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segunda-feira, 18 de julho de 2016

OS CALOS DO CANGAÇO

Por Raul Meneleu Mascarenhas

O incômodo chamado calo, que a dermatologia, indica ser uma área dura de pele que se tornou grossa e rígida, inicia como resposta a repetidos contatos e pressões. Na botânica, o termo também é utilizado com uma condição de rigidez em superfícies de plantas ou folhas. No ser humano. já que o contato repetido é necessário para a existência do calo, o local mais comum para ocorrência são nas mãos e pés. Os calos geralmente não são nocivos, mas podem ser a fonte de outros problemas. como a infecção.

Alguns adágios conhecidos são:

"Quando o calo aperta, uns vão embora da festa, outros continuam a dançar descalços."

"Os Santos não têm calos. Se os tiver, deixam de sê-lo na primeira pisada."

"O calo só dói quando o sapato aperta."

Pois bem... voltando ao tema, na história do cangaço, também temos calos que machucam e têm que ser extirpados, pois podem ser realmente nocivos e fontes de infecção histórica. Para extirpa-los devemos usar um remédio chamado "Pesquisa".

Na Saga Cangaço, existem pessoas que querem tirar proveito dela, mas não exporem o que sabem, ou esconderem a verdade, fazendo de tudo, inclusive entrando com processos na Justiça Civil, no intuito de barrar o surgimento de verdades escondidas. Lógico que não conseguem fazer isso por conta dos pleitos terem sidos considerados Inconstitucionais. Por exemplo; o caso da tentativa de proibição do livro "Lampião - O mata sete",  obra lançada em 2011 que também fala do suposto adultério de Maria Bonita, embora o foco fosse a homossexualidade de Lampião.



Após anos impedida de ir à venda, teve a autorização para a comercialização. O Tribunal de Justiça de Sergipe entendeu que o cangaceiro é uma figura pública e que isso significa abrir mão de uma parcela de sua privacidade, além de citar o direito à liberdade de expressão do autor. A família de Lampião entrou com um processo porque se sentiu ofendida com a insinuação de que Lampião era homossexual e que Maria Bonita era adúltera.

Ora, não podemos tirar o direito da família em agir assim. Todo o direito teria e tem, de insurgir-se contra qualquer investida de denegrir-se as figuras de seus parentes. No entanto, não foi a família que deu uma contribuição maior para rebater essas "ofensas" do autor, onde em seu livro, aborda um tema que nenhum estudioso ou pesquisador do cangaço ouviu falar, mas foram, os pesquisadores e escritores independentes que o fizeram, onde em nossos grupos de discussão, fizemos artigos combatentes para desconstruir as afirmativas de tal livro.

Inclusive tivemos um dos maiores estudiosos do cangaço em Sergipe, o Dr. Archimedes Marques, Delegado da Polícia Civil de Sergipe, que lançou seu livro contestação "Lampião Contra o Mata Sete" contrapor-se ao livro do ex-Juiz Dr. 


Pedro de Moraes que em reportagem no G1-Globo disse que não esperava essa repercussão sobre seu livro. "O livro tem 300 páginas e foi escrito entre 1991 e 1997, período em que o juiz morava em Canindé do São Francisco. Segundo Pedro de Moraes, o objetivo foi desmistificar o Lampião herói, pois ele também seria um criminoso. “O Lampião herói foi criado pela esquerda intelectualizada após o Golpe Militar de 1964. Antes, ele era visto como um bandido e é sobre isso que meu livro trata. Não é uma biografia gay de Lampião, é uma biografia qualquer, além disso, eu nunca usei a expressão gay”, garante o autor."

ESSE FOI UM DOS CALOS DA SAGA CANGAÇO, mas existem outros. Entre eles OS FILHOS DE LAMPIÃO E MARIA BONITA.

Os pesquisadores e historiadores debruçam-se por diversos anos nesse "CALO" que a família mais próxima de Lampião e Maria Bonita insiste em não colaborar para que essa verdade não seja exposta, fazendo que se crie conjecturas sobre esse óbice.

Por que tentam esconder isso da história? Que valor moral ou até mesmo financeiro existe para se barrar todos os testemunhos de pessoas que viveram à época desses dois vultos históricos da saga nordestina?

Tomo emprestado de meu amigo João de Souza Lima, grande pesquisador e historiador da Saga Cangaço, seu artigo "Os Filhos do Rei do Cangaço" que faz parte de um de seus livros,  onde debulha tin-tin por tin-tin o grande achado seu, quando enveredou pelas caatingas do município de Paulo Afonso na Bahia, em busca da "verdade-calo":

João de Souza Lima entre os volantes Teófilo e Zé Alves

"Enigmático é o mundo do cangaço, ainda mais pela forma e o tempo de seus participantes resguardarem seus acontecimentos. Os últimos remanescentes, só agora, quando beirando os cem anos de idade, estão revelando seus segredos. Por longos anos, os fatos vivenciados foram trancados nos baús do esquecimento e lacrados com a chave da fidelidade da palavra empenhada. O tempo cuidou de reparar as falhas do passado e se fazer sentir a urgência de registrar seus marcantes episódios. Grande prejuízo para a história recente do nosso país, seria a perda dos relatos desses homens e dessas mulheres que viveram nas Caatingas, as conseqüências de uma luta ainda tão marcante para nosso povo do Sertão Nordestino. Misteriosa obediência ao segredo carrega o sertanejo, como se fosse parte inseparável o segredo e a honra. Alicerço-me no depoimento de Firmina Maria da Conceição, “Dona Cabocla”, cozinheira e lavadeira do bando de Lampião, que prestes a completar 102 anos de idade, no próximo mês de maio, lamentou ter me contado sua vivência com o Rei do Cangaço, se arrependendo de ter relatado sua relação dos préstimos de serviços ao cangaceiro, achando que mesmo hoje, o segredo deveria ter ficado guardado, só o confidenciando por insistência da filha Maria.

Por tamanha devoção e fidelidade cresceu minha admiração e respeito a essa mulher que é hoje parte da nossa história recente. É este um dos mais sinceros e puros exemplos de lealdade. Por ser Lampião a figura central do cangaço, sendo o maior expoente desse capítulo da história, o estudo referente ao tema tem recaído sua maior parte sob seus rastros. Diante do mínimo vestígio de fundamento, nós nos defrontamos com a questão inevitável de transmiti-lo. Os caminhos trilhados buscam os fatos inéditos, seguindo uma infindável legião de admiradores e estudiosos ávidos a alcançarem os novos achados. Em busca deles tenho me dedicado a longos dez anos de uma extensa pesquisa. Nessa caminhada na busca de informações sobre a história de Lampião, neste longo trajeto, um dos fatos mais marcantes foi a descoberta de um filho de Lampião e Maria Bonita. Das quatro gestações da cangaceira, sabíamos apenas sobre Expedita Ferreira da Silva, ainda viva e residindo em Aracaju. Quando comecei a escrever o livro: “A Trajetória Guerreira de Maria Bonita, A Rainha do Cangaço”, sempre que perguntava aos meus entrevistados detalhes sobre os gêmeos Arlindo e Ananias, irmãos de Maria Bonita, ou obtinha o silêncio por resposta ou escutava um curto e desafiador resmungar: “Ananias não é irmão de Maria Bonita não!”. Tive que me desdobrar para conseguir alguém que me explicasse mais abertamente essa afirmativa. Durante dias busquei os informes dos familiares e amigos que conviveram com Maria Bonita nos conturbados dias do cangaço. Um dos primos de Maria, um senhor chamado Manuel Maria dos Santos, apelidado por “Seu Nequinho”, um ex-barqueiro acostumado a atravessar, junto com o pai, os cangaceiros que cruzavam o milenar Rio São Francisco, foi o primeiro a confidenciar: “Ananias é filho de Lampião e Maria Bonita! Aqui todo mundo sempre soube desse segredo. Agora, na época de Lampião, quem era doido de andar com uma conversa dessa?!” Seu Nequinho ainda indicou mais algumas fontes que poderiam atestar o que ele estava dizendo e fui buscar a comprovação. Dentre as pessoas que fizeram seus relatos (e os tenho todos filmados para futuras comprovações) pode-se encontrar Servina Oliveira de Sá (prima de Maria Bonita), Eribaldo Ferreira Oliveira (sobrinho de Maria Bonita), os irmãos Osvaldo, Olindina e Maria Martins de Sá (primos de Maria Bonita), Firmino Martins de Sá (foi casado com a prima e melhor amiga de Maria Bonita: Maria Rodrigues de Sá). Estes são alguns dos que confirmaram a história que se segue: Dona Maria Joaquina Conceição Oliveira, “Dona Déa”, mãe da Rainha do Cangaço, estava grávida e por coincidência Maria Bonita havia engravidado quase que na mesma época. Por questão de aproximadamente dois dias, as duas mulheres viram nascer seus rebentos. Mãe e filha gerando vidas e fazendo crescer sua descendência. Pelas dificuldades impostas pela luta travada nas caatingas, onde cangaceiro vivia permanentemente em fuga, lutando contra as perseguições da polícia, filho era um entrave, levando perigo aos componentes do grupo e sofrendo as conseqüências da vida atribulada. Os filhos nascidos no cangaço, sempre iam cair nos braços de alguma autoridade política ou religiosa e às vezes enviados aos simples catingueiros, quando dotados da extrema confiança do cangaceiro. Duro castigo para as mães que tinham que ver seus filhos serem criados por outras pessoas. Maria Bonita dera à luz. Lampião arquitetou deixar o filho com a sogra, para que ela criasse as crianças como se fossem gêmeas e assim aconteceu. O filho de Dona Déa ganhou o nome de Arlindo Gomes de Oliveira e o filho de Lampião e Maria Bonita foi batizado como Ananias Gomes Oliveira. Ananias ainda está vivo, residindo em São Paulo. Arlindo faleceu recentemente. Era fácil observar as diferenças entre os irmãos: Arlindo era baixo e claro, Ananias é alto e moreno, ganhando por sua cor escura, o apelido de “Pretão”.



Dos depoimentos que se tem registro daquela época, o mais contundente é o deixado por José Mutti, major reformado do exército, que foi casado com Antonia Oliveira (irmã de Maria Bonita) e que escreveu o livro: Reminiscências de um ex-Comandante de Volante, que retrata com detalhes sobre a descoberta desse segredo, vejam a parte do capítulo que trata do mistério: “... ao chegar nos Picos do Tará, encontrei meus sogros arranchados numa frondosa quixabeira. Mandei construir dois quartos pra eles. encontrei duas crianças de dois anos cada. Tendo perguntado de quem eram filhos, dona Déa disse-me que eram mabaços (gêmeos) e eram seus filhos. As crianças eram completamente diferentes. O Arlindo sim, era parecido com a família, mas o Ananias era trigueiro (moreno escuro), não podia ser do mesmo casal José Filipe e Déa. Deu-me o estalo de ”Vieira”: será o Ananias, filho de Lampião e Maria? Comecei a perseguir a sogra: ‘Dona Déa, diga-me quem é o pai de Ananias, o Ananias não é filho da senhora e do José Filipe. Se a senhora disser de quem é filho o pretão (apelido do Ananias) eu guardo segredo até a morte’. Tanto persegui minha sogra para saber quem era o pai de Pretão, que um dia ela me disse “O Pretão é filho do homem” (a família de Maria Bonita tratava Lampião de “O HOMEM”), fiquei satisfeito e não falei mais no assunto”. Ai está desvendado mais um dos mistérios do cangaço e para registro histórico, vale salientar que Ananias concordou em fazer o exame de DNA, sendo coletado sangue de dona Mocinha (irmã de lampião), de Arlindo (o irmão que se diz gêmeo) e do irmão Ozéas Gomes. O desfecho está sendo aguardado porque vem sendo movido por meios judiciais uma vez que Expedita e Vera Ferreira (filha e neta de Lampião e Maria Bonita) se negaram a fazer os exames. Outro caso que foi bastante difundido foi o de João Peitudo - residente em Juazeiro do Norte (CE), onde veio a falecer - outro suposto filho dos Reis do Cangaço, mais um que tentou em vão se aproximar da família e não obteve resultados. Continuando no campo da pesquisa histórica, vasculhando as fontes que trazem alguma ligação com o cangaço, acabo de descobrir outro filho de Lampião, na cidade de Chorrochó, Bahia. Ele é da família dos famosos “Engrácias”, as primeiras pessoas que mantiveram contato com Lampião quando ele entrou no estado da Bahia, tendo vários membros dessa família seguido os cangaceiros. Alguns se tornaram famosos, como: Cirilo de Engrácia, Antônio de Engrácia, Zé Sereno, Zé Baiano, Arvoredo e Corisco. Da família dos “Engrácias” um dos grandes coiteiros de Lampião nessa região foi João Ramos de Souza, conhecido por todos como Joãozinho. Entre as filhas desse coiteiro Lampião se engraçou da jovem Helena e com ela teve um caso, poucos dias depois a menina-moça apareceu grávida e o Rei do Cangaço para resguardar a honra da jovem e não desmoralizar a família que tanto lhe dava guarida, tomou uma rápida e sábia decisão: pagou uma alta quantia a um rapaz, Simão Alves dos Santos, para que ele casasse com Helena e assumisse a paternidade do filho do cangaceiro. Simão topou o acordo e assim foi feito, nascendo a criança no dia 13 de agosto de 1930, sendo batizada com o nome de José Alves dos Santos. O parto foi realizado por dona Lídia, mãe do cangaceiro Zé Sereno. Durante muito tempo as conversas sobre esse caso foram mantidas em segredo, temendo a população que Lampião fosse sabedor que a conversa havia se espalhado. Quando Lampião morreu e o cangaço se extinguiu, as brincadeiras começaram a surgir e os amigos de José Alves sempre o perturbavam relacionando-o como filho de Lampião. Os comentários tornaram-se freqüentes e as pessoas de mais idade sempre tocavam no assunto. José Alves dos Santos ainda encontra-se vivo e residindo em Chorrochó, nas mesmas terras onde seus pais o criaram. Estive recentemente com ele quando realizei extensa entrevista e ele concordou em fazer um exame de DNA para realmente comprovar o que os fatos indicam. Os testes estão em andamento e só o tempo dirá se ele é realmente mais um filho gerado nas caatingas do Sertão Nordestino, mais um rebento descendente de Lampião, mais um fruto evidenciado de um farto capítulo da nossa história recente, a história do Cangaço, capítulo ainda tão latente, tão presente nos carrascais do Sertão."

Como vemos, todos querem contribuir para o esclarecimento da verdade, menos a família mais próxima de Lampião e Maria Bonita. Por que fazem isso? Que interesses estão envolvidos? Será que tem relação com o financeiro?

Esses dois temas, a homossexualidade de Lampião, plenamente rebatida por todos os pesquisadores, e os filhos dele espalhados por onde passou, podem ser considerados "calos do cangaço".

http://meneleu.blogspot.com.br/2016/07/os-calos-do-cangaco.html

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O GLOBO – 26.01.1932 “LAMPIÃO” SERÁ ABATIDO?


"O escritor e pesquisador do cangaço Antonio Corrêa Sobrinho disse o seguinte: É sempre um prazer ler textos sobre Lampião ainda vivo, 
e mais ainda, quando compartilho com os amigos. No dia 26 de janeiro de 1932 o jornal "O Globo" publicou o que segue abaixo:

O GLOBO – 26.01.1932
“LAMPIÃO” SERÁ ABATIDO?

NÃO! – Declara ao GLOBO um jornalista pernambucano conhecedor do sertão nordestino

Curiosas e interessantes revelações do nosso confrade.

O Sr. José Firmo está entre nós desde abril, do ano extinto. O jornalista pernambucano veio de Recife, como há seis anos passados, compelido por circunstâncias políticas. Homiziou-se na metrópole, como centro de maior civilização e cultura, e aqui permanece afastado da sua própria especialidade, que é o panfleto. Jornalista militante na capital de Pernambuco, tendo dirigido, com os seus irmãos, várias empresas jornalísticas, com uma história acidentada de campanhas e prisões, poucos, como ele, familiarizado com os problemas da sua terra, melhor aparelhado para discretear conosco sobre o banditismo no Nordeste, agora evidentemente em foco com as últimas ofensivas das forças policiais nordestinas contra Lampião e o seu grupo. O confrade aquiesceu. Nenhuma divagação supérflua. Fomos diretamente ao assunto.

Às nossas perguntas preliminares sobre o que pensava da eficiência da campanha movida ao bandido, responde-nos José Firmo:

- Penso que ela falhará por completo. Quero justificar, com razões poderosas, o meu pessimismo. Virgulino Ferreira é o efeito lógico de várias causas. Perdurará aquele enquanto perdurarem estas. Em 1929, por um imperativo da profissão, percorri quase todo o sertão do meu Estado. Estive em diversas cidades preferidas pelo bandido. Estimaria mesmo, pelo sabor da aventura, cair em algumas das suas armadilhas. Fiz inumeráveis inquéritos. Ouvi sertanejos. Estudei toda a região perlustrada e cheguei a uma conclusão que poderá parecer absurda, mas só o é para quem não desceu, como eu, até o coração de todas aquelas misérias. A conclusão, em síntese, é a seguinte: É a injustiça, em 99 por cento dos casos, que gera bandido, no alto sertão. Quase sempre, após a passagem dos contingentes policiais, em perseguição aos bandidos, engrossam as fileiras destes. Recolhi, a esse respeito, depoimentos interessantíssimos. O sertanejo, em regra, teme mais a polícia do que o cangaceiro. É que este devasta muito menos do que aquela. Não há nenhum exagero na afirmativa. Os confrades poderão chegar até àquela região caluniada e infeliz, onde vive um povo que é um milagre de resistência e de resignação. Essa resignação tem um limite. Ele pode gerar o herói ou o bandido, na sua explosão irrefreável. Foi uma injustiça que fez Antonio Silvino, célebre antecessor de Lampião, passar vinte anos no cangaço. Convivi com ele na prisão, em Recife. Ele me narrou, no pitoresco incrível da sua linguagem, a sua história. Era lavrador. Mataram-lhe o pai, à volta de uma missa. O assassino, protegido do chefe político local, nem sequer prestou declarações à polícia. Era demais. Gritaram nele todos os extintos maus das sub-raças que o formaram. Apanhou o rifle. Era para quem tinha que apelar. Era a sua instância superior. Matou o assassino. Fugiu. Internou-se na caatinga. Veio depois a necessidade de viver. Assaltos. Roubos. Novos crimes. Eis a história de um bandido que não tem a mancha-la o sangue de um desvirginamento. Nada sei a respeito. Sei que é feroz com o inimigo e generosíssimo com os que o protegem. E os seus protetores, no alto sertão, são inumeráveis.

Atalhamos um pouco o confrade na sua digressão vertiginosa. Lançamos uma pergunta:

- Quer dizer com isso que Lampião não será preso precisamente devido a essa proteção que lhe dispensam os sertanejos?

- É esse um dos motivos que, aliás, eu justifico. Se eles denunciarem Lampião, quem os vai depois proteger da vingança inexorável do bandido, uma vez que a polícia não mantém contingentes nas longínquas localidades onde eles vivem?

- E quais são as outras razões?

- São os mesmo os processos empregados. Os mesmos soldados. Quase a mesma oficialidade. Seu de alguns oficiais que forneceram até munição do governo ao bandido, à custa de remunerações generosas. Isso há anos passados, no governo do Sr. Sérgio Loreto. Houve um chefe de polícia em Pernambuco, um só, que levou a sério a campanha contra o banditismo. O seu nome está na boca de todo sertanejo. Eurico de Sousa Leão não burocratizou o cargo. Trabalhou de verdade. Dirigiu pessoalmente a campanha. Expôs-se ao perigo. Evitou que os seus soldados praticassem misérias contra os sertanejos. E se ele não conseguiu prender o bandido, logrou que, durante toda a sua gestão. Lampião renegasse o estado de Pernambuco, diminuindo assim o seu imenso raio de ação.

Mas voltemos às razões por que não acredito que os interventores do Nordeste consigam a captura do mais notável bandido que já registraram os anais daquela região. Resumamos tudo numa palavra: perduram quase todos os motivos que contribuíram para o fracasso de todas as expedições policiais que buscaram o bandido, desde a sua auspiciosa estreia no crime.

Somente isso explica que meia dúzia de homens, tendo à frente um facínora romântico, fardado de capitão, continuem, em plena civilização, a ironizar os poderosos contingentes policiais que os perseguem, há vários anos, comprometendo seriamente a cultura de um país que já aceita ideologias avançadas e que está francamente dentro de uma de suas fases históricas mais interessantes.

Estou falando muito. Não há necessidade disso. O seu jornal é perfeitamente moderno, vertiginoso e sintético. Já expus o meu pensamento. Para que comprometer uma das suas mais poderosas virtudes, que é a síntese?

E despediu-se.

José Firmo em palestra com o redator do "Globo"

Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=925003107628566&set=gm.1265545543458561&type=3&theater

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O LIVRO


OS REVOLTOSOS DA COLUNA PRESTES ATRAVESSARAM O BRASIL, DE SUL A NORDESTE, ENTRE 1925 A 1927… FORAM MOMENTOS DE RANCOR GENERALIZADO E CONFLITOS PELO BRASIL.

Abordagem coligida e temporalizada (em sequência de acontecimentos) no livro O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO.


A Coluna Prestes tomou forma após o movimento militar (e civil) do tenentismo (1922). .... .. A Coluna foi um movimento que alterou a história política e social do Brasil para a modernidade e país desenvolvido (ainda que com falhas estruturantes e societárias) ... Fez irromper a Revolução de 1930... e o governo de Getúlio Vargas.
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ABORDAGEM DAQUELES MOMENTOS CRUCIAIS EM QUE SE SE CONSIDEROU UMA INVASÃO DE TERRITÓRIO DOS CORONÉIS E DOS CANGACEIROS DE LAMPIÃO! 

Como tal revelou Juarez Távora em suas Memórias (1973).

“Procurávamos evitar esses confrontos com os jagunços do coronel Zé Pereira, na Paraíba, e com os cabras de Lampião!”

“Um assombro…!”…diziam os moradores das vilas e cidades interioranas.


Uma carreira infindável de cavaleiros armados (chegou a 1600 !), cortaram o sertão nordestino, organizados por um estado-maior chefiado por Luiz Carlos Prestes e sob as chefias dos revoltosos general Miguel Costa e tenente-coronel Juarez Távora.

A cada trecho de 800 quilômetros os cavalos precisavam ser substituídos em negociações (‘nem sempre’ amistosas) com grandes fazendeiros.

Um exército em marcha com quatro destacamentos liderados pelos capitães Siqueira Campos, Cordeiro de Farias, Djalma Dutra e João Alberto Lins e Barros, todos promovidos a coronel pelo comando revolucionário. Advieram combates horripilantes, como o massacre de Piancó.

Este livro dá ênfase à passagem tumultuária dos rebeldes da Coluna pelo Nordeste, onde foram precipitados confrontos, diante da reação pontual de coronéis, com suas guardas pessoais, e os cabras dos cangaceiros.


Foto: PrismaNet

https://www.facebook.com/luiz.serra.14?fref=ts

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DONA RITA ROSA DE JESUS, A LENDÁRIA PROPRIETÁRIA DA FAZENDA OITICICA

Dona Rita Rosa de Jesus

Dona Rita reuniu na sua fazenda Oiticica três cabras da sua inteira confiança: Antônio Ferreira da Silva (Antônio Bahia), Manoel Severino de Souza (Mané Fôiço) e o escravo João Pires Ribeiro (João do Cipó). Deu ordens para que armados de bacamartes e clavinotes seguissem rumo ao Termo de Triunfo, e no lugar São Domingos, assassinar a Antônio de Souza Pereira. O referido crime aconteceu às nove horas da noite em 12 de agosto de 1879. Reza a lenda que dona Rita despachara os seus cabras com a incumbência de lhe trazer a orelha do assassinado. Não era à toa que corria um boato em Belmonte que a dona da Oiticica rezava toda noite num rosário de orelhas de inimigos. Talvez viesse desse estranho rosário a capacidade que a velha possuía de atrair e manter o poder.

Numa época dominada pelo patriarcalismo, há que se ressaltar a figura de dona Rita Rosa de Jesus, nascida na Várzea da Fazenda Inveja no ano de 1826, filha do português José Pires Ribeiro e de dona Ana Maria Diniz (Ana Gomes da Várzea).

Casara-se aos 23 anos de idade com um parente Roque de Carvalho Brandão, filho de Cirilo Gomes de Sá e Ana Furtado Leite. A cerimônia aconteceu na fazenda Várzea no dia 05 de julho de 1849 e teve como testemunhas os Srs. Manoel de Carvalho Alves e Alexandre Gomes de Sá. Dessa união nasceram 7 filhos: José Pires Brandão, Ana Maria de Jesus, Maria de Barros Pires, Antônio Pires Brandão, Úrsula Camila da Soledade, João de Deus Pires Brandão e Roque Pires Brandão. No dia 28 de dezembro de 1868 seu esposo Roque de Carvalho Brandão, faleceu na fazenda Oiticica. 

Senhora de muitas terras e algumas casas na Vila de Belmonte, a sua residência de campo foi encravada na fazenda Oiticica, herança de seus pais, na qual além da casa-grande, foram construídos o engenho, a casa de farinha, a senzala e bolandeira de beneficiar algodão. Símbolos máximos da autonomia latifundiária, esses equipamentos sempre estiveram de pé, cobrindo de lendas não apenas a senzala, mas também o quarto do cuvico, localizado no coração da casa-grande e o sótão. Na sala do Coração de Jesus, diante do grande oratório, dona Rita costumava rezar diariamente em companhia da família e das escravas o seu rosário, o ofício, e recitar as suas ladainhas, sob a invocação dos santos dos quais era devota: Nossa Senhora da Conceição e São José. Era também proprietária de muitos escravos onde se destacou o negro Apolônio, que era o amansador de cavalos da fazenda. Apolônio conquistava a todos pela coragem e pelo largo sorriso que deixava à mostra os dentes de marfim. Só ele foi capaz de domar o fogoso Ventania, filho do alazão Soberbo, o marchador manga-larga mais exibido da Oiticica. Com a façanha, graças a um festival de chicotadas e esporadas na barriga do Ventania, Apolônio se transformou em herói da meninada da ribeira da Oiticica. Nos livros antigos da Paróquia da Penha encontra-se o registro do casamento de Apolônio: “Aos 15 de junho de 1874, na fazenda Oiticica desta freguesia da Serra Talhada inter servandis, na presença das testemunhas Francisco Pires de Carvalho e Jacinto Gomes dos Santos, receberam em matrimônio Apolônio Pires de Carvalho e Tereza, pretos, ele com 54 anos, natural de Fazenda Grande, morador na Vargem (Várzea) desta Freguesia, ela natural e moradora desta Freguesia, com 19 anos, escrava de D. Rita Rosa de Jesus, moradora na fazenda Oiticica. O vigário Padre Manoel Lopes Rodrigues de Barros.” Viúvo de Tereza, Apolônio viveu seus dias com a preta Manoela e se tornou o eterno “mensageiro” de Belmonte. Faleceu com mais de 100 anos de idade.

A dona da Oiticica é considerada uma das maiores simbologias do mandonismo, sua fama de mulher destemida e audaz correu mundos. No município de Belmonte, o imaginário popular e a tradição, se encarregaram de divulgar muitas histórias, em cujo epicentro está a figura da velha matriarca. Dona Rita impunha respeito, e também despertava medo e curiosidade das pessoas. Entre os negros da Oiticica, quatro deles, dos mais fortes, deviam estar sempre prontos para carregar a liteira da digna matrona nas suas idas à Belmonte geralmente nos dias de sábado para assistir missa na Capela de São José e para a feira . Corpulenta, medidas avantajadas, quadris largos, rosto cheio com sinais de barba, dona Rita era baixa, gorda e muito branca, sisuda, falava bastante alto, cheirava rapé e bebia zinebra. Dizia o que lhe viesse a cabeça, falava palavrões e arrochava os “seiscentos mili diabos”. Tempos depois começou a andar a cavalo, causando admiração naqueles que observavam admirados a vitalidade da velha cavaleira.

Sempre cercada de cabras para proteger a propriedade e garantir a família; a palavra da velha Rita era lei, como também diziam que era famosa em “rogar pragas”, não tinha uma que não pegasse. É tanto que, quando sua neta Donana fugiu aos 14 anos de idade com o primo Joaquim Leonel, a velha Rita se opôs ao casamento e rogou uma praga dizendo que “o destino da Oiticica seria se acabar igual a buraco de formigueiro”.

Vítima de apoplexia, cega, no dia 16 de setembro de 1908 termina a história de Dona Rita da Oiticica, mas não a do seu reinado. Antônio Pires Brandão substituiu a mãe, dando lugar a sua única filha Ana Pires Brandão (Donana), esposa do major Joaquim Pires de Alencar, no comando da secular fazenda Oiticica.

Como era tradição na época a matriarca Rita Rosa de Jesus foi enterrada na Matriz de São José do Belmonte.

(“HISTÓRIAS DA FREGUESIA DE BELMONTE” – autor: Valdir José Nogueira de Moura).

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domingo, 17 de julho de 2016

MEMÓRIA DO CANGAÇO, filme completo

https://www.youtube.com/watch?v=dVb50n7UkNI

Publicado em 27 de mar de 2014

Mostra as origens do cangaço, movimento armado de bandoleiros no Nordeste entre 1935 e 1939, com entrevistas de alguns sobreviventes da luta, policiais e cangaceiros. Entremeadas com os depoimentos, sequências autênticas de filmes realizados em 1936 por Benjamin Abrahão, um mascate árabe que conseguiu filmar o famoso bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

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DESCRIÇÃO BUCÓLICA DE UMA VIAGEM A TIBAU - 17 DE JULHO DE 2016

Por Geraldo Maia do Nascimento

Viajar para Tibau hoje, pela RN-013, leva apenas 32 minutos de carro, se houver pouco trânsito. Como dizemos por aqui, “é um pulo”. Mas antes era diferente. Em 1920, por exemplo, para se fazer essa mesma viagem, levava-se o dia todo viajando em carro-de-boi, percorrendo as oito léguas que separavam Mossoró daquela comunidade. E precisava de um planejamento bem maior. E como acontecia: 

               
Nas férias escolares, algumas famílias se preparavam para passar meses na praia de Tibau. Dias antes, começavam as arrumações. Em sacos e trouxas eram guardados objetos caseiros, redes, roupas, lençóis e alimentos.
               
No dia marcado, a família se levantava cedo. Às seis horas, o carro-de-boi estava pronto. A capota de esteira feita com palha de carnaúba, protegia os viajantes contra o sol e a chuva. Puxado por três a quatro juntas de boi, sendo a primeira ao pé do carro, a mais forte. Ligadas por um cambão - trave que passava por cima dos pescoços, formando a parelha. Esse cambão também era chamado de “canga dos bois”. Dois paus de madeira forte enfiados no cambão, ficavam de cada lado do pescoço da rês, dificultando os movimentos da cabeça. Na longa viga, saída do centro do carro, o timão, atrelavam a parelha e, no cabeçalho, prendiam a canga.
               
O carreiro portava relho e vara com ferrão para tanger os animais. Em geral, viajava sentado numa das quinas, à frente da carroceria, com as pernas para fora. Levava um jovem companheiro, montado num burro, que cavalgava à frente ou atrás da viatura. Atendia a mandados e tratava das rezes.
               
Embaixo do estrado, eram pendurados dois grandes chifres – um com sebo e outro com carvão vegetal pulverizado. A mistura dessas substâncias era colocada nos eixos das rodas. Quando em movimento, produzia grande rugido e evitava incêndio.
               
Preso ao veículo, haviam dois sacos de couro curtidos, com gargalos e tampas, cheios de água. Serviam aos passageiros e aos animais. No estrado além dos pneus dos lados, fixavam um banco à frente e dois atrás, sendo um de cada lado.
               
Após o café da manhã, cada pessoa, carregando sua bagagem, tomava o transporte. Pouco depois das seis horas , partia-se, ante os gritos aboiantes do carreiro: Ei, boi! Repetia esse grito a todo instante. O soar do eixo, rodando, era ouvido ao longe. Assim a comitiva deixava a cidade, numa viagem que duraria o dia todo. Às 10 horas e meia, davam uma paradinha para o almoço, normalmente num sítio, no lugar Grossos. Os bois eram desencangados, levados a beber água, pastar e descansar.
               
Às duas e trinta da tarde, atrelavam outros bois e partiam. Às cinco horas já se avistava Tibau, mas era preciso outra meia hora para se chegar ao destino.
               
As casas em sua maioria eram de taipa, alpendradas, cobertas de palha de carnaúba, e rebocadas de barro amarelo. Da cacimba rasa no quintal, fluía água claríssima. Os recém-chegados tratavam de armar as redes e procurar acomodações.
               
A praia de Tibau era rica em peixes e camarões, apanhados em tresmalhos. Pescadores trabalhavam apenas duas vezes por semana. O resto da semana passavam tomando cachaça.
               
Terminada as férias, a família regressava da mesma maneira. As areias das dunas, de tonalidades diversas, ofereciam paisagem sui generis ao visitante.
               
Era assim que se viajava a Tibau nos anos vinte, numa descrição bucólica. 

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
Fontes:
http://www.blogdogemaia.com

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GENTE DAS RUAS DE POMBAL: DÉCADA DE 1970 NEGRO ADÍLSTON: UMA LENDA NO NOSSO IMAGINÁRIO

Por Jerdivan Nóbrega de Araújo

Na história futebolista de Pombal Negro Adélson é uma lenda, principalmente para a nossa geração. Eu particularmente só sei de Negro Adélson por “ouvi falar”, já que não o alcancei auge da sua juventude. Ainda cheguei a assistir uns poucos jogos ali no “Estadio Municipal Vicente de Paula Leite'” o Avelozsão, mas ele já estava no fim de carreira.


Negro Adélson era borracheiro e também viciado em Cachaça. “Bêbado” era seu estado natural.

Os dirigentes do São Cristóvão de Pombal, o time mais amado e que ainda hoje povoa o imaginário dos filhos da terrinha da bela época, já chegaram a mandar o Delegado de Pombal prender Negro Adélson na sexta feria, para que ele pudesse chegar ao domingo sóbrio.

E quando sóbrio ele era um monstro no gol. Era também muito divertido vê-lo jogando já que não só defendia chutes difíceis, como ainda ia até o adversário para passar a mão na cabeça do jogar e resmungar nos seus ouvidos coisas tipo “só tem essa bufa de velha?” “da próxima vez chute de mais certo que a bola chega!!”, etc…


De certa feita o atacante se aproximou para chutar na cara do gol, de repente Negro Adélson deu um salto-mortal na frete do adversário. Este ficou desnorteado, e não entendendo aquela presepada, simplesmente parou e deixou a bola seguir até as mãos do goleiro para delírio dos torcedores que o amavam como a um ídolo.

Na deca de 1970 Negro Adelson deixou Pombal e foi morar em Campina Grande. A última notícia que tive dele era que estava muito doente, acometido de diabetes, e isso já faz um bom tempo.

(Legenda da Foto: Em pé: Carrinho de Doutor Lourival, Bebé, Nego Adelson, Nenzinho, Werneck e Bosco Alencar; Agachados: Geraldo Gergelim, Tuzin de Jubinha, Cleber de Bandeira, Meu César e Amauri).

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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JOVINA VITORINO DE LIMA


Dona JOVINA VITORINO DE LIMA conhecida como “Dona Nega” filha do antigo cangaceiro ZABELÊ I (Izaias Vieira da Silva). Serra Talhada/PE
Fotografia gentilmente enviada por Luiz Carlos Araújo Alves (Bisneto de Zabelê I)

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo o Cangaço)

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ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ

Vídeo Ataque de Lampião à Mossoró

Publicado em 6 de set de 2011
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CHEGOU !!! MEU 16º LIVRO: LAMPEÃO ANTES DE SER CAPITÃO.


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BOM DIA, NAÇÃO CANGACEIRA!

Por Geraldo Júnior

Vou começar esse domingo trazendo um pouco da biografia de um dos cangaceiros mais afamados, temidos e sanguinários de todos os tempos.

Para quem ainda não o conhece... apresento-lhes...

SANTÍLIO BARROS O VULGO “GATO II”

Descendente da Tribo Pankararés que habita o Raso da Catarina. É apontado como um dos cangaceiros mais perversos e sanguinários de todo o ciclo do cangaço. Sua violência chegava ao extremo e ao ponto de eliminar membros de sua própria família.

Gato II foi durante determinado período o homem responsável pela execução dos serviços “pesados” à mando de Lampião.

Teve duas companheiras no cangaço, Antônia e Inacinha. Gato foi baleado na espinha dorsal no dia 29 de setembro de 1936 durante a tentativa de invasão à cidade de Piranhas/AL para resgatar Inacinha sua companheira que havia sido presa pela Volante do Tenente João Bezerra, vindo a falecer poucos dias depois em decorrência do ferimento.

No percurso até Piranhas, Gato assassinou quatorze pessoas inocentes. Importante lembrar que Inacinha não se encontrava na cidade de Piranhas/AL no momento do ataque cangaceiro.

A resistência da cidade formada por moradores locais pusera fim na vida de um dos Cabras mais ferozes do bando de Lampião e de toda a história do cangaço.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo O Cangaço)

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70 ANOS DA “GEOGRAFIA DA FOME”

por José Gonçalves do Nascimento
 

O drama da fome está presente em obras importantes da literatura brasileira, em especial aquela produzida por intelectuais nordestinos. Em algumas obras, o tema chegou a inspirar cenas que, por sua força e dramaticidade, tornar-se-iam verdadeiramente antológicas:


Em “O quinze”, de Raquel de Queiroz, o personagem Chico Bento, após esfolar uma cabra que encontra pelo caminho, e estando cego de fome, leva à boca os dedos sujos de sangue, comprazendo-se no “gosto amargo da vida”. No romance “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, a cachorra Baleia, há dias esfomeada, sonha com um mundo povoado por muitos e gordos preás. Em “A bagaceira”, de José Américo de Almeida, João Troculho, em diálogo com Lúcio, revela seu maior desejo: “comer até matar a vontade”.

Muito antes, Rodolfo Teófilo, ilustre humanista nascido na Bahia, mas radicado no Ceará, já havia tratado da temática, produzindo obras que se tornariam importantes peças de denúncia contra o terrível flagelo, caso do romance “A fome”, publicado em 1890.

Todavia, foi com Josué de Castro que a fome adquiriu estatuto científico, político e moral, não sendo encarada apenas como consequência de fatores climáticos e naturais, mas também, e sobretudo, como algo “provocado pelo homem contra outros homens”, a partir de ações políticas sistematicamente deliberadas.

Médico, geógrafo, cientista social, escritor, Josué de Castro é umas das figuras mais proeminentes do pensamento brasileiro. Pernambucano, nascido em 1908, dedicou a vida inteira ao estudo da fome e da nutrição, escrevendo sobre o tema obras de elevadíssimo valor científico e literário. Uma delas é “Geografia da fome”, publicada em 1946, ao fim da segunda guerra mundial, e tida por Alceu Amoroso Lima como “livro-chave da realidade brasileira”, comparável apenas ao “Os sertões”, de Euclides da Cunha.

O livro foi pioneiro no sentido de trazer à baile a problemática da fome e suas implicações políticas e sociais no momento em que o tema era considerado um tabu. O próprio autor classificará o assunto como algo “perigoso e delicado”, afirmando haver “uma verdadeira conspiração do silêncio em torno da fome”. “Será por simples obra do acaso – indagará ele – que o tema não tem atraído devidamente o interesse de espíritos especulativos e criadores do nosso tempo? Não cremos. Trata-se – continua – de um silêncio premeditado pela própria alma da cultura: foram os interesses e os preconceitos de ordem moral e de ordem política e econômica de nossa chamada civilização ocidental que tornaram a fome um tema proibido, ou pelo menos pouco aconselhável de ser abordado publicamente.”

Ao lado disso, há que se acentuar também a existência de certo sentimento de grandeza e ufanismo que fez com que a elite política e intelectual do Brasil ignorasse por tanto tempo o problema da fome, optando por destacar apenas elementos que pudessem enaltecer o nome do país, ainda que de forma maquiada. “A ‘Geografia da fome’ – assevera Barbosa Lima Sobrinho – veio desmistificar a ideia de que não havia fome no Brasil.”

Fatores de ordem política, econômica, social e cultural, como a concentração da terra e da renda, o abandono do campo, a urbanização desenfreada, a centralização do poder, a chamada “política de fachada” – sem esquecer, obviamente, a indiferença com que o fato sempre foi tratado – são aqui apontados como as principais causas do problema da fome ou da deficiência alimentar.

O livro divide o território brasileiro em cinco diferentes áreas alimentares, possuindo cada uma delas características específicas e níveis diversos de nutrição e subnutrição, tudo isso condicionado por particularidades históricas, geográficas, econômicas, sociais e culturais. São elas: 1) Área Amazônica; 2) Nordeste Açucareiro ou Zona da Mata Nordestina; 3) Sertão Nordestino: 4) Centro Oeste e 5) Extremo Sul.

Das cinco regiões que formam o mapa alimentar brasileiro, três são consideradas “áreas de fome”: a Amazônica, a da Zona da Mata e a do Sertão Nordestino. Segundo o estudo, estas são áreas onde pelo menos metade da população apresenta “nítidas manifestações de carência nutricional”. É onde, segundo o autor, revela-se a "chamada fome oculta, na qual, pela falta permanente de determinados elementos nutritivos, em seus regimes habituais, grupos inteiros de populações se deixam morrer lentamente de fome, apesar de comerem todos os dias”. Conforme vem definido, fome oculta é aquela caracterizada pela deficiência de ferro, cálcio, sódio e de vitaminas do complexo B, dentre outros. É a fome tipicamente de “fabricação humana”, nas palavras do próprio autor.

Josué de Castro morreu nos anos setenta em Paris, onde se encontrava exilado por força da ditadura militar, instalada em abril de 64. Morreu de infarto após tentar sem sucesso voltar ao Brasil e retomar a luta contra o terrível flagelo, que mais e mais se acentuava. Mas sua obra, em especial “Geografia da fome”, ainda haveria de render muitos e bons frutos, inspirando ações de solidariedade, assim como políticas de governo. Alguns exemplos:

Nos anos oitenta, o então arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara deflagra amplo movimento de combate à fome, objetivando erradicar o problema até o ano 2000. No início dos anos noventa, o sociólogo Herbert de Souza cria o movimento da “Ação da Cidadania”, que mobilizou parte expressiva da população e tirou da fome extrema muitos milhões de brasileiros. O movimento acabou sendo assumido pela agenda oficial, tornando-se política pública. Anos depois, seria implantado o programa federal “Fome zero” que deu origem ao atual “Bolsa família”, o qual tem enormemente contribuído para a melhoria da qualidade de vida de parcelas consideráveis do povo brasileiro, concorrendo assim para a redução da miséria que ainda assola nosso país.

Não obstante os avanços até aqui obtidos, as mazelas apontadas há setenta anos ainda não foram superadas. O problema do latifúndio e da concentração de renda, apontado como principal responsável pela fome, continua a persistir e de modo cada vez mais acentuado. De modo que o livro “Geografia da fome” chega aos nossos dias mais atual do que nunca.


Enviado pelo professor, escritor pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso.

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MUSEU DO SERTÃO DE MOSSORÓ


MUSEU DO SERTÃO- Fazenda Rancho Verde- Estrada da Alagoinha- Mossoró-RN.   -  Site:  www.museudosertao.com.br

Museu do Sertão de Mossoró conta a história do nordeste com mais de 1.500 peças no acervo

Publicado em 29 de abr de 2014
Jornal TCM dia 28/04/2014
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CANGACEIROS


O Registro Iconográfico do Cangaço.

Parte do bando de Lampeão, filmados em 1936 por Benjamim Abraão Botto. Em plena caatinga e de encontro com o capitão, o fotógrafo consegue a façanha de filmar e registrar o cotidiano dos cangaceiros, fato este, que nos proporcionou um brilhante acervo sobre o Rei do Cangaço.



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Pedro Ralph Silva Melo (Administrador)

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sábado, 16 de julho de 2016

FAMÍLIA PEREIRA DO PAJEÚ

Por Família Pereira do Pajeú

ANTÔNIO ANDRELINO PEREIRA DA SILVA, filho do segundo casamento de Andrelino Pereira da Silva (O Barão do Pajeú) com Verônica Pereira (Baronesa do Pajeú) casado com Maria Pereira da Silva (Marica), exerceu grande influência política em Vila Bela (Serra Talhada) foi o terceiro prefeito no período de 1898 a 1901. Dono da fazenda Pitombeira que herdou do seu pai Andrelino Pereira da Silva, sofreu grande abalo econômico devido ao conflito entre as famílias “Pereiras e Carvalhos”. Junto com Manoel Pereira Lins (Né da Carnaúba) proprietário da fazenda Carnaúba, foram os principais financiadores das empreitadas de defesa e ataque na guerra do clã Pereira contra os Carvalhos. Nascido em 11 de outubro de 1865, faleceu em 16 de abril de 1948 no Carmo, distrito de São José do Belmonte-PE.

Por Cicero Aguiar Ferreira
Fonte pesquisas: Genealogia Pernambucana
Blog Lampião aceso (Jorge Remígio)

A data de nascimento e óbito, obtida por Cicero Aguiar Ferreira através do livro do assentamento do cartório de São José do Belmonte-PE que está digitalizado.

Fonte:

 https://www.facebook.com/familiapereiradopajeu/photos/a.1772954646272314.1073741826.1772947302939715/1795007130733732/?type=3&theater

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NOVO LIVRO DO ESCRITOR SABINO BASSETTI - LAMPIÃO O CANGAÇO E SEUS SEGREDOS


Através deste e-mail sabinobassetti@hotmail.com você irá adquirir o mais recente trabalho do escritor e pesquisador do cangaço José Sabino Bassetti intitulado "Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

O Livro custa apenas R$ 40,00 (Quarenta reais) com frente já incluído, e será enviado devidamente autografado pelo autor, para qualquer lugar do país.

Não perca tempo e não deixe para depois, pois saiba que livros sobre "Cangaço" são arrebatados pelos colecionadores, e você poderá ficar sem este. Adquira já o seu.

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LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS


Fazer o quê? Não é vaidade, O Edson, mas não tenho como me conter diante de um elogio como este. Eis o que escreveu em sua página no Facebook um cidadão de Floresta, Pernambuco, a respeito do meu livro:

“O livro Lampião - a Raposa das Caatingas, do escritor José Bezerra Lima Irmão, nos leva à verdadeira essência do Cangaço no Nordeste Brasileiro, de linguagem fácil e compreensão, em sua pesquisa séria, e quando você começa a ler esse magnífico livro não quer mais para. Um livro desse é escrito a cada 100 anos, uma verdadeira obra-prima, para historiadores pesquisadores amantes do Cangaço. Eu recomendo essa grande obra do meu amigo José Bezerra Lima Irmão”.

A mensagem é de Giovane Macário Gomes de Sá. Conhecemo-nos em Floresta, no recente encontro em Floresta, organizado pelo incansável Manoel Severo Barbosa.

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CONVITE


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