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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

LIVRO DO ESCRITOR GILMAR TEIXEIRA


Dia 27 de julho de 2015, na cidade de Piranhas, no Estado de Alagoas, no "CARIRI CANGAÇO PIRANHAS 2015", aconteceu o lançamento do mais novo livro do escritor e pesquisador do cangaço Gilmar Teixeira, com o título: "PIRANHAS NO TEMPO DO CANGAÇO". 

Para adquiri-lo entre em contato com o autor através deste e-mail: 
gilmar.ts@hotmail.com


SERVIÇO – Livro: Quem Matou Delmiro Gouveia?
Autor: Gilmar Teixeira
Edição do autor
152 págs.
Contato para aquisição

gilmar.ts@hotmail.com
Valor: R$ 30,00 + R$ 5,00 (Frete simples)
Total R$ 35,00

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DOIS LIVROS DO ESCRITOR LUIZ RUBEN BONFIM

Autor Luiz Ruben Bonfim

Adquira logo o seu através do e-mail acima:


Não deixe de adquirir esta obra. Confira abaixo como adquiri-la. 

Lembre-se que se você demorar solicitá-la, poderá ficar sem ela em sua estante. Livros que falam sobre "Cangaço" a demanda é grande, e principalmente, os colecionadores que compram até de dezenas ou mais para suas estantes. 

Valor: R$ 40,00 Reais 
E-mail para contato:
 
luiz.ruben54@gmail.com
graf.tech@yahoo.com.br

Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo
Pesquisador do Cangaço e Ferrovia

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VEJAM COMO FOI A PRIMEIRA VISITA DE LAMPIÃO A POÇO REDONDO, POVOADO DE PORTO DA FOLHA-SE. Parte 03 - FIM


Não estou certo disso, Virgulino. Você precisa parar com essa loucura, precisa tomar novo rumo na vida.

– Tá bem, seu pade. Agora, já qui o sinhô me dá esse conseio, eu lhe peço: deixe eu assisti a missa... É um pidido qui lhe faço...

O coração do padre Artur amoleceu.

– Vá. Pode ir. Só não pode é entrar armado na igreja.

Na sala ao lado, dona Marieta escutava a conversa, apegando-se a todos os santos que conhecia para que tudo terminasse bem. Ao perceber que não havia mais perigo, dados os termos do acordo que acabava de ouvir, correu até a casa da vizinha para contar a novidade. Assegurou à comadre que Lampião era um homem muito educado.

Num instante, todo mundo sabia da notícia: Lampião estava no Poço e ia assistir à missa. Quem pensou em se esconder mudou de ideia ao ver o padre Artur sair da casa de China são e salvo, e atrás dele os ilustres visitantes, descontraídos, afáveis, palitando os dentes.

Começava a chegar gente das redondezas para a missa – gente a pé, a cavalo, em carros de bois. Ao ouvirem a novidade, a reação de todos era a mesma: assombro, medo, curiosidade.

Aos poucos, o povo foi se aproximando, olhando de longe o movimento na casa de China. João Cirilo e Miquéias estavam bebendo cachaça com os cangaceiros, cheios de intimidades. Mandaram chamar os amigos, garantindo que Lampião era amigo do Padre Autur, ninguém precisava ter medo. Uns meninos passaram na frente da bodega e Lampião jogou moedas para eles. Quando os moleques chegaram em casa com aquele dinheiro todo, cessaram de vez os receios. “Eta home danado de bom é Lampião” – diziam.

Na hora da missa, a igrejinha estava lotada. Mesmo assim, quando Lampião chegou com seus homens, as pessoas deram um jeito, se espremeram, coube todo mundo. Lá fora ficou apenas um cabra, de vigia. Mas Lampião não cumpriu a promessa feita ao padre Artur: estavam todos armados e equipados.

Durante a celebração, ninguém prestou atenção ao padre. Mesmo os que estavam na frente davam sempre um jeito de se virar de vez em quando, a pretexto de qualquer coisa, para dar uma espiada nos cangaceiros. Lampião sabia rezar, ajoelhava-se nas horas certas, sentava-se ou ficava de pé nos momentos adequados, respondia até aos “Dominus vobiscum” – coisas que no Poço só dona Marieta sabia.

Depois da missa, os cabras dirigiram-se à casa de China, e o povo, já familiarizado com eles, foi atrás, formando-se um ajuntamento em frente à bodega. China não conseguia dar conta do movimento. Gente que nunca comprou nada em sua venda, de repente virou freguês.

O padre Artur estava preocupado. Desde o amanhecer, os cabras estavam bebendo. Cangaceiro é cangaceiro, ninguém se iluda. Tinha de mandar Lampião embora, antes que acontecesse uma desgraça. Resolveu deixar os batizados e casamentos para mais tarde. Depois de tirar os paramentos, foi bater na casa de China. Ao avistá-lo, Lampião foi ao seu encontro:

– Mais seu vigaro, veja o sinhô qui dia feliz! Só tá fartano ũa sofona! Cadê esse tá de Agenô Pitomba?

– Pois é, Virgulino, é justamente sobre isso que vim lhe falar. Você me disse que estava de passagem...

Lampião coçou o queixo, embaraçado. Estava gostando daquele lugar. Depois dos batizados e casamentos ia ter festa. João Cirilo tinha dito que à noite ia ter um baile de arromba, o sanfoneiro era Agenor Pitomba. E outra coisa: nunca tinha visto tanta mulher bonita. Tudo doidinha por folia, que mulher é bicho danado pra gostar de cangaceiro. Mas, que fazer? Não se desrespeita um padre, pois ai do vivente que for excomungado por um padre, vai direto pras profundas dos infernos.

– Pade Artur, o qui eu prometi ao sinhô eu cumpro. – E, dizendo isso, alteou a voz: – Mininos, venham se dispidi e pidi a bença ao pade! Zequié, venha cá. Você tamém, Virgino. Cadê o resto?

O Capitão levou o padre até os outros cangaceiros, que estavam se divertindo entre o povo, olhando de longe para as mocinhas, como quem não quer nada. No alpendre de uma casa estavam as filhas de Antônio Marques e de Lé Soares. Uma das filhas de Lé não tirava os olhos do cangaceiro Mariano. E o cangaceiro também estava de olho nela. Naquele instante Mariano estava conversando com um vaqueiro, perguntando quais eram os homens ricos do povoado, além de Julião, um velho que era proprietário de muitas terras, porém sovina como o diabo. Lampião apresentou o companheiro:

– Este aqui, seu pade, é Mariano, cabra bom, anda cumigo fais munto tempo, é fio dum lugá chamado Afogados da Ingazeira, im Pernambuco, lá pras banda do Pajeú, o mermo lugá onde nasceu Antonho Silvino, de quem na certa o sinhô já viu falá. Se dispeça do pade, Mariano.

O próximo a despedir-se foi um cangaceiro avermelhado, de cabelo claro, feições firmes:

– Esse aí é Luís Pedo, seu vigaro. Ele num gosta de apilido. É cuma se fosse um irmão meu. É tamém de Pernambuco. E aquele ali é da Quixaba, se chamava-se Anjo Roque e agora é Labareda, derna de onte qui tá cum nóis. Aquele outo é Zé Furtaleza. Os outos dois são primo, é Curisco e Arvoredo. E agora venha vê um segipano. Dexei ele pro fim de proposto. É o premero cabra de Segipe a me acumpanhá. Nóis chama ele de Vorta Seca.

O padre Artur ficou chocado com o que via. O cangaceiro sergipano não passava de um menino, um mulatinho de olhos vivos e jeito brincalhão que nem fios de barba tinha ainda. O vigário perguntou a idade dele.

– Onze ano – respondeu o garoto.

– Deus misericordioso!... – balbuciou o velho padre, condoído com tão terrível desgraça. – Uma criança...

– Criança!? – contrapôs Virgulino. – Nun se ingane não, pade Artu. Esse muleque, com essa carinha de besta, tem corage de fazê coisa qui até o diabo duvida! Nasceu pra sê cangacero!

O Capitão levantou o rosto, consultando a posição do Sol, e decidiu que era hora de tomar a estrada. Pegou o apito que levava amarrado com uma tira de couro à cinta do cantil e soprou forte duas vezes, chamando os cabras.

– Vou simbora, pade Artu. Até mais vê. Adiscurpe os mau jeito.

– Deus o leve, Virgulino. Pense no que eu lhe falei. Arranje um jeito de largar essa vida. Procure o coronel João Maria, da Serra Negra. Ou o coronel Antônio Caixeiro, da Borda da Mata. Diga que falou comigo. Eles podem lhe ajudar.

– Munto obrigado, seu pade.

Enquanto Lampião ia falar com China, o padre Artur Passos procurou Volta Seca, que já estava montado, junto com os companheiros. Estava sinceramente preocupado com o destino daquele pobre menino. Segurando as rédeas do cavalo do garoto cangaceiro, o padre perguntou:

– Meu filho, por que você deixou sua família, para seguir essa vida?

– Eu nun tenho famia. Meu pai agora é Lampião.

– Você tem certeza de que é essa a vida que quer ter?

Embora a pergunta fosse feita a Volta Seca, quem respondeu foi Mariano, que estava perto, escutando a conversa:

– Ninguém é cangacero purqui gosta, seu vigaro. Nóis nun tem outo jeito não. A nossa vida é esta.

– E vocês não têm medo das forças do governo?

– Medo de macaco? Nóis? Os macaco é qui se pela de medo da gente, home!

A conversa de Lampião com China foi reservada. O Capitão estava interessado em coisas práticas. Queria saber se Aracaju ficava longe e se em Itabaiana havia muitos macacos.

– Capitão, se o sinhô tá pensano im ir pro Aracaju, pode mudá de ideia, purque fica nos confim do mundo. Tabaiana é a merma coisa. Lá quem manda é o coroné Dorinha, e a cidade tem mais sordado do qui gente!

– Seu China, quem foi qui diche qui eu quero ir pra Aracaju? Daqui eu vou é pra Serra Nega! Agora, mudano de assunto, eu quero qui o sinhô me conte aí a histora de uma butija qui o sinhô achou.

China tomou um susto. Até isso tinham contado a Lampião?!

– Butija, seu Capitão? – perguntou China, se fazendo de desentendido.

– Me conte a histora da butija, seu China – insistiu o cangaceiro. – O sinhô achou ou nun achou ũa butija?

– Ah, sim, a butija... Já lhe falaro disso pro sinhô, é? Foi coisa sem importança, Capitão. Eu tive um sonho, ũa arma do outo mundo dizeno onde tinha um dinhero interrado nũa casa véia.

– E tinha dinhero mermo, seu China? Quanto?

– Ũa bobage, Capitão. Era ũas mueda do tempo antigo, qui nun circulava mais, nun valia de nada...

– Foi isso mermo qui me dichero, seu China. Eu tava só quereno uvi a histora de sua boca. E agora vou simbora. Diga a dona Marieta qui adiscurpe o trabaio qui nóis deu a ela. Munto obrigado pur tudo.

– Eu é qui agardeço, Capitão.

Saindo do interior da casa, Lampião soprou o apito novamente e dirigiu-se ao cavalo. Aumentou o alvoroço. As pessoas esticavam-se na ponta dos pés para ver mais uma vez o Capitão Virgulino, que estava indo embora. As moças apinhavam-se nas portas e janelas. Dizia-se que Volta Seca tinha dado um de seus muitos anéis a Mocinha de Dedé, e ela agora mostrava o presente às amigas, que morriam de inveja.

China veio falar de novo com Lampião, que já considerava seu amigo:

– Capitão, gostei munto do sinhô. Se argum dia vosmicê vinhé de novo pur aqui, a casa tá as suas orde. Se eu nun tivé aqui, tou no terreno. 

Tenho ũas terrinha num lugá chamado Recurso, logo aí na saída da rua.

– Eu já sabia, seu China. Mais é assim qui se fala. Tou veno qui o sinhô é um cabra macho. Cum certeza vou vortá outas veis aqui. Até mais vê!

O Rei do Cangaço, imponente em sua montaria, acenou para o povo de Poço Redondo. Os cangaceiros esporearam os cavalos, fazendo cabriolas, mostrando destreza, e dispararam a galope pela estrada que ia para a Serra Negra. O povo ficou olhando o bando se afastar levantando uma nuvem de poeira.

Todos estavam maravilhados com os modos gentis do Capitão cangaceiro. A partir dali, os mais velhos teriam muito que contar, muito assunto para os encontros com os amigos. E os mais novos teriam razões para sonhar de olhos abertos, imaginando novas perspectivas em suas vidas. Devia ser maravilhoso viver como cangaceiro, ficar famoso, ter dinheiro, ter mulheres, ser temido e adulado aonde chegasse, podendo fazer o que quisesse na vida, como Volta Seca, que aos onze anos de idade já era homem!...

Em vez de ir para a Serra Negra, como dera a entender ao sair de Poço Redondo, logo adiante o astuto cangaceiro mudou de rumo, pegando a estrada de Monte Alegre.”

O texto acima, entre aspas, é reprodução literal do capítulo 95 de Lampião – a Raposa das Caatingas. No capítulo 174, faço considerações acerca das circunstâncias que levaram Poço Redondo a ser identificada como “A Capital do Cangaço”.

Fonte: facebook

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domingo, 6 de dezembro de 2015

PRIMEIRAS FOTOS DO BANDO DE LAMPIÃO....!.


Local das fotos: Fazenda PEDRA de Laurindo Diniz em 1922 - Princesa Isabel-PB, hoje, o local está sub a jurisdição de S. José de Princesa.

A Foto nº 02 é uma compilação de uma original, que foi vendida em feira -livres, em cidade do sertão.

A Foto nº 01 - é do pesquisador Sousa Neto com as devidas identificações.

Pelos elementos informativos existentes, há de se concluir, que essas fotos foram feitas no mesmo local (Faz. Pedra) e, no mesmo dia.

Fonte: facebook

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A PORTA E A ESTRADA

Por Rangel Alves da Costa*

Creio que não há mais nada a fazer, ao menos aqui. Nos últimos dias, como se o destino já estivesse antecipando tudo, meus pequenos afazeres cotidianos foram se dando por satisfeitos e já não havia qualquer coisa importante a me preocupar. Certamente que eu poderia continuar dando milho aos pombos, limpando as folhagens que se acumulam pela praça, reparando os canteiros sempre revirados pelos que vão passando ao longo do dia.

Tudo há de ser resolvido sem a minha presença. Talvez somente os pombos sintam alguma saudade, mas depois buscarão alimento noutras praças e noutras bondosas mãos. Mas sentirei muita falta e muita saudade, não somente dos pombos se aproximando, das folhas caídas, daquelas tardes poéticas de outono, dos canteiros revirados, mas também dos diálogos silenciosos que mantinha com as paisagens e seus habitantes invisíveis a muitos.

Quando meus olhos começavam a passear após sentar no mesmo banco da praça ao entardecer, logo encontrava motivos de felicidade, mesmo quando as paisagens pareciam entristecidas. Aquelas folhas imensas caindo lá de cima e se espalhando pelo chão, aqueles pássaros voejando de canto a outro, a ventania que soprava cantando. Então dialogava com tudo ao redor e deixava que as sombras da noite descessem para as despedidas. Tudo isso vai ficar para trás.

Tempos de brisas perfumadas e sinos dobrando do alto da catedral. A cada toque e um coro de anjos entoando o Salmo do dia. Não precisava estar na igreja para conversar com Deus, com santos e querubins. Minha amoreira poema, minha folha poema, tudo poema. E a vela acesa junto ao oratório após a prece da hora da Virgem. Como o tempo passou, agora sinto. O amarelado no espelho e no retrato da parede não mais permite aquela luz de antigamente. Como o tempo passou. Ainda hoje, quando ouço o sino ao longe, é que percebo que somente a fé não envelhece.

Esse meu mundo envelheceu demais dentro de mim. Não, sei que não envelheceu e que apenas estou criando justificativas para abrir e fechar a porta e seguir pela estrada. Esse é o mundo que ainda amo, que ainda quero, que ainda me satisfaz e me realiza. Ora, aqui tenho a minha casinha, o meu jardim de poucas flores, minhas plantas de quintal, meus amigos de bico e penas que chegam e saem a qualquer hora do dia. Aqui tenho os meus livros, os meus escritos, os meus retratos e minhas saudades. E aqui também o silêncio que tanto necessito para pensar em tudo e também em nada. Mas então, por que partir?


Não sei, não sei. Ou sei e sei. Na verdade, o martírio não está em mim, mas a partir dos rascunhos que se acumulam pelas gavetas e estantes. Todos os escritos parecem tratar de um mundo insuportável ao ser humano. Há silêncios profundos, solidões infindáveis, lágrimas incessantes, saudades demasiadas, dores, abandonos e sofrimentos. E tudo isso em ambientes sombrios, em casas e quartos fechados, em lugares distantes do sol e da lua, em paisagens quase sempre outonais ou de infinitas tristezas. Mas eis o crucial: tudo parece comigo.

Sim, todos os rascunhos, todos os escritos, parecem comigo. Não intencionalmente, mas creio que ao longo de todos esses anos venho escrevendo uma autobiografia de angústias e sofrimentos. A cada letra, a cada página, e eu escrevendo sobre mim mesmo e pensando estar falando de outras pessoas, de outros personagens, de outras vidas. Aos poucos fui descobrindo que todos os personagens, todos os enredos, todas as paisagens, fazem parte do meu mundo. O mundo criado é o meu mundo então revelado. O mundo solenemente triste.

Aquele que lê a carta e depois chora sou eu. Aquele que caminha solitário pelo quarto sou eu. Aquele que tenta avistar o mundo pela fresta da janela sou eu. Aquele que bebe e sente que a lágrima se mistura à aguardente sou eu. Aquele que um dia, não suportando mais tantas aflições, abriu a porta e procurou um banco de praça, também sou. E eu também que não tenho outros amigos além dos pombos, das folhas, dos canteiros, dos pássaros, da ventania. Tudo e em tudo sou eu. Então me vejo dividido em dois: o que fica envelhecido nos escritos e o velho que vai partir.

Um ato simples. Basta abrir a porta e partir, sem remorso nem olhar para trás. Um ato simples e fácil assim. Mas nada mais difícil do que abdicar de um mundo e reinventar a vida perante o desconhecido. Talvez jogasse meus escritos lá fora e me trancasse no quarto durante mil dias. Mas aquelas vidas – que são as minhas – não sabem voar na ventania. E somente eu sei voar. Por isso que abrirei a porta e sentarei no velho tronco do jardim sem flores. E ali esperarei a ventania maior chegar. E então o último voo.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

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ASPECTO DA CIDADE DE UAUÁ NA BAHIA NO ANO DE 1931.


Próspera cidade baiana que abrigou grandes quantidades de fugitivos, pessoas que abandonaram suas casas em pequenas vilas e fazendas próximas em busca de segurança por temer a aproximação de Lampião e seus comandados.

Na região corria o boato que Lampião havia jurado invadir a cidade nem que para isso fosse preciso deixar sua cabeça. O que só aumentava o pânico e o medo da população temerosa.

Nas quebradas do Sertão...
Página: Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador)
Fonte: facebook

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O RAPOSA DAS CAATINGAS É SUCESSO NACIOANL


Se você ainda não comprou este fantástico trabalho do escritor José Bezerra Lima Irmão, só restam poucos livros. Então procura adquiri-lo o quanto antes, pois os colecionadores poderão comprar os poucos que restam. Seja mais um conhecedor das histórias sobre cangaço, para ter firmeza em determinadas reuniões quando o assunto é "cangaço". 

São 736 páginas.
29 centímetros de tamanho. 
19,5 de largura. 
4 centímetros de altura.
Foram 11 anos de pesquisas feitas pelo autor 

É o maior livro escrito até hoje sobre "Cangaço". Fala desde a juventude  e namoro dos pais de Lampião. Quem comprou, sabe muito bem a razão do "Sucesso a nível nacional do Raposa das Caatingas". 

O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:

Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

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FANTÁSTICO - MATÉRIA SOBRE CANGAÇO (CANDIEIRO X JOSÉ PANTA)

https://www.youtube.com/watch?v=dKJaQg8gGQ8

Publicado em 10 de janeiro de 2014

Matéria do Fantástico sobre os dois últimos sobreviventes da batalha de Angicos (1938), O cangaceiro Candeeiro e o volante José Panta Godoi, em que os dois ficam cara a cara.

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JESUÍNO BRILHANTE, O HERÓI BANDIDO (2010)

https://www.youtube.com/watch?v=YWGMOOpJAtM

Publicado em 26 de jul de 2013

Documentário realizado em 2010 pelos estudantes de jornalismo da UERN, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, sobre a vida do cangaceiro potiguar Jesuíno Brilhante. 

Ficha Técnica
Roteiro, decapagem e finalização: Allan Erick; 
Entrevista: Rodolfo Paiva e Stenio Urbano; 
Imagens: Bruno Soares; 
Edição de imagens: Cícero Pascoal.

Saiba mais sobre Jesuíno Brilhante e a produção deste curta em http://www.allanerick.blogspot.com.br/

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MOACIR ASSUNÇÃO FALA SOBRE LAMPIÃO, MARIA BONITA E O CANGAÇO

https://www.youtube.com/watch?v=47c51Q6dycI

Enviado em 6 de junho de 2011

Luciana Ferreira entrevista o escritor e jornalista Moacir Assunção falando sobre a lembrança de Lampião e Maria Bonita, como personagens da cultura brasileira.

Pra quem se interessa pelo assunto, é uma ótima entrevista de um dos maiores pesquisadores do assunto no Brasil.

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SINHÔ PEREIRA: O CANGAÇO E O CICLO DE VINGANÇAS FAMILIARES

https://www.youtube.com/watch?v=9YYk6buniKU

Publicado em 2 de setembro de 2013

O pesquisador Rostand Medeiros conta quem foi Sinhô Pereira, um dos pioneiros do Cangaço. Ele deixou o movimento em 1922 quando conseguiu vingar a morte de seu pai. Outros chefes de bando, como Lampião, também entraram para o Cangaço pelo mesmo motivo.

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SOBRE A MORTE DO CANGACEIRO ELÉTRICO.


Júlio Miguel dos Anjos irmão do cangaceiro Elétrico falando sobre a notícia da morte do irmão na grota do Angico.

Publicado em 10 de novembro de 2014
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VEJAM COMO FOI A PRIMEIRA VISITA DE LAMPIÃO A POÇO REDONDO, POVOADO DE PORTO DA FOLHA-SE. Parte 02


Diante de tão boa notícia, o rosto austero do Capitão Virgulino se alargou:

– Mais qui dia de sorte é esse, seu China! Fais tempo qui eu nun vejo um pade! E cadê ele?

– Tá durmino...

– Durmino ainda a estas hora? Apois vamo acordá ele, seu China!

China e sua mulher trocaram um olhar apreensivo. O padre Artur era notório pelo seu gênio forte, de homem destemido, acostumado a dar ordens e ser obedecido pelos matutos daquelas brenhas. Era capaz de querer dar um esbregue também no Capitão.

– Marieta – disse China, tentando desviar o assunto –, vá prepará um armoço reforçado pros nossos amigo.

Lampião deixou que a mulher fosse se desincumbir daquela providência, pois a lembrança do almoço era uma boa ideia, mas não esqueceu o assunto:

– Seu China, vamo acordá o pade. Daqui a pouco nóis vai simbora, e eu priciso sabê qui hora vai sê as reza.

Não tendo outra saída, China foi até o aposento onde o vigário estava dormindo. Lampião seguiu atrás. E foi o próprio cangaceiro quem chamou, com voz firme, mas respeitosa:

– Seu pade? Ô seu pade? Acorde, home, se alevante, tá na hora do café!...

Supondo que era China quem chamava, o vigário, que já estava acordado, respondeu, pachorrento:

– Já vou, China, já vou. Me desculpe. Eu estava muito cansado da viagem. Já estou velho. Não aguento mais andar a cavalo. Mas dormi bem, graças a Deus.

– Quem tá falano aqui nun é China não, seu vigaro – explicou o cangaceiro. – Aqui quem fala é o Capitão Virgulino Ferreira da Silva, vurgo Lampião!

O padre Artur, lá de dentro, acabando de vestir-se, admoestou:

– Que brincadeira é essa, China? Como é que você fala no nome daquele malfeitor, se comparando com um criminoso tão miserável?

Lampião não ligou para o insulto e continuou o diálogo:

– Nun se apuquente não, seu vigaro, mais quem tá falano é Lampião mermo, im carne e osso...

O padre Artur Passos nem respondeu, abriu a porta, já aborrecido com aquela brincadeira estranha do seu anfitrião, que nunca tinha sido de muitas intimidades, e, quando levantou os olhos, deu de cara com um homem de altura mediana, queimado de sol, usando um chapéu de couro cheio de espelhos, calçado de alpercatas de sola, com uma calça meio curta, mostrando as canelas longas e finas. Ao lado dele estava China, embasbacado, encolhido, e atrás dele dona Marieta, que segurava o braço do marido, como se nele pudesse encontrar alguma proteção. Foi ela quem quebrou o silêncio, explicando, como se fizesse as apresentações:

– Pade Artu, este home chegou aqui agora mermo, dizeno qui é Lampião, mais garante qui é de pais e nun vai matratá ninguém...

– De paz o quê, dona Marieta?! – respondeu o padre Artur, cônscio do que estava acontecendo, pois já tinha ouvido falar que Lampião havia fugido de Pernambuco –. A senhora já viu criminoso de paz? Seja ou não seja Lampião, um miserável deste está querendo é desgraçar com todo mundo!

Virgulino explicou, sem perder a calma:

– Seu vigaro, a muié de seu China falou certo. Eu tou pur aqui de passage, sou de pais, nun vou fazê má a ninguém, nun tenho inimigo aqui, e nun vou matratá quem nun é meu inimigo. O sinhô vai rezá missa?

– Por que você quer saber se eu vou ou não rezar missa? – perguntou o padre. – Isso é de sua conta?

– É qui se fô tê missa eu quiria assisti.

– Você endoideceu, foi? – exasperou-se o sacerdote. – Pois fique sabendo que um bandido como você, que vive matando e roubando cristãos, não assiste à minha missa de jeito nenhum!

– Pade, eu já diche...

– Mas eu também já disse, seu bandido atrevido e insolente, que não permito! Na missa quem manda sou eu! Na casa de Deus, cangaceiro não entra não!

Virgulino cedeu:

– Tá bom, seu pade, tá bom. Eu nun vou assisti a missa, já qui o sinhô nun qué.

Vieram nesse instante avisar que o café estava pronto. China convidou todos para comer, sem saber como se sairia agora.

O precavido Lampião cuidou das providências de praxe:

– Seu China, aqui tem delegacia?

– Tem não, seu Capitão – respondeu China.

O cangaceiro pensou um pouco. Falou de seus receios:

– Ói, vai tê festa hoje. Se o povo subé qui eu tou aqui, adeus festa, corre todo mundo, nun sei pur quê... Vou tê qui prendê esses dois cabra – referia-se a João Cirilo e Miquéias –, se não eles vão saí pur aí falano bestera...

China resolveu o problema: João Cirilo e Miquéias estavam convidados para comer também.

– Nun quero cumê não, seu China – disse João Cirilo –, eu tou sem apitite...

– Deixe de sê besta, home – interveio o Capitão –, você vai cumê, sim! Nun tá veno seu China cunvidá não?

Providencialmente, tudo deu certo: o velho padre, sem nenhuma objeção, sentou-se à mesa junto com os cangaceiros – o Padre Artur, Ministro de Deus, numa cabeceira, e o Capitão Virgulino, o Rei do Cangaço, na outra cabeceira.

O clima inicial de confronto havia-se dissipado. Os cangaceiros comeram calados. O padre, também.

Terminada a refeição – cuscuz com leite, macaxeira e carne de bode assada –, o padre Artur falou, como se estivesse dando continuidade a um diálogo silencioso:

– Virgulino, ouça bem o que eu vou lhe dizer. Como sacerdote, eu sou responsável pelo povo desta freguesia. Não vou permitir que você maltrate esta pobre gente. Escute isto: se algum dia você tiver coragem de judiar alguém por aqui, eu mesmo reúno gente e vou arrancar a sua cabeça, onde você estiver.

– Nun se avexe não, seu vigaro – respondeu o Capitão. – Tudo o qui eu quero é sussego. O povo daqui nun tem pur que tê medo deu. O meu poblema é cum os macaco. Sordados. Eles mataro meu pai im Alagoas. Mĩa mãe morreu de disgosto, tudo pur causa dos macaco e das oturidade, qui só considera cumo gente quem é rico. Quano mataro meu pai, eu cheguei a dizê qui se pudesse tocava fogo im Alagoas. Despois mataro meu irmão do meio, Livino, qui nóis chamava Vassoura. E despois mataro meu irmão mais véio, Antonho, qui eu chamava Isperança. Agora dos home só resta treis: eu, João e Zequié, aquele cabra ali – e apontou o dedo para Ezequiel. – João nun é cangacero, veve im Propiá, as veis passa uns tempo im Juazero do Meu Padim ou no Piauí, purque a nossa famia é munto grande, tem gente ispaiada no mundo todo. Eu e Zequié tamo cumprino a nossa sina. Aquele ali tamém é da famia – apontou para Virgínio.– O apilido dele é Muderno. Era casado cum mĩa irmã, chamada Angerca, qui morreu de ũa febre braba. O sinhô me chamou de bandido insulente. Mais eu digo uma coisa, seu pade. Eu nun sou ladrão. Quano eu quero ũa coisa, eu peço. Se ũa pessoa me ajuda, vira meu amigo. Se peço dimais e o sujeito me mostra qui num pude dá o qui eu quero, então eu abaxo o valô. Agora, tem ũa coisa qui eu nun perdoo: é traição! Se o cabra qué sê meu inimigo, seja! Se nun qué, nun seja! Eu respeito o home qui tem corage! Mais nun me atraiçoe! Eu nun tulero safadeza, o cabra se fazê de meu amigo na mĩa presença, mais nas mĩas costa se cunluiá cum os macaco, purque aí eu viro ũa fera, e se eu pudé pegar o fio da peste!...

– Olhe as palavras, Virgulino. Basta. Já andei lendo sobre você, conheço as suas justificativas, sei da morte do seu pai, enfim, toda essa situação. O problema é como você quer resolver as coisas. Pra tudo neste mundo tem um jeito, homem de Deus. Você não pode querer impor sua vingança diante do mundo todo, pois desse jeito a coisa não vai acabar nunca...

– Só mexo cum quem mexe cum eu.

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