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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

OS MACACOS DE LAMPIÃO.


Por João Filho de Paula Pessoa

O Cangaço sempre foi combatido pelo Estado, desde seu início, através das forças policiais locais, dos batalhões de soldados enviados pelas capitais e, principalmente, pelas Tropas Volantes, que eram destacamentos militares itinerantes de perseguição e caça aos cangaceiros, formadas por policiais, soldados e sertanejos, presentes em sete Estados do Nordeste, conhecidas pela bravura, determinação e perseverança no combate ao cangaço, com destaque para Manoel Neto (Pe), Zé Rufino (Ba) e João Bezerra (Al). 

Na fase Lampiônica estas forças policiais, especificamente os soldados das volantes foram apelidados pejorativamente de “Macacos” pelo próprio Lampião, pois segundo ele os soldados vestidos de marron, ao fugir nos tiroteios, corriam e pulavam desviando das balas feitos macacos, apelido este amplamente disseminado na cultura cangaceira e difundido em todas as memórias, obras literárias, pesquisas, livros, relatos, histórias, lembranças, depoimentos, cordéis, contos, dentre outros, até os dias atuais, sendo mais uma das características originais do Cangaço. 

(João Filho de Paula Pessoa, Fortaleza/Ce.) 10/12/2019.
Na foto: A Volante de Zé Rufino.


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A FAMÍLIA CARVALHO DA SERRA NEGRA VISITA O MEMORIAL

*Rangel Alves da Costa

Recentemente, mais precisamente ao final do mês de dezembro passado, expressivos membros da Família Carvalho, da baiana Serra Negra (Pedro Alexandre), estiveram visitando o Memorial Alcino Alves Costa, na sergipana e sertaneja Poço Redondo. Contudo, como se uma família estivesse reencontrando seu próprio lar, vez que Poço Redondo e Serra Negra são unidos e enlaçados por raízes profundas, até mesmo familiares.
De forma mais contundente no passado, a verdade é que como se não existissem limites entre as duas localidades. Para uma ideia da influência de Serra Negra sobre as terras sergipanas, somente os irmãos João Maria de Carvalho e Piduca Alexandre, filhos de um potentado senhor chamado Pedro Alexandre (que acabou dando nome ao município baiano), eram donos de mais de vinte grandes fazendas em Poço Redondo, e todas imensas, verdadeiros latifúndios.
Também foi de pujança a influência política e de proteção do Coronel João Maria de Carvalho na vida e destinos do sertão sergipano. Numa época em que o caçador de cangaceiros e perseguidor de inocentes, o famoso comandante Zé Rufino (com quartel baseado em Serra Negra), prometia perseguir e dizimar os poço-redondenses tidos como coiteiros do bando de Lampião, levantou-se a voz do coronel João Maria simplesmente para dizer: “Se na estrada apontar alguma pessoa vinda de Poço Redondo, então faça o favor de fazer de conta que está indo pra Jeremoabo. Não quero nem admito que incomode um só sergipano que venha em minha direção”.
Ora, Zé Rufino, comendo na mão e lambendo as botas do coronel baiano (que também era seu compadre e fiel cumpridor de suas ordenanças), nada tinha a fazer senão baixar a cabeça e esquecer os seus ódios. E acentuava o coronel: “Mexeu com gente de Poço Redondo está mexendo comigo. Entonce é melhor nem se meter a besta”. Durante o período de maior incidência cangaceira em Poço Redondo e o governo estadual ordenava que as famílias deixassem seus lares como forma de se protegerem de possíveis ataques ou confrontos entre bandoleiros e volantes, era em direção a Serra Negra que a maioria seguia. Assim aconteceu com meus avôs Ermerindo e Emeliana. E muitas famílias e pessoas continuaram em terras baianas.


E assim as amizades eram firmadas e fortalecidas. Tanto assim que de repente, em verdadeira comitiva montada em cavalaria de ponta, pelos caminhos de Poço Redondo despontava o coronel baiano em direção à casa de algum amigo. Chegava, desmontava e se aboletava em rede para receber as visitas. E dali mesmo ordenava a vida naquele mundão sertanejo. Sua estadia preferencial era na casa de Zé de Lola e Dona Quininha, ainda que por todo lugar encontrasse uma porta acolhedora, principalmente pelo fato de que a maioria dos vaqueiros da região lidava ou em suas ou nas propriedades de seu irmão Piduca.
Tempos após foi a vez de dois primos baianos abraçarem Poço Redondo como terra amada: Heraldo de Carvalho, filho do coronel João Maria, e Evaldo de Carvalho, sobrinho deste. Duas maravilhosas figuras humanas que deixaram até lendas em suas visitas. Dois famosos e prestigiados políticos (Heraldo e Evaldo foram prefeitos muitas vezes de Serra Negra), mas que chegavam a Poço Redondo e se comportavam apenas como amigos e festeiros.
A casa de Bastião Joaquim era a porteira aberta e acolhedora para os primos baianos. O filho do Coronel João Maria, ou Dr. Heraldo, como sempre era chamado, trazia sempre seu cavalo branco, de valor afortunado, nas suas estadias sergipanas. Montado no seu portentoso, então desfilava pelas ruas da cidade em época de festas, principalmente da Festa de Agosto. E certa feita cismou de entrar no bar de Delino, durante um forró lotado de gente, e entrou. Ora, o povo sertanejo já conhecia demais aquele jeito festeiro de ser e tudo ficou na normalidade, com o cavalo ao lado do balcão e o seu dono mandando descer uma garrafa de uísque e cervejada para quem quisesse beber.
Desse modo, os Carvalho da Serra Negra sempre foram como filhos e irmãos de Poço Redondo. Não somente a família como toda a população. Tem gente de Poço Redondo que ama Serra Negra na mesma medida, e vice-versa. As velhas raízes que por lá continuam, também são raízes espalhadas nos sertões sergipanos. As novas raízes vingadas, gestadas daquele sangue de luta, continuam abraçando e amando Poço Redondo, principalmente um sobrinho-neto do velho coronel baiano: Orlando de Carvalho.
Este reformou a casa antiga de seu pai João de Ioiô em Curralinho e quase todo fim de semana está se espelhando nas águas do rio, sempre ao lado de sua esposa, a já baiana e também sergipana Maria José. Outro irmão de Orlando, o prestigiado Zé Maria da Serra Negra, juntamente com sua esposa e prima Ana Margareth de Carvalho (filha de Heraldo de Carvalho) possui a mesma veneração e admiração pelas terras sergipanas.
Os que de Poço Redondo chegam a Serra Negra reconhecem em profundidade a força do entrelaçamento dos laços. Abraços apertados, sorrisos largos, mesa farta, gestos sem fim de amizade. E os de Poço Redondo também tudo fazem para acolher bem os amigos. Na foto abaixo, a demonstração do prazer sentido durante uma visita feita pela Família Carvalho ao Memorial Alcino Alves Costa.
No retrato tirado como recordação, avistam-se os irmãos Orlando e Zé Maria e suas esposas Maria José e Ana Margareth. E o meu prazer incontido em sempre recebê-los na casa de Alcino e Dona Peta, na Casa de Poço Redondo.

Escritor
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O NOSSO DIA



Neste 5 de janeiro, dia tão lindo; Eu canto, eu
brindo; Teu lindo viver!; Que Deus te conserve:
COFRAG; No bem que só deve; Pra te enaltecer!
Parabéns! [Francisco de Paula Melo Aguiar]

Festejar o nosso dia é uma graça.
Recebida de Deus Pai, o Criador.
Aceitando o bem viver, puro sem jaça.
Nesta vida representa o dom do amor.
Contemplando cada ato que se faça.
Integrando nossa força e louvor.
Sem mirar o puro vinho numa taça
Celebrando o seu lutar, o seu fervor.
Ofereça ao Pai do Céu, vidro e vidraça.

Do vidro fino que colores o licor.
E da vidraça onde vês um grande amor.

Podes, assim, só contemplar a vida toda!
Aonde fores só te resta então, amor.
Uma parcela do rebanho que se acomoda
Lá na escola, ela está a te esperar
Ainda há muito que aprender e que ensinar.

Meio de vida, sacerdócio não é.
Ele representa nossa barca de Noé.
Lugar de sonho: educação e instrução.
Origem de nossa pedagogização.

Alimento propulsor para aprendizagem.
Guarda didática da Pedagogia da vida.
Unidade na diversidade formal e na ensinagem.
Instrução e paradigma na ação educativa.
Atitude educacional sem limite e listagem.
Revolução na metodologia não impositiva.

http://www.recantodasletras.com.br


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PALESTRA "AS MULHERES NO CANGAÇO"

Por João de Sousa Lima
Fonte: You Tube - Canal Aderbal Nogueira
  
Em novembro a cidade paraibana de Campina Grande promoveu sob o comando do pesquisador João Dantas o espetacular Campina Cangaço, reunindo alguns dos maiores nomes da pesquisa da temática no Brasil. Hoje Trazemos a palestra do pesquisador e escritor pernambucano, radicado em Paulo Afonso, João de Sousa Lima; presidente do Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso e Conselheiro do Cariri Cangaço: As Mulheres no Cangaço.

João de Sousa Lima nasceu em São José do Egito, Pernambuco, no dia 20 de dezembro de 1964. Chegou a Paulo Afonso em janeiro de 1970, com poucos anos de nascido e tornou-se filho adotivo das doces e amáveis terras baianas. É filho de Raimundo José de Lima e Rosália de Sousa Lima. Tem três irmãos: José de Sousa Lima, Manuel José de Lima e Maria Bernadete Lima Santos. Pai de duas princesas: Stéfany da Silva Sousa Lima e Letícia da Silva Sousa Lima. Serviu ao Exército Brasileiro em 1983, na 1ª Cia. de Infantaria, em Paulo Afonso, Soldado “Sousa Lima”, nº 145, do 2º Pelotão de Fuzileiros. Em 2016 foi Agraciado com o Título de Amigo da 1ª Companhia de Infantaria pelo Major Barroso Magno e com o Diploma de Amigo da 6ª Região Militar, pelo General Joarez Alves. Em 2016 foi agraciado por unanimidade pela Câmara de Vereadores com o Título de Cidadão de Paulo Afonso. Em 2019 recebeu o Título de Cidadão Honorário de Piranhas, pelo Decreto Legislativo 002/2019. Licenciado em História e Escritor, hoje autor de 20 livros. 

João de Sousa Lima
Conselheiro do Cariri Cangaço

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SERTÕES DO NORDESTE POR HEITOR MACEDO


Não sou historiador, pois não sou formado em história. Não sou memorialista, porque não escrevo minhas memórias. Também não sou literato nem escritor propriamente dito, posto que não tenho o objetivo de cultuar as letras e a ficção. Por conhecer um pouco fontes bibliograficas e documentais, já fui considerado por alguns como "empirista", ou seja, aquele que adquire o conhecimento por meio da experiência pessoal. Igualmente, não concordei com essa tentativa de classificação de pessoa tão esquisita que sou. Na verdade, fico confortável em dizer que sou apenas um curioso que pesquisa e compartilha o que encontra pelos becos obscuros do tempo, onde dorme a maior parte dos fatos humanos. 

Gurgel Feitosa, Heitor Macedo, Manoel Severo e Calixto Junior

Minha proposta é alcançar o autoconhecimento com liberdade, sem as amarras dos modelos formais de educação, por sinal, muito eurocêntricos. Conhecimento não é propriedade privada de ninguém, mas pode e deve pertencer a todos. Nesta obra, de minha autoria, publicada em 2015, defendi a valorização da visão do sertão pelos sertanejos. Alguns não deram muita importância por não terem entendido o título, por acreditarem que sertão é apenas aquele lugar seco, lá no semiárido. Ledo engano, pois o sertão brasileiro de que falo é o território criado pelo branco invasor, lá pelos idos de 1500, e que coincidia com espaço que ainda não havia sido "conquistado" aos índios, o que não era litoral, o que não era "civilizado", o interior. Então, aí está minha pequena contribuição, disponibilizada gratuitamente. Para baixar, é só acessar o link do Cariri das Antigas, do amigo Roberto Júnior. Obs: digitalização feita por Reginaldo Zurlo.


Heitor Feitosa Macedo
Crato, Ceara
10 de janeiro de 2020

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RUBENS ANTONIO


É professor, pesquisador do cangaço, mestre em Geologia, cursou Geologia, Artes Plásticas e História, Entende-se como um Historiador Natural, com aspectos também de Filósofo Natural. Ministrou aulas, na Universidade Estadual da Bahia - UNEB de: - Antropologia - Epistemologia - Metodologia do Trabalho Científico - Ensino de História - Elementos de Geologia - Paleontologia - Sedimentologia - História da Ciência. Rubens Antonio é administrador do blog: Cangaço na Bahia - http://cangaconabahia.blogspot.com

 email: rubensantonio@gmail.com

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GPEC - GRUPO PARAIBANO DE ESTUDOS DO CANGAÇO - JOÃO PESSOAS-PB.


Por Cariri Cangaço

A partir de João Pessoa a querida Paraíba vem se consolidando como um polo de pesquisas sério e responsável sobre o Cangaço, GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço; um dos filhos de nosso Cariri Cangaço; sob o comando de Narciso Dias

Avante, que venha 2020 !!!


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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

TABUS DENTRO DO CANGAÇO LAMPIÔNICO E OS DESEJOS DE BORDADAR

Por Verluce Ferraz

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ESTÁTUA DE LAMPIÃO


Por Marinete Francisco

Moro perto desta estátua de Lampeão que fica entre Caruarú e Toritama, na entrada de Fazenda Nova-PE e as pessoas que conhecem ela a mais tempo que eu dizem que um bêbado passava por ela altas horas. 

Falou assim: 

- Tu já matasse tanta gente peste, mata agora.

E deu um tiro na estátua e o tiro voltou o matando na hora. Apenas ouvi os comentários.


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ESTIVE NA AVENIDA

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de janeiro de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.243

Em Santana do Ipanema visitei a Casa da Cultura, como cortesia à diretora, Gilcélia Gomes. O prédio onde funciona o órgão fica na Avenida Coronel Lucena, a mais importante da cidade. Resgatado pela prefeitura, o antigo edifício de arquitetura tradicional de época, funcionou anos a fio servindo à Justiça santanense. Seus traços são destaques na avenida e sua localização central facilita bem a chegada dos visitantes. Climatizada, limpa e bem apresentável abriga a Biblioteca Pública que parece ter encontrado finalmente seu lugar definitivo. Para quem conhece a sua história itinerante e sofrida, fica satisfeito em encontrá-la no lugar correto.


Foi nesse mesmo prédio – ainda servindo à Justiça – que aconteceu um fato humorístico e inusitado. Um cidadão despretensioso e folgadiço entrou no prédio em procura de algo. Logo na sala receptiva deu de cara com um preto alto e solitário que estava a ler um jornal. O visitante procurou imediatamente o caminho mais curto da sua busca: “Negão, sabe me dizer onde posso encontrar o doutor juiz?”. O negão desatou gostosa gargalhada e respondeu: “Tá falando com ele, moço”. O restante do acontecido fica por conta do imaginativo leitor.


Nesse edifício estreito e comprido conversei bastante com a Diretora de Cultura, professora Gilcélia Gomes, ex-colega de Especialização em Geo-História. Observei que ali dentro ainda cabe um serviço de informações ao turista, tanto oral quanto gráfico: histórico da cidade, lugares pitorescos, bares restaurantes, hotéis, pousadas e outros dizeres úteis ao bem-vindo visitante. Em uma das salas do longo corredor, chamava atenção várias peças representativas do artesanato do município.
Outras visitas importantes me chamaram, mas saí satisfeito com o que vi e ouvi na Casa da Cultura.
Quando for a minha terra, não se esqueça de uma chegadinha até o casarão da avenida. Depois poste na Internet a impressão da moda:
AMEI.

NA CASA DA CULTURA. (FOTOS: ARQUIVO/B.CHAGAS).
                                              
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2020/01/estive-na-avenida_11.html

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EU VEJO VOCÊ É COM O CORAÇÃO...

*Rangel Alves da Costa

O pensamento é luz, a memória vai ao encontro, o desejo de ter faz aproximação. Eu vejo você é com o coração...
Não preciso estar pertinho de você nem olhar nos seus olhos clarão por clarão. Eu vejo você é com o coração...
Mesmo com a janela e a porta fechadas, sem retratos ou escritos à mão. Eu vejo você é com o coração...
Quando sinto saudade eu crio asas e vou. Vou voando nos passos da ilusão. Talvez me perca entre nuvens de algodão. Eu vejo você é com o coração...
A boca beijada, o abraço abraçado, a pele na pele, o prazer e o tesão. A cama agora vazia diz de outro verão. Eu vejo você é com o coração...
Sua mão se lançando à minha. Correr pela vida na estrada de chão. Deitar sobre a relva e sentir a emoção. Eu vejo você é com o coração...
Vento que vem e traz sua canção. Às vezes choro, outras vezes não. Cansei de sofrer com tanta solidão. Eu vejo você é com o coração...
Acontece que o desejo é demais. A vontade é de seguir, voar, ir a sua direção. Mas depois digo não. Eu vejo você é com o coração...
É bom e ruim ser assim. Olhar no olhar e sentir os sentidos com exatidão. Dizer do amor sem limitação. Mas me distancio e fico ao desvão. Eu vejo você é com o coração...
Lembro-me quando vi o seu mar. Olhos azuis e de águas tão calmas. Um barco em mim, em você a navegação. As gaivotas sumiram e tudo enfim foi em vão. Eu vejo você é com o coração...

Meu rosto rente ao seu e o calor sobre nós. Os sentidos alados, em voo de pulsação. Nada disso eu me esqueço. Tudo isso é recordação. Eu vejo você é com o coração...
A lágrima que desce é saudosa. Não adianta ter lenço à mão. Quero chorar porque quero chorar. Que esse meu rio seja inundação. Eu vejo você é com o coração...
Gritar? Bradar? Ecoar minha palavra de exasperação? Talvez sim, talvez não. Valeria a pena se ouvisse meu grito e à minha dor estendesse a mão. Eu vejo você é com o coração...
Nas noites noturnas e tão enegrecidas, sem qualquer luz ou clarão, apenas a face de Deus em minha oração. Oro por nós. Declamo por amor um Sermão. Eu vejo você é com o coração...
Adianta amar e sofrer? Ou por amor viver em desolação? A solitária estrada me chama ao seu chão, e pede que eu vá, e diz que eu deixe o passado na escuridão. Eu vejo você é com o coração...
Agora mesmo está diante de mim. Não queria que viesse a mim apenas como ilusão. Uma imagem miragem com face de angústia e aflição. Eu vejo você é com o coração...
Ceguei de amor. Por amor perdi da vida o luzir e o clarão. Tateando pela vida em sua imensidão, a única coisa que me conforta é que eu vejo você é com o coração...
Eu tenho, eu sinto, eu vejo você é com o coração!

Escritor
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CHEGADA DE LAMPIÃO EM RIBEIRA DO POMBAL, 1928

Por José Mendes Pereira
Colorida pelo professor e pesquisador Rubens Antonio

Sobre esta imagem acima Ivanildo Régis afirma que Ivanildo Silveira, pesquisador e colecionador do cangaço, faz a seguinte observação: Embora a identificação dos cangaceiros da foto acima seja um tanto polêmica, consultando especialistas, é quase unânime que a legenda mais que mais se aproxima da realidade, é a seguinte: 

Lampião, Ezequiel Ferreira, Virgínio Fortunato da Silva, Luiz Pedro, Mariano Laurindo Granja, Corisco, Mergulhão e Alvoredo.

Um pouco da biografia de cada um deles:


1 - Virgulino Ferreira da Silva “o Lampião” ou ainda o patenteado “capitão”. Nasceu em 1898 em Villa Bela atualmente Serra Talhada, no Estado de Pernambuco. Era filho de José Ferreira da Silva e Maria Sulena da Purificação. Depois de quase vinte anos como chefe de cangaceiros foi abatido juntamente com a sua rainha Maria Bonita e mais nove cangaceiros, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, lá no Estado de Sergipe. Um dos maiores líderes de cangaceiros já visto em todos os tempos.

Leia sobre Os Eternos Mistérios de Angico escrito por Alfredo Bonessi: 

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2010/11/ponto-de-vista-os-eternos-misterios-de.html


2 - Ezequiel Ferreira da Silva o Ponto Fino (irmão de Lampião). Nasceu no ano de 1908, em Villa Bela atualmente Serra Talhada, no Estado de Pernambuco. Foi abatido no dia 23 de abril de 1931 – no tiroteio da Fazenda Touro, povoado Baixa do Boi, no Estado da Bahia, ponto conhecido como Lagoa do Mel. 

Leia sobre A Morte de Ezequiel Ferreira escrita por João de Sousa Lima: 

http://cariricangaco.blogspot.com/2018/07/a-morte-de-ezequiel-ferreira-porjoao-de.html


3 - Virgínio Fortunato da Silva o Moderno. Ex-cunhado de Lampião. Nasceu em 1903 e faleceu em 1936, aos 33 anos de idade. Segundo o escritor e pesquisador do cangaço de nome Franklin Jorge, há suspeita, não comprovada, que Virgínio era da cidade de Alexandria, no Estado do Rio Grande do Norte. Era companheiro de Durvalina que com a sua morte ela amasiou-se com Moreno. Durvalina faleceu no dia 30 de junho de 2008. Moreno faleceu no dia 06 de setembro de 2010.

Leia sobre o cangaceiro cunhado de Lampião Virgínio Fortunato da Silva:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Virg%C3%ADnio_Fortunato_da_Silva


4 - Luiz Pedro do Retiro companheiro de Neném do Ouro. Ele foi abatido juntamente com Lampião, Maria Bonita e mais oito cangaceiros, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico no Estado de Sergipe. Dizem que quem o assassinou foi o policial Mané Véio. Leia o que escreveu o pesquisador do cangaço capitão Alfredo Bonessi sobre o cangaceiro Luiz Pedro.

 http://cariricangaco.blogspot.com/2011/12/um-pouco-mais-de-luis-pedro-poralfredo.html

As informações sobre a morte do cangaceiro Luiz Pedro do Retiro ou Cordeiro são bastantes enfeitadas pelos que forneceram entrevistas a alguns repórteres e pesquisadores do cangaço.  

O escritor Alcino Alves Costa teve grande motivo para escrever o livro “Lampião Além da Versão Mentiras e Mistérios de Angico”, quando diz que o que aconteceu na Grota do Angico, em terras da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, na madrugada de 28 de julho de 1938, não foi o que informaram os depoentes, tanto cangaceiros como policiais que fizeram partes da chacina aos cangaceiros da “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia, de propriedade do afamado, perverso e sanguinário Virgolino Ferreira da Silva o rei Lampião.

Claro que em relação a cangaço eu sou apenas um metido, que vivo lendo e comparando o que um escreve, o que outro diz em livro..., mas tento confirmar que, o cangaceiro Luiz Pedro não foi assassinado pelo volante Mané Veio, e sim, quem o matou, foi mesmo balas disparadas e direcionadas pelas volantes policiais através da metralhadora, que tentava eliminar vida por vida de cangaceiros.

As informações de três elementos que se dispuseram falar aos entrevistadores como aconteceu a morte do cangaceiro Luiz Pedro, todas são diferentes, e assim, não se tem o autor da morte do afamado cangaceiro e compadre de Lampião e Maria Bonita.

Em 1973, o cangaceiro Balão cedeu entrevista à Revista Realidade, e para mim, não sei se estou certo, Balão foi o cangaceiro que mais fantasiou as suas respostas. É claro que cada um deles queria levar a sardinha para o seu prato, mas não era necessária tanta fantasia.

O cangaceiro Balão falou o seguinte:

"- Luiz Pedro ainda gritou: Vamos pegar o dinheiro e o ouro na barraca de Lampião! Não conseguiu. Caiu atingido por uma rajada. Corri até ele, peguei seu mosquetão e, com Zé Sereno, consegui furar o cerco. Tive a impressão de que a metralhadora enguiçou no momento exato. Para mim foi Deus.– http://www.cangacoemfoco.m.jex.com.br" -

Pelo dizer do cangaceiro Balão quem matou o facínora Luiz Pedro foi uma rajada de balas por uma metralhadora.

No dia 14 de novembro de 1938 Iziano Ferreira Lima, o afamado cangaceiro VILA NOVA, afirmou ao “Jornal A Noite”, que estava na Grota de Angico no momento do ataque das volantes ao grupo de Lampião, na madrugada de 28 de julho de 1938. Vejam o que ele fala:

Vila Nova disse o que segue:

"– Escapei pela misericórdia de Deus, afirma. Vi quando o CHEFE (o chefe que ele se refere é Lampião) caiu se estrebuchando pelas forças do tenente Ferreira (ele fala no tenente Ferreira, mas acho eu, ele quis se referir ao tenente João Bezerra da Silva). Meu padrinho Luiz Pedro caiu ferido nos meus pés. Pediu que o matasse, logo. O que fiz, foi apanhar o seu mosquetão e fugir para as bandas do riacho onde o fogo era menor. Depois da fuga fui me esconder na Fazenda Cuiabá, onde me encontrei com ZÉ SERENO, e outros que puderam fugir do cerco. Ali soubemos que junto com o capitão tinha morrido mais 11 cabras, inclusive D. Maria Bonita”. (Ele diz que morreram 11 cabras. Na verdade foram nove cangaceiros e duas mulheres. O que ele afirma sobre o total de cangaceiros que morreu está correto, mas foram 12 mortos lá na Grota do Angico. 9 cangaceiros, 2 mulheres e um volante de nome Adrião Pedro da Silva".

Uma dúvida que tenho e que todos estudiosos do cangaço têm e gostariam de perguntar: O cangaceiro Luiz Pedro estava com dois mosquetões? Porque Balão disse que levou o seu Mosquetão. E o cangaceiro Vila Nova também afirma ter levado o mosquetão do cangaceiro.

Está registrado na literatura do cangaço que quem assassinou o cangaceiro Luiz Pedro foi o volante Mané Veio, mas pelas suas informações não tem como acreditar, porque ele afirma que saiu perseguindo o cangaceiro Luiz Pedro, que ia meio avexado, caminhando rápido, e o volante ao seu encalce, até que chegou em um determinado lugar, e disparou sua arma, fechando o cangaceiro.

Mas vejam bem: Durou muito para que o volante assassinasse o cangaceiro, e por que Balão, o Vila Nova informaram aos pesquisadores que o Luiz Pedro foi assassinado ali, no meio dos outros?

Na minha humilde opinião e não válida, já que eu sou apenas um metido sobre este tema, o Mané Veio já encontrara o cangaceiro Luiz Pedro morto. Ele mentiu mais do que os outros.


5 - Mariano Laurindo Granja companheiro de Rosinha. Entrou para o cangaço em 1924. Foi um dos poucos que em agosto de 1928 cruzou o rio São Francisco, em companhia de Lampião, em direção à Bahia. Foi morto no dia 10 de outubro de 1936. 

Segundo Alcindo Alves em: (... – Mentiras e Mistérios de Angico), o ataque foi entre os municípios de Porto da Folha e Garuru, região conhecida como o Cangaleixo. A pesquisadora do cangaço, Juliana Ischiara afirma que Rosinha foi morta a mando de Lampião. Era filha de Lé Soares e irmã de Adelaide, esta última sendo companheira de Criança, e parenta próxima de Áurea, companheira de Mané Moreno. Sendo Áurea filha de Antonio Nicárcio, que era primo/irmão de Lé Soares. 

Leia o que escreveu Comunidade (Cangaço) sobre Mariano Laurindo GRanja:

https://www.facebook.com/ComunidadeCangaco/posts/605007012968731/


6 - Cristino Gomes da Silva Cleto Corisco companheiro da cangaceira Dadá. Ele foi abatido no dia 25 de maio de 1940, pelo tenente Zé Rufino, na fazenda Cavaco, em Brotas de Macaúbas, no Estado da Bahia. Dadá foi ferida e presa. Ela faleceu em 1994. Com a morte de Corisco, finalmente o cangaço foi enterrado com ele.

Leia o que eu escrevi sobre o cangaceiro Corisco:



7 – Morte do cangaceiro Mergulhão
]Por: Rubens Antonio. - 

No detalhe, cangaceiro ”MERGULHÃO” (Antonio Juvenal), quando posava para a câmera de Alcides Fraga, em 17/12/ 1928, no lugarejo Ribeira do Pombal/BA . 

A 07 de Janeiro de 1929 travou-se o combate de Abóbora, povoado de Juazeiro, BA, lembrado pela morte de Mergulhão, cujo nome era Antonio Juvenal da Silva, mas que aparece citado também, na literatura sobre o Cangaço como Antônio Rosa. Da visita ao local pode colher alguns depoimentos e bater algumas fotos.

Antecipando algo do material, observo que a povoação está muito mudada, em relação ao contexto de então, mas há muitos elementos reconhecíveis e outros identificáveis através de testemunha ainda viva dos eventos.

Sabemos que o fogo se deu quando a volante chegou e os cangaceiros dançavam em uma casa, num forró.

A causa do forró, na verdade, era alheia aos cangaceiros. Era festejo local pela construção de uma nova “armação” para a feira do povoado, que, na verdade, não passava de uma arranjo descontínuo e desordenado de casas mais esparsas.

O cemitério local foi o sítio de maior destaque, onde morreram os dois policiais, soldados José Rodrigues e Manoel Nascimento.

Segundo a autópsia:

“José Rodrigues, com um ferimento com orificio de entrada na região dorsal superior e orifício de saída sobre o mamillo direito; Manoel Nascimento com três tiros; um que penetrava entre a 6ª e a 7ª lombar, com destruição das anças intestinais e orifício de saida sobre a crista illiaca com fractura; outro na região anterior direita do thorax e outro na região cervical esquerda.”

Rochedo em que Lampião e Ezequiel se apadrinharam para disparar contra a volante, que se encontrava no Povoado de Abóboras.

A posição da volante era aproximadamente a da caixa d’água vista ao longe, entrincheirada no antigo cemitério. 

Edilson dos Santos, proprietário do terreno, aponta a localização da sepultura do cangaceiro Mergulhão.

Pequenas pedras restantes da sepultura do cangaceiro Mergulhão.

Sítio da sepultura de MERGULHÃO .

João Alves Guimarães apontando localização da entrada do antigo cemitério.

As pedras diante dos seus pés são do antigo portal.

A terraplenagem e a pavimentação foi feita somente com a retirada das lápides. Portanto, os restos dos sepultos ainda estão aí.

Próximo à quina branca que se vê à esquerda estão sepultados os restos de um dos soldados mortos no tiroteio. Seguindo-se em frente, em direção à rua, encontram-se os restos do outro soldado. 

Abraços!
Rubens Antonio

(*)Professor e palestrante sobre História Geológica da Bahia, Antropologia, Geologia, Epistemologia, Metodologia do Trabalho Científico, História da Ciência. Fonte da Matéria: Comunidade do Orkut – Cangaço, Discussão Técnica do amigo Ronnyeri. -

https://blogdotitorocha.com.br/2017/07/79-anos-da-morte-de-lampiao/

PARABENIZO O AMIGO ”RUBENS ANTÔNIO” PELA EXCELENTE MATÉRIA, BEM COMO, PELO SEU DESEJO DE PRESERVAR, DOCUMENTALMENTE, A HISTÓRIA DO CANGAÇO E DE SEUS PERSONAGENS, ALÉM DE PARTILHAR COM TODOS, O GRANDE ACHADO. VALEU AMIGÃO !!. 

Um forte abraço a todos
IVANILDO SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Natal /RN


8 - Hortêncio Gomes da Silva o Arvoredo. – Desligou-se do bando no momento do ataque a Jaguarari, no Estado da Bahia. Fez dois meninos como reféns. Mas eles conseguiram o dominar, desarmando-o. Em seguida mataram-no a facadas. Achando que o serviço ainda não tinha sido concluído, degolaram-no e cortaram as suas mãos. Após o trabalho concluído acionaram a polícia. (Não tenho maiores informações sobre este cangaceiro).

Leia o que escreveu o professor e pesquisador do cangaço Rubens Antonio sobre o cangaceiro Arvoredo: 



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