Por Fabiano Fernandes
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Por Fabiano Fernandes
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Jaozin Jaaozinn
Já passado o
mês de fevereiro, adentrando os finais de março para abril do ano de 1938,
Moreno e grupo seguiam em direção a Santana do Ipanema/AL, saindo primeiro das
regiões próximas da fazenda Lajeiro do Boi, terras da sua companheira Durvinha.
Para chegarem no destino, tiveram que passar na fazenda Patos, onde, tempos
antes, ficara marcado com a morte de Serra Branca, Ameaça (ou Ameaço) e
Eleonora – irmã de Aristéia –. Aristéia e seu marido, Cícero Garrincha, o
Catingueira, iam mais na frente que o pessoal, soltando risadas e sorrisos de
orelha a orelha; comemoravam a aparente gravidez da cangaceira.
Chegando mais
na frente, o casal ainda se encontrava totalmente feliz. Talvez, os sorrisos
que Aristéia e seu companheiro "soltavam" eram uma forma de disfarçar
a triste dor que passavam naquela vida de perdas e fugas nos campos, matas
fechadas e tabuleiros disponíveis para os bandoleiros no sertão.
Moreno,
desconfiado como era, dobrava mais sua atenção e cautela por motivos, como a
total descontração de Aristéia e Catingueira, e também por lá, as terras
alagoanas, estarem encharcadas de volantes.
Chegando mais
um pouco na frente, atravessando os galhos tortuosos que se encontram na
região, o bando entrava numa tocaia. “Escondidos e protegidos entre as pedras e
vegetações mais salientes, eles aguardavam o momento de atacar os inimigos ” (
Moreno e Durvinha; João de Souza Lima - pg. 126). E iam caminhando mais e mais
para a emboscada, sem perceberem o perigo que estavam correndo, e após algumas
leves pisadas no seco chão, escutaram o roncar dos fuzis da polícia.
Automaticamente Moreno e João Garrinchinha se abaixam, toca tiro nos inimigos e
coloca as mulheres em suas retaguardas. Um combate infernal.
Moreno
observava cada palmo de terra que aparecia nas suas vistas. Observa o veterano
bandoleiro Ricardo – conhecido pelos apelidos Ricardo Pontaria, Pontaria ou Zé
Velho – já estirado no chão, sem vida, pelos primeiros disparos da volante; ao
correr os olhos em outro local, repara Cícero, o Catingueira, ferido grosseiramente.
Este, com muito esforço, consegue levantar, e é logo levado com ajuda de Moreno
e seu irmão para fora do campo de batalha. Cambaleava, tropicava, gemia de dor
enquanto estava apoiado nos ombros dos velhos amigos.
Após longa
caminhada, deixando para trás o corpo de Zé, há centenas de metros, param num
pé de árvore e colocam o ferido na sombra. Sua camisa foi aberta e percebem o
estrago que uma bala pode fazer: o tiro destruiu parcialmente a caixa torácica
de Catingueira, atingindo-o no tórax, era fácil de visualizar o coração pulsar.
Em sua respiração ofegante, via-se jatos de sangue saírem pelo “𝒍𝒂𝒓𝒈𝒐
𝒐𝒓𝒊𝒇𝒊́𝒄𝒊𝒐
𝒅𝒆
𝒄𝒐𝒏𝒕𝒖𝒔𝒂̃𝒐”.
Cícero pedia água, Moreno respondia que água, naquele momento, causaria danos
piores, lavando-o rapidamente a morte. Durvinha tirou de dentro de seu embornal
um vidro de "saúde da mulher" (composto usado quando das cólicas
menstruais) e um capucho de algodão. Por inúmeras vezes o capucho embebido no
remédio era passado nos lábios de Catingueira para aliviar a secura na boca.
Cada vez que
respirava, expulsava sangue borbulhante, e o coração batendo
descompassadamente. Moreno sentia que o velho companheiro iria morrer; Cícero
também; ao seu lado, Aristéia chorava copiosamente. Moreno pergunta para
Catingueira:
– 𝑶
𝒒𝒖𝒆̂
𝒗𝒐𝒄𝒆̂
𝒒𝒖𝒆𝒓
𝒒𝒖𝒆
𝒆𝒖
𝒇𝒂𝒄̧𝒂
𝒄𝒐𝒎
𝒔𝒖𝒂
𝒎𝒖𝒍𝒉𝒆𝒓?
— 𝑭𝒂𝒄̧𝒂
𝒐
𝒒𝒖𝒆
𝑫𝒆𝒖𝒔
𝒒𝒖𝒊𝒔𝒆𝒓!
𝑺𝒆
𝒑𝒖𝒅𝒆́,
𝒅𝒆𝒊𝒙𝒆
𝒆𝒍𝒂
𝒄𝒐𝒎
𝒂
𝒇𝒂𝒎𝒊́𝒍𝒊𝒂!
– 𝑬𝒖
𝒅𝒆𝒊𝒙𝒐!
Aos poucos,
parava de respirar e gemer; o coração, que mostrava-se agitado, já começava a
pulsar bem devagar; apertando com força o braço de Moreno, pendeu a cabeça prum
lado e expirou. Amigos sentiam, choravam e tentavam acalentar a sofrida
Aristéia. João, contrariado, acabou de assistir a morte de seu mano. Moreno e
os demais cavam uma cova rasa e enterram-no lá.
Seu jazigo e
sua cruz eram as macambiras e os xique-xiques cortados e colocados em cima do
túmulo para proteger o que há por dentro.
Traçam um
caminho inverso ao que vinham seguindo, para fugirem de mais outra
"aventura" ou desagradável surpresa como essa. Após quatro dias,
Moreno retornaria ao local, encontrando só a carcaça de Pontaria, já sem a
cabeça. A volante que travaram combate era uma parcela da de João Bezerra,
comandada naquele momento pelo então cabo Aniceto Rodrigues que, com o membro
decapitado de Pontaria, viria a subir de patente para sargento, talvez levando
o "prêmio" para Piranhas/AL ou Pão de Açúcar/AL.
Neste dia,
Aristéia perdera o segundo amor de sua vida, Catingueira, pai de seu futuro
filho, o Catinguerinha, também morto por "motivo besta".
𝐅𝐎𝐍𝐓𝐄:
𝐌𝐨𝐫𝐞𝐧𝐨
𝐞
𝐃𝐮𝐫𝐯𝐢𝐧𝐡𝐚
- 𝐉𝐨𝐚̃𝐨
𝐝𝐞
𝐒𝐨𝐮𝐳𝐚
𝐋𝐢𝐦𝐚.
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Por José Mendes Pereira
Era casada com Zé Cosme. Ela era irmã de Manoel Mendes da Câmara, meu avô, ambos, eram irmãos de João Mendes, conhecido por João Grilo, que era pai de Luiz Mendes.
João Mendes era avô de Luiz Belarmino da Silva. conhecido como Luiz de João de Cosmim, Antonio Belarmino, Zé Fofoca, Lia de Chico Joca, além de outros netos.
Joana era tia legítima da minha mãe Antônia Mendes Pereira.
São muitos da nossa família Mendes que não a conheceram.
Aqui a sua foto para todos que não tiveram a oportunidade de conhecê-la pessoalmente, aliás, nem por foto. Felizmente eu resgatei esta foto dela. Ela era avó de José Leiteiro que morreu recentemente, de Marcelino, Alderi do leite...
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Acervo do Guilherme Machado
Em 1969 o Ex-
Cangaceiro Labareda Planeja matar de faca dois Ex- Volantes em São Paulo.
08 Ex-
Cangaceiros e dois Ex- Volante se encontram no Lançamento do livro da
Escritora, Maria Christina Russi da Matta Machado. Sendo os 08 Cangaceiros!
Balão, Zé Sereno, Sila, Pitombeira, Criança
Labareda,
Marinheiro e Dadá. Os Volantes eram o Soldado Adriano e o soldado Fuá, inimigo
mortal do Cangaçeiro Zé Sereno. Foram convidados também! Expedita Ferreira,
filha de Lampião, Vera neta de Lampião, Indaiá neta de Corisco e Dadá. Veja bem
que o encontro foi em 1969 mesmo assim o Valente Labareda com raiva dos
Soldados Fuá e o Adriano. Disse vou levar minha faca se esses dois tiver algo a
resolver, que seja resolvido na faca. Imagine as rixas dos anos 30 desse
pessoal.
Fonte: Revista
o Cruzeiro.
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Acervo do Roberto Torres
Luiz Gonzaga,
Zé Dantas e o Coronel Veremundo Soares, de Salgueiro, Pernambuco, na Rádio
Mayrik Veiga, no Rio de Janeiro.
Grande amigo
de Luiz Gonzaga, Veremundo Soares foi o 11º prefeito de Salgueiro e para quem,
em homenagem, o Rei do Baião compôs a música "O Balaio do Veremundo"
retratando, segundo ele, os trejeitos do modo de dançar do coronel.
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Por tikacrazy
Acervo Guilherme Machado...
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Acervo do Guilherme Machado
Um Lindo
registro do Rei do Baião Luiz Gonzaga, em Morro do Chapéu na Bahia. Seu Luiz
estar muito a vontade em uma cadeira de balanço da Gerdau, na casa da
Professora Judith Arlego. Seu Luiz Participou de uma festas no parque de
Exposição local a convite do vereador Jubilino Cunegundes e autoridades do município
de Morro do Chapéu Bahia. Em Junho de 1976.
Fonte.
Octaviano Oliveira via Adelson Mota.
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Por Montaria Touros E Rodeios
Lampião e
Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita Ferreira Nunes, nascida em 13 de
setembro de 1932. O casal também teria tido dois natimortos Expedita é
considerada a maior expressão viva do Cangaço. Pôr não ter condições de criar a
filha, Maria Bonita entregou-a para pais adotivos. Expedita conta que teve
poucos encontros com os pais biológicos e que tinha medo do pai. Em 2023,
Expedita recebeu o título de cidadã aracajuana. Expedita foi criada pôr um
aliado de Lampião até os oito anos de idade, quando passou a ficar sob os
cuidados do tio, João Ferreira. Atualmente, mora em Aracaju (SE) e tem três
filhas.##
SEGUE NOSSA
PÁGINA PARA NOS FORTALECER
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Por Patrick Jarwoski
Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião," dispensa apresentações como um ícone
incontestável da música brasileira, nascido em 1912 e falecido em 1989. Sua
contribuição vital para a popularização do baião é indiscutível. A parceria com
Humberto Teixeira e Zé Dantas, conhecidos como os "Dois Doutores do
Baião," foi crucial para esse legado, embora eles sejam menos conhecidos
pelo público em geral.
Humberto Teixeira, advogado, e Zé Dantas, médico, colaboraram estreitamente com
Gonzaga, formando uma dupla de compositores talentosos por trás das lindas
músicas tocadas pelo Rei do Baião. Juntos, criaram clássicos como "Asa
Branca" e "Juazeiro,"Acauã", "Vem morena",
"A volta da asa branca" e "Forró de Mané Vito" desempenhando
um papel essencial na consolidação do baião na música brasileira. "Asa
Branca," lançada em 1947, destaca-se por abordar a seca e as dificuldades
no nordeste brasileiro e foi composta por Humberto Teixeira e Luís Gonzaga.
Já Zé Dantas também com Gonzagão foi responsável pela letra de "A Volta da
Asa Branca," tal qual uma resposta a primeira música, ela oferece uma
perspectiva otimista sobre o retorno da ave simbólica após a seca. Essa
resposta musical ampliou a narrativa, criando um diálogo artístico que
enriqueceu a representação da realidade do sertão nordestino.
Assim, enquanto Luiz Gonzaga é amplamente reconhecido, os "Dois Doutores
do Baião" desempenharam papéis fundamentais, embora sejam menos conhecidos
pelo grande público, deixando um legado duradouro na música brasileira,
especialmente no contexto do baião.
(https://curitibaeparanaemfotosantigas.blogspot.com/)
https://www.facebook.com/photo/?fbid=464408290026501&set=gm.3788286281389001&idorvanity=1689260331291617
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Por Rangel Alves da Costa
Por Francisco Alvarenga Rodrigues
José Antônio de Maria Ibiapina, nascido José Antônio Pereira (Sobral, 5 de agosto de 1806 — Solânea, 19 de fevereiro de 1883) foi um padre católico, político, jurista e professor brasileiro, que por suas obras de caridade ficou conhecido pelo epíteto de "Apóstolo do Nordeste". José Antônio Pereira nasceu em Sobral, na época pertencente ao Brasil Colônia — que se tornaria o Império do Brasil apenas em 1815 — em 5 de agosto de 1806.
Abandonou a vida civil para seguir o catolicismo. Aos 47 anos, iniciou uma obra missionária, percorrendo a região Nordeste em missões evangelizadoras, erguendo inúmeras casas de caridade, igrejas, capelas, cemitérios, cacimbas d'água, açudes.
O zelo apostólico do Padre José Antônio de Maria Ibiapina, no percurso do século XIX, no interior do Nordeste brasileiro, deixou marcas significativas, não apenas na organização posterior da Igreja, mas, sobretudo, na vida das pequenas comunidades desta região. Conselheiro e Padre Cícero foram influenciados pelo estilo de vida de Ibiapina.
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Por O Cangaço na Literatura
Quem já tinha visto José Maria, filho do Cangaceiro Gato e Inacinha?
Será que ainda está
vivo? Imagino uma entrevista com ele. Aí estava com 3 anos de idade.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1648242298660247&id=472994219518400&set=a.472996196184869
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Por Anildomá Willans
Aí estou com
Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita, na frente da casa que nasceu o
Rei do Cangaço, no Sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada. Registro feito
em um dos encontros que tivemos para troca de ideias.
https://www.facebook.com/groups/179428208932798
http://blogdomendesemendes.blogspot.comAutor: José Di Rosa Maria
Trago
comigo, algo que não trago
Porque
quem traga pediu que trouxesse,
Sou
avisado do que causa estrago,
Como
não uso meu peito agradece;
Para
quem usa, tendo grana eu pago
Mesmo
sabendo que aquilo adoece,
Se
tem certeza, primeiro eu indago
Me
confirmando; a compra acontece.
À
nicotina eu tenho ojeriza,
Quero
distância do minimiza
Meus
dias úteis na face da terra;
Se
eu pretendesse tirar minha vida;
Da
minha pátria faria partida
Para
Kiev; pra morrer na guerra.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=2506816962848228&set=a.125013001028648
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Clerisvaldo B. Chagas, 17 de dezembro de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 3.154
Qual é a
cidade do Brasil ou do mundo que não sonha com seu desenvolvimento? Entre esses
fatores está na cabeça, no comando, uma faculdade de Medicina, seja ela ótima,
boa, ruim ou péssima. O importante é que uma faculdade de Medicina é quem puxa
todos os outros setores do desenvolvimento local, respingando na região
próxima. Nunca vimos prefeito nenhum e nem sequer empresário local de Santana
do Ipanema, falar pelo menos no assunto. A cidade bem desenvolveu os seus
estudos e no momento encontra-se bem servida, porém do antigo Jardim ao Curso
Médio. Nesse sentido é um verdadeiro polo. Tem até alguns cursos superiores,
porém, a linha de frente que são a Medicina e o Direito, é zero.
Penedo
Portanto, sem
nenhum egoísmo e reconhecendo o mérito, parabenizamos a cidade de Penedo, que
acaba de ganhar a sua Faculdade de Medicina. Inclusive, representando e dando
lição a todo o interior viciado com a escravidão de Medicina somente na
capital. Ainda sem a ponte sobre o rio São Francisco, prometida há décadas e
jamais cumprida, o povo penedense foi à luta seguindo o ditado dos mais velho
que dizem “quando se estar cansado de um lado, vira-se para o outro”. Com
dificuldades ou não, com ensino particular ou não, o imediato é que uma
Faculdade de Medicina, é supimpa do progresso em primeiro lugar. E Penedo, além
da lição que aplica em todos os outros municípios do estado, seus irmãos, tem
posição de destaque quebrando o vício cativo de Alagoas.
Assim também
se pode dizer sobre a implantação de nova fábrica de leite em Batalha, em plena
Bacia Leiteira que elevará seus Status, empregará meio mundo de gente e
assegurara seus deliciosos produtos lácteos para o estado e além fronteira,
levando na embalagem o nome da Terra do Gado. São empreendimento corajosos,
surpreendentes e arrojados que fazem a diferença. E o município que tem
condições, mas o egoísmo fala mais alto, nem se destaca e fica a reboque de
municípios vizinhos, terminando perdendo população e estagnando ou decaindo com
seu modelo de administrar ultrapassado. Modelo de “coronéis”, já não
cabem na hora da inteligência artificial.
Mais uma vez, PARABÉNS PENEDO! Muitos outros municípios irão engolir isso com farinha.
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Por Aderbal Nogueira
Por: José Cícero ( * )
Famosas não
apenas pelos minérios que até hoje se escondem no seu subsolo e protegidas por
um serrote íngreme e belo rodeado de caatinga densa, as minas do Coxá de Aurora
ao que parece, ainda constituem um grande mistério. Um enigma atemporal como um
constante acerto de contas do passado com o presente em nome das utopias do
futuro.
Uma verdadeira
saga sertaneja que por mais de um século de história tem alimentado de causos e
contos fantásticos as vastas narrativas da crônica caririense e nordestina.
Assim como de aventuras e sonhos de riquezas, a imaginação de todos quantos de
algum modo são tocados pelos encantos do seu rico chão. Como se ver, uma página
das mais palpitantes da nossa história regional, cuja escrita ainda não se
concluiu no seu todo.
No passado
pertenceram ao padre Cícero Romão que as adquiriu, segundo dizem, por compra
junto aos sitiantes do lugar, provavelmente antes de 1903. Entretanto, a sua
posse legal constitui-se por anos a fio como um dos mais ferrenhos litígios
daquela época fazendo com que sua demarcação definitiva se desse pela força das
armas e à revelia da lei.
Há quem diga,
inclusive, que só pela imposição do bacamarte de Floro Bartolomeu e seus
jagunços. Durante a polêmica demarcação de 1908 a questão não apenas se
resolveu no papel, mas igualmente, as terras da mina, como do seu entorno
haviam ‘dado cria como reses’ no dizer do povo do sertão. Sua área total era em
torno de 3.410 hectares englobando os sítios: Coxá, Contendas,
Escondidos(Izaíras), Taveira e Bandeira, estando localizada entre os municípios
de Aurora e Milagres.
Ademais, por
um desses caprichos do destino o momento da demarcação ocorreu simultâneo a
outro episódio dramático da história de Aurora e quiçá do próprio Cariri, - o
famoso “Fogo do Taveira” - ambiente contíguo ao Coxá que por força de Marica
Macedo culminou com a deposição do então intendente municipal - Antonio Leite
Teixeira Neto (Totonho de Monte Alegre). Além do que se sucedeu, isto é, a
célebre invasão e saque da cidade por mais de seiscentos jagunços sob o comando
direto de Zé Inácio do Barro, a mando de vários coronéis e outros potentados do
Cariri.
Porém, entre
coincidência, trama e oportunismo, a verdade dos fatos há de ficar, decerto,
com as duas últimas opções; por uma questão muito simples. Quer seja: não
existe coincidência para à história. A menos que esta venha a ser transformada
por capricho dos poderosos numa farsa, quase sempre à serviço dos vencedores.
Isso porque, nenhuma mentira histórica até hoje permaneceu incólume ou se
sustentou indefinidamente ao teste inexorável dos anos.
Cumpre ainda
ressaltar que, (coincidência ou não), com a deposição de Teixeira Neto pelas
armas, incontinenti colocaram em seu lugar o coronel Cândido do Pavão –
compadre, amigo e rendeiro do padre Cícero, o responsável em Aurora pelas
imensas terras do Pavão - farta propriedade do sacerdote, que se estendiam por
cerca de três léguas de cada lado do rio Salgado. Ato contínuo, um dos mais
produtivos celeiros agrícolas destes rincões.
Diga-se de
passagem, ainda, que a demarcação das minas do Coxá, foi por assim dizer, o
grande palco de estréia através do qual o Dr. Floro Bartolomeu da Costa
apareceu pela primeira vez no cenário político do Cariri, pelo menos com o seu
incontestável naipe de liderança.
E pelo jeito
gostou, seguiu e não desceu jamais.
“A mina do
Coxá, podia não conter nenhum cobre, mas fez a fortuna política de Floro
Bartolomeu”, assim escreveu Rui Facó na sua obra seminal ‘Cangaceiros e
Fanáticos’, por sinal, um dos livros mais emblemáticos e importantes da
literatura Nordestina. Diria que leitura obrigatória para quem almeja
compreender os sertões e o Nordeste em suas complexidades políticas e sociais.
Cerca de 13 km
separam a sede de Aurora das velhas jazidas do Coxá que, por sinal encontram-se
ligadas geograficamente, ao Sul com os sítio Antas e o não menos famoso serrote
do Diamante, que passou à história como um dos lugares escolhidos por Lampião e
seu bando para se esconder e descansar quando das vezes que estiveram no
território de Aurora. Todos acoitados e na segurança do coronel Izaías Arruda,
Zé Cardoso e Miguel Saraiva. Trata-se do primeiro acampamento antes dos
cangaceiros chegarem à fazenda Ipueiras onde se deu toda a trama com vistas à
invasão de Mossoró em 1927.
Sem esquecer
que daquele riacho, ou seja, do sítio Antas pelo menos quatro
cangaceiros/jagunços compuseram o temível bando de Massilon e em seguida, o de
Lampião quando da malograda invasão à cidade norte-rio-grandense. A saber: Zé
Cocô, José de Lúcio, Antonio Soares e Zé de Roque.
Naquele tempo,
tais minas foram denominadas de “Jazida cuprífera Zaíra” numa referência à
filha do engenheiro de minas francês, o conde Adolfo Van de Brule(amigo de
Floro conhecido na Bahia por volta de 1905) que pela primeira vez ventilou com
a possibilidade de haver ouro, cobre e outros minérios naquelas terras
distantes de tudo, quase inóspitas do Coxá da Aurora.
E que aliás,
fez o velho taumaturgo do Juazeiro acreditar piamente nesta possibilidade. Para
tanto, sob a ótica analista do conde Adolfo gastou uma soma significativa na
ânsia de ver tal projeto de exploração em pleno curso. Uma investida inglória,
como se percebeu ao longo dos anos.Contudo não desistira.
Até que em
1910 quando tudo parecia caminhar para este propósito, um poderoso sindicato
francês do ramo de mineração sob os apelos de De Brule enviara por fim um
comissão de especialistas. Estava decidido a assumir os negócios das minas do
Coxá. O velho padre ficara exultante pelo acontecimento. Parte do pessoal
francês já se encontrava na cidade de Milagres nos rumos do serrote quando o
pior aconteceu. O chefe do projeto Dr. Frochot acometido de febre amarela
terminou falecendo subitamente no Recife onde estava hospedado antes de vir à
Aurora.
Uma desgraça.
A empreitada se desfez, mesmo antes de começar. Desiludido o padre empreendeu
esforços desde então, no sentido de vender o quanto antes o Coxá. Mas foram em
vão. Não encontrou nenhum comprador mesmo escrevendo longas missivas de
apresentação, até mesmo à exploradores do exterior.
Estava deveras
predestinado a morrer com as suas minas.
Como uma
maldição, desde o desenlace do decano sacerdote muitas outras disputadas ainda
haveriam de se suceder sobre aquelas terras. A paz do Coxá ainda estaria
distante, assim como sua completa exploração mineral. As disputas seguiram a
partir dos próprios inventariantes, até se chegar a grande peleja(anos depois)
entre os Fernandes e os Macambiras que disputavam a posse das furnas na mesma
ribeira.
De sorte que
ainda hoje, a situação relacionada às minas do Coxá não se encontra
completamente bem resolvida. Fragmentada em várias porções de terras e sítios,
as antigas minas do Coxá ainda se mantêm tanto nebulosas quanto indefinidas em
seus desdobramentos futuros e também atuais.
Rocha
encontrada na jazida do Coxá
De maneira tal
que, ainda conseguem mexer com os ânimos e a imaginação, não somente dos que se
debruçam a estudar sua história, mas inclusive dos que ainda alimentam o antigo
sonho de extrair para si todas as riquezas que aquele serrote encerra.
Muito se fala.
Pouco se sabe. Nada se faz de concreto.
Volta e meia,
no entanto, homens e máquinas da tal CPRM* são vistos rasgando o serrote, em
explosões, perfurações e outras ações inusitadas que no mais das vezes não se
combinam com a antiga tranquilidade sonora da bela serra. Deixando, ao
contrário do passado, um longo rastro de destruição na mata virgem.
Infelizmente num dos últimos pedaços do bioma sertanejo, onde a caatinga com
sua flora e fauna ainda se encontra relativamente preservada. Algo difícil de
se presenciar nos dias atuais em toda a região.
E ninguém sabe
nada. Nada se ver, nada se diz, nada se pergunta. Tudo é segredo. Um clássico
top secret que se instalou nos sertões destes grotões caririenses.
Tudo é
silêncio. Tudo é mistério. Como de mistério é a própria história... E de
silêncio e solidão tudo o mais que se relaciona e diz respeito à serra do Coxá
em seu itinerário bucólico do mais puro realismo fantástico.
Quem sabe por
isso, devotos de “padim Ciço” residentes nos sítios circunvizinhos ao serrote,
num esforço conjunto acabam de colocar uma estátua do padre no cume mais alto
da serra. Num local de difícil acesso em face dos enormes blocos de pedras e o
emaranhado da mata fechada e espinhenta.
Do cume do
serrote é possível enxergar toda a região, numa visão privilegiada, em um raio
de 360 graus. Uma visão das mais belas e estonteantes do Cariri. Como se
estivéssemos todos a estender as mãos e o olhar sobre Aurora e o próprio vale
lá embaixo ao lado do velho padre.
Um pouco mais
abaixo da estátua já edificada os moradores estão a construir uma capelinha
também em sua homenagem. Quem sabe, uma esperança baseada no 'eterno retorno'.
Como se todos, num sentimento uníssono e coletivo compartilhassem da ideia de
devolvê-lo o quanto antes as suas terras de antigamente.
Portanto, como se percebe, o esquecimento não caberá jamais na rica história das minas do Coxá. Uma história que de tão rica, arrebatadora e instigante, desde muito se confunde com a própria história do Cariri.
Prof. José
Cícero
Pesquisador do
Cangaço.
Aurora - CE.
FONTE: [http://blogdaaurorajc.blogspot.com.br/.../aurora-padre...](http://blogdaaurorajc.blogspot.com.br/.../aurora-padre...
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