Poço do Ferro, de propriedade do Coronel Ângelo da Gia.

A fazenda, na época do cangaço, pertencia a cidade de Floresta e hoje pertence a Ibimirim, ambas cidades pernambucanas.

Ângelo da Gia foi um dos mais importantes coiteiros de Lampião em Pernambuco, inclusive foi na Fazenda Poço do Ferro de sua propriedade que aconteceu o acidente com a arma de fogo, que vitimou Antônio Ferreira irmão de Lampião.

Foto e informações: João de Sousa Lima

Clique no link para você saber mais um pouco sobre o coronel Ângelo da Gia

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2015/05/as-pisadas-de-joao-de-sousa-lima.html

Fonte: facebook

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QUANDO O CANGAÇO PERDEU A CABEÇA

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terça-feira, 19 de maio de 2015

FRANCISCO DAS CHAGAS VASCONCELOS, ilustre cearense de Santana do Acaraú, como Membro Honorário da Academia de Cultura da Bahia


Foi sem dúvida um evento grandioso a posse do Prof. FRANCISCO DAS CHAGAS VASCONCELOS, ilustre cearense de Santana do Acaraú, como Membro Honorário da Academia de Cultura da Bahia. Eu estava lá e vi o auditório da Faculdade Dois de Julho inteiramente lotado. 

Dentre as presenças mais significativas, lembro bem o Prof. Celso Castro, Diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, o Prof. Antônio Francisco Costa, Coordenador do Curso de Direito da Universidade Católica do Salvador, o escritor Oleone Coelho Fontes, autor do fantástico romance Um Jagunço em Paris, e o Dr. Ebenézer, funcionário aposentado do Banco do Brasil, que foi companheiro do Prof. Vasko nos idos de 1970 na agência do BB em Nossa Senhora da Glória.

Fonte: facebook

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CANGACEIROS SOLTOS


1 - Vítor Rodrigues, o Criança, após o combate na Grota de Angicos, fugiu para São Paulo, adquiriu casa própria e mercearia naquela cidade.  Casa-se com Ana Caetana de Lima e tem três filhos: Adenilse, Adenilson e Vicentina. 


2 – Antenor José de Lima, o Beija-Flor - continuou pobre, analfabeto e desassistido.


3 – Manoel Dantas, o Candeeiro - segue o mesmo rumo, mas consegue se alfabetizar e negociar onde mora.    

Dos cangaceiros homens ele era o último e faleceu no dia 15 de Junho de 2014

4 – José Alves de Matos, o Vinte e Cinco - vai trabalhar como funcionário do Tribunal Eleitoral de Maceió e casa com a enfermeira Maria da Silva Matos e tem três filhas: Dalma, Dilma e Débora.                


5 - Antônio dos Santos, o Volta Seca - passa muito tempo preso na penitenciária da Feira de Curtume, na Bahia. É condenado, inicialmente, a uma pena de 145 anos, depois comutada para 30 anos. Através do indulto do presidente Getúlio Vargas, porém, em 1954, ele cumpre uma pena de 20 anos. Volta Seca casa e tem sete filhos e é admitido como guarda-freios na Estrada de Ferro Leopoldina.


6 - Ângelo Roque, o Labareda - consegue se empregar no Conselho Penitenciário de Salvador.  Casa e tem nove filhos.

         
7 - Saracura - E, intrigante como possa parecer, o ex-cangaceiro Saracura torna-se funcionário de dois museus, o Nina Rodrigues e o de Antropologia Criminal, os mesmos que expuseram as cabeças mumificadas dos velhos companheiros de lutas.

                          
8 - Bernardino, vulgo Canário - ele foi morto na cadeia por Penedinho, por ter entregado a sua cabeça à polícia em troca de redução da pena. Penedinho era primo de Adília, que era esposa de Canário. 

Português e sua companheira Quitéria

9 - Português - assim que Lampião foi morto, ele se entregou à polícia, mas foi assassinado na cadeia.


10 - João Marques Correia, vulgo, Barreiras - não consegui informação sobre ele.


11 - Antônio Luís Tavares, o Asa Branca era Paraibano. Viveu até falecer em Mossoró, em companhia dos 4 filhos e sua esposa Francisca da Silva Tavares, que ainda mora na mesma casa em que viveu o Asa Branca.

Viúva do cangaceiro Asa Branca paraibana mas reside em Mossoró.

Ele faleceu no dia 02 de novembro de 1981, e está enterrado no Cemitério São Sebastião em Mossoró, nos fundos da cova do cangaceiro Jararaca. 


12 - Juriti - após a chacina de Angico ele se entrega à polícia e foi liberado, mas covardemente foi queimado numa fogueira dentro da mata pelo Sargento DE LUZ, que fora delegado de São Francisco.

Sargento De Luz

O escritor Alcino Alves Costa diz em seu livro "Lampião Além da Versão - Mentira e Mistérios de Angico” que uma das autoridades mais perversa e sanguinária foi Amâncio Ferreira da Silva, que os cangaceiros já com documento de Soltura, ele os perseguia só para ter o prazer de matá-lo. 

Diz o escritor: "Amâncio Ferreira da Silva era o verdadeiro nome do sargento De Luz. Nascido no  dia 11 de agosto de 1905, este pernambucano ainda muito jovem arribou  para o Estado de Sergipe, indo prestar os seus serviços na polícia militar sergipana. Os tempos tenebrosos do banditismo levaram De Luz para o último porto navegável do Velho Chico, o arruado do Canindé Velho de  Baixo. Por ser um militar extremamente genioso, violento e perverso, ganha notoriedade em toda linha do São Francisco e pelas bibocas das caatingas do sertão. Dos tempos do cangaço ficou na história, e está  registrada no livro “Lampião em Sergipe”, o espancamento injusto que ele deu no pai de Adília e Delicado, o velho João Mulatinho, deixando-o  para sempre aleijado". 

Continua o escritor: "Um de seus maiores prazeres era caçar ex-cangaceiro para matá-los sem perdão e sem piedade. Foi o que fez com Juriti, prendendo-o na fazenda Pedra D`água e o assassinando de maneira vil e abjeta jogando-o em uma fogueira nas proximidades da fazenda Cuiabá. Foi em virtude de desavenças com o seu sogro, o pai de Dalva, sua esposa, que naquele dia 30 de setembro de 1952, quando viajava de sua fazenda Araticum para o Canindé Velho de Baixo, se viu tocaiado e morto com vários tiros. Morte atribuída ao velho pai de Dalva, o senhor João Marinho, proprietário da famosa fazenda Brejo, no hoje município de Canindé de São Francisco".

Continua o escritor: "Diz a história que João Marinho foi o mandante, chegando até ser preso; e seu genro João Maria Valadão, casado com Mariinha, irmã de Dalva, portanto cunhado de De Luz, ainda vivo até a feitura desse artigo, com seus 96 anos de idade, completados no mês de dezembro de 2011, foi quem tocaiou e matou o célebre militar e delegado que aterrorizou Canindé e o Sertão do São Francisco. Foi o sargento De Luz o matador de Manoel Pereira de Azevedo, o perverso e famoso Juriti. Manoel Pereira de Azevedo era um baiano lá das bandas do Salgado do Melão. Um dia arribou de seu inóspito sertão e viajou para as terras do Sertão do São Francisco, indo ser cangaceiro de Lampião, recebendo o nome de guerra de Juriti”.

Informação: Lembrando ao leitor que todos estes cangaceiros e o delegado De Luz já faleceram,apenas está viva a viúva do cangaceiro Asa Branca. 

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