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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A IRA DE JOÃO GABIRU

Por Antonio Carlos Olivieri
Grota do Angico - Local do cerco a Lampião e seu bando.

Sexta-feira, sete e meia da tarde, fazia muito calor. Eu andava pela Barra-Funda. A esmo, apreciando o que sobrou de antigo no bairro, despreocupado com o resto do mundo. Empapado de suor, pelo resplandecente sol do horário de verão, entrei num boteco de esquina, o primeiro que encontrei e pedi uma cerveja no balcão, urgente. – Uma Brahma, pelo amor de Deus! É pra já, meu querido – respondeu, do outro lado do balcão, o rapaz de avental, com esse modo íntimo, embora nunca tivesse me visto antes. – No capricho!


Depois do primeiro copo, um homem novinho em folha, respirei fundo e passei a apreciar o interior do botequim, que não via uma reforma desde os anos 60. Balcão e bancos de fórmica, azulejos, lâmpadas fluorescentes. A gente só se dava conta de estar em 2005 devido à opulenta nudez de Juliana Paes, nos cartazes da Antártica. Para não me apaixonar por uma mulher impossível, voltei à atenção para a conversa de dois tipos ao meu lado. Os dois também bebiam e se divertiam depois de um dia de batente, contando casos um para o outro, com delicioso sotaque pernambucano. Um deles, o mais velho, parecia mesmo um repentista, pelo vozeirão grave e a eloquência narrativa, que se traduzia em uma vasta gama de expressões e gestos.

O tema dos casos era sua terra natal, a que não iam há muito tempo. Inacessível às suas posses, porém, o sertão se franqueava às suas lembranças. Era quase ali (no bar em que os três bebíamos) o mais remoto cocuruto de serra, do sertão de Pernambuco. Mas não se tratava do sertão atual, “muderno”, cortado por caminhões de carga, bolsas-famílias e antenas de TV, mas de um sertão de outro tempo, mitológico, onde os versos épicos dos cegos jamais se calam e o cangaço é eterno. Nos alto-falantes pendurados nos quatro cantos do recinto, a voz de Luiz Gonzaga inspirava os narradores. As doses de cachaça com que intercalavam os grandes goles de cerveja tornavam-nos cada vez mais eloquentes. Os enredos se sucediam, agrestes. Um deles me chamou a atenção.

Major de patente comprada, o fazendeiro Luiz Antonio Feitosa, de Cajarana, sertão da Bahia, devia muitos favores a Lampião. Entre eles, o de ter aumentado em muitas léguas os limites de sua propriedade. O rei do cangaço o auxiliou em rixas, intimidou e eliminou vizinhos. Pressionou juízes a favorecê-lo em pendências agrárias. Em troca, o Major lhe fornecia mantimentos e munições, bem como o acoitava sempre que o cangaceiro atravessava o São Francisco, fugindo das volantes de Pernambuco e Paraíba.

Certa ocasião, o Major tomava a fresca da manhã no copiá da casa-grande, quando avistou um cabra batendo alpercatas na estrada, caminhando em sua direção. Feitosa apurou a vista e reconheceu o homem, ainda distante. Era o negro Vicente do Outeiro, um cabra do eito, gente sua, mas que só o procurava nas ocasiões em que Lampião aparecia naquelas paragens, trazendo recados do cangaceiro.

- Bom dia, Major Feitosa – saudou Vicente, sem subir os degraus da varanda, olhando de baixo para cima. – Tenho um pedido para vosmecê. 


– Pois se achegue aqui, homem de Deus, não faça tanta cerimônia – respondeu o fazendeiro, bonachão, embora remendasse, resmungando para si mesmo, entre dentes: – Os recados que você me traz, é melhor que sejam dados ao pé do ouvido. 

O negro aproximou-se, tirando o chapéu de palha. 

- Major, o Capitão Virgulino mais três cabras estão aqui perto, no sitiozinho que o senhor conhece, perto do Tanque, atrás do bosque de oiticicas. Os homens vêm de um combate danado que toparam há três dias lá para as bandas de Triunfo. Foi tiroteio de mais de cinco horas, que começou bem para o capitão. Até que apareceu, não se sabe de onde, uma tropa federal com 150 praças que deram sustento ao fogo da volante do tenente Maurício. Os cabras de Lampião estavam cercados.

- Não me diga... – fez o Major, apreensivo.

- Mas os cangaceiros conseguiram furar o cerco – prosseguiu o negro, impressionado com os fatos. – Se meteram na caatinga e conseguiram escapar dos macacos. Mas havia muitos feridos: Jararaca, Beiço Lascado, Cobra Verde... Lampião achou melhor separar seus homens, mandando cada grupo para um coito seguro, em lugares diferentes. Ele mesmo achou que era melhor atravessar para a Bahia e me procurou ontem à noite, para mode saber se pode acoitar-se uns vinte dias cá na sua propriedade.

Vicente se calou, aguardando uma resposta. O Major permaneceu em silêncio por não mais que um simples instante. No entanto, este lhe pareceu o maior dos instantes que conheceu em toda a sua vida. Só que não devia demorar em responder ao negro: 

- Vá dizer ao Capitão que me espere onde está – declarou, resoluto. – Vou encontrar com ele no início da tarde.

- Senhor, sim, Major Feitosa – obedeceu o outro e voltou pelo caminho por onde viera, batendo mais rápido as alpercatas, até desaparecer na distância da capoeira. A sinfonia de uma revoada de juritis encheu o céu de Cajarana. Os bogaris, plantados em frente aos esteios da varanda, adocicavam o ar do verão que, a essa altura, já estava quente como o inferno.

Em contraste com o sol que brilhava acima da casa-grande, a expressão que tomara conta do rosto do Major era sombria, grave, repleta de nuvens e trovoadas. Na verdade, naquele momento, a demanda de Lampião o colocava num impasse delicadíssimo. Uma rixa com o coronel Napoleão da Fonseca, de Queimadas, havia levado Feitosa a ingressar na política, filiando-se ao partido do governo. O Major tinha agora a pretensão de candidatar-se a deputado estadual e a proximidade com cangaceiros podia constituir uma montanha intransponível no seu caminho para a Assembleia do estado. Por outro lado, dizer não ao rei do cangaço era a mesma coisa que assinar um atestado de óbito para si mesmo, a mulher e os filhos. Sem falar nos agregados, que eram a cunhada dona Amelinha, o sobrinho Vitorino e o primo José Amaro.

Se em algum momento o sentido da palavra diplomacia lhe interessou na vida de mandos e desmandos, foi naquele. O que fazer?, ruminava, aperreado. Sua plataforma de campanha – que empolgava os eleitores – era justamente o combate ao banditismo, tanto o dos cangaceiros, quanto dos tenentes de volante que os perseguiam (além das obras de combate à seca). Puxou um charuto encorpado que lhe mandaram do Recôncavo, mastigou-o numa das pontas e o acendeu com uma pederneira. As nuvens azuladas de tabaco fertilizaram seu raciocínio. Em pouco tempo, ordenava para o afilhado Bentinho, o filho da comadre Vivi:

- Esse menino, me traga aqui o João Gabiru. Preciso conversar com ele, o mais rápido possível.

Gabiru era uma espécie de pau para toda a obra, na fazenda do Major Feitosa. Tinha um jeitinho para tudo. Nada ganhava com isso, exceto um teto, roupa e comida. Para ele, porém, era o que bastava. Mais uns goles de cachaça nos fins de semana e se dava por muito satisfeito. Além disso, dedilhava a viola e era um primor no repente. Quando ia a Cajarana, nos dias de feira, vinha gente de várias cidades das redondezas para ouvi-lo. Apesar de baixinho, franzino, cabeça grande e o rosto mal traçado, ao tocar a viola, conquistava a atenção até das morenas faceiras que acompanhavam as mães às compras.

Pouco depois do chamado, Gabiru chegou ao copiá, onde o Major Feitosa o aguardava, aflito. Ao vê-lo, o patrão nem lhe desejou bom dia e foi direto ao ponto: Lampião pedira coito, favor que naquela ocasião não estava em condições de prestar ao cangaceiro. Porém, como podia dizer não a Virgulino Ferreira da Silva, sem produzir consequências desastrosas? Gabiru matutou, matutou, mas não encontrava saída.

O patrão também não lhe concedeu muito tempo para pensar, ordenando em seguida:

- Vá imediatamente encontrar o Capitão. Tente explicar que aqui, neste momento, ele não estará seguro. Melhor que fique mesmo na caatinga, no sitiozinho onde já se instalou, pegado ao Tanque. Posso mandar-lhe mantimentos e tudo que for de sua precisão. Mas recebê-lo em minha casa é impossível. Invente que estou esperando a visita do governador, acompanhado por militares de alta patente e pelo próprio chefe de polícia. Sei lá! Assunte bem o terreno, veja lá como fala e dê um jeitinho. Senão, estamos todos desgraçados!

João Gabiru não aparentou medo, ao aceitar a tarefa. Acreditava que a solução de um problema assim era uma coisa que só se encontrava de repente, num estalo. Confiou-se a São Severino de Ramos. Colocou sobre a cabeça um chapeuzinho de couro, quase sem abas. Foi ao curral e arreou a mula ruça, que pisava macio. Montou, deu-lhe com o cabresto e seguiu caminho. Com a ponta dos pés descalços nos estribos, equilibrava-se sobre o trote da jumenta, gingando como um ginete das velhas ordens de cavalaria.

Sob a sombra de uma cajazeira, no sitiozinho do Tanque, os três cabras de Lampião matavam o tempo jogando dominós. Estavam muito concentrados, mas o instinto os fez interromper repentinamente a partida. Ao perceber à distância a aproximação de um cavaleiro, se fizeram nos rifles, espalhando-se aos pés das imburanas. Porém, à medida que João Gabiru se tornou visível, os cangaceiros serenaram e baixaram as armas.

A imagem equestre do moleque de recados nada apresentava que lhes pudesse provocar o menor medo. Ao contrário, parecia-lhes um motivo de provável diversão. De cartucheiras trançadas no peito, os três homens ficaram de pé, batendo as coronhas do rifle no chão, como autênticos militares. Receberam o recém-chegado, perfilados, com cortesia galhofeira. Ajudaram-no a descer da jumenta e perguntaram o que um homem daquele porte fazia naquele oco de mundo:

- Venho da parte do Major Luís Antônio Feitosa – respondeu Gabiru, sério, aparentemente sem perceber que mangavam dele. – Com um recado para o Capitão Virgulino Ferreira.

- Pois vossa incelência espere só um minutinho que vou ver se o Capitão pode te receber – respondeu o maior dos três cangaceiros, que era também o mais mal encarado, e entrou na casinha de taipa caiada, onde o chefe descansava.

Voltou poucos instantes depois e abriu a porta para o recém-chegado, com uma reverência que despertou a risada de seus dois companheiros. João Gabiru não fez caso disso, entrou na casa e deu de cara com a cozinha vazia, com um fogão de lenha num canto e uma mesa de pinho ao centro, onde pareciam repousar todas as armas do famigerado cangaceiro: um rifle papo-amarelo, uma carabina Comblain, três bornais de balas, dois revólveres Schmidt & Wesson, um punhal e um facão de mateiro. Mas o rapaz não teve tempo de observar o arsenal com mais atenção, pois uma voz vigorosa o chamou da camarinha.

João Gabiru entrou no dormitório onde Lampião, estirado numa rede, fazia sinal para ele se aproximar. Pela janela aberta, o sol do meio dia reluzia no quarto como se estivesse dentro dele. Iluminava a figura ridícula do mensageiro, em todos os seus pormenores. O único olho do capitão mirou o sertanejo com expressão furiosa, como se estivesse ofendido por deparar com semelhante moleque de recados. 
Como é que o major Feitosa lhe fazia uma desfeita daquelas? Não só mandava alguém em seu lugar, em vez de vir pessoalmente, mas mandava aquela figurinha de baralho lhe dar a resposta que ele, o Feitosa – não aquele cabrito desajeitado – lhe devia?!

Isso era uma desfeita que a majestade de Virgulino Ferreira da Silva não havia de engolir!

Lampião ergueu-se da rede, com a rapidez que – no gatilho – lhe valeu o apelido. Estava desarmado e completamente a vontade, com as fraldas da camisa para fora da calça de zuarte. Lentamente aproximou-se de Gabiru – a quem olhava de baixo para cima – e sem a mínima cortesia, nem pela mesma mangação dos comparsas, lascou-lhe na cara uma pergunta atrevida:

- Você sabe o que é a ira de Lampião? 

- Não senhor – respondeu Gabiru, sem deixar de encará-lo. 

- A ira de Lampião – explicou-se o próprio – é uma fazenda arrasada, muitas mulheres graúdas desonradas, dezenas de cadáveres e o sangue correndo como um rio por cem léguas de distância.

O sertanejo escutou, humilde, mas respondeu com outra pergunta: 

- Pois vossa incelência sabe o que é a ira de João Gabiru? 

O rei do cangaço riu-se da insolência e deu-lhe o troco na bucha: 

- A ira de João Gabiru há de ser o cipó-de-boi comendo no lombo dele, que acabará de volta à casa do Major, mais morto que vivo, se arrastando atrás de sua mula.

- É não – contradisse o outro e sacou zunindo uma peixeira que trazia escondida na cintura. – Quando João Gabiru fica irado, como agora, o máximo que pode haver é dois cadáveres, o sangue não corre mais que cinco passos, mas todo o cangaço há de ficar de luto. 

Com a ponta da lâmina a milímetros de seu pescoço, Lampião não piscou o olho nem moveu um dedo. Mas respirou fundo, antes de responder ao Gabiru: 

- É de cabra assim, com cabelo na venta, que eu gosto, não sabe? Abaixe essa arma e vamos conversar, meu camarada. Tem sorte o Major Feitosa de contar com um macho esperto como tu a seu serviço...

O final da história coincidiu com o fim da minha garrafa de cerveja. Durante algum tempo, esqueci do mundo, nocauteado pelo relato do velho. Ao voltar a mim, os danados dos nordestinos tinham simplesmente desaparecido. Cheguei a me perguntar se os dois haviam estado ali mesmo ou se eu os imaginara numa espécie de delírio. Não consegui chegar a uma conclusão. Fui interrompido pelo rapaz do balcão que queria saber:

Outra Brahma, meu querido?

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CRUCIFIXO DE LAMPIÃO QUE PERTENCEU À BARONESA DE ÁGUA BRANCA/ALAGOAS.


Esse objeto foi obtido durante o ataque promovido por Lampião e seu bando à casa da Baronesa de Água Branca/Alagoas no dia 26 de junho de 1922.

Nesse assalto roubaram da casa da Baronesa grande quantidade em joias e dinheiro.

Esse ousado ataque deu enorme notoriedade à Lampião e repercutiu em vários jornais de circulação na época.

Essa foi a primeira vez que Lampião comandou o bando de cangaceiros herdado de Sinhô Pereira.

Lampião dava início à construção de seu reinado no cangaço.

NAS QUEBRADAS DO SERTÃO.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)

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VESTIDO E CHAPÉU QUE PERTENCERAM A MARIA BONITA

Foto: Jornal “A NOITE” (Rio de Janeiro/RJ)

Vestido e chapéu que pertenceram a maria bonita e que foram encontrados entre seus pertences logo após a sua morte.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior
Grupo: O Cangaço administrado por Geraldo Antônio de Souza Júnior 

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SINHÔ PEREIRA E SUA COMPANHEIRA ALINA

Por Sousa Neto

Essa Senhora da foto é uma cearense que fugiu com Sinhô para Goiás e depois para Minas Gerais. O seu nome era Alina. Viveram maritalmente por algum tempo. Após a separação a mesma volta ao velho torrão onde morre tristemente. Sinhô se amasia novamente com a Senhora Maria Borges de Araújo.

Com relação às informações sobre o falecimento do pai de Sinhô, Nertan diz que ouviu desse que foi cinco anos após o seu nascimento, seria 1901 e o mesmo Sinhô recorda a morte de seu tio o Barão Andrelino que falecera dois anos após a morte de seu pai. Ué? Como assim? Depois foi morar com D. Chiquinha e Luiz Padre onde? Pois após a guerra desencadeada entre os clãs, por volta de 1916 D. Chiquinha e filhos, o Cel. Antonio Andrelino e muitos familiares vieram para o Barro.

Somente após a morte de Né Dadu é que Sinhô vem à procura de ajuda para se tornar o braço armado dos Pereira para efetivar as vinganças.

Outro sim... Constância Pereira Valões era segundo o que sei paralítica e Sinhô o filho caçula. Por qual razão haveria de deixar a mãe e morar com a tia?

Esse ano e no próximo, alguns trabalhos literários sobre o lendário Sebastião Pereira da Silva trarão novos fatos e alguns dados serão corrigidos para elucidar alguns equívocos de sua conturbada vida.


É só aguardar!
Um abraço

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior
Grupo: O Cangaço
https://www.facebook.com/groups/ocangaco/?fref=ts

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LIVROS DO ESCRITOR ANTONIO VILELA DE SOUZA


NOVO LIVRO CONTA A SAGA DA VALENTE SERRINHA DO CATIMBAU
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AS 1.5OO – UM TROFÉU DIVINO

Por Clerisvaldo B. Chagas, 21 de janeiro de 2016 - Crônica Nº 1.500

A crônica é uma forma textual que acontece em nosso cotidiano. O texto é curto, a linguagem simples entre casos satíricos, históricos, humorísticos... Tendo como importância o registro dos fatos. Ela foi abraçada por nós, no princípio, apenas para preencher o espaço entre as publicações de livros. Assim também nos aconteceu com os livros documentários entre romances históricos e regionalistas. Acontece que estreando crônicas na Rádio Correio do Sertão no programa “A Crônica do Meio-dia”, na voz do radialista Edilson Costa, em Santana do Ipanema, facilmente chegamos às duzentas.

Imagem Divulgação

Estreando na Internet no site “Santana Oxente”, a convite de Valter Filho (que ainda hospeda nosso blog), expandimos essas pequenas peças literárias para outros sites como “maltanet”, “mendesemendes” (Mossoró, Rio Grande do Norte), “alagoas na Net” (Crônica do Dia) e o próprio blog: “clerisvaldobchagas.blogspot.com”. Carregadas de temas os mais diversos, resolvemos publicá-las diariamente das segundas as sextas chegando hoje à marca das 1.500 crônicas que tiveram seus natais fáceis, difíceis ou espremidos.

Muitos desses textos são episódios da história dos sertões, da minha terra e do meu estado. Várias noites e madrugadas de calor ou friorentas foram companheiras da arte de escrever e informar, principalmente à juventude sequiosa de Saber. Nunca foi fácil escrever uma crônica diariamente, desde a mais exuberante a mais chorada, sofrida e deficiente. É por isso que estamos comemorando hoje a marca gigantesca das mil e quinhentas crônicas que chegam também a alguns países da Europa, Ásia e América do Norte.

Agradecemos aos nossos leitores cativos e aos eventuais em qualquer parte do Planeta, por alimentar a nossa missão de escrever e semear cultura pelos mais diversos rincões da Terra. Foi por isso que recebemos nesta quinta-feira o mais importante e desejado troféu: o TROFÉU DIVINO DAS 1500 CRÔNICAS, recheado de saúde e amor do Pai Celeste.

Ah! O Troféu Divino!!!...


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VOLTA SECA E AS CANTIGAS DE LAMPIÃO [ÁLBUM COMPLETO]

André Teixeira

Publicado em 9 de outubro de 2014
Ano: 1957
Arranjos - Guio de Moraes
Autor: Ex-cangaceiro Volta Sêca

FAIXAS:

#1 - 00:00 - Acorda Maria Bonita
#2 - 01:59 - A Laranjeira
#3 - 04:29 - Ia pra Missa
#4 - 06:19 - Mulher Rendeira
#5 - 08:30 - Se Eu Soubesse
#6 - 11:48 - Sabino e Lampeão
#7 - 13:51 - Escuta Donzela
#8 - 16:17 - Eu Não Pensei Tão Criança
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HÁ 120 ANOS NASCIA SEBASTIÃO PEREIRA DA SILVA O CÉLEBRE CANGACEIRO “SINHÔ PEREIRA” ANTIGO COMANDANTE DE LAMPIÃO.

Sinhô Pereira e esposa
 
CONHEÇAM UM POUCO SOBRE A SUA HISTÓRIA.

Sebastião Pereira e Silva “Sinhô Pereira” nasceu em Vila Bela, atual Serra Talhada/PE, em 20 de Janeiro de 1896.

No dia 15 de outubro de 1907, o Padre Pereira é assassinado. A mãe de Luiz Padre, dona Chiquinha Pereira, clama por vingança.

O homem encarregado da vingança é o Né Dadu, irmão de Sinhô Pereira.

Poucos dias depois é assassinado membro do clã dos Carvalho. Em 1916 Né Dadu é assassinado por um membro do seu bando.

Dona Chiquinha convoca o seu filho para se juntar a Sinhô Pereira para vingarem a morte de Padre Pereira e Né Dadu. Vão para a região do Barro-CE e lá com apoio do major José Inácio de Souza, que tinha uma filha casada com um Pereira, formam um pequeno bando.

Ficam na região do Barro/CE de 1917 a 1919. Neste período conseguem matar os assassinos do Padre Pereira e de Né Dadu.

No final do ano de 1919, o Padre Cícero do Juazeiro do Norte/CE manda uma carta para o major José Inácio do Barro/CE pedindo para auxiliar Luiz Padre e Sinhô Pereira a abandonarem a região, e tentar nova vida.

Viajam em direção ao estado do Piauí, a certa altura da viagem Sinhô se separa de Luiz Padre.

Sinhô é perseguido e não consegue seu intento. Volta em janeiro de 1920 para o sertão de Pernambuco e recomeça a guerra contra os Carvalhos.

Em 1922, tenta pela segunda vez largar aquela vida. Passa o seu bando para o comando de Lampião, e deixa de vez a vida do cangaço.

Sinhô Pereira faleceu no dia 21 de agosto de 1979 na cidade de Lagoa Grande/MG, onde residia.

Sinhô Pereira e esposa (Foto)
Foto: Acervo de Antônio Amaury Corrêa de Araújo
Adendo: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)
Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior
Grupo:O Cangaço

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

DOIS LIVROS DO ESCRITOR LUIZ RUBEN BONFIM

Autor Luiz Ruben Bonfim

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luiz.ruben54@gmail.com
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Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo
Pesquisador do Cangaço e Ferrovia

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GRITOS DO SILÊNCIO

Por Rangel Alves da Costa*

O silêncio quer apenas silenciar, mas a pessoa em silêncio não deixa. Sua voz emana do pensamento, vem da recordação, grita na tristeza e na aflição.

Ao entardecer, sem pessoas ao redor, com tudo parecendo deserto e distante, a janela é aberta para que entre alguma luz e um perfume na brisa. E logo chegam as vozes do silêncio.

O vento sopra, passa carregando folhas mortas, e no seu passo um livro antigo guardando recordações. Relembranças amareladas, envelhecidas, mas ainda tão presentes.

Então o silêncio é entrecortado pela palavra. E esta vindo de um baú antigo que é reaberto para dele surgir a revivência de tudo. E surgem as vozes a e as palavras.

É triste o diálogo entre o presente e o passado. A voz que emerge na estrada do tempo outra coisa não traz senão o desejo do reencontro. Doloroso porque impossível de acontecer.

“Minha mãe, minha mãe, como a senhora está bela nesta fotografia. Não tão bela quanto a presença e quando vestia aqueles vestidos rendados para a missa dominical”.

Diante da fotografia retirada do baú da memória, é esta a voz que surge perante muitos outros diálogos que vão surgindo. E sempre afligindo por dentro, dilacerando a alma.

“Ainda hoje guardo na boca o gosto daquele bolo de ovos e daquele doce de leite que a senhora fazia para tomar minhas rédeas. Ou faz assim ou não ganha bolo nem doce de leite”.

Ao redor o silêncio, mas a voz interior. Enquanto o vento sopra e canta sua canção da tarde, a memória vai buscar relíquias e a saudade insiste em chegar ao olhar.

“Ainda hoje recordo desse rosário de contas. E também do oratório no canto do quarto e a Bíblia na banquinha ao lado da cabeceira da cama. E suas mãos procurando um Salmo”.

Imagina que fechando o baú e caminhando um pouco pelos cantos do quarto, as memórias se dissiparão e enfim retomará apenas o seu instante de silêncio e solidão.


Mas não consegue. Fecha os olhos, cai um fio de lágrima, e as páginas do passado se abrem ainda mais visíveis diante de si. Álbuns, retratos, escritos, fotografias, relíquias.

“Mamãe, mamãe, por Deus como eu preciso encontrar aquela corrente dourada que um dia a senhora me presenteou. Tão belo o meu retrato descendo na pequena moldura”.

O cortinado se agita pela ventania que passou a soprar. As folhagens murmurejam ao redor, as árvores parecem gemer, mas nada disso percebe. Apenas a recordação tem voz.

“Um retrato que encontrei muito tempo depois, muito tempo depois da partida, daquele adeus tão próximo um do outro. Meu pai partiu de saudade, minha mãe, bem sei”.

Cai ao chão um jarro com flores de plástico. Uma folha seca avança pelo quarto e vai repousar bem acima do colo. Mas é como se nada acontecesse além da recordação.

“Meu pai nunca mais mostrou alegria depois de sua partida. Fingia felicidade, mas a tristeza o consumia por dentro. Chorava escondido, sofria escondido. E foi ao seu encontro”.

Depois de uma lufada de vento mais forte, então uma chuva começou a cair. Os pingos entravam pela janela como num açoite, molhando tudo ao redor. Mas nada era percebido.

“Depois disso a minha solidão. Por mais que a vida me chame a viver, sei que não posso me distanciar do passado. Ali toda a minha felicidade, ali o verdadeiro viver”.

Não sentia os pingos chegando até onde estava nem as lágrimas descendo em rios pelo seu rosto. Não sentia sequer que a escuridão agora tomava conta de tudo.

“Hoje somente retratos, somente lembranças, somente os retratos da parede. Minhas alegrias estão nos reencontros de todo dia e minhas tristezas também. E tudo dói demais”.

Tudo parecia noite fechada. Mas a noite havia chegado mesmo. Passou a mão pelo rosto e se percebeu chorando. Não era para chorar, não tenho motivos para chorar, disse.

E ao dizer sua voz cortou o silêncio. Em seguida levantou para guardar sua caixa de tristezas e recordações. Tudo dentro de um coração sofrido e amargurado.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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OS CABRAS DE MOSSORÓ/RN SE PREPARAVAM PARA DAR AS BOAS VINDAS A LAMPIÃO E SEU BANDO.


Diante das ameaças e do perigo iminente o Prefeito/Intendente Rodolfo Fernandez não se curvou e resolveu convocar a população para organizar a defesa da cidade para defrontar o temido ataque cangaceiro que estava prestes a acontecer.

O ataque cangaceiro à Mossoró/RN aconteceu no dia 13 de junho de 1927 e Lampião encontrou ali uma das maiores derrotas de toda sua vida.

Na fotografia abaixo registrada por José Otávio Maia em Mossoró/RN em junho de 1927, vemos um grupo de resistentes da cidade que participaram do combate contra Lampião e seus comandados.

Fonte: facebook
Página: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)
Grupo: O Cangaço

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MUSEU DO SERTÃO EM MOSSORÓ ABRIRÁ SUAS POSTAS PARA VISITAS DIA 26-03-2016

Por Benedito Vasconcelos Mendes

O professor e proprietário do Museu do Sertão em Mossoró comunica a todas as escolas de Mossoró e das cidades vizinhas, inclusive pessoas interessadas, que o MUSEU DO SERTÃO abrirá as suas portas para visitas no dia 26 de março de 2016, (sábado), das 7:00 horas às 12:30 horas.


O Museu do Sertão é localizado distante da cidade 4 quilômetros, na Fazenda RANCHO VERDE, na estrada que leva até Alagoinha. 


Vá até lá amigo, para agradar aos seus olhos que desejam ver coisas que nunca viram.

Para maiores informações entre em contato com o proprietário do Museum professor Benedito Vasconcelos Mendes através deste gmail: 

beneditovasconcelos@gmail.com

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"CRISTINA DE PORTUGUÊS"

Cristina de Português

Certa vez, nas grotas, planícies e elevações dos carrascais da terra sertaneja, em defesa da honra masculina, o cangaceiro Português, contrata o colega, cangaceiro, Catingueira para dar cabo de um cangaceiro do grupo de Corisco, Gitirana, que tinha dado umas ‘saidinha’ com sua companheira Cristina.

Os cangaceiros Gitirana e Sofreu

Lampião e Maria de Déa, sua companheira, estavam fazendo uma visita ao bando dos ‘cumpadres’, Corisco e Dadá, ocasião...

Os cangaceiros Corisco e Dadá

Catingueira é contratado por Português para dar cabo de Gitirana. Quando Catingueira chegou ao acampamento de Corisco, chamou logo Gitirana para uma “prosa de pé de urêia”, conversa ‘particular’.

Sabedor do ocorrido entre Cristina e Gitirana, cabra do seu bando, o “Diabo Louro”, vendo, notando, a malícia de Catingueira, intercede a favor do cangaceiro que fazia parte do seu grupo. Corisco não quer nem saber o que viria acontecer depois, mas, naquele momento se achega junto aos dois e fala para Catingueira:

O cangaceiro Catingueira está à direita da foto

“-Boi do cu branco qué matá meu rapaiz? Ocê num é homi pra atirá im rapaiz meu!"( meneleu.blogspot.com)

Corisco, falando aos gritos, todos escutam o que disse. Nesse momento o clima fica pesado, a coisa ‘nubla’ de repente, e todos, tanto do bando de Português como do bando dele, pegam suas armas e manobram suas alavancas... e a coisa fica por um triz para acontecer uma grande desgraça.

Lampião e Maria Bonita

O “Rei Vesgo” e sua amada se aproximam. A Cabocla da Terra do Condor, vendo o que estava para acontecer entre os ‘cabras’ dos dois grupos, dá sua sugestão para a solução do caso, que seria punir a culpada, no caso, Cristina. Essa punição, todos sabia que seria a morte da cangaceira.

Mas, Corisco diz para sua ‘cumadi’, Maria do Capitão:

“ - Ela deu u qui era dela. Ninguém tem nada cum isso." (Blg Ct.)

Maria de Lampião, não se conforma com a resposta do “Diabo Louro”, e diz:

“ - É, mas Português vai ficar desmoralizado!” (basilio.fundaj.gov.br)

Corisco, já de saco cheio com o rumo da prosa, “detona”:

“ - "Ele qui cuidi da muié deli. Du meu rapaiz cuido eu."(meneleu.blogspot.com)

Lampião, se achega na prosa, e dar total apoio a Corisco, sobre o desenrolar desse ‘causo’ amoroso.

Cristina, amedrontada, pede para ficar no grupo de Corisco, pois, sabe que pela ‘Lei’ dos bandos de cangaceiros, Português tinha o ‘direito’ de matá-la.

Não é aceita, pois, provavelmente, sua presença causaria discórdias entre os homens, podendo resultar em mortes. Mesmo assim, permanece por uns dias, enquanto arruma um jeito de ir-se, de volta, para o seio da sua família.

Alguém do bando de Corisco, com sua ordem, arranja uma montaria para Cristina. Montada, segue pelo caminho da ‘volta’ sem ‘volta’. Ela fora enviada de volta à família. Só que, o chefe do grupo deu ordens para que a matassem, e a viagem que Cristina fez, foi a que não tem volta. 

“(...) no meio do caminho foi morta a golpes de faca por Luís Pedro e outros homens, que "vingariam" Português e queriam evitar que ela delatasse os pontos de apoio dos cangaceiros(...) O crime ocorreu em 21 de julho de 1938, uma semana antes do ataque em Angicos que vitimou Lampião, Maria e outros nove bandidos(...)”. (http://lampiaoaceso.blogspot.com.br)

Fotos lampiaoaceso
Fotolitos de Benjamin Abrahão

Fonte: facebook
Página: Sálvio Siqueira

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O VALENTÃO E A QUIROMANCIA

Por Clerisvaldo B. Chagas, 20 de janeiro de 2016 - Crônica Nº 1.499

Recordando personagens do Sertão, uma coisa puxa outra. Revejo pelo tempo o senhor José Menezes, que vendia redes, aos sábados, na feira de Santana. Aos domingos, aquele homem branco e sério, desfilava pela Rua Antônio Tavares – onde residia – muito duro, rifle surdo às costas e bornal atravessado. Mas esse não é o alvo da história.

 
(mdemulher._abril.com.br).

Vizinho de terras de meu avô morava um valentão, arruaceiro e assassino que também andava com rifle às costas e punhal na cinta. Cismou com um dos meus tios, homem pacato, sábio e trabalhador. Rondava-o constantemente.  Certo dia em que o meu tio fora dar água ao gado no açude, o valentão o esperava na porteira da barragem, armado como sempre. Meu tio completamente, desarmado, usou a sua força espiritual, passou pelo valente, deu água aos bichos, retornou sem que o bandido esboçasse nenhuma reação.

Era mês de outubro. Apareceu no sítio um estrangeiro quiromante, cujo apelido era Alemão. Leu a mão de todos os que estavam na casa – menos a de meu pai que se encontrava ausente – falando do início, presente, futuro e final da vida de cada um. Todos os tios tiveram o final profetizado pelo estrangeiro.

Quanto ao tio marcado pelo inimigo, disse-lhe o Alemão: “No mês de novembro não passe do terreiro de casa; no mês de dezembro não saia de dentro de casa nem para o terreiro; aguarde a notícia do mês de janeiro que seu perseguidor irá desencarnar”. Assim procedendo, meu tio aguardou.

Em janeiro, aquele valentão acostumado a acabar a feira de Olho d’Água das Flores, cortando a pulso e à faca, os cabelos dos feirantes, recebeu um convite do major Lucena Maranhão. Integrou-se numa volante e numa suposta diligência para os lados de Maravilha e ali deixou a Terra.
Não só no fabrico de peças e motores, mas também na Quiromancia, alemão é garantido.

Nem tudo é engodo e safadeza.

Fui.

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