"Sergipe, Fazenda Angico, meus crimes se terminaram…O criminoso era eu, e
os santinhos me mataram. O Lampião se apagou, outros Lampiões ficaram (...) O
cangaço continua, de gravata e jaquetão...Sem usar chapéu de couro, sem
bacamarte na mão…E matando muito mais, tá cheio de Lampião!".
Isso mostra que o que falam de Lampião o exaltando como criminoso embora haja
verdade, mas também há exagero e mentiras. Era mal, mas era justo com os seus.
Era semianalfabeto, mas um gênio estrategista.
Levou muitos à morte, mas por
conselhos, tirou outros de suas garras... E hoje somos governados por uma gangue
política mil vezes pior que os cangaceiros, que sequer possui respeito pela
palavra empenhada, coisa na qual o Capitão Virgulino era homem de valor!
Lampião foi sim uma" pedra" nos sapatos dos coronéis, oxalá
existissem uns 300 VIRGULINOS FERREIRA DA SILVA (LAMPIÕES) correndo o Brasil
afora com seus bandos, aí sim os bandidos conhecidos como políticos chiavam na
ponta da "peixeira" e no cano do bacamarte! A Policia e os militares
da antiguidade da história brasileira nunca foram heróis, nem os
´´bandeirantes``, por isso temos que valorizar pessoas como Zumbi dos Palmares,
Lampião e o nosso eterno Véio Lua!
Concluída a
leitura de “Padre Cícero”, do escritor cearense Lira Neto, cujo subtítulo é
“Poder, Fé e Guerra no Sertão”, Companhia das Letras - “um tijolo” - como diz
Aluísio Lacerda, passo a recomendá-lo vivamente aos amigos leitores do blog.
Lira Neto foi,
para mim, uma grande e agradável surpresa. Nascido em Fortaleza, Ceará, 1963,
já abocanhou o Jabuti em 2007, na categoria “melhor biografia” por “O Inimigo
do Rei: Uma Biografia de José de Alencar”. Também escreveu “Maysa: Só Numa
Multidão de Amores”, e “Castello: A Marcha para a Ditadura”. Não os li, mas que
prometem, prometem. E, claro, escreveu a excepcional biografia de Getúlio
Vargas, mas essa é outra história.
Duvido que os
outros sejam tão bons quanto “Padre Cícero”. Tão bons quanto, assinalo.
Primeiro por
que é muito bem escrito: a leitura é muito agradável, flui fácil, o texto é
envolvente; segundo por que a reconstituição histórica, inclusive em termos
fotográficos, é primorosa; e terceiro, mas, não, por fim, é impressionante a
dimensão do personagem principal e daqueles “secundários”, como é o caso do Dr.
Floro Bartolomeu, baiano, médico, garimpeiro, político, ferrabrás, a “alma
negra” do Padre Cícero, ou mesmo da Beata Maria de Araújo, negra, analfabeta,
protagonista do “milagre do Juazeiro”, que consistiu em cuspir hóstias
transformadas em sangue, quando da Comunhão.
A Beata, que
até palmatoradas tomou do Vigário do Crato, e foi exilada durante anos de sua
Juazeiro natal por ordem da Igreja, também entrava em êxtase e apresentava os
estigmas de Cristo, ao mesmo tempo em que se banhava de sangue para logo depois
“acordar” limpa e sem qualquer marca no corpo – fenômenos constatados por
padres e médicos.
Mas há outros
personagens menores sumamente interessantes: o que dizer do Conde Adolphe
Achille van den Brule, ex-camareiro do Papa Leão XIII, companheiro e sócio de
Floro Bartolomeu, que se apaixonou por uma Juazeirense e, mesmo sendo casado na
Europa e lá tendo deixado dois filhos, casou-se novamente no Cariri, nele
fincou raízes e nunca mais voltou?
Além dos
personagens, alguns fatos históricos relatados na obra chamam a atenção, como a
tomada do poder central, em Fortaleza, pelos coronéis do Cariri tendo, à
frente, Floro Bartolomeu e um exército de cangaceiros, jagunços, romeiros e devotos
de Padre Cícero, todos pelo “padim” abençoados? Revolta que derrubou, na ponta
do fuzil, o Governador Franco Rabelo, amado pelos fortalezenses, e, de permeio,
matou o nosso Capitão José da Penha, que com ele se solidarizara?
O livro deixa
algumas interrogações no ar: qual o passado de Floro Bartolomeu e o fim do
Conde van den Brule? Por outro lado, demonstra, à exaustão, como a
incompetência da Igreja Oficial, externada, principalmente, dentre outros, por
intermédio do Segundo Bispo do Ceará Dom Joaquim José Vieira. Preconceito,
racismo, intransigência, autoritarismo, alheamento, burrice, tudo isso serviu
como combustível de primeira grandeza para alimentar o incêndio fanático no
qual se transformou Padre Cícero.
E o que dizer
de Padre Cícero? Nada. É preciso ler o livro. Entretanto é possível ter uma
noção de sua sabedoria tomando conhecimento de seu catecismo ecológico, vazado
lá pelos idos da virada do século XIX para o XX, e distribuído com os
agricultores:
“Não toquem
fogo no roçado nem na caatinga; não cacem mais e deixem os bichos viverem; não
criem o boi nem o bode soltos; façam cercados e deixem o pasto descansar para
se refazer; não plantem em serra acima, nem façam roçado em ladeira muito em
pé: deixem o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se
perca a sua riqueza; façam uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água
da chuva; represem os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra
solta; plantem cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou
outra árvore qualquer, até que o Sertão todo seja uma mata só; aprendam a tirar
proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas
podem ajudar vocês a conviverem com a seca. Se o sertanejo obedecer a estes
preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá
sempre o que comer; mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o Sertão vai
virar um deserto só.”
Enfim, uma
grande obra. Para ser lida ou para ser estudada. Ou ambas, nada impede.
Com evento
realizado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de
Pernambuco – IFPE, Campus Recife, contando com o apoio da Coordenação de
Telecomunicações e da Coordenação de Análise e Desenvolvimento de Sistemas ambas
do IFPE, o INSTITUTO MANYGEEKZ realiza evento gratuito sobre tecnologia e seus
desdobramentos sociais.
O INSTITUTO
MANYGEEKZ tem por finalidade o fomento e a promoção da tecnologia e seus
novos desdobramentos na educação, cultura, formação profissional, saúde,
transporte, relações sociais e todas as áreas da sociedade que possam ser
lapidadas pela utilização adequada da tecnologia.
Todos esses
objetivos visam o bem-estar dos cidadãos, justos aqueles que têm pouco espaço
para suas pesquisas e mesmo para a execução de planos e atividades inovadoras
dentro de suas áreas de atuação. O INSTITUTO MANYGEEKZ defende o acesso e o incentivo
à pesquisa, desenvolvimento de novas tecnologias, economia criativa, visão
empreendedora, educação inclusiva e de qualidade.
Sobre o Evento
Movimentar o cenário da educação robótica e TI dentro de grandes espaços
acadêmicos que são formadores de opinião, cidadãos, profissionais e que deve
começar também a formar pensadores, novos cientistas, inovadores,
empreendedores e pessoas de destaque na sociedade, através do pensamento e
atividades criativas, sustentáveis e integradoras.
Gustavo
Gonçalves, presidente do INSTITUTO MANYGEEKZ afirma que “o nosso evento propõe
trazer novos prismas para o universo plural da educação, mostrando aos
estudantes que é possível realizar sonhos, mudar o mundo e ajustar a sociedade
através do uso positivo da tecnologia e seus desdobramentos”. Para ele, o
evento valoriza o universo da automação, dos princípios e funcionalidades da
internet cujo objetivo é “possibilitar novas visões aos jovens empreendedores e
às empresas que movem o mundo no sentido da evolução”.
PROGRAMAÇÃO:
Palestras:
"Tecnologia e empreendedorismo - Inspirando e Impactando o mundo com
mulheres" com Lhaís Rodrigues (CIn UFPE, WWC, Technovation); "Empreendedorismo
e educação" com Gerson Ribeiro, Founder da AngelEye, Global
Facilitator na Education Entrepreneurs (Startup Weekend Education);
Um bate papo
sobre aprendizado e início de carreira, com Lucas Cavalcanti, Desenvolvedor de
Software, concluinte no curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas no
IFPE e instrutor da OPEI;
Mudando o
mundo com Empreendedorismo e Tecnologia: do batom aos bytes e bits, com Andreza
Leite de Alencar, Mestrado em Ciência da Computação pelo CIn/UFPE e está
cursando o Doutorado também no CIn/UFPE. Graduada em Sistemas de Informação
pela Universidade Federal do Pará (UFPA). É professora na Universidade Federal
Rural de Pernambuco (UFRPE). Tem experiência na área de Ciência da Computação,
com interesse principalmente nos temas: Banco de Dados; Sistemas Distribuídos e
Gerenciamento de dados em Nuvem. Já palestrou em eventos como Campus Party,
FISL, CSBC, Consoline entre outros. Fundadora do Women Who Code Recife,
Pyladies Recife e Embaixadora do Technovation Brasil.
Carreira Start From Zero, com Saulo Gomes, Sócio-Fundador da E2S Tecnologia.
Internet das
Coisas com Arduino, com Diego Phoenix, Engenheiro da computação, mestrando na
área de processamento de imagens no CIn-UFPE. Fascinado por projetos na área de
automação e robótica no auxílio do dia-a-dia das pessoas, se engajou no
universo do Arduino pela sua incrível versatilidade. Amor ao primeiro Blink.
Entusiasta e evangelista da plataforma, liderou a criação do ArduRec, grupo de
entusiastas da plataforma, que reúne toda a comunidade de makers, hobbystas e
profissionais de Recife mensalmente. Empreendedor, dono da
loja Arduinolandia.com.br e co-fundador do startup IoTech Lab,
desenvolvendo soluções para Internet das Coisas, dispositivos vestíveis e home
care.
Como navegar
na WEB de forma sigilosa, confiável e autentica. Com o crescimento do uso da
internet as pessoas tem tido dificuldade com relação a privacidade e grande
necessidade de sigilo na troca de informações então a palestra abordará
ferramentas para se navegar de forma sigilosa na WEB, como criar um e-mail que
se destrói em minutos, criptografar partições e também um pouco sobre a DEEP
WEB" com Yelken Ganzales, Nerd faixa preta, mestrando em Engenharia da
Computação na UPE(Universidade de Pernambuco), campeão de competições na área
de robótica, fundador da Robotic Weekend e possui algumas certificações JAVA.
Workshops:
Robô móvel com Arduino (Equipe Ardurec); Como Hackear sua casa com Arduino
(Equipe Ardurec);Automatize sua casa a um baixo custo com Arduino com Yelken
Gonzales do Robotic Weekend.
Alimentação
Dois FoodTrucks
- KombiMassa
(Pizzas Artesanais)
- SalchPão
(Cachorro quente Gourmet)
Público-alvo: Estudantes do ensino médio e superior e entusiastas de
tecnologia.
Gustavo
Gonçalves: um visionário
Conheça um
pouco sobre o Diretor Presidente do INSTITUTO MANYGEEKZ, Gustavo Gonçalves. Nascido
em Ijuí-RS, morando a mais de 20 anos em Recife, Gustavo Gonçalves cursou
Direito até o oitavo período na Unicap, Decidindo migrar para área
tecnológica, para se dedicar ao projeto Recife Digital no Second Life, do
qual teve duração de 3 anos divulgando a cultura pernambucana. Hoje trabalha
com livros digitais e é o Idealizador do projeto Vibook, já capitaneou alguns
projetos dentre eles O Dicionário Escolar da Diversidade Cultural Pernambucana,
do escritor Adriano Marcena – Funcultura, 2014. Palestrando também nos mais
diversos eventos literários e culturais do Nordeste do Brasil.
Sendo Também um dos Fundadores e articuladores do INSTITUTO
MANYGEEKZ.
O que eu tenho lido sobre os adjetivos de Sérgia Ribeiro da Silva, conhecida no mundo do cangaço por Dadá, foi sem dúvida, uma grande guerreira, uma verdadeira fera humana, que mesmo Corisco já com os braços debilitados, devido alguns balaços sofridos em combates nas caatingas, em nenhum momento ela deixou o seu companheiro para trás.
O cangaceiro Corisco
E além de ter sido guerreira, era uma excelente companheira e amante do velho primo que a carregou para participar da mais perigosa vida que é: viver de correrias entre as estranhas matas, livrando-se dos estilhaços de balas e sem ter certeza de sair do meio do fogo com vida.
Alcindo Alves da Costa
Diz o escritor Alcino Alves da Costa em "Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angicos", que Corisco tinha sido alvejado por João Torquato, filho de um senhor chamado Torquato, morador lá da Pia nova, que por vingança da morte do cangaceiro Zepelim, os grupos de Zé Sereno e Mané Moreno assassinaram seu Torquato, e um senhor chamado Firmino.
O cangaceiro Zé Sereno
O cangaceiro Mané Moreno
Mas o único culpado foi um senhor de nome Chico Geraldo, que enrascado com o grupo de Mané Moreno, temendo ser executado, enredou ao cangaceiro que tudo que Torquato e Firmino sabiam sobre eles, repassavam para Zé Rufino, um dos comandantes de volantes.
Mas era mentira do Chico Geraldo, apenas ele queria envolver os outros para sair da mira do fogo, coisa que os cangaceiros não perdoavam covardia.
Tenente Zé Rufino ao lado direito
Diz ainda Alcino Alves que nesse combate Corisco saiu baleado. Dadá foi a grande defensora do marido, pois já ferido e sem condições de reagir contra a volante de policiais, que justamente, participava o João Torquato, o vingador, e sem mais munição, Dadá deu início a uma guerra com pedras, jogando-as contra os seus inimigos.
João Torquato
E assim foi conseguindo arrastar o marido para outro local, fazendo com que os policiais perdessem o roteiro dos perseguidos. Depois disso, Corisco ficou totalmente debilitado, sem condições de enfrentar qualquer combate, confiando apenas na companheira, a suçuarana Dadá.
Mas diz ainda Alcino que a glória de matar Corisco, coube ao policial José Rufino, que o perseguiu até a fazenda Cavaco, em Brotas de Macaúbas, na Bahia, onde o alcançou e com maior facilidade tirou-lhe a vida, no dia 25 de maio de 1940.
Com a morte de Corisco que deu continuidade à Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia, do rei Lampião, praticamente ela foi enterrada com Cristino Gomes da Silva Cleto, o Corisco.
No combate que vitimou Corisco, a suçuarana Dadá foi alvejada na perna, tendo sido presa e posteriormente liberada pela justiça para participar novamente da sociedade. Dadá faleceu em fevereiro de 1994 no Estado da Bahia.
Fonte de pesquisa:
"Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angicos".
Sempre se fala
da valentia e sangue frio dos cangaceiros, mas ouvi uma história que me chamou
a atenção e me foi contada por Paulo Britto.
Fiquei
impressionado e admirado. A história foi mais ou menos assim.
Paulo contou que
seu pai estava deitado em uma rede quando alguém entrou correndo e disse:
- Tenente, acabaram de matar seu irmão.
Bezerra na rede estava, na rede
ficou. Ao que foi interpelado:
-Não vai fazer nada não?
Ele
respondeu:
- Num já mataram? Não vou poder fazer nada, depois vou e
resolvo.
Durval Rosa irmão do coiteiro Pedro de Cândido
Para mim, uma prova de homem de fibra. Quando entrevistamos
Durval, Paulo Gastão fez a seguinte indagação a ele:
Paulo Gastão
- João Bezerra era
frouxo?
Durval disse:
- Frouxo era uma bexiga, o que João Bezerra fez
num era qualquer um que fazia não... fazia ele, Zé Rufino e outros assim.
Essa pergunta feita por Paulo foi para cutucar mesmo, pois o pesquisador tem
que atiçar o entrevistado para tentar ouvir máximo possível. Com essas duas
questões não tenho dúvidas da fibra de Bezerra.
Em 1995 Natal sediou um exercício aéreo de grande importância para a FAB, mas que ficou marcado por uma terrível tragédia.
O
inconfundível Lockheed C-5 Galaxy da USAF, no apoio aos aviões estrangeiros em
Natal – CLIQUE PARA AMPLIAR AS FOTOS.
Em 1994 a USAF
(United States Air Force) fez um convite à FAB (Força Aérea Brasileira) para
participar do conceituado exercício de combate aéreo Red Flag, a mais realística
guerra aérea simulada do mundo, realizada na Base Aérea de Nellis, no deserto
da Nevada, Estados Unidos. Mas a FAB ainda não estava pronta para o desafio.
Avião de carga
Lockheed C-130 Hércules, da FAB, conhecido como “Gordo”, sobrevoando a pista da
Base Aérea de Natal
Entretanto a
nossa Força Aérea desejava ampliar este maior contato com outras Forças amigas
e conseguir um maior aprimoramento para seus pilotos. Assim a FAB, junto com a
USAF, participou em 1994 da Operação Tigre I, realizada em Porto Rico, no
Caribe. O próximo exercício ocorreu em outubro de 1995 no Brasil, mais
precisamente em Natal, cidade de tantas tradições em termos de história
aeronáutica.
F-16 do 198th
Fighter Squadron que esteve em Natal em 1995
A USAF
mobilizou para o exercício aéreo Tigre II seis caças modelo General Dynamics
F-16 A Block 15 ADF Fighting Falcon e dois modelos F-16B de treinamento. Estas
aeronaves pertenciam ao 198th Fighter Squadron (198th FS), que na época ficava
baseado na Muñiz Air National Guard Base, na cidade de Carolina, na mesma área
do Aeroporto Internacional Luiz Muñoz Marin, a 14 quilômetros de San Juan,
capital de Porto Rico.
Emblema, ou
“bolacha” como dizem os aviadores, do 198th Fighter Squadron.
A escolha de
Natal como local do exercício Tigre II se deveu a vários fatores, entre estes o
da cidade está localizada em uma região com baixo fluxo de voos comerciais.
Outros detalhes que destacaram a capital potiguar como mais favorável à
realização daquele tipo de exercício (e dos exercícios CRUZEX que viriam no
futuro) incluíam as condições meteorológicas positivas, infraestrutura
aeronáutica com alta capacidade de absorção de meios de pessoal e de material
(a Base Aérea de Natal possui três pistas de pouso), além da capacidade
hoteleira da cidade. Foi investida uma grande quantidade de recursos para
receber um exercício desse porte.
F-5 brasileiro
e suas garras.
No dia 19 de
outubro os membros do 198th Fighter Squadron, conhecidos como “Bucaneros”,
passaram a dividir os céus de Natal junto com vários aviões da FAB, como os
caças Northrop F-5E Tiger II, do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa), da
Base Aérea de Santa Cruz (RJ) e do 1º Esquadrão do 14º Grupo de Aviação (1º/14º
GAv), o Esquadrão Pampa, da Base Aérea de Canoas (RS).
O eterno
Mirage III BR
Outra aeronave
que esteve em Natal foi os Mirage IIIE, designados na FAB como F-103, do 1º
Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), o Esquadrão Jaguar, de Anápolis (GO).
Outro avião do inventário da Força Aérea Brasileira presente neste exercício
foram os aviões de ataque Embraer A-1A, do 1° Esquadrão do 16° Grupo de Aviação
(1º/16º GAv), o conhecido Esquadrão Adelphi, que também era oriundo da Base
Aérea de Santa Cruz (RJ), como os F-5 do 1º GAvCa.
Embraer A-1A,
do 1° Esquadrão do 16° Grupo de Aviação (1º/16º GAv), o conhecido Esquadrão
Adelphi
Durante vários
dias a rotina de Natal ficou alterada, um tanto barulhenta com a passagem de
tantos aviões de caça sobre a cabeça dos seus habitantes. Para os natalenses
fissurados por aviação, como o autor deste texto, aqueles dias foram de
entortar o pescoço de tanto olhar para os céus.
Um avião de
carga Lockheed C-141 Starlifter, do Military Air Transport Service (MATS),
apoiando os caças norte-americanos em Natal. Ao fundo um Boeing 737 da antiga
Varig.
As informações
passadas pelos militares da Base Aérea de Natal foi que, apesar da defasagem
material do equipamento da FAB, os pilotos brasileiros mostraram garra e
competência durante o desenvolvimento do exercício aéreo Tigre II, tendo a
atuação do nosso pessoal sido elogiada pelos aviadores norte-americanos.
Grande
movimento de pessoas.
Os esquadrões
1º GAvC e 1º/16º GAv, em operações contra os F-16 tiveram uma ótima atuação,
onde os caças da USAF não lograram êxito em abater os nossos A-1, apelidando-os
de “The bees” (As abelhas). Estas aeronaves da FAB não apenas conseguiram
realizar seus ataques simulados como também venceram em combate, mais de uma
vez, caças F-16 que tentaram interceptá-los.
Fuselagem
delgada de um Mirage III da FAB.
Mas muitos dos
que tinham conhecimento sobre aviação na cidade comentaram que, apesar dos F-16
da USAF serem aparelhos magníficos, aquele esquadrão não era da “primeira
linha” de combate da aviação militar dos Estados Unidos. Mas a história do
198th Fighter Squadron parecia indicar algo bem diferente.
O grande avião
de transporte Lockheed C-5 Galaxy, da USAF, ao lado dos Embraer T-27 Tucanos da
Esquadrilha da Fumaça, no dia dos portões abertos do exercício Tigre II, em
Natal, no dia 27 de outubro de 1995.
Ele foi criado
em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Era então designado 463th Fighter
Squadron, sendo sua primeira base em Peterson Field, Colorado. Durante quatro
meses os seus pilotos receberam treinamento de combate para escolta de longo
alcance em caças Republic P-47N Thunderbolt. Em junho de 1945 o esquadrão ficou
baseado em Okinawa, como parte da 507th Fighter Group e preparado para a
invasão do Japão, juntamente com os esquadrões de caça 413 e 414, também
equipados com P-47N.
As linhas da
fuselagem de um F-5 brasileiro
Em 1 de Julho
de 1945 o pessoal do 463th Fighter Squadron começou a voar a partir da base de
Ie Shima, com o objetivo de atacar navios inimigos, pontes ferroviárias,
aeroportos, fábricas e quartéis no Japão, Coréia e China. Em 8 de agosto
de 1945, alguns P-47N do 463th escoltavam bombardeiros B-29 em um ataque,
quando se envolveram em um renhido combate aéreo contra caças japoneses, abatendo
vários deles.
Um modelo
General Dynamics F-16 A Block 15 ADF Fighting Falcon
O esquadrão
permaneceu em Okinawa até o fim da Guerra, sendo desativado em maio 1946. Logo
voltou a ser ativado, passando a ser designado como 198th Fighter Squadron,
tendo como nova casa a ilha de Porto Rico e ainda operando os confiáveis P-47N
Thunderbolts.
Cabine de um
F-5 brasileiro
Com o passar
dos anos este esquadrão recebeu caças North American F-86H Sabre, Lockheed
F-104 Starfighter, Vought A-7 Corsair II e os F-16 que estiveram em Natal.
No sábado, 27
de outubro de 1995, foi realizado uma grande festividade na Base Aérea de
Natal, com os portões abertos a comunidade natalenses. Jornais da época
comentaram que cerca de 20.000 pessoas estiveram presentes. Já eu penso que o
número era bem maior.
Armas do A-1A
Ocorreram
várias passagens de aviões, rasantes sensacionais (a de um Mirage foi
incrível), até um jato comercial da TAM passou baixo sobre a pista de pouso
antes de pousar definitivamente.
Em certa hora
um F-5 brasileiro decolou. Apenas mais outro avião entre tantos que decolavam e
realizavam manobras naquele dia bem movimentado. O caça subiu, fez um giro
ainda com os trens de pouso abaixados, situação que achei interessante e
diferente das outras decolagens. Parecia que aquele piloto prometia algo interessante.
O F-5 então
subiu apontando para o firmamento, mas parou a ascensão de forma um tanto
estranha e se voltou em direção ao solo. No ponto em que eu estava perdi a
visão do caça devido à existência de hangares e o que vi na sequência foi uma
bola de fogo no horizonte, para depois escutar uma explosão que não foi tão
ensurdecedora, mas indicativa do desastre. Alguém acabava de perder a vida.
(Veja o vídeo de uma reportagem da TV Globo sobre este acidente)
Detalhes de um
F-16 “Bucanero”
Estava com a
câmera na mão acompanhando o voo, mas fiquei completamente estático diante do
que ocorria longe. Soube depois que o piloto falecido era o capitão aviador
Mauro Fernandes Naumann. O trite foi que sua esposa e três filhos estavam na
plateia assistindo as evoluções. Terrível!
Dois Embraer
T-27 Tucanos sobrevoando o evento.
Apesar desta
tragédia é inegável que aquele exercício aéreo ajudou a preparar de maneira
positiva os pilotos de caça brasileiros. Em 1998 seis A-1 do 1°/16° Grupo de
Aviação, o Esquadrão Adelphi, representaram a Força Aérea Brasileira, pela
primeira vez, na operação Red Flag. Em um ambiente repleto de caças F-15 Eagle,
F-16, F-18 Hornet, F-5 Tiger III e sistemas que simulavam presença de baterias
antiaéreas de mísseis como SA-6, SA-3 e Roland, os A-1 conseguiram sucesso nas
suas missões de ataque e sobreviver às ameaças que representavam o que havia de
mais moderno na guerra aérea no mundo.
Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros
A escritora e psicóloga Rosa Bezerra relançou o livro “A Representação Social
do Cangaço”. Filha do ex-cangaceiro, poeta e cantador Generino Bezerra, Rosa é
uma estudiosa do mundo do cangaço e das repercussões do fato na sociedade
brasileira e no Nordeste.
“Há
algum pensamento certo atrás dos óculos de Lampião. Suas alpercatas rudes pisam
algum terreno sagrado”. (Rubem Braga).
Texto resumido
do livro A Representação Social do Cangaço de Rosa Bezerra.
A escritora é graduada em Psicologia pela UFPE com especialização em Psicologia
Social pela FAFIRE. Coordenadora do Núcleo de Estudos do Cangaço do qual eu
também participo como ouvinte. Filha do ex-cangaceiro poeta e cantador Generino
Bezerra, Rosa é uma estudiosa das coisas do cangaço e das repercussões do fato
na sociedade brasileira, particularmente no nordeste.
“Na seca de 1892, os sertanejos contavam com Conselheiro, em Canudos,
falsamente retratado como louco. Sua “loucura” criou uma cidadela
auto-suficiente onde a propriedade onde a propriedade não conhecia a fome, e
havia cultivo de vários gêneros alimentícios. No entanto, o governo
central e as oligarquias não eram “loucos” o suficiente para dar suporte aos
retirantes em época de seca. Canudos foi assim, uma ameaça à ordem social estabelecida
e ao controle exercido pela igreja sobre o povo sertanejo.
Canudos teve que ser destruída pela exigência dos latifundiários, que não
suportaram tamanha agressão aos seus direitos “universais”. Foi totalmente
erradicada, numa luta desigual, para servir de exemplo. Resistiu até o completo
esgotamento. A cidadela do Conselheiro foi tomada casebre por casebre, palmo a
palmo e o que era uma guerra contra gente simples da cidadela, transformou-se
em vingança do estado de direito”. (Rosa Bezerra)
O livro pode ser adquirido nas livrarias do Recife ou via email: